Questões de Concurso
Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português
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Leia o texto para responder à questão.
Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
Leia o texto para responder à questão.
Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.
Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.
A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.
Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.
Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.
(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)
Leia a tira para responder à questão.

Leia a crônica para responder à questão.
Fiscais de barriga
Confesso: nos últimos tempos engordei. Não, não virei uma bola de boliche, mas esses últimos quilos se concentraram na barriga. Todos eles. Tornei-me o alvo ideal para um tipo que virou uma praga na vida urbana. É o fiscal de barriga. Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. Você se encontra com o tipo, ele abre um sorriso até as orelhas e tasca:
– Engordou, hein?!
Todo fofo sabe quando e quanto subiu de peso. Quem nunca observou uma pessoa volumosa aferindo os gramas numa balança de farmácia? Primeiro sobe, com expressão de esperança. Ao observar o marcador implacável, o rosto se contorce entre dúvida e desespero. Algumas tiram o casaco, como se um reles objeto pudesse pesar os 5 ou 10 quilos extras apontados. Suspira fundo e olha o marcador novamente.
Agora a expressão é de desconfiança, quando não de fúria:
– Balança de farmácia não presta!!
E sai à procura de outra.
O fiscal de barriga só serve para acrescentar fel1 à vida dos outros. Conheço um, diretor de teatro, com a silhueta elegante como um balde. Deveria ficar quieto, mas mede o peso de cada um com olhos argutos2:
– Quando fomos almoçar juntos, você estava bem mais magro.
– Que é isso? Eu já estava gordinho – defendo-me.
– Não, não... agora você está pior – contesta satisfeito.
Na fofura e na magreza, sempre haverá um fiscal para comentar que, depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final:
– Só falo porque sou seu amigo.
Que ninguém acredite na expressão de solidariedade. Torturar o próximo, eis seu maior prazer.
(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 06.11.1996. Adaptado)
1 fel: amargura, azedume.
2 argutos: muito atentos.
• Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. (1o parágrafo)
• ... depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final... (10o parágrafo)
As expressões destacadas têm, respectivamente, senti do equivalente a:
Leia a crônica para responder à questão.
Fiscais de barriga
Confesso: nos últimos tempos engordei. Não, não virei uma bola de boliche, mas esses últimos quilos se concentraram na barriga. Todos eles. Tornei-me o alvo ideal para um tipo que virou uma praga na vida urbana. É o fiscal de barriga. Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. Você se encontra com o tipo, ele abre um sorriso até as orelhas e tasca:
– Engordou, hein?!
Todo fofo sabe quando e quanto subiu de peso. Quem nunca observou uma pessoa volumosa aferindo os gramas numa balança de farmácia? Primeiro sobe, com expressão de esperança. Ao observar o marcador implacável, o rosto se contorce entre dúvida e desespero. Algumas tiram o casaco, como se um reles objeto pudesse pesar os 5 ou 10 quilos extras apontados. Suspira fundo e olha o marcador novamente.
Agora a expressão é de desconfiança, quando não de fúria:
– Balança de farmácia não presta!!
E sai à procura de outra.
O fiscal de barriga só serve para acrescentar fel1 à vida dos outros. Conheço um, diretor de teatro, com a silhueta elegante como um balde. Deveria ficar quieto, mas mede o peso de cada um com olhos argutos2:
– Quando fomos almoçar juntos, você estava bem mais magro.
– Que é isso? Eu já estava gordinho – defendo-me.
– Não, não... agora você está pior – contesta satisfeito.
Na fofura e na magreza, sempre haverá um fiscal para comentar que, depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final:
– Só falo porque sou seu amigo.
Que ninguém acredite na expressão de solidariedade. Torturar o próximo, eis seu maior prazer.
(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 06.11.1996. Adaptado)
1 fel: amargura, azedume.
2 argutos: muito atentos.
... fracamente iluminado... (1º parágrafo)
... só podem contemplar... (1º parágrafo)
Enfim, uma pessoa liberta veria ... (3º parágrafo)
Ao se despedir, o rapaz foi até o orientador... (5º parágrafo)
As expressões destacadas expressam, correta e respectivamente, sentido de:
• Trata-se de uma criatura empenhada em contabilizar o peso alheio. (1º parágrafo)
• ... depois de se comportar como um inquisidor, dá a estocada final... (10º parágrafo)
As expressões destacadas têm, respectivamente, sentido equivalente a:
Leia o texto para responder à questão.
Meu pai
Sempre que vejo um canário me lembro do meu pai. Cresci cercado por gaiolas, repleto de pássaros coloridos. Eu ajudava a dar alpiste e a encher os bebedouros de água. Acompanhava as fêmeas chocando os ovos. Era fantástico ver os filhostinhos piando. Minha mãe preparava uma papa de ração, que meu pai dava com colherzinha.
Às vezes, eram tantos os cuidados que eu sentia ciúme. E se gostasse mais dos canários que de mim?
Meu pai não foi dado a atenção de carinho. Talvez porque tenha sido criado num meio em que o homem não expressava os sentimentos. Talvez porque nunca recebi muito carinho do próprio pai. Saiu de casa aos 13 anos e foi morar com um irmão.
Queria ter continuado os estudos, mas, casado e com filhos, não poderia seguir adiante.
Era ferroviário, telegrafista, uma profissão mal remunerada; porém a pobreza, em minha infância no interior, foi mais digna que a de hoje em dia.
A duras penas, consegui batalhar por um projeto de vida para os filhos. Seu maior compromisso era nos fazer estudar. Todos os esforços da família eram orientados para nossa educação. Até a fuga dos canários causaria menos dor a meu pai que ver um filho repetir de ano.
Aos 13 anos, já anunciei meu desejo de ser escritor e ganhei dele minha máquina de escrever: era um modelo primeiro simples, comprado em prestações a perder de vista. Nunca esquecereii a sensação de sentir o cheiro de tinta e a letra surgindo no papel!
Ao longo da vida, tive a chance de sentir seu apoio várias vezes. Ele sempre força por nós.
Meu pai era um homem simples, mas teve grandeza.
(Walcyr Carrasco. VEJA SP, 2001. Adaptado)
Considere o trecho do texto.
• A duras penas, consegui batalhar por um projeto de vida para os filhos.
No texto, a expressão destacada significa:
O impulso por mais, melhor, mais novo, assim como o desejo de prazer, faz parte de nossa natureza. Quem se opõe a isso se torna infeliz, porque não é possível se insurgir contra a própria natureza. O segredo do prazer é conhecer as paixões e - em vez de lutar contra elas ou negá-las - controlá-las. O latim usa para tanto a bela palavra temperantia, que tão bonita porque não soa como refreamento ou disciplina, mas como arte da composição correta, utilizada, por exemplo, numa receita, em que a questão não é usar açúcar ou farinha, mas dispor das quantidades exatas, a fim de não estragar o todo. Para o cristão, a moderação é uma das virtudes cardinais; o budismo aconselha a moderação e a medicina também.
SCHONBURG, Alexander. SCHONBURG, Alexander. Rico sem dinheiro. São Paulo: Gente, 2007. p.138.
Assinale a alternativa em que há uma referência aos significados Assinale a alternativa em que há uma referência aos significados contidos no texto.
Arte Longa, Vida Breve

Por Cláudia Laitano
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/claudia-laitano/noticia/2023/06/arte-longa-vida-breveclj20eyoj004r0151yd34rba7.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Há uma coisa que sempre urge; essa coisa é a ingratidão.
Barkilphedro não fugiu à regra.
Tendo recebido tantos benfeitos de Josiane, naturalmente teve um único pensamento, vingar-se.
Acrescentemos que Josiane era bela, alta, jovem, rica, poderosa, ilustre e que Barkilphedro era feio pequeno, velho, pobre, protegido, obscuro. Era, pois, preciso que se vingasse disso também.
Quando se é pura noite, como perdoar tanta irradiação?
Barkilphedro era um irlandês que renegara a Irlanda; má espécie.
Barkilphedro tinha uma única coisa em seu favor: é que ele tinha uma enorme barriga.
Uma grande barriga passa como sinal de bondade. Mas essa barriga se somava à hipocrisia de Barkilphedro. Pois aquele homem era extremamente mau.
HUGO, Victor. O homem que ri. Barueri, SP: Amarilys. p. 293.
Em todo esse trecho do romance, para caracterizar os seus personagens, o autor abusa de um efeito estilístico que, no estudo da semântica, denomina-se
As palavras destacadas no segmento acima podem ser substituídas, sem prejuízo semântico, respectivamente, por:
A palavra destacada no trecho acima pode ser substituída, sem prejuízo semântico, por:
Leia o texto de Ignácio de Loyola Brandão para responder à questão.
A pedra na roda
Deixamos Porto Alegre às 8 da manhã. Seriam 300 quilômetros, cerca de quatro horas de viagem através de campos e serras. Eram três ônibus que levavam cem escritores, entre romancistas, poetas, professores, linguistas, para um encontro literário em Passo Fundo.
A viagem prosseguia bem até o momento que ouvimos um barulho assustador nos pneus traseiros. Como se tivessem explodido e a borracha continuasse a bater no solo. O ônibus parou. Os outros pararam também em solidariedade, para saber o que se passava.
Já eram 11h30, tínhamos ainda uma hora e pouco de estrada para a abertura, às 13h, da Jornada Literária, acontece que uma pedra de bom porte se meteu entre os dois pneus traseiros. São rodas duplas e a pedra se enfiou, sabe-se lá como, entre os pneus da direita. Não dava para andar, a pedra rasgaria tudo.
Juntaram-se os três motoristas, buscando solução. Apareceram uma marreta, um formão (muito pequeno), uma chave de roda. Os motoristas se revezavam, martelavam de um lado, do outro, de cima para baixo. A pedra, imóvel, para dar o ar da graça e animar, soltou umas lasquinhas que encheram todos de esperanças. Ficou nisso.
Poetas, romancista, linguistas, ensaístas, todos deram opiniões estapafúrdias. Escrever um romance parece mais fácil do que arrancar uma pedra da roda.
O tempo passou, já tinha sido solicitado o socorro, mas o caminhão ia demorar. Já eram quase 13h quando surgiu um garoto pedalando uma bicicleta. Viu aquele amontoamento, inteirou-se do assunto. Ficou olhando, os motoristas continuavam com as marteladas inúteis. Havia no ar certa desesperança. Como quem não quer nada, o garoto da bicicleta disse: “E se desparafusarem as rodas, será que a pedra não se solta?” Todos se olharam. Os intelectuais sorriram. Os motoristas ficaram perplexos.
Foi necessário muito esforço para desrosquear, mas, enfim, as rodas se abriram, a pedra – enorme – caiu. Houve aplausos, alívio. Voltamos ao ônibus, a viagem prosseguiu. Skarmeta* escreveu um curto poema sobre a roda travada – lido, mais tarde, no palco.
Cada um de nós, homens do mundo das letras, tem a certeza de que sabe escrever coisas lindas e comoventes. Mas quando uma pedra entra no caminho, não temos a ideia simples e brilhante de desparafusar as rodas, diminuindo a pressão. Talvez na vida possamos aplicar o mesmo método: desapertar um pouco o parafuso, deixar a pedra cair.
(Coleção melhores crônicas: Ignácio de Loyola Brandão. Org. Cecília Almeida Salles. Editora Globo. Adaptado)
*Antonio Skarmeta é escritor chileno, autor de O carteiro e o poeta.
Considere as passagens do texto.
• Poetas, romancista, linguistas, ensaístas, todos deram opiniões estapafúrdias. (5o parágrafo)
• Como quem não quer nada, o garoto da bicicleta disse... (6o parágrafo)
• Os motoristas ficaram perplexos. (6o parágrafo)
No contexto em que se encontram, as expressões destacadas significam, respectivamente: