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Q4037501 Legislação Federal
A caracterização de povos de terreiro como comunidade tradicional se deve
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Gabarito: A

Fundamento decisivo: Decreto nº 6.040/2007, art. 3º, I: "I - Povos e Comunidades Tradicionais: grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição;". No caso, os povos de terreiro se enquadram por suas formas próprias de organização social e reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, o que torna correta a alternativa A.

Tema central: Comunidade tradicional
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A é a única que se ajusta ao conceito normativo de povos e comunidades tradicionais previsto no art. 3º, I, do Decreto nº 6.040/2007. O ponto decisivo é que a caracterização jurídica decorre de formas próprias de organização social e de condições de reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica. Ao indicar relações sociais e econômicas singulares desenvolvidas dentro dos terreiros, abrangendo moradia, trabalho, educação, saúde e socialização, a alternativa traduz o núcleo jurídico que enquadra os povos de terreiro como comunidade tradicional.
B
Errada
Está errada porque registro em cartório como associação não é requisito jurídico para caracterização como comunidade tradicional. O art. 3º, I, do Decreto nº 6.040/2007 define essa condição por diferenciação cultural, autoidentificação, organização social própria e reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, não por formalização registral nem por habilitação ao recebimento de verbas públicas.
C
Errada
Está errada porque classificação ou reconhecimento em Censo do IBGE não constitui fundamento jurídico da caracterização como comunidade tradicional. A base normativa decisiva é o art. 3º, I, do Decreto nº 6.040/2007, e não instrumento estatístico-administrativo.
D
Errada
Está errada porque reduz o enquadramento a uma exclusividade religiosa que não consta do conceito normativo. A condição de povo ou comunidade tradicional decorre de autoidentificação, formas próprias de organização social e reprodução sociocultural, religiosa e econômica, e não de uma fórmula de exclusividade confessional nos termos absolutos afirmados pela alternativa.
E
Errada
Está errada porque não há equiparação jurídica automática entre terreiro de candomblé e comunidade quilombola. A base distingue o regime geral dos povos e comunidades tradicionais do regime constitucional específico dos quilombolas, cuja proteção territorial tem fundamento próprio no art. 68 do ADCT. Portanto, a caracterização dos povos de terreiro não se faz por essa equiparação.
Pegadinha da questão
A banca explorou a confusão entre o conceito jurídico de comunidade tradicional e elementos que não o definem: registro cartorial, classificação do IBGE, exclusividade religiosa ou equiparação automática a quilombolas.
Dica para questões semelhantes
  • Quando a questão perguntar por que um grupo é comunidade tradicional, procure o conceito normativo: diferenciação cultural, autoidentificação, organização social própria e reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica.
  • Elimine alternativas que usem atos administrativos ou instrumentos estatísticos como se fossem fonte constitutiva do enquadramento jurídico.
  • Não confunda povos e comunidades tradicionais com quilombolas: estes têm disciplina constitucional específica, sem equiparação automática.

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LETRA A

São considerados comunidade tradicional porque possuem identidade cultural própria, organização social diferenciada e vínculo especial com o território e a ancestralidade, nos termos do Decreto 6.040/2007.

A fundamentação baseia-se na Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (Decreto nº 6.040/2007) e no reconhecimento antropológico e jurídico da diversidade cultural brasileira:

  • Alternativa A (Correta): A definição de comunidade tradicional vai além da prática religiosa. No caso dos povos de terreiro, o reconhecimento advém do fato de que o terreiro funciona como uma unidade territorial e civilizatória. Nele, desenvolvem-se relações sociais, econômicas e culturais próprias, que estruturam a vida dos membros em diversos eixos: a transmissão de saberes (educação), o uso de ervas e ritos de cura (saúde), a organização do trabalho comunitário e a moradia. É um modo de vida específico que gera uma identidade coletiva vinculada a um território sagrado.
  • Alternativa B (Incorreta): A caracterização como comunidade tradicional decorre da autoidentificação e da existência de uma cultura própria (critério substantivo), e não de burocracias administrativas como o registro em cartório ou a capacidade de receber verbas públicas (critério formal).
  • Alternativa C (Incorreta): O Censo do IBGE é um instrumento estatístico de contagem populacional e autodeclaração religiosa, mas não possui o condão jurídico de "criar" ou "caracterizar" uma comunidade como tradicional. Essa proteção emana da Constituição Federal (Arts. 215 e 216) e do Decreto nº 6.040/2007.
  • Alternativa D (Incorreta): Embora a base seja a matriz africana, o conceito de "povos de terreiro" é complexo e abrange uma diversidade de nações (Ketu, Angola, Jeje, etc.) e expressões sincréticas. O erro da alternativa é o exclusivismo religioso rígido em um campo que é, por natureza, de resistência cultural e identidade étnica.
  • Alternativa E (Incorreta): Embora existam intersecções históricas e culturais, povos de terreiro e comunidades quilombolas são categorias distintas. Um terreiro pode estar em solo urbano e não ser um quilombo. A Constituição trata das terras quilombolas no Art. 68 do ADCT, enquanto os terreiros recebem proteção principalmente como patrimônio cultural e pela liberdade de culto.

Gabarito: A.

Os povos de terreiro são reconhecidos como comunidades tradicionais em razão do seu modo próprio de organização social, cultural e econômica, com vínculos comunitários que envolvem moradia, trabalho, educação, ancestralidade e práticas coletivas de resistência cultural.

A) Correta. A alternativa traduz a lógica do reconhecimento das comunidades tradicionais prevista no Decreto nº 6.040/2007.

B) Errada. O reconhecimento como comunidade tradicional não depende de registro em cartório nem de recebimento de verba pública.

C) Errada. O reconhecimento não decorre de classificação do IBGE em censo demográfico.

D) Errada. Existem povos de terreiro ligados a diferentes religiões de matriz africana, não apenas uma forma específica de organização religiosa.

E) Errada. Terreiro e comunidade quilombola são categorias distintas, embora ambas recebam proteção constitucional e cultural.

Pegadinha da banca: tentar confundir comunidade tradicional com reconhecimento formal estatal ou equiparação automática a quilombo.

Bons estudos!

“Por mais difícil que seja, o estudo não é um fardo... estudar é a oportunidade de batalhar por um futuro melhor para você e para a sua família!” – Thallius Moraes

@thalliusmoraes

A alternativa correta é a letra A. A caracterização dos povos de terreiro como comunidade tradicional decorre da existência de formas próprias de organização social, cultural, religiosa, econômica e territorial, desenvolvidas no âmbito dos terreiros. Esses espaços não se limitam ao culto religioso, pois também envolvem redes de solidariedade, transmissão de saberes, práticas de cuidado, alimentação, educação, saúde comunitária, trabalho, moradia e outras formas de socialização. As demais alternativas estão incorretas porque reduzem indevidamente o conceito à formalização cartorial, ao reconhecimento censitário, a uma única matriz religiosa ou à equiparação automática com comunidades quilombolas.

Abraços

A) CERTO. às singulares relações sociais e econômicas desenvolvidas dentro dos terreiros, abrangendo moradia, trabalho, educação, saúde e outras formas de socialização.

"Povos Tradicionais (art. 3º, Decreto 6.040/07 - PNPCT): 'grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, com formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução socio-cultural - cultural, social, religiosa, ancestral e econômica -, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição.'"

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