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Q864247 Português

                            Dona Valentina e sua dor


      Dona Valentina conseguiu cochilar um pouquinho. O relógio marcava quase cinco da manhã quando ela abriu os olhos. Estava ligeiramente feliz. Sonhou com as goiabeiras de sua casa na roça; ela, menina, correndo de pés no chão e brincando com os irmãos que apanhavam goiabas maduras no pé. Goiabas vermelhas, suculentas, sem bichos. O sonho foi tão real que ela acordou com gostinho de goiaba na boca.

      Fazia um pouco de frio porque chovera à noite, chuvinha fina, boba. Porém, dona Valentina era prevenida: levara na sacola a capa e a sombrinha desmilinguida – mas que ainda serviam. A fila crescera durante a madrugada, e o falatório dos que acordaram cedo, como ela, misturava-se com o ronco de dois ou três que ainda dormiam.

      Fila de hospital até que era divertida – pensava ela. O povo conversava pra passar o tempo; cada um contava suas doenças; falavam sobre médicos e remédios; a conversa esticava, e aí vinham os assuntos de família, casos de filhos, maridos, noras e genros. Valia a distração. Mas ruim mesmo era aquela dor nos quadris. Bastou dona Valentina virar-se na almofada que lhe servia de apoio no muro para a fincada voltar. Ui! De novo!

      Dona Valentina já estava acostumada. Afinal, ela e sua dor nas cadeiras já tinham ido e voltado e esperado e retornado e remarcado naquela fila há quase um ano. O hospital ficava longe; precisava pegar o primeiro ônibus, descer no centro; andar até o ponto do segundo ônibus; viajar mais meia hora nele; e andar mais quatro quarteirões. Por isso, no último mês passou a dormir na fila, era mais fácil e mais barato. Ela e sua dor. A almofada velha ajudava; aprendera a encaixá-la de um jeito sob a coxa e a esticar a perna. Nesta posição meio torta e esquisita, a dor também dormia, dava um alívio.

      O funcionário, sonolento, abriu a porta de vidro; deu um “bom dia” quase inaudível e pediu ordem na calçada:

      – Pessoal, respeitem quem chegou primeiro. A fila é deste lado, vamos lá.

      Não demorou muito, e a mocinha sorridente, de uniforme branco, passou distribuindo as senhas. Todos gostavam dela. Alegre, animada, até cumprimentava alguns pelo nome, de tanta convivência. Dona Valentina recebeu a ficha 03, seria uma das primeiras no atendimento. Quem sabe a coisa resolveria desta vez?

      – Senha número três!

      Dona Valentina ergueu-se da cadeira com a ajuda de um rapaz e caminhou até a sala. O doutor – jovem, simpático – cumprimentou-a e pediu que ela se sentasse. Em seguida, correu os olhos pela ficha, fez algumas perguntas sobre a evolução da dor e os remédios que ela tomava. Daí, preencheu uma nova receita, carimbou e assinou:

      – Olha, dona Valentina, vamos mudar a medicação, essa aqui é mais forte. Mas seu caso é mesmo cirúrgico. O problema é que o hospital não tem condições de fazer a cirurgia de imediato. A senhora sabe: muitos pacientes, falta verba, equipamento, dinheiro curto...

      Ela sentiu um aperto no coração. E um pouco de raiva, raivinha, coisa passageira. Mas o doutor era tão simpático, de olheiras, de uniforme amarrotado, que ela sorriu, decepcionada:

      – Posso marcar meu retorno?

      – Claro, claro, fala com a moça da portaria.

      Dona Valentina e sua dor pegaram os dois ônibus de volta. Pelo menos a chuva havia parado, um sol gostoso aquecia seus ombros através da janela. Fazer o quê? – pensava ela. Esperar mais, claro. Quem sabe um dia os poderosos, os políticos, os engravatados davam um jeito no hospital? E agendavam a cirurgia? E ela se livrava da dor? E poderia brincar com os netos, carregá-los no colo, sem a maldita fincada nas costas?

      De noite, dona Valentina se acomodou no velho sofá esburacado para ver a novela – sua distração favorita que a fazia se esquecer da dor. No intervalo, veio a propaganda: crianças sorrindo, jovens se abraçando, pessoas felizes de todo tipo. A voz poderosa do locutor disse à dona Valentina que tudo ia muito bem, que a vida era boa, que o governo era bonzinho, que trabalhava pelo povo acima de tudo. E que a saúde das pessoas, dos mais pobres, era o mais importante! E que para todo mundo ficar sabendo, o governo preferiu usar a dinheirama nas propagandas em vez de comprar remédios ou equipamentos que faltavam no hospital, por exemplo. Questão de prioridade estratégica da área da Comunicação. O resto poderia esperar – como esperavam, dóceis e conformadas, dona Valentina e sua dor.

(FABBRINI, Fernando. Disponível em: http://www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/fernando-fabbrini/dona-valentina-e-sua-dor-1.1412175. Acesso em: 16/12/2016.)

Segundo o texto, dona Valentina
Alternativas
Q861144 Medicina
“Uma lesão caracterizada por ter predomínio da profundidade sobre extensão podendo ter escoriações ou equimose em bordas.” Trata-se de:
Alternativas
Q861143 Medicina
Sobre atestados e documentos médicos, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q861142 Medicina
A pessoa portadora de deficiência, resguardadas as condições especiais previstas na Lei nº 7.583/1989, Decreto nº 3.298/1999, participará de concurso em igualdade de condições com os demais candidatos no que concerne, EXCETO:
Alternativas
Q861141 Medicina
Sobre o serviço de educação da pessoa com deficiência, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q861140 Medicina

Relacione adequadamente as colunas a seguir.


1. Deficiência.

2. Deficiência permanente.

3. Incapacidade.


( ) Toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano.

( ) Aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos.

( ) Uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida.


A sequência está correta em

Alternativas
Q861139 Medicina
De acordo com o Código de Ética Médica, é vedado ao médico:
Alternativas
Q861138 Medicina
São consideradas ajudas técnicas que devem ser oferecidas pelo governo aos portadores de deficiência, EXCETO:
Alternativas
Q861137 Medicina
Sobre a perícia médica, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q861136 Medicina

“POT, 32 anos, é trazida à emergência por ter apresentado crise convulsiva tônico-clônica há cerca de 20 min. Acompanhante diz que a paciente está realizando greve de fome como protesto há cerca de 40 dias. Paciente se encontra sonolenta, com dificuldade para verbalizar; entretanto, entende-se que ela clama por não ser alimentada.”

Considerando ser uma paciente de risco de morte, qual deve ser a conduta do médico?

Alternativas
Q861135 Medicina
“Jonas, 26 anos, atleta da seleção de handebol do Brasil, vem ao PS trazido pela comissão técnica após um desmaio durante o treinamento. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, FC = FP = 80 bpm, sopro sistólico que aumenta com valsalva e diminui quando o paciente agacha.” De acordo com o caso apresentado e o provável diagnóstico, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q861134 Medicina
Assinale a alternativa que apresenta um medicamento que altera a sobrevida do paciente com insuficiência cardíaca.
Alternativas
Q861133 Medicina
Sobre a artrite séptica, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q861132 Medicina

“LFC, 25 anos, assintomático, vem à consulta com resultado de exame de sangue solicitado em outra oportunidade, quando foi diagnosticado com sífilis primária.”

Exame de sangue:


• Anti-HIV 1 e 2: negativo.

• Anti-HBs: reagente.

• HBsAg: não reagente.

• Anti-HBc: não reagente.

• Anti-HBe: não reagente.

• Anti-HCV: não reagente.


Assinale a alternativa correta frente a esse caso.

Alternativas
Q861131 Medicina
São consideradas manifestações extra-articulares da artrite reumatoide, EXCETO:
Alternativas
Q861130 Medicina
As corcovas de Humps são patognomônicas de:
Alternativas
Q861128 Medicina
“FG, 35 anos, sexo feminino, comparece à consulta, pois está preocupada após a morte recente da vizinha de apenas 37 anos por ataque cardíaco. Nega queixas. Mãe e pai são vivos e hipertensos. Ao exame físico é constatado um IMC de 31 kg/m² e circunferência abdominal de 103 cm e PA de 135 x 90 mmHg.” Qual deve ser sua conduta no momento?
Alternativas
Q861127 Medicina
“MTJ, sexo masculino, 40 anos, comparece ao PS com queixa de cefaleia intensa, unilateral e súbita. Relata dor de forte intensidade em região periorbital. Apresenta também hiperemia conjuntival, congestão nasal e lacrimejamento. Ao exame físico, o paciente apresenta-se taquicárdico e sudoreico.” Sobre o diagnóstico provável, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q861126 Medicina
A Síndrome de Fanconi é causada por distúrbio do(a):
Alternativas
Q861125 Medicina
“Juliano Tanakashi, 23 anos, estudante de medicina, comparece à consulta com queixa de hematúria macroscópica. Nega sintomas urinários e febre. Relaciona os episódios (5 no total) à época em que está em semana de prova na faculdade. Relata, também, que há 3 dias iniciou tratamento com antibiótico para infecção de garganta.” Assinale o provável diagnóstico e tratamento adequado.
Alternativas
Respostas
4601: D
4602: C
4603: C
4604: A
4605: A
4606: B
4607: C
4608: A
4609: C
4610: B
4611: D
4612: C
4613: A
4614: B
4615: D
4616: D
4617: D
4618: D
4619: D
4620: B