Questões de Concurso Para prefeitura de campos dos goytacazes - rj

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Q4355301 Legislação Federal
Em determinada escola municipal de Campos dos Goytacazes, professores e equipe pedagógica passaram a observar que um estudante do ensino fundamental vem sendo alvo, ao longo de várias semanas, de comentários depreciativos e apelidos pejorativos divulgados reiteradamente em um grupo de mensagens criado por colegas da mesma turma. As postagens têm como objetivo ridicularizar o aluno, expondo sua imagem e causando constrangimento psicológico evidente. A equipe gestora discute se a situação se enquadra juridicamente como intimidação sistemática e quais fundamentos normativos devem orientar a atuação pedagógica e institucional da escola. À luz do Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), é correto afirmar que: 
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Q4355300 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Durante um Conselho de Classe participativo em determinada escola pública de ensino fundamental, a equipe docente e a gestão escolar discutem situações complexas envolvendo a frequência e o rendimento de certos estudantes, bem como solicitações de transferências de matrículas feitas por famílias da comunidade. O professor Marcos relata o caso de um aluno com alto índice de faltas sem justificativa, cujos pais não respondem aos chamados da escola. A professora Ana menciona um estudante com histórico de múltiplas retenções (repetências) consecutivas. Já a secretaria da escola apresenta o caso de uma mãe que exige a matrícula de seu filho mais novo na mesma unidade onde já estuda o irmão mais velho, no mesmo ciclo da educação básica. Diante desse cenário hipotético e, ainda, considerando estritamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assinale a afirmativa correta. 
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Q4355299 Pedagogia
A prática docente exige a articulação entre o respeito aos direitos humanos fundamentais, a inclusão escolar e a valorização da diversidade cultural brasileira. Considerando a Declaração de Salamanca, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) e a Lei Federal nº 11.645/2008, analise as afirmativas a seguir.

I. A Declaração de Salamanca proclama que o princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devem aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades ou diferenças que possam ter, devendo as escolas reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos.
II. De acordo com a DUDH, a instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais, sendo a instrução elementar facultativa, devendo a instrução técnico-profissional ser acessível a todos com base no mérito.
III. A Lei nº 11.645/2008, ao alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996 – LDB), estabelece a obrigatoriedade do estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Tais conteúdos devem ser ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, ressaltando-se, contudo, a sua exclusividade disciplinar na área de História do Brasil, dada a especificidade cronológica do tema.
IV. Conforme a Declaração de Salamanca, as escolas regulares que possuem orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias, criando comunidades acolhedoras, construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos.

Está correto o que se afirma apenas em 
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Q4355298 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Hércules é professor de História nos anos finais do ensino fundamental em uma escola da rede privada de ensino. No início do ano letivo, a escola recebe a matrícula de um estudante com deficiência intelectual que necessita de apoio para a realização de atividades e de materiais didáticos acessíveis. A direção da escola convoca uma reunião com a equipe docente e a família para discutir o caso. Durante a reunião, surgem diferentes posicionamentos sobre as obrigações da instituição e os direitos do aluno. Com base estritamente no disposto na Lei nº 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência, assinale a alternativa que apresenta o posicionamento jurídico correto a ser defendido pelo professor.
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Q4355297 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Releia a fala de Telma Pantano, em discurso direto, no 5º§: “‘Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam’, [...]”. Nesse contexto, assinale, a seguir, a alternativa que mantém a correta transposição para o discurso indireto, preservando a norma culta e a correlação temporal.
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Q4355296 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Observe a forma verbal destacada no trecho: “[...] cientistas vêm fazendo alertas [...]” (10º§). Sobre o acento gráfico do vocábulo “vêm”, de acordo com seu emprego no contexto, assinale a afirmativa correta.
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Q4355295 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
A palavra “produção” (4º§) apresenta o mesmo processo morfológico de “mobilização” e de “organização” (6º§). Esse grupo de palavras é formado morfologicamente pelo processo de:
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Q4355294 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No texto, a função referencial da linguagem se manifesta com maior evidência ao: 
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Q4355293 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No 11º§, Telma Pantano destaca que o cérebro humano busca produzir mais com o menor dispêndio de energia (“lei do menor esforço”). No contexto da discussão sobre o uso da IA, essa característica biológica é apresentada como um(a):
Alternativas
Q4355292 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No excerto: “[...] os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro [...]” (8º§), considerando a transitividade do verbo “identificar” nesse contexto, a conversão de tal estrutura para a voz passiva analítica, com preservação do sentido, do tempo verbal e da norma-padrão está corretamente indicada em:
Alternativas
Q4355291 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
A principal finalidade comunicativa do texto “Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA” é: 
Alternativas
Q4355290 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No trecho “[...] o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários [...]” (1º§), a palavra destacada funciona como adjetivo. Nesse contexto, assinale a alternativa em que o vocábulo “voluntário(s)” mantém essa mesma classe gramatical.
Alternativas
Q4355289 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No trecho “Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, [...]” (3º§), a expressão destacada constitui a seguinte figura de linguagem: 
Alternativas
Q4355288 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Considerando os efeitos do uso da IA na aprendizagem, o papel de professores e gestores é essencial, segundo o texto, para: 
Alternativas
Q2351852 Direito Constitucional
Sobre as regras de transferência de recursos federais para os municípios através de emendas parlamentares ao Orçamento da União, assinale a afirmativa INCORRETA.
Alternativas
Q2351851 Contabilidade Pública
As informações a seguir são referentes ao exercício financeiro de 2022 e foram extraídas do sistema de administração orçamentária e financeira do Município de Cristo Rei. Analise-as para responder a questão.



Ainda, no exercício de 2022, o Município contratou operação de crédito por antecipação de receita orçamentária, no valor de R$ 35.000,00, integralmente quitada dentro do exercício, e recebeu depósitos em garantia de execução contratual, no valor de R$ 20.000,00, a serem devolvidos em exercícios futuros. 
Tendo em vista os dados fornecidos, assinale a alternativa que evidencia o valor dos Ingressos Extraorçamentários a ser evidenciado no Balanço Financeiro de 2022.
Alternativas
Q2351850 Contabilidade Pública
As informações a seguir são referentes ao exercício financeiro de 2022 e foram extraídas do sistema de administração orçamentária e financeira do Município de Cristo Rei. Analise-as para responder a questão.



Ainda, no exercício de 2022, o Município contratou operação de crédito por antecipação de receita orçamentária, no valor de R$ 35.000,00, integralmente quitada dentro do exercício, e recebeu depósitos em garantia de execução contratual, no valor de R$ 20.000,00, a serem devolvidos em exercícios futuros. 
Considerando os dados fornecidos, assinale a alternativa que evidencia o resultado a ser declarado no Balanço Orçamentário de 2022.
Alternativas
Q2351849 Contabilidade Pública
Sobre a dívida pública e o endividamento, assinale a afirmativa que representa a correta definição de dívida fundada.
Alternativas
Q2351848 Contabilidade Pública
O Plano de Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP) foi desenvolvido pela Secretaria do Tesouro Nacional para servir como ferramenta de padronização de registros e de consolidação nacional das contas públicas. Considerando o exposto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) No PCASP, não há dependência entre as naturezas de informação. Sendo assim, utiliza-se o método das partidas simples para o reconhecimento contábil dos fatos.
( ) As variações patrimoniais aumentativas e diminutivas são representadas, respectivamente, nas classes 4 e 3, pertencentes à natureza de informação patrimonial.
( ) Os registros de arrecadação de receita orçamentária são efetuados exclusivamente nas classes 5 e 6, pertencentes à natureza de informação orçamentária.

A sequência está correta em
Alternativas
Q2351847 Contabilidade Pública
O Patrimônio Público é o objeto de estudo da Contabilidade Aplicada ao Setor Público, sendo constituído dos bens, direitos e obrigações das entidades do setor público. Sobre o tema, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Ativo é um recurso controlado no presente pela entidade como resultado de evento passado. A propriedade legal do recurso não é uma característica essencial de um ativo, mas é um indicador de controle.
( ) A variação patrimonial aumentativa é aquela que produz acréscimo na situação líquida do ente, podendo decorrer tanto do reconhecimento de um ativo quanto do desreconhecimento de um passivo.
( ) A classificação dos ativos e passivos entre Financeiro e Permanente é um critério qualitativo definido pela Lei nº 4.320/1964, e visa definir o prazo de conversibilidade dos direitos e obrigações com base em sua liquidez.

A sequência está correta em
Alternativas
Respostas
101: D
102: C
103: B
104: C
105: B
106: D
107: D
108: A
109: B
110: C
111: A
112: D
113: B
114: B
115: D
116: D
117: B
118: C
119: C
120: D