Questões de Concurso Comentadas sobre sintaxe em português

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Q4219707 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A economia da longevidade

José Eustáquio

     O Brasil está prestes a atingir um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos.
     O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa transição em nível regional. Em dois estados, a população idosa superava a jovem: no Rio Grande do Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens. Porto Alegre destacava-se como a capital mais envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade do país, registrava 103 para cada 100.
     A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os 250 anos da Independência. Nessa data, a razão de idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O envelhecimento populacional tende, assim, a consolidar-se como a principal característica demográfica do Brasil no século 21 — um processo que traz desafios relevantes, mas também oportunidades.
    O principal desafio decorre do esgotamento do primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido — com jovens apenas estudando, adultos exclusivamente trabalhando e idosos integralmente aposentados.
    A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas para promover prosperidade e bem-estar.
     O segundo bônus demográfico, ou bônus da produtividade, ao contrário do primeiro, não é transitório. Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do trabalho, permitindo que a economia produza mais com menor uso de insumos humanos e ambientais, compensando a redução da força de trabalho.
    A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus demográfico, ou bônus da longevidade, associado à expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus depende de como a sociedade se organiza para viver mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital humano acumulado ao longo da vida permite que os idosos continuem contribuindo, compartilhando experiência, conhecimento e capacidades produtivas. O professor Andrew Scott, em “The Longevity Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy Longevity, argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma: deixar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para construir uma “sociedade da longevidade”. Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.
     A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela ótica dos custos, como a expansão dos gastos com previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade” enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott destaca a maleabilidade do envelhecimento — a possibilidade de intervenções que permitam viver não apenas mais, mas com mais saúde, maior integração social e níveis mais elevados de produtividade.
     A economia da longevidade exige superar o etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e multietapas, com requalificação ao longo da vida, mudanças de carreira e maior inclusão das gerações maduras no mercado de trabalho, além de maior capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das empresas e das políticas públicas.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026. 
Assinale a alternativa que apresenta uma reescrita gramaticalmente correta para “Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.”.
Alternativas
Q4219706 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A economia da longevidade

José Eustáquio

     O Brasil está prestes a atingir um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos.
     O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa transição em nível regional. Em dois estados, a população idosa superava a jovem: no Rio Grande do Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens. Porto Alegre destacava-se como a capital mais envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade do país, registrava 103 para cada 100.
     A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os 250 anos da Independência. Nessa data, a razão de idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O envelhecimento populacional tende, assim, a consolidar-se como a principal característica demográfica do Brasil no século 21 — um processo que traz desafios relevantes, mas também oportunidades.
    O principal desafio decorre do esgotamento do primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido — com jovens apenas estudando, adultos exclusivamente trabalhando e idosos integralmente aposentados.
    A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas para promover prosperidade e bem-estar.
     O segundo bônus demográfico, ou bônus da produtividade, ao contrário do primeiro, não é transitório. Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do trabalho, permitindo que a economia produza mais com menor uso de insumos humanos e ambientais, compensando a redução da força de trabalho.
    A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus demográfico, ou bônus da longevidade, associado à expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus depende de como a sociedade se organiza para viver mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital humano acumulado ao longo da vida permite que os idosos continuem contribuindo, compartilhando experiência, conhecimento e capacidades produtivas. O professor Andrew Scott, em “The Longevity Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy Longevity, argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma: deixar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para construir uma “sociedade da longevidade”. Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.
     A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela ótica dos custos, como a expansão dos gastos com previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade” enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott destaca a maleabilidade do envelhecimento — a possibilidade de intervenções que permitam viver não apenas mais, mas com mais saúde, maior integração social e níveis mais elevados de produtividade.
     A economia da longevidade exige superar o etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e multietapas, com requalificação ao longo da vida, mudanças de carreira e maior inclusão das gerações maduras no mercado de trabalho, além de maior capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das empresas e das políticas públicas.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026. 
A respeito dos mecanismos de coesão empregados no texto, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4219704 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A economia da longevidade

José Eustáquio

     O Brasil está prestes a atingir um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos.
     O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa transição em nível regional. Em dois estados, a população idosa superava a jovem: no Rio Grande do Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens. Porto Alegre destacava-se como a capital mais envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade do país, registrava 103 para cada 100.
     A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os 250 anos da Independência. Nessa data, a razão de idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O envelhecimento populacional tende, assim, a consolidar-se como a principal característica demográfica do Brasil no século 21 — um processo que traz desafios relevantes, mas também oportunidades.
    O principal desafio decorre do esgotamento do primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido — com jovens apenas estudando, adultos exclusivamente trabalhando e idosos integralmente aposentados.
    A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas para promover prosperidade e bem-estar.
     O segundo bônus demográfico, ou bônus da produtividade, ao contrário do primeiro, não é transitório. Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do trabalho, permitindo que a economia produza mais com menor uso de insumos humanos e ambientais, compensando a redução da força de trabalho.
    A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus demográfico, ou bônus da longevidade, associado à expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus depende de como a sociedade se organiza para viver mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital humano acumulado ao longo da vida permite que os idosos continuem contribuindo, compartilhando experiência, conhecimento e capacidades produtivas. O professor Andrew Scott, em “The Longevity Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy Longevity, argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma: deixar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para construir uma “sociedade da longevidade”. Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.
     A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela ótica dos custos, como a expansão dos gastos com previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade” enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott destaca a maleabilidade do envelhecimento — a possibilidade de intervenções que permitam viver não apenas mais, mas com mais saúde, maior integração social e níveis mais elevados de produtividade.
     A economia da longevidade exige superar o etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e multietapas, com requalificação ao longo da vida, mudanças de carreira e maior inclusão das gerações maduras no mercado de trabalho, além de maior capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das empresas e das políticas públicas.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026. 
Assinale a alternativa que analisa corretamente o uso da pontuação no excerto. 
Alternativas
Q4219703 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A economia da longevidade

José Eustáquio

     O Brasil está prestes a atingir um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos.
     O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa transição em nível regional. Em dois estados, a população idosa superava a jovem: no Rio Grande do Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens. Porto Alegre destacava-se como a capital mais envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade do país, registrava 103 para cada 100.
     A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os 250 anos da Independência. Nessa data, a razão de idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O envelhecimento populacional tende, assim, a consolidar-se como a principal característica demográfica do Brasil no século 21 — um processo que traz desafios relevantes, mas também oportunidades.
    O principal desafio decorre do esgotamento do primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido — com jovens apenas estudando, adultos exclusivamente trabalhando e idosos integralmente aposentados.
    A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas para promover prosperidade e bem-estar.
     O segundo bônus demográfico, ou bônus da produtividade, ao contrário do primeiro, não é transitório. Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do trabalho, permitindo que a economia produza mais com menor uso de insumos humanos e ambientais, compensando a redução da força de trabalho.
    A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus demográfico, ou bônus da longevidade, associado à expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus depende de como a sociedade se organiza para viver mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital humano acumulado ao longo da vida permite que os idosos continuem contribuindo, compartilhando experiência, conhecimento e capacidades produtivas. O professor Andrew Scott, em “The Longevity Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy Longevity, argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma: deixar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para construir uma “sociedade da longevidade”. Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.
     A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela ótica dos custos, como a expansão dos gastos com previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade” enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott destaca a maleabilidade do envelhecimento — a possibilidade de intervenções que permitam viver não apenas mais, mas com mais saúde, maior integração social e níveis mais elevados de produtividade.
     A economia da longevidade exige superar o etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e multietapas, com requalificação ao longo da vida, mudanças de carreira e maior inclusão das gerações maduras no mercado de trabalho, além de maior capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das empresas e das políticas públicas.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026. 
Assinale a alternativa que analisa corretamente o excerto.
Alternativas
Q4219701 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

A economia da longevidade

José Eustáquio

     O Brasil está prestes a atingir um marco demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com menos de 15 anos.
     O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa transição em nível regional. Em dois estados, a população idosa superava a jovem: no Rio Grande do Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens. Porto Alegre destacava-se como a capital mais envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens, enquanto São Paulo, a maior cidade do país, registrava 103 para cada 100.
     A idade mediana da população brasileira era de 18 anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os 250 anos da Independência. Nessa data, a razão de idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O envelhecimento populacional tende, assim, a consolidar-se como a principal característica demográfica do Brasil no século 21 — um processo que traz desafios relevantes, mas também oportunidades.
    O principal desafio decorre do esgotamento do primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica caso o país mantenha uma visão estática das relações intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido — com jovens apenas estudando, adultos exclusivamente trabalhando e idosos integralmente aposentados.
    A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser encarado com perspectiva construtiva, pois há outras duas janelas estratégicas para promover prosperidade e bem-estar.
     O segundo bônus demográfico, ou bônus da produtividade, ao contrário do primeiro, não é transitório. Seus efeitos podem se prolongar indefinidamente, desde que haja investimentos contínuos em educação, saúde, ciência e infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do trabalho, permitindo que a economia produza mais com menor uso de insumos humanos e ambientais, compensando a redução da força de trabalho.
    A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus demográfico, ou bônus da longevidade, associado à expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus depende de como a sociedade se organiza para viver mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital humano acumulado ao longo da vida permite que os idosos continuem contribuindo, compartilhando experiência, conhecimento e capacidades produtivas. O professor Andrew Scott, em “The Longevity Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy Longevity, argumenta que esse marco exige uma mudança de paradigma: deixar a ideia de uma “sociedade que envelhece” para construir uma “sociedade da longevidade”. Na primeira, acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se vida aos anos.
     A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela ótica dos custos, como a expansão dos gastos com previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade” enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott destaca a maleabilidade do envelhecimento — a possibilidade de intervenções que permitam viver não apenas mais, mas com mais saúde, maior integração social e níveis mais elevados de produtividade.
     A economia da longevidade exige superar o etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e multietapas, com requalificação ao longo da vida, mudanças de carreira e maior inclusão das gerações maduras no mercado de trabalho, além de maior capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das empresas e das políticas públicas.


Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026. 
Assinale a alternativa em que a oração destacada estabelece com a anterior uma relação sintático-semântica de adição. 
Alternativas
Q4218195 Português
Dados do IBGE sobre saúde de estudantes levantam temas para a formulação de políticas públicas

     A quinta edição da PeNSE trata de temas como consumo de cigarros eletrônicos, abuso sexual e segurança e traz informações que permitem conhecer e dimensionar os fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes entre 13 e 17 anos das redes pública e privada.
   O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024). A PeNSE é uma ação promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE e o Ministério da Educação. Ela investiga informações que permitem conhecer e dimensionar os fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes entre 13 e 17 anos. Segundo a professora Luciane Sá de Andrade, do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, a pesquisa é importante porque gera dados suficientes para a melhoria de políticas públicas voltadas para a faixa etária pesquisada.
    A PeNSE tem o objetivo de coletar dados essenciais de diferentes aspectos da vida dos adolescentes e investigar, segundo o Ministério da Saúde, a frequência e distribuição de fatores de riscos para doenças crônicas não transmissíveis, saúde mental, vacinação, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e questões de conflito e violência dentro do ambiente escolar e familiar. Luciane explica que a visão plural de saúde é fundamental dentro da pesquisa. “Não é só a saúde do ponto de vista biológico ou de uma doença instalada, mas também aspectos que podem interferir ou produzir estados relacionados à saúde também, como saúde mental, a questão da violência fora e dentro da escola, saúde sexual e reprodutiva. Ela é uma pesquisa bem completa.”.
   Os pontos ressaltados na pesquisa orientam o desenvolvimento de políticas públicas, principalmente o Programa Saúde na Escola (PSE), que associa duas áreas interdependentes: educação e saúde. “A educação é um dos determinantes de saúde por uma das abordagens teóricas na relação saúde e educação. Dentro das políticas públicas elas estão interligadas pelo Programa Saúde na Escola (PSE) e, até antes disso, pela área de saúde escolar. Nós podemos pensar também que melhores níveis de educação possibilitam às pessoas maior acesso e melhores condições de saúde. Não só pela educação, mas há outros determinantes interligados a isso, como renda, como saneamento básico e outros determinantes aí envolvidos na produção da saúde.”.
[...] 
    A integração entre outros agentes da sociedade é importante para o desenvolvimento de políticas públicas. “A PeNSE é esse retrato de como estão os jovens, crianças e adolescentes em relação a diferentes questões relacionadas à saúde. E isso traz elementos muito importantes para essa construção ou reformulação das políticas públicas na área e para as ações. A universidade pode colaborar também no desenho dessas políticas públicas e por meio da extensão que já faz com ações junto à escola, junto às Secretarias de Saúde, junto aos Ministérios”, diz Luciane.

Adaptado de: https://jornal.usp.br/atualidades/dados-do-ibge-sobresaude-de-estudantes-levantam-temas-para-a-formulacao-depoliticas-publicas/. Acesso em: 23 abr. 2026.
Assinale a alternativa correta em relação ao seguinte trecho do texto: “Não é só a saúde do ponto de vista biológico ou de uma doença instalada, mas também aspectos que podem interferir ou produzir estados relacionados à saúde também, como saúde mental, a questão da violência fora e dentro da escola, saúde sexual e reprodutiva. Ela é uma pesquisa bem completa.”.
Alternativas
Q4218190 Português
Dados do IBGE sobre saúde de estudantes levantam temas para a formulação de políticas públicas

     A quinta edição da PeNSE trata de temas como consumo de cigarros eletrônicos, abuso sexual e segurança e traz informações que permitem conhecer e dimensionar os fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes entre 13 e 17 anos das redes pública e privada.
   O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a quinta edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024). A PeNSE é uma ação promovida pelo Ministério da Saúde em parceria com o IBGE e o Ministério da Educação. Ela investiga informações que permitem conhecer e dimensionar os fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes entre 13 e 17 anos. Segundo a professora Luciane Sá de Andrade, do Departamento de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP, a pesquisa é importante porque gera dados suficientes para a melhoria de políticas públicas voltadas para a faixa etária pesquisada.
    A PeNSE tem o objetivo de coletar dados essenciais de diferentes aspectos da vida dos adolescentes e investigar, segundo o Ministério da Saúde, a frequência e distribuição de fatores de riscos para doenças crônicas não transmissíveis, saúde mental, vacinação, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e questões de conflito e violência dentro do ambiente escolar e familiar. Luciane explica que a visão plural de saúde é fundamental dentro da pesquisa. “Não é só a saúde do ponto de vista biológico ou de uma doença instalada, mas também aspectos que podem interferir ou produzir estados relacionados à saúde também, como saúde mental, a questão da violência fora e dentro da escola, saúde sexual e reprodutiva. Ela é uma pesquisa bem completa.”.
   Os pontos ressaltados na pesquisa orientam o desenvolvimento de políticas públicas, principalmente o Programa Saúde na Escola (PSE), que associa duas áreas interdependentes: educação e saúde. “A educação é um dos determinantes de saúde por uma das abordagens teóricas na relação saúde e educação. Dentro das políticas públicas elas estão interligadas pelo Programa Saúde na Escola (PSE) e, até antes disso, pela área de saúde escolar. Nós podemos pensar também que melhores níveis de educação possibilitam às pessoas maior acesso e melhores condições de saúde. Não só pela educação, mas há outros determinantes interligados a isso, como renda, como saneamento básico e outros determinantes aí envolvidos na produção da saúde.”.
[...] 
    A integração entre outros agentes da sociedade é importante para o desenvolvimento de políticas públicas. “A PeNSE é esse retrato de como estão os jovens, crianças e adolescentes em relação a diferentes questões relacionadas à saúde. E isso traz elementos muito importantes para essa construção ou reformulação das políticas públicas na área e para as ações. A universidade pode colaborar também no desenho dessas políticas públicas e por meio da extensão que já faz com ações junto à escola, junto às Secretarias de Saúde, junto aos Ministérios”, diz Luciane.

Adaptado de: https://jornal.usp.br/atualidades/dados-do-ibge-sobresaude-de-estudantes-levantam-temas-para-a-formulacao-depoliticas-publicas/. Acesso em: 23 abr. 2026.
Assinale a alternativa em que a substituição proposta entre parênteses para a expressão destacada pode ser realizada, respeitando a norma-padrão da língua e sem que haja alteração de sentido.
Alternativas
Q4218057 Português

Observe a letra da música a seguir para responder à questão. 


Algoritmo Íntimo

Criolo & Ney Matogrosso


Eu queria você aqui

Perto de mim

Quando a gente gosta, não dá pra esconder

Quando a gente ama, corpo fala

Coração quer explodir de amor

Eu (eu) sinto (sinto) tua falta (tua falta), bebê

Você é uma flor

Eu não sei se dá pra ver (uma flor) que eu vi

Que você viu a minha mensagem (minha mensagem)

Acho que sente que sinto

Que sente que sinto saudade (sinto saudade)

Mas não vou ficar na espera, na cela da tela

Toda a eternidade (toda a eternidade)


Meu algoritmo íntimo quer te agarrar de verdade

(te agarrar de verdade)

Me responde

Pra gente não se afastar mais

O tempo é danado

Muda o prumo e a prosa, meu bem (meu bem)

Meu corpo em chamas grita

E implora por teu abraço

Eu não sei se dá pra ver (volta) que eu vi

Que você viu a minha mensagem (minha mensagem)

Acho que sente que sinto

Que sente que sinto saudade (sinto saudade)

Mas não vou ficar na espera, na cela da tela

Toda a eternidade (toda a eternidade)

Meu algoritmo íntimo quer te agarrar de verdade

(te agarrar de verdade).


Fonte: https://www.letras.mus.br/ Acesso em 10/06/2026



Considere o verso:
"Quando a gente gosta, não dá pra esconder."
A respeito da concordância verbal empregada nesse trecho e de sua adequação à normapadrão, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4218054 Português
Recado aos amigos distantes Cecília Meireles
Meus companheiros amados, não vos espero nem chamo: porque vou para outros lados. Mas é certo que vos amo.
Nem sempre os que estão mais perto fazem melhor companhia. Mesmo com sol encoberto, todos sabem quando é dia.
Pelo vosso campo imenso, vou cortando meus atalhos. Por vosso amor é que penso e me dou tantos trabalhos.
Não condeneis, por enquanto, minha rebelde maneira. Para libertar-me tanto, fico vossa prisioneira.
Por mais que longe pareça, ides na minha lembrança, ides na minha cabeça, valeis a minha Esperança.
Fonte: https://www.culturagenial.com/poesia/. Acesso em 09/06/2026.
Com base nos aspectos de regência presentes no poema. Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4218053 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Biografia do orvalho

Manoel de Barros


A maior riqueza do homem é a sua incompletude.

Nesse ponto sou abastado.

Palavras que me aceitam como sou — eu não

aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre

portas,

que puxa válvulas, que olha o relógio,

que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá

fora,

que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.

Perdoai.

Mas eu preciso ser outros.

Eu penso renovar o homem usando borboletas.


Fonte: https://poetisarte.com/autores/manoel-de-barros/. Acesso em 28/05/2026



Considere o verso:
“Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas.”
A respeito da função sintática e do valor semântico do termo “apenas”, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4217856 Português
De acordo com Pestana (2013, p.418), “O pronome relativo é um elemento conector de caráter anafórico, isto é, refere-se a um termo antecedente explícito”. Sabendo disso, assinale, a seguir, a alternativa na qual o pronome relativo NÃO foi utilizado de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. 
Alternativas
Q4217855 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O surto psicodélico da Copa

Neide Fischer

        O Brasil é conhecido como o país do futebol. Não que eu aprecie muito esse título. Pouco compreendo do assunto, mas na Copa até eu torço, nem que seja por uma questão de amor à pátria. É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.

        O que quero abordar aqui sai do futebol e entra na política, economia e sociedade, pois me veio uma preocupação recente que gostaria de compartilhar com meus pares: os jornalistas. A preocupação atende por um velho nome: pão e circo.

        Boa parte de vocês já conhece a expressão. Como já faziam os romanos com sua política do “pão e circo”, especialistas em distrair a população enquanto os problemas reais continuavam ali. Mudam-se os impérios, permanecem os truques.

        E é justamente aí que mora o meu receio.

        O Brasil atravessa uma fase política problemática, com corrupção, violência crescente, empresas estatais quase à beira de um colapso e uma população cada vez mais cansada de pagar a conta de tudo. Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências. Não é necessário aprofundar todas essas mazelas porque elas já batem diariamente à nossa porta.

        Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico: tabelas, treinos, tornozelos lesionados, cabelo de jogador, análise emocional de técnico, grama usada no estádio da seleção e, se deixar, até reportagem investigativa sobre o cachorro do camisa 10 ou previsão astrológica da seleção.

        Isso começa a parecer uma espécie de loucura coletiva. Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida.

        Não digo que não haja pauta no futebol. Claro que há. Copa do Mundo movimenta economia, cultura, comportamento e audiência. Ignorar isso seria tolice. Minha questão começa quando todo o resto desaparece do noticiário como mágica. Como se os problemas do país tirassem férias durante os jogos. Como se a violência aguardasse educadamente o apito final.

        Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo enquanto os problemas reais das famílias brasileiras continuam acontecendo fora do estádio, muito longe dos camarotes e dos flashes psicodélicos.

        Cobrir futebol é legítimo. Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa. E é exatamente esse o meu alerta. Talvez nossa obrigação, justamente durante grandes eventos, seja redobrar a atenção ao que tentam empurrar para debaixo do tapete enquanto o país está distraído gritando “gol”.

        Precisamos de um jornalismo mais crítico, inteligente e audaz. Um jornalismo que não fale apenas mais do mesmo, que não viva requentando matérias ou reciclando opiniões prontas. Pior ainda: precisamos fugir de um jornalismo militante, que utiliza essa profissão, uma das mais importantes para a democracia, para induzir pensamentos, comportamentos e interpretações em uma população que, muitas vezes, desconhece os mecanismos de influência e o poder do chamado gatekeeping na formação das narrativas.

        A teoria da comunicação já mostrou há muito tempo que a imprensa não determina exatamente o que as pessoas devem pensar, mas influencia fortemente sobre o que elas irão pensar. E isso traz uma responsabilidade gigantesca para quem escolhe quais assuntos terão destaque e quais serão deixados em segundo plano.

        No fim das contas, talvez o verdadeiro papel do jornalista não seja apenas informar sobre o espetáculo, mas garantir que o espetáculo não seja usado para esconder a realidade.

Fonte: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/futebol/o-surtopsicodelico-da-copa/

No que tange à regência verbal, do ponto de vista da gramática normativo-prescritiva da Língua Portuguesa, no período “Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa”, presente no décimo parágrafo do texto, o verbo em destaque classifica-se como: 
Alternativas
Q4217854 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O surto psicodélico da Copa

Neide Fischer

        O Brasil é conhecido como o país do futebol. Não que eu aprecie muito esse título. Pouco compreendo do assunto, mas na Copa até eu torço, nem que seja por uma questão de amor à pátria. É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.

        O que quero abordar aqui sai do futebol e entra na política, economia e sociedade, pois me veio uma preocupação recente que gostaria de compartilhar com meus pares: os jornalistas. A preocupação atende por um velho nome: pão e circo.

        Boa parte de vocês já conhece a expressão. Como já faziam os romanos com sua política do “pão e circo”, especialistas em distrair a população enquanto os problemas reais continuavam ali. Mudam-se os impérios, permanecem os truques.

        E é justamente aí que mora o meu receio.

        O Brasil atravessa uma fase política problemática, com corrupção, violência crescente, empresas estatais quase à beira de um colapso e uma população cada vez mais cansada de pagar a conta de tudo. Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências. Não é necessário aprofundar todas essas mazelas porque elas já batem diariamente à nossa porta.

        Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico: tabelas, treinos, tornozelos lesionados, cabelo de jogador, análise emocional de técnico, grama usada no estádio da seleção e, se deixar, até reportagem investigativa sobre o cachorro do camisa 10 ou previsão astrológica da seleção.

        Isso começa a parecer uma espécie de loucura coletiva. Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida.

        Não digo que não haja pauta no futebol. Claro que há. Copa do Mundo movimenta economia, cultura, comportamento e audiência. Ignorar isso seria tolice. Minha questão começa quando todo o resto desaparece do noticiário como mágica. Como se os problemas do país tirassem férias durante os jogos. Como se a violência aguardasse educadamente o apito final.

        Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo enquanto os problemas reais das famílias brasileiras continuam acontecendo fora do estádio, muito longe dos camarotes e dos flashes psicodélicos.

        Cobrir futebol é legítimo. Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa. E é exatamente esse o meu alerta. Talvez nossa obrigação, justamente durante grandes eventos, seja redobrar a atenção ao que tentam empurrar para debaixo do tapete enquanto o país está distraído gritando “gol”.

        Precisamos de um jornalismo mais crítico, inteligente e audaz. Um jornalismo que não fale apenas mais do mesmo, que não viva requentando matérias ou reciclando opiniões prontas. Pior ainda: precisamos fugir de um jornalismo militante, que utiliza essa profissão, uma das mais importantes para a democracia, para induzir pensamentos, comportamentos e interpretações em uma população que, muitas vezes, desconhece os mecanismos de influência e o poder do chamado gatekeeping na formação das narrativas.

        A teoria da comunicação já mostrou há muito tempo que a imprensa não determina exatamente o que as pessoas devem pensar, mas influencia fortemente sobre o que elas irão pensar. E isso traz uma responsabilidade gigantesca para quem escolhe quais assuntos terão destaque e quais serão deixados em segundo plano.

        No fim das contas, talvez o verdadeiro papel do jornalista não seja apenas informar sobre o espetáculo, mas garantir que o espetáculo não seja usado para esconder a realidade.

Fonte: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/futebol/o-surtopsicodelico-da-copa/

Releia o período presente no quadro a seguir.
Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida. 
Após a leitura, analise as afirmativas a seguir:
I. No trecho “Um excesso de zelo que”, o termo “que” exerce função morfossintática de pronome relativo;
II. A oração “se fosse aplicado a temas realmente importantes”, classificada como oração subordinada adverbial condicional, está entre o sujeito e o verbo de uma oração, o que justifica o uso das vírgulas;
III. As orações “que talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo” e “que impacta diretamente sua vida” são orações subordinadas substantivas;
IV. No trecho “Um excesso de zelo”, o termo em destaque trata-se de um adjunto adnominal.
Após análise das afirmativas, pode-se afirmar que: 
Alternativas
Q4217853 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O surto psicodélico da Copa

Neide Fischer

        O Brasil é conhecido como o país do futebol. Não que eu aprecie muito esse título. Pouco compreendo do assunto, mas na Copa até eu torço, nem que seja por uma questão de amor à pátria. É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.

        O que quero abordar aqui sai do futebol e entra na política, economia e sociedade, pois me veio uma preocupação recente que gostaria de compartilhar com meus pares: os jornalistas. A preocupação atende por um velho nome: pão e circo.

        Boa parte de vocês já conhece a expressão. Como já faziam os romanos com sua política do “pão e circo”, especialistas em distrair a população enquanto os problemas reais continuavam ali. Mudam-se os impérios, permanecem os truques.

        E é justamente aí que mora o meu receio.

        O Brasil atravessa uma fase política problemática, com corrupção, violência crescente, empresas estatais quase à beira de um colapso e uma população cada vez mais cansada de pagar a conta de tudo. Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências. Não é necessário aprofundar todas essas mazelas porque elas já batem diariamente à nossa porta.

        Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico: tabelas, treinos, tornozelos lesionados, cabelo de jogador, análise emocional de técnico, grama usada no estádio da seleção e, se deixar, até reportagem investigativa sobre o cachorro do camisa 10 ou previsão astrológica da seleção.

        Isso começa a parecer uma espécie de loucura coletiva. Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida.

        Não digo que não haja pauta no futebol. Claro que há. Copa do Mundo movimenta economia, cultura, comportamento e audiência. Ignorar isso seria tolice. Minha questão começa quando todo o resto desaparece do noticiário como mágica. Como se os problemas do país tirassem férias durante os jogos. Como se a violência aguardasse educadamente o apito final.

        Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo enquanto os problemas reais das famílias brasileiras continuam acontecendo fora do estádio, muito longe dos camarotes e dos flashes psicodélicos.

        Cobrir futebol é legítimo. Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa. E é exatamente esse o meu alerta. Talvez nossa obrigação, justamente durante grandes eventos, seja redobrar a atenção ao que tentam empurrar para debaixo do tapete enquanto o país está distraído gritando “gol”.

        Precisamos de um jornalismo mais crítico, inteligente e audaz. Um jornalismo que não fale apenas mais do mesmo, que não viva requentando matérias ou reciclando opiniões prontas. Pior ainda: precisamos fugir de um jornalismo militante, que utiliza essa profissão, uma das mais importantes para a democracia, para induzir pensamentos, comportamentos e interpretações em uma população que, muitas vezes, desconhece os mecanismos de influência e o poder do chamado gatekeeping na formação das narrativas.

        A teoria da comunicação já mostrou há muito tempo que a imprensa não determina exatamente o que as pessoas devem pensar, mas influencia fortemente sobre o que elas irão pensar. E isso traz uma responsabilidade gigantesca para quem escolhe quais assuntos terão destaque e quais serão deixados em segundo plano.

        No fim das contas, talvez o verdadeiro papel do jornalista não seja apenas informar sobre o espetáculo, mas garantir que o espetáculo não seja usado para esconder a realidade.

Fonte: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/futebol/o-surtopsicodelico-da-copa/

No trecho “Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo [...]”, presente no nono parágrafo do texto em questão, o termo em destaque exerce função sintática de: 
Alternativas
Q4217852 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O surto psicodélico da Copa

Neide Fischer

        O Brasil é conhecido como o país do futebol. Não que eu aprecie muito esse título. Pouco compreendo do assunto, mas na Copa até eu torço, nem que seja por uma questão de amor à pátria. É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.

        O que quero abordar aqui sai do futebol e entra na política, economia e sociedade, pois me veio uma preocupação recente que gostaria de compartilhar com meus pares: os jornalistas. A preocupação atende por um velho nome: pão e circo.

        Boa parte de vocês já conhece a expressão. Como já faziam os romanos com sua política do “pão e circo”, especialistas em distrair a população enquanto os problemas reais continuavam ali. Mudam-se os impérios, permanecem os truques.

        E é justamente aí que mora o meu receio.

        O Brasil atravessa uma fase política problemática, com corrupção, violência crescente, empresas estatais quase à beira de um colapso e uma população cada vez mais cansada de pagar a conta de tudo. Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências. Não é necessário aprofundar todas essas mazelas porque elas já batem diariamente à nossa porta.

        Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico: tabelas, treinos, tornozelos lesionados, cabelo de jogador, análise emocional de técnico, grama usada no estádio da seleção e, se deixar, até reportagem investigativa sobre o cachorro do camisa 10 ou previsão astrológica da seleção.

        Isso começa a parecer uma espécie de loucura coletiva. Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida.

        Não digo que não haja pauta no futebol. Claro que há. Copa do Mundo movimenta economia, cultura, comportamento e audiência. Ignorar isso seria tolice. Minha questão começa quando todo o resto desaparece do noticiário como mágica. Como se os problemas do país tirassem férias durante os jogos. Como se a violência aguardasse educadamente o apito final.

        Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo enquanto os problemas reais das famílias brasileiras continuam acontecendo fora do estádio, muito longe dos camarotes e dos flashes psicodélicos.

        Cobrir futebol é legítimo. Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa. E é exatamente esse o meu alerta. Talvez nossa obrigação, justamente durante grandes eventos, seja redobrar a atenção ao que tentam empurrar para debaixo do tapete enquanto o país está distraído gritando “gol”.

        Precisamos de um jornalismo mais crítico, inteligente e audaz. Um jornalismo que não fale apenas mais do mesmo, que não viva requentando matérias ou reciclando opiniões prontas. Pior ainda: precisamos fugir de um jornalismo militante, que utiliza essa profissão, uma das mais importantes para a democracia, para induzir pensamentos, comportamentos e interpretações em uma população que, muitas vezes, desconhece os mecanismos de influência e o poder do chamado gatekeeping na formação das narrativas.

        A teoria da comunicação já mostrou há muito tempo que a imprensa não determina exatamente o que as pessoas devem pensar, mas influencia fortemente sobre o que elas irão pensar. E isso traz uma responsabilidade gigantesca para quem escolhe quais assuntos terão destaque e quais serão deixados em segundo plano.

        No fim das contas, talvez o verdadeiro papel do jornalista não seja apenas informar sobre o espetáculo, mas garantir que o espetáculo não seja usado para esconder a realidade.

Fonte: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/futebol/o-surtopsicodelico-da-copa/

A oração em destaque no excerto “[...] quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico [...]”, retirado do sexto parágrafo do texto, apresenta, em sua relação subordinada à oração seguinte, relação sintático-semântica de: 
Alternativas
Q4217851 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O surto psicodélico da Copa

Neide Fischer

        O Brasil é conhecido como o país do futebol. Não que eu aprecie muito esse título. Pouco compreendo do assunto, mas na Copa até eu torço, nem que seja por uma questão de amor à pátria. É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.

        O que quero abordar aqui sai do futebol e entra na política, economia e sociedade, pois me veio uma preocupação recente que gostaria de compartilhar com meus pares: os jornalistas. A preocupação atende por um velho nome: pão e circo.

        Boa parte de vocês já conhece a expressão. Como já faziam os romanos com sua política do “pão e circo”, especialistas em distrair a população enquanto os problemas reais continuavam ali. Mudam-se os impérios, permanecem os truques.

        E é justamente aí que mora o meu receio.

        O Brasil atravessa uma fase política problemática, com corrupção, violência crescente, empresas estatais quase à beira de um colapso e uma população cada vez mais cansada de pagar a conta de tudo. Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências. Não é necessário aprofundar todas essas mazelas porque elas já batem diariamente à nossa porta.

        Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico: tabelas, treinos, tornozelos lesionados, cabelo de jogador, análise emocional de técnico, grama usada no estádio da seleção e, se deixar, até reportagem investigativa sobre o cachorro do camisa 10 ou previsão astrológica da seleção.

        Isso começa a parecer uma espécie de loucura coletiva. Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida.

        Não digo que não haja pauta no futebol. Claro que há. Copa do Mundo movimenta economia, cultura, comportamento e audiência. Ignorar isso seria tolice. Minha questão começa quando todo o resto desaparece do noticiário como mágica. Como se os problemas do país tirassem férias durante os jogos. Como se a violência aguardasse educadamente o apito final.

        Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo enquanto os problemas reais das famílias brasileiras continuam acontecendo fora do estádio, muito longe dos camarotes e dos flashes psicodélicos.

        Cobrir futebol é legítimo. Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa. E é exatamente esse o meu alerta. Talvez nossa obrigação, justamente durante grandes eventos, seja redobrar a atenção ao que tentam empurrar para debaixo do tapete enquanto o país está distraído gritando “gol”.

        Precisamos de um jornalismo mais crítico, inteligente e audaz. Um jornalismo que não fale apenas mais do mesmo, que não viva requentando matérias ou reciclando opiniões prontas. Pior ainda: precisamos fugir de um jornalismo militante, que utiliza essa profissão, uma das mais importantes para a democracia, para induzir pensamentos, comportamentos e interpretações em uma população que, muitas vezes, desconhece os mecanismos de influência e o poder do chamado gatekeeping na formação das narrativas.

        A teoria da comunicação já mostrou há muito tempo que a imprensa não determina exatamente o que as pessoas devem pensar, mas influencia fortemente sobre o que elas irão pensar. E isso traz uma responsabilidade gigantesca para quem escolhe quais assuntos terão destaque e quais serão deixados em segundo plano.

        No fim das contas, talvez o verdadeiro papel do jornalista não seja apenas informar sobre o espetáculo, mas garantir que o espetáculo não seja usado para esconder a realidade.

Fonte: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/futebol/o-surtopsicodelico-da-copa/

No excerto “Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico [...]”, retirado do sexto parágrafo do texto, o termo coesivo em destaque pode ser substituído, respeitando-se a relação sintático-semântica do texto, por: 
Alternativas
Q4217850 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O surto psicodélico da Copa

Neide Fischer

        O Brasil é conhecido como o país do futebol. Não que eu aprecie muito esse título. Pouco compreendo do assunto, mas na Copa até eu torço, nem que seja por uma questão de amor à pátria. É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.

        O que quero abordar aqui sai do futebol e entra na política, economia e sociedade, pois me veio uma preocupação recente que gostaria de compartilhar com meus pares: os jornalistas. A preocupação atende por um velho nome: pão e circo.

        Boa parte de vocês já conhece a expressão. Como já faziam os romanos com sua política do “pão e circo”, especialistas em distrair a população enquanto os problemas reais continuavam ali. Mudam-se os impérios, permanecem os truques.

        E é justamente aí que mora o meu receio.

        O Brasil atravessa uma fase política problemática, com corrupção, violência crescente, empresas estatais quase à beira de um colapso e uma população cada vez mais cansada de pagar a conta de tudo. Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências. Não é necessário aprofundar todas essas mazelas porque elas já batem diariamente à nossa porta.

        Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico: tabelas, treinos, tornozelos lesionados, cabelo de jogador, análise emocional de técnico, grama usada no estádio da seleção e, se deixar, até reportagem investigativa sobre o cachorro do camisa 10 ou previsão astrológica da seleção.

        Isso começa a parecer uma espécie de loucura coletiva. Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida.

        Não digo que não haja pauta no futebol. Claro que há. Copa do Mundo movimenta economia, cultura, comportamento e audiência. Ignorar isso seria tolice. Minha questão começa quando todo o resto desaparece do noticiário como mágica. Como se os problemas do país tirassem férias durante os jogos. Como se a violência aguardasse educadamente o apito final.

        Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo enquanto os problemas reais das famílias brasileiras continuam acontecendo fora do estádio, muito longe dos camarotes e dos flashes psicodélicos.

        Cobrir futebol é legítimo. Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa. E é exatamente esse o meu alerta. Talvez nossa obrigação, justamente durante grandes eventos, seja redobrar a atenção ao que tentam empurrar para debaixo do tapete enquanto o país está distraído gritando “gol”.

        Precisamos de um jornalismo mais crítico, inteligente e audaz. Um jornalismo que não fale apenas mais do mesmo, que não viva requentando matérias ou reciclando opiniões prontas. Pior ainda: precisamos fugir de um jornalismo militante, que utiliza essa profissão, uma das mais importantes para a democracia, para induzir pensamentos, comportamentos e interpretações em uma população que, muitas vezes, desconhece os mecanismos de influência e o poder do chamado gatekeeping na formação das narrativas.

        A teoria da comunicação já mostrou há muito tempo que a imprensa não determina exatamente o que as pessoas devem pensar, mas influencia fortemente sobre o que elas irão pensar. E isso traz uma responsabilidade gigantesca para quem escolhe quais assuntos terão destaque e quais serão deixados em segundo plano.

        No fim das contas, talvez o verdadeiro papel do jornalista não seja apenas informar sobre o espetáculo, mas garantir que o espetáculo não seja usado para esconder a realidade.

Fonte: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/futebol/o-surtopsicodelico-da-copa/

O período “Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências”, retirado do quinto parágrafo do texto apresentado, é:
Alternativas
Q4217849 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

O surto psicodélico da Copa

Neide Fischer

        O Brasil é conhecido como o país do futebol. Não que eu aprecie muito esse título. Pouco compreendo do assunto, mas na Copa até eu torço, nem que seja por uma questão de amor à pátria. É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.

        O que quero abordar aqui sai do futebol e entra na política, economia e sociedade, pois me veio uma preocupação recente que gostaria de compartilhar com meus pares: os jornalistas. A preocupação atende por um velho nome: pão e circo.

        Boa parte de vocês já conhece a expressão. Como já faziam os romanos com sua política do “pão e circo”, especialistas em distrair a população enquanto os problemas reais continuavam ali. Mudam-se os impérios, permanecem os truques.

        E é justamente aí que mora o meu receio.

        O Brasil atravessa uma fase política problemática, com corrupção, violência crescente, empresas estatais quase à beira de um colapso e uma população cada vez mais cansada de pagar a conta de tudo. Poderíamos citar mais vinte problemas sem esforço algum, e nós, brasileiros, conhecemos cada um deles e sentimos na pele suas consequências. Não é necessário aprofundar todas essas mazelas porque elas já batem diariamente à nossa porta.

        Ainda assim, quando chega a Copa do Mundo, parte da imprensa entra num estado quase hipnótico: tabelas, treinos, tornozelos lesionados, cabelo de jogador, análise emocional de técnico, grama usada no estádio da seleção e, se deixar, até reportagem investigativa sobre o cachorro do camisa 10 ou previsão astrológica da seleção.

        Isso começa a parecer uma espécie de loucura coletiva. Um excesso de zelo que, se fosse aplicado a temas realmente importantes, talvez deixasse a população muito mais bem informada sobre aquilo que impacta diretamente sua vida.

        Não digo que não haja pauta no futebol. Claro que há. Copa do Mundo movimenta economia, cultura, comportamento e audiência. Ignorar isso seria tolice. Minha questão começa quando todo o resto desaparece do noticiário como mágica. Como se os problemas do país tirassem férias durante os jogos. Como se a violência aguardasse educadamente o apito final.

        Nós, jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de embarcar completamente nesse espetáculo enquanto os problemas reais das famílias brasileiras continuam acontecendo fora do estádio, muito longe dos camarotes e dos flashes psicodélicos.

        Cobrir futebol é legítimo. Transformar a cobertura esportiva em anestesia coletiva já é outra coisa. E é exatamente esse o meu alerta. Talvez nossa obrigação, justamente durante grandes eventos, seja redobrar a atenção ao que tentam empurrar para debaixo do tapete enquanto o país está distraído gritando “gol”.

        Precisamos de um jornalismo mais crítico, inteligente e audaz. Um jornalismo que não fale apenas mais do mesmo, que não viva requentando matérias ou reciclando opiniões prontas. Pior ainda: precisamos fugir de um jornalismo militante, que utiliza essa profissão, uma das mais importantes para a democracia, para induzir pensamentos, comportamentos e interpretações em uma população que, muitas vezes, desconhece os mecanismos de influência e o poder do chamado gatekeeping na formação das narrativas.

        A teoria da comunicação já mostrou há muito tempo que a imprensa não determina exatamente o que as pessoas devem pensar, mas influencia fortemente sobre o que elas irão pensar. E isso traz uma responsabilidade gigantesca para quem escolhe quais assuntos terão destaque e quais serão deixados em segundo plano.

        No fim das contas, talvez o verdadeiro papel do jornalista não seja apenas informar sobre o espetáculo, mas garantir que o espetáculo não seja usado para esconder a realidade.

Fonte: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/futebol/o-surtopsicodelico-da-copa/

Releia o período a seguir, presente no primeiro parágrafo do texto apresentado.
É uma época em que, durante os jogos, o país parece, numa espécie de surto psicodélico coletivo, esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda em vários sentidos.
Após a leitura, analise as afirmativas a seguir:
I. O termo “durante os jogos” exerce função sintática de adjunto adverbial;
II. O termo em destaque no trecho “É uma época em que [...]” trata-se de uma conjunção integrante;
III. O termo em destaque no trecho “[...] esquecer por noventa minutos que não está com essa bola toda [...]” trata-se de um pronome relativo;
IV. Os verbos “parece” e “esquecer” constituem uma locução verbal.
Após análise, conclui-se que:
Alternativas
Q4217346 Português

Contato diário com cultura e arte pode desacelerar envelhecimento, diz estudo

 

Pesquisa feita com mais de 3.500 adultos sugere que prática de atividades ligadas à criatividade e cultura pode estar ligada a ritmo mais lento de envelhecimento celular

Sarah Macedo

 

Atividades como ouvir música, ler um livro, desenhar ou visitar um museu podem fazer mais pela sua saúde do que relaxar a mente. Segundo uma nova pesquisa da UCL (University College London), na Inglaterra, pessoas que mantêm contato frequente com artes e atividades culturais apresentam um ritmo mais lento de envelhecimento biológico.

O estudo, publicado em 11 de maio na revista Innovation in Aging, reuniu informações de mais de 3,5 mil adultos do Reino Unido, incluindo exames de sangue e questionários sobre hábitos culturais. Com esses dados, os pesquisadores conseguiram calcular a idade biológica dos participantes e acompanhar a velocidade com que o corpo envelhece.

Os resultados mostraram que pessoas que se envolviam com atividades artísticas semanalmente envelheciam cerca de 4% mais lentamente do que aquelas que quase nunca tinham esse tipo de contato. Já quem mantinha esse hábito ao menos uma vez por mês apresentava um envelhecimento cerca de 3% mais lento.

Em média, os participantes que realizavam alguma atividade artística semanalmente eram biologicamente um ano mais jovens do que aqueles que raramente se dedicavam a elas, enquanto as pessoas que praticavam exercícios físicos uma vez por semana apresentavam uma diferença de cerca de seis meses nessa mesma métrica.

 

Como o estudo foi feito

 

Para a pesquisa, os participantes precisaram responder com que frequência, ao longo do último ano, participaram de atividades como canto, dança, pintura, fotografia e artesanato, além de visitas a exposições, eventos culturais, museus, bibliotecas, arquivos e patrimônios históricos (como monumentos, prédios antigos e parques históricos).

“Os resultados fornecem evidências de que o envolvimento com as artes e a cultura deve ser reconhecido como um comportamento promotor da saúde, de forma semelhante ao exercício físico”, disse Daisy Fancourt, psicobióloga da UCL e autora principal do estudo, em entrevista ao The Guardian.

Para Feifei Bu, pesquisadora da UCL e autora sênior do estudo, o estudo traz “a primeira evidência” de uma relação entre o envolvimento com atividades artísticas e cultura e um envelhecimento biológico mais lento. Segundo ela, os resultados reforçam pesquisas anteriores que associam as artes à redução do estresse, diminuição de inflamações e melhora do risco de doenças cardiovasculares, benefícios já observados com a prática de exercícios físicos.

Fancourt também destacou que diferentes atividades culturais podem impactar o organismo de maneiras distintas. “Cada tipo de atividade artística — ler, fazer música, assistir a apresentações culturais, visitar locais históricos — tem efeitos diferentes sobre nós cognitivamente, emocionalmente e fisiologicamente”, afirmou em entrevista à revista Smithsonian. “Por isso, se envolver em uma variedade de atividades, assim como manter uma alimentação diversificada, é extremamente benéfico para a saúde.” [...]

 

Adaptado de: https://revistagalileu.globo.com/saude/noticia/2026/05/contato-diario-com-cultura-e-arte-pode-desacelerar-envelhecimento-diz-estudo.ghtml. Acesso em: 17 jun. 2026.

Em relação ao excerto “‘Os resultados fornecem evidências de que o envolvimento com as artes e a cultura deve ser reconhecido como um comportamento promotor da saúde, de forma semelhante ao exercício físico’, disse Daisy Fancourt, psicobióloga da UCL e autora principal do estudo, em entrevista ao The Guardian.”, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q4217038 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.

Educação para o trabalho ou para a autonomia social?

    As formas de lidar com as metodologias de ensino e o objetivo central da educação contemporânea têm se transformado rápida e quase imperceptivelmente. Fato que, apesar de atual, não e inédito. Bertrand Russelljá discorria em 1932 sobre as teorias e os caminhos da educação, momento em que argumentava que há três teorias divergentes sobre o que constitui uma boa educação. A primeira sustenta que a educação deve proteger a criança contra influências prejudiciais. A segunda vê a educação como um processo de desenvolvimento da cultura e das capacidades do educando. A terceira perspectiva sustenta que a educação deve ser pensada em função da comunidade, e não do indivíduo, tendo como objetivo a formação de cidadãos socialmente úteis.
    Essas três teorias não são mutuamente excludentes; todas têm valor. Cada uma delas é enfatizada em diferentes graus por diferentes sistemas educacionais. Na prática, diferentes sociedades ou sistemas educacionais tendem a privilegiar uma delas, conforme suas orientações políticas, econômicas e culturais predominantes. Para o autor, o mais desejável seria alcançar um equilíbrio dinâmico entre o desenvolvimento individual e a responsabilidade social, de modo que a educação possa formar sujeitos plenos e, ao mesmo tempo, cidadãos comprometidos com o bem coletivo.
    A análise de Russell sobre as três concepções de educação - proteção moral, desenvolvimento individual e preparação social - revela tensões importantes quando aplicada de forma desequilibrada. A terceira concepção, que entende a educação como meio de formar "cidadãos úteis" à sociedade, pode ser distorcida por sistemas que priorizam a utilidade econômica em detrimento do sentido humano do trabalho.
    É justamente nesse ponto que a crítica de Mario Sergio Cortella se torna especialmente contundente: segundo ele, o que transforma o esforço em sacrifício é a ausência de sentido. O trabalho, quando reduzido à mera sobrevivência, perde seu valor existencial e se converte em opressão. Assim, uma educação que forme apenas para o mercado, sem cultivar o pensamento crítico, a autonomia e a consciência ética, contribui para a alienação do sujeito.
    Para Paulo Freire, a formação do sujeito não se materializa de forma verticalizada nem unidirecional, mas ocorre de modo dialogico e recíproco, em um processo de construção coletiva do conhecimento, no qual o educador instiga o educando a partir de informações préconcebidas, enquanto o educando contribui com suas proprias vivências. Essa perspectiva desafia as práticas bancárias de ensino, nas quais o aluno é visto como recipiente passivo, e propõe uma educação na qual ambos os agentes exercem papel ativo no processo formativo. Essa ideia se aproxima da segunda teoria de Russell, que valoriza a educação como processo de desenvolvimento das capacidades do educando, em oposição à mera formação de indivíduos úteis ao sistema. Ambos rejeitam a educação como imposição de conteúdos imutáveis e defendem o papel ativo do sujeito no aprendizado. Essa visão também dialoga com a crítica de Cortella à alienação do trabalho. Se a educação não promove consciência, criticidade e proposito, ela esvazia o sujeito e o submete à repetição sem reflexão. Assim, para os três autores, ensinar e aprender são processos criadores e dialogicos, capazes de formar cidadãos autônomos.

Adaptado de: UMA, A. M. A. Educação: ato emancipatório ou adestramento? Educ. Soc., Campinas, v.47, e299663,2026.
Considere a estrutura sintática da seguinte oração extraída do segundo parágrafo: Cada uma delas é enfatizada em diferentes graus por diferentes sistemas educacionais. A respeito dos termos que compõem essa estrutura oracional, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Respostas
1: A
2: B
3: D
4: B
5: A
6: C
7: B
8: C
9: C
10: D
11: C
12: D
13: A
14: B
15: B
16: D
17: E
18: A
19: E
20: B