Questões de Concurso
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I. Madeiras classificadas como duras, em geral, apresentam maior densidade e resistência mecânica, sendo frequentemente utilizadas em estruturas e peças submetidas a maior desgaste.
II. Madeiras mais leves tendem a apresentar maior facilidade de corte, lixamento e modelagem, sendo utilizadas em peças que exigem maior trabalhabilidade.
Das assertivas, pode-se afirmar que:
I. Uniões de topo consistem na junção de duas peças pelas extremidades.
II. A união a meia-esquadria é frequentemente utilizada em molduras e cantos de peças.
III. O forquilhamento envolve encaixe de peças com formato semelhante a um garfo.
Está correto o que se afirma em:
I. O uso de Equipamentos de Proteção Individual deve ocorrer sempre que houver risco ocupacional durante a atividade.
II. Luvas isolantes podem ser necessárias em intervenções em sistemas elétricos de baixa tensão.
III. Óculos de proteção podem ser utilizados em atividades que envolvam corte, lixamento ou projeção de partículas.
Está correto o que se afirma em:
I. A reversão ocorre quando o servidor aposentado por invalidez retorna à atividade após verificação, em processo, de que não subsistem os motivos que determinaram a aposentadoria.
II. A reversão poderá ocorrer mesmo na ausência de vaga, desde que comprovada por inspeção médica a capacidade para o exercício do cargo.
Das assertivas, pode-se afirmar que
No uso cotidiano do computador, os dispositivos que permitem a comunicação entre o usuário e a máquina são chamados de periféricos. De modo geral, o teclado e o mouse são classificados como periféricos de ________, enquanto a impressora e o monitor são classificados como periféricos de ________.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas.
TEXTO PARA A QUESTÃO.
Na discoteca do algoritmo
Eu me preparava para sair, mas, como tinha ainda algum tempo, quis ouvir no celular mesmo uma música que me viera à lembrança. Acessei o YouTube e busquei I Left My Heart in San Francisco, com Tony Bennett. Enquanto amarrava os cadarços, deliciava-me com o veludo da voz do cantor norte-americano no arranjo grandioso que a canção pedia. Era o que eu precisava ouvir, talvez por um estado emocional indefinido que buscasse sua expressão na beleza melancólica que a canção oferecia.
Fui pegar a mochila, e o YouTube logo engatou outra pérola: Nature Boy, com Nat King Cole. Uau, adoro essa também! Bela emenda com a canção anterior: outro veludo de voz, outro arranjo clássico, a mesma emoção subjacente. E na sequência veio I Put a Spell on You, com Nina Simone. Meu Deus! Assim eu não saio! Sentei-me no sofá, entregue a essa joia na voz da diva que tanto amo. Aí o celular tocou Georgia on My Mind, com Ray Charles. Misericórdia! Quer me matar, algoritmo?
Imóvel estava, imóvel fiquei, tonto de emoção. E nem tive forças para interromper o aparelho e sair de casa, ante os acordes iniciais da canção seguinte: Perfect Day, com Lou Reed. Eis uma das músicas com maior poder de me derrubar, no sentido de ser tragado pelo mistério das densas emoções. E a mente a me alertar que já perigava atrasar-me para o meu compromisso. Não teria cabimento atribuir o atraso à seleção musical supostamente aleatória do celular...
Num rompante de responsabilidade, calei justamente o grande Frank Sinatra quando entoava a maravilhosa The World We Knew. Ah, venci o algoritmo, sobrevivi ao seu assédio tão traiçoeiro quanto irresistível! E fui andando a pensar justamente nessa espécie de divindade de nosso tempo, o tal algoritmo. Que serzinho mágico é esse, que consegue, em suas associações, mapear o que se passa em nossa alma? E se a tecnologia já devassa nossa alma, o que de subjetivo e secreto restará em nós?
O historiador Yuval Harari aponta o algoritmo como o conceito mais importante em nosso mundo: “Se quisermos compreender nossa vida e nosso futuro, devemos fazer todo esforço para compreender o que é um algoritmo e como eles estão ligados a emoções”. O algoritmo no YouTube “sabia” daquela sequência musical emocionante para mim porque eu já acessei as ditas canções em outras oportunidades. Ele só fez reunilas, por um critério temático, e fui ficando de coração exposto.
Embora tenha sido uma experiência fascinante, resisto o quanto posso a fazer do algoritmo um DJ pessoal. Tão cedo a tal Alexia não entra em minha casa. Sou dos que curtem escolher a dedo o que ouvir — e ainda adepto dos discos —, com direito a desvios repentinos de rota, passando de Billie Holiday a Morais Moreira, por exemplo — coisa que dificilmente o esquemático algoritmo fará.
Não sei se essa birra é conservadorismo ou resistência ao poder da máquina. Ou se mera ilusão de que, em tempos de vaidades e padronizações, mantenho na alma seu mistério e suas nuances. Mas confesso: venha de onde vier, eleita ou não por mim, música é a chave que sempre me escancara a alma.
Autor: Nivaldo Pereira - GZH (adaptado).