Foram encontradas 4.268 questões
Resolva questões gratuitamente!
Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!
I. Os alojamentos dos ambientes de criação ou de manutenção deverão ser compostos por recintos complexos e estimulantes.
II. A área de eutanásia deverá ser separada das demais áreas.
III. Deverá ter barreiras contra contaminantes ou pragas na área interna da instalação.
Das afirmativas acima:
I. O enriquecimento ambiental consiste em um conjunto de procedimentos que modificam o ambiente físico ou social, melhorando a qualidade de vida dos animais sob cuidados humanos. Assim, deve estar associado ao bem-estar, visando a redução do estresse pelo aumento da secreção de cortisol e outros hormônios produzidos no córtex e na medula da glândula adrenal.
II. O enriquecimento pode reduzir o estresse, ao mesmo tempo que aumenta o bem-estar e a saúde de primatas sob cuidados humanos. As necessidades etológicas de primatas Neotropicais (Infraordem Platyrrhini), embora semelhantes aos de outros animais, possuem componentes cognitivos e emocionais, que devem ser consi-derados durante a ambiência de seus recintos.
III. As respostas imediatas às mudanças ambientais são mediadas pelo sistema nervoso autônomo (SNA) e o eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal. Assim, quando o primata está sob forte estímulo de um determinado estressor ambiental, o SNA parassimpático ativa a medula adrenal, liberando acetilcolina na corrente sanguínea.
IV. Modificações estruturais simples, mudanças nas rotinas diárias e socialização adequada são exemplos de medidas suficientes para estimular e melhorar o estado psicológico e o bem-estar de uma determinada colônia de primatas não humanos. Por exemplo, estímulos de estresse leve, como breves exposições a predadores simulados, podem induzir comportamentos semelhantes aos que ocorrem na natureza e, portanto, podem ser desejáveis nas criações sob cuidados humanos.
Das afirmativas acima apenas:
I. Os estímulos nocivos são eventos que danificam ou ameaçam danificar os tecidos (por exemplo, estímulos cortantes, perfurantes ou ardentes) e que ativam terminações nervosas sensoriais especializadas chamadas nociceptores. Portanto, a nocicepção representa o processamento de informações do sistema nervoso periférico e central sobre o ambiente interno ou externo, gerado pela ativação do nociceptor. Esta informação é processada nos níveis espinhal e supraespinhal do sistema nervoso central, fornecendo detalhes sobre a natureza, intensidade, localização e duração dos eventos nocivos.
II. Animais com dor podem apresentar comportamento deprimido, permanecendo imóveis ou relutantes em ficar de pé ou mover-se mesmo quando estimulados. Eles também podem apresentar inquietação (por exemplo, deitar-se e levantar-se, mudar de peso, circular ou andar de um lado para o outro) ou padrões de sono perturbados. Primatas não humanos com dor, muitas vezes reviram os olhos e expressam comportamentos faciais semelhantes aos humanos.
III. O medo intenso pode causar imobilidade ou síncope em algumas espécies de primatas. Ressalta-se que a imobilidade pode levar ao erro de achar que o animal está inconsciente, podendo predispor a acidentes e fugas durante os processos de contenção.
IV. Estímulos estressantes contínuos podem levar a alterações importantes e definitivas, causando comportamentos estereotipados, distúrbios alimentares, digestivos, reprodutivos, cardiovasculares e imunes. Assim, os sistemas nervoso e endócrino, podem desencadear mecanismos de intenso catabolismo, que podem levar à morte do indivíduo.
Das afirmativas acima apenas:
I. No Brasil, a maioria das criações de primatas é realizada em ambientes com grandes espaços para os animais. Áreas maiores são favoráveis ao bem-estar dos animais e pressupõe a criação em recintos coletivos. Sendo assim, esses locais são ideais para o estabelecimento de animais gnotobióticos.
II. Colônias de primatas SPF não são viáveis economicamente, pois exigem um elevado padrão sanitário, já que necessitam produzir animais que não apresentam microbiota capaz de determinar doença. Assim, colônias SPF são viáveis apenas para animais como ratos e cobaias.
III. O padrão sanitário na criação de animais gnotobióticos e SPF deve ser diferenciado dos animais convencionais. Isso ocorre por eles possuírem uma microbiota diferenciada ou ausente, podendo ter dificuldades na síntese de algumas vitaminas. Assim, vitaminas do complexo B e a vitamina K devem ser suplementadas à dieta para garantir os níveis mínimos necessários à nutrição do animal. Primatas não humanos não sintetizam a vitamina C, que precisa ser disponibilizada de forma artificial em sua dieta diária.
IV. O padrão sanitário das colônias convencionais de primatas não humanos não deve ser uma preocupação, pois esses animais possuem uma microbiota indefinida, já que são mantidos em ambiente desprovido de barreiras sanitárias rigorosas.
Das afirmativas acima apenas:
I. Um determinado agente infeccioso pode ser eliminado por via natural ou artificial. Exemplos de eliminação natural são as excreções do agente pela urina, saliva e fezes ou por meio de lesões na pele. Entre os exemplos de mecanismos de escape artificial, podemos destacar: biópsia, coleta de sangue, tecidos e fluidos corpóreos, necropsia e instrumental cirúrgico contaminado. Assim, quando um patógeno estiver sendo usado em ambientes de experimentação, deve-se assegurar que todas as providências requeridas e necessidades especiais de entrada sejam efetivadas ou estejam disponíveis, tais como vacinação e EPI.
II. As pessoas que trabalham em um biotério de primatas sempre devem receber imunização apropriada quando uma vacina estiver disponível. Outra questão sanitária importante é que devem ser realizadas avaliações sorológicas periódicas dessas pessoas. Exames coproparasitológicos periódicos são fundamentais para monitorar possíveis riscos de infecção entre animais e tratadores.
III. Em um biotério de primatas não humanos, todos os funcionários da instituição (que manejem ou não animais) devem receber treinamento apropriado em riscos associados ao trabalho. Aprender sobre as precauções para prevenir exposições aos riscos são fundamentos necessários a todos os trabalhadores, visando salvaguardar o controle sanitário institucional. Anualmente, todos devem reforçar do treinamento ou receber treino adicional, sempre que houver mudanças de procedimentos técnicos e operacionais.
IV. Preocupação sanitária adicional deve ser observada com materiais e utensílios contaminados (agulhas, seringas, lâminas, pipetas, tubos capilares). As agulhas, seringas ou outros utensílios perfurocortantes devem ser restritos às áreas de animais, para uso somente quando não houver alternativa. Sempre que possível, tubos plásticos devem ser usados em substituição aos de vidro. Depois de descartadas, as agulhas descartáveis nunca devem ser dobradas, cortadas, quebradas, reencapadas ou removidas de seringas descartáveis, com as mãos. Elas devem ser cuidadosamente colocadas em um recipiente resistente a perfurações usado para materiais descartáveis. Utensílios não descartáveis são obrigatoriamente colocados em recipientes de paredes espessas para transporte à área de descontaminação.
Das afirmativas acima:
I. As barreiras sanitárias ou de contenção visam impedir a entrada de partículas indesejáveis às áreas de criação ou de experimentação. Além disso, evitam que patógenos se espalhem pelo ambiente laboral.
II. A estufa de óxido de etileno é utilizada para materiais que não podem ser esterilizados por calor. O gás presente neste equipamento atua promovendo a oxidação de proteínas dos organismos presentes nos materiais, promovendo sua inativação. Exemplos de materiais normalmente processados neste equipamento são os plásticos, rações e material de forração dos recintos (maravalha).
III. O principal equipamento utilizado em processos de esterilização de materiais e insumos em biotérios de primatas é a autoclave. Para isso, utiliza o calor sob pressão, sendo, portanto, um dos métodos mais seguros e confiáveis. Dentre os materiais autoclaváveis podemos citar: os utensílios de metal ou aço inox, materiais utilizados no enriquecimento ambiental, bicos, uniformes de trabalhadores. Em biotérios de experimentação de primatas, a recomendação é que existam, pelo menos duas autoclaves: uma para entrada de matérias e insumos e outro para descontaminação de resíduos e materiais, evitando o contrafluxo.
IV. Em um biotério de primatas deve-se levar em consideração que as instalações precisam ser fisicamente separadas de outras construções. Além disso, é fundamental que sejam planejadas visando otimizar a higienização, desinfecção e favorecer a manutenção predial. Portanto, os fluxos de processos e pessoal devem ser delineados para que não ocorra o cruzamento entre entrada e saída desses elementos, evitando a contaminação.
Das afirmativas acima estão corretas apenas:
I. O setor de quarentena possui dois objetivos básicos: avaliar a sanidade dos animais recém-chegados e proporcionar a recuperação, auxiliando no processo de aclimatação ao novo ambiente. No caso de biotérios destinados à criação de primatas, a construção da quarentena deve ser próxima às outras áreas da criação. Isso facilita o manejo, diminuindo a possibilidade de fugas e estresse, quando os novos animais precisarem ser introduzidos à colônia. Também permite que eles possam interagir de forma acústica, visual e olfativa com os indivíduos das colônias, facilitando o processo de aclimatação ao novo ambiente.
II. Áreas de higienização, desinfecção e esterilização devem ser isolada e afastada dos recintos, para evitar distúrbios a eles. Isso se justifica por fatores como ruídos, aumento de umidade e calor provocado pelos equipamentos destinados a este fim (autoclaves, máquinas de lavar, secadoras). A ventilação nessas áreas deve ser a menor possível, para evitar levar os odores dos produtos químicos aos recintos dos animais. Os tanques para a higienização e desinfecção dos materiais de uso no manejo devem ser dimensionados de acordo com a necessidade do biotério, mas o ideal é que haja separação entre ambientes “sujo” e “limpo”. Manter a temperatura e a umidade elevadas também ajudam no processo de desinfecção dos utensílios.
III. As áreas destinadas a estocagem de alimentos (rações, frutas e legumes), equipamentos e utensílios de cozinha deverão ser cuidadosamente planejados. Os ambientes devem ser arejados, a fim de minimizar a proliferação de microrganismos e evitar contaminações. Refrigeradores ou câmaras frigoríficas devem estar disponíveis para o armazenamento de hortifrutigranjeiros.
IV. De acordo com a classificação microbiológica da colônia, a higienização corporal de todos os trabalhadores é obrigatória na entrada e na saída. Nesse caso a paramentação dos trabalhadores deve ser de uso exclusivo e obrigatória nas áreas técnicas. Tais medidas visam não carrear possíveis contaminantes entre áreas e indivíduos.
Das afirmativas acima estão corretas apenas:
I. Estudos recentes mostram que a morfologia digestiva dos primatas não humanos tem sido caracterizada por um baixo sinal filogenético. Consequentemente, isso sugere uma baixa similaridade de características morfológicas digestivas entre espécies relacionadas. Assim, se o consumo de frutas é generalizado em platirrinos, sua morfologia digestiva tem sido comumente considerada pouco especializada.
II. O desempenho digestivo dos cebídeos é semelhante ao esperado para os ancestrais platirrinos. Assim, observa-se baixa capacidade de fermentativa, limitando suas dietas a itens vegetais e matéria animal de fácil digestibilidade.
III. Os gêneros Alouatta e Leontocebus possuem desenvolvimento cecocólico evidente. Assim, nesses indivíduos observa-se simbiose com organismos celulolíticos, que podem explicar o aumento da necessidade do consumo de alimentos de origem vegetal.
IV. O intestino delgado é a principal porção do TGI responsável pela absorção de nutrientes. Assim, primatas que possuem um duodeno maior, adquirem uma área maior para a absorção de nutrientes, especialmente em dietas compostas por itens altamente de fácil digestibilidade. Comparativamente, os cebídeos possuem intestino delgado maior e intestino grosso menor em comparação a grupos taxonômicos de primatas, sugerindo que possuem a menor capacidade fermentativa entre os primatas estudados.
Das afirmativas acima estão corretas apenas:
I. O manejo do ambiente possui grande relevância, devendo estar adequado de acordo com cada espécie de primata da criação. Dados relativos à temperatura, umidade e iluminação devem ser criteriosamente aferidos, pois, caso estejam inadequados, podem gerar desequilíbrio homeostático e favorecer o surgimento de diversas doenças.
II. Todos os recintos da criação devem ser protegidos de possíveis ruídos. O excesso de barulho pode causar danos à saúde do animal. Entretanto, variações da temperatura ambiental não devem ser uma preocupação nas criações de primatas do Velho Mundo, pois são naturalmente adaptados a elevadas temperaturas nos seus locais de origem. Chimpanzés, babuínos e os macacos japoneses podem se aclimatar bem a temperaturas acima de 40 ºC, por exemplo.
III. Primatas do Novo Mundo não devem ser mantidos em temperatura entre 22 ºC e 26 ºC, pois isso pode gerar hipotermia nesses indivíduos. Portanto, deve-se aumentar essa faixa de temperatura, principalmente durante a noite, para simular o ambiente da selva. A umidade relativa do ar deve ser mantida entre 45% e 60% para a maioria dessas espécies, devendo ser maior do que 60% para espécies neotropicais.
IV. A iluminação deve ser controlada em instalações que não possuem janelas ou outro tipo de iluminação externa. Assim, deve haver possibilidade de controle do tempo de iluminação durante as 24h do dia. Isso possibilitará um melhor controle do ciclo circadiano para os indivíduos da criação.
Das afirmativas acima estão corretas apenas: