Questões de Concurso
Sobre história da geografia em geografia
Foram encontradas 1.168 questões
I.O Racionalismo Geográfico, associado à consolidação da Geografia Quantitativa (Nova Geografia), enfatizou a análise de sistemas espaciais complexos, utilizando a matemática e a lógica dedutiva para formular princípios de organização que, idealmente, seriam universais e independentes das particularidades históricas locais.
II.A Geografia Comportamental (ou Perceptual), inserida no contexto das críticas à rigidez quantitativa, buscou resgatar a subjetividade, focando no estudo dos espaços vividos e dos terceiros espaços (conceitos desenvolvidos posteriormente), negligenciando a análise das estruturas econômicas macroscópicas que moldam a acessibilidade a esses espaços.
III.O Paradigma da Complexidade, influenciado por pensadores como Edgar Morin, defende que a análise geográfica deve superar a fragmentação disciplinar, reconhecendo que os fenômenos espaciais (como a urbanização ou a migração) são intrinsecamente interconectados, exigindo uma visão que articule o local, o global, o quantitativo e o qualitativo simultaneamente.
IV.A Geografia Crítica, ao adotar o método dialético, interpreta a paisagem não como um conjunto de feições estáticas, mas como o registro material das contradições históricas de classes, focando exclusivamente nas relações de exploração capitalista, o que a torna incompatível com o estudo de aspectos como a identidade cultural e a percepção do lugar.
Assinale a opção que contém apenas as afirmativas corretas:
Para Milton Santos, no livro Pensando o Espaço do Homem (2004), ao definir o espaço como uma acumulação desigual de tempos, compreende‑se que não se trata de uma justaposição linear de camadas históricas homogêneas, mas da coexistência de objetos geográficos que cristalizam práticas sociais de diferentes épocas, articulados em sistemas atuais de ação que conferem novos usos e significados às formas herdadas.
Para Ana Fani Alessandri Carlos, no livro O lugar no/do mundo (2007), o conceito de lugar deve ser entendido como a articulação contraditória entre o mundial e a especificidade histórica do particular, constituindo‑se no plano do vivido como base da reprodução da vida social.
Élisée Reclus foi um geógrafo que concebia a geografia como instrumento de dominação dos Estados, sem crítica às injustiças sociais.
Paul Vidal de La Blache definiu o objeto da geografia como a relação homem‑natureza no contexto de análise da paisagem.
Em sua obra Antropogeografia (1882), Friedrich Ratzel definia o objeto da geografia humana como o estudo da influência do meio natural acerca da humanidade, entendida de forma mediada pelas condições econômicas e sociais.
Acerca das concepções do pensamento geográfico, julgue o item a seguir.
Alexander von Humboldt concebia a geografia como uma disciplina normativa, preocupada em estabelecer leis universais de caráter prescritivo para a organização do espaço.
“A paisagem não é a simples adição de elementos geográficos disparatados. É, em uma determinada porção do espaço, o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e antrópicos que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável, em perpétua evolução” (Bertrand, Georges. Paisagem e Geografia física global. Esboço metodológico. Revista RA’EGA, Editora UFPR, Curitiba–PR, n°. 8, p. 141–152, 2004).
O conceito de paisagem trazido pelo geógrafo Georges Bertrand encontra-se dentro do debate sobre o conceito de:
“Élisée Reclus considera que a constante tensão entre trabalhadores e patrões independentes do momento histórico, leva a possíveis "janelas" para transformações. Para ele, os trabalhadores, ao se colocarem em marcha para transformar sua realidade miserável, não se deixam enganar por infinitas ideologias e propagandas das classes dominantes, podendo assim ocorrer uma evolução social inclusive uma revolução. Na sua visão uma sociedade melhor e mais justa, só ocorre se ocorrer um progresso de evolução individual dos seus membros. Com Élisée Reclus a dialética, o Materialismo Histórico, começou a protagonizar os trabalhos sociais críticos” (Silva, 2019, p. 241). O ensino de geografia segundo Élisée Reclus. Disponível em https://publica.ciar.ufg.br/ebooks/eleb 2019/2 artigos/c001.html)
Tendo como fundamento o texto acima e os estudos sobre a História do Pensamento Geográfico, é possível afirmar corretamente que Élisée Reclus pode ser considerado o precursor da:
“O processo de transição do feudalismo para o capitalismo manifestou-se a nível continental na Europa. Porém, não de forma homogênea. Ao contrário, obedecendo a particularidades, em cada país onde se apresentou. Existiram, assim, vias singulares de desenvolvimento do capitalismo, que engendraram manifestações ímpares. A Geografia será filha de uma destas singularidades” (Moraes, 2005, p. 57. Geografia: pequena história crítica.)
O texto acima trata do contexto histórico de expansão das relações capitalistas de produção na Europa e ajuda a explicar o motivo pelo qual a geografia moderna “nasce” em determinado país europeu. Assinale a opção correta quanto a esse país: