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Após fazer uma leitura crítica em relação aos trechos da BNCC alocados acima, tendo por base os pressupostos da Educação do Campo, leia as assertivas abaixo:
I. Ao avançar a barreira dos “parâmetros”, a exemplo dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), a BNCC, revestida de caráter normativo e estrutura rígida (apesar de se rotular como flexível), com pormenores e designações esmiuçadas ao longo do documento, torna infactível a construção coletiva dos saberes e conteúdos formativos da Educação do Campo.
II. O que se anuncia com a BNCC, como é pregado pelos arautos do capital, não é somente uma alteração metodológica; mas sim um projeto apropriação e controle da formação docente pelo capital, tornando-o um mero repetidor do que está posto no documento sob os auspícios das “competências gerais” e suas habilidades, valores, atitudes, entre outros, que solapam a autonomia do professor do campo e, consequentemente, do sujeito do campo.
III. A BNCC, apesar de seu caráter normativo, traz espaços dentro da lei que permitem a autonomia do saber docente, bem como a construção curricular coletiva. Dessa forma, está condizente com a proposta da Educação do Campo e da formação de seus educadores.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
“As políticas e práticas curriculares devem se alicerçar no reconhecimento e na afirmação da diversidade sociocultural, contribuindo com uma formação pautada na convivência das diferenças e na participação do conjunto de seus sujeitos, grupos e populações nos rumos de um projeto amazônico de educação e de desenvolvimento territorial inclusivo, sustentável e solidário.” HAGE, Salomão Mufarrej. Por uma escola do campo de qualidade social: transgredindo o paradigma (multi)seriado de ensino. Brasília, v. 24, n. 85, p. 97-113, abr/ 2011, p. 109.
A partir dos textos acima, é perceptível a íntima relação entre Educação do Campo, Currículo (ou política curricular) e Política Cultural. Na mesma consonância, é correto dizer que:
I. Quando se pensa em política curricular tendendo a se transformar em uma política cultural, deve-se levar em consideração que não é uma mera questão de adequação ou adaptação de uma cultura à outra no currículo, mas sim de explicitar, demarcar e reconhecer o valor das distinções socioculturais e identitárias.
II. Os processos culturais constituidores da política curricular emergem do conflito de forças econômicas antes mesmo do cultural, não havendo relação entre dominação cultural e dominação econômica; por isso mesmo, a Educação do Campo, devido ao teor marxista de seus princípios, tangencia a política curricular como política cultural.
III. A hegemonia cultural imposta pelo modelo da Ciência Moderna refletiu diretamente na escola do século XX; entretanto, à medida que a denominada “Educação 4.0” foi absorvida pela Educação do Campo no início deste século, a política cultural se sobrepôs à política curricular excludente.
Após ler as assertivas acima, é correta afirmar que:
Sobre a relação existente entre Educação do campo e Movimentos Sociais, muito bem explicitada no texto acima, é possível afirmar que:
No texto acima, Sacristán alerta para a questão de se romper com a lógica homogeneizadora da modernidade. Trazendo esta questão para a Educação do Campo, pode-se afirmar que:
I. A Educação do Campo perpassa tangencialmente a Interculturalidade, pois o conceito de campo nega os povos que, mesmo com diferenças culturais marcantes, vivem na cidade.
II. A Educação do Campo é regida pelo princípio da igualdade e do respeito à diversidade cultural; portanto, se insere na resistência a esse modelo homogeneizador ao qual se refere Sacristán.
III. A relação entre Educação do Campo e Interculturalidade vai além de, meramente, reconhecer as diferenças culturais; deve ser engendrada na luta pela justiça, legitimidade e legalidade dos direitos constitucionais e das diferenças identitárias dos povos do campo, respeitando suas condições sociais e econômicas.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
“Assumindo o trabalho como princípio educativo, a Pedagogia da Alternância permite aos jovens do campo a possibilidade de continuar os estudos e de ter acesso aos conhecimentos científicos e tecnológicos não como algo dado por outrem, mas como conhecimentos conquistados e construídos a partir da problematização de sua realidade, que passa pela pesquisa, pelo olhar distanciado do pesquisador sobre o seu cotidiano.” CORDEIRO, Giorgina N. Kalife; HAGE, Salomão Mufarrej; REIS, Neila da Silva. Pedagogia da Alternância e seus desafios para assegurar a formação humana dos sujeitos e a sustentabilidade do campo. In: Em Aberto, v. 24, n. 85, p. 115-125. Brasília, abr. 2011, p. 116.
A Pedagogia da Alternância é claramente a modalidade pedagógica que mais se enquadra nos projetos educacionais de Educação do Campo pelo Brasil a fora por motivos já esclarecidos nos textos acima. São princípios da Pedagogia da Alternância:
I. Formação profissional do ser humano voltada para as demandas do mercado de trabalho.
II. Articulação dos tempos e dos espaços de formação.
III. Princípio da cooperação, de ação e de autonomia.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
A relação entre Educação do Campo e Agroecologia, conforme aponta Caldart no texto acima, está pautada em princípios comuns às duas áreas, tais como:
( 1 ) Princípio da vida
( 2 ) Princípio da diversidade
( 3 ) Princípio da complexidade
( 4 ) Princípio da transformação
(___) Desenvolvimento de análises da realidade a partir de uma abordagem sistêmica e holística.
(___) Sustentabilidade nas dimensões ecológica, econômica, social, cultural, política e ética.
(___) A escola como o lócus para reflexão e ação transformadora sobre os problemas sociais e ecológicos geradores da insustentabilidade do planeta.
(___) Reconhecimento e valorização dos povos e comunidades tradicionais do campo e da cidade e os diferentes movimentos e organizações sociais, considerando as questões de gênero, diversidade sexual, étnica e geracional e reafirmando o território como espaço de identidades e de culturas
Enumere a segunda coluna, relacionando-a com os princípios constantes na primeira coluna; posteriormente, marque a sequência numérica da segunda coluna de cima para baixo:
Para evitar “conteúdos fragmentados, ideias soltas, sem relação entre si e muito menos com a vida concreta”, conforme aponta Caldart no texto acima, a Educação do Campo se relaciona intrinsecamente com Currículo integrado e interdisciplinaridade. Sobre isso, podemos dizer:
I. A relação intrínseca entre Educação do Campo, Currículo Integrado e Interdisciplinaridade ganha respaldo na indispensabilidade de um currículo que rompa com os modelos de disciplinas herméticos e subordinados entre si.
II. A relação intrínseca entre Educação do Campo, Currículo Integrado e Interdisciplinaridade ganha respaldo na indispensabilidade de um currículo que integre saberes e vivências advindas da realidade concreta dos sujeitos, respeitando suas especificidades sociais e culturais.
III. A relação intrínseca entre Educação do Campo, Currículo Integrado e Interdisciplinaridade ganha respaldo na indispensabilidade de um currículo que proporcione a construção dialógica dos saberes pelos sujeitos envolvidos no processo de ensino-aprendizagem a partir de vivências educacionais relevantes e emancipatórias.
Após ler as assertivas acima, é correta afirmar que:
Tomando-se por base o texto acima, que explicita as especificidades do “povo brasileiro que vive e trabalha no campo”, a Educação do Campo apresenta princípios que respeitam tais especificidades; dentre estes princípios, destaca-se:
I. A formação integral do ser humano, ou seja, uma educação que dê conta de todas as dimensões que comporte a vida humana.
II. A emancipação da sociedade, ou seja, uma educação emancipatória, libertadora, que propicie a análise crítica e comprometida com um projeto de sociedade em prol dos sujeitos oprimidos e da transformação das realidades opressoras.
III. Valorização da terra como meio de vida, de cultura e de capitalização.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
A assertiva que mais resume o texto acima, de Roseli Salete Caldart, é:
Em consonância com o texto acima, é possível afirmar que:
Após a leitura crítica do texto da autora, leia e análise as assertivas abaixo:
I. O projeto de Educação do Campo está contido na legislação da educação brasileira, porém o artigo 5º das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo de 2002 expressa a concepção das propostas pedagógicas das escolas do campo, as quais “contemplarão a diversidade do campo em todos os seus aspectos: sociais, culturais, políticos, econômicos, de gênero, geração e etnia”.
II. A BNC formação de professores (2019) e a BNC formação continuada docente (2021) estão alinhadas com a BNCC da educação básica, tendo como objetivo favorecer a padronização de um currículo nacional prescrito, o qual centraliza a formação e a avaliação e descentraliza as responsabilidades pedagógica dos gestores e professores, a partir do padrão de qualidade do capital internacional (CURADO, 2018).
III. A BNCC (2017) atende às demandas da reestruturação produtiva em nível global, portanto a uma agenda global dos organismos internacionais e multilaterais, interferindo no perfil de homem /mulher e de sociedade, a partir de um perfil de competência para o século XXI que atende aos interesses do capital (CURADO, 2018).
IV. A Educação do Campo se configura em um projeto antagônico ao projeto da BNCC, pois segundo Katia Curado (2018) esses projetos estão em disputa na educação brasileira.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
I. O currículo como política cultural é composto por diversidades e se coloca no contexto da discussão sobre a desigualdade e marginalização daqueles que, historicamente, foram excluídos da educação e/ou da sociedade (DUARTE, 2008).
II. O currículo como política cultural considera a diversidade como reconhecimento histórico, cultural e sociopolítico das diferenças e rechaça as tentativas de homogeneização de ideias e sujeitos. Nesse sentido, a educação do campo se coloca na perspectiva de direito à vida e à cidadania plena (DUARTE, 2008).
III. O currículo como política cultural rechaça a mera transposição de propostas pedagógicas das escolas urbanas para as escolas do campo, o aligeiramento ou a superficialização do conhecimento (DUARTE, 2008).
IV. O currículo como política cultural organiza propostas pedagógicas que integram desenvolvimento humano e tecnológico, que superam a dicotomia urbano-rural, o que pressupõe uma mudança curricular e no trabalho pedagógico, prevê a diversificação dos espaços de aprendizagem e a realização da avaliação formativa e concebe teoria e prática como dimensões inseparáveis do processo pedagógico (DUARTE, 2008).
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
Considerando o texto acima, é correto afirmar que:
I. A LDB garante o desenvolvimento de programas integrados de ensino e pesquisa para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos povos indígenas, e propõe dois objetivos que compreendem a inserção do aluno indígena à escola.
II. A II Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena (CONEEI/RR) apresentou a necessidade de construção do currículo próximo à realidade da comunidade, que resgate e valorize os costumes, as memórias históricas, a reafirmação das identidades étnicas, sobretudo o respeito às suas línguas e especificidades de cada povo.
III. O Referencial Curricular para Escolas Indígenas (RCNEI, 1998) transformou a concepção de políticas públicas voltadas para a educação intercultural indígena, do ponto de vista de sua efetividade.
IV. A Educação do Campo se fundamenta na interculturalidade por considerar necessário o respeito às diferentes culturas.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
I. A Educação do Campo assume características de uma educação de classe em vista de seu empoderamento, tendo a pedagogia da alternância como um dos elementos metodológicos centrais, caracterizada pelo revezamento de atividades formativas no âmbito escolar e outras desenvolvidas na propriedade e/ou na comunidade de origem da criança, jovem ou adulto.
II. A pedagogia da alternância tem por objetivo possibilitar formação científica, tecnológica e humana aos jovens do campo sem que abandonem seu trabalho e ambiente de vida.
III. A pedagogia da alternância, com seu estatuto popular e integrador das diversas dimensões da vida humana, se contrapõe à pedagogia tecnicista impulsionada no Brasil durante a ditadura militar.
IV. A pedagogia da alternância, por sua vez, não só alterna metodologicamente tempo escola e tempo comunidade, mas também se constitui em uma proposta alternativa do ponto de vista político-pedagógico, incorporando aspectos das chamadas pedagogia libertadora, histórico-crítica e emancipatória, que tem como referência maior a obra de Paulo Freire.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que:
I. As práticas e tecnologias implementadas pela Revolução Verde levaram a uma crise socioambiental sem precedentes na história. Diante disso, a abordagem agroecológica nasce como contraponto à concentração tecnológica, à produção mecanicista, à monocultura e à concentração de renda, bem como aos produtos da Revolução Verde, ao trabalho assalariado no campo, às relações sociais de poder, ao machismo, racismo e etc.
II. A construção do conhecimento nestas duas áreas do conhecimento rompe com o paradigma científico e a predominância do cartesianismo da ciência, visto que as disciplinas não dão conta do estudo e compreensão de fenômenos complexos existentes na sociedade.
III. A perspectiva holística, alicerçada no diálogo dos saberes, necessita de métodos participativos para a construção do conhecimento e o fortalecimento da Educação em Agroecologia, bem como para o conhecimento sobre a trajetória humana, sua cultura e as implicações para as lutas sociais populares, a partir da construção coletiva capaz de efetivar uma educação agroecológica.
IV. A ação interdisciplinar e multidisciplinar, a contextualização e a troca de saberes são pressupostos indispensáveis à Educação em Agroecologia, porque possibilitam as inter-relações entre diversos campos de conhecimento, os quais são capazes de produzir respostas para os desafios enfrentados nos processos formativos e de vida.
Após ler as assertivas acima, é correto afirmar que: