Questões de Concurso Público Prefeitura de Jundiaí - SP 2025 para Professor II - Filosofia

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Q4196946 Filosofia
A colonialidade diz respeito às condições de estabelecimento do capitalismo como padrão de funcionamento mundial, operando através da “imposição de uma classificação racial/étnica da população do mundo”, incluindo um conjunto de dispositivos que recobre, entre outros: o trabalho; o meio ambiente e os seus recursos de produção; o sexo; a subjetividade; e a autoridade e os seus instrumentos de regulação das relações sociais. A colonização implicou a desconstrução da estrutura societal, reduzindo os saberes dos povos colonizados à categoria de crenças ou pseudossaberes. Essa hegemonia, no caso da colonização do continente africano, passou a desqualificar e invisibilizar os saberes tradicionais, proporcionando uma completa desconsideração do pensamento filosófico desses povos. Neste sentido, estamos diante do racismo epistêmico.
(Renato Noguera. O Ensino de Filosofia e a Lei no 10.639, 2011. Adaptado)

A partir do excerto, uma consequência filosófica do racismo epistêmico é a
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Q4196947 Filosofia

Leia o trecho do diálogo platônico A República.


    – Uma vez que os filósofos são aqueles que são capazes de atingir aquilo que se mantém sempre do mesmo modo, e que aqueles que o não são, mas que se perdem no que é múltiplo e variável, não são filósofos, qual das duas espécies é que de ser chefe da cidade?


(Platão. A República, 2010)



Segundo o critério estabelecido por Platão, os filósofos devem ser modelo de governantes porque

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Q4196948 Filosofia
Cada concepção de filosofia supõe um recorte de temas e uma proposta de acesso à filosofia (de transmissão ou ensino) porque vincula o que e o como ensinar de uma maneira particular. A formação que se teve impõe, mal ou bem, um que de leituras filosóficas canônicas e um como ensinar. Mas destaquemos que se trata de “leituras”, ou seja, de seleções e interpretações que foram feitas pelos professores que se teve. Com o gosta de dizer Jorge Larrosa, cada um de nossos professores nos transmitiu a “sua biblioteca”, e também nos transmitiu uma forma de ler seus livros e uma forma de fazer pública essa leitura e, portanto, essa interpretação. Isso é o que nos “formou” em grande medida como filósofos ou filósofas e como professores ou professoras de filosofia.
(Alejandro Cerletti. O ensino de filosofia como problema filosófico, 2009. Adaptado)


Segundo Cerletti, a ideia de que cada professor transmite a “sua biblioteca” indica que a formação filosófica
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Q4196950 Filosofia

Há muita diferença entre a vontade de todos e a vontade geral; esta se refere somente ao interesse comum, enquanto a outra diz respeito ao interesse privado, nada mais sendo que uma soma das vontades particulares. Quando, porém, se retiram dessas mesmas vontades os mais e os menos que se destroem mutuamente, resta, como soma das diferenças, a vontade geral.


(Jean-Jacques Rousseau.

Do contrato social ou Princípios do direito político, 2011)



Segundo Rousseau, a distinção entre “vontade de todos” e “vontade geral” implica que a decisão política legítima

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Q4196951 Filosofia
Não somos capazes de formar uma ideia correta do sabor de um abacaxi sem tê-lo realmente provado. Existe, entretanto, um fenômeno que parece contradizer isso, e que poderia provar que não é absolutamente impossível que as ideias antecedam suas impressões correspondentes. Suponhamos, assim, uma pessoa que tenha gozado de sua visão durante trinta anos e tenha-se familiarizado perfeitamente com todos os tipos de cores, exceto com uma única tonalidade de azul. Pergunto, então, se lhe é possível suprir tal deficiência por meio de sua própria imaginação. Acredito que poucos discordarão de que isso seja possível. Esse exemplo pode servir como prova de que as ideias simples nem sempre derivam das impressões correspondentes – embora o caso seja tão particular e singular que quase não é digno de nossa atenção, não merecendo que, apenas por sua causa, alteremos nossa máxima geral.
(David Hume. Tratado da natureza humana, 2009. Adaptado)

No trecho, Hume introduz o célebre “tom de azul ausente”. À luz desse recurso, conclui-se que, para o filósofo, o episódio serve para
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Q4196952 Filosofia
O conceito explicativo da realidade nunca está pronto; ele é uma construção que o sujeito faz a partir da lógica que encontra nos fragmentos da realidade. Para tanto, utiliza-se de recursos metodológicos, de meios e processos de investigação. Ele se constrói por meio de longa busca, por meio de esforço de desvendamento. A elucidação do mundo exterior exige imaginação investida, busca disciplinada e metodológica, tendo em vista captar os meandros do real.
(Cipriano Carlos Luckesi e Elizete Passos. Introdução à filosofia: aprendendo a pensar, 2012)

No trecho, é descrito como se formaria um “conceito explicativo” do real. Segundo os autores, tal conceito resultaria de uma
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Q4196953 Filosofia
O que está em jogo é um esforço intelectual múltiplo que não se prenda às formas e métodos de historiografia filosófica hegemônicos no Ocidente. Para dar curso a este objetivo, vale colocar a História da Filosofia em afroperspectiva. Em linhas bem gerais, uma abordagem filosófica afroperspectivista é pluralista, reconhece diversos territórios epistêmicos, empenhada em avaliar perspectivas e analisar métodos distintos e com uma preocupação especial para a reabilitação e incentivo de trabalhos africanos e afrodiaspóricos em prol da desconstrução do racismo epistêmico antinegro e da ampliação de alternativas para uma sociedade intercultural e não hierarquizada. Em outros termos, um tipo de ação afirmativa no campo epistêmico.
(Renato Noguera. O Ensino de Filosofia e a Lei no 10.639, 2011. Adaptado)

Quando associada a um horizonte intercultural, a Filosofia em afroperspectiva enfatiza a
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Q4196954 Filosofia
Aproximando-me ainda mais de mim mesmo e, investigando quais são os meus erros – somente eles denunciam uma imperfeição em mim, – percebo que dependem do concurso simultâneo de duas causas, a saber, da faculdade de conhecer que está em mim e da faculdade de escolher ou liberdade do arbítrio, isto é, do intelecto e, ao mesmo tempo, da vontade. Pois, pelo intelecto sozinho não afirmo, nem nego coisa alguma, mas apenas percebo as ideias a respeito das quais posso fazer um juízo, e nenhum erro, propriamente dito, ocorre no intelecto, considerado assim precisamente.
(René Descartes. Meditações sobre a Filosofia Primeira, 2004. Adaptado)

No trecho da Quarta Meditação, Descartes examina a origem do erro. Segundo seu argumento, o erro decorreria de
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Q4196955 Filosofia
É um imperativo trabalhar a favor da “inclusão eletrônica”, entendido como o acesso às tecnologias e a adaptação às necessidades dos grupos mais vulneráveis. Para isso, é necessário escolher em cada caso a tecnologia mais adequada às necessidades locais, fornecer uma tecnologia economicamente acessível aos usuários, promover a sua utilização preservando a identidade sociocultural e promovendo a integração dos grupos com risco de exclusão.
(Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade Marconi. Sociologia geral, 1999)

No excerto são sugeridas políticas de inclusão digital, as quais consistem em
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Q4196957 Filosofia

A dimensão religiosa das artes deu aos objetos artísticos ou às obras de arte uma qualidade que foi estudada pelo filósofo alemão Walter Benjamin: a aura. Que é a aura? A aura é a absoluta singularidade de um ser – natural ou artístico –, sua condição de exemplar único que se oferece num aqui e agora irrepetível, sua qualidade de eternidade e fugacidade simultâneas, seu pertencimento necessário ao contexto onde se encontra e sua participação numa tradição que lhe dá sentido.


(Marilena Chaui. Convite à filosofia, 2000)



No trecho, Chauí apresenta a noção de “aura” proposta por Walter Benjamin, a qual se caracteriza por sua

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Q4196959 Filosofia

Leia o trecho do diálogo platônico A República.


    – Fica sabendo que o que transmite a verdade aos objetos cognoscíveis e dá ao sujeito que conhece esse poder, é a ideia do bem. Entende que é ela a causa do saber e da verdade, na medida em que esta é conhecida, mas, sendo ambos assim belos, o saber e a verdade, terás razão em pensar que há algo de mais belo ainda do que eles. E, tal como se pode pensar corretamente que neste mundo a luz e a vista são semelhantes ao Sol, mas já não é certo tomá-las pelo Sol, da mesma maneira, no outro, é correto considerar a ciência e a verdade, ambas elas, semelhantes ao bem, mas não está certo tomá-las, a um ou a outra, pelo bem, mas sim formar um conceito ainda mais elevado do que seja o bem.


(Platão. A República, 2010)



Em A República, a chamada “analogia do Sol” sobre a natureza do bem é utilizada por Platão como

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Q4196960 Filosofia

O fato de que o atual professor de filosofia seja um funcionário do Estado pode definir um papel institucional mais ou menos importante na reprodução do estado de coisas, mas não esgota necessariamente a fertilidade do lugar em que se inscreve. As escolas, ou as instituições educativas em geral, são lugares de encontros entre pessoas, saberes, tradições, pensamentos. Portanto, a dimensão eventual de toda prática educativa, e da filosófica em especial, constitui o suplemento permanente de toda repetição, por mais intensa ou fechada que aparente ser. Todo saber está sempre exposto a ser interpelado e nisso a filosofia joga sua condição de possibilidade.


(Alejandro Cerletti.

O ensino de filosofia como problema filosófico, 2009. Adaptado)



Segundo Cerletti, mesmo como funcionário do Estado, o professor de filosofia pode fazer do ensino uma prática de resistência porque a

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Respostas
1: C
2: D
3: E
4: D
5: D
6: B
7: A
8: E
9: A
10: C
11: E
12: B