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I. A didatização da oralidade pressupõe ensinar o aluno a falar, oportunizando espaço de falas em que este converse com o colega sobre assuntos pré-estabelecidos, opine sobre temas diversos, conte algo para a turma, entre outras atividades.
II. Para além da variação dialetal e de registro, o estudo da oralidade deve abordar questões relacionadas a situações comunicativas, a estratégias organizacionais de interação próprias de cada gênero, a processos de compreensão etc.
III. Um estudo produtivo da oralidade prevê uma abordagem dicotômica das modalidades oral e escrita da língua em atividades que tratem das diferenças entre fala e escrita, evidenciando a clareza e a precisão próprias da escrita.
IV. Uma sequência pedagógica adequada ao trabalho com a oralidade é: familiarizar o aluno com o gênero a ser trabalhado, explorar com ele os contextos sociais de uso do gênero requerido, fazê-lo observar as características textuais desse gênero e fornecer-lhe opções de apresentação.
É correto o que se afirma em
Atente para o seguinte texto:
Carta
Há muito tempo, sim, não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: olha, em relevo,
estes sinais em mim, não de carícias
(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.
A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.
É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.
Carlos Drummond de Andrade
Escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir sobre o texto Carta e a noção de gêneros textuais.
( ) Os gêneros não se definem por sua função, mas por sua forma; então o texto Carta, de fato, trata-se de um poema.
( ) O texto Carta comprova que um gênero pode assumir a forma de outro e, ainda assim, continuar pertencendo àquele gênero definido por sua função.
( ) A plasticidade e a dinamicidade dos gêneros decorrem da dinâmica da vida social e cultural e do trabalho dos autores.
( ) Carta é um exemplo de intertextualidade intergêneros, ou seja, um gênero pode assumir a forma de outro gênero tendo em vista o propósito de comunicação.
Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:
I. Considerando que toda ação verbal só ocorre sob a forma de algum gênero de texto, significa que explorar um texto em sala de aula é, necessariamente, trabalhar com gêneros textuais.
II. Dada a recorrência do estudo de gêneros em sala de aula, é importante converter o tópico “gênero do texto” em mais um conteúdo programático com definições, classificações, nomenclaturas etc. para posteriormente serem cobradas e avaliadas em atividades e provas.
III. As principais características dos gêneros textuais a serem exploradas na análise de um texto em sala de aula são: os propósitos comunicativos, sua forma de composição, as opções linguísticas, as relações entre oralidade e escrita, o registro de linguagem, entre outras.
IV. O ensino dos gêneros restringe-se aos seus aspectos estruturais e deve-se atentar para estabelecer a supremacia dos gêneros escritos sobre os gêneros da oralidade.
É correto o que se afirma em
I. “Meu poema é um tumulto: a fala que nele fala outras vozes arrasta em alarido.” (Ferreira Gullar)
II. “Um discurso não vem ao mundo numa inocente solitude, mas constrói-se através de um já-dito em relação ao qual toma posição.” (Dominique Maingueneau)
III. “Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra e te pergunta, sem interesse pela resposta, pobre ou terrível, que lhe deres: Trouxeste a chave?” (Carlos Drummond de Andrade)
IV. “Cada enunciado é um elo da cadeia muito complexa de outros enunciados.” (Mikhail Bakhtin)
A pressuposição da existência do fenômeno da intertextualidade está corretamente ilustrada somente em
I. A concepção dialógica de texto implica três universos constitutivamente articulados: o da materialidade, o da singularidade do texto e o da condição advinda dessa combinatória.
II. O fato de um texto só ter vida em contato com outro texto (contexto) significa dizer que a intertextualidade é a única característica implicada na concepção dialógica do texto.
III. Na perspectiva dialógica, o texto ganha existência e realiza-se, com pelo menos dois interlocutores, em conjunção com discursos situados histórica, cultural e socialmente.
IV. O texto, em uma concepção dialógica, pode ser compreendido como entidade autônoma, passível de ser lido e analisado exclusivamente por sua constituição material.
É correto o que se afirma em
I. A leitura nada mais é do que uma decodificação de sinais, com reprodução mecânica de informações ou com respostas convergentes a estímulos escritos pré-elaborados.
II. O ato de ler envolve apreensão, apropriação e transformação de significados a partir de um documento escrito.
III. A leitura sem compreensão e sem recriação do significado é pseudoleitura, é um empreendimento puramente superficial.
IV. A leitura facilita o surgimento da reflexão e da “tomada de posição”, ou seja, do confronto dos significados desvelados e da participação na busca da verdade.
Está correto o que se afirma somente em