Questões de Concurso
Sobre linguística e outras ciências – neurolinguística, psicolinguística, sociolinguística em linguística
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A respeito da relação entre língua, cultura e sociedade, julgue o seguinte item.
O ensino de um idioma envolve aprender os componentes linguísticos, sem reflexão acerca de seu contexto cultural de uso.
In this case, the phenomenon of translanguaging can be identified as
Se a linguagem molda a forma como enxergamos, sentimos, pensamos e vivenciamos o mundo, muitos dos problemas enfrentados pelos estudantes indígenas se encontram no fato de que o mundo pensado por eles do ponto de vista cultural e linguístico por si só é um fator que amplifica os obstáculos encontrados em sua permanência na universidade. Ademais, subjaz à política linguística elitista (nem sempre explícita) das universidades a ideologia do déficit linguístico, segundo a qual as línguas autóctones são “primitivas”, cabendo aos indígenas o aprendizado da língua do outro, a língua historicamente hegemônica com todos os seus aparatos ideológicos (escrita, literatura, gramáticas, ciência, leis), sob pena de permanecerem marginalizados.
PONSO, L. C. Letramento acadêmico indígena e quilombola: uma política linguística afirmativa voltada à interculturalidade crítica. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/ view/8653744/18764. Acesso em: 24 abr. 2024 (adaptado).
TEXTO 2
A Língua Portuguesa invadiu nosso corpo-território, invadiu nosso espaço, a nossa mente. Se a gente foi obrigado a aprender uma língua que não é nossa, a gente foi obrigado a engolir o nosso espírito, a gente foi obrigado a silenciar o nosso ser, silenciar nossa língua, silenciar nossa cosmovisão, a nossa cultura. A gente precisa resgatar as nossas línguas originárias para que a gente possa construir uma linguagem de liberdade. Porque, realmente, é um desafio muito grande a gente decolonizar dentro da própria estrutura colonial que é a Língua Portuguesa. – Lyryca Cunha – artista indígena e psicóloga.
Linguagens Opressoras Étinicoraciais. Ep. 2: Comunicação Com Cuidado. Entrevistados: Lyrica Cunha e Salloma Salomão. Entrevistadora: Aline Rodrigues [S. l.]: Spotify, 01 jul. 2021. Podcast. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/. Acesso em: 4 maio 2024 (adaptado).
Considerando as reflexões apresentadas nos Textos 1 e 2, uma política linguística que tenha como objetivo principal a inclusão e a permanência dos povos originários em contextos escolares e acadêmicos brasileiros deve propor que
O uso de caracteres como x (como, por exemplo, em “amigx”), @ (como, por exemplo, em “amig@”) e o uso de e (como, por exemplo, em “amigue”) fechando substantivos e adjetivos é, de fato, uma estratégia de neutralização de gênero, em que se propõe o emprego de uma terceira marca, além da masculina e da feminina. A oposição, nesse caso, não seria privativa nem equipolente, mas gradual, nos termos da Escola de Praga.
SCHWINDT, L. C. Sobre gênero neutro em português brasileiro e os limites do sistema linguístico. Revista da ABRALIN, [S. l.], v. 19, n. 1, p. 1 - 23, 2020 (adaptado).
O texto traz uma análise do uso da linguagem neutra, que pretende questionar a hegemonia patriarcal e aumentar as possibilidades de representação de indivíduos que se identificam como pessoas não binárias, por exemplo.
Considerando-se as reflexões apresentadas sobre o uso do gênero neutro, é possível afirmar que
BAGNO, M. Preconceito Linguístico. Termos de Alfabetização, Leitura e Escrita para Educadores. Glossário Ceale. Disponível em: ceale.fae.ufmg.br/glossarioceale/verbetes/preconceito-linguistico. Acesso em: 2 maio 2024 (adaptado).
Uma professora de Língua Portuguesa, ao avaliar um texto produzido por um aluno da 1ª série do Ensino Médio, assinalou quatro sentenças. Na primeira, havia sido usado o verbo “ter” como sinônimo de “existir”. Na segunda, a forma infinitiva “considerar” havia sido escrita como “considerá”, ou seja, sem o “r” e com vogal final acentuada graficamente. Na terceira, constava a forma “barrer”, em vez de “varrer”. Na quarta, constava a expressão “dar um jeito na corrupção”.
Considerando-se a perspectiva apresentada por Bagno, a fim de promover a autonomia e a valorização discente e os conhecimentos sobre variação e mudança linguísticas, é adequado nessa situação a professora
Simbora que o tempo é rei
Vive agora, não há depois
(…) Tudo, tudo, tudo que nóis tem é nóis
(…) Tudo que nóis tem é uns aos outros, tudo.
EMICIDA. AmarElo. Álbum. São Paulo: Laboratório Fantasma, 2019.
A partir da proposta metodológica da professora, assinale a opção correta, a respeito do uso de “nóis”.
RAJAGOPALAN, K. Línguas nacionais como bandeiras patrióticas, ou a linguística que nos deixou na mão: observando mais de perto o chauvinismo linguístico emergente no Brasil. In: SILVA, F. L. da; RAJAGOPALAN, K. (org.). A linguística que nos faz falhar: investigação crítica. São Paulo: Parábola, 2004. p. 14 (adaptado).
Com base nas informações apresentadas, quanto ao uso de léxico estrangeiro associado à tecnologia computacional e à Internet, assinale a opção correta.
Based on this scenario, the approach that best fosters critical reflection and promotes understanding of English as a lingua franca should require the teacher to
Paulo: Fernanda, look how I can speak in English: We are Carnaval / We are, we are folia / We are, we are the world of Carnaval / We are Bahia.
Fernanda: That’s not English, it does not make sense. Nobody would say: We are Carnival. An American would say: I like Carnival or I don’t like Carnival.
Paulo: Well, I am Brazilian and my English is Brazilian. I speak Brazilian English, my friend!
Considering this scenario, the English teacher decided to widen the debate and involve the rest of the class. She said that language is more than just a means of verbal communication: it is a social construct shaped by cultural, historical and social context. She emphasized that language reflects the norms, values and identities of a language community, which is constituted through the interactions between its members. In addition to grammatical skills, language also involves the interpretation and production of meaning in different social and cultural contexts and is subject to change both during its use and in its influence on us. Finally, echoing Leffa (2002), the teacher also said that, when learning a new language, we negotiate the code without denying who we are, because a Brazilian who speaks English is not an American, a British or an Australian who speaks English: s/he is a Brazilian who speaks English. She concluded by saying that the language you learn is not foreign; it is not from others — it can also belong to you and be part of your identity.
That situation shows that the teacher recognized the relationship between language and identity as
Communicative competence consists of grammatical competence as well as sociolinguistic competence, that is, factors governing successful communication.
Associate the factors, identified by Hymes (1972, apud Kumaravadivelu, 2006), to their respective concepts.
FACTORS
1 - Ends
2 - Genres
3 - Norms
4 - Settings
5 - Participants
CONCEPTS
( ) Refer to the speakers and hearers and their role relationships.
( ) Refer to the place and time in which the communicative event takes place.
( ) Refer to the stated or unstated objectives the participants wish to accomplish.
( ) Refer to conventions of interactions and interpretation based on shared knowledge.
( ) Refer to categories of communication such as lecture, report, essay, poem, and so forth.
A sequência correta desta associação é:
Analise as seguintes afirmações a respeito da elaboração, feita por Bortoni-Ricardo (2005), dos continua para análise da metodologia de ensino de língua materna:
I – O continuum de urbanização tem como finalidade primária a observação de atributos socioecológicos dos falantes como, por exemplo, a proximidade ou não com áreas consideradas mais urbanizadas em que há maior contato com as variantes de maior prestígio.
II – O continuum de oralidade/letramento dirige-se especialmente para a análise das práticas sociais às quais o falante participa como, por exemplo, apresentações orais em público ou escrita de monografias e dissertações.
III – O continuum de monitoração linguística tem como norte os processos cognitivos de planejamento e atenção no momento da enunciação como, por exemplo, a acomodação do falante frente a seu interlocutor ou a familiaridade do falante com a tarefa comunicativa.
Das afirmações acima:
Resumen
La enseñanza de lenguas en Brasil se caracteriza por acciones
políticas que, a su vez, forman movimientos de exclusión e
inclusión de los idiomas en los currículos de las escuelas del
país. Las llamadas políticas lingüísticas dicen respecto a un
conjunto de normas sobre el uso de las lenguas en el medio
social. En este artículo, partimos de la idea de que las políticas
hegemónicas pueden ser cuestionadas por micropolíticas,
creadas por sectores organizados de la sociedad. Con el
objetivo de problematizar el proceso por el cual las políticas de
resistencia se transforman en políticas lingüísticas oficiales, nos
basamos en autores como Cooper (2000) y Ponte (2010), por
ejemplo, para reflexionar acerca de la enseñanza de español
en el Nordeste brasileño. Los análisis muestran que políticas de
resistencia vienen convirtiéndose en políticas lingüísticas
oficiales, garantizando la enseñanza de este idioma neolatino
en diversas partes del país, especialmente en los estados del
Nordeste brasileño.
COSTA JUNIOR, José Veranildo Lopes da; CARVALHO, Tatiana Lourenço de.
Políticas Lingüísticas y Enseñanza de Español en el Nordeste de Brasil.
Caletroscópio, v. 08, n. 02, p. 83-96, 2020.
Disponível em: <https://periodicos.ufop.br/caletroscopio/article/view/4579>
Analise as afirmativas a seguir relativas às variações linguísticas da Libras, sendo esta uma língua natural e que apresenta a distinção de variantes entre seus falantes.
I. As variações linguísticas distinguem-se em quatros grupos, sendo eles sociais (diastráticas), regionais (diatópicas), históricas (diacrônicas), estilísticas (diafásicas).
II. As variações linguísticas acontecem de forma natural, quando seus usuários entram em contato com outras formas de sinalização, trazendo modificações na forma e no repertório de seus sinais / léxicos.
III. As variações linguísticas possuem influência de vários fatores, como o estilo discursivo ou as práticas culturais de determinado grupo, o período histórico-temporal, as marcas linguísticas, a caracterização social dos sujeitos, a classe social.
IV. As variações linguísticas estão atreladas diretamente aos níveis fonológicos, morfológicos, sintáticos, e aos fatores sociais, como idade, nível de escolaridade e situação geográfica.
Estão corretas as afirmativas