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Q3438588 Direito Penal
Segundo a lei federal nº 14.133/21, sobre os crimes em licitações e contratos administrativos, devassar o sigilo de proposta apresentada em processo licitatório ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo implica em pena de: 
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Q3438587 Legislação Federal
Nos termos da lei federal nº 13.019/14, a administração pública deverá manter, em seu sítio oficial na internet, a relação das parcerias celebradas e dos respectivos planos de trabalho, até quantos dias após o respectivo encerramento?
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Q3438586 Regimento Interno

A questão se refere ao Regimento Interno da Câmara Municipal de Novo Horizonte/SC. 

O subsídio dos Vereadores será fixado por lei, de iniciativa da Mesa Diretora, segundo os limites e critérios fixado na Lei Orgânica do Município e Constituição Federal. O projeto de lei deverá ser apreciado até quantos meses antes do término da Legislatura?
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Q3438585 Regimento Interno

A questão se refere ao Regimento Interno da Câmara Municipal de Novo Horizonte/SC. 

Com relação à extinção de mandato, o Regimento afirma que, para os casos de impedimento supervenientes à posse, e desde que o prazo de desincompatibilização não esteja fixado em Lei, o Presidente da Câmara notificará por escrito, o Vereador impedido, a fim de que comprove a sua desincompatibilização no prazo de:
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Q3438584 Regimento Interno

A questão se refere ao Regimento Interno da Câmara Municipal de Novo Horizonte/SC. 

Acerca da tramitação do pedido de licença do Prefeito, assinale a alternativa INCORRETA.
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Q3438583 Regimento Interno

A questão se refere ao Regimento Interno da Câmara Municipal de Novo Horizonte/SC. 

 __________ é toda manifestação do Vereador em Plenário feita em qualquer fase da sessão, para reclamar contra ou não cumprimento de formalidade regimental, ou para suscitar dúvidas quanto à interpretação do Regimento.


Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna? 

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Q3438581 Direito Financeiro

A questão se refere à Lei Orgânica Municipal de Novo Horizonte/SC.

O Prefeito Municipal enviará à Câmara Municipal _________________, para vigência até o final do primeiro exercício financeiro do mandato do Prefeito subsequente, até 31 de julho e devolvido para sanção até 31 de agosto.


Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna?

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Q3438578 Direito Sanitário

A questão se refere à Lei Orgânica Municipal de Novo Horizonte/SC.

Nos termos do Art. 139 da Lei Orgânica do Município de Novo Horizonte/SC, o direito à saúde implica nas seguintes garantias e ações:


I. respeito ao meio ambiente e controle da poluição ambiental;


II. acesso universal e igualitário de todos os habitantes do Município às ações e serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, sem qualquer discriminação;


III. combate ao uso de drogas;


IV. formação de consciência sanitária individual nas primeiras idades, a partir do ensino médio.


Está correto o que se afirma em:

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Q3438577 Legislação dos Municípios do Estado de Santa Catarina

A questão se refere à Lei Orgânica Municipal de Novo Horizonte/SC.

Dispõe a lei que o Município aplicará, anualmente, nunca menos de ____, da receita resultantes de imposto, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino.


Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, a lacuna?

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Q3438576 Noções de Informática
A sigla IA Generativa, amplamente debatida nos últimos anos, refere-se a uma tecnologia capaz de: 
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Q3438575 Conhecimentos Gerais
O filme “Oppenheimer”, dirigido por Christopher Nolan e premiado com o Oscar de Melhor Filme em 2024, retrata a vida do cientista responsável por:
Alternativas
Q3438574 Conhecimentos Gerais
O “bumba meu boi”, manifestação tradicional que envolve dança, teatro, música e religiosidade, é uma expressão popular especialmente associada às festividades de: 
Alternativas
Q3438573 Geografia

Com relação aos aspectos populacionais do município de Novo Horizonte/SC, segundo dados do último censo do IBGE, é correto afirmar que, em 2022, a população era de _____ habitantes e a densidade demográfica era de _____ habitantes por quilômetro quadrado. Na comparação com outros municípios do estado, ficava nas posições ____ e _____ de 295.


Qual alternativa preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas?

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Q3438572 História e Geografia de Estados e Municípios

Acerca da história do Município de Novo Horizonte/SC, conforme dados oficiais disponíveis no site oficial do turismo da cidade, analise as assertivas e julgue V, para as verdadeiras, e F, para as falsas.


( ) O início de sua colonização se deu com a chegada de migrantes gaúchos descendentes italianos e germânicos, por volta de 1910, quando estes decidiram explorar matas virgens e criar novas colônias.


( ) Sua economia baseia-se na agricultura e pecuária, assim como os outros municípios desta região, mas pode-se citar também a suinocultura, avicultura e as indústrias.


( ) O município é originado de São Lourenço do Oeste.


Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de baixo para cima, os parênteses?

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Q3438565 Matemática
Considere que foi realizado um procedimento licitatório, o qual restou fracassado, visto que todas as empresas participantes não conseguiram apresentar documentação de habilitação suficiente. Entretanto, foram utilizadas as propostas de preço apresentadas pelas empresas para estudos:
Imagem associada para resolução da questão
Para tentar se obter uma média diferenciada, as propostas acima foram divididas em dois blocos: o primeiro com as cinco maiores propostas; o segundo com as cinco menores. Por fim, realizou-se a média aritmética entre dois valores para se obter a média diferenciada: a mediana de todas as dez propostas apresentadas; e a média aritmética entre a média aritmética dos valores do primeiro bloco e a média aritmética dos valores do segundo bloco. Qual é o valor da média diferenciada? 
Alternativas
Q3438564 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


        Anos depois do acidente que emudeceu uma de suas filhas, meu pai, incentivado por Sutério, havia convidado o irmão de minha mãe para residir em Água Negra. O gerente queria trazer gente que «trabalhe muito» e «que não tenha medo de trabalho», nas palavras de meu pai, «para dar seu suor na plantação». Podia construir casa de barro, nada de alvenaria, nada que demarcasse o tempo de presença das famílias na terra. Podia colocar roça pequena para ter abóbora, feijão, quiabo, nada que desviasse da necessidade de trabalhar para o dono da fazenda, afinal, era para isso que se permitia a morada. Podia trazer mulher e filhos, melhor assim, porque quando eles crescessem substituiriam os mais velhos. Seria gente de estima, conhecida, afilhados do fazendeiro. Dinheiro não tinha, mas tinha comida no prato. Poderia ficar naquelas paragens, sossegado, sem ser importunado, bastava obedecer às ordens que lhe eram dadas. Vi meu pai dizer para meu tio que no tempo de seus avós era pior, não podia ter roça, não havia casa, todos se amontoavam no mesmo espaço, no mesmo barracão.


        Para convencê-lo, meu pai disse que o arrozal era bom de trabalhar. Que ali chovia, tinha terra boa, que, «olha», abria os braços mostrando a roça e o quintal, mostrando a mata ao redor deles, «aqui não nos falta nada». «Você tem os meninos, isso é de ajuda. Tem um passarinho preto miudinho assim», mostrava as falanges dos dedos dando a dimensão aproximada da praga, «que ataca o arrozal de manhã cedo. Os meninos podem ajudar a espantar eles. Aqui todo mundo acorda cedo para espantar os passarinhos, só assim fazemos boa colheita».


        Era verdade. Nos longos anos em que plantaram arroz no meio do sertão de água, na beira dos pântanos dos marimbus, acordávamos antes que o sol se levantasse no horizonte e seguíamos rumo à roça da fazenda. Nos muníamos de galhos, pedras, tudo que fosse instrumento para espantar os pássaros, miudinhos, de penas negras e que brilhavam quase azuis na luz da manhã. Se não fôssemos rápidos o suficiente, seu bico entrava no grão que amadurecia e sugava tudo que estivesse dentro, com sua minúscula língua. Enquanto os adultos trabalhavam, cabia a nós, as crianças, espantar a praga. Os meninos chegavam com estilingues, por vezes abatiam a ave pequena. Certa vez, Belonísia chorou e só cessou o pranto quando sugeri que fizéssemos um enterro, com direito a uma caixa de vela, como urna, e flores que colhemos no campo.


        Meu tio viajou no lombo de um burro, a mulher em outro, os filhos caminhando, se revezando na travessia para a montaria dos animais. Foram morar numa construção de alvenaria, uma casa vazia que abrigava os trabalhadores que chegavam. Era permitido que se hospedassem ali até a aceitação definitiva da morada, dada de acordo com a produtividade e a disposição para o trabalho da nova família. Se aceitos, destinava-se a eles uma parcela de terra para que pudessem construir a tão almejada casa e ter seu quintal e animais pequenos. 


        Tio Servó chegou acompanhado da esposa, Hermelina, e dos seis filhos. Era a primeira vez que os via. Minha mãe estava emocionada, com a discrição de sentimentos que lhe era peculiar. Matou duas galinhas de nosso quintal e fez um almoço farto. Sentamos no chão com nossos pratos, as crianças tímidas se escondiam atrás dos pais. Salu não conhecia a cunhada e logo quis saber os nomes dos sobrinhos. «Esse aqui guardei pra  você batizar, Salu», disse. Era meu primo mais velho, Severo. Era quase um rapaz, crescido, mas igualmente tímido como os irmãos. «Mas deixou o menino tanto tempo pagão, Servó?», reclamou minha mãe da negligência do irmão.


        Depois do almoço, e espalhados pelo terreiro, meus primos foram se entrosando. A casa onde iriam ficar estava mais próxima do rio Santo Antônio, do lado oposto à nossa casa. Assim, nosso contato não seria tão frequente, nos veríamos nas festas e feriados, ou nos dias das brincadeiras do jarê em nossa casa. Não cheguei a vê-los nos arrozais da várzea do Santo Antônio, para saber se espantavam o chupim tão bem como nós. Mas Severo, o primo tímido, chegava de tempos em tempos com meus tios para nos visitar. Se era brincadeira de jarê, ficávamos acordados até a madrugada correndo pelo terreiro, contando histórias e rindo alto.


        Eu e Belonísia, estranhamente, já que estávamos cada vez mais próximas, nos dispersávamos nesses momentos, talvez de forma irrefletida, para disputar a atenção de Severo.


 Fragmento do livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior.

Na frase “Certa vez, Belonísia chorou e só cessou o pranto quando sugeri que fizéssemos um enterro”, os verbos conjugados expressam diferentes tempos e modos. Assinale a alternativa que identifica corretamente os tempos e modos verbais empregados:
Alternativas
Q3438563 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


        Anos depois do acidente que emudeceu uma de suas filhas, meu pai, incentivado por Sutério, havia convidado o irmão de minha mãe para residir em Água Negra. O gerente queria trazer gente que «trabalhe muito» e «que não tenha medo de trabalho», nas palavras de meu pai, «para dar seu suor na plantação». Podia construir casa de barro, nada de alvenaria, nada que demarcasse o tempo de presença das famílias na terra. Podia colocar roça pequena para ter abóbora, feijão, quiabo, nada que desviasse da necessidade de trabalhar para o dono da fazenda, afinal, era para isso que se permitia a morada. Podia trazer mulher e filhos, melhor assim, porque quando eles crescessem substituiriam os mais velhos. Seria gente de estima, conhecida, afilhados do fazendeiro. Dinheiro não tinha, mas tinha comida no prato. Poderia ficar naquelas paragens, sossegado, sem ser importunado, bastava obedecer às ordens que lhe eram dadas. Vi meu pai dizer para meu tio que no tempo de seus avós era pior, não podia ter roça, não havia casa, todos se amontoavam no mesmo espaço, no mesmo barracão.


        Para convencê-lo, meu pai disse que o arrozal era bom de trabalhar. Que ali chovia, tinha terra boa, que, «olha», abria os braços mostrando a roça e o quintal, mostrando a mata ao redor deles, «aqui não nos falta nada». «Você tem os meninos, isso é de ajuda. Tem um passarinho preto miudinho assim», mostrava as falanges dos dedos dando a dimensão aproximada da praga, «que ataca o arrozal de manhã cedo. Os meninos podem ajudar a espantar eles. Aqui todo mundo acorda cedo para espantar os passarinhos, só assim fazemos boa colheita».


        Era verdade. Nos longos anos em que plantaram arroz no meio do sertão de água, na beira dos pântanos dos marimbus, acordávamos antes que o sol se levantasse no horizonte e seguíamos rumo à roça da fazenda. Nos muníamos de galhos, pedras, tudo que fosse instrumento para espantar os pássaros, miudinhos, de penas negras e que brilhavam quase azuis na luz da manhã. Se não fôssemos rápidos o suficiente, seu bico entrava no grão que amadurecia e sugava tudo que estivesse dentro, com sua minúscula língua. Enquanto os adultos trabalhavam, cabia a nós, as crianças, espantar a praga. Os meninos chegavam com estilingues, por vezes abatiam a ave pequena. Certa vez, Belonísia chorou e só cessou o pranto quando sugeri que fizéssemos um enterro, com direito a uma caixa de vela, como urna, e flores que colhemos no campo.


        Meu tio viajou no lombo de um burro, a mulher em outro, os filhos caminhando, se revezando na travessia para a montaria dos animais. Foram morar numa construção de alvenaria, uma casa vazia que abrigava os trabalhadores que chegavam. Era permitido que se hospedassem ali até a aceitação definitiva da morada, dada de acordo com a produtividade e a disposição para o trabalho da nova família. Se aceitos, destinava-se a eles uma parcela de terra para que pudessem construir a tão almejada casa e ter seu quintal e animais pequenos. 


        Tio Servó chegou acompanhado da esposa, Hermelina, e dos seis filhos. Era a primeira vez que os via. Minha mãe estava emocionada, com a discrição de sentimentos que lhe era peculiar. Matou duas galinhas de nosso quintal e fez um almoço farto. Sentamos no chão com nossos pratos, as crianças tímidas se escondiam atrás dos pais. Salu não conhecia a cunhada e logo quis saber os nomes dos sobrinhos. «Esse aqui guardei pra  você batizar, Salu», disse. Era meu primo mais velho, Severo. Era quase um rapaz, crescido, mas igualmente tímido como os irmãos. «Mas deixou o menino tanto tempo pagão, Servó?», reclamou minha mãe da negligência do irmão.


        Depois do almoço, e espalhados pelo terreiro, meus primos foram se entrosando. A casa onde iriam ficar estava mais próxima do rio Santo Antônio, do lado oposto à nossa casa. Assim, nosso contato não seria tão frequente, nos veríamos nas festas e feriados, ou nos dias das brincadeiras do jarê em nossa casa. Não cheguei a vê-los nos arrozais da várzea do Santo Antônio, para saber se espantavam o chupim tão bem como nós. Mas Severo, o primo tímido, chegava de tempos em tempos com meus tios para nos visitar. Se era brincadeira de jarê, ficávamos acordados até a madrugada correndo pelo terreiro, contando histórias e rindo alto.


        Eu e Belonísia, estranhamente, já que estávamos cada vez mais próximas, nos dispersávamos nesses momentos, talvez de forma irrefletida, para disputar a atenção de Severo.


 Fragmento do livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior.

Na oração “Minha mãe estava emocionada”, a classificação sintática dos termos é corretamente apresentada em:
Alternativas
Q3438562 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


        Anos depois do acidente que emudeceu uma de suas filhas, meu pai, incentivado por Sutério, havia convidado o irmão de minha mãe para residir em Água Negra. O gerente queria trazer gente que «trabalhe muito» e «que não tenha medo de trabalho», nas palavras de meu pai, «para dar seu suor na plantação». Podia construir casa de barro, nada de alvenaria, nada que demarcasse o tempo de presença das famílias na terra. Podia colocar roça pequena para ter abóbora, feijão, quiabo, nada que desviasse da necessidade de trabalhar para o dono da fazenda, afinal, era para isso que se permitia a morada. Podia trazer mulher e filhos, melhor assim, porque quando eles crescessem substituiriam os mais velhos. Seria gente de estima, conhecida, afilhados do fazendeiro. Dinheiro não tinha, mas tinha comida no prato. Poderia ficar naquelas paragens, sossegado, sem ser importunado, bastava obedecer às ordens que lhe eram dadas. Vi meu pai dizer para meu tio que no tempo de seus avós era pior, não podia ter roça, não havia casa, todos se amontoavam no mesmo espaço, no mesmo barracão.


        Para convencê-lo, meu pai disse que o arrozal era bom de trabalhar. Que ali chovia, tinha terra boa, que, «olha», abria os braços mostrando a roça e o quintal, mostrando a mata ao redor deles, «aqui não nos falta nada». «Você tem os meninos, isso é de ajuda. Tem um passarinho preto miudinho assim», mostrava as falanges dos dedos dando a dimensão aproximada da praga, «que ataca o arrozal de manhã cedo. Os meninos podem ajudar a espantar eles. Aqui todo mundo acorda cedo para espantar os passarinhos, só assim fazemos boa colheita».


        Era verdade. Nos longos anos em que plantaram arroz no meio do sertão de água, na beira dos pântanos dos marimbus, acordávamos antes que o sol se levantasse no horizonte e seguíamos rumo à roça da fazenda. Nos muníamos de galhos, pedras, tudo que fosse instrumento para espantar os pássaros, miudinhos, de penas negras e que brilhavam quase azuis na luz da manhã. Se não fôssemos rápidos o suficiente, seu bico entrava no grão que amadurecia e sugava tudo que estivesse dentro, com sua minúscula língua. Enquanto os adultos trabalhavam, cabia a nós, as crianças, espantar a praga. Os meninos chegavam com estilingues, por vezes abatiam a ave pequena. Certa vez, Belonísia chorou e só cessou o pranto quando sugeri que fizéssemos um enterro, com direito a uma caixa de vela, como urna, e flores que colhemos no campo.


        Meu tio viajou no lombo de um burro, a mulher em outro, os filhos caminhando, se revezando na travessia para a montaria dos animais. Foram morar numa construção de alvenaria, uma casa vazia que abrigava os trabalhadores que chegavam. Era permitido que se hospedassem ali até a aceitação definitiva da morada, dada de acordo com a produtividade e a disposição para o trabalho da nova família. Se aceitos, destinava-se a eles uma parcela de terra para que pudessem construir a tão almejada casa e ter seu quintal e animais pequenos. 


        Tio Servó chegou acompanhado da esposa, Hermelina, e dos seis filhos. Era a primeira vez que os via. Minha mãe estava emocionada, com a discrição de sentimentos que lhe era peculiar. Matou duas galinhas de nosso quintal e fez um almoço farto. Sentamos no chão com nossos pratos, as crianças tímidas se escondiam atrás dos pais. Salu não conhecia a cunhada e logo quis saber os nomes dos sobrinhos. «Esse aqui guardei pra  você batizar, Salu», disse. Era meu primo mais velho, Severo. Era quase um rapaz, crescido, mas igualmente tímido como os irmãos. «Mas deixou o menino tanto tempo pagão, Servó?», reclamou minha mãe da negligência do irmão.


        Depois do almoço, e espalhados pelo terreiro, meus primos foram se entrosando. A casa onde iriam ficar estava mais próxima do rio Santo Antônio, do lado oposto à nossa casa. Assim, nosso contato não seria tão frequente, nos veríamos nas festas e feriados, ou nos dias das brincadeiras do jarê em nossa casa. Não cheguei a vê-los nos arrozais da várzea do Santo Antônio, para saber se espantavam o chupim tão bem como nós. Mas Severo, o primo tímido, chegava de tempos em tempos com meus tios para nos visitar. Se era brincadeira de jarê, ficávamos acordados até a madrugada correndo pelo terreiro, contando histórias e rindo alto.


        Eu e Belonísia, estranhamente, já que estávamos cada vez mais próximas, nos dispersávamos nesses momentos, talvez de forma irrefletida, para disputar a atenção de Severo.


 Fragmento do livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior.

O vocábulo “pagão”, na fala “Mas deixou o menino tanto tempo pagão, Servó?”, está empregado com um sentido figurado que sugere: 
Alternativas
Q3438561 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


        Anos depois do acidente que emudeceu uma de suas filhas, meu pai, incentivado por Sutério, havia convidado o irmão de minha mãe para residir em Água Negra. O gerente queria trazer gente que «trabalhe muito» e «que não tenha medo de trabalho», nas palavras de meu pai, «para dar seu suor na plantação». Podia construir casa de barro, nada de alvenaria, nada que demarcasse o tempo de presença das famílias na terra. Podia colocar roça pequena para ter abóbora, feijão, quiabo, nada que desviasse da necessidade de trabalhar para o dono da fazenda, afinal, era para isso que se permitia a morada. Podia trazer mulher e filhos, melhor assim, porque quando eles crescessem substituiriam os mais velhos. Seria gente de estima, conhecida, afilhados do fazendeiro. Dinheiro não tinha, mas tinha comida no prato. Poderia ficar naquelas paragens, sossegado, sem ser importunado, bastava obedecer às ordens que lhe eram dadas. Vi meu pai dizer para meu tio que no tempo de seus avós era pior, não podia ter roça, não havia casa, todos se amontoavam no mesmo espaço, no mesmo barracão.


        Para convencê-lo, meu pai disse que o arrozal era bom de trabalhar. Que ali chovia, tinha terra boa, que, «olha», abria os braços mostrando a roça e o quintal, mostrando a mata ao redor deles, «aqui não nos falta nada». «Você tem os meninos, isso é de ajuda. Tem um passarinho preto miudinho assim», mostrava as falanges dos dedos dando a dimensão aproximada da praga, «que ataca o arrozal de manhã cedo. Os meninos podem ajudar a espantar eles. Aqui todo mundo acorda cedo para espantar os passarinhos, só assim fazemos boa colheita».


        Era verdade. Nos longos anos em que plantaram arroz no meio do sertão de água, na beira dos pântanos dos marimbus, acordávamos antes que o sol se levantasse no horizonte e seguíamos rumo à roça da fazenda. Nos muníamos de galhos, pedras, tudo que fosse instrumento para espantar os pássaros, miudinhos, de penas negras e que brilhavam quase azuis na luz da manhã. Se não fôssemos rápidos o suficiente, seu bico entrava no grão que amadurecia e sugava tudo que estivesse dentro, com sua minúscula língua. Enquanto os adultos trabalhavam, cabia a nós, as crianças, espantar a praga. Os meninos chegavam com estilingues, por vezes abatiam a ave pequena. Certa vez, Belonísia chorou e só cessou o pranto quando sugeri que fizéssemos um enterro, com direito a uma caixa de vela, como urna, e flores que colhemos no campo.


        Meu tio viajou no lombo de um burro, a mulher em outro, os filhos caminhando, se revezando na travessia para a montaria dos animais. Foram morar numa construção de alvenaria, uma casa vazia que abrigava os trabalhadores que chegavam. Era permitido que se hospedassem ali até a aceitação definitiva da morada, dada de acordo com a produtividade e a disposição para o trabalho da nova família. Se aceitos, destinava-se a eles uma parcela de terra para que pudessem construir a tão almejada casa e ter seu quintal e animais pequenos. 


        Tio Servó chegou acompanhado da esposa, Hermelina, e dos seis filhos. Era a primeira vez que os via. Minha mãe estava emocionada, com a discrição de sentimentos que lhe era peculiar. Matou duas galinhas de nosso quintal e fez um almoço farto. Sentamos no chão com nossos pratos, as crianças tímidas se escondiam atrás dos pais. Salu não conhecia a cunhada e logo quis saber os nomes dos sobrinhos. «Esse aqui guardei pra  você batizar, Salu», disse. Era meu primo mais velho, Severo. Era quase um rapaz, crescido, mas igualmente tímido como os irmãos. «Mas deixou o menino tanto tempo pagão, Servó?», reclamou minha mãe da negligência do irmão.


        Depois do almoço, e espalhados pelo terreiro, meus primos foram se entrosando. A casa onde iriam ficar estava mais próxima do rio Santo Antônio, do lado oposto à nossa casa. Assim, nosso contato não seria tão frequente, nos veríamos nas festas e feriados, ou nos dias das brincadeiras do jarê em nossa casa. Não cheguei a vê-los nos arrozais da várzea do Santo Antônio, para saber se espantavam o chupim tão bem como nós. Mas Severo, o primo tímido, chegava de tempos em tempos com meus tios para nos visitar. Se era brincadeira de jarê, ficávamos acordados até a madrugada correndo pelo terreiro, contando histórias e rindo alto.


        Eu e Belonísia, estranhamente, já que estávamos cada vez mais próximas, nos dispersávamos nesses momentos, talvez de forma irrefletida, para disputar a atenção de Severo.


 Fragmento do livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior.

No trecho “O gerente queria trazer gente que ‘trabalhe muito’ e ‘que não tenha medo de trabalho’, nas palavras de meu pai, ‘para dar seu suor na plantação’”, a expressão “dar seu suor” exerce, no contexto, a função de: 
Alternativas
Q3438560 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO.


        Anos depois do acidente que emudeceu uma de suas filhas, meu pai, incentivado por Sutério, havia convidado o irmão de minha mãe para residir em Água Negra. O gerente queria trazer gente que «trabalhe muito» e «que não tenha medo de trabalho», nas palavras de meu pai, «para dar seu suor na plantação». Podia construir casa de barro, nada de alvenaria, nada que demarcasse o tempo de presença das famílias na terra. Podia colocar roça pequena para ter abóbora, feijão, quiabo, nada que desviasse da necessidade de trabalhar para o dono da fazenda, afinal, era para isso que se permitia a morada. Podia trazer mulher e filhos, melhor assim, porque quando eles crescessem substituiriam os mais velhos. Seria gente de estima, conhecida, afilhados do fazendeiro. Dinheiro não tinha, mas tinha comida no prato. Poderia ficar naquelas paragens, sossegado, sem ser importunado, bastava obedecer às ordens que lhe eram dadas. Vi meu pai dizer para meu tio que no tempo de seus avós era pior, não podia ter roça, não havia casa, todos se amontoavam no mesmo espaço, no mesmo barracão.


        Para convencê-lo, meu pai disse que o arrozal era bom de trabalhar. Que ali chovia, tinha terra boa, que, «olha», abria os braços mostrando a roça e o quintal, mostrando a mata ao redor deles, «aqui não nos falta nada». «Você tem os meninos, isso é de ajuda. Tem um passarinho preto miudinho assim», mostrava as falanges dos dedos dando a dimensão aproximada da praga, «que ataca o arrozal de manhã cedo. Os meninos podem ajudar a espantar eles. Aqui todo mundo acorda cedo para espantar os passarinhos, só assim fazemos boa colheita».


        Era verdade. Nos longos anos em que plantaram arroz no meio do sertão de água, na beira dos pântanos dos marimbus, acordávamos antes que o sol se levantasse no horizonte e seguíamos rumo à roça da fazenda. Nos muníamos de galhos, pedras, tudo que fosse instrumento para espantar os pássaros, miudinhos, de penas negras e que brilhavam quase azuis na luz da manhã. Se não fôssemos rápidos o suficiente, seu bico entrava no grão que amadurecia e sugava tudo que estivesse dentro, com sua minúscula língua. Enquanto os adultos trabalhavam, cabia a nós, as crianças, espantar a praga. Os meninos chegavam com estilingues, por vezes abatiam a ave pequena. Certa vez, Belonísia chorou e só cessou o pranto quando sugeri que fizéssemos um enterro, com direito a uma caixa de vela, como urna, e flores que colhemos no campo.


        Meu tio viajou no lombo de um burro, a mulher em outro, os filhos caminhando, se revezando na travessia para a montaria dos animais. Foram morar numa construção de alvenaria, uma casa vazia que abrigava os trabalhadores que chegavam. Era permitido que se hospedassem ali até a aceitação definitiva da morada, dada de acordo com a produtividade e a disposição para o trabalho da nova família. Se aceitos, destinava-se a eles uma parcela de terra para que pudessem construir a tão almejada casa e ter seu quintal e animais pequenos. 


        Tio Servó chegou acompanhado da esposa, Hermelina, e dos seis filhos. Era a primeira vez que os via. Minha mãe estava emocionada, com a discrição de sentimentos que lhe era peculiar. Matou duas galinhas de nosso quintal e fez um almoço farto. Sentamos no chão com nossos pratos, as crianças tímidas se escondiam atrás dos pais. Salu não conhecia a cunhada e logo quis saber os nomes dos sobrinhos. «Esse aqui guardei pra  você batizar, Salu», disse. Era meu primo mais velho, Severo. Era quase um rapaz, crescido, mas igualmente tímido como os irmãos. «Mas deixou o menino tanto tempo pagão, Servó?», reclamou minha mãe da negligência do irmão.


        Depois do almoço, e espalhados pelo terreiro, meus primos foram se entrosando. A casa onde iriam ficar estava mais próxima do rio Santo Antônio, do lado oposto à nossa casa. Assim, nosso contato não seria tão frequente, nos veríamos nas festas e feriados, ou nos dias das brincadeiras do jarê em nossa casa. Não cheguei a vê-los nos arrozais da várzea do Santo Antônio, para saber se espantavam o chupim tão bem como nós. Mas Severo, o primo tímido, chegava de tempos em tempos com meus tios para nos visitar. Se era brincadeira de jarê, ficávamos acordados até a madrugada correndo pelo terreiro, contando histórias e rindo alto.


        Eu e Belonísia, estranhamente, já que estávamos cada vez mais próximas, nos dispersávamos nesses momentos, talvez de forma irrefletida, para disputar a atenção de Severo.


 Fragmento do livro Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior.

No último parágrafo, há um deslocamento do foco coletivo para a esfera subjetiva da narradora, que revela uma tensão emocional ligada ao primo Severo. Sobre esse movimento narrativo, é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
81: C
82: D
83: B
84: A
85: D
86: B
87: A
88: C
89: D
90: C
91: C
92: B
93: B
94: D
95: C
96: C
97: C
98: B
99: B
100: C