Questões de Concurso
Sobre fundamentos da história : tempo, memória e cultura em história
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No arquivo da Biblioteca do Congresso Nacional, um historiador encontra cartas pessoais, panfletos, fotografias, jornais da época e registros de reuniões de organizações sufragistas, como a Associação Nacional de Mulheres Sufragistas, para a sua pesquisa sobre a participação das mulheres na luta pelo direito ao voto nos Estados Unidos no início do século XX. Sobre esses materiais de pesquisa, é correto afirmar que:
É um erro conceitual que ocorre quando algo é colocado fora de seu contexto temporal, ou seja, quando elementos, ideias, eventos ou conceitos que pertencem a épocas diferentes são misturados ou aplicados de maneira inconveniente. É frequentemente considerado um erro na pesquisa histórica e na narrativa histórica.
O texto faz referência ao conceito de:
Analise as informações a seguir:
I. A oposição entre ‘mística fabular’ e ‘historiografia’ é a principal característica dos textos “analíticos” no século XIII. A razão é o fato de que a historiografia era “uma operação definida pelas regras e os modelos elaborados por uma disciplina [metódica] do saber [científico]”, assim como a literatura mística “valia pelo que tornava possível e não pelo que provava”.
II. Quando se fala em sentido de mundo e análise social, no século XIII, não era só a literatura mística que funcionava segundo as engrenagens da oralidade e da linguagem simbólica, mas também a literatura historiográfica, como se verifica, por exemplo, na associação, já feita desde a Antiguidade romana, entre ‘historiografia’ e ‘oratória’. Ou seja, ao mesmo tempo em que se falava e dialogava com outras pessoas, formulavam-se hipóteses e reflexões sobre o passado e o presente.
Marque a alternativa CORRETA:
Analise as informações a seguir:
I. A prática de se trabalhar com vestígios de sociedades pretéritas conduz, não raro, a uma interpretação falaciosa de que a História é uma disciplina dedicada ao passado. Walter Benjamin, por exemplo, ao afirmar que “Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo ‘como ele de fato foi’. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo”, corrobora com a associação da História como uma ciência do passado, mas não menos importante que outras disciplinas.
II. A Egiptologia é marcada por uma excessiva crença no discurso das fontes e foi beneficiada assim como os estudos da Antiguidade europeia, pela adoção de novos métodos a partir do diálogo interdisciplinar de observação de realidades histórico-sociais. Os Egitptólogos, em geral, coadunando com novas frentes de pesquisas, modernizaram o passado faraônico a partir de interpretações circunscritas à realidade atual, indo ao encontro de uma observação voluntária e controlada, mas reforçando a impregnação instintiva.
Marque a alternativa CORRETA:
A história social nunca pode ser mais uma especialização, como a história econômica ou outras hifenizadas, porque seu tema não pode ser isolado. (...) O historiador das ideias pode (por sua conta e risco) não dar a mínima para a economia, e o historiador econômico não dar a mínima para Shakespeare, mas o historiador social que negligencia um dos dois não irá muito longe.
(Hobsbawm, 1998, p. 87.)
Assinale a alternativa que rechaça o texto de Hobsbawm.
Atualmente, todos os vestígios deixados pelas gerações passadas são fontes históricas que podem ser analisadas pelos historiadores para produzir conhecimento histórico, constituindo um amplo campo documental constituído por diferentes tipos de registros (1ª parte). No século XIX, com o reconhecimento da História como uma disciplina acadêmica, assim como da profissão de historiador, as fontes históricas consideradas pelos historiadores constituíam apenas os registros escritos, especialmente aqueles de cunho cotidiano como cartas e diários (2ª parte). A partir da segunda metade do século XX, o conceito de fonte histórica mudou consideravelmente, passando-se a admitir toda a produção realizada pelos seres humanos como acervo documental, incluindo diferentes tipos de vestígios arqueológicos, monumentos, fotografias, pinturas, instrumentos de trabalho, vestimentas, entre outros (3ª parte).
Quais partes estão corretas?
I. Os mitos e as lendas sobre a origem do homem, que trazem a crença de que a humanidade foi criada por um ser superior, fazem parte de uma corrente de pensamento chamada criacionismo.
II. Com o desenvolvimento das ciências, a partir do século XVIII, surge o racionalismo, uma linha de pensamento que explica a origem humana através de explicações racionais, sendo a obra “A origem das espécies”, de Alfred Russell Wallace, uma das principais referências.
III. O criacionismo no mundo ocidental é baseado na tradição judaico-cristã. As teorias dessa interpretação criacionista são encontradas no Livro do Gênesis, no Antigo Testamento da Bíblia.
Quais estão corretas?
A partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais e sua abordagem acerca da História, marque a alternativa INCORRETA.
Acerca dos calendários, assinale a alternativa INCORRETA.
O anacronismo pode ser percebido corriqueiramente na fala dos estudantes. Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma frase anacrônica.
A História Oral é um importante instrumental para as pesquisas em História. Sobre esse instrumental, assinale a alternativa INCORRETA.
Muitos historiadores atualmente têm se dedicado a analisar como os indivíduos e suas coletividades se entendem e se estabelecem. Nesse contexto, os estudos sobre as identidades ganharam bastante popularidade, principalmente aqueles pautados no chamado "hibridismo cultural". Esse conceito está pautado na noção de que:
Aqueles que são reconhecidos como agentes da ação social, e se tornam importantes para o estudo da História, são chamados de:
A Escola dos Annales, inaugurada por Marc Bloch e Lucien Febvre, centrou-se na produção da história-problema para fornecer respostas às demandas surgidas no tempo presente. […]
O paradigma marxista desenvolvido paralelamente ao grupo dos Annales tem como princípio o caráter científico do conhecimento histórico […].
Apesar das diferenças entre os marxistas e os adeptos dos Annales, Ciro Flamarion identifica as aproximações entre os dois grupos.
(Circe Maria Fernandes Bittencourt, Ensino de História: fundamentos e métodos)
Para Ciro Flamarion, uma dessas aproximações representa
No livro A Invenção das Tradições, organizado pelos historiadores Eric Hobsbawm e Terrence Ranger, os autores problematizam o uso da noção de “tribo” para caracterizar as populações do continente africano. Isso se deve ao fato de que a (o)
Em História, os estudos sobre o cotidiano têm, nas últimas décadas, ocupado espaços cada vez mais importantes, pois
(Saliba, E. T. Aventuras modernas e desventuras pós-modernas. In: Pinsky, C. B.; Luca, T. R. de (Orgs.). O historiador e suas fontes. São Paulo: Contexto, 2009, p. 312)
Os autores apontados são vinculados à corrente historiográfica
(Marc Bloch. Apologia da história ou o ofício do historiador)
Conforme o texto e os conhecimentos historiográficos, a visão de Marc Bloch considera que
Portelli: Durante a resistência, você pensava apenas na liberdade nacional ou desejava alguma coisa mais?
Filipponi: Pensavámos na libertação nacional do fascismo e, após isso tínhamos esperança de alcançar o socialismo, o qual ainda não havíamos atingido. Depois que a guerra terminou - Terni foi onze meses mais cedo do que o resto do país -, o camarada Palmiro Togliatti [secretário do Partido Comunista italiano no pós-guerra] convocou uma reunião com os líderes do Partido em todas as províncias da Itália. Togliatti fez um discurso e adiantou que haveria eleições e pediu o meu apoio para ganharmos a eleição. Houve aceitação ao discurso feito, mas eu levantei minha mão: “Camarada Togliatti, eu discordo”, porque, como Lenine disse: quando o tordo voa, é o momento de atirar nele. Hoje o tordo está voando: todos os chefes fascistas estão se escondendo ou fugindo, tanto em Terni como em qualquer outro lugar. Este é o momento: nós atacamos e construímos o socialismo. Togliatti colocou a sua moção e a minha em votação e a dele obteve quatro votos a mais do que a minha, e assim foi vencedora.
Adaptado de: PORTELLI, Alessandro. Sonhos Ucrônicos, Memória e Possíveis Mundos dos Trabalhadores. Projeto História, n. 10, São Paulo: Educ, 1993. p. 42-43.
Segundo Portelli, a confrontação entre Filliponi e Togliatti nunca aconteceu. Com base nos estudos atuais sobre a oralidade como fonte de pesquisa, essa constatação indica que a História Oral
O escritor argentino Julio Cortázar (1914-1984) escreveu em O Jornal e suas metamorfoses:
Um senhor pega um bonde depois de comprar o jornal e pô-lo debaixo do braço. Meia hora depois, desce com o mesmo jornal debaixo do mesmo braço.
Mas já não é o mesmo jornal, agora é um monte de folhas impressas que o senhor abandona num banco de praça.
Mal fica sozinho na praça, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que um rapaz o descobre, o lê, e o deixa transformado num monte de folhas impressas.
Mal fica sozinho no banco, o monte de folhas impressas se transforma outra vez em jornal, até que uma velha o encontra, o lê e o deixa transformado num monte de folhas impressas. Depois, leva-o para casa e no caminho aproveita-o para embrulhar um molho de acelga, que é para o que servem os jornais depois dessas excitantes metamorfoses.
CORTÁZAR, Julio. Histórias de Cronópios e de Famas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011. p. 63.
Um professor leu com os seus alunos esse texto de Cortázar, o que fez com que toda a turma concluísse
que, na escola básica, os documentos históricos