Questões de Concurso
Sobre currículo (teoria e prática) em pedagogia
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O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, é mencionado como um lugar fundado com o objetivo de oferecer uma educação diferenciada e moderna à elite carioca e foi uma das escolas pioneiras a introduzir a Educação Física no currículo.
No século XIX, o seu currículo era diferenciado do das demais escolas brasileiras da época porque incluía a música, o desenho e
As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER) (CNE/CP 01/2004) destacam que a escola deve assumir um posicionamento político-pedagógico de enfrentamento ao racismo, revisando práticas, conteúdos e materiais didáticos à luz da história e da cultura afro-brasileira e africana.
Considerando esses princípios, uma prática pedagógica coerente com a ERER é aquela que
Na BNCC, define-se competência como “[...] a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho” (Brasil, 2017, p.8) e delimitam-se tanto competências gerais da educação básica quanto específicas por componente curricular. No que diz respeito às competências específicas da Educação Física para o ensino fundamental, analise as afirmações a seguir:
I. Compreender a origem da cultura corporal de movimento e seus vínculos com a organização da vida coletiva e individual.
II. Interpretar e recriar os valores, os sentidos e os significados atribuídos às diferentes práticas corporais, bem como aos sujeitos que delas participam.
III. Reconhecer as práticas corporais como elementos constitutivos da identidade cultural dos povos e grupos.
É CORRETO o que se afirma em
Os jogos e brincadeiras como conteúdos da Educação Física escolar expressam um fenômeno cultural com conhecimentos próprios e que integram o acervo de manifestações das práticas corporais, necessárias para que os estudantes se apropriem em seu percurso formativo da Educação Básica. Diferencia-se do jogo usado como estratégia de ensino.
Nesse contexto, assinale a alternativa CORRETA.
I. Para que a inclusão não seja apenas um ideal retórico, ou ainda, mascarada pela participação só em algumas partes da aula, um professor de Educação Física, por exemplo, deve se preocupar com as adaptações necessárias para que nas aulas do conteúdo dança um estudante surdo tenha garantido o seu direito de se apropriar, também, por meio da experimentação corporal do que está sendo abordado. II. Uma possibilidade de prática pedagógica inclusiva nas aulas de Educação Física é reconhecida quando o professor, ao tratar de jogos e brincadeiras, insere o uso de vários pedaços de corda,como elo entre os estudantes durante a brincadeira de pega-corrente, e a indicação de estourar um balão junto ao pé do colega como forma de “pega” para que não haja toque físico, pois há na turma um estudante com TEA que é pouco tolerante ao toque físico. III. Na realidade do ensino da Educação Física escolar no nordeste brasileiro, e em especial, nas cidades do estado de Pernambuco, a questão da inclusão é destacada como resolvida, uma vez que as escolas públicas e privadas se empenharam e solucionaram questões de infraestrutura e, com isso, a acessibilidade dos estudantes foi garantida.
É CORRETO o que se afirma em:
“Contudo, ainda que o planejamento pressuponha algumas questões comuns, como por exemplo, a intencionalidade, a deliberação, a articulação de um conjunto de elementos e a ação coordenada de determinados agentes, tendo em vista os fins a atingir, ele não se faz sempre da mesma forma, assume características únicas em cada época e em cada sociedade em função do acúmulo das experiências, conhecimentos, habilidades humanas e também dos desafios a enfrentar. Assim, também ocorre com o planejamento educacional, que é indispensável ao adequado desenvolvimento das atividades educativas. Todavia, para que seja relevante, pressupõe-se que seja exequível, que parta da realidade concreta e das condições objetivas”
(Orso, 2015, p. 265-266).
Com relação ao processo de planejamento das aulas de Educação Física escolar, analise as afirmações a seguir:
I. O plano de aula, para parte prática, não deve ser o mesmo para todos os anos de escolarização, pois é necessário complexificar o conhecimento ofertado aos estudantes. Mas para parte teórica pode ser igual, já que deve tratar apenas história da dança, esporte e luta.
II. No processo de planejamento de ensino das práticas corporais, é necessário estabelecer relação coerente entre o que trazem os documentos curriculares, o nível de desenvolvimento dos alunos, a realidade histórica e social e as condições materiais para realização das aulas.
III. O planejamento é um guia para o trabalho de ensino do professor. Durante o processo de implementação, é possível fazer ajustes com vistas ao atendimento de dificuldades ou avanço dos estudantes frente ao conteúdo danças urbanas, por exemplo.
IV. O processo de planejamento, quer do ensino para o ano letivo, quer para unidades didáticas ou ainda de cada aula na Educação Física escolar deve respeitar as questões culturais, de identidade, de gênero não perpetuando estereótipos ou outras formas de preconceitos.
Estão CORRETAS:
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta o ensino de História na Educação Básica ao propor mudanças nos conteúdos, nas abordagens e nas competências a serem desenvolvidas pelos estudantes.
Considerando as diretrizes da BNCC para o ensino de História, assinale a alternativa CORRETA.
No que se refere à educação para as relações étnico-raciais, Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva enfatiza que
“Para obter êxito, a escola e seus professores não podem improvisar. Têm que desfazer mentalidade racista e discriminadora secular, superando o etnocentrismo europeu, reestruturando relações étnico-raciais e sociais, desalienando processos pedagógicos. Isto não pode ficar reduzido a palavras e a raciocínios desvinculados da experiência de ser inferiorizados vivida pelos negros, tampouco das baixas classificações que lhe são atribuídas nas escalas de desigualdades sociais, econômicas, educativas e políticas.”
Fonte: BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Conselho Pleno. Parecer CNE/CP n. 3, de 10 de março de 2004. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Relatora: Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva. Brasília, 2004. p. 15–16.
Considerando os fundamentos teóricos e legais em torno de uma Educação para as relações étnico raciais, sobretudo as Leis n.º 10.639/03 e n.º 11.645/08, avalie as afirmações a seguir:
I. A efetivação da lei exige uma mudança de perspectiva curricular que desloque os povos negros e indígenas do lugar de objetos de estudo, frequentemente associados apenas à escravidão e ao folclore, para a posição de sujeitos produtores de ciência, tecnologia, arte e política.
II. Por se tratar de uma política de ação afirmativa, o foco pedagógico da legislação recai primordialmente sobre o fortalecimento da autoestima dos estudantes negros e indígenas, dispensando alterações estruturais na formação dos estudantes brancos, cuja identidade cultural já se encontra representada no currículo hegemônico.
III. A transversalidade proposta pelas diretrizes implica que a temática racial deve perpassar o cotidiano escolar e os diferentes componentes curriculares, superando a prática de reservar o debate exclusivamente para datas cívicas ou para as disciplinas de Humanidades.
IV. A abordagem pedagógica das relações étnico-raciais deve privilegiar a busca pelo consenso e pela harmonia social, evitando, sempre que possível, a discussão de conflitos e tensões históricas em sala de aula, a fim de não estimular a polarização entre os grupos de estudantes.
É CORRETO o que se afirma em
"O currículo não se encerra na dimensão planejada ou prescritiva. Não se limita à concretização do planejamento. Ele é diretamente afetado pelas reações e iniciativas dos alunos, o que exige por parte do professor um trabalho de improviso em sala de aula [...]. As atividades, o trabalho escolar dos alunos escapa parcialmente ao seu controle, porque, no seu percurso didático, nem tudo é escolhido de forma perfeitamente consciente e, sobretudo, porque as resistências dos alunos e as eventualidades da prática pedagógica [...] fazem com que as atividades nunca se desenrolem exatamente como previsto."
(PERRENOUD, P. Ofício de aluno e sentido do trabalho escolar. Porto: Porto Editora, 1995. Adaptado).
O texto de Perrenoud descreve a tensão dialética entre o ideal planejado e a prática cotidiana. Na teoria curricular, a dimensão descrita, que se concretiza na interação professor-aluno, representando a transposição didática do planejamento, as adaptações práticas e o fazer pedagógico efetivo em sala de aula, é denominada
I. As escolas devem perguntar: “Este currículo é um meio para que os alunos possam adquirir conhecimento poderoso?”. Para crianças de lares desfavorecidos, a participação ativa na escola pode ser a única oportunidade de adquirirem conhecimento poderoso e serem capazes de caminhar, ao menos intelectualmente, para além de suas circunstâncias locais e particulares. Não há nenhuma utilidade para os alunos em se construir um currículo em torno da sua experiência, para que este currículo possa ser validado e, como resultado, deixá-los sempre na mesma condição.
Fonte: YOUNG, Michael, F. D. “Para que servem as escolas?”, Educação & Sociedade, v. 28, n. 101, 2007, p. 1297.
II. Deve-se considerar as necessidades dos estudantes como uma importante fonte para a definição de objetivos educacionais. O ambiente cotidiano dos jovens fornece parte significativa do desenvolvimento educacional do estudante. Não é necessário que a escola duplique experiências educacionais já adequadamente proporcionadas fora dela. Os esforços da escola devem concentrarse nas lacunas mais graves do desenvolvimento atual dos estudantes. Assim, estudos que identifiquem essas lacunas, essas necessidades educacionais, são estudos necessários para fornecer uma base para a seleção dos objetivos que devem receber ênfase prioritária no programa escolar.
Adaptado de TYLER, Ralph. Basic Principles of Curriculum and Instruction. Chicago: The University of Chicago Press, 1949, p. 8.
Assinale a opção que apresenta corretamente a interpretação dos dois trechos sobre a formulação de currículos.
I. Nas Linguagens e suas Tecnologias, a análise dos elementos que compõem os enunciados ocorre por meio do reconhecimento das diferentes semioses e de sua articulação na construção de significados.
II. Na Matemática e suas Tecnologias, a aprendizagem ocorre por meio de validações coletivas e do uso de diferentes representações, o que permite ao estudante compreender seu raciocínio e articulá-lo ao justificar conceitos e soluções.
III. Nas Ciências da Natureza e suas Tecnologias, o desenvolvimento do pensamento científico envolve aprendizagens específicas voltadas à aplicação em diferentes contextos, reforçando a dicotomia entre natureza e sociedade.
IV. Nas Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, o aprofundamento do conhecimento foca na assimilação de conteúdos e informações consolidadas e confiáveis sobre fatos, apresentadas como verdades históricas incontroversas.
Estão corretos os itens
Na construção da realidade, o “todo” é muito mais do que a soma das partes; para interpretar uma esfera da realidade, se legitimam algumas formas de saber, alguns conhecimentos, alguns indivíduos, enquanto se excluem outros; e que, se pretendemos compreender um fenômeno, não podemos fazer isto a partir de uma só disciplina ou de um único ponto de vista. Ou seja, a realidade “é” e se constitui em relação ao sistema desde o qual se define, e a visão que oferecem os diferentes sistemas ou saberes organizados, denominados desde o século XVII no Ocidente como disciplinas, não é homogênea e única ao longo do tempo, e sim está repleta de contradições, rupturas e múltiplas revisões. A pesquisa na ação, a consideração dos professores como pesquisadores e intelectuais críticos e a noção do currículo baseada nas escolas podem contribuir para a melhoria da qualidade do ensino, o desenvolvimento de um processo democrático, solidário e emancipador da educação escolar, além de possibilitar uma reconsideração da importância da função docente como mediadora de culturas e facilitadora de estratégias de interpretação dos fenômenos objeto de pesquisa por parte dos alunos e de seus professores.
Adaptado de HERNÀNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998, p. 16.
Com base na leitura do trecho, assinale a alternativa que apresenta corretamente a perspectiva de currículo proposta pelo autor.