Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

Foram encontradas 38.396 questões

Q4012292 Português

TEXTO 7


Q19_20.png (661×218)


(In: Terra, Ernani. Práticas de leitura e escrita. São Paulo: Saraiva, 2019, p.46). 

Sobre palavra "duro" utilizada no texto, escolha a alternativa que contenha APENAS afirmativas corretas.

I. Poderia ser substituída, sem alterar o sentido, por arduamente.
II. Trata-se de um adjetivo.
III. Tem a função sintática de complemento nominal.
IV. Modifica a forma verbal "trabalhei".
Alternativas
Q4012290 Português
TEXTO 6 

Meio ambiente e educação no Brasil


    O planeta Terra tem um ciclo de vida que acontece de forma natural, sob o controle da natureza - a água, o solo, a flora, a fauna, entre outros elementos. Entretanto, o fato de o homem ser racional e social o levou a modificar o ambiente natural e a construir empreendimentos socioeconômicos.

     Aqui no Brasil, a educação é a mais poderosa de todas as ferramentas de intervenção. É por meio dela que se promove a construção de novos conhecimentos, transmitidos de geração em geração.

    A educação ambiental deve ser entendida como um processo permanente, que possibilite a cada cidadão compreender a complexidade do meio ambiente e assumir uma postura crítica e ativa na busca por soluções.

    A escola é um espaço privilegiado para a construção de valores éticos e sustentáveis. Mas a educação ambiental precisa ultrapassar seus muros e atingir a comunidade.


(IDE, Sahda Marta; IDE; Juliana Costardi. Meio ambiente e educação no Brasil. JornaldaUSP, São Paulo, 30 mar. 2023. Disponível em: https://jornal.usp.br/artigos/meio-ambiente-e-educacao-no-brasil. Acesso em: 31 out. 2025.)
Sobre o trecho "escola é um espaço privilegiado para a construção de valores éticos sustentáveis", escolha a alternativa que contenha APENAS as afirmativas corretas.

I. Tem sujeito composto.
II. O elemento coesivo introduz uma ideia de finalidade.
III. Possui um complemtento nominal.
IV. A forma verbal encontra-se no modo subjuntiivo.
Alternativas
Q4012287 Português
TEXTO 5


Velhas árvores


Olha estas velhas árvores, mais belas

Do que as árvores novas, mais amigas

Tanto mais belas quanto mais antigas,

Vencedoras da idade e das procelas...


O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas

Vivem, livres de fomes e fadigas;

E em seus galhos abrigam-se as cantigas

E os amores das aves tagarelas.


Não choremos, amigo, a mocidade!

Envelheçamos rindo! Envelheçamos

Como as árvores fortes envelhecem:


Na glória da alegria e da bondade,

Agasalhando os pássaros nos ramos,

Dando sombra e consolo aos que padeсет!


(Olavo Bilac In: Poesia. Disponível em: http://www.citador.pt/poemas/velhas-arvores-olavo-bilac Acesso em 29/10/2025)
Acerca do vocábulo destacado em: "O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas", assinale a alternativa que contenha APENAS as afirmativas corretas.

I. Tem como referente "estas velhas árvores".
II É um pronome demonstrativo.
III. Exerce a função de adjunto adverbial.
IV. Está empregado com o valor de possessivo.
Alternativas
Q4012281 Português
TEXTO3


"O nosso primeiro natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de consequências decisivas pra a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, duma exemplaridade incapaz, alcoachoada no medríocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas coisas materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai de um bom errado, quase dramático, o puro sangue do desmancha-prazeres."


(Andrade, Mario. O peru de natal. In: Contos novos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015, p.74)
Em "sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida", o pronome "nos" tem função de:
Alternativas
Q4012278 Português
TEXTO2


"O analfabetismo não é uma chaga, nem uma erva daninha que se deve extirpar, mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta. Erradicar o analfabetismo significa muito mais do que ensinar a ler e a escrever: significa transformar as condições sociais que o produzem."


(Freire, Paulo, A importância do ato de ler: em três artigos que se completam, São Paulo: Cortez, 1989.)
A respeito do segmento "significa transformar as condições sociais que o produzem", assinale alternativa que contenha APENAS as afirmativas corretas.

I. O pronome "o" refere-se ao termo "analfabetismo".
II. A forma verbal "transformar" encontra-se no particípio.
III. O vocábulo que exerce a função de pronome relativo.
IV. A forma verbal produzem encontra-se no presente do subjuntivo.
Alternativas
Q4012275 Português
TEXTO1


Falando em leitura, podemos ter em mente alguém lendo jornal, revista, folheto, mas o mais comum é pensarmos na leitura de livros. E quando se diz que uma pessoa gosta de ler, "vive lendo", talvez seja rato de biblioteca ou consumidor de romances, histórias em quadrinhos, fotonovelas. Se "passa em cima dos livros", na certa estuda muito. Sem dúvida, o ato de ler é usualmente relacionado com a escrita, e o leitor visto como decodificador da letra. Bastará, porém, decifrar palavras para acontecer a leitura? Como explicaríamos as expressões de uso corrente "fazer a leitura" de um gesto, de uma situação, "ler a mão", "ler o olhar de alguém", "ler o tempo", "ler o espaço", indicando que o ato de ler vai além da escrita?


(Martins, Maria Helena. Falando em leitura. In:O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 2000, р.7)
No período "Falando em leitura, podemos ter em mente alguém lendo jornal, revista, folheto, mas o mais comum é pensarmos na leitura de livros", o elemento coesivo destacado pode ser substituído, sem alterar o sentido, por:
Alternativas
Q4012210 Português
Num parágrafo de um editorial, o autor afirma que a escola ampliou o acesso a livros, porém indica que o índice de leitura ficou estagnado. O conectivo "porém" cumpre a função de
Alternativas
Q4012208 Português
Na revisão de um texto argumentativo, o professor observou construções que envolvem regência e sinal indicativo de crase. Assinale a afirmação CORRETA. 
Alternativas
Q4012207 Português
No processo de revisão de um texto, algumas construções pedem atenção à concordância verbal e nominal na norma padrão. Assinale a afirmativa CORRETA. 
Alternativas
Q4012206 Português
No período "É provável que a escola amplie o acervo ainda este ano", a oração iniciada por "que" é classificada como
Alternativas
Q4012205 Português
Na frase "A professora considerou o relato dos alunos muito pertinente", o segmento "muito pertinente" exerce a função de
Alternativas
Q4011870 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A Geração Z superou a obsessão dos millennials pela extrema magreza, mas agora tem seu próprio problema: medo de envelhecer.


Setenta e nove por cento dos jovens já usam produtos antienvelhecimento, apesar de não precisarem deles. Esse comportamento tem sido explorado tanto pelos algoritmos das redes sociais quanto pela indústria cosmética.


Se há algo que podemos agradecer à Geração Z é ter dado uma reviravolta no discurso do body positive para fazer com que criticar o peso alheio se tornasse um tabu. A obsessão por tamanhos pequenos, que durante os anos 2000 virou um grave problema de saúde em todo o mundo graças ao impulso dos millennials, desapareceu quase por completo do nosso dia a dia. Lamentavelmente, os jovens da Gen Z preencheram esse vazio com uma nova obsessão.


Obcecados pela gerontofobia, o medo de envelhecer, a Geração Z impulsionou uma obsessão pelo cuidado da pele que, ainda mais reforçada pelos filtros das redes sociais, acabou desaguando no que especialistas passaram a chamar de cosmitorexia. Diferentemente dos transtornos de comportamento alimentar do passado, a mudança levou esses jovens a comprar e consumir produtos cosméticos de forma compulsiva.


Não ajuda que os algoritmos das redes sociais tenham visto uma verdadeira mina de ouro nas rotinas de beleza com dezenas de potinhos coloridos cheios de cremes e séruns. Tampouco ajuda que, sob esse mesmo discurso, a indústria cosmética esteja impulsionando o termo " prejuvenation " para vender a ideia de que precisamos cuidar de rugas e imperfeições muito antes de elas aparecerem.


No pior dos casos, o fenômeno deu origem ao que ficou conhecido como Sephora Kids, uma legião de jovens e pré-adolescentes que utilizam cosméticos antienvelhecimento de um jeito claramente insalubre. Estudos como o da Yale Medicine alertam que o uso de certos ingredientes, como retinol ou vitamina C, em peles ainda em desenvolvimento, longe de evitar que pareçam envelhecidas no futuro, na verdade, pode acelerar o processo.


São mencionados produtos de renovação celular que, embora possam auxiliar adultos a conferir à pele uma aparência menos envelhecida, podem, quando utilizados por pessoas jovens e em altas concentrações, provocar queimaduras, dermatites e eczemas crônicos, em razão da maior facilidade de absorção decorrente da menor espessura da pele.


O fato de 79% dos jovens entre 7 e 17 anos terem recorrido a esse tipo de produto depois de vê-lo nas mãos do influenciador da moda só evidencia que transformar a pureza da pele em um símbolo de status social está longe de ser um comportamento saudável nessas idades. Isso é ainda mais preocupante, considerando que as impurezas, rugas e pelos permanecerão.


https://www.xataka.com.br/ciencia/a-geracao-z-superou-a-obsessao-dos-millennials-pela-extrema-magreza-agora-tem-seu-proprio-problema-medo-envelhecer-adaptado

"São mencionados produtos de renovação celular que, embora possam auxiliar adultos a conferir à pele uma aparência menos envelhecida, podem, quando utilizados por pessoas jovens e em altas concentrações, provocar queimaduras, dermatites e eczemas crônicos, em razão da maior facilidade de absorção decorrente da menor espessura da pele."


Considerando os mecanismos de coesão e coerência empregados no trecho, julgue as afirmativas a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F).



I. O conectivo 'embora' introduz uma relação de concessão, estabelecendo contraste entre o benefício dos produtos para adultos e os possíveis efeitos nocivos quando utilizados por pessoas jovens, podendo ser substituído por 'porquanto', sem prejuízo do sentido essencial do enunciado.


II. Em '...quando utilizados por pessoas jovens e em altas concentrações' estabelece uma relação de condição e restringe a ocorrência dos efeitos nocivos, contribuindo para a progressão coerente do enunciado.


III. O pronome relativo 'que' retoma exclusivamente 'produtos de renovação celular', sendo responsável por introduzir uma oração explicativa que não interfere na delimitação do referente.



Após análise, assinale a alternativa que apresenta apenas as proposições CORRETAS.

Alternativas
Q4011868 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


A Geração Z superou a obsessão dos millennials pela extrema magreza, mas agora tem seu próprio problema: medo de envelhecer.


Setenta e nove por cento dos jovens já usam produtos antienvelhecimento, apesar de não precisarem deles. Esse comportamento tem sido explorado tanto pelos algoritmos das redes sociais quanto pela indústria cosmética.


Se há algo que podemos agradecer à Geração Z é ter dado uma reviravolta no discurso do body positive para fazer com que criticar o peso alheio se tornasse um tabu. A obsessão por tamanhos pequenos, que durante os anos 2000 virou um grave problema de saúde em todo o mundo graças ao impulso dos millennials, desapareceu quase por completo do nosso dia a dia. Lamentavelmente, os jovens da Gen Z preencheram esse vazio com uma nova obsessão.


Obcecados pela gerontofobia, o medo de envelhecer, a Geração Z impulsionou uma obsessão pelo cuidado da pele que, ainda mais reforçada pelos filtros das redes sociais, acabou desaguando no que especialistas passaram a chamar de cosmitorexia. Diferentemente dos transtornos de comportamento alimentar do passado, a mudança levou esses jovens a comprar e consumir produtos cosméticos de forma compulsiva.


Não ajuda que os algoritmos das redes sociais tenham visto uma verdadeira mina de ouro nas rotinas de beleza com dezenas de potinhos coloridos cheios de cremes e séruns. Tampouco ajuda que, sob esse mesmo discurso, a indústria cosmética esteja impulsionando o termo " prejuvenation " para vender a ideia de que precisamos cuidar de rugas e imperfeições muito antes de elas aparecerem.


No pior dos casos, o fenômeno deu origem ao que ficou conhecido como Sephora Kids, uma legião de jovens e pré-adolescentes que utilizam cosméticos antienvelhecimento de um jeito claramente insalubre. Estudos como o da Yale Medicine alertam que o uso de certos ingredientes, como retinol ou vitamina C, em peles ainda em desenvolvimento, longe de evitar que pareçam envelhecidas no futuro, na verdade, pode acelerar o processo.


São mencionados produtos de renovação celular que, embora possam auxiliar adultos a conferir à pele uma aparência menos envelhecida, podem, quando utilizados por pessoas jovens e em altas concentrações, provocar queimaduras, dermatites e eczemas crônicos, em razão da maior facilidade de absorção decorrente da menor espessura da pele.


O fato de 79% dos jovens entre 7 e 17 anos terem recorrido a esse tipo de produto depois de vê-lo nas mãos do influenciador da moda só evidencia que transformar a pureza da pele em um símbolo de status social está longe de ser um comportamento saudável nessas idades. Isso é ainda mais preocupante, considerando que as impurezas, rugas e pelos permanecerão.


https://www.xataka.com.br/ciencia/a-geracao-z-superou-a-obsessao-dos-millennials-pela-extrema-magreza-agora-tem-seu-proprio-problema-medo-envelhecer-adaptado

"Diferentemente dos transtornos de comportamento alimentar do passado, a mudança levou esses jovens a comprar e consumir produtos cosméticos de forma compulsiva."


Os verbos podem apresentar diferentes transitividades, conforme o contexto em que são empregados. Considerando a regência do verbo 'levar', no contexto e fora dele, bem como a de outros verbos, assinale V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas.



(__) No contexto apresentado, o verbo 'levar' classifica-se como bitransitivo, por apresentar complemento direto e indireto.


(__) Na frase 'Não desistiu dos seus projetos; levou-os enquanto viveu', o verbo 'levar' atua como transitivo direto.


(__) O verbo 'confraternizar' é pronominal, podendo ser empregado com o pronome 'se', como em 'Após o campeonato, os atletas se confraternizaram até tarde'.


(__) O verbo 'custar', no sentido de 'ser custoso' ou 'difícil', pode ser empregado como transitivo indireto, regendo a preposição 'a', conforme se observa em 'Custou-me a descobrir seu telefone'.



Identifique a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.

Alternativas
Q4011742 Português
O verbo “assistir” admite variação de regência conforme o sentido, devendo haver correspondência entre o significado pretendido e a estrutura sintática empregada. Assinale a alternativa incorreta quanto ao sentido expresso e a regência adotada, considerando a norma culta:
Alternativas
Q4011739 Português
Analise as orações abaixo.
I. Devem-se pensar em todas as estratégias contra Esparta. II. Devem-se analisar todas as táticas da frota ateniense.
A concordância está correta em:
Alternativas
Q4011738 Português
Indique a alternativa cuja concordância verbal seja igual à utilizada na frase “Faz oito anos que visitei Pirenópolis”.
Alternativas
Q4011647 Português

Considere os enunciados a seguir, todos hipoteticamente extraídos de um relatório técnico-científico, e avalie-os à luz da norma-padrão da língua portuguesa, no que se refere à concordância nominal e à concordância verbal, inclusive em construções com sujeito posposto, expressões partitivas, núcleos complexos e predicativos deslocados.


Marque a alternativa correta.

Alternativas
Q4011643 Português

Com base no trecho apresentado a seguir, assinale a alternativa correta acerca do emprego e dos efeitos de sentido dos sinais de pontuação.


A velha escrivaninha, herdada de meu avô, guardava muitos segredos; no entanto, nenhum parecia tão instigante quanto a pequena gaveta trancada. Olhei em volta: a sala estava silenciosa, a poeira dançava no ar e a luz da tarde diminuía. Minhas mãos tremiam, sentindo a frieza do metal, quando decidi abrir o compartimento secreto. — Será que contém cartas de amor, mapas antigos ou apenas memórias esquecidas? — sussurrei para mim mesmo. O que encontrei lá dentro, porém, mudou tudo, deixando-me sem fôlego.

Alternativas
Q4011361 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

"Não posso dar o bote perdido." A análise sintática detalhada e correta dos termos desse fragmento encontra erro em:
Alternativas
Q4011360 Português
A FILA


Para os que não desistiram


    Antes da conversão do gentio ao maravilhoso mundo digital, havia mais filas no mundo para se esperar a vez. De nascer. De morrer. De usar o telefone... De pedir perdão... Ou amor eterno.

    As pessoas madrugavam, já concebendo, resignadas, a existência clara da lógica de sempre haver mais fila do que atendimento. Havia grande fome no mundo analógico! Sobretudo, de informação. Por isso, havia a fila só para informação. Fila para saber que outra fila tinha que enfrentar, para pegar a senha para entrar noutra fila... Várias encarnações sobre as pernas cansadas. Numa sequência quase infinda, como uma Matriuska, que, ao fim, revela seu nada.

    Em todo canto havia o canto da fila. E o lugar de quem chegava por último, era sempre o da espera horrenda: o fim final... A danação eterna de esperar a vez e ser avisado: "- Por hoje só! Quem quiser, que volte amanhã e pegue a fila!"

     Receita Federal, INPS, INAMPS, COBAL, Correios, Caixa Econômica 'Foderal', Banco do Brasil, Lojas Brasileiras, vulgo LOBRÁS, veja só! (Não existia Havan!). Tudo era boca para fila, sorvedouro de gente para as infra dimensões. "- Na fila aí, minha gente! Borá lá! Se organizando... Um atrás do outro!" Conduzia a voz de comando, ao que, obedientes, perfilavam-se os peixinhos para adentrar na boca do tubarão. 

    Também eu, no meu tempo, gastei muito do cálcio de minhas pernas engrossando filas. Certa vez, a fila da vez e a conformidade (ou comorbidade) do caso, era na Caixa Econômica. Causo de ir ver se tinha direito a FGTS, Fundo de não sei o quê... auxílio... Mensagem perdida numa garrafa que fosse endereçada a mim.

-Essa fila não anda!?

-Só abre às 9. E pra triagem, ainda!

- Issé uma imoralidade! -E parece que vai chover de novo.

    A fila parecia uma cobra morta. Abandonada sobre a calçada. Começa rente à porta da Caixa... Descia as escadas. Sapateava no barro do retângulo onde jazia um jardim. Ocupava a frente das lojas ainda fechadas: a pastelaria Canarinho, Casa Rosada Tecidos, Dedé discos... Se perdia Rua da Conceição afora, umedecida pela chuva de ontem e sob ameaça de outra.

    Uma velha de saia godê florida cochilava encostada na pa-rede. Uma sacola de plástico preto presa no braço. O diabo de um velho pitava um cigarro forte. "- A essa hora, meu senhor!?". Baforejava fumaça prum lado e pro outro, como uma locomotiva incensando os presentes, que já devidamente anestesiados pelo cotidiano, nem ligavam. No 6° lugar, estava uma bonitinha. Bem feita de corpo, a diaba! Não fosse essa calça brega de oncinha e essa blusa verde-limão escrito H-u-g-o B-os-s! Réplica! Na certa!
De repente gritos e alvoroço! Algo desfez a fila ali atrás. Esbagaçou-se só o rabo da cobra morta!

    Um ladrão! Avançou na bolsa a tira colo de uma mulher baixinha. Ninguém interveio. Puxou ela pro meio da rua. Puxava a bolsa. A mulher rodopiava levada à dança pela força do ladrão.. Um cara alto, magro, cabelo de pigmaleão... Ele rodava a baixinha para esquerda e para direita e ela ia. A bolsa não. Nem se mexia... Debaixo do sovaco. Alça curta ao ombro. Via-se que era prevenida!

    E foram rodando. Rodando... Rodando. Avançando palmo a passo no meio da rua, se aproximando mais e mais da frente do banco. Duelavam agora na nossa frente. Ninguém intervinha. Fez-se grave silencio. Eu era o 13° da fila. Lugar bom, alto, perto já da escada. De onde eu estava, dava para ouvir o fungado do ladrão, já cansado. A baixinha não desistia... Aqui acolá, gritava: " Me solte, sujeito! Me solte!". Mas ele neco de soltar. Uma hora ela sede! Não posso dar o bote perdido!", devia pensar ele. Risco de linchamento, sempre tem.

     Subiram à calçada aos rodopios. O povo só afastou um pouquinho. Ninguém intervinha.

    Pisotearam o barro molhado. Na verdade, lama mesmo, dentro do retângulo com o jardim morto. Ele puxou com as últimas forças prevendo a fraqueza. Chegou a levantá-la do chão! No em falso, ela escorrega e cai. Apertou a bolsa debaixo do sovaco e pressionou com a outra mão. Foi aí que, impaciente com a resistência indevida de alguém tão pequeno, ele sabugou a mulher na lama, revirando-a de muitos modos possíveis, como faria um cachorro faminto, abocanhando uma presa.

     Ela se encorcovava quanto mais ele sacudia. A bolsa ia sumindo dentro dela, como que movediça! 

    Ele por fim, desistiu. Apontou o dedo silencioso e olhou esbugalhado para ela. Nada disse! Saiu na carreira. Talvez mais com vergonha, do que com medo.

    Ninguém interveio.

    Levantou sozinha. Batendo o barro da roupa, passada à lama. Ajeitou a blusa e a bolsa, intacta, debaixo do sovaco. Com altivez, nem olhou pro povo. Se dirigindo a mim (justo a mim! Que a reconheci no primeiro rodopio... ), pronunciou pausadamente o meu nome: "XXXXXXXXX" e disse:
-Tá vendo aí, meu filho, como são as coisas? Uma pobre velha, não tem ninguém que a defenda! Mas ele vai roubar a mãe dele, esse filho da puta! Por que eu mesmo, ele não rouba não! 
Era dona Zuíla, minha professora do ensino fundamental. Há muitas lições que se pode aprender olhando duma fila. Era a minha vez. Há ainda grande fome também no mundo digital! Sobretudo, de coragem.


(Souza, Auricélio Ferreira de. Objeto urgente: A fila p. 47, 50. São Paulo: Patuá, 2025)

Batendo o barro da roupa, passada à lama.

O uso do acento grave justifica-se pela regência do termo anterior: O particípio "passada", ao indicar que algo foi submetido ou exposto a um estado ou substância, exige a preposição "a".
Presença do artigo A: A palavra lama" é um substantivo feminino que admite o artigo definido "a". Dadas as opções a seguir marque a que não recebe acento grave.
Alternativas
Respostas
1961: D
1962: C
1963: C
1964: C
1965: B
1966: C
1967: A
1968: B
1969: C
1970: D
1971: E
1972: C
1973: D
1974: C
1975: B
1976: D
1977: A
1978: C
1979: D
1980: B