Questões de Concurso
Sobre escolas literárias em literatura
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Texto XII
Morte do leiteiro
A Cyro Novaes
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morador na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
Texto VII
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Coimbra, julho, 1843.
DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. In: DIAS, Gonçalves. Poesias completas. São Paulo: Martin Claret, 2001. p. 53-54.
Texto VIII
O navio negreiro
Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio, Musa... Chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança,
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
ALVES, Castro. O navio negreiro e outros poemas. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 16.
Os textos VII e VIII constituem expressão do mesmo projeto estético, o Romantismo.
Entre um e outro, porém, diverge a perspectiva da identidade nacional, uma vez que o primeiro texto
Nesse contexto histórico-cultural, é correto afirmar que o Modernismo brasileiro:
Com base nas características das escolas literárias, relacione corretamente as colunas abaixo, de acordo com a escola e seus contextos históricos.
1.Parnasianismo
2.Realismo
3.Modernismo
4.Naturalismo
(__)Ao contrário do Romantismo, que fazia uso exagerado da subjetividade, esta escola caracteriza-se pela linguagem direta e objetiva. Seus temas centrais incluem críticas à sociedade da época, especialmente à burguesia, e a representação de cenários urbanos.
(__)Trata-se de uma das escolas da literatura brasileira, iniciada em 1882, caracterizada pelo preciosismo, ou seja, pelo "culto à forma". As poesias desse período são descritivas e detalhadas, evidenciando uma valorização da estrutura estética.
(__)Surgiu no Brasil no final do século XIX e tinha como principal preocupação expressar a realidade e os problemas sociais da época. Suas características incluem linguagem coloquial e determinismo, ou seja, a ideia de que o homem é produto do meio em que vive. Publicada em 1881, a obra "O Cortiço", de Aloísio de Azevedo, é considerada um clássico e a obra-chave dessa escola.
(__)Constitui um dos momentos mais importantes da história da literatura brasileira, caracterizando-se pelo rompimento com as escolas tradicionais e pela busca de liberdade estética. Esse movimento teve grande impulso a partir da Semana de Arte Moderna, em 1922, um evento dedicado à apresentação artístico-cultural.
A sequência numérica que relaciona adequadamente as colunas é:
Leia as afirmações a seguir, sobre o Arcadismo brasileiro:
I. É característica do Arcadismo brasileiro a exaltação da natureza.
II. Os autores dessa classe literária buscavam inspiração na vida simples e bucólica.
III. Uma das características do Arcadismo brasileiro é a crítica social e política.
É (são) incorreta(s) a(s) afirmação(ões):
I – O Romantismo no Brasil apresentou três diferentes fases. A primeira geração romântica foi caracterizada pelo nacionalismo e pela exaltação da natureza e do indígena.
II – A segunda geração romântica no Brasil foi caracterizada pela fuga da realidade, idealização da infância e pulsão pela morte. Os principais autores dessa geração foram Alvares de Azevedo e Gonçalves Dias.
III – Apesar de ser o representante do Realismo, Machado de Assis iniciou sua carreira dentro da estética romântica, com a obra “Ressurreição”, de 1872.
É (São) correta(s) a(s) afirmação(ões):
Relacione principais autores brasileiros (Coluna 1) com suas obras (Coluna 2).
Coluna 1
(1) Machado de Assis
(2) José de Alencar
(3) Gregório de Matos
(4) Clarice Lispector
(5) Mário de Andrade
Coluna 2
(__) - Macunaíma
(__) - Dom Casmurro
(__) - O Guarani
(__) - Carta ao Rei D. Manuel
(__) - A Hora da Estrela
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses?
SE EU MORRESSE AMANHÃ!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos Fechar meus olhos minha triste irmã; Minha mãe de saudades morreria Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro! Que aurora de porvir e que manhã! Eu pendera chorando essas coroas Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n´alva Acorda a natureza mais louçã! Não me batera tanto amor no peito, Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora A ânsia de glória, o dolorido afã... A dor no peito emudecera ao menos Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Se eu morresse amanhã! In: BANDEIRA, Manuel (Org.). Antologia dos poetas brasileiros: poesia da fase romântica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.
No poema, a insistência na ideia da morte e a exploração dramática das emoções estabelecem diálogo com discursos característicos do Romantismo, revelando
A principal marca das vanguardas é:
I. No Barroco, surgem conflitos entre corpo e alma, fugacidade e desejo de permanência, em imagens de contraste.
II. Sermões de Padre Antônio Vieira usam recursos barrocos para persuadir, criticar e defender posições.
III. No Arcadismo, idealização da vida rural convive com tensões ligadas ao contexto colonial.
IV. Poesia árcade prende-se a paisagens europeias, sem incorporar cenários de Minas ou do Rio.
V. Produções barrocas e árcades negociam modelos europeus com circunstâncias do espaço luso-brasileiro.
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
I. No Trovadorismo galego-português, cantigas de amor trazem eu lírico masculino que idealiza figura feminina distante.
II. Cantigas de amigo apresentam voz feminina, ainda que autores conhecidos sejam homens da corte.
III. Cantigas de escárnio e maldizer criticam figuras sociais, ora com insinuações, ora com ataques mais diretos.
IV. Textos humanistas marcam transição em que prosa em português convive com produção em latim.
V. Classicismo abandona completamente modelos greco-romanos e volta-se apenas a temas ibéricos.
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
Considerando a literatura brasileira, assinale a opção correta.
Considerando essa organização da literatura brasileira no século XX, assinale a opção correta.
Analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta