Questões de Concurso Sobre sintaxe em português

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Q4228816 Português
A natureza do homem – Um Demônio?

- Anjo e demônio, o Homem vive a epopeia de uma cultura assombrosa. Faz poesia, música, monumentos, máquinas, computadores, veículos espaciais. Descobre o âmago da matéria, explode o átomo, formula teorias, códigos e religiões. Multiplica-se agora até os quatro bilhões e meio. Ocupa ansiosamente toda a Terra. Um Anjo, então?

- Anjo e demônio, feliz e desgraçado, rico e paupérrimo, o Homem ameaça hoje a estabilidade de seu planeta, põe em risco sua própria sobrevivência. Por milênios, ele tem ignorado as condições de manutenção da vida em seu mundo. Embora lute duramente pela liberdade, ainda não soube construir uma sociedade realmente livre. Edifica uma portentosa civilização, mas corre o risco de destruí-la em alguns minutos. Ou em alguns decênios, pela impiedosa devastação da Natureza.

Contudo, qual é a verdadeira face do Homem?

- Animal contraditório, o Homem pesquisa vacinas durante anos e depois fabrica armas que matam milhões num segundo. Média entre São Francisco e Hitler, ele cria um inferno para cada milagre de sua inteligência. É capaz de amar ardentemente tanto quanto odiar até o extermínio de raças e povos irmãos. No ápice de uma evolução de bilhões de anos, ele age como se não dependesse mais da Natureza.

Mas o Homem é feliz?

- No coração e na mente do Homem, Deus se torna abstrato e distante, separado do mundo real, refúgio desesperado de sua desgraça.

Mas, afinal, esse é o Homem?

- Esse é o Homem que habita essa esfera azul que gira lentamente sob nossos olhos. Veja: é um frágil planeta. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso, não acha? É uma pena que todos os Homens não possam ver sua Terra daqui. E pensar na sinfonia grandiosa que já existe, no mar, nas florestas, nas montanhas, nos campos, numa pequena lagoa, no voo de um pássaro, no canto da baleia, nas cores de uma borboleta, na interdependência de milhões de espécies de seres microscópicos e gigantes. Na sinfonia da ecosfera, tão complexa quão delicada. Talvez, então os Homens pudessem descobrir que têm uma Terra somente.

Ethevaldo Siqueira – O Estado de São Paulo – p.135
Ainda em relação ao trecho da questão anterior, pode-se AFIRMAR que o mesmo:
Alternativas
Q4228815 Português
A natureza do homem – Um Demônio?

- Anjo e demônio, o Homem vive a epopeia de uma cultura assombrosa. Faz poesia, música, monumentos, máquinas, computadores, veículos espaciais. Descobre o âmago da matéria, explode o átomo, formula teorias, códigos e religiões. Multiplica-se agora até os quatro bilhões e meio. Ocupa ansiosamente toda a Terra. Um Anjo, então?

- Anjo e demônio, feliz e desgraçado, rico e paupérrimo, o Homem ameaça hoje a estabilidade de seu planeta, põe em risco sua própria sobrevivência. Por milênios, ele tem ignorado as condições de manutenção da vida em seu mundo. Embora lute duramente pela liberdade, ainda não soube construir uma sociedade realmente livre. Edifica uma portentosa civilização, mas corre o risco de destruí-la em alguns minutos. Ou em alguns decênios, pela impiedosa devastação da Natureza.

Contudo, qual é a verdadeira face do Homem?

- Animal contraditório, o Homem pesquisa vacinas durante anos e depois fabrica armas que matam milhões num segundo. Média entre São Francisco e Hitler, ele cria um inferno para cada milagre de sua inteligência. É capaz de amar ardentemente tanto quanto odiar até o extermínio de raças e povos irmãos. No ápice de uma evolução de bilhões de anos, ele age como se não dependesse mais da Natureza.

Mas o Homem é feliz?

- No coração e na mente do Homem, Deus se torna abstrato e distante, separado do mundo real, refúgio desesperado de sua desgraça.

Mas, afinal, esse é o Homem?

- Esse é o Homem que habita essa esfera azul que gira lentamente sob nossos olhos. Veja: é um frágil planeta. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso, não acha? É uma pena que todos os Homens não possam ver sua Terra daqui. E pensar na sinfonia grandiosa que já existe, no mar, nas florestas, nas montanhas, nos campos, numa pequena lagoa, no voo de um pássaro, no canto da baleia, nas cores de uma borboleta, na interdependência de milhões de espécies de seres microscópicos e gigantes. Na sinfonia da ecosfera, tão complexa quão delicada. Talvez, então os Homens pudessem descobrir que têm uma Terra somente.

Ethevaldo Siqueira – O Estado de São Paulo – p.135
Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabeça – e em pouco sumia-se pelo portão.” A palavra destacada exprime:
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Q4228814 Português
A natureza do homem – Um Demônio?

- Anjo e demônio, o Homem vive a epopeia de uma cultura assombrosa. Faz poesia, música, monumentos, máquinas, computadores, veículos espaciais. Descobre o âmago da matéria, explode o átomo, formula teorias, códigos e religiões. Multiplica-se agora até os quatro bilhões e meio. Ocupa ansiosamente toda a Terra. Um Anjo, então?

- Anjo e demônio, feliz e desgraçado, rico e paupérrimo, o Homem ameaça hoje a estabilidade de seu planeta, põe em risco sua própria sobrevivência. Por milênios, ele tem ignorado as condições de manutenção da vida em seu mundo. Embora lute duramente pela liberdade, ainda não soube construir uma sociedade realmente livre. Edifica uma portentosa civilização, mas corre o risco de destruí-la em alguns minutos. Ou em alguns decênios, pela impiedosa devastação da Natureza.

Contudo, qual é a verdadeira face do Homem?

- Animal contraditório, o Homem pesquisa vacinas durante anos e depois fabrica armas que matam milhões num segundo. Média entre São Francisco e Hitler, ele cria um inferno para cada milagre de sua inteligência. É capaz de amar ardentemente tanto quanto odiar até o extermínio de raças e povos irmãos. No ápice de uma evolução de bilhões de anos, ele age como se não dependesse mais da Natureza.

Mas o Homem é feliz?

- No coração e na mente do Homem, Deus se torna abstrato e distante, separado do mundo real, refúgio desesperado de sua desgraça.

Mas, afinal, esse é o Homem?

- Esse é o Homem que habita essa esfera azul que gira lentamente sob nossos olhos. Veja: é um frágil planeta. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso, não acha? É uma pena que todos os Homens não possam ver sua Terra daqui. E pensar na sinfonia grandiosa que já existe, no mar, nas florestas, nas montanhas, nos campos, numa pequena lagoa, no voo de um pássaro, no canto da baleia, nas cores de uma borboleta, na interdependência de milhões de espécies de seres microscópicos e gigantes. Na sinfonia da ecosfera, tão complexa quão delicada. Talvez, então os Homens pudessem descobrir que têm uma Terra somente.

Ethevaldo Siqueira – O Estado de São Paulo – p.135
“Diariamente desfilavam diante do portão aquelas mulheres silenciosas e magras, lata d’ água na cabeça.” O núcleo do sujeito do verbo destacado é:
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Q4228813 Português
A natureza do homem – Um Demônio?

- Anjo e demônio, o Homem vive a epopeia de uma cultura assombrosa. Faz poesia, música, monumentos, máquinas, computadores, veículos espaciais. Descobre o âmago da matéria, explode o átomo, formula teorias, códigos e religiões. Multiplica-se agora até os quatro bilhões e meio. Ocupa ansiosamente toda a Terra. Um Anjo, então?

- Anjo e demônio, feliz e desgraçado, rico e paupérrimo, o Homem ameaça hoje a estabilidade de seu planeta, põe em risco sua própria sobrevivência. Por milênios, ele tem ignorado as condições de manutenção da vida em seu mundo. Embora lute duramente pela liberdade, ainda não soube construir uma sociedade realmente livre. Edifica uma portentosa civilização, mas corre o risco de destruí-la em alguns minutos. Ou em alguns decênios, pela impiedosa devastação da Natureza.

Contudo, qual é a verdadeira face do Homem?

- Animal contraditório, o Homem pesquisa vacinas durante anos e depois fabrica armas que matam milhões num segundo. Média entre São Francisco e Hitler, ele cria um inferno para cada milagre de sua inteligência. É capaz de amar ardentemente tanto quanto odiar até o extermínio de raças e povos irmãos. No ápice de uma evolução de bilhões de anos, ele age como se não dependesse mais da Natureza.

Mas o Homem é feliz?

- No coração e na mente do Homem, Deus se torna abstrato e distante, separado do mundo real, refúgio desesperado de sua desgraça.

Mas, afinal, esse é o Homem?

- Esse é o Homem que habita essa esfera azul que gira lentamente sob nossos olhos. Veja: é um frágil planeta. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso, não acha? É uma pena que todos os Homens não possam ver sua Terra daqui. E pensar na sinfonia grandiosa que já existe, no mar, nas florestas, nas montanhas, nos campos, numa pequena lagoa, no voo de um pássaro, no canto da baleia, nas cores de uma borboleta, na interdependência de milhões de espécies de seres microscópicos e gigantes. Na sinfonia da ecosfera, tão complexa quão delicada. Talvez, então os Homens pudessem descobrir que têm uma Terra somente.

Ethevaldo Siqueira – O Estado de São Paulo – p.135
“[...] a moda é do “trash”, mas a gente tem que, mesmo assim, ter cuidado para não estragar o estragado.”
A conjunção destacada pode ser trocada sem prejuízo de sentido por todas as apresentadas abaixo, EXCETO:
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Q4228811 Português
A natureza do homem – Um Demônio?

- Anjo e demônio, o Homem vive a epopeia de uma cultura assombrosa. Faz poesia, música, monumentos, máquinas, computadores, veículos espaciais. Descobre o âmago da matéria, explode o átomo, formula teorias, códigos e religiões. Multiplica-se agora até os quatro bilhões e meio. Ocupa ansiosamente toda a Terra. Um Anjo, então?

- Anjo e demônio, feliz e desgraçado, rico e paupérrimo, o Homem ameaça hoje a estabilidade de seu planeta, põe em risco sua própria sobrevivência. Por milênios, ele tem ignorado as condições de manutenção da vida em seu mundo. Embora lute duramente pela liberdade, ainda não soube construir uma sociedade realmente livre. Edifica uma portentosa civilização, mas corre o risco de destruí-la em alguns minutos. Ou em alguns decênios, pela impiedosa devastação da Natureza.

Contudo, qual é a verdadeira face do Homem?

- Animal contraditório, o Homem pesquisa vacinas durante anos e depois fabrica armas que matam milhões num segundo. Média entre São Francisco e Hitler, ele cria um inferno para cada milagre de sua inteligência. É capaz de amar ardentemente tanto quanto odiar até o extermínio de raças e povos irmãos. No ápice de uma evolução de bilhões de anos, ele age como se não dependesse mais da Natureza.

Mas o Homem é feliz?

- No coração e na mente do Homem, Deus se torna abstrato e distante, separado do mundo real, refúgio desesperado de sua desgraça.

Mas, afinal, esse é o Homem?

- Esse é o Homem que habita essa esfera azul que gira lentamente sob nossos olhos. Veja: é um frágil planeta. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso, não acha? É uma pena que todos os Homens não possam ver sua Terra daqui. E pensar na sinfonia grandiosa que já existe, no mar, nas florestas, nas montanhas, nos campos, numa pequena lagoa, no voo de um pássaro, no canto da baleia, nas cores de uma borboleta, na interdependência de milhões de espécies de seres microscópicos e gigantes. Na sinfonia da ecosfera, tão complexa quão delicada. Talvez, então os Homens pudessem descobrir que têm uma Terra somente.

Ethevaldo Siqueira – O Estado de São Paulo – p.135
“Na literatura, nas telas do cinema, deparamos com suposições futurísticas que chegamos a duvidar ou até criticar.” Os sujeitos dos verbos destacados são, respectivamente: 
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Q4228810 Português
A natureza do homem – Um Demônio?

- Anjo e demônio, o Homem vive a epopeia de uma cultura assombrosa. Faz poesia, música, monumentos, máquinas, computadores, veículos espaciais. Descobre o âmago da matéria, explode o átomo, formula teorias, códigos e religiões. Multiplica-se agora até os quatro bilhões e meio. Ocupa ansiosamente toda a Terra. Um Anjo, então?

- Anjo e demônio, feliz e desgraçado, rico e paupérrimo, o Homem ameaça hoje a estabilidade de seu planeta, põe em risco sua própria sobrevivência. Por milênios, ele tem ignorado as condições de manutenção da vida em seu mundo. Embora lute duramente pela liberdade, ainda não soube construir uma sociedade realmente livre. Edifica uma portentosa civilização, mas corre o risco de destruí-la em alguns minutos. Ou em alguns decênios, pela impiedosa devastação da Natureza.

Contudo, qual é a verdadeira face do Homem?

- Animal contraditório, o Homem pesquisa vacinas durante anos e depois fabrica armas que matam milhões num segundo. Média entre São Francisco e Hitler, ele cria um inferno para cada milagre de sua inteligência. É capaz de amar ardentemente tanto quanto odiar até o extermínio de raças e povos irmãos. No ápice de uma evolução de bilhões de anos, ele age como se não dependesse mais da Natureza.

Mas o Homem é feliz?

- No coração e na mente do Homem, Deus se torna abstrato e distante, separado do mundo real, refúgio desesperado de sua desgraça.

Mas, afinal, esse é o Homem?

- Esse é o Homem que habita essa esfera azul que gira lentamente sob nossos olhos. Veja: é um frágil planeta. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso, não acha? É uma pena que todos os Homens não possam ver sua Terra daqui. E pensar na sinfonia grandiosa que já existe, no mar, nas florestas, nas montanhas, nos campos, numa pequena lagoa, no voo de um pássaro, no canto da baleia, nas cores de uma borboleta, na interdependência de milhões de espécies de seres microscópicos e gigantes. Na sinfonia da ecosfera, tão complexa quão delicada. Talvez, então os Homens pudessem descobrir que têm uma Terra somente.

Ethevaldo Siqueira – O Estado de São Paulo – p.135
De acordo com a regência verbal, o emprego do verbo assistir está INCORRETO em:
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Q4228404 Português
        Ainda que a madrugada pareça longa, não há aquele que não pense na possibilidade de um novo amanhecer. Acreditar que um novo dia está por vir é reconhecer que nada pode estar eternamente estagnado.

         Até a pedra mais pesada e enorme pode mudar de posição em algum momento deste infinito tempo. De acordo com o dia que se fez no passado, e a tarde que se encontra no presente, a noite pode ser longa...Talvez uma madrugada mais fria. Logo, eventualmente surgirá uma neblina de incredulidade. No entanto, nunca haverá uma noite e uma madrugada infinita. O retorno da luz em um brilho de esperança.

(Tulius Mendonça)
“O retorno da luz em um brilho de esperança”. Em relação a essa frase, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q4227627 Português

Texto-base para as questão



Momento Num Café

(Manuel Bandeira)


Quando o enterro passou

Os homens que se achavam no café

Tiraram o chapéu maquinalmente

Saudavam o morto distraídos

Estavam todos voltados para a vida

Absortos na vida

Confiantes na vida.


Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado

Olhando o esquife longamente

Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade 

Que a vida é traição

E saudava a matéria que passava

Liberta para sempre da alma extinta.



Disponível em:

https://mosqueteirasliterarias.comunidades.net/momento−numa− biblioteca Acesso em: 10 jan. 2023 08



“Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado / Olhando o esquife longamente”


O elemento coesivo “no entanto” carrega, com relação à estrofe anterior, uma ideia de: 

Alternativas
Q4227625 Português

Texto-base para as questão



Momento Num Café

(Manuel Bandeira)


Quando o enterro passou

Os homens que se achavam no café

Tiraram o chapéu maquinalmente

Saudavam o morto distraídos

Estavam todos voltados para a vida

Absortos na vida

Confiantes na vida.


Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado

Olhando o esquife longamente

Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade 

Que a vida é traição

E saudava a matéria que passava

Liberta para sempre da alma extinta.



Disponível em:

https://mosqueteirasliterarias.comunidades.net/momento−numa− biblioteca Acesso em: 10 jan. 2023 08



A oração “que se achavam no café”, retirada da 1ª estrofe do poema, é:
Alternativas
Q4227620 Português
Texto-base para as questão. 






“Proteja nossas crianças e adolescentes da violência.” No que diz respeito à análise sintática da oração retirada do texto, todas as opções estão corretas, EXCETO:
Alternativas
Q4227446 Português
Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão.

Captura_de tela 2026-08-10 133752.jpeg (656×805)

Disponível em https://veja.abril.com.br/ciencia/cientistas-encontram-fossil-do-maior-animal-que-ja-viveu-na-terra/ Acessado em 03/08/2023. Texto adaptado
Segundo a norma culta escrita, o autor do texto não observou a regência verbal em 
Alternativas
Q4226909 Português
Em relação aos versos de Ferreira Gullar “Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos e pais dentro de um enigma?”, é possível observar:
Alternativas
Q4226906 Português
Em relação ao período e sua construção, assinalar a alternativa que apresenta a classificação CORRETA da oração coordenada sublinhada abaixo:

Comprei um carro novo, mas ele estava com defeito.
Alternativas
Q4226873 Português
O câncer que afligiu dinossauros e ainda atinge milhares de pessoas todos os anos


   Em um dia chuvoso ____ cerca de 77 milhões de anos, no que hoje é o sudeste de Alberta, no Canadá, certo dinossauro estava passando por momentos difíceis. O Centrosaurus apertus adulto, um primo herbívoro de tamanho médio dos Triceratops maiores que viveram ao lado dos Tyrannosaurus, tinha um câncer ósseo avançado em sua tíbia. A doença possivelmente se espalhou para outras partes de seu corpo e era terminal.
    O diagnóstico desse dinossauro em particular de osteossarcoma, um raro câncer ósseo maligno mais comumente encontrado em crianças e diagnosticado em cerca de 25.000 pessoas por ano em todo o mundo, só veio em 2020. Foi ____ primeira vez que um câncer maligno foi diagnosticado em um dinossauro. ____ confirmação do caso exigiu uma equipe multidisciplinar.
     O osso tinha uma protuberância em uma extremidade que foi rotulada como calo de fratura, mas mesmo _____ primeira vista havia vários sinais indicadores de câncer ósseo: estava visivelmente malformado e tinha grandes forames não naturais (orifícios abertos) ao redor da protuberância.
     A equipe usou todos os meios de que dispunha para confirmar o diagnóstico em seu paciente de 77 milhões de anos. Eles compararam o osso com um osso normal da canela do Centrosaurus e um osso da panturrilha humana com um caso confirmado de osteossarcoma. Eles também usaram raios-X, tomografia computadorizada (TC) de alta qualidade, juntamente com ferramentas de reconstrução 3D e histologia para criar biópsias para que pudessem estudar o tumor no nível celular.
     "Isso nos permitiu fazer um diagnóstico de câncer positivo que está de acordo com o que os médicos da minha equipe sugeriram [que fariam] em um paciente humano", diz Evans. "Na verdade, partimos para seccionar o osso em série. Conseguimos rastrear o tumor cancerígeno abrindo caminho através do osso, do joelho ao tornozelo."


(Fonte: BBC - adaptado.)
Em “A equipe usou todos os meios de que dispunha para confirmar o diagnóstico [...]”, se o termo sublinhado fosse pluralizado, quantos outros termos precisariam ser modificados para que a concordância nominal e verbal se mantivessem?
Alternativas
Q4226803 Português

Leia o texto para responder à questão.


Caju indigesto


A bordo de uma empresa aérea brasileira, serve-se uma “castanha de cajú”, assim mesmo, com acento agudo no caju. Escrevendo a palavra errada na embalagem, há o perigo de indigestão. Relembrando: as palavras oxítonas terminadas em “i” e “u” não são acentuadas.


(Arnaldo Niskier, Na Ponta da Língua, 2001. Adaptado)

Trabalhando a reescrita, com a passagem – Escrevendo a palavra errada na embalagem, há o perigo de indigestão. –, o aluno que faz a versão do trecho destacado em conformidade com a norma-padrão e com o sentido do texto deve apresentar o seguinte enunciado:
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Q4226793 Português

Leia o texto para responder à questão.


Papel civilizatório do ensino integral


    Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer. Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.


    Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


    A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.


    Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.


    O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?


    Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

De acordo com Koch e Elias (2011) e Marcuschi (2008), na passagem do primeiro parágrafo – Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade... –, o termo destacado estabelece entre as sequências textuais relação de sentido de
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Q4226792 Português

Leia o texto para responder à questão.


Papel civilizatório do ensino integral


    Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer. Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.


    Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).


    A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.


    Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.


    O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?


    Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.


(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

Kleiman (1993) observa que “os elementos que relacionam as diversas partes do texto são também instrumentais na construção de significado global para o texto.” Com base nesse entendimento, é correto que há reforço no posicionamento defendido pelo jornal com o emprego da expressão destacada em:
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Q4226482 Português
A partida

Osman Lins

   Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava−me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar−me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar−me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar−me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar−me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama. 

   Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava−me por começar a entender que não conseguiria afastar−me delassem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique−taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou−se:

    — Acordado?

    Apanhou o lençol e ia cobrir−me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei−lhe as costas.
Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir−me, persistente, desagradável — imagens de febre.

   Sentei−me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava−se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei−me.

    Passava de meia−noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava−se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir−me ainda? Repetir−me conselhos? Ouvi−a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia−me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

    Afinal, ela beijou−me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

   Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara−se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam−me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio−me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Com receio de fazer barulho, dirigi−me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei−me e, voltando ao meu quarto, vesti− me. Calcei os sapatos, sentei−me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá−la, dizer− lhe adeus?

    Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei−lhe no ombro, ela se moveu, descobriu−se. Quis levantar−se e eu procurei detê−la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou−se. Ralhava comigo por não tê−la despertado antes, acusava−se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

   Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar−me, prender−se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati−lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei−me, apanhei a maleta e, ao fazê−lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

Fonte: Moriconi, Italo. * Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.190−192. * título omitido propositalmente
Em “Esquivei−me, apanhei a maleta e, ao fazê−lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários)., a oração sublinhada: 
Alternativas
Q4226481 Português
A partida

Osman Lins

   Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava−me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar−me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar−me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar−me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar−me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama. 

   Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava−me por começar a entender que não conseguiria afastar−me delassem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique−taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou−se:

    — Acordado?

    Apanhou o lençol e ia cobrir−me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei−lhe as costas.
Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir−me, persistente, desagradável — imagens de febre.

   Sentei−me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava−se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei−me.

    Passava de meia−noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava−se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir−me ainda? Repetir−me conselhos? Ouvi−a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia−me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

    Afinal, ela beijou−me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

   Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara−se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam−me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio−me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Com receio de fazer barulho, dirigi−me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei−me e, voltando ao meu quarto, vesti− me. Calcei os sapatos, sentei−me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá−la, dizer− lhe adeus?

    Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei−lhe no ombro, ela se moveu, descobriu−se. Quis levantar−se e eu procurei detê−la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou−se. Ralhava comigo por não tê−la despertado antes, acusava−se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

   Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar−me, prender−se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati−lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei−me, apanhei a maleta e, ao fazê−lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

Fonte: Moriconi, Italo. * Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.190−192. * título omitido propositalmente
“As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava−se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo.”

Com relação ao período acima, suas orações e respectivos termos, é INCORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4226479 Português
A partida

Osman Lins

   Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava−me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

    Ela vivia a comprar−me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar−me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

    Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar−me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

    Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável ela fizesse isso, pois costumava fitar−me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama. 

   Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava−me por começar a entender que não conseguiria afastar−me delassem emoção.

    Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique−taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

    Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou−se:

    — Acordado?

    Apanhou o lençol e ia cobrir−me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei−lhe as costas.
Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir−me, persistente, desagradável — imagens de febre.

   Sentei−me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava−se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei−me.

    Passava de meia−noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava−se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. Com que finalidade? — perguntava eu. Cobrir−me ainda? Repetir−me conselhos? Ouvi−a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver — pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia−me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

    Afinal, ela beijou−me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

   Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara−se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam−me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio−me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

    Com receio de fazer barulho, dirigi−me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei−me e, voltando ao meu quarto, vesti− me. Calcei os sapatos, sentei−me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá−la, dizer− lhe adeus?

    Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei−lhe no ombro, ela se moveu, descobriu−se. Quis levantar−se e eu procurei detê−la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou−se. Ralhava comigo por não tê−la despertado antes, acusava−se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

   Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar−me, prender−se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

    Enfim, beijei sua mão, bati−lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei−me, apanhei a maleta e, ao fazê−lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

Fonte: Moriconi, Italo. * Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p.190−192. * título omitido propositalmente
“Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.”

As vírgulas no período acima foram empregadas para:
Alternativas
Respostas
17161: B
17162: A
17163: C
17164: C
17165: B
17166: D
17167: D
17168: A
17169: B
17170: C
17171: B
17172: C
17173: D
17174: D
17175: A
17176: C
17177: D
17178: D
17179: B
17180: B