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Q4355735 Português

O que fazem os gandulas e como atuam na Copa do Mundo de 2026?



No futebol —e em outros esportes, como o tênis e o beisebol —, a função do gandula é recolher e devolver aos jogadores as bolas que saem do campo durante uma partida. Feito isso, ele apanha aquela que tinha saído do jogo.

Em torneios de clubes, como o Campeonato Brasileiro, esses auxiliares são selecionados pela equipe mandante.

Na Copa do Mundo, disputada em campo neutro, os gandulas são escolhidos e treinados pela Fifa entre voluntários, geralmente jovens atletas de clubes dos países-sede.

Na edição deste ano, que ocorre nos Estados Unidos, no Canadá e no México, parte dos gandulas foi selecionada em uma ação de um patrocinador do evento.

Para tentar evitar interferências indevidas, a Premier League, primeira divisão do Campeonato Inglês, determinou a partir de 2024, via regulamento, que o gandula não mais entregue a bola diretamente ao jogador.

No sistema, chamado de "multiball", cones de plástico são espalhados ao redor do gramado, e sobre cada um é colocada uma bola. Cabe ao jogador pegar a bola que está em um desses cones para reiniciar a partida. A função do gandula, nesse modelo, é exclusivamente reabastecer o cone vazio.

A partir de 2025, a FPF (Federação Paulista de Futebol), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciaram a adoção do mesmo sistema da Premier League em seus torneios — isso inclui o Campeonato Paulista, o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.

A Copa do Mundo, porém, não adota o "multiball".

Você pode reparar, durante os jogos, que há algumas bolas posicionadas estrategicamente fora das quatro linhas, sem cones, para que os próprios jogadores a recolham — os gandulas, porém, ainda podem entregá-las diretamente aos atletas, quando necessário.

Na Copa, para tentar coibir a cera (quando alguém demora para recomeçar a partida de forma proposital), em vez de isolar o gandula, a Fifa impôs novas regras para cobrança de lateral e tiro de meta.

Se o jogador responsável pela cobrança atrasa de forma intencional o arremesso lateral, o árbitro faz um sinal indicando que, a partir daquele momento, começa uma contagem de cinco segundos. Caso a cobrança não seja realizada dentro desse tempo, a posse de bola é dada ao time adversário.

Seguindo a mesma lógica, se o goleiro, um jogador ou a equipe atrasa de forma intencional a cobrança do tiro de meta, o árbitro sinaliza o início de uma contagem de cinco segundos. Se o lance não é realizado dentro do tempo, marca-se escanteio para o time adversário.

Origem do termo gandula. Por muitos anos difundiu-se esta história sobre a origem do termo gandula: ele teria surgido por causa do jogador argentino Bernardo Gandulla (1916-1999), que atuou no Vasco em 1939.

Dizia a lenda que era mau jogador e tentava compensar a falta de habilidade, na reserva, buscando as bolas que saíam do campo e repondo-as com rapidez.

A palavra, porém, já era usada antes — há um registro de 1933 no jornal Diário da Noite, por exemplo.

Gandulla tampouco era mau jogador: foi campeão argentino duas vezes pelo Boca Juniors.

Na verdade, o termo vem de "gandul", palavra em espanhol que significa vagabundo, preguiçoso. Para um ofício que exige tanto esforço físico, a etimologia parece injusta.

A palavra "gandul" vem do árabe "gandûr", que significa "jovem de classe modesta que afeta elegância e vive sem trabalhar".

Já "gandular" é uma gíria regional do Rio Grande do Sul que significa viver à custa de outrem, parasitar.

Continua sendo injusto com os gandulas, mas a ideia de pessoa jovem que atua à margem de outras, mais notórias, aproxima-se um pouco mais da função do gandula.


Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/o-que-fazem-os-gandulas-e-como-atuam-na-copa-do-mundo-de2026.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa
Em relação à Copa do Mundo de 2026, o texto afirma que ela:
Alternativas
Q4355734 Português

O que fazem os gandulas e como atuam na Copa do Mundo de 2026?



No futebol —e em outros esportes, como o tênis e o beisebol —, a função do gandula é recolher e devolver aos jogadores as bolas que saem do campo durante uma partida. Feito isso, ele apanha aquela que tinha saído do jogo.

Em torneios de clubes, como o Campeonato Brasileiro, esses auxiliares são selecionados pela equipe mandante.

Na Copa do Mundo, disputada em campo neutro, os gandulas são escolhidos e treinados pela Fifa entre voluntários, geralmente jovens atletas de clubes dos países-sede.

Na edição deste ano, que ocorre nos Estados Unidos, no Canadá e no México, parte dos gandulas foi selecionada em uma ação de um patrocinador do evento.

Para tentar evitar interferências indevidas, a Premier League, primeira divisão do Campeonato Inglês, determinou a partir de 2024, via regulamento, que o gandula não mais entregue a bola diretamente ao jogador.

No sistema, chamado de "multiball", cones de plástico são espalhados ao redor do gramado, e sobre cada um é colocada uma bola. Cabe ao jogador pegar a bola que está em um desses cones para reiniciar a partida. A função do gandula, nesse modelo, é exclusivamente reabastecer o cone vazio.

A partir de 2025, a FPF (Federação Paulista de Futebol), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciaram a adoção do mesmo sistema da Premier League em seus torneios — isso inclui o Campeonato Paulista, o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.

A Copa do Mundo, porém, não adota o "multiball".

Você pode reparar, durante os jogos, que há algumas bolas posicionadas estrategicamente fora das quatro linhas, sem cones, para que os próprios jogadores a recolham — os gandulas, porém, ainda podem entregá-las diretamente aos atletas, quando necessário.

Na Copa, para tentar coibir a cera (quando alguém demora para recomeçar a partida de forma proposital), em vez de isolar o gandula, a Fifa impôs novas regras para cobrança de lateral e tiro de meta.

Se o jogador responsável pela cobrança atrasa de forma intencional o arremesso lateral, o árbitro faz um sinal indicando que, a partir daquele momento, começa uma contagem de cinco segundos. Caso a cobrança não seja realizada dentro desse tempo, a posse de bola é dada ao time adversário.

Seguindo a mesma lógica, se o goleiro, um jogador ou a equipe atrasa de forma intencional a cobrança do tiro de meta, o árbitro sinaliza o início de uma contagem de cinco segundos. Se o lance não é realizado dentro do tempo, marca-se escanteio para o time adversário.

Origem do termo gandula. Por muitos anos difundiu-se esta história sobre a origem do termo gandula: ele teria surgido por causa do jogador argentino Bernardo Gandulla (1916-1999), que atuou no Vasco em 1939.

Dizia a lenda que era mau jogador e tentava compensar a falta de habilidade, na reserva, buscando as bolas que saíam do campo e repondo-as com rapidez.

A palavra, porém, já era usada antes — há um registro de 1933 no jornal Diário da Noite, por exemplo.

Gandulla tampouco era mau jogador: foi campeão argentino duas vezes pelo Boca Juniors.

Na verdade, o termo vem de "gandul", palavra em espanhol que significa vagabundo, preguiçoso. Para um ofício que exige tanto esforço físico, a etimologia parece injusta.

A palavra "gandul" vem do árabe "gandûr", que significa "jovem de classe modesta que afeta elegância e vive sem trabalhar".

Já "gandular" é uma gíria regional do Rio Grande do Sul que significa viver à custa de outrem, parasitar.

Continua sendo injusto com os gandulas, mas a ideia de pessoa jovem que atua à margem de outras, mais notórias, aproxima-se um pouco mais da função do gandula.


Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/o-que-fazem-os-gandulas-e-como-atuam-na-copa-do-mundo-de2026.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa
Com base no funcionamento do sistema "multiball" adotado pela Premier League e outras federações, qual passou a ser a função exclusiva do gandula?
Alternativas
Q4355733 Português

O que fazem os gandulas e como atuam na Copa do Mundo de 2026?



No futebol —e em outros esportes, como o tênis e o beisebol —, a função do gandula é recolher e devolver aos jogadores as bolas que saem do campo durante uma partida. Feito isso, ele apanha aquela que tinha saído do jogo.

Em torneios de clubes, como o Campeonato Brasileiro, esses auxiliares são selecionados pela equipe mandante.

Na Copa do Mundo, disputada em campo neutro, os gandulas são escolhidos e treinados pela Fifa entre voluntários, geralmente jovens atletas de clubes dos países-sede.

Na edição deste ano, que ocorre nos Estados Unidos, no Canadá e no México, parte dos gandulas foi selecionada em uma ação de um patrocinador do evento.

Para tentar evitar interferências indevidas, a Premier League, primeira divisão do Campeonato Inglês, determinou a partir de 2024, via regulamento, que o gandula não mais entregue a bola diretamente ao jogador.

No sistema, chamado de "multiball", cones de plástico são espalhados ao redor do gramado, e sobre cada um é colocada uma bola. Cabe ao jogador pegar a bola que está em um desses cones para reiniciar a partida. A função do gandula, nesse modelo, é exclusivamente reabastecer o cone vazio.

A partir de 2025, a FPF (Federação Paulista de Futebol), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciaram a adoção do mesmo sistema da Premier League em seus torneios — isso inclui o Campeonato Paulista, o Campeonato Brasileiro e a Libertadores.

A Copa do Mundo, porém, não adota o "multiball".

Você pode reparar, durante os jogos, que há algumas bolas posicionadas estrategicamente fora das quatro linhas, sem cones, para que os próprios jogadores a recolham — os gandulas, porém, ainda podem entregá-las diretamente aos atletas, quando necessário.

Na Copa, para tentar coibir a cera (quando alguém demora para recomeçar a partida de forma proposital), em vez de isolar o gandula, a Fifa impôs novas regras para cobrança de lateral e tiro de meta.

Se o jogador responsável pela cobrança atrasa de forma intencional o arremesso lateral, o árbitro faz um sinal indicando que, a partir daquele momento, começa uma contagem de cinco segundos. Caso a cobrança não seja realizada dentro desse tempo, a posse de bola é dada ao time adversário.

Seguindo a mesma lógica, se o goleiro, um jogador ou a equipe atrasa de forma intencional a cobrança do tiro de meta, o árbitro sinaliza o início de uma contagem de cinco segundos. Se o lance não é realizado dentro do tempo, marca-se escanteio para o time adversário.

Origem do termo gandula. Por muitos anos difundiu-se esta história sobre a origem do termo gandula: ele teria surgido por causa do jogador argentino Bernardo Gandulla (1916-1999), que atuou no Vasco em 1939.

Dizia a lenda que era mau jogador e tentava compensar a falta de habilidade, na reserva, buscando as bolas que saíam do campo e repondo-as com rapidez.

A palavra, porém, já era usada antes — há um registro de 1933 no jornal Diário da Noite, por exemplo.

Gandulla tampouco era mau jogador: foi campeão argentino duas vezes pelo Boca Juniors.

Na verdade, o termo vem de "gandul", palavra em espanhol que significa vagabundo, preguiçoso. Para um ofício que exige tanto esforço físico, a etimologia parece injusta.

A palavra "gandul" vem do árabe "gandûr", que significa "jovem de classe modesta que afeta elegância e vive sem trabalhar".

Já "gandular" é uma gíria regional do Rio Grande do Sul que significa viver à custa de outrem, parasitar.

Continua sendo injusto com os gandulas, mas a ideia de pessoa jovem que atua à margem de outras, mais notórias, aproxima-se um pouco mais da função do gandula.


Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2026/06/o-que-fazem-os-gandulas-e-como-atuam-na-copa-do-mundo-de2026.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa
De acordo com as informações textuais, qual é a principal diferença na seleção dos gandulas entre torneios de clubes (como o Campeonato Brasileiro) e a Copa do Mundo? 
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Q4355713 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão


As escolas de samba cariocas já definiram os seus enredos para o Carnaval 2027 e a literatura vai, mais uma vez , cruzar a Sapucaí. Personagens, histórias e ideias que só existem em livros serão transformados em samba no pé, fantasias e alegorias pelas comunidades.

Na Unidos da Tijuca, o enredo será a história mirabolante de A cabeça do santo , da escritora cearense Socorro Acioli. A Unidos de Vila Isabel também vai partir de um romance, Torto arado, fenômeno editorial de Itamar Vieira Jr., baiano radicado no Rio de Janeiro.

Já a Beija-Flor de Nilópolis voltará quase três décadas depois ao universo da escritora e pajé marajoara Zeneida Lima, aos 92 anos, enquanto a União de Maricá, estreante no Grupo Especial, escolheu o legado do antropólogo, educador e escritor Darcy Ribeiro (1922-1997) para brigar pelo título de campeã.


(Disponível em: https://www.publishnews.com.br/materias/2026/08/18/literatura-brasileir a-inspira-enredos-do-carnaval-2027. Acesso em 20 ago. 2026. Adaptado.) 
No trecho "A Unidos de Vila Isabel também vai partir de um romance, Torto arado , específico editorial de Itamar Vieira Jr., baiano radicado no Rio de Janeiro", a palavra "radicado" tem o sentido de:
Alternativas
Q4355302 Legislação Federal
Em determinada escola da rede municipal de Campos dos Goytacazes, a equipe pedagógica identificou que um aluno vem sendo, de forma reiterada, ignorado pelos colegas em atividades em grupo, excluído deliberadamente de trabalhos coletivos e alvo de disseminação de rumores ofensivos sobre sua conduta pessoal. Diante da situação, a coordenação escolar debate tanto a correta classificação jurídica das condutas quanto as medidas institucionais que devem ser adotadas no âmbito do Programa de Combate à Intimidação Sistemática. Considerando a legislação aplicável, é correto afirmar que: 
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Q4355301 Legislação Federal
Em determinada escola municipal de Campos dos Goytacazes, professores e equipe pedagógica passaram a observar que um estudante do ensino fundamental vem sendo alvo, ao longo de várias semanas, de comentários depreciativos e apelidos pejorativos divulgados reiteradamente em um grupo de mensagens criado por colegas da mesma turma. As postagens têm como objetivo ridicularizar o aluno, expondo sua imagem e causando constrangimento psicológico evidente. A equipe gestora discute se a situação se enquadra juridicamente como intimidação sistemática e quais fundamentos normativos devem orientar a atuação pedagógica e institucional da escola. À luz do Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4355300 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Durante um Conselho de Classe participativo em determinada escola pública de ensino fundamental, a equipe docente e a gestão escolar discutem situações complexas envolvendo a frequência e o rendimento de certos estudantes, bem como solicitações de transferências de matrículas feitas por famílias da comunidade. O professor Marcos relata o caso de um aluno com alto índice de faltas sem justificativa, cujos pais não respondem aos chamados da escola. A professora Ana menciona um estudante com histórico de múltiplas retenções (repetências) consecutivas. Já a secretaria da escola apresenta o caso de uma mãe que exige a matrícula de seu filho mais novo na mesma unidade onde já estuda o irmão mais velho, no mesmo ciclo da educação básica. Diante desse cenário hipotético e, ainda, considerando estritamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), assinale a afirmativa correta. 
Alternativas
Q4355298 Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.146 de 2015
Hércules é professor de História nos anos finais do ensino fundamental em uma escola da rede privada de ensino. No início do ano letivo, a escola recebe a matrícula de um estudante com deficiência intelectual que necessita de apoio para a realização de atividades e de materiais didáticos acessíveis. A direção da escola convoca uma reunião com a equipe docente e a família para discutir o caso. Durante a reunião, surgem diferentes posicionamentos sobre as obrigações da instituição e os direitos do aluno. Com base estritamente no disposto na Lei nº 13.146/2015 – Estatuto da Pessoa com Deficiência, assinale a alternativa que apresenta o posicionamento jurídico correto a ser defendido pelo professor.
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Q4355297 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Releia a fala de Telma Pantano, em discurso direto, no 5º§: “‘Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam’, [...]”. Nesse contexto, assinale, a seguir, a alternativa que mantém a correta transposição para o discurso indireto, preservando a norma culta e a correlação temporal.
Alternativas
Q4355296 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Observe a forma verbal destacada no trecho: “[...] cientistas vêm fazendo alertas [...]” (10º§). Sobre o acento gráfico do vocábulo “vêm”, de acordo com seu emprego no contexto, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4355295 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
A palavra “produção” (4º§) apresenta o mesmo processo morfológico de “mobilização” e de “organização” (6º§). Esse grupo de palavras é formado morfologicamente pelo processo de:
Alternativas
Q4355294 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No texto, a função referencial da linguagem se manifesta com maior evidência ao: 
Alternativas
Q4355293 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No 11º§, Telma Pantano destaca que o cérebro humano busca produzir mais com o menor dispêndio de energia (“lei do menor esforço”). No contexto da discussão sobre o uso da IA, essa característica biológica é apresentada como um(a):
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Q4355292 Português
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        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No excerto: “[...] os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro [...]” (8º§), considerando a transitividade do verbo “identificar” nesse contexto, a conversão de tal estrutura para a voz passiva analítica, com preservação do sentido, do tempo verbal e da norma-padrão está corretamente indicada em:
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Q4355291 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
A principal finalidade comunicativa do texto “Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA” é: 
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Q4355290 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No trecho “[...] o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários [...]” (1º§), a palavra destacada funciona como adjetivo. Nesse contexto, assinale a alternativa em que o vocábulo “voluntário(s)” mantém essa mesma classe gramatical.
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Q4355289 Português
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        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
No trecho “Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, [...]” (3º§), a expressão destacada constitui a seguinte figura de linguagem: 
Alternativas
Q4355288 Português
Cérebro em marcha lenta: os riscos do uso indevido da IA


        Um estudo recentemente publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, chamou a atenção dos educadores: o trabalho analisou o impacto da inteligência artificial (IA) no desempenho cognitivo, linguístico e comportamental de 54 alunos voluntários por quatro meses, dividindo-os em três grupos – os que usavam a IA para redigir textos; para mecanismos de busca e, por fim, um grupo que produzia redações sem lançar mão dos recursos digitais. A conclusão mostrou que, quanto mais intensa a utilização da IA, menor o engajamento neural, linguístico e menor a atividade cerebral. Principalmente, mostrou que há sinais de dependência e menor autonomia cognitiva.

        A pesquisa feita pelo MIT é apenas um exemplo de uma preocupação crescente de cientistas – e também de educadores – de investigar mais profundamente os impactos da difusão de recursos de inteligência artificial, em particular os chats, que hoje permitem a geração de textos e imagens com velocidade e qualidade mais do que surpreendentes. Será que estamos prestes a criar uma geração de humanos com dificuldades de memorizar, pensar criticamente, aprender?

        Os pesquisadores são unânimes em assumir que a IA veio para ficar – e tende a se aprimorar em velocidade desconhecida –, mas alertam reiteradamente para uma postura ativa da sociedade em compreender o impacto desses novos recursos, discernindo entre os hábitos que simplesmente delegam à tecnologia funções que antes eram esperadas do cérebro humano, e atitudes que promovem o pensamento crítico, potencializado pelo uso da IA. Daí um crescente número de pesquisas, que vêm ganhando escala e a abrangência para colocar uma lupa em um fenômeno tão complexo, ainda sofrem da falta de séries históricas comparativas e da complexidade de um tema apenas emergente.

      Ao mesmo tempo que acompanha os estudos mais recentes, a professora e pós-doutora em Psiquiatria pela USP, Telma Pantano, também observa as transformações cotidianas de seus alunos de graduação. “Eu tenho visto uma dificuldade muito grande dos alunos na produção, na criação, na estruturação do pensamento, nos últimos dois anos”, diz.

        Por isso, a estratégia da qual Telma lançou mão é pedir que os jovens escrevam à mão suas produções – o que, invariavelmente, provoca um enorme susto. “Quando não permitimos que usem a inteligência artificial, ficam bloqueados e se perguntam por onde começam, como se o acesso às redes neurais próprias não tivesse sido estimulado”, conta a professora.

        Segundo Telma Pantano, as pesquisas têm mostrado uma diferença muito importante entre pessoas que usam inteligência artificial para responder questões e para adquirir conhecimento e aquelas que usam inteligência artificial para resolver as atividades por elas. “Uma coisa é utilizar a inteligência artificial como fonte de organização e de busca. Outra é usar a inteligência artificial como se fosse a minha produção”, resume. Conforme a pesquisadora, os estudos vêm provando que o uso da IA pode levar a menor mobilização de recursos cognitivos.

        Embora a IA tenha adicionado um sentido de urgência às pesquisas, inclusive pela rapidez com que se difundiu, não é de hoje que os cientistas se preocupam com os efeitos do crescente uso de recursos digitais. Em alguns casos, vêm enfatizando a importância de se preservar aspectos que hoje parecem ultrapassados.

        Em 2024, por exemplo, estudo realizado por universidades norueguesas revelou que escrever à mão – como propôs Telma Pantano a seus alunos – traz um impacto positivo ao aprendizado. Analisando as atividades cerebrais, os pesquisadores identificaram aumento das atividades de regiões do cérebro essenciais para o aprendizado, como aquelas ligadas à memória e ao processo de informações visuais, bem como do funcionamento motor.
        
        Por que isso acontece? Entre outras razões, porque o ato de escrever à mão leva a uma complexa mobilização do corpo humano: o movimento dos dedos, o encadeamento motor, do aparelho visual e do cérebro, o tato para a pressão correta do lápis ou da caneta, o que requer uma coordenação de incontáveis processos.

        O impacto do digital não se resume à abdicação do uso da terceirização da própria inteligência para a IA, nem mesmo pela importância de se preservar processos que implicam a interação corpo e mente. O fenômeno é tão complexo que os cientistas vêm fazendo alertas sobre o declínio de capacidades como a da leitura de textos longos.

        Para Telma Pantano, o uso da IA como uma forma atual da lei do menor esforço é de certa forma esperada. O cérebro humano quer produzir mais com o menor dispêndio de energia. “Assim, a inteligência artificial é muito confortável porque num curto período de tempo, eu consigo respostas”, diz Telma. Mas, no atual contexto, o risco é grande. “Quanto mais fizermos uso de recursos automatizados, menor estímulo dedicaremos aos meios cognitivos internos de busca e produção de conhecimento”, diz.

        Por isso, a seu ver, o papel dos professores e dos gestores é essencial. “Precisamos ensinar a criança e o adolescente, devemos mostrar que a IA não pode ser o final do processo, mas o meio. Caso contrário, os alunos não serão capazes de produzir, inovar, fazer algo diferente, pois o cérebro não estará preparado”, diz.

(Por: Paulo de Camargo. Disponível em: https://revistaeducacao.com.br/. Acesso em: janeiro de 2026. Adaptado.)
Considerando os efeitos do uso da IA na aprendizagem, o papel de professores e gestores é essencial, segundo o texto, para: 
Alternativas
Q4354985 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
No que se refere ao direito à educação, o Estatuto da Criança e do Adolescente assegura garantias específicas às crianças e aos adolescentes. Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4354984 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
Um estudante dos anos iniciais passa a faltar com frequência às aulas sem justificativa. A escola realiza contato com a família, propõe estratégias de acompanhamento e busca alternativas para garantir sua permanência, mas as faltas injustificadas continuam de forma reiterada. Considerando as atribuições previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, a medida adequada é: 
Alternativas
Respostas
1201: B
1202: C
1203: B
1204: D
1205: D
1206: D
1207: C
1208: C
1209: B
1210: D
1211: D
1212: A
1213: B
1214: C
1215: A
1216: D
1217: B
1218: B
1219: A
1220: C