Questões de Concurso Sobre literatura

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Q4339110 Literatura
O texto II a seguir serve de base de análise para a questão.

TEXTO II
Caboclo do sertão
(Rita de Cássia)

Eu vou te levar onde canta o sabiá
Onde a lua nos espia com olhar de menina
O cheiro do mato vem surgindo das colinas
Nossa cama é a grama pra fazer amor, menina

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê

Lá tem um riacho para a gente se banhar 
Pegar peixe, nadar junto e até vadiar
Quando for de noite nós acende o nosso amor
Pois fogueira não tem frio, pois sou teu cobertor

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida a viver
Tudo pra eu e ocê

Quando for cedinho a passarada a cantar
Tem o sol alumiando pra nos acordar
Lá no paraíso tudo é feito com amor
Só faltava uma deusa, e você chegou...

Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê

Fonte: Onde Canta o Sabiá - Rita de Cássia - LETRAS.MUS.BR
Levando-se em consideração a tipologia e a estrutura do texto II em evidência, pode-se afirmar que ele
I. Foi elaborado em forma de versos a fim de realçar uma expressividade rítmica.
II. Fundamenta-se na variedade dialetal a fim de realçar o falar próprio de uma região.
III. Na sua composição, prescinde de vocabulário sociocultural representativo de um povo específico.
IV. Restringe sua expressividade linguística a uma modalidade escorreita conforme o contexto em que se encontra.
Pode-se dizer que está correto o que se afirma
Alternativas
Q4339107 Literatura
O texto I abaixo serve de base de análise para a questão.

TEXTO I

    Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frangod'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutum. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..."
    Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado.
    Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado — que o Mutum era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a ideia de poder trazê-lo desse jeito de cor, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas. Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia:
    — Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver...
    Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto todo sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém, concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço que tinha falado aquilo era que estava com a razão. [...]
    De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
     — Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
     — Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
     — E seu irmão Dito é o dono daqui?
    — Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
    — Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
    Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
    — Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
    — É Mãe, e os meninos...
    Estava Mãe, estava Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada.
    O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo:
   — Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?
    Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
    — Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim...
    E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
    — Olha, agora!
    Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu:
    — Miguilim, você é piticego... E ele respondeu:
  — Donazinha... Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora. [...]
    Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
    — Pra onde ele foi?
    — A foi p´ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s´embora para a cidade. Disse que, você querendo. Miguilim, ele junto te leva... O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. Você mesmo quer ir?
    Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até ao fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
     — Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram...
    E Mãe foi arrumar a roupinha dele. A Rosa matava galinha, para pôr na capanga, com farofa. Miguilim ia no cavalo Diamante — depois era vendido lá na cidade, o dinheiro ficava pra ele.
    — Mãe, é o mar? Ou é para a banda do Pau-Roxo, Mãe? É muito longe?
   — Mais longe é, meu filhinho. Mas é do lado do Pau-Roxo não. É o contrário... A Mãe suspirava suave.
    — Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu tudo?!
   — Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu tenho tanto amor... [...] O doutor chegou. 
    — Miguilim, você está aprontado? Está animoso? Miguilim abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao Papaco-o-Paco, ao gato Sossõe que lambia as mãozinhas se asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo.
     — Dá lembrança a seo Aristeu... Dá lembrança a seo Deográcias... Estava abraçado com Mãe. Podiam sair. Mas, então, de repente, Miguilim parou em frente do doutor. Todo tremia, quase sem coragem de dizer o que tinha vontade. Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia. Olhou Mãitina, que gostava de o ver de óculos, batia palmas-de-mão e gritava:
   — Cena, Corinta!... Olhou o redondo de pedrinhas, debaixo do jenipapeiro. Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz:
    — Tio Terêz, o senhor parece com o Pai... Todos choravam. O doutor limpou a goela, disse:
    — Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus olhos se enchem d´água...
     Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho veio. Sempre alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim... Nem sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punhalhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-oPaco falava, alto, falava.

ROSA, Guimarães. Campo Geral. Adaptado.
Uma importância fulcral da obra literária em sala de aula é a observação de modelos sociais às vezes compatíveis com a realidade dos alunos a fim de despertar nestes a curiosidade linguística e criativa para a importância da leitura nas suas vidas. Sobre isso, pode-se constatar que a obra Campo Geral, de Guimarães Rosa, serve como exemplo de um certo contexto ao evidenciar:
Alternativas
Q4339101 Literatura
O texto I abaixo serve de base de análise para a questão.

TEXTO I

    Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frangod'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutum. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..."
    Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado.
    Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado — que o Mutum era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a ideia de poder trazê-lo desse jeito de cor, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas. Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia:
    — Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver...
    Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto todo sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém, concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço que tinha falado aquilo era que estava com a razão. [...]
    De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
     — Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
     — Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
     — E seu irmão Dito é o dono daqui?
    — Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
    — Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
    Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
    — Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
    — É Mãe, e os meninos...
    Estava Mãe, estava Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada.
    O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo:
   — Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?
    Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
    — Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim...
    E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
    — Olha, agora!
    Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu:
    — Miguilim, você é piticego... E ele respondeu:
  — Donazinha... Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora. [...]
    Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
    — Pra onde ele foi?
    — A foi p´ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s´embora para a cidade. Disse que, você querendo. Miguilim, ele junto te leva... O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. Você mesmo quer ir?
    Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até ao fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
     — Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram...
    E Mãe foi arrumar a roupinha dele. A Rosa matava galinha, para pôr na capanga, com farofa. Miguilim ia no cavalo Diamante — depois era vendido lá na cidade, o dinheiro ficava pra ele.
    — Mãe, é o mar? Ou é para a banda do Pau-Roxo, Mãe? É muito longe?
   — Mais longe é, meu filhinho. Mas é do lado do Pau-Roxo não. É o contrário... A Mãe suspirava suave.
    — Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu tudo?!
   — Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu tenho tanto amor... [...] O doutor chegou. 
    — Miguilim, você está aprontado? Está animoso? Miguilim abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao Papaco-o-Paco, ao gato Sossõe que lambia as mãozinhas se asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo.
     — Dá lembrança a seo Aristeu... Dá lembrança a seo Deográcias... Estava abraçado com Mãe. Podiam sair. Mas, então, de repente, Miguilim parou em frente do doutor. Todo tremia, quase sem coragem de dizer o que tinha vontade. Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia. Olhou Mãitina, que gostava de o ver de óculos, batia palmas-de-mão e gritava:
   — Cena, Corinta!... Olhou o redondo de pedrinhas, debaixo do jenipapeiro. Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz:
    — Tio Terêz, o senhor parece com o Pai... Todos choravam. O doutor limpou a goela, disse:
    — Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus olhos se enchem d´água...
     Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho veio. Sempre alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim... Nem sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punhalhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-oPaco falava, alto, falava.

ROSA, Guimarães. Campo Geral. Adaptado.
Os fragmentos do texto I são pertencentes a “Campo Geral”, de Guimarães Rosa. Esta produção é classificada como Novela enquanto gênero, a qual compõe um conjunto de sete narrativas criadas e interligadas pelo autor, cujo nome é “Corpo de Baile”. Sobre isso, pode-se afirmar em relação à escola literária da obra que esta:
Alternativas
Q4337362 Literatura
For a literary unit, a teacher selects a Nigerian short story in English, a Jamaican poem, and a Canadian graphic narrative. The objective is to broaden students' literary repertoire while preventing the works from being treated as transparent summaries of entire national cultures.

Which procedure is pedagogically CORRECT?
Alternativas
Q4334810 Literatura

Leia o texto a seguir e responda à questão.



Texto I



LÍNGUA PORTUGUESA


Última flor do Lácio, inculta e bela,

És, a um tempo, esplendor e sepultura;

Ouro nativo, que, na ganga impura,

A bruta mina entre os cascalhos vela...


Amo-te assim, desconhecida e obscura,

Tuba de alto clangor, lira singela,

Que tens o trom e o silvo da procela,

E o arrolo da saudade e da ternura!


Amo o teu viço agreste e o teu aroma

De virgens selvas e de oceanos largos!

Amo-te, ó rude e doloroso idioma,


Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”

E em que Camões chorou, no exílio amargo,

O gênio sem ventura e o amor sem brilho!



BILAC, Olavo. Língua Portuguesa. In: BILAC, Olavo. Poesias. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1888.

O poema “Língua Portuguesa”, produzido por Olavo Bilac, representa a estética literária do:
Alternativas
Q4334220 Literatura
O movimento surrealista, conforme formulado em seu manifesto de 1924, propõe um modo de expressão que valoriza o funcionamento real do pensamento, livre do controle exercido pela razão e de toda preocupação estética ou moral. Nessa concepção, a técnica que se baseia em escrever depressa, sem assunto preconcebido e sem a tentação de reler, com o objetivo de exteriorizar o pensamento de forma espontânea, denomina-se:
Alternativas
Q4330252 Literatura
Machado de Assis é considerado um dos maiores escritores da literatura brasileira; suas obras se caracterizam pela: 
Alternativas
Q4330246 Literatura
Gênero literário popular brasileiro, tradicionalmente escrito em versos com métrica e rima e impresso em folhetos. Seu nome deriva da forma como eram expostos para venda. Essa literatura, tipicamente brasileira, denomina-se: 
Alternativas
Q4330232 Literatura

O último a entrar

 

Só são permitidos seis em pé; como é que já haviam entrado sete naquele ônibus de fim de linha em West Hampstead? É que o trocador não tinha visto.

O chofer viu, no momento de dar partida:

– Tem um sobrando aí atrás.

E não deu partida. O trocador contou os passageiros em pé: é verdade, estava sobrando um. Qual? Naturalmente o que entrara por último.

– Quem é que entrou por último?

O diabo é que haviam entrado todos praticamente ao mesmo tempo.

– Um dos senhores tem que descer. Cada um olhou para os demais, esperando que alguém se voluntariasse. Ninguém se mexeu.

– Como é? Alguém tem de sair.

O chofer veio de lá, em auxílio do colega. Fez uma preleção sobre o cumprimento da lei, ninguém se comoveu.

– Vamos chamar um guarda – sugeriu ao trocador. Saíram do ônibus, cada um para o seu lado, à procura de um guarda.

Um velhinho, alheio ao impasse, entrou muito lépido no ônibus, aumentando para oito o número de passageiros em pé. Em pouco voltava o chofer, acompanhado de um guarda. O guarda foi logo impondo respeito:

– Salte o último a entrar.

O bom velhinho não vacilou: com autoridade não se brinca. Sem querer saber por que, do jeito que entrou, tornou a sair. O chofer, secundando com um olhar vitorioso a decisiva atuação do guarda, foi se aboletar de novo ao volante. Não sem uma última olhada pelo espelhinho sobre os passageiros em pé: um dois, três, quatro, cinco, seis, ué, que história é essa? Continuavam sendo sete?

– Ainda tem um sobrando.

E veio de lá, disposto a conferir. Não tinha dúvida: voltaram a ser sete.

– Um vai ter que sair.

Os passageiros continuaram firmes – cada um plenamente de acordo, desde que fosse outro a sair. Um deles, já irritado, e por estar mais perto da porta, cometeu a imprudência de deixar o ônibus para buscar de novo o guarda, que já ia longe. Os outros sugeriram ao chofer:

– Aproveita agora. Só tem seis, toca o ônibus.

Faltava o trocador, que ainda não havia voltado. O chofer convocou às pressas outro trocador nas imediações, que a companhia costumava deixar de plantão no fim da linha:

– Entra aí e vamos embora, que já estou atrasado.

O novo trocador assumiu o posto, e quando o ônibus já ia arrancando, deu com o velhinho ali firme junto ao poste:

– E o senhor?

– Esperando ônibus.

– Então entre.

O velhinho entrou, o ônibus partiu.

 

(SABINO, Fernando. A inglesa deslumbrada. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1969.)

Marcas de informalidade são elementos que aproximam o texto da fala espontânea. Trata-se de uma marca de informalidade presente na linguagem utilizada pelo autor no texto:
Alternativas
Q4322854 Literatura
A literatura brasileira e portuguesa foi marcada, ao longo do século XIX, por diferentes movimentos literários que refletiram mudanças estéticas, sociais e filosóficas de cada época. Considerando esses movimentos, complete as lacunas do texto a seguir.
O movimento literário conhecido como_____, que teve em José de Alencar um de seus principais representantes no Brasil, valorizava temas nacionalistas, a idealização da natureza e do indígena, além de uma linguagem marcada pela subjetividade e pela emoção. Em contraposição a essa estética, o_____, influenciado pelo cientificismo e pelo determinismo do século XIX, buscava retratar a realidade de forma objetiva e impessoal, com destaque, no Brasil, para a obra de Aluísio Azevedo. Já em Portugal, o movimento______, representado por autores como Eça de Queirós, também se caracterizou pela crítica social e pela análise objetiva dos costumes da sociedade burguesa.

Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas, na ordem em que aparecem.
Alternativas
Q4322469 Literatura

“Pernambucano”, “recifense”… Quem define o gentílico de um lugar?


Por Bela Lobato

(Disponível em: super.abril.com.br/coluna/oraculo/pernambucano-recifense-quem-define-o-gentilico-de-umlugar/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica, correta e respectivamente, a autoria das obras “Ponciá Vicêncio”, “Quarto de Despejo” e “Úrsula”.
Alternativas
Q4322468 Literatura

“Pernambucano”, “recifense”… Quem define o gentílico de um lugar?


Por Bela Lobato

(Disponível em: super.abril.com.br/coluna/oraculo/pernambucano-recifense-quem-define-o-gentilico-de-umlugar/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Leia o poema a seguir, analisando suas características e temática:

Ah! que eu não morra sem provar, ao menos Sequer por um instante, nesta vida Amor igual ao meu!
Dá, Senhor Deus, que eu sobre a terra encontre Um anjo, uma mulher, uma obra tua, Que sinta o meu sentir;
Uma alma que me entenda, irmã da minha, Que escute o meu silêncio, que me siga Dos ares na amplidão!
Que em laço estreito unidas, juntas, presas, Deixando a terra e o lodo, aos céus remontem Num êxtase de amor!

Assinale a alternativa que indica o movimento literário relacionado ao texto.
Alternativas
Q4322466 Literatura

“Pernambucano”, “recifense”… Quem define o gentílico de um lugar?


Por Bela Lobato

(Disponível em: super.abril.com.br/coluna/oraculo/pernambucano-recifense-quem-define-o-gentilico-de-umlugar/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando a figura de linguagem predominante nos excertos abaixo ao seu respectivo poema.

Coluna 1
1. Gradação.
2. Anáfora.
3. Aliteração.

Coluna 2
( ) Vi uma estrela tão alta, Vi uma estrela tão fria! Vi uma estrela luzindo Na minha vida vazia. Era uma estrela tão alta! Era uma estrela tão fria! Era uma estrela sozinha Luzindo no fim do dia. — Manuel Bandeira
( ) E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão. — João Cabral de Melo Neto
( ) Eu não tinha este rosto de hoje, assim calmo, assim triste, assim magro, nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, tão paradas e frias e mortas; eu não tinha este coração que nem se mostra. — Cecília Meireles

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4319900 Literatura
A sopa 


    Subiu lentamente a escada, arrastando os pés. Estacou para respirar apenas uma vez, no meio dos trinta degraus: ainda era um homem. Entrou na cozinha e, sem olhar para a mulher, sem lavar as mãos, sentou-se à mesa. Ela encheu o prato de sopa, colocou-o diante do marido.

    Olho vermelho de dorminhoco, o filho saiu do quarto e atravessou a cozinha. O homem batia as pálpebras, embevecido com os vapores capitosos.

    – Aonde é que vai?

    O filho abriu a torneira do banheiro:

    – Fazer a barba.

    – Hora da janta. Vem comer.

    Demorava-se o rapaz, torneira fechada. Com a toalha no pescoço, não olhou o pai.

    – Não quero jantar. Sem fome.

    O homem suspendeu a colher:

    – Não quer jantar, mas vem para a mesa.

    Todas as noites, esfomeado. Enchia a colher, aspirava o caldo de feijão e, fazendo bico nos lábios; grossos, tragava-o com delícia. O filho desenhava com o garfo na toalha de flores estampadas. A mulher, essa, contemplava o fogo, mão no queixo.

    – Vou dar uma volta.

    O homem sugava ruidosamente e, a cada chupão, o filho revolvia a ponta do garfo no coração das margaridas.

    – Saiu agora do quarto, filho de barão! Mas eu... Quando me deitar de dia na cama! É para morrer!

    A mão do filho abandonou o garfo e não se mexeu.

    – Volta cedo, não é?

    A voz cansada da mãe, ainda de costas para a mesa. Não sabia ela que, ao defendê-lo, perdia a causa do filho? O homem esvaziou o prato e, descansando a colher, examinou as mãos enrugadas.

    – Estas mãos – sacudidas de ligeiro tremor – de um velho!

    A mulher apanhou o prato, encheu-o até a beirada. O marido retorceu as pontas úmidas do bigode:

    – Você não come?

    O filho contornava com o garfo as pétalas na toalha.

    – Não estou com vontade.

    – Depois o senhor vai para o quarto.

    Cheirava a colher e sorvia a sopa, estalando a língua. O filho ergueu-se da mesa.

    – O senhor fica sentado. Não tem pão nesta casa?

    A mulher trouxe o pão. Ele não o cortava: agarrava-o inteiro na mão e mordia várias vezes; em seguida partia-o em pedaços, alinhados diante do prato, atacando um por um, entre as colheradas.

    – Volta cedo, não é, meu filho?

    De novo a mãe, nunca aprenderia.

    – Agora não vou mais. O pai dizia a última palavra:

    – Uma vergonha! O chefe tem de jantar sozinho. O filho preguiçoso... até para comer. A mulher – com seus brados retiniam os talheres – tem o estômago delicado.

    Não se mexeu, curvada sobre o fogão.

    – Olhe para mim quando falo com a senhora!

    Ela se virou, a enxugar as mãos na saia.

    – Depois de velha, melindrosa. Não pode comer com o rei da casa, que lhe sustenta o filho e lhe dá o dinheiro?

    – Sabe por que não sento.

    Os dois a olharam com espanto, nunca discutiu as ordens do marido.

    – Sei não, dona princesa. Pois me conte.

    Ele pedia, a colher no ar:

    – Perdeu a coragem, que não fala?

    Outra vez a mulher deu-lhe as costas.

    – Só nojo de você.

    Ele começou a soprar, manchava de borrifos a toalha.

    – O quê? O quê? Repita, mulher.

    A dona abriu o fogão, espertou as brasas, encheu-o de lenha:

    – Nada espero da vida. Mas não posso te ver comer. Sei que é triste para a mulher ter nojo do marido. Você chupa a colher se fosse tua última sopa. Come o pão como se eu fosse te roubar. Não sei o que fiz a Deus para esse castigo mais desgraçado. Fui boa mulher, ainda que tenha nojo. Lavo tua roupa, deito na tua cama, cozinho tua sopa. Faço isso até morrer. Me peça o que quiser. Não que me sente a essa mesa com você e tua sopa.

    O filho abandonou a cozinha e desceu a escada. Os dois ouviram bater a porta da rua.

    O marido encarou primeira vez a mulher. Baixou os olhos, cabelos de gordura boiavam no caldo frio. Erguendo um lado do prato, acabou o resto de sopa e lambeu a colher.


(TREVISAN, D. Novelas Nada Exemplares. Rio de Janeiro: Record, 2020. Adaptado)
O desfecho do conto apresenta uma mudança sutil no comportamento do marido após o contundente desabafo da esposa. A análise do trecho final permite concluir que a ação de “erguer um lado do prato, acabar o resto de sopa e lamber a colher” (47º§) simboliza:
Alternativas
Q4318200 Literatura

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Autor: Fernando Pessoa.

No âmbito do gênero lírico, a voz que enuncia o poema e manifesta sentimentos ou perplexidades existenciais não se confunde, necessariamente, com a pessoa biográfica do autor. A respeito da construção dessa voz poética no texto de Fernando Pessoa, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q4318197 Literatura

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Autor: Fernando Pessoa.

Em relação à estrutura formal e aos recursos de versificação empregados por Fernando Pessoa no poema, analise as partes que seguem:


(1ª parte): A estrofação caracteriza-se pelo uso de tercetos encadeados, estrutura lírica típica da poesia épica.


(2ª parte): O esquema rímico do poema segue o padrão cruzado ou alternado (ABAB) em todas as suas estrofes.


(3ª parte): As rimas do poema são exclusivamente pobres, constituídas apenas por palavras pertencentes à mesma classe gramatical e com consoantes idênticas.


Pode-se afirmar que:

Alternativas
Q4318192 Literatura

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Autor: Fernando Pessoa.

Nos versos Que fiz eu da vida? / Fiz o que ela fez de mim..., a voz poética estabelece um jogo de perguntas e respostas que sintetiza sua postura diante da própria existência. Do ponto de vista interpretativo, esses dois versos expressam
Alternativas
Q4318191 Literatura

Para responder à questão, leia o texto abaixo.



Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!


Autor: Fernando Pessoa.

O elemento da chuva marca a abertura e o fecho do texto. Sob a perspectiva da simbologia poética e da construção do espaço subjetivo na obra de Fernando Pessoa, assinale a alternativa que analisa CORRETAMENTE o papel simbólico desempenhado pela chuva.
Alternativas
Q4317329 Literatura

Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia


No Pará, peritos e pesquisadores utilizam moscas e outros insetos para estimar o tempo de morte, identificar circunstâncias de crimes e ampliar as possibilidades de investigação forense.


        Era mais um dia de plantão do perito criminal Augusto Andrade. Dessa vez, ele tinha sido chamado para coletar evidências em uma residência no município de São Domingos do Araguaia, região sudeste do estado do Pará. No local, o corpo de uma mulher tinha sido encontrado e a suspeita era de morte natural. Chegando lá, algo chamou a atenção do perito. “Havia muitas moscas. Mais do que deveriam”, disse. Para Augusto, que tem a experiência de anos recolhendo evidências em locais de crime no interior do estado, isso significava uma coisa: “Algum ferimento havia sido aberto ali”, disse ele.


As moscas eram os vestígios

        O laudo científico foi encaminhado para a Polícia Civil, que junto a outras evidências passou investigar o caso como homicídio. Essa não foi a primeira vez que esses insetos ajudaram Augusto em uma investigação. Em outras sete cenas de crime, as moscas foram fundamentais em determinar o chamado “Intervalo Post Mortem” (IPM) - uma estimativa sobre quanto tempo uma pessoa foi morta, dado essencial nas investigações criminais. Em um dos casos, o perito chegou a coletar ovos de moscas que estavam em um cadáver e os levou para a Polícia Científica de Marabá, onde analisou o tempo em que se desenvolviam. “As moscas têm um ciclo de vida de dias. Então dependendo do estágio em que a mosca está no corpo, se larvas ou os ovos, a gente pode dizer há quanto tempo um cadáver está ali”, diz.


        Augusto explica que esse tipo de dado torna o laudo mais técnico, auxiliando a Polícia Civil, caso eles já tenham um suspeito ou uma linha de investigação. “A Polícia Civil pode comparar com o que eles já apuraram. Por exemplo, se uma pessoa está mentindo ou não sobre determinada informação, ou se a evidência é convergente com aquela linha já adota da”, disse.


Entomologia Forense

        Contar com insetos como ‘microinvestigadores’ não é uma novidade nem na perícia e nem na ciência. A entomolo gia forense (entomo - inseto; logia - estudo) aplica o estudo dos insetos e outros artrópodes a procedimentos legais, auxili ando nas investigações criminais. O primeiro registro disto está em um manual de medicina chinês, datado do século XIII, que relata a investigação de um homicídio.


        “Um dia alguém observou uma pessoa assassinada e suspeitavam de um determinado aldeão. Foram lá na casa de le e acharam uma foice com sangue e vermes, indicando que aquela tinha sido a arma do crime. A partir disso começa-se o estudo da entomologia. Esses bichinhos aqui seriam, digamos assim, os nossos aliados para descobrir quem é o criminoso, as circunstâncias e o local do crime”, explica o professor Danilo Oliveira, entomologista e docente na Universidade do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).


        No Brasil, os primeiros registros de insetos auxiliando em investigações estão datados de 1908. Mesmo assim, es tudos na área ainda carecem de investimentos. Além de essenciais para os ecossistemas, o professor explica que alguns insetos também são capazes de fornecer dados que vão desde as circunstâncias do crime e o local em que o crime ocorreu, até a identificação do criminoso. “Essa observação torna possível responder algumas perguntas e ajuda a entender como foi a morte, qual que foi a causa, o local onde isso aconteceu. E aí a gente tem algumas espécies que nos ajudam muito assim, e que se destacam”, diz.


        Entre os principais insetos de importância forense estão as moscas, os besouros e até borboletas. Danilo explica que, quando há um corpo morto, os dípteros, ou seja, as moscas, são os primeiros a chegar.

        “As moscas depositam ovos no cadáver. Esses ovos eclodem em larvas. Essas larvas vão crescendo em etapas e es sas etapas têm duração específica. É nesse tempo de ‘crescimento’ que estão os dados da investigação”, explica o profes sor.


Por exemplo, se em um cadáver é coletada uma larva de uma espécie cujo ciclo de desenvolvimento demora 10 di as, e após a coleta a larva demora 5 dias para se desenvolver, isto significa que os outros 5 dias ocorreram antes do corpo ser encontrado. Com isso é possível saber a duração de cada etapa e calcular o intervalo pós-morte, ou seja, uma estimativa de quanto tempo aquela pessoa morreu. “Mas essa é uma estimativa que também depende das condições do ambiente, localização, clima”, diz.

[...]


(Vanessa Monteiro. Supervisão Ruanne Lima. Edição Carla Fischer. Fotos de Lucas dos Santos Alves. Publicado em 29/09/2025. Dispononível em: www.amazoniavox.com/reportagens/view/141/pt-br/insetos_a_favor_da_lei_a_entomologia_forense_como_aliada_da_justica_na_amazonia)

Embora o texto “Insetos a favor da Lei: a entomologia forense como aliada da justiça na Amazônia” pertença ao campo jornalístico-científico, sua construção discursiva mobiliza uma perspectiva de conhecimento fundada na observação, na evidência material, na relação entre fenômenos e na tentativa de explicação objetiva da realidade. Tais procedimentos permitem estabelecer um diálogo crítico com determinadas concepções presentes na literatura brasileira do final do século XIX. Considerando essa aproximação, assinale a alternativa que melhor interpreta a relação entre o texto e o projeto estético ideológico do Naturalismo brasileiro.
Alternativas
Q4313417 Literatura
"A leitura de literatura é uma prática social que deveria ser cultivada e valorizada pela escola, por ser o local em que a literatura, quando ensinada adequadamente, tem papel fundamental a cumprir na sala de aula." NUNES, Palmyra Baroni. Alunos Leitores, Alunos Mediadores: uma proposta de projeto para a prática de leitura literária na escola. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, v. 22, n. 27, 2022. Disponível em: https://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/22/27/alunos-leitores-alun os-mediadores-uma-proposta-de-projeto-para-a-pratica-de-leitura-literar ia-na-escola. Acesso em: 7 ago. 2026. (Com adaptações.)
Em uma reunião pedagógica sobre formação de leitores nos anos iniciais, discute-se o modo de conduzir a leitura de obras literárias. Considerando o excerto, analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I.A leitura literária na escola requer mediação planejada, com escolha do acervo, definição dos modos de ler e espaço para a troca de impressões entre os leitores.
PORQUE
II.A formação do leitor literário não decorre da simples disponibilização de livros, dependendo de práticas que ampliem repertório e ensinem modos de ler o texto ficcional.
A respeito dessas asserções, é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
21: C
22: A
23: D
24: A
25: D
26: B
27: D
28: A
29: D
30: D
31: A
32: B
33: C
34: C
35: A
36: B
37: B
38: C
39: B
40: B