Questões de Concurso Sobre literatura

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Q4313371 Literatura
LÍNGUA PORTUGUESA
Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura,  Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela, E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: "meu filho!", E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
BILAC, Olavo. Língua Portuguesa. In: Tarde, 1919. Disponível em: https://www.escritas.org/pt/t/12986/lingua-portuguesa. Acesso em: 7 ago. 2026.
Em aula destinada à análise literária, o professor solicita que a turma examine os recursos expressivos empregados por Olavo Bilac na construção do elogio ao idioma, atentando para a relação entre as imagens dos quartetos e o fecho do soneto. A análise que se sustenta na materialidade do texto é a de que:
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Q4312501 Literatura
"A literatura negra é composta por obras cuja temática está associada à experiência de pessoas negras. Além disso, autoras e autores desse tipo de literatura devem ser afrodescendentes. Desse modo, a obra deve trazer o ponto de vista dessas pessoas."
Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/literatura/literatura-negra.htm
No Brasil, um dos destaques da chamada "Literatura Negra" é a escritora:
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Q4309145 Literatura
Para a teoria literária, a tripartição dos gêneros estabelecida pelos gregos em lírico, épico e dramático é central. “Ela obedece à presença de dois fatores essenciais: a maneira usada para a imitação (ou representação da realidade), o objeto dessa imitação ou a face que daquela realidade foi escolhida para a transfiguração artística.” (COELHO, N. N. Literatura & Linguagem. 5. ed. São Paulo: Edições Quíron, 1980, p. 36). Em relação a esse tópico, partindo das maneiras de imitação, relacionar as colunas e assinalar a sequência correspondente.
(1) Poema lírico. (2) Epopeia. (3) Tragédia. (4) Comédia.
( ) O mundo do materialismo grosseiro, em que agem homens inferiores, medíocres ou tolos, é mostrado por meio de poesia representada.
( ) A consciência do poeta quanto ao seu mundo interior é revelada por meio de poesia cantada.
( ) Os grandes conflitos da condição humana vividos por homens superiores são mostrados por meio de poesia representada.
( ) Fatos ou acontecimentos grandiosos do mundo das realizações humanas são narrados por um poeta observador.
( ) Seus heróis são compelidos pela fatalidade.
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Q4307124 Literatura
Leia o texto a seguir.

No meu peito a mesma dor Que afoga Faz lembrar tudo que sou Sou mais Sou mais Mesma pele a mesma cor E sonho Pra vibrar feito tambor Guiar meu peito Todo choro de rancor Se apague Nossas filhas verão mais amor que nós E ouça essa voz Sonho sob meus pés Que as minhas mãos Só toquem ouro Oração dos meus pais E bem mais atrás Nosso tesouro Que essa pele marrom Suba o tom se for preciso Muito além dessa dor Bem mais amor Eu sei pelo que brigo.

JOTA.PÊ. Ouro Marrom. In: JOTA.PÊ. Se o Meu Peito Fosse o Mundo. Rio de Janeiro: SLAP/Som Livre, 2024. 1 faixa (4 min 38 s). Disponível em: plataformas de streaming. Acesso em: 26 jun. 2026.

O texto é um trecho da canção Ouro Marrom, do cantor e compositor Jota.pê. A partir da construção do texto, inferese que o eu lírico elabora sua identidade discursiva mediante a
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Q4307123 Literatura
Leia o texto a seguir.

Poema tirado de uma notícia de jornal

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no Morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

BANDEIRA, Manuel. Poema tirado de uma notícia de jornal. In: BANDEIRA, Manuel. Libertinagem. 2. ed. São Paulo: Global, 2013.

Infere-se, a partir da leitura do poema de Manuel Bandeira, que o principal efeito de sentido é produzido pela
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Q4307121 Literatura
Leia o texto a seguir.

Era meu irmão quem organizava da Inglaterra as chamadas dominicais de Zoom, nosso turbulento ritual de lockdown: dois de nós entravam de Lagos, outros três dos Estados Unidos, e meus pais, às vezes com muitos ecos e chiados, de Abba, a cidade de nossos antepassados no Sudoeste da Nigéria. No dia 7 de junho lá estava meu pai, como de costume só com a testa aparecendo na tela, porque ele nunca sabia muito bem como segurar o telefone durante as chamadas de vídeo. “Mude um pouco a posição do telefone, pai”, dizia um de nós. Meu pai estava provocando meu irmão Okey por causa de um novo apelido, depois disse que não jantou porque tinha almoçado tarde, depois falou sobre o bilionário da cidade vizinha que queria confiscar as terras ancestrais da nossa aldeia. Não estava se sentindo muito bem e andava dormindo mal, mas não precisávamos nos preocupar. No dia 8 de junho, Okey foi visitálo em Abba e disse que ele parecia cansado. No dia 9, não me alonguei muito em nossa conversa para ele poder descansar. Ele riu baixinho quando fiz minha imitação brincalhona de um parente. “Ka chi fo”, disse. Boa-noite. Suas últimas palavras para mim. No dia 10 de junho, ele se foi. Meu irmão Chuks me ligou para avisar, e eu desmoronei.

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Notas sobre o luto. Tradução de Fernanda Abreu. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

O texto foi extraído do livro de Chimamanda Adichie intitulado Notas sobre o luto. Analisando a organização textual do fragmento, a progressão dos acontecimentos constrói-se por meio da
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Q4306860 Literatura
Meninos

Estrofe 1
meninos pedindo comida na porta das casas.
meninos esguios macilentos
filhos da fome
crias do medo
bichinhos escuros
melados de sujo
procriados em catres imundos
em horas escusas
botados no mundo
porque o remédio falhou
Estrofe 2
meninos pedindo comida
ratos de esgoto
saídos da lama
de dia se escondem
de noite se espalham
correndo de porta em porta
só comem no escuro
ratos de esgoto
que a noite soltou
Estrofe 3
meninos pedindo comida nas casas burguesas
meninos pisando pés sujos
nos pátios de são caetano
escorando as mãos sujas no espelho
dos azulejos coloridos do hall
meninos apertando o botão da campainha
esperando o milagre da explosão
da ternura e da comida
que não vem
lá dentro há risos e arrotos
e estômagos cheios se sacodem de gozo
e velhos gulosos caminham pro enfarte
Estrofe 4
e um lindo fogão colorido espreme no ar
um cheiro gostoso de assado e fritura 
que ri dos meninos passando-lhes o dedo
no nariz
Estrofe 5
meninos pedindo comida na porta das casas
a fome fazendo barulho apertando a campainha
chegando em hora incômoda
(esses meninos não respeitam temos visitas pro jantar)
meninos batendo na porta das almas
sujando o assoalho encerado
de nossa paz espiritual
Estrofe 6
meninos ouvindo um não perfumado
cheirando a comida
um não muito limpo
dá água na boca
diga que o que sobrou é pros cachorros
eles que voltem amanhã
meninos recolhem sua fome num saco de plástico
irão bater noutra porta
escrevendo nas ruas as linhas sinuosas do clamor da miséria que sobe até Deus

(Autor: Ápio Campos)

Há erro na classificação da figura de linguagem em:
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Q4305841 Literatura

Diferentes movimentos e manifestações artísticas contribuíram para a formação e a transformação da cultura brasileira, estabelecendo relações com os contextos históricos, sociais e culturais de suas épocas.


Relacione os movimentos ou manifestações apresentados na Coluna I às características indicadas na Coluna II. 


COLUNA I


1. Modernismo brasileiro


2. Tropicalismo


3. Literatura de cordel


4. Bossa nova



COLUNA II


(_) Manifestação literária popular tradicionalmente difundida por meio de folhetos, marcada pela presença da poesia em versos e fortemente associada à cultura nordestina.


(_) Movimento cultural do final da década de 1960 que promoveu a combinação de referências brasileiras e estrangeiras e dialogou com diferentes linguagens artísticas e elementos da cultura de massa.


(_) Movimento artístico e literário que, especialmente a partir da década de 1920, questionou convenções estéticas anteriores e buscou novas formas de expressão relacionadas também à realidade e à identidade brasileiras.


(_) Expressão musical associada ao final da década de 1950 e à década seguinte, caracterizada por transformações na interpretação e na linguagem musical, com forte diálogo entre o samba e elementos do jazz.


Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.

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Q4305823 Literatura
As figuras de linguagem constituem recursos expressivos que produzem diferentes efeitos de sentido nos textos. Relacione corretamente as figuras apresentadas na Coluna I aos enunciados da Coluna II.

COLUNA I

1. Metonímia
2. Antítese
3. Prosopopeia
4. Eufemismo

COLUNA II

( ) Depois de meses enfrentando a doença, o velho professor finalmente descansou.
( ) Naquela manhã silenciosa, a cidade despertou apressada e engoliu seus moradores pelas ruas.
( ) Durante as férias, decidiu reler Machado de Assis antes de conhecer outros autores brasileiros. 
( ) Entre o desejo de partir e a vontade de permanecer, percebeu que nenhuma escolha lhe parecia simples.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo. 
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Q4305591 Literatura

Instruções: A questão refere-se ao texto de Ailton Krenak.



Do sonho e da terra



(Disponível em: Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. Companhia das Letras: 2019 – texto adaptado especialmente para essa prova).

Considerando as intertextualidades possíveis entre o cânone literário brasileiro e as literaturas contemporâneas, o texto de Krenak poderia ser trabalhado em uma aula de literatura brasileira sobre ___________________ , uma vez que as tensões entre a cultura ocidental e a cosmovisão indígena são uma temática central dos textos e narrativas desse período literário.

Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do trecho acima.
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Q4303746 Literatura
Texto 1


Soneto da hora final


Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.

Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.

Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.


    MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

    de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

    Companhia das Letras, 2009. p. 30.

    No segundo terceto, a construção “Eu, calmo, te direi” é retomada paralelamente em “E tu, tranquila, me dirás”. Essa organização sintática contribui para o sentido do poema ao
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    Q4303744 Literatura
    Texto 1


    Soneto da hora final


    Será assim, amiga: um certo dia,
    Estando nós a contemplar o poente,
    Sentiremos no rosto, de repente,
    O beijo leve de uma aragem fria.

    Tu me olharás silenciosamente,
    E eu te olharei também, com nostalgia,
    E partiremos, tontos de poesia,
    Para a porta de treva aberta em frente.

    Ao transpor as fronteiras do Segredo,
    Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
    E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.

    E como dois antigos namorados,
    Noturnamente tristes e enlaçados,
    Nós entraremos nos jardins da morte.


      MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

      de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

      Companhia das Letras, 2009. p. 30.

      Nesse soneto, a construção metafórica “fronteiras do Segredo” contribui para representar a morte como uma
      Alternativas
      Q4303497 Literatura
      Assinale a alternativa em que a expressão destacada se apresenta na forma de uma hipérbole.
      Alternativas
      Q4303423 Literatura
      Leia as afirmações sobre o Conto de Escola, de Machado de Assis, indique se são (F) falsas ou (V) verdadeiras e determine a alternativa propícia.

      ( ) No Conto de Escola há uma oposição entre um mundo de corrupção e deslealdade e outro, puro e natural. A criança está justamente colocada entre os dois.
      ( ) Desde o início do conto, a escola se opõe aos espaços abertos e livres: o Morro de São Diogo e o Campo de Sant’ana.
      ( ) A escola é o lugar onde os pais obrigam o menino a ir para que se transforme numa pessoa capaz de ganhar dinheiro e onde há um mestre severo e distante, pronto a puni-lo quando não realizar as tarefas.
      ( ) À sensação de opressão sentida na escola opõe-se a sensação de liberdade adivinhada, (já no meio do conto), além da vidraça da sala de aula, “no claro azul do céu”, no papagaio de papel solto no ar. No final do conto, a escola silenciosa, associada depois dos últimos acontecimentos à delação e à corrupção, se opõe à rua, com o som dos tambores.
      Alternativas
      Q4303414 Literatura
      Leia o texto para responder à próxima.


      Carrego seu Coração Comigo. (E. E. Cummings).


      Carrego seu coração comigo.

      Eu o carrego no meu coração

      Nunca estou sem ele

      Onde quer que vá, você vai comigo

      E o que quer eu que faça sozinho

      Eu faço por você

      Não temo meu destino

      Você é meu destino, minha doçura

      Eu não quero o mundo por mais belo que seja

      Porque você é meu mundo, minha verdade.


      Eis o grande segredo que ninguém sabe.

      Aqui está a raiz da raiz

      O broto do broto e o céu do céu

      De uma árvore chamada vida

      Que cresce mais que a alma pode esperar

      ou a mente pode esconder

      E esse é o prodígio que mantém

      as estrelas a distância.


      Eu carrego seu coração comigo

      Eu o carrego no meu coração.
      Analise o texto e marque a alternativa incorreta.
      Alternativas
      Q4303008 Literatura
      Em O Seminarista, de Bernardo Guimarães, leia as afirmações, indique se elas são (F) falsas ou (V) verdadeiras e identifique a alternativa propícia.

      ( ) A fazenda do Capitão Antunes ficava próximo à antiga Vila de Tamanduá.
      ( ) O seminário onde Eugênio foi estudar ficava em São Paulo.
      ( ) O Padre Eugênio vai dizer sua primeira missa na Vila de Tamanduá.
      ( ) No capítulo IV, o narrador, ao descrever a Capela do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, refere-se às estátuas de um famoso escultor que viveu no século XVII: Aleijadinho, (Antônio Francisco Lisboa).
      Alternativas
      Q4302817 Literatura
      Leia o texto a seguir e responda às questões

      TEXTO II

      Alunos têm melhor desempenho escolar quando professor está de bom humor, revela estudo 

      Pesquisa com 17,5 mil estudantes revela que o bem-estar emocional do docente é fundamental para a qualidade do ensino e o sucesso escolar em diferentes culturas. 


      Por Emily Santos, Redação G1

      Uma pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia revelou que o sucesso acadêmico dos alunos está diretamente ligado ao estado emocional de seus professores. O estudo comprovou que docentes que sentem prazer em ensinar entregam aulas de melhor qualidade, o que aumenta o desempenho, o interesse e a confiança dos estudantes.

      Por outro lado, emoções negativas do professor, como a raiva, estão associadas a métodos de ensino menos eficazes e a piores resultados dos alunos.

      Os pesquisadores analisaram dados de 679 professores de matemática e mais de 17,5 mil alunos em países como Chile, China, Alemanha, México e Reino Unido. Durante o estudo, os estudantes passaram por lições semelhantes sobre equações, o que permitiu comparar como as emoções influenciavam turmas de diferentes culturas. A análise focou em como o humor do docente afeta a gestão da sala e a capacidade de desafiar o pensamento crítico dos jovens.

      “Decidimos realizar esta pesquisa porque o ensino não é apenas uma atividade intelectual, mas também emocional. Queríamos entender toda essa cadeia de eventos que conecta como um professor se sente ao desempenho de um aluno”, aponta Marina Elena Pfeifer, líder do estudo e doutora pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique.

      O achado central é que as emoções funcionam como um efeito dominó no ambiente escolar. Os sentimentos do professor não atingem o aluno de forma isolada, mas transformam a maneira como ele trabalha e interage com a turma.

      Quando o docente está alegre, ele consegue organizar melhor o tempo e propor tarefas que estimulam o raciocínio profundo dos estudantes. Já a raiva prejudica essas práticas, criando um ambiente onde o aprendizado é dificultado.

      De acordo com os autores, o bem-estar emocional dos educadores não deve ser tratado apenas como uma questão pessoal, mas como um fator crítico para o sucesso do sistema de ensino. O estudo sugere que o ato de ensinar é tanto uma atividade intelectual quanto emocional. Por isso, o suporte à saúde mental de quem ensina reflete diretamente na qualidade do que é aprendido por quem estuda.

      O mecanismo de transmissão das emoções

      A pesquisa identificou que as emoções do professor agem como gatilhos para comportamentos específicos em sala de aula. Sentimentos positivos, como a alegria, ajudam o docente a ampliar sua atenção e a buscar soluções criativas para os desafios pedagógicos. Isso permite que o professor seja mais flexível e consiga manter os alunos engajados por mais tempo.

      Em contrapartida, a raiva tende a estreitar o foco mental do educador e dificultar o processamento de informações. Esse estado negativo pode levar o professor a adotar posturas mais autoritárias ou a culpar os alunos por falhas no processo de ensino. Como resultado, a qualidade da instrução cai e os estudantes perdem o estímulo para participar das atividades. 

      O estudo resume o impacto das emoções em três pilares da qualidade do ensino:

      • Gestão da sala de aula: professores alegres resolvem interrupções com mais agilidade.

      • Relacionamento: o entusiasmo do docente favorece a criação de vínculos de apoio com os jovens.

      • Desafio intelectual: o prazer em ensinar está ligado ao uso de estratégias que fazem o aluno pensar criticamente.


      Essas mudanças na forma de ensinar impactam diretamente a percepção do aluno sobre sua própria capacidade. Quando percebem um professor entusiasmado, os estudantes sentemse mais seguros para explorar conceitos complexos. Assim, o humor do professor molda a experiência de aprendizado muito antes da entrega das notas finais. “Nosso estudo mostra que as emoções de um professor não são meramente um subproduto do processo educacional, mas um contribuinte ativo para ele”, diz Marina Elena Pfeifer.


      Semelhanças observadas em diferentes culturas 


      Um dos pontos mais relevantes do levantamento foi a constância dos resultados em nações com realidades muito distintas. Apesar das diferenças econômicas e linguísticas entre países como China e Colômbia, a forma como a emoção do professor afeta o aluno seguiu o mesmo padrão. Isso indica que a dinâmica emocional no ensino é uma característica humana fundamental, e não um traço cultural isolado.


      Os pesquisadores afirmam que, mesmo com métodos pedagógicos variados, o efeito dominó da alegria ou da raiva foi uma constante em todas as escolas analisadas. Esse padrão sugere que as interações sociais básicas em sala de aula respondem aos mesmos princípios psicológicos em qualquer lugar do mundo. A descoberta reforça a ideia de que o bem-estar do docente é uma necessidade universal para a educação.


      Essa similaridade entre os países permite que as conclusões do estudo sejam aplicadas de forma ampla em políticas educacionais globais. Os autores chamam essa característica de universalidade relativa das dinâmicas emocionais. Isso significa que, embora a forma de expressar sentimentos varie, o impacto deles sobre a qualidade da aula é previsível.


      Dessa forma, o estudo oferece uma base sólida para que sistemas de ensino de diferentes regiões adotem estratégias comuns de suporte ao docente. Entender que o mecanismo é o mesmo ajuda a planejar treinamentos que foquem na regulação emocional como parte da competência profissional. A pesquisa mostra que, independente do idioma, a linguagem das emoções é decisiva para o aprendizado.


      Ciclos emocionais na rotina escolar


      Os pesquisadores identificaram que a sala de aula é propensa à criação de ciclos emocionais que se alimentam sozinhos. Esses ciclos podem levar a turma a uma trajetória de sucesso ou de dificuldades persistentes ao longo do ano letivo.


      No chamado ciclo virtuoso, a alegria do professor resulta em um ensino mais eficaz e no progresso dos alunos. Esse sucesso escolar, por sua vez, aumenta a satisfação e o orgulho do docente, reforçando sua felicidade.


      Já o ciclo vicioso pode prender professores frustrados em uma espiral negativa de desempenho. A raiva compromete a gestão da classe, o que gera maus resultados nos testes e aumenta a irritação do educador. Sem uma intervenção, o professor pode se sentir cada vez mais incapaz de atingir seus objetivos pedagógicos.


      O estudo mostra que essas emoções não são apenas subprodutos, mas participantes ativos da rotina. 


      Como quebrar os ciclos


      Para quebrar esses padrões negativos, é necessário ir além de novos materiais didáticos ou mudanças no currículo. O apoio à saúde mental e ao equilíbrio emocional do professor é apontado como a ferramenta principal para reverter esses ciclos.


      Intervenções baseadas em atenção plena, conhecidas como mindfulness, são citadas como exemplos de práticas que ajudam o docente a regular seu humor.


      Essas ações permitem que o professor recupere o controle sobre o ambiente da sala de aula antes que o desgaste emocional se torne permanente. O sucesso de um sistema de ensino depende, portanto, da capacidade de manter o educador motivado e saudável.


      Quando o ciclo virtuoso é estabelecido, tanto o professor quanto os alunos saem beneficiados em sua trajetória escolar. 


      Implicações para a gestão escolar 


      O estudo conclui que apoiar o bem-estar dos professores deve ser uma prioridade estratégica para escolas e governos. Reduzir o estresse docente não é apenas uma questão de gentileza, mas uma medida essencial para garantir a eficácia do aprendizado. Escolas que investem em ambientes saudáveis para os educadores estão, na prática, investindo no rendimento acadêmico de seus estudantes. 


      A gestão escolar pode atuar em várias frentes para proteger os recursos emocionais de sua equipe:


      • Redução de tarefas administrativas excessivas que geram esgotamento.


      • Oferecimento de treinamentos focados em competências de regulação emocional.


      • Criação de espaços de acolhimento para que professores lidem com situações desafiadoras.


      • Implementação de programas de prevenção ao estresse ocupacional e burnout.


      Compreender que o ensino é uma atividade emocional ajuda a reformular os desafios da educação moderna. O professor deixa de ser visto apenas como um transmissor de conteúdo e passa a ser reconhecido como o gestor do clima da sala de aula. Essa mudança de visão é fundamental para que a comunidade escolar colabore na construção de um ambiente mais produtivo.


      “A principal implicação no mundo real é que apoiar o bemestar emocional de um professor não é apenas 'algo bom de se ter' — é crítico para o sucesso do aluno”, avalia Marina Elena Pfeifer, líder do estudo.


      Por fim, a pesquisa destaca que as emoções são contribuintes ativos e não meros resultados do processo educativo. O humor de quem ensina define se o aluno terá curiosidade ou resistência diante de uma nova matéria. Investir no equilíbrio de quem está à frente da turma é, segundo o estudo, o caminho mais curto para formar alunos mais confiantes e interessados.


      (Fonte: Portal G1. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/06/01/humor-doprofessor-impacta-desempenho-escolar-dos-alunos-estudo.ghtml (adaptado). 

      A literatura, enquanto manifestação artística, constitui-se historicamente em diferentes contextos sociais e culturais, nos quais se modificam valores estéticos, formas de representação, concepções de sujeito e relações com a realidade. Nesse percurso, movimentos literários, como o Romantismo, o Realismo, o Modernismo, entre outros, expressam diferentes modos de compreender e representar o mundo.
      A partir dessa perspectiva e considerando as contribuições de Antônio Candido para os estudos literários, assinale a alternativa que apresenta uma compreensão adequada da relação entre literatura, sociedade e história.
      Alternativas
      Q4302683 Literatura

      Leia o texto abaixo para a questão:


              “[…] Quando chegaram ao Igarapé, enquanto as senhoras cuidavam da roupa, Anita e suas colegas adentraram o mato à procura de flores silvestres. E nesta brincadeira demoraram algum tempo. 

              E ato contínuo subiu o Igarapé até a cabeceira. Ali arremedando um ritual, levantou as flores silvestres em atitude de oferenda.

              — Mãe d'Água, trouxe-lhe estas flores como presente...

              Dizendo isto, jogou-as no Igarapé. As flores acompanharam a correnteza, e as mocinhas - agora apenas Anita e sua irmã - seguiram-nas. Na brincadeira, correndo sempre pelo leito do Igarapé, Anita acabou caindo. 

              Neste trecho, a corrente um pouco mais forte obrigou Anita a se debater com as águas, até conseguir acocorar-se. As senhoras, que a tudo assistiram, mandaram que saísse imediatamente de dentro d'água.

              Ao levantar-se, parou. E permaneceu estática. Olhava, sem conseguir tirar a vista, para um determinado ponto do Igarapé. Ali estava uma cobra coral, vermelha, com os traços brancos e pretos como todas as cobras corais, só que, em cima da cabeça, ela tinha... uma cruz branca!

              […] as senhoras chamaram a atenção das mocinhas para não brincarem da maneira que haviam feito.

              — A gente não deve nunca mexer com estas coisas. Cada lugar tem seu dono e, se a gente respeita, está tudo bem. 

              Mas, se irritá-los, eles podem muito bem malinar. Tu, Anita, não tinhas nada que estar com aquela história de aniversário da Mãe d'Água do Igarapé. E ainda vai se pôr a dar flores, fazendo graça. Queira Deus nada te aconteça...! Aquela cobra coral com a cruz branca na cabeça bem pode ser um aviso.

              […]

              Mas Anita não respondeu. Ela já não se sentia bem, o corpo parecia que estava ardendo. E estava mesmo. Ao chegar em casa, tanto ela como a irmã estavam com febre alta […]


      (Fonte: MONTEIRO, Walcyr. A Mãe d’água do Igarapé de São Joaquim. In: Visagens e Assombrações de Belém, Belém: Editota Paka Tatu 2007)

      O fragmento textual apresentado caracteriza-se como parte de uma obra da literatura regional amazônica, porque
      Alternativas
      Q4302617 Literatura
      No encontro de planejamento de Língua Portuguesa e Literatura de uma escola pública na região urbana de Maracajé, foi problematizada a falta de competência literária dos alunos que prestavam exame do Enem. Por isso, os professores foram orientados a desenvolver atividades de literatura que superassem o ensino focado em memorização de autores, escolas e períodos literários e contemplassem a formação do estudante a partir do Letramento Literário.

      Sobre a situação dada, selecione a alternativa que caracteriza uma abordagem pedagógica sob a perspectiva do Letramen to Literário. 
      Alternativas
      Q4302578 Literatura
      Considere a descrição a seguir: “Poeta, romancista, memorialista, teatrólogo e crítico de arte, deixou uma obra extensa em todos os gêneros, inclusive para o público infantojuvenil, pelo que foi um dos escritores mais premiados de sua geração, em todos as áreas de sua atuação. Viveu por um período em Saquarema, até o final dos anos 1980.”
      O texto acima se refere à seguinte personalidade de Saquarema:
      Alternativas
      Respostas
      41: A
      42: D
      43: D
      44: C
      45: D
      46: A
      47: D
      48: A
      49: A
      50: A
      51: C
      52: B
      53: B
      54: C
      55: B
      56: B
      57: C
      58: B
      59: A
      60: B