Foram encontradas 16.560 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q3416365 Legislação dos Municípios do Estado do Piauí
Nos termos do Título III (Dos Poderes do Município) da Lei Orgânica do Município de Tamboril do Piauí/PI, assinale a alternativa correta:  
Alternativas
Q3416364 Legislação dos Municípios do Estado do Piauí
Nos termos o Art. 6º da Lei Orgânica do Município de Tamboril do Piauí/PI, assinale a alternativa correta referente a frase abaixo:

O Município reger-se-á, nas relações jurídicas e nas atividades político-administrativas, pelos seguintes princípios:  
Alternativas
Q3416363 Sistemas Operacionais
O sistema operacional Windows é amplamente utilizado em computadores pessoais e corporativos devido à sua interface amigável e variedade de recursos.

Qual das alternativas abaixo descreve corretamente uma função do sistema operacional Windows? 
Alternativas
Q3416362 Noções de Informática
No ambiente de trabalho, é comum a utilização de planilhas eletrônicas para organização e análise de dados. Uma das ferramentas mais populares para essa finalidade é o Microsoft Excel.

Qual das alternativas abaixo descreve corretamente a função principal do Microsoft Excel?
Alternativas
Q3416361 Noções de Informática
Uma prática essencial para garantir a segurança e a integridade dos dados armazenados em um computador é a realização de backups periódicos. Os backups permitem recuperar informações em caso de falhas no sistema ou perda de dados.

Qual das alternativas abaixo descreve corretamente o conceito de backup de arquivos? 
Alternativas
Q3416360 Noções de Informática
No ambiente de trabalho, é comum a necessidade de criar e compartilhar documentos entre os colaboradores. Uma das ferramentas mais utilizadas para essa finalidade é o Microsoft Word.

Qual das alternativas abaixo descreve corretamente a função principal do Microsoft Word? 
Alternativas
Q3416359 Noções de Informática
Ao utilizar um navegador de internet, como o Google Chrome ou o Mozilla Firefox, o usuário pode acessar uma variedade de recursos online. Dentre eles, destacam-se os motores de busca, que permitem encontrar informações na web de forma rápida e eficiente.

Qual das alternativas abaixo descreve corretamente a função dos motores de busca na navegação pela internet? 
Alternativas
Q3416353 Português
Eu sou um escritor difícil  Que a muita gente enquizila,  Porém essa culpa é fácil  De se acabar duma vez:  É só tirar a cortina  Que entra luz nesta escurez. 
Mário de Andrade

Qual alternativa completa corretamente as regras de concordância verbal da frase abaixo retirada do texto:
"É só tirar a cortina que entra luz nesta escurez." 
Alternativas
Q3416352 Português
“A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente esta sede.”
Carlos Drummond de Andrade

Qual função da linguagem é mais evidenciada no texto?
Alternativas
Q3416351 Português
“Não é mau este costume de escrever o que se pensa e o que se vê, e dizer isso mesmo quando não se vê nem pensa nada.”
Machado de Assis

Considerando o texto de Machado de Assis, qual dos elementos da comunicação é enfatizado na seguinte frase: "Não é mau este costume de escrever o que se pensa e o que se vê, e dizer isso mesmo quando não se vê nem pensa nada"? 
Alternativas
Q3416350 Português
“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever”.
Clarice Lispector

Considerando o texto acima, qual das alternativas abaixo melhor exemplifica um elemento de coesão presente no texto? 
Alternativas
Q3416349 Português
Texto paras a questão
 
Brisa 
 
Vamos viver no Nordeste, Anarina. 
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas 
riquezas, minha vergonha. 
Deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante. 
 
Aqui faz muito calor. 
No Nordeste faz calor também. 
Mas lá tem brisa: 
Vamos viver de brisa, Anarina. 
Manuel Bandeira 
Qual é a carga semântica associada à expressão "Vamos viver de brisa"? 
Alternativas
Q3416348 Português
Texto paras a questão
 
Brisa 
 
Vamos viver no Nordeste, Anarina. 
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas 
riquezas, minha vergonha. 
Deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante. 
 
Aqui faz muito calor. 
No Nordeste faz calor também. 
Mas lá tem brisa: 
Vamos viver de brisa, Anarina. 
Manuel Bandeira 
Analisando a estrutura sintática do texto, qual é a função sintática predominante da expressão "minhas riquezas"? 
Alternativas
Q3416347 Português
Texto paras a questão
 
Brisa 
 
Vamos viver no Nordeste, Anarina. 
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas 
riquezas, minha vergonha. 
Deixaras aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante. 
 
Aqui faz muito calor. 
No Nordeste faz calor também. 
Mas lá tem brisa: 
Vamos viver de brisa, Anarina. 
Manuel Bandeira 
Com base no texto acima, identifique nas alternativas abaixo um exemplo de relação fonética entre duas palavras que reforça a sonoridade da região Nordeste. 
Alternativas
Q3416345 Português
Texto paras a questão
 
Quando fazemos tudo para que nos amem... e não 
conseguimos, resta-nos um último recurso, não fazer 
mais nada. 
Por isto digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou 
a ternura que havíamos solicitado... melhor será 
desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que 
nos negaram. 
Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce ou não 
espontaneamente, mas nunca por força de imposição. 
Às vezes é inútil esforçar-se demais... nada se 
consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende 
a nossos pés. 
Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram 
uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor 
concedido. 
Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e 
desprezamos quem melhor nos quer. 
Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir 
um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de 
nada mais fazer. 


Clarice Lispector  
De acordo com o texto, como os sentimentos de amor geralmente se manifestam?
Alternativas
Q3416344 Português
Texto paras a questão
 
Quando fazemos tudo para que nos amem... e não 
conseguimos, resta-nos um último recurso, não fazer 
mais nada. 
Por isto digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou 
a ternura que havíamos solicitado... melhor será 
desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que 
nos negaram. 
Não façamos esforços inúteis, pois o amor nasce ou não 
espontaneamente, mas nunca por força de imposição. 
Às vezes é inútil esforçar-se demais... nada se 
consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende 
a nossos pés. 
Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram 
uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor 
concedido. 
Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e 
desprezamos quem melhor nos quer. 
Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir 
um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de 
nada mais fazer. 


Clarice Lispector  
Qual é o principal conselho dado pela autora em relação às tentativas de conquistar o amor?
Alternativas
Q3415843 Pedagogia
Malba Tahan era o pseudônimo usado por um professor de matemática que viveu em Queluz, no Vale do Paraíba, e gostava de criar histórias para tornar a matemática mais atraente para as crianças. O nome verdadeiro de Malba Tahan é: 
Alternativas
Q3415837 Pedagogia
De acordo com a BNCC, "em lugar de pretender que os jovens apenas aprendam o que já sabemos, o mundo deve lhes ser apresentado como campo aberto para investigação e intervenção quanto a seus aspectos sociais, produtivos, ambientais e culturais". Seguindo essa mesma direção, quando o MEC anunciou "Matemática e suas Tecnologias" como um dos itinerários formativos vocacionado a aprendizagem escolar por meio de projetos, oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho, aumenta ainda mais o interesse pelo campo da metodologia do ensino por Projetos. Considerando o texto, leia as afirmativas seguintes referentes às etapas de um Projeto, e marque a que não se aplica. 
Alternativas
Q3415816 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As receitas


Quando eu era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta: são as ideias que moram na cabeça do pintor. São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela.


Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Somos pobres em idéias. Não sabemos pensar. Nisto nos parecemos com os dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha. Hoje, nas relações de troca entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as ideias. É com as ideias que o mundo é feito. Prova disso são os tigres asiáticos, Japão, Coreia, Formosa que, pobres de recursos naturais, se enriqueceram por ter se especializado na arte de pensar.


Minha filha me fez uma pergunta: "O que é pensar?" Disse-me que 'esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.


E, no entanto, não podemos viver sem as respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar, têm que aprender a caminhar sobre a terra firme. Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão deste saber. Nas palavras de Roland Barthes: "Há um momento em que se ensina o que se sabe ... " E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.


As gerações mais velhas ensinam às mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos automaticamente, sei dar o nó na minha gravata automaticamente: as mãos fazem o seu trabalho com destreza enquanto as ideias andam por outros lugares. Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a estória de uma centopeia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: "Dona Centopeia, sempre tive curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?" "Curioso", ela respondeu. "Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção." Termina a estória dizendo que a centopéia nunca mais conseguiu andar. 


Todo mundo fala, e fala bem. Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disto, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar para falar. Ao falar não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramática. Quem, para falar, tem de se lembrar destas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos pregos, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar aqui, é inconscientizar.


O sabido é o não-pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória desse computador que se chama cérebro. Basta aper tar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparece no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma se série de instruções sobre o que fazer. Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória. Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.


A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda. E o saber fica memorizado de cor - etimologicamente, no coração -, à espera de que a tecla do desejo de novo o chame do seu lugar de esquecimento. Memória: um saber que 0 passado sedimentou. Indispensável para se repetir as receitas que os mortos nos legaram. E elas são boas. Tão boas que elas nos fazem esquecer que é preciso voar. Permitem que andemos pelas trilhas batidas. Mas nada têm a dizer sobre mares desconhecidos. Muitas pessoas, de tanto repetir as receitas,  metamorfosearam-se de águias em tartarugas. E não são poucas as tartarugas que possuem diplomas universitários. Aqui se encontra o perigo das escolas: de tanto ensinar o que o passado legou - e ensinar bem - fazem os alunos se esquecer de que o seu destino não é o passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento. Compreende-se então que 8arthes tenha dito que, seguindo-se ao tempo em que se ensina o que se sabe, deve chegar o tempo quando se ensina o que não se sabe. 


(Rubem Alves, no livro "A alegria de ensinar". São Paulo: Ars Poetica Editora Lida, 1994.) 
O sujeito de "Ensinaram errado" classifica-se como.
Alternativas
Q3415814 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As receitas


Quando eu era menino, na escola, as professoras me ensinaram que o Brasil estava destinado a um futuro grandioso porque as suas terras estavam cheias de riquezas: ferro, ouro, diamantes, florestas e coisas semelhantes. Ensinaram errado. O que me disseram equivale a predizer que um homem será um grande pintor por ser dono de uma loja de tintas. Mas o que faz um quadro não é a tinta: são as ideias que moram na cabeça do pintor. São as ideias dançantes na cabeça que fazem as tintas dançar sobre a tela.


Por isso, sendo um país tão rico, somos um povo tão pobre. Somos pobres em idéias. Não sabemos pensar. Nisto nos parecemos com os dinossauros, que tinham excesso de massa muscular e cérebros de galinha. Hoje, nas relações de troca entre os países, o bem mais caro, o bem mais cuidadosamente guardado, o bem que não se vende, são as ideias. É com as ideias que o mundo é feito. Prova disso são os tigres asiáticos, Japão, Coreia, Formosa que, pobres de recursos naturais, se enriqueceram por ter se especializado na arte de pensar.


Minha filha me fez uma pergunta: "O que é pensar?" Disse-me que 'esta era uma pergunta que o professor de filosofia havia proposto à classe. Pelo que lhe dou os parabéns. Primeiro por ter ido diretamente à questão essencial. Segundo, por ter tido a sabedoria de fazer a pergunta, sem dar a resposta. Porque, se tivesse dado a resposta, teria com ela cortado as asas do pensamento. O pensamento é como a águia que só alça vôo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas. Para isso existem as escolas: não para ensinar as respostas, mas para ensinar as perguntas. As respostas nos permitem andar sobre a terra firme. Mas somente as perguntas nos permitem entrar pelo mar desconhecido.


E, no entanto, não podemos viver sem as respostas. As asas, para o impulso inicial do vôo, dependem de pés apoiados na terra firme. Os pássaros, antes de saber voar, aprendem a se apoiar sobre os seus pés. Também as crianças, antes de aprender a voar, têm que aprender a caminhar sobre a terra firme. Terra firme: as milhares de perguntas para as quais as gerações passadas já descobriram as respostas. O primeiro momento da educação é a transmissão deste saber. Nas palavras de Roland Barthes: "Há um momento em que se ensina o que se sabe ... " E o curioso é que este aprendizado é justamente para nos poupar da necessidade de pensar.


As gerações mais velhas ensinam às mais novas as receitas que funcionam. Sei amarrar os meus sapatos automaticamente, sei dar o nó na minha gravata automaticamente: as mãos fazem o seu trabalho com destreza enquanto as ideias andam por outros lugares. Aquilo que um dia eu não sabia me foi ensinado; eu aprendi com o corpo e esqueci com a cabeça. E a condição para que minhas mãos saibam bem é que a cabeça não pense sobre o que elas estão fazendo. Um pianista que, na hora da execução, pensa sobre os caminhos que seus dedos deverão seguir, tropeçará fatalmente. Há a estória de uma centopeia que andava feliz pelo jardim, quando foi interpelada por um grilo: "Dona Centopeia, sempre tive curiosidade sobre uma coisa: quando a senhora anda, qual, dentre as suas cem pernas, é aquela que a senhora movimenta primeiro?" "Curioso", ela respondeu. "Sempre andei, mas nunca me propus esta questão. Da próxima vez, prestarei atenção." Termina a estória dizendo que a centopéia nunca mais conseguiu andar. 


Todo mundo fala, e fala bem. Ninguém sabe como a linguagem foi ensinada e nem como ela foi aprendida. A despeito disto, o ensino foi tão eficiente que não preciso pensar para falar. Ao falar não sei se estou usando um substantivo, um verbo ou um adjetivo, e nem me lembro das regras da gramática. Quem, para falar, tem de se lembrar destas coisas, não sabe falar. Há um nível de aprendizado em que o pensamento é um estorvo. Só se sabe bem com o corpo aquilo que a cabeça esqueceu. E assim escrevemos, lemos, andamos de bicicleta, nadamos, pregamos pregos, guiamos carros: sem saber com a cabeça, porque o corpo sabe melhor. É um conhecimento que se tornou parte inconsciente de mim mesmo. E isso me poupa do trabalho de pensar o já sabido. Ensinar aqui, é inconscientizar.


O sabido é o não-pensado, que fica guardado, pronto para ser usado como receita, na memória desse computador que se chama cérebro. Basta aper tar a tecla adequada para que a receita apareça no vídeo da consciência. Aperto a tecla moqueca. A receita aparece no meu vídeo cerebral: panela de barro, azeite, peixe, tomate, cebola, coentro, cheiro verde, urucum, sal, pimenta, seguidos de uma se série de instruções sobre o que fazer. Não é coisa que eu tenha inventado. Me foi ensinado. Não precisei pensar. Gostei. Foi para a memória. Esta é a regra fundamental desse computador que vive no corpo humano: só vai para a memória aquilo que e objeto do desejo.


A tarefa primordial do professor: seduzir o aluno para que ele deseje e, desejando, aprenda. E o saber fica memorizado de cor - etimologicamente, no coração -, à espera de que a tecla do desejo de novo o chame do seu lugar de esquecimento. Memória: um saber que 0 passado sedimentou. Indispensável para se repetir as receitas que os mortos nos legaram. E elas são boas. Tão boas que elas nos fazem esquecer que é preciso voar. Permitem que andemos pelas trilhas batidas. Mas nada têm a dizer sobre mares desconhecidos. Muitas pessoas, de tanto repetir as receitas,  metamorfosearam-se de águias em tartarugas. E não são poucas as tartarugas que possuem diplomas universitários. Aqui se encontra o perigo das escolas: de tanto ensinar o que o passado legou - e ensinar bem - fazem os alunos se esquecer de que o seu destino não é o passado cristalizado em saber, mas um futuro que se abre como vazio, um não saber que somente pode ser explorado com as asas do pensamento. Compreende-se então que 8arthes tenha dito que, seguindo-se ao tempo em que se ensina o que se sabe, deve chegar o tempo quando se ensina o que não se sabe. 


(Rubem Alves, no livro "A alegria de ensinar". São Paulo: Ars Poetica Editora Lida, 1994.) 
Assinale a alternativa em que as 2 palavras perderam o acento com o Novo Acordo Ortográfico. 
Alternativas
Respostas
3981: D
3982: C
3983: A
3984: C
3985: B
3986: D
3987: C
3988: C
3989: C
3990: B
3991: A
3992: B
3993: D
3994: C
3995: D
3996: D
3997: A
3998: B
3999: B
4000: C