Questões de Concurso Público Prefeitura de Blumenau - SC 2026 para Professor de Português

Foram encontradas 40 questões

Q4442782 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
De acordo com Cunha e Cintra, "Nem sempre as frases se organizam com absoluta coesão gramatical. O empenho de maior expressividade leva-nos, com frequência, a superabundâncias, a desvios, a lacunas nas estruturas frásicas tidas por modelares. Em tais construções a coesão gramatical é substituída por uma coesão significativa, condicionada pelo contexto geral e pela situação. Os processos expressivos que provocam essas particularidades de construção denominam-se figuras de sintaxe".

Fonte: CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

No 1º e no 2º parágrafos, a autora lançou mão de figuras de sintaxe para construir a coesão. Analise o excerto e as sentenças sublinhadas.

"Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões."
É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta."

A respeito dos trechos sublinhados, assinale a alternativa correta: 
Alternativas
Q4442783 Literatura
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
Após a leitura atenta do texto e lançando mão de seus conhecimentos prévios, analise as afirmativas a seguir:

I.O gênero textual do texto é resenha. Nele, a autora não apenas apresenta a obra de Graciliano Ramos, Angústia, como também expõe e defende seu ponto de vista a partir de elementos e características que ela destaca da própria composição.
II.No cerne do texto está a intenção da autora de comprovar a tese de que Angústia é um manifesto político, escrito por Graciliano Ramos em condições de encarceramento, o que refletirá na construção do personagem Luís da Silva.
III.A autora coloca o romance de Graciliano Ramos dentro do que ela considera uma literatura psicológica. Entretanto, ela localiza esse aspecto psicológico do personagem como resultado também de seu contexto social de existência, comprovando que o autor, ao construir uma obra mais psicológica, não ignora ou abandona o viés social.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4442784 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
Analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)As expressões "desta vez" (1º parágrafo), "o romance" (2º parágrafo) e "a narrativa" (3º parágrafo) são formas remissivas referenciais e têm como referência Angústia , no início do 1º parágrafo.
(__)No 10º parágrafo, a expressão "nesse sistema" retoma claramente a "comparação" instaurada no parágrafo final do anterior.
(__)No 14º parágrafo, a autora usa a expressão "desse movimento", seguida de "nesse caso". Observando o processo coesivo construído pela autora, pode-se afirmar que Graciliano Ramos participa do movimento que ocorre na literatura dos anos 1930, mas, em sua escrita dentro desse movimento, desloca a perspectiva, o que será comprovado pela autora na breve descrição de suas obras.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4442785 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
No 4º parágrafo, há a seguinte construção:

"O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro."

Assinale a alternativa correta quanto à relação de sentido estabelecida entre a oração principal e a subordinada:
Alternativas
Q4442786 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
Analise atentamente a construção sintática do excerto a seguir:

"Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano."

A respeito desse excerto, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)O trecho "sem processo formal" é aposto explicativo do substantivo "preso".
(__)Na construção, a oração principal tem como coordenada a oração "permaneceu encarcerado por quase um ano".
(__)O trecho "acusado de envolvimento com a militância comunista" é uma oração subordinada causal.
(__)Há, na construção, um adjunto adverbial apenas.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q4442787 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
No 3º parágrafo, há a seguinte construção: "um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos".

A concordância do verbo "poder" está correta no plural. Nesse contexto, quando a ideia expressa pelo predicado se refere a toda a série do sujeito composto ligado por "ou", o verbo vai mais frequentemente para o plural, embora o singular também seja possível. Tendo isso como referência e compreendendo que as regras de concordância verbal nem sempre são únicas, havendo casos em que o contexto da frase e de interação determinarão a melhor escolha, analise as afirmativas a seguir quanto à concordância verbal dos verbos destacados:

I.Graciliano Ramos é um dos autores que se situam na segunda fase do Modernismo.
II.Vidas Secas e São Bernardo , nem uma nem outra tem como foco a opressão que passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida.
III.Cada uma das obras de Graciliano Ramos apresentam suas singularidades, sendo únicas na literatura brasileira.

Independente de haver ou não outra possibilidade, está correta a concordância verbal em:
Alternativas
Q4442788 Pedagogia
O ensino da língua é produto da construção histórica e social da humanidade e da interação entre os sujeitos. Analise as sentenças a seguir a respeito do ensino de língua, especialmente do componente curricular Língua Portuguesa:

I.O ensino se dará por meio das práticas de linguagem concretamente situadas tendo em vista as necessidades de cada grupo de estudantes e ancoradas em determinados procedimentos relativos à assunção da perspectiva teórica adotada.
II.O ensino de Língua Portuguesa pretende instrumentalizar os estudantes para que sejam capazes de usar a língua nas diferentes situações de interlocução, propiciando a ampliação das possibilidades de diálogo e de compreensão ativa, para que os estudantes possam dar a sua contrapalavra efetiva nas diversas situações de interação social entre os sujeitos.
III.Os discursos (textos-enunciados) que circulam socialmente nas diversas esferas da atividade humana (campos de atuação) são o ponto de partida e de chegada de todo o processo de ensino e aprendizagem da língua a partir do trabalho com a leitura e a escuta, a produção de texto oral, escrito/semiótico e a análise linguística/semiose interligados, com vistas à formação de sujeitos com domínio nas práticas de linguagem.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4442789 Pedagogia
Tendo como referência o Currículo da Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Blumenau e seus conhecimentos prévios a respeito do trabalho com a leitura em sala de aula, analise os procedimentos de leitura/escuta a seguir:

I.Fazer apreciações e valorações estéticas, éticas, políticas e ideológicas, dentre outras, envolvidas na leitura crítica de textos verbais e de outras produções culturais.
II.Identificar e analisar efeitos de sentido decorrentes de escolhas e de formatação de imagens (enquadramento, ângulo/vetor, cor, brilho, contraste), de sua sequenciação (disposição e transição, movimentos de câmera, remix) e da performance − movimentos do corpo, gestos, ocupação do espaço cênico e elementos sonoros (entonação, trilha sonora etc.) que nela se relacionam.
III.Inferir ou deduzir informações explícitas e, pelo contexto semântico ou linguístico, o significado de palavras ou expressões conhecidas.

É procedimento de leitura/escuta o que se apresenta em:
Alternativas
Q4442790 Não definido

A respeito dos gêneros textuais, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:



(__)São realizações linguísticas concretas e caracterizam-se como formas estruturais estáticas e definidas, o que possibilita que eles perpetuem e sejam referência para novos gêneros textuais.


(__)São eventos linguísticos, textos empiricamente realizados, cumprindo funções em situações comunicativas, mas não se definem por características linguísticas.


(__)Apropriar-se dos gêneros é um mecanismo fundamental de socialização e de inserção prática nas atividades comunicativas humanas.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q4442791 Pedagogia
Leia o excerto a seguir:

"Os exegetas medievais [ ...] costumavam distinguir os sentidos de um texto em quatro níveis de interpretação: o literal, o alegórico, o moral e o anagógico. Esse sistema de níveis interpretativos procurava incorporar as Escrituras ao mundo cristão medieval, possibilitando que parte da tradição judaica fosse assimilada ao modo de ver o mundo da época. Uma operação similar é feita pela escola quando se apropria dos textos literários, sejam clássicos ou contemporâneos, para transformá-los em textos escolares, os quais são entendidos aqui [...] como os textos que são selecionados e didatizados em sala de aula. Neste caso, o texto literário é objeto de diferentes interpretações ou modos de leitura que buscam em última instância formar o leitor, seja no sentido mais estreito de treinar uma habilidade ou desenvolver uma competência, seja no sentido mais largo de dar acesso à cultura letrada.
Por conta desse objetivo maior − a formação do leitor −, a escolarização da literatura centra-se sobre o ato de ler. Dessa forma, não podemos tratar dos modos de ler literatura, sem antes passar por uma visão do processo da leitura."

COSSON, Rildo. Literatura: modos de ler na escola. In: XI SEMANA DE LETRAS. Anais da XI Semana de Letras. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2011. Disponível em: https://ebooks.pucrs.br/edipucrs/anais/XISemanaDeLetras/pdf/rildocoss on.pdf. Acesso em: 21 set. 2026. (Adaptado).

A respeito dos processos de leitura e formação de leitores, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)O processo de leitura envolve três momentos: a pré-leitura (antecipações, previsões e tudo que antecede e prepara o leitor para o contato com o texto); a leitura efetiva do texto (momento da decifração e compreensão da materialidade textual); e a interpretação (incorporação do que foi lido à vida, aquilo que o leitor faz com o que leu).
(__)O processo de leitura é cognitivo, ou seja, é realizado por um indivíduo, e social, porque depende de condições que estão fora do indivíduo, tanto no que se refere aos meios materiais, quanto aos discursos que informam a construção de sentidos em uma sociedade.
(__)O processo de leitura está centrado nos seguintes elementos: o texto, o autor, o leitor e o contexto, e ocorre a partir da interação desses elementos, podendo ser entendido como um diálogo, uma relação que se estabelece entre autor, leitor, texto e contexto.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4442792 Pedagogia
Em um tempo em que o universo digital ganha cada vez mais espaço no cotidiano e no qual estamos cada vez mais imersos, ao componente Língua Portuguesa cabe proporcionar aos estudantes experiências que contribuam para a ampliação dos letramentos, de forma a possibilitar a participação significativa e crítica nas diversas práticas sociais permeadas/constituídas pela oralidade, pela escrita e por outras linguagens. Cabe ainda ao componente ampliar e qualificar a participação dos estudantes nas práticas relativas ao trato com a informação e a opinião, especialmente no que se refere ao campo jornalístico/midiático. Tendo isso em vista e tomando seus conhecimentos prévios a respeito das orientações oficiais que regem o trabalho com o componente curricular Língua Portuguesa, espera-se que o(a) estudante, especialmente nos Anos Finais do Ensino Fundamental, desenvolva suas habilidades a fim de:

I.Diferenciar liberdade de expressão de discursos de ódio, posicionando-se contrariamente a esse tipo de discurso e vislumbrando possibilidades de denúncia quando for o caso.
II.Reconhecer que não há possibilidade de neutralidade absoluta no relato de fatos, identificando diferentes graus de parcialidade/imparcialidade dados pelo recorte feito e pelos efeitos de sentido advindos de escolhas feitas pelo autor, de forma a desenvolver uma atitude crítica frente aos textos jornalísticos e tornar-se consciente das escolhas feitas enquanto produtor de textos.
III.Analisar diferentes práticas (curtir, compartilhar, comentar, curar etc.) e textos pertencentes a diferentes gêneros da cultura digital (meme, gif, comentário, charge digital etc.) envolvidos no trato com a informação e opinião, de forma a possibilitar uma presença mais crítica e ética nas redes.
IV.Analisar o fenômeno da disseminação de notícias falsas nas redes sociais e desenvolver estratégias para reconhecê-las, a partir da verificação/avaliação do veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL, da análise da formatação, da comparação de diferentes fontes, da consulta a sites de curadoria que atestam a fidedignidade do relato dos fatos e denunciam boatos etc.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4442793 Pedagogia
Considerando o contexto da sala de aula, assinale a alternativa que indica corretamente um objetivo do estudo da oralidade no componente curricular Língua Portuguesa:
Alternativas
Q4442794 Pedagogia
O Currículo da Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Blumenau afirma que o "trabalho de reflexão e de análise linguística se assenta na busca pela compreensão de como se compõem os aspectos discursivos, gramaticais (lexicais, morfossintáticos), notacionais (grafofônicos e ortográficos), sociolinguísticos e semióticos em um texto-enunciado e de como cada um desses aspectos contribui para a construção dos sentidos presentes no discurso".

BLUMENAU (SC). Prefeitura Municipal. Secretaria Municipal de Educação. Currículo da Educação Básica do Sistema Municipal de Ensino de Blumenau. 1. ed. Blumenau: SEMED, 2021.

Nessa perspectiva, analise as afirmativas a seguir:

I.Esse trabalho deve se dar de modo contextualizado e significativo à aprendizagem do estudante, a partir de texto-enunciado concreto que circula nas diferentes esferas de atividade humana.
II.No que tange ao estilo, deve-se observar as escolhas lexicais, a variedade linguística empregada e a organização morfossintática no texto-enunciado.
III.Sendo a linguagem, o texto-discurso, o objeto de estudo da Língua Portuguesa, a concepção a ser adotada no trabalho de análise linguística é a das atividades metalinguísticas, cuja finalidade é analisar a linguagem para construir conceitos.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4442795 Português
A respeito do emprego da vírgula, associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando os exemplos destacados a suas respectivas justificativas:

Primeira coluna: exemplos

1.Velhos processos sociais e econômicos perduram com novos significados e novas práticas , e valores no nível macro e micro reconfiguram relações entre nações e entre indivíduos.
2.Só beberam água, que faz tanto bem à saúde , e, ao final da festa, um cafezinho.
3.Estava tão envolvida com o que acontecia no palco , e eu não menos, que apenas nos demos as mãos por duas horas. Não trocamos um único olhar. Estávamos hipnotizadas.

Segunda coluna: justificativas

(__)Aparece necessariamente uma vírgula antes e/ou depois da conjunção e na enumeração quando ali se coloca alguma intercalação. Nesse caso, a vírgula não tem relação direta com o e − ela está lá para fechar ou abrir o encaixe apenas.
(__)Emprega-se a vírgula para assinalar a interrupção de um seguimento natural de ideias e se intercalar um juízo de valor ou uma reflexão subsidiária.
(__)Quando duas orações interligadas por e têm sujeitos diferentes, a vírgula é comumente usada junto com a conjunção no intuito de prevenir o leitor contra ambiguidades; e deve realmente ser usada quando a primeira oração acaba com substantivo e o sujeito a seguir é também um substantivo, pois aí é que a leitura pode ficar truncada.

Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Alternativas
Q4442796 Português
Condições de produção são as características básicas do contexto interlocutivo acionadas pelos sujeitos, de forma consciente ou inconsciente, no decorrer do processo de elaboração do texto oral ou escrito. De forma geral, as condições às quais o produtor de textos precisa atender situam-se num determinado tempo, espaço e cultura, não são rígidas, variando de acordo com os contextos de produção e estão, em primeira instância, relacionadas aos seguintes aspectos:

I.Conteúdo temático e gênero textual próprio da situação de comunicação.
II.Interlocutor visado e objetivo a ser atingido.
III.Suporte em que o texto será veiculado e tom a ser dispensado ao texto (formal, informal, engraçado, irônico, carinhoso etc.).

É aspecto que compõe as condições de produção textual o que
Alternativas
Q4442797 Português
Tendo em consideração que a coerência textual é entendida como princípio de interpretabilidade de um texto, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q4442798 Pedagogia
Leia os excertos a seguir:

Segundo a BNCC, uma das competências específicas de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental é: "Envolver-se em práticas de leitura literária que possibilitem o desenvolvimento do senso estético para fruição, valorizando a literatura e outras manifestações artístico-culturais como formas de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e encantamento, reconhecendo o potencial transformador e humanizador da experiência com a literatura."

Fonte: BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018.

"Na sociedade contemporânea, é significativo o papel desempenhado pela literatura infantojuvenil na formação do leitor crítico. Contudo, cabe acentuarmos que nem sempre foi assim. Estreitamente vinculado ao público infantil, sua evolução acompanhou as mudanças na percepção sobre as infâncias. Se hoje a criança é reconhecida como protagonista e cidadã, com direitos e deveres expressos em lei, antes vivia no anonimato e no silêncio, à sombra dos adultos [...]. Desse modo, a literatura a ela destinada teve início de forma limitada e com função domesticadora. Os textos possuíam conteúdos didáticos, moralizantes e civilizatórios alinhados com os princípios, as ideologias e os modelos de comportamento da burguesia, os quais foram fixados como paradigmas a serem ensinados e reproduzidos passivamente pelas crianças [...]."

CAETANO, Janaína Oliveira; GOMES, Suzete Araujo Oliveira; CASTRO, Helena Carla. Da marginalização à centralidade: a importância da representatividade negra na literatura infantojuvenil. Práxis Educativa, Ponta Grossa. Disponível em: https://revistas2.uepg.br/index.php/praxiseducativa. Acesso em: 24 set. 2026. (Adaptado). 

De acordo com o Currículo da Educação Básica Municipal de Blumenau, as "temáticas sobre educação para relações étnico-raciais (ERER) e para sustentabilidade perpassarão por todos os anos de escolarização. Em relação ao trabalho com a ERER, sugerimos a exploração de livros literários de Literatura Indígena, Afro-brasileira e Africana" . A partir da leitura desses excertos e de seus conhecimentos prévios, analise as sentenças a seguir que tratam da literatura infantojuvenil no contexto da sala de aula:

I.O contato diário e não apenas esporádico, como nas datas comemorativas, com as histórias e as culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas ajuda a ampliar os modelos de referências positivas e de identidades das crianças e dos adolescentes no conhecimento da diversidade étnico-cultural de nosso país.
II.A literatura pode ser espaço de potência da representatividade, de olhar para o livro e se ver como é ou como se quer ser, se identificar com os autores e os personagens, descritos e ilustrados de forma positiva, conscientes de suas origens, sua história e sua cultura, por exemplo.
III.A literatura afro-brasileira, africana e indígena contribui, na perspectiva das relações étnico-raciais, apenas para a construção identitária de crianças e adolescentes negros e indígenas, uma vez que eles serão os únicos representados nas narrativas. Exclui-se dessa abordagem os(as) estudantes não negros ou não indígenas que têm pouco a aprender ao ler uma literatura específica.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4442799 Português
No processo de produção textual, a revisão e a reescrita constituem-se como importantes gestos que envolvem reflexões sobre o que se diz, como se diz, para quem se diz etc. Tendo isso como referência e mobilizando seus conhecimentos a respeito do processo de produção, revisão e reescrita de textos, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)A reescrita textual possui um papel de protagonismo no processo de produção textual, pois oportuniza o retorno do produtor do texto a seu texto e a formas pontuais de intervenção para melhorá-lo.
(__)A revisão e a reescrita correspondem ao momento de análise do que foi escrito, confirmando se os objetivos foram atingidos, se a concentração temática desejada foi contemplada, se há coerência e clareza no desenvolvimento das ideias, se há encadeamento entre os segmentos do texto, se há fidelidade às normas da sintaxe e da semântica e se foram respeitados aspectos da superfície do texto, como ortografia, pontuação e divisão entre parágrafos.
(__)São operações que podem ser efetuadas no processo de revisão e reescrita de texto: a adição, a supressão, a substituição e o deslocamento de acentos, sinais de pontuação, palavras, sintagmas, frases, ideias etc.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4442800 Ética na Administração Pública
Considere, para fins de simulação, que uma Secretaria de Educação prepare uma devolutiva à comunidade sobre uma consulta às famílias a respeito do atendimento nas unidades escolares. A avaliação global foi favorável, mas uma parcela menor dos participantes relatou dificuldades recorrentes que impedem o acesso a determinados serviços. Essas ocorrências foram confirmadas pela equipe, embora as causas e as responsabilidades envolvidas ainda estejam em apuração. A Secretaria publicará o relatório integral e uma síntese destinada à comunidade, ambos sem informações pessoais ou sigilosas. Na elaboração da síntese, será necessário selecionar informações e definir o destaque conferido aos diferentes resultados.

Ao encontro disso, considerando-se a ética no serviço público, assinale a alternativa que apresenta o critério ético adequado para orientar essa elaboração:
Alternativas
Q4442801 Gestão de Pessoas
Admita, para fins desta questão, que em uma unidade escolar, profissionais de diferentes funções reconheçam que há atrasos e retrabalho na troca de informações entre os turnos. Alguns atribuem as falhas à sobrecarga; outros, à falta de colaboração dos colegas. Embora as atribuições formais estejam definidas, as discussões passam a incluir julgamentos sobre o comprometimento das pessoas. Os envolvidos aceitam participar de uma mediação e apresentam propostas de ajuste, mas continuam divergindo sobre as causas do problema.

Considerando as relações humanas no trabalho do serviço público, assinale a alternativa que apresenta a orientação adequada para conduzir essa mediação:
Alternativas
Respostas
21: C
22: A
23: A
24: D
25: A
26: B
27: A
28: D
29: E
30: C
31: A
32: D
33: E
34: A
35: E
36: B
37: E
38: C
39: A
40: B