Questões de Concurso
Sobre conceito e objeto da antropologia. cultura. relativismo cultural versus etnocentrismo. observação participante e técnica em antropologia
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Com base na compreensão dos fenômenos religiosos e suas manifestações nas diferentes culturas e tradições, assinale a alternativa correta:
“[...] Um imperativo para reconectar as bolhas humanas que somos, em nossa rede-trama-mundo contemporâneo tão esgarçada e corroída é, então, fortalecer um amplo movimento intercultural e interdisciplinar, estético e político, pedagógico e espiritual, que poderia ser sintetizado em dois verbos: sentipensar e reconectar(-se). [...]”.
(ARAÚJO, Diana Pereira. Mediação cultural na América Latina: utopias em curso. Buenos Aires e Foz do Iguaçu: CLACSO; UNILA, 2023. p. 24)
A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre conceitos da cultura, assinale a alternativa que define o que é interculturalidade.
A área descrita fundamenta os estudos de Daolio (Da cultura do corpo, 2010) e se denomina
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 2015. (Adaptado.)
A partir de sua visão de “cultura”, o autor sugere que a antropologia necessita de um método de investigação distinto de outros tipos de ciências.
Assinale a opção que expressa corretamente este método.
Jocimar Daolio, em "Da Cultura do Corpo", propõe uma revolução paradigmática para a Educação Física ao utilizar a Antropologia como referencial. Ele critica a visão biologizante, que trata o corpo como um dado universal e natural (uma "máquina"), e propõe que a área passe a entender o corpo como uma construção cultural e simbólica. Ele utiliza a distinção entre "cultura de corpo" (singular) e "cultura do corpo" (plural, implícito). Analise as afirmativas a seguir:
I. A "cultura de corpo" (no singular) refere-se à concepção tradicional e biologizante, que vê o corpo como um dado universal, que deve ser treinado e aperfeiçoado para atingir um padrão ideal de saúde ou performance.
II. A "cultura do corpo" (no plural) é a perspectiva antropológica, que entende o corpo como uma construção simbólica, cujos significados (ex: o que é ser forte, belo ou hábil) variam entre diferentes grupos sociais, etnias e gêneros.
III. A proposta de Daolio é que a Educação Física escolar abandone a "cultura do corpo" (diversidade) e adote a "cultura de corpo" (universal), pois a ciência biológica oferece verdades objetivas para o treinamento de todos os alunos.
Está correto o que se afirma em:
KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 468.
O xamã yanomami, Kopenawa, no trecho anterior, apresenta uma compreensão dupla de discurso (o do homem branco e o do xamã), no texto anterior, no qual o discurso xamânico assume
Assim, analise as afirmativas a seguir sobre as identidades surdas:
I.A 'Identidade Surda' refere-se a indivíduos que veem a surdez como uma diferença cultural e linguística, têm a língua de sinais como L1, participam ativamente da Comunidade Surda e constroem seus laços sociais majoritariamente dentro dela.
II.A 'Identidade Híbrida' (ou flutuante) descreve exclusivamente surdos oralizados que aprenderam Libras tardiamente e rejeitam totalmente a cultura ouvinte, buscando uma imersão pura, porém conflituosa, na cultura surda.
III.A 'Identidade de Transição' (ou 'embaçada') caracteriza indivíduos que, vindos de uma educação oralista ou de famílias ouvintes, estão em processo de descoberta da Libras e da Comunidade Surda, muitas vezes sentindo-se 'nem ouvintes, nem surdos'.
Está correto o que se afirma em:
GUIDON, Niède. Peintures rupestres de Várzea Grande: Piauí, Brésil. Paris: Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, 1975., p.42. (Adaptado).
No que diz respeito à epistemologia apresentada por Guidon, é correto afirmar que
Se antes a escola era um espaço que trazia o conhecimento para os indígenas e tínhamos que aceitar, hoje os indígenas querem compartilhar seus conhecimentos. (...) Eles querem construir essas relações de respeito entre os conhecimentos promovendo o diálogo intercultural.
Os indígenas não ensinam ninguém, eles aprendem, aí o outro também aprende. Então essa ideia de ir à escola para aprender é porque lá tem alguém que ensina. Mas nessa relação de quem ensina, existe a negação do aprender, porque um ensina e outro aprende. Não existe a construção intercultural. Na interculturalidade nós trocamos ideias e construímos o que é melhor para nossa sociedade. Então, me parece que tem um abismo entre os indígenas e os não indígenas porque não tem essa compreensão da prática intercultural vivencial."
(Ferreira Kaingang, 2024, p. 836, 844, 847-848.)
"O que são os conhecimentos para os coletivos Kaingang? Como se produz conhecimentos a partir da relação que se faz com esses seres que o mundo eurorreferenciado não considera humanos e são fundamentais para produção do conhecimento para eles?
O professor D. Cardoso [...] é enfático em afirmar constantemente: 'Eu aprendi com o rio, aprendi com a corrente de água; ela me ensina quando está acordada. A água acorda, ela dorme, tem fluxo, ela traz o movimento, o tempo, uma série de conhecimentos, ela pode ser remédio!'.
O sistema Kaingang é muito mais aberto ao outro, à alteridade radical, aos seres extra-humanos. Constitui-se como um mundo em que se percebe e se produz a partir de constantes e intensas relações entre os existentes do cosmos. Estamos diante, pois, de uma sócio-cosmo-ontologia instável, em contínua transformação e de criação de seus corpos e de suas pessoas."
(Baptista da Silva, 2022, p. 10.)
Com base nos trechos selecionados dos textos de Bruno Ferreira Kaingang e Sergio Baptista da Silva, que discutem a cosmologia, a educação e a alteridade no contexto Kaingang, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) O conhecimento Kaingang é relacional e se produz nas interações entre humanos e extra-humanos, em um sistema aberto à alteridade e em contínua transformação.
(__) A reciprocidade é princípio central da cosmologia e da educação Kaingang, pois expressa interdependência, trocas e compromissos entre todos os seres do cosmos.
(__) A escola, segundo Ferreira Kaingang, deve manter a lógica unidirecional do ensino, na qual o professor é o portador do saber e o aluno o receptor do conhecimento.
(__) A educação intercultural proposta pelos autores se baseia na troca e na construção conjunta de saberes, em que aprender é um processo mútuo e não hierárquico.
(__) Para os Kaingang, o conhecimento é prática vivencial e relacional, vinculada à cosmologia e às experiências de reciprocidade com o mundo natural e espiritual.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Grosso modo, isso sugere não existir o que chamamos de natureza humana independente da cultura. [...] Como nosso sistema nervoso central − e principalmente a maldição e glória que o coroam, o neocórtex − cresceu, em sua maior parte, em interação com a cultura, ele é incapaz de dirigir nosso comportamento ou organizar nossa experiência sem a orientação fornecida por sistemas de símbolos significantes. [...] Para obter a informação adicional necessária para agir, fomos forçados a depender cada vez mais de fontes culturais − o fundo acumulado de símbolos significantes. Assim, é na carreira do homem, em seu curso característico, que podemos discernir, embora difusamente, sua natureza, e, apesar de a cultura ser apenas um elemento na determinação desse curso, ela não é o menos importante.
Por estranho que pareça − embora, num segundo momento, não tão estranho −, muitos de nossos sujeitos parecem compreender isso mais claramente que nós mesmos, os antropólogos. Em Java, por exemplo, onde executei grande parte do meu trabalho, as pessoas diziam com tranquilidade: "ser humano é ser javanês". [...] Ser humano não é apenas respirar, mas controlar a respiração pelas técnicas do ioga, de forma a ouvir literalmente, na inspiração e na expiração, a voz de Deus pronunciar o seu próprio nome − "hu Allah". Não é apenas falar, mas emitir as palavras e frases apropriadas, nas situações sociais apropriadas, no tom de voz apropriado e com a indireção evasiva adequada. Não é apenas comer: é preferir certos alimentos, cozidos de certas maneiras, e seguir uma etiqueta rígida à mesa ao consumi-los. Não é apenas sentir, mas sentir certas emoções distintamente javanesas − "paciência", "desprendimento", "resignação", "respeito".
Aqui, ser humano certamente não é ser qualquer homem; é ser uma espécie particular de homem, e sem dúvida os homens diferem − "outros campos", dizem os javaneses, "outros gafanhotos". (...) O caso é que há maneiras diferentes e, mudando agora para a perspectiva antropológica, é na revisão e na análise sistemática dessas maneiras − a bravura do índio das planícies, a obsessão do hindu, o racionalismo do francês, o anarquismo berbere, o otimismo americano (para citar uma série de etiquetas que eu não gostaria de defender como tais) — que poderemos encontrar o que é ser um homem, ou o que ele pode ser."
(Geertz, 2008, p. 35)
Em "O impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem" (2008), Clifford Geertz discute a importância de compreender a teia de significados que a cultura abarca para entender o que constitui o ser humano. Com base no trecho selecionado, registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__) A tarefa do antropólogo consiste em identificar o que é concreto, particular e circunstancial em cada cultura, ao invés de buscar o que é universal na experiência humana.
(__) A cultura é um ornamento da existência humana, um acréscimo circunstancial à natureza, sem papel essencial na constituição do homem.
(__) Não há uma natureza humana independente da cultura, esta constitui condição essencial da existência e base da especificidade da espécie.
(__) O relativismo, segundo essa perspectiva, pressupõe que cada cultura possui sistemas próprios de significados que devem ser interpretados em seus próprios termos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
"Quando se salva alguém, assume-se que a pessoa está sendo salva de alguma coisa. Você também a está salvando para alguma coisa. Que violências estão associadas a essa transformação e quais presunções estão sendo feitas sobre a superioridade daquilo para o qual você a está salvando? Projetos de salvar outras mulheres dependem de, e reforçam, um senso de superioridade por parte dos ocidentais, uma forma de arrogância que merece ser desafiada. Tudo o que se precisa fazer para vislumbrar a qualidade condescendente da retórica de salvar mulheres é imaginar utilizá-la hoje nos Estados Unidos em relação a grupos em desvantagem, como mulheres afro-americanas ou mulheres proletárias. Nós agora entendemos que elas sofrem uma violência estrutural."
(Abu-Lughod, 2012, p. 465.)
Com base nessa reflexão, é correto afirmar que o texto evidencia: