Podemos classificar o padrão sanitário de animais de biotér...

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Q3332837 Veterinária
Podemos classificar o padrão sanitário de animais de biotérios em três grupos distintos: (1) Convencionais; (2) Gnotobióticos e (3) Livres de germes patogênicos específicos (specific pathogen free - SPF). Diante disso, analise as sentenças abaixo.

I. No Brasil, a maioria das criações de primatas é realizada em ambientes com grandes espaços para os animais. Áreas maiores são favoráveis ao bem-estar dos animais e pressupõe a criação em recintos coletivos. Sendo assim, esses locais são ideais para o estabelecimento de animais gnotobióticos.

II. Colônias de primatas SPF não são viáveis economicamente, pois exigem um elevado padrão sanitário, já que necessitam produzir animais que não apresentam microbiota capaz de determinar doença. Assim, colônias SPF são viáveis apenas para animais como ratos e cobaias.

III. O padrão sanitário na criação de animais gnotobióticos e SPF deve ser diferenciado dos animais convencionais. Isso ocorre por eles possuírem uma microbiota diferenciada ou ausente, podendo ter dificuldades na síntese de algumas vitaminas. Assim, vitaminas do complexo B e a vitamina K devem ser suplementadas à dieta para garantir os níveis mínimos necessários à nutrição do animal. Primatas não humanos não sintetizam a vitamina C, que precisa ser disponibilizada de forma artificial em sua dieta diária.

IV. O padrão sanitário das colônias convencionais de primatas não humanos não deve ser uma preocupação, pois esses animais possuem uma microbiota indefinida, já que são mantidos em ambiente desprovido de barreiras sanitárias rigorosas.


Das afirmativas acima apenas:
Alternativas

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Tema central: classificação sanitária de animais de biotério: Convencionais (microbiota indefinida, sem barreiras rigorosas), Gnotobióticos (microbiota conhecida ou ausente – axênicos), e SPF (livres de patógenos específicos, mas com microbiota não estéril). Essas definições impactam manejo, nutrição, biossegurança e validade científica dos estudos.

Alternativa correta: D (Afirmativa III)
Afirmativa III está correta. Gnotobióticos (especialmente axênicos) possuem microbiota ausente e podem ter síntese reduzida de vitaminas dependentes da flora, como vitamina K e parte do complexo B, justificando suplementação dietética. Em SPF, a microbiota é “saudável” porém controlada, e muitos biotérios aplicam dietas enriquecidas para garantir estabilidade fisiológica. Além disso, primatas não humanos não sintetizam vitamina C, devendo recebê-la diariamente. Essas recomendações estão alinhadas ao Guide for the Care and Use of Laboratory Animals (NRC/ILAR), às diretrizes do CONCEA e orientações da FELASA.

Análise das incorretas

I – Incorreta. Gnotobióticos exigem barreiras físicas estritas (isoladores, fluxo unidirecional, PPE), inviáveis em recintos coletivos amplos típicos de primatas no Brasil. Ambientes grandes favorecem bem-estar social, mas não mantêm status gnotobiótico. Contraria práticas reconhecidas por NRC/ILAR e CONCEA.

II – Incorreta. SPF ≠ “sem microbiota capaz de causar doença”. SPF significa ausência de patógenos específicos definidos (ex.: SRV, STLV, SIV, Shigella, Salmonella), mantendo microbiota comensal. Colônias SPF de primatas são onerosas, porém viáveis e existentes em centros acreditados (AAALAC), sendo cruciais para reduzir variabilidade e riscos zoonóticos. Logo, não são viáveis “apenas” para roedores.

IV – Incorreta. Mesmo em colônias convencionais, o padrão sanitário é fundamental: monitoramento de saúde, quarentena, biossegurança e controle de zoonoses são obrigatórios (CONCEA, FELASA). Microbiota indefinida não autoriza negligência sanitária; ao contrário, exige vigilância para preservar bem-estar e validade científica.

Estratégia de prova

- Marque palavras-chave: gnotobiótico (microbiota conhecida/ausente) vs SPF (livre de patógenos específicos).
- Identifique a pegadinha: confundir SPF com “germ-free/axênico”.
- Desconfie de absolutos (“não é viável”, “não deve ser preocupação”) — geralmente contrariam diretrizes.

Referências essenciais: NRC/ILAR Guide for the Care and Use of Laboratory Animals (8ª ed.); Diretrizes do CONCEA para criação e manutenção de animais de laboratório; Recomendações FELASA para monitoramento sanitário, incluindo primatas não humanos.

Gabarito: D

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