Questões de Concurso Sobre história da educação brasileira em pedagogia

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Q4361877 Pedagogia
What was the Manifesto of the Pioneers of New Education, published in Brazil in 1932?
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Q4358810 Pedagogia
Durante uma reunião pedagógica sobre o planejamento de História e Sociedade, certo grupo de professores discute as raízes da educação brasileira. Um dos docentes defende que o período da permanência da Corte Real no Brasil (1808-1821) não apenas modernizou o país, mas estabeleceu os alicerces de um sistema educativo voltado para o desenvolvimento científico e técnico, rompendo com o isolamento cultural da colônia através de instituições que moldaram a identidade nacional. Considerando os eventos históricos e as transformações educacionais ocorridas no período joanino, analise a seguinte afirmação: “A transferência da Corte para o Rio de Janeiro promoveu uma ruptura com o modelo exclusivamente colonial ao instituir estabelecimentos de ensino superior voltados às necessidades imediatas do Estado, como a formação médica e militar, além de democratizar o acesso ao conhecimento através da Imprensa Régia e da Biblioteca Real, eliminando as desigualdades educacionais entre a elite e a população local”. Nesse contexto, infere-se que a afirmativa é:
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Q4357946 Pedagogia
Leia o trecho do discurso de Anísio Teixeira, na inauguração do Centro Educacional Carneiro Ribeiro, em 1950. Desejamos dar, de novo, à escola primária, o seu dia letivo completo. Desejamos dar-lhe os seus cinco anos de curso. E desejamos dar-lhe seu programa completo de leitura, aritmética e escrita, e mais ciências físicas e sociais, e mais artes industriais, desenho, música, dança e educação física. Além disso, desejamos que a escola eduque, forme hábitos, forme atitudes, aspirações culturais, prepare, realmente, uma criança para a sua civilização. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v.31, n.73, 1959. p.78-84. Considerando a concepção de educação integral presente no modelo original do Centro Educacional Carneiro Ribeiro (Escola Parque) e sua relação com o Programa "Nossa Rede Educação Integral em Tempo Integral", instituído pelo Decreto nº 38.734/2024, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4356018 Pedagogia
O movimento da Escola Nova, difundido no Brasil a partir das primeiras décadas do século XX, buscou superar práticas pedagógicas consideradas “tradicionais”, valorizando novas formas de compreender o ensino, a aprendizagem e o papel da criança. No ensino de Artes, essas concepções também influenciaram as práticas educativas.
As afirmativas a seguir descrevem corretamente princípios e práticas associados ao escolanovismo, à exceção de uma. Assinale-a. 
Alternativas
Q4354425 Pedagogia

A Educação Especial no Brasil teve seus primeiros marcos durante o período imperial, com a criação de instituições destinadas ao atendimento educacional de pessoas com deficiência.


A primeira delas foi fundada em 1854, durante o governo de Dom Pedro II, representando um importante avanço para a educação das pessoas com deficiência.


Assinale a alternativa que identifica corretamente essa instituição.  

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Q4351256 Pedagogia
Ao longo da história, a educação infantil esteve marcada por diferentes concepções e formas de organização. Sobre a trajetória histórica da educação infantil, assinale a alternativa correta. 
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Q4348142 Pedagogia
Leia o trecho da reportagem a seguir.

"Segundo o Movimento Brasil Competitivo (MBC), [...] apenas 21,5% dos alunos do ensino médio estão matriculados em cursos técnicos ou profissionalizantes. [...] O mercado de trabalho mudou mais rapidamente do que a capacidade do país de formar profissionais com as competências demandadas pelas empresas."
MARTINS, André. Escassez de mão de obra qualificada custa R$ 335 bilhões ao Brasil, diz estudo. Exame, São Paulo, 18 de julho de 2026. Disponível em: https://exame.com/brasil/escassez-de-mao-de-obraqualificada-custa-r-335-bilhoes-ao-brasil-diz-estudo/. Acesso em: 27 jul. 2026.

O diagnóstico contemporâneo apresentado na reportagem pode ser relacionado à trajetória histórica da educação profissional brasileira, cuja organização no período imperial e institucionalização ao longo da República foram marcadas pela 
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Q4346655 Pedagogia
Sobre a influência do modelo de Walter Smith no ensino do desenho brasileiro entre o final do século XIX e o início do século XX, assinale a alternativa INCORRETA.
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Q4344859 Pedagogia
Sobre o contexto histórico da implantação da Educação Profissional no Brasil, é correto afirmar que 
Alternativas
Q4339103 Pedagogia
O texto I abaixo serve de base de análise para a questão.

TEXTO I

    Um certo Miguilim morava com sua mãe, seu pai e seus irmãos, longe, longe daqui, muito depois da Vereda-do-Frangod'Água e de outras veredas sem nome ou pouco conhecidas, em ponto remoto, no Mutum. No meio dos Campos Gerais, mas num covoão em trecho de matas, terra preta, pé de serra. Miguilim tinha oito anos. Quando completara sete, havia saído dali, pela primeira vez: o Tio Terêz levou-o a cavalo, à frente da sela, para ser crismado no Sucuriju, por onde o bispo passava. Da viagem, que durou dias, ele guardara aturdidas lembranças, embaraçadas em sua cabecinha. De uma, nunca pôde se esquecer: alguém, que já estivera no Mutum, tinha dito: "É um lugar bonito, entre morro e morro, com muita pedreira e muito mato, distante de qualquer parte; e lá chove sempre..."
    Mas sua mãe, que era linda e com cabelos pretos e compridos, se doía de tristeza de ter de viver ali. Queixava-se, principalmente nos demorados meses chuvosos, quando carregava o tempo, tudo tão sozinho, tão escuro, o ar ali era mais escuro; ou, mesmo na estiagem, qualquer dia, de tardinha, na hora do sol entrar. — "Oê, ah, o triste recanto..." — ela exclamava. Mesmo assim, enquanto esteve fora, só com o tio Terêz, Miguilim padeceu tanta saudade, de todos e de tudo, que às vezes nem conseguia chorar, e ficava sufocado.
    Quando voltou para casa, seu maior pensamento era que tinha a boa notícia para dar à mãe: o que o homem tinha falado — que o Mutum era lugar bonito... A mãe, quando ouvisse essa certeza, havia de se alegrar, ficava consolada. Era um presente; e a ideia de poder trazê-lo desse jeito de cor, como uma salvação, deixava-o febril até nas pernas. Tão grave, grande, que nem o quis dizer à mãe na presença dos outros, mas insofria por ter de esperar; e, assim que pôde estar com ela só, abraçou-se a seu pescoço e contou-lhe, estremecido, aquela revelação. A mãe não lhe deu valor nenhum, mas mirou triste e apontou o morro; dizia:
    — Estou sempre pensando que lá por detrás dele acontecem outras coisas, que o morro está tapando de mim, e que eu nunca hei de poder ver...
    Era a primeira vez que a mãe falava com ele um assunto todo sério. No fundo de seu coração, ele não podia, porém, concordar, por mais que gostasse dela: e achava que o moço que tinha falado aquilo era que estava com a razão. [...]
    De repente lá vinha um homem a cavalo. Eram dois. Um senhor de fora, o claro da roupa. Miguilim saudou, pedindo a bênção. O homem trouxe o cavalo cá bem junto. Ele era de óculos, corado, alto, com um chapéu diferente, mesmo.
     — Deus te abençoe, pequenino. Como é teu nome?
     — Miguilim. Eu sou irmão do Dito.
     — E seu irmão Dito é o dono daqui?
    — Não, meu senhor. O Ditinho está em glória. O homem esbarrava o avanço do cavalo, que era zelado, manteúdo, formoso como nenhum outro. Redizia:
    — Ah, não sabia, não. Deus o tenha em sua guarda... Mas, que é que há, Miguilim?
    Miguilim queria ver se o homem estava mesmo sorrindo para ele, por isso é que o encarava.
    — Por que você aperta os olhos assim? Você não é limpo de vista? Vamos até lá. Quem é que está em tua casa?
    — É Mãe, e os meninos...
    Estava Mãe, estava Tio Terêz, estavam todos. O senhor alto e claro se apeou. O outro, que vinha com ele, era um camarada.
    O senhor perguntava à Mãe muitas coisas do Miguilim. Depois perguntava a ele mesmo:
   — Miguilim, espia daí: quantos dedos da minha mão você está enxergando? E agora?
    Miguilim espremia os olhos. Drelina e a Chica riam. Tomezinho tinha ido se esconder.
    — Este nosso rapazinho tem a vista curta. Espera aí, Miguilim...
    E o senhor tirava os óculos e punha-os em Miguilim, com todo o jeito.
    — Olha, agora!
    Miguilim olhou. Nem não podia acreditar! Tudo era uma claridade, tudo novo e lindo e diferente, as coisas, as árvores, as caras das pessoas. Via os grãozinhos de areia, a pele da terra, as pedrinhas menores, as formiguinhas passeando no chão de uma distância. E tonteava. Aqui, ali, meu Deus, tanta coisa, tudo... O senhor tinha retirado dele os óculos, e Miguilim ainda apontava, falava, contava tudo como era, como tinha visto. Mãe esteve assim assustada; mas o senhor dizia que aquilo era do modo mesmo, só que Miguilim também carecia de usar óculos, dali por diante. O senhor bebia café com eles. Era o doutor José Lourenço, do Curvelo. Tudo podia. Coração de Miguilim batia descompasso, ele careceu de ir lá dentro, contar à Rosa, à Maria Pretinha, a Mãitina. A Chica veio correndo atrás, mexeu:
    — Miguilim, você é piticego... E ele respondeu:
  — Donazinha... Quando voltou, o doutor José Lourenço já tinha ido embora. [...]
    Miguilim não sabia. Todos eram maiores do que ele, as coisas reviravam sempre dum modo tão diferente, eram grandes demais.
    — Pra onde ele foi?
    — A foi p´ra a Vereda do Tipã, onde os caçadores estão. Mas amanhã ele volta, de manhã, antes de ir s´embora para a cidade. Disse que, você querendo. Miguilim, ele junto te leva... O doutor era homem muito bom, levava o Miguilim, lá ele comprava uns óculos pequenos, entrava para a escola, depois aprendia ofício. Você mesmo quer ir?
    Miguilim não sabia. Fazia peso para não soluçar. Sua alma, até ao fundo, se esfriava. Mas Mãe disse:
     — Vai, meu filho. É a luz dos teus olhos, que só Deus teve poder para te dar. Vai. Fim do ano, a gente puder, faz a viagem também. Um dia todos se encontram...
    E Mãe foi arrumar a roupinha dele. A Rosa matava galinha, para pôr na capanga, com farofa. Miguilim ia no cavalo Diamante — depois era vendido lá na cidade, o dinheiro ficava pra ele.
    — Mãe, é o mar? Ou é para a banda do Pau-Roxo, Mãe? É muito longe?
   — Mais longe é, meu filhinho. Mas é do lado do Pau-Roxo não. É o contrário... A Mãe suspirava suave.
    — Mãe, mas por que é, então, para que é, que aconteceu tudo?!
   — Miguilim, me abraça, meu filhinho, que eu tenho tanto amor... [...] O doutor chegou. 
    — Miguilim, você está aprontado? Está animoso? Miguilim abraçava todos, um por um, dizia adeus até aos cachorros, ao Papaco-o-Paco, ao gato Sossõe que lambia as mãozinhas se asseando. Beijou a mão da mãe do Grivo.
     — Dá lembrança a seo Aristeu... Dá lembrança a seo Deográcias... Estava abraçado com Mãe. Podiam sair. Mas, então, de repente, Miguilim parou em frente do doutor. Todo tremia, quase sem coragem de dizer o que tinha vontade. Por fim, disse. Pediu. O doutor entendeu e achou graça. Tirou os óculos, pôs na cara de Miguilim. E Miguilim olhou para todos, com tanta força. Saiu lá fora. Olhou os matos escuros de cima do morro, aqui a casa, a cerca de feijão-bravo e são-caetano; o céu, o curral, o quintal; os olhos redondos e os vidros altos da manhã. Olhou, mais longe, o gado pastando perto do brejo, florido de são-josés, como um algodão. O verde dos buritis, na primeira vereda. O Mutum era bonito! Agora ele sabia. Olhou Mãitina, que gostava de o ver de óculos, batia palmas-de-mão e gritava:
   — Cena, Corinta!... Olhou o redondo de pedrinhas, debaixo do jenipapeiro. Olhava mais era para Mãe. Drelina era bonita, a Chica, Tomezinho. Sorriu para Tio Terêz:
    — Tio Terêz, o senhor parece com o Pai... Todos choravam. O doutor limpou a goela, disse:
    — Não sei, quando eu tiro esses óculos, tão fortes, até meus olhos se enchem d´água...
     Miguilim entregou a ele os óculos outra vez. Um soluçozinho veio. Sempre alegre, Miguilim... Sempre alegre, Miguilim... Nem sabia o que era alegria e tristeza. Mãe o beijava. A Rosa punhalhe doces-de-leite nas algibeiras, para a viagem. Papaco-oPaco falava, alto, falava.

ROSA, Guimarães. Campo Geral. Adaptado.
Leia o texto abaixo antes de responder ao que se pede:
Transporte escolar para alunos do campo é lei
Sim, o transporte escolar para alunos do campo é uma lei no Brasil. O Programa Nacional de Apoio ao Transporte Escolar (PNATE) e o programa Caminho da Escola são exemplos de políticas públicas que garantem o transporte escolar para alunos da educação básica pública residentes em áreas rurais. Essas políticas visam assegurar o acesso à educação e reduzir a evasão escolar, especialmente em comunidades que possuem dificuldades de locomoção.
Fonte: www.gov.br
A partir da comparação entre os fatos expostos sobre o personagem Miguilim no texto I e a obrigatoriedade de políticas públicas voltadas para a oferta de transporte escolar rural, é correto afirmar, levando-se em consideração a História da Educação no Brasil que, no início do século XX:
Alternativas
Q4335430 Pedagogia
Ao estudar a história da educação brasileira, Pletsch (2020) demonstra que é possível perceber diferentes concepções de educação especial. Dentre elas, a pesquisadora destaca a perspectiva da educação inclusiva calcada nos princípios dos direitos humanos, segundo a qual os sujeitos com deficiência devem ter acesso à educação, participar das atividades educativas e aprender de modo significativo. Nessa perspectiva, a inclusão implica a combinação de três elementos, que são:
Alternativas
Q4333202 Pedagogia
Ao longo da História da Educação Brasileira, nos anos 1980, em meio ao contexto político brasileiro de luta pela democracia, tornou-se fundamental enfatizar que uma educação emancipatória não pode se apoiar em formas autoritárias e centralizadoras de gestão. Portanto, entendese que:
Alternativas
Q4333196 Pedagogia
O texto abaixo serve de base para a análise da questão.

    “Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta.” Bastante experimentei depois a verdade deste aviso, que me despia, num gesto, das ilusões de criança educada exoticamente na estufa de carinho que é o regime do amor doméstico, diferente do que se encontra fora, tão diferente, que parece o poema dos cuidados maternos um artifício sentimental, com a vantagem única de fazer mais sensível a criatura à impressão rude do primeiro ensinamento, têmpera brusca da vitalidade na influência de um novo clima rigoroso. Lembramo-nos, entretanto, com saudade hipócrita, dos felizes tempos; como se a mesma incerteza de hoje, sob outro aspecto, não nos houvesse perseguido outrora e não viesse de longe a enfiada das decepções que nos ultrajam. [...] Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos anúncios. O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de pedagogo. [...]
    Começava a anoitecer, quando o colégio formou ao toque de recolher. Desfilaram aclamados, entre alas de povo, e se foram do campo, cantando alegremente uma canção escolar. À noite houve baile nos três salões inferiores do lance principal do edifício e iluminação no jardim. Na ocasião em que me ia embora, estavam acendendo luzes variadas de Bengala diante da casa. O Ateneu, quarenta janelas, resplendentes do gás interior, dava-se ares de encantamento com a iluminação de fora. Erigia-se na escuridão da noite, como imensa muralha de coral flamante, como um cenário animado de safira com horripilações errantes de sombra, como um castelo fantasma batido de luar verde emprestado à selva intensa dos romances cavalheirescos, despertado um momento da legenda morta para uma entrevista de espectros e recordações. Um jacto de luz elétrica, derivado de foco invisível, feria a inscrição dourada ATHENÆUM em arco sobre as janelas centrais, no alto do prédio. A uma delas, à sacada, Aristarco mostrava-se.
    Na expressão olímpica do semblante transpirava a beatitude de um gozo superior. Gozava a sensação prévia, no banho luminoso, da imortalidade a que se julgava consagrado. Devia ser assim: — luz benigna e fria, sobre bustos eternos, o ambiente glorioso do Panteão. A contemplação da posteridade embaixo. Aristarco tinha momentos destes, sinceros. O anúncio confundia-se com ele, suprimia-o, substituía-o, e ele gozava como um cartaz que experimentasse o entusiasmo de ser vermelho. Naquele momento, não era simplesmente a alma do seu instituto, era a própria feição palpável, a síntese grosseira do título, o rosto, a testada, o prestígio material de seu colégio, idêntico com as letras que luziam em auréola sobre a cabeça. As letras, de ouro; ele, imortal: única diferença. Guardei, na imaginação infantil, a gravura desta apoteose com o atordoamento ofuscado, mais ou menos de um sujeito partindo à meia noite de qualquer teatro, onde, em mágica beata, Deus Padre pessoalmente se houvesse prestado a concorrer para a grandeza do último quadro. [...]
    Avaliem o prazer que tive, quando me disse meu pai que eu ia ser apresentado ao diretor do Ateneu e à matrícula. O movimento não era mais a vaidade, antes o legítimo instinto da responsabilidade altiva; era uma consequência apaixonada da sedução do espetáculo, o arroubo de solidariedade que me parecia prender à comunhão fraternal da escola. Honrado engano, esse ardor franco por uma empresa ideal de energia e de dedicação premeditada confusamente, no cálculo pobre de uma experiência de dez anos. O diretor recebeu-nos em sua residência, com manifestações ultra de afeto. Fez-se cativante, paternal; abriu-nos amostras dos melhores padrões do seu espírito, evidenciou as faturas do seu coração. [...]
    Verdade é que não era fácil reconhecer ali, tangível e em carne, uma entidade outrora da mitologia das minhas primeiras concepções antropomórficas; logo após Nosso Senhor, o qual eu imaginara velho, feíssimo, barbudo, impertinente, corcunda, ralhando por trovões, carbonizando meninos com o corisco. [...] Eu aprendera a ler pelos livros elementares de Aristarco, e o supunha velho como o primeiro, porém rapado, de cara chupada, pedagógica, óculos apocalípticos, carapuça negra de borla, fanhoso, onipotente e mau, com uma das mãos para trás escondendo a palmatória e doutrinando à humanidade o bê-ábá. As impressões recentes derrogavam o meu Aristarco; mas a hipérbole essencial do primitivo transmitia-se ao sucessor por um mistério de hereditariedade renitente. Dava-me gosto então a peleja renhida das duas imagens e aquela complicação imediata do paletó de seda e do sapato raso, fazendo aliança com Aristarco II contra Aristarco I, no reino da fantasia. Nisto afagaram-me a cabeça. Era Ele! Estremeci. “Como se chama o amiguinho?” perguntou-me o diretor.
— Sérgio... dei o nome todo, baixando os olhos e sem esquecer o “seu criado” da estrita cortesia.
— Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos... Eu tinha ainda os cabelos compridos, por um capricho amoroso de minha mãe. O conselho era visivelmente salgado de censura. O diretor, explicando a meu pai, acrescentou com o risinho nasal que sabia fazer: “Sim, senhor, os meninos bonitos não provam bem no meu colégio...”
— Peço licença para defender os meninos bonitos... objetou alguém entrando.
    Surpreendendo-nos com esta frase, untuosamente escoada por um sorriso, chegou a senhora do diretor, D. Ema. Bela mulher em plena prosperidade dos trinta anos de Balzac, formas alongadas por graciosa magreza, erigindo, porém, o tronco sobre quadris amplos, fortes como a maternidade; olhos negros, pupilas retintas, de uma cor só, que pareciam encher o talho folgado das pálpebras; [...] Esta aparição maravilhou-me.

POMPÉIA, Raul. O Ateneu. Fonte: https://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ua000289.pdf. Adaptado.
Ao mesmo tempo que se mostra um romance de grande relevância da Literatura brasileira, pertencente ao estilo do Realismo-Naturalismo, “O Ateneu”, de Raul Pompéia, figura como registro histórico de um período da Educação que, em oposição ao contexto atual, referente às leis e prerrogativas vigentes, ilustra bem uma concepção temporal de como este setor era concebido pela sociedade daquela época. Com isso, pode-se afirmar que o enredo apresentado na obra exemplifica, na História da Educação do Brasil, o fato de que:
Alternativas
Q4331403 Pedagogia
A respeito dos marcos e inflexões da história da educação brasileira, especialmente entre o século XX e a Constituição de 1988, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4331402 Pedagogia
Ao se examinar a trajetória histórica da educação brasileira, verifica-se que determinadas reformas, embora apresentadas como instrumentos de modernização do ensino, atenderam também a interesses políticos, econômicos e sociais específicos de cada período. Nesse sentido, assinale a alternativa que melhor traduz uma interpretação historicamente consistente sobre a evolução da educação no Brasil.
Alternativas
Q4331372 Pedagogia
Anísio Teixeira, desde os anos trinta, já articulava pontos como sendo indispensáveis para a reconstrução educacional como um meio da reconstrução da nação. Assinale a alternativa que aborda o principal motivo do educador defender as escolas normais.
Alternativas
Q4316001 Pedagogia
Ao longo da história da educação brasileira, diferentes projetos educacionais expressaram concepções distintas acerca do papel do Estado, da escola e da formação do cidadão. Na década de 1930, o debate educacional ganhou destaque com a publicação do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (1932) e, posteriormente, com a consolidação das políticas educacionais implementadas durante o Estado Novo (1937-1945). Embora ambos atribuíssem relevância estratégica à educação para o desenvolvimento do país, fundamentavam-se em pressupostos distintos quanto à organização do ensino e às finalidades da ação educativa. Considerando esse contexto histórico, analise as afirmativas a seguir.

I. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova defendia a educação pública, gratuita, laica, obrigatória e organizada como responsabilidade do Estado, compreendendo a escola como instrumento de democratização da sociedade.
II. As políticas educacionais do Estado Novo caracterizaram-se pelo fortalecimento da centralização administrativa do ensino e pela utilização da educação como instrumento de integração nacional e de formação da identidade cívica.
III. Apesar das diferenças de orientação política, tanto o Manifesto dos Pioneiros quanto as políticas educacionais do Estado Novo defendiam a ampliação da autonomia administrativa dos sistemas estaduais como princípio estruturante da organização da educação nacional.
IV. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova atribuía à educação função social ampla e propunha reformas estruturais do sistema de ensino; as políticas do Estado Novo incorporaram objetivos relacionados à formação de quadros técnicos e administrativos necessários ao projeto de modernização conduzido pelo Estado.

Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4306593 Pedagogia
A análise histórica apresentada por Cabral, Mota e Gomes (2022) evidencia que a construção da educação inclusiva no Brasil não ocorreu de forma linear, estando relacionada às transformações sociais, políticas e legais que modificaram a compreensão acerca da participação das pessoas com deficiência na educação. Considerando as discussões apresentadas no artigo e os marcos legais da educação inclusiva no Brasil, analise as assertivas a seguir:

I. O paradigma da integração apresentou um avanço em relação à exclusão e à segregação, mas ainda atribuía predominantemente à pessoa com deficiência a necessidade de adaptar-se às condições oferecidas pela instituição escolar, diferentemente da perspectiva inclusiva.
II. A perspectiva inclusiva defendida no artigo pressupõe que a presença do estudante com deficiência na escola regular seja suficiente para caracterizar a inclusão, uma vez que a matrícula em classe comum constitui o principal indicador de superação das práticas segregadoras.
III. A trajetória histórica apresentada pelos autores permite compreender que a consolidação de direitos educacionais das pessoas com deficiência eliminou as principais barreiras à inclusão, de modo que os desafios atuais se concentram predominantemente na efetivação da matrícula e não mais na transformação das práticas e estruturas institucionais.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q4306528 Pedagogia
A constituição das identidades do matemático profissional e do educador matemático está relacionada a diferentes contextos históricos e sociais. Nessa perspectiva, categorias profissionais não devem ser tomadas como universais e imutáveis, mas compreendidas a partir de práticas e condições que possibilitaram sua constituição. Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os conceitos às respectivas caracterizações.

Coluna 1

1. Matemático profissional.
2. Educador matemático.
3. Historicidade das identidades profissionais.
4. Profissionalização da atividade matemática. 

Coluna 2

( ) Implica reconhecer que os critérios utilizados para caracterizar determinada atuação profissional são construídos socialmente e podem se modificar ao longo do tempo.
( ) Em sua configuração contemporânea, tem sua identidade fortemente associada à atividade de pesquisa e à produção de resultados matemáticos.
( ) Não pode ser caracterizado simplesmente pela negação da identidade do matemático profissional, constituindo-se a partir de práticas e referências próprias relacionadas à Educação Matemática.
( ) Teve, historicamente, entre seus elementos constitutivos, a atividade de ensinar Matemática, especialmente no processo de consolidação dessa atividade profissional na Europa.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4306526 Pedagogia
A respeito dos objetivos e das contribuições da História da Educação Matemática, analise as assertivas a seguir:

I. A História da Educação Matemática investiga mudanças e permanências nas práticas de ensino e aprendizagem da Matemática ao longo do tempo.
II. O estudo histórico da Educação Matemática limita-se à identificação cronológica de reformas curriculares, métodos de ensino e materiais didáticos utilizados em diferentes períodos.
III. A investigação das formas pelas quais diferentes comunidades produziram, utilizaram e compartilharam conhecimentos matemáticos integra o campo de interesse da História da Educação Matemática.
IV. O conhecimento das práticas educacionais do passado pode oferecer elementos para compreender e problematizar práticas do presente, sem pressupor que soluções adotadas em outros contextos históricos possam ser simplesmente reproduzidas na atualidade.

Quais estão corretas?
Alternativas
Respostas
1: D
2: D
3: E
4: D
5: A
6: A
7: C
8: D
9: A
10: A
11: B
12: E
13: C
14: E
15: A
16: B
17: D
18: A
19: B
20: C