Questões de Concurso Sobre significação contextual de palavras e expressões. sinônimos e antônimos. em português

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Q4306861 Português
Meninos

Estrofe 1
meninos pedindo comida na porta das casas.
meninos esguios macilentos
filhos da fome
crias do medo
bichinhos escuros
melados de sujo
procriados em catres imundos
em horas escusas
botados no mundo
porque o remédio falhou
Estrofe 2
meninos pedindo comida
ratos de esgoto
saídos da lama
de dia se escondem
de noite se espalham
correndo de porta em porta
só comem no escuro
ratos de esgoto
que a noite soltou
Estrofe 3
meninos pedindo comida nas casas burguesas
meninos pisando pés sujos
nos pátios de são caetano
escorando as mãos sujas no espelho
dos azulejos coloridos do hall
meninos apertando o botão da campainha
esperando o milagre da explosão
da ternura e da comida
que não vem
lá dentro há risos e arrotos
e estômagos cheios se sacodem de gozo
e velhos gulosos caminham pro enfarte
Estrofe 4
e um lindo fogão colorido espreme no ar
um cheiro gostoso de assado e fritura 
que ri dos meninos passando-lhes o dedo
no nariz
Estrofe 5
meninos pedindo comida na porta das casas
a fome fazendo barulho apertando a campainha
chegando em hora incômoda
(esses meninos não respeitam temos visitas pro jantar)
meninos batendo na porta das almas
sujando o assoalho encerado
de nossa paz espiritual
Estrofe 6
meninos ouvindo um não perfumado
cheirando a comida
um não muito limpo
dá água na boca
diga que o que sobrou é pros cachorros
eles que voltem amanhã
meninos recolhem sua fome num saco de plástico
irão bater noutra porta
escrevendo nas ruas as linhas sinuosas do clamor da miséria que sobe até Deus

(Autor: Ápio Campos)

Assinale a alternativa em que ocorre a substituição do substantivo ou do adjetivo (termos destacados) por antônimo:
Alternativas
Q4304782 Português
Ao final da reunião, o diretor afirmou que a equipe teve uma atuação notável, destacando o empenho de todos os servidores na realização do projeto.
No contexto apresentado, a palavra notável significa:
Alternativas
Q4304431 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Ter um sítio


   Ter um sítio é bom, muito bom. Pensei nisso no primeiro dia em que o percorri como dono, ao parar na sombra da imensa antiga mangueira, sentindo no rosto o vento da tarde e escutando o canto dos passarinhos, e voltei a pensar muitas vezes, ao longo desses onze anos em que o tenho.

   Mas se quem nunca teve um sítio e deseja ter acha que é só isso o que você pensa, ou é um perfeito desinformado ou um perfeito idiota, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Há horas, meu caro, há horas em que o que você mais gostaria de ser no mundo é um mágico: um mágico, para, num simples passe, fazer desaparecer de imediato e para sempre seu amado sítio.

  Imagine, por exemplo, que um dia seu empregado, sem qualquer motivo, avise que vai sair. Bom, o mínimo que você pede é que ele fique mais uns dias, até você arranjar outro, pois um empregado não se arranja assim de repente. Ele concorda e promete ficar. Ótimo. Três dias depois, ao voltar ao sítio por um imprevisto, você encontra os porcos berrando de sede e fome, as cercas rebentadas e o gado no pomar, e a égua, depois de muita procura, lá no pasto do vizinho. O que você não encontra é o filho duma égua do empregado: esse caiu no mundo. Eu disse imagine: mas foi isso, foi exatamente isso o que aconteceu comigo logo no primeiro ano.

   Houve depois coisas piores, bem piores, tanto na parte humana quanto na parte da natureza, embora, comparadas a algumas que vi ou ouvi de outras pessoas, eu possa dizer que não foram nada, que sou um sujeito de sorte. Na parte da natureza, o pior foi sempre, sem dúvida, as secas. É terrível. Só quem passou sabe. Você ver o gado emagrecendo, com aquele olhar que dói na gente. Os pastos rapados. O trato acabando. E dia após dia, noite após noite, olhar para o céu em busca de um sinalzinho de chuva, e nada. É terrível. (...)


VILELA, Luiz. Ter um sítio. Globo rural. Disponível em <https://globorural.globo.com/Noticias/Cultura/noticia/2017/01/ter-um-sitio-cronica-de-luiz-vilela.html>.
Assinale a alternativa em que a expressão destacada se encontra empregada em sentido figurado.
Alternativas
Q4303938 Português
Texto 2

O Brasil descobriu, finalmente, o problema da Educação. O que, até dois anos atrás, era uma “nota só” de um político está aos poucos se transformando na nota principal de todos. É uma boa notícia, e um enorme desafio: como sair do vício do abandono ou mesmo da aversão para a prioridade à Educação, quando o próprio conceito de Educação está em mutação. Com os novos avanços, tanto científicos sobre o cérebro como tecnológicos sobre a teleinformática, os velhos sistemas de pedagogia entraram em crise. Antes que cirurgias neuroinformacionais sejam capazes de implantar chips de conhecimento no cérebro, será preciso mudar a escola e o principal desafio é inventar o professor das primeiras décadas do século XXI. [...]

BUARQUE, Cristovam. A invenção do professor. Profissão Mestre, nov. 2008.
No trecho “como sair do vício do abandono ou mesmo da aversão para a prioridade à Educação”, a palavra destacada possui relação com a pauta educacional abordada no texto. Sem prejuízo do sentido original, a palavra que pode ser substituir o termo em destaque é
Alternativas
Q4303902 Português
Imagem associada para resolução da questão

BROWNE, Dik. Hagar o horrível. Disponível em <https://www.instagram.com/p/DXCUJU_IsPb/>.

Nas falas dos personagens da tirinha acima, as expressões "estar chegando" e "estar se afastando" se referem a ações:
Alternativas
Q4303646 Português

Considere o fragmento a seguir para a questão:


Os modelos familiares ao longo da história foram se alterando por diversos motivos socioculturais. Perceber essas mudanças é de extrema importância para compreender os modelos atuais de família. Inicialmente a família não se importava com seus filhos, eram apenas frutos de uma relação sexual; contudo, a criança acaba marcando seu espaço, e a família passa por uma reestruturação. Ao olhar para esta criança, a família se reinventa e se assenta num modelo aristocrático, onde o pai é o provedor. Com a industrialização, a família passa por outras alterações e aí se reestrutura de forma a privilegiar a privacidade e formas sociais de convivência em massa. Com a emancipação da mulher, um novo cenário se instala, e a família tenta encontrar seu modelo, pois, com a autonomia feminina, o pai perde sua autoridade, e o modelo tradicional de pai, mães e filhos dá lugar a uma verdadeira desordem de estrutura, na qual a vivência dos desejos individuais é evidenciada. E, frente a esse panorama, o conceito de família fica frágil, e generalizá-lo é impossível.


Fonte: https://revistaft.com.br/o-modelo-familiar-nos-dias-atuais-uma-releitura-do-conceito-de-familia/ (adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta uma análise correta.
Alternativas
Q4303501 Português

Imagem associada para resolução da questão



CAZO. Segurança alimentar. Disponível em <https://blogdoaftm.com.br/charge-segurancaalimentar/>.



Em relação à charge acima, é correto afirmar que:

Alternativas
Q4303055 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


De próprio punho


   Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão "de próprio punho". Parecia que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade, o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra, hoje, tem uma espécie de bipolaridade: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca, mais rotunda e mais cheia de arestas. Na época do episódio com o banco, que, se não me engano, dizia respeito a fechar uma conta (que eu jamais quisera abrir, aliás), o negócio era escrever com minha mãozinha, expressando minha letra e minha assinatura, que são só minhas, segundo confiam as perícias e polícias científicas.

   É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita, manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de tecnologia (lápis, caneta, etc.) para escrever por meio de grafite ou tinta ou giz ou carvão ou sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje, são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de "letras" à minha escolha. (...) 

  A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando, mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação por bilhetes, minha gaveta alegre de postits de toda cor, esperando para serem usados, e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. "Do punho ao pixel” não é uma frase filosoficamente correta. O negócio é mais "o punho e o pixel".


RIBEIRO, Ana Elisa. De próprio punho. Rascunho.
Disponível em <https://rascunho.com.br/cronistas/anaelisa-ribeiro/de-proprio-punho/>.
"Na verdade, o que importava era a autenticidade da minha caligrafia"

A palavra destacada no trecho acima indica uma situação que caracteriza algo como:
Alternativas
Q4302963 Português

Leia o Texto I para responder à questão.

 

 

 

Texto I

Mutação genética faz pessoas dormirem menos

Passar pouco tempo na cama nem sempre é um problema, aponta estudo.

 

 

 

Algumas pessoas conseguem se sentir bem, plenamente descansadas, com apenas 4 a 6 horas de sono por noite (bem abaixo das 8 horas necessárias à maioria dos indivíduos). Trata-se de uma condição relativamente rara, que os médicos chamam de “sono naturalmente curto”. Ela é real – e, como um novo estudo apontou, tem base genética. Pesquisadores chineses sequenciaram o DNA de pessoas portadoras dessa característica e constataram que elas têm cinco mutações genéticas relacionadas a dormir menos – sendo que uma delas, a N783Y, parece ser a mais importante. Os cientistas criaram ratos com essa alteração genética, e eles também passaram a precisar de menos sono. Essa mutação altera a capacidade da proteína ligada ao funcionamento do relógio biológico. Estima-se que as mutações estejam presentes em 1% das pessoas – para as demais, dormir pouco continua fazendo mal à saúde.

 

 

 

Fonte: Mutação genética faz pessoas dormirem menos. SUPERINTERESSANTE. São Paulo, 20 jun. 2025, 11NS, p. 15. Disponível em: www.pressreader.com/brazil/Superinteressante/20250620/page/14/textview. Acesso em: 27 jun. 2025. [adaptado].

No trecho “Trata-se de uma condição relativamente rara”, o termo “rara” significa:
Alternativas
Q4302682 Português
4.jpg (573×167)
(BECK, Alexandre. Armandinho. Disponível em: https://tirasarmandinho.tumblr.com/. Acesso em: 05 de julho, 2026.)
A tirinha é um gênero textual multimodal que aborda temas cotidianos, apresenta críticas sociais e reflexões ou cria efeito cômico. Nesse sentido, na tirinha do Armandinho, o humor decorre principalmente de 
Alternativas
Q4302681 Português

Para a questão, leia atentamente o texto a seguir: 


“Sua casa ficava para trás da Serra do Mim, quase no meio de um brejo de água limpa, lugar chamado o Temor-deDeus. O Pai, pequeno sitiante, lidava com vacas e arroz; a Mãe, urucuiana, nunca tirava o terço da mão, mesmo quando matando galinhas ou passando descompostura em alguém. E ela, menininha, por nome Maria, Nhinhinha dita, nascera já muito para miúda, cabeçudota e com olhos enormes.


Não que parecesse olhar ou enxergar de propósito. Parava quieta, não queria bruxas de pano, brinquedo nenhum, sempre sentadinha onde se achasse, pouco se mexia. – “Ninguém entende muita coisa que ela fala...” – dizia o Pai, com certo espanto. Menos pela estranhez das palavras, pois só em raro ela perguntava, por exemplo: - “Ele xurugou?” – e, vai ver, quem e o quê, jamais se saberia. Mas, pelo esquisito do juízo ou enfeitado do sentido. Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse. Ou referia estórias, absurdas, vagas, tudo muito curto: da abelha que se voou para uma nuvem; de uma porção de meninas e meninos sentados a uma mesa de doces, comprida, comprida, por tempo que nem se acabava; ou da precisão de se fazer lista das coisas todas que no dia por dia a gente vem perdendo. Só a pura vida. 


Em geral, porém, Nhinhinha, com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios. Nem parecia gostar ou desgostar especialmente de coisa ou pessoa nenhuma. Botavam para ela a comida, ela continuava sentada, o prato de folha no colo, comia logo a carne ou o ovo, os torresmos, o do que fosse mais gostoso e atraente, e ia consumindo depois o resto, feijão, angu, ou arroz, abóbora, com artística lentidão. De vê-la tão perpétua e imperturbada, a gente se assustava de repente. – “Nhinhinha, que é que você está fazendo?” – perguntava-se. E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos. Seria mesmo seu tanto tolinha? 


Nada a intimidava. Ouvia o Pai querendo que a Mãe coasse um café forte, e comentava, se sorrindo: - “Menino pidão... Menino pidão...” Costumava também dirigir-se à Mãe desse jeito: - “Menina grande... Menina grande...” Com isso Pai e Mãe davam de zangar-se. Em vão. Nhinhinha murmurava só: - “Deixa... Deixa...” – suasibilíssima, inábil como uma flor. O mesmo dizia quando vinham chamá-la para qualquer novidade, dessas de entusiasmar adultos e crianças. Não se importava com os acontecimentos. Tranqüila, mas viçosa em saúde. Ninguém tinha real poder sobre ela, não se sabiam suas preferências. Como puni-la? E, baterlhe, não ousassem; nem havia motivo. Mas, o respeito que tinha por Mãe e Pai, parecia mais uma engraças espécie de tolerância. E Nhinhinha gostava de mim. [...]”


(Adaptado de ROSA, João Guimarães. A Menina de Lá. In: Primeiras Estórias. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962)

Nos fragmentos “Com riso imprevisto: - “Tatu não vê a lua...” – ela falasse” e “E ela respondia, alongada, sorrida, moduladamente: - “Eu... to-u... fa-a-zendo”. Fazia vácuos.”, as expressões selecionadas contribuem para: 
Alternativas
Q4302641 Português

Leia o texto e responda às questões:


O TEMPO QUE A FILA NÃO MEDE


Naquela segunda-feira, a pequena sala de atendimento parecia menor do que de costume. Havia gente em pé, duas crianças inquietas e uma senhora que consultava o relógio a cada poucos minutos. Atrás do balcão, Clara organizava documentos enquanto explicava, pela terceira vez, que o sistema estava mais lento naquela manhã.


Um homem, já impaciente, aproximou-se e perguntou:


— Vai demorar muito?


Clara poderia ter respondido apenas que não sabia. Em vez disso, verificou a situação e explicou que três atendimentos ainda seriam concluídos antes do dele. A informação não tornou o relógio mais rápido, mas mudou alguma coisa: o homem agradeceu e voltou a sentar-se. Pouco depois, a senhora que observava as horas foi chamada. Ao chegar ao balcão, descobriu que havia esquecido um documento necessário. Procurou na bolsa, tornou a procurar e, sem encontrá-lo, suspirou:


— Perdi a manhã. 


Clara examinou os documentos apresentados e percebeu que o comprovante também poderia ser enviado posteriormente por meio eletrônico. Orientou a senhora sobre o procedimento e deu continuidade ao atendimento.


Ao sair, ela sorriu:


— Então não perdi a manhã inteira.


A fila continuava praticamente do mesmo tamanho. O sistema continuava lento. O relógio, naturalmente, não havia mudado seu ritmo. Ainda assim, o ambiente parecia menos pesado. Talvez uma espera não seja feita apenas de minutos. Há atrasos que aumentam quando ninguém sabe o que está acontecendo e problemas que diminuem quando alguém encontra uma saída. O tempo marcado pelo relógio pode ser igual para todos; o modo como ele é vivido, não.


Fonte: texto autoral, elaborado exclusivamente para esta prova. 

No trecho “Há atrasos que aumentam quando ninguém sabe o que está acontecendo e problemas que diminuem quando alguém encontra uma saída”, os verbos destacados contribuem para a construção da ideia final do texto.


Assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas
Q4302566 Português
Texto: A FALTA DE ATENÇÃO E A MEMÓRIA

    Perguntei quantos achavam que a memória estava pior. Formada por cerca de 500 estudantes de medicina, mais da metade da plateia levantou a mão. Comentei que se tratava de uma epidemia de Alzheimer juvenil. Eles riram.
      Perda de memória talvez seja a queixa mais frequente nas consultas médicas de hoje. No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. Todos encaravam com naturalidade os avós que repetiam cinco vezes a mesma pergunta e passavam o dia à procura de objetos deixados sabe Deus onde. Consideravam esses esquecimentos “esclerose da idade”. Diziam: “Minha avó é capaz de esquecer do que foi servido no almoço, mas tem uma memória prodigiosa, lembra de fatos que ocorreram quando tinha sete anos de idade”.
     Em linhas gerais, existem dois grandes grupos de memórias: as de longa e as de curta duração, estas também chamadas de memória de trabalho. As primeiras persistem por décadas ou pelo resto da vida, especialmente quando são gravadas em momentos de forte emoção. Razão pela qual não esquecemos o lugar em que estávamos ao receber a notícia da morte de um ente querido ou da queda das Torres Gêmeas, em Nova York, ou da rua em que nos roubaram o celular. A memória de trabalho, ao contrário, é descartável, grava por pouco tempo os acontecimentos que nos ajudam a tocar a rotina diária. Por exemplo, lembro que deixei um copo de água na mesa ao lado ou que fiquei de telefonar para minha irmã ao meio-dia ou que preciso lavar a xícara do café que acabei de tomar. Depois de executadas essas tarefas, tais lembranças serão varridas do cérebro, de modo a deixar espaço livre para outras.
     No conto “Funes el memorioso”, publicado em 1942, Jorge Luis Borges narra a vida de Ireneo Funes, jovem uruguaio que depois de um acidente desenvolve a capacidade de memorizar nos mínimos detalhes tudo o que acontece ao seu redor: o rosto de uma pessoa que acabou de conhecer e que nunca mais verá, o formato das nuvens no céu dia após dia, a disposição das folhas das árvores, as ações mais insignificantes executadas em casa. Essas habilidades, no entanto, deixavam os circuitos neuronais de sua memória tão sobrecarregados que Funes se tornou incapaz de raciocínios elementares, de pensamentos abstratos, de fazer associação de fatos e generalizações. Seu cérebro passava os dias inundado de informações inúteis que o impediam de organizar as ideias para tomar decisões racionais.
    Dizer que somos o que está arquivado em nossa memória é parte da verdade; não podemos esquecer que também somos as memórias que nosso cérebro decidiu desprezar. Voltemos aos desmemoriados de hoje. No caso dos mais velhos, há várias causas: entre elas, o envelhecimento cerebral, o volume crescente de informações armazenadas no decorrer dos anos, a dificuldade de encontrar espaço livre no hardware para arquivá-las e o desgaste na produção de neurotransmissores essenciais. Esses fenômenos, no entanto, não explicam a epidemia de desmemoriados jovens. Como em pessoas de 20 ou 30 anos são muito raras as degenerações neurológicas, é bem provável que a causa do problema esteja ligada à falta de atenção. São tantos os estímulos simultâneos a que estão submetidas, que esse requisito fundamental para a consolidação de memórias se perde.
    Num trabalho conduzido anos atrás, pesquisadores submeteram jovens universitários a uma bateria de testes de atenção, em três situações distintas. Na primeira, eles deixavam o celular fora da sala em que os testes seriam aplicados; na segunda, entravam com o celular e os desligavam antes de começar a responder; na terceira, o celular permanecia ligado durante a realização dos testes. Os maiores índices de acertos ocorreram quando os celulares ficavam do lado de fora. Os piores, quando permaneciam ligados. Os testes aplicados quando os aparelhos estavam ao alcance das mãos, mas desligados, apresentaram resultados intermediários. Quer dizer, a simples presença do celular já é capaz de propiciar a desatenção.
    A seleção natural não moldou o cérebro humano para dar conta da infinidade de desafios cognitivos impostos pela vida on-line. Se lembrarmos que os mesmos fatores de risco estão por trás das crises de ansiedade e de depressão que afligem crianças e adultos de todas as idades, concluiremos que não está fácil preservar a sanidade mental no mundo de hoje.


DRAUZIO VARELLA Adaptado de folha.uol.com.br, 08/04/2026.
No passado, esse fenômeno ficava restrito aos poucos que insistiam em viver mais do que 70 ou 80 anos. (2º parágrafo) Considerando o contexto mencionado, o verbo “insistir” na frase acima relaciona-se com um acontecimento que pode ser caracterizado como: 
Alternativas
Q4302207 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



Crianças brasileiras vão melhor em linguagem do que em matemática, diz OCDE


Um levantamento recente da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que crianças brasileiras de 5 anos têm desempenho acima da média global em linguagem, com 502 pontos, mas ficam atrás em matemática, com 456.


A diferença também reflete desigualdade social: 80% das crianças de famílias mais ricas reconhecem números nessa idade, contra 68% entre as mais pobres. O dado indica que a defasagem em raciocínio lógico começa antes mesmo do ensino fundamental.


O cenário ajuda a explicar os resultados mais adiante. Segundo o PISA 2022, apenas 27% dos estudantes brasileiros de 15 anos atingem o nível mínimo de proficiência em matemática.


Para o diretor-geral do Colégio Sigma, Marcelo Tavares, a dificuldade precoce em matemática tende a se acumular ao longo da trajetória escolar. "Quando o aluno não desenvolve o raciocínio lógico desde cedo, ele chega às etapas seguintes com lacunas que impactam diretamente o aprendizado", afirma.


Diante desse quadro, escolas têm adotado estratégias para tentar melhorar o desempenho, com foco em resolução de problemas, desafios e participação ativa dos alunos. A proposta é desenvolver o raciocínio lógico e tornar o aprendizado mais aplicável ao cotidiano.


Competições como o Concurso Canguru de Matemática, presente em mais de 100 países, fazem parte desse movimento ao propor questões que estimulam lógica, interpretação e criatividade.


Segundo Tavares, o engajamento é um dos principais desafios. "Quando o aprendizado se apresenta em forma de desafio, ele deixa de ser abstrato e passa a fazer sentido. Isso ajuda a aproximar o aluno da matemática", diz.


Fonte: CNN BRASIL. Crianças brasileiras vão melhor em linguagem do que em matemática, diz OCDE. [S. l.], 6 maio 2026. Disponível em:


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/criancas-brasileiras-vao-melhor-em-linguagem-do-que-em-matematica-diz-ocde/. Acesso em: 11 ago. 2026.

"O dado indica que a defasagem em raciocínio lógico começa antes mesmo do ensino fundamental."
No trecho acima, a palavra 'defasagem' tem o sentido de:
Alternativas
Q4300727 Português
Leia o Texto IV para responder à questão:


Texto IV


‘Temi que meu filho tivesse câncer cerebral, mas ele havia sido envenenado com vitamina D’


Hazel Martin

BBC News - 18 abril 2026


    O menino Roo, de sete anos, ficou doente no início do ano passado. Sintomas como sua perda de peso e muita sede levaram seus médicos e seus pais a recear que ele pudesse ter um tumor no cérebro.

    Mas as investigações concluíram que ele havia sido acidentalmente envenenado com uma overdose de vitamina D, prescrita para tratar das suas dores crescentes.

    A concentração do frasco de vitamina D3 em gotas consumido por Roo era cerca de sete vezes maior do que o normal. Ele fazia parte de um dentre dois lotes com defeito de produção que foram distribuídos no Reino Unido.

    A dosagem levou Roo a sofrer lesão renal aguda e um especialista contou à BBC que a criança teria morrido, se tivesse levado o tratamento prescrito até o fim.

    A vitamina D é um nutriente vital que regula o cálcio e o fosfato, mantendo a saúde dos ossos, dentes e músculos. Milhões de adultos a consomem na forma de suplementos, que são vendidos nas farmácias.

    Mas, no Reino Unido, a vitamina D em dosagem mais alta, receitada pelos médicos, ainda é classificada como suplemento alimentar e não é regulamentada pelo órgão regulador britânico, a MHRA (Agência Reguladora de Remédios e Produtos para Assistência Médica, na sigla em inglês).

    O órgão britânico responsável pelo acompanhamento das vitaminas e suplementos alimentares é a Agência de Padrões Alimentares (FSA, na sigla em inglês).

    AMHRA afirma que trabalha em conjunto com a FSA para manter a segurança do público. Mas um especialista contou à BBC que o órgão regulador de remédios deveria buscar mudanças na forma de regulamentação dos suplementos vitamínicos.

Em dezembro de 2024, Roo recebeu prescrição de uma alta dose de vitamina D3 em gotas por 12 semanas, para tentar diminuir a sua intensa dor nas pernas.

    [...]

    “Ele teve hipercalcemia e os médicos ficaram muito preocupados com esse nível tão alto de cálcio no sangue", conta a mãe.

    “Eles examinavam se poderia ser um tumor cerebral e estávamos meio que nos preparando para que ele fizesse uma ressonância magnética do cérebro.”

    O misterioso caso de Roo também foi analisado por equipes do Hospital Real Infantil de Glasgow, na Escócia. E uma ligação telefônica casual com um endocrinologista forneceu a peça que faltava no quebra-cabeça.

    Um colega de Manchester, na Inglaterra, havia perguntado se ele sabia de algum “lote ruim” de vitamina D3. E, com os detalhes do lote, a equipe que cuidava de Roo conseguiu identificar o frasco que o menino ainda usava para tomar as gotas todos os dias.

     “Deduzimos dali que era o seu corpo fazendo algo estranho porque, basicamente, ele foi envenenado por aquele lote ruim”, conta Hobbs-Sargeant.

    [...]


Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9vl3g72rkwo. Acesso em: 24 abr. 2026.
No trecho “ Ele teve hipercalcemia e os médicos ficaram muito preocupados com esse nível tão alto de cálcio no sangue”, a palavra em destaque é formada pela junção de: 
Alternativas
Q4300122 Português

TEXTO PARA A QUESTÃO



    Em uma sociedade cada vez mais acelerada, é comum que muitas pessoas acreditem que apenas grandes ações sejam capazes de produzir mudanças importantes. No entanto, atitudes simples, praticadas diariamente, podem transformar não apenas a convivência entre os cidadãos, mas também a qualidade de vida de toda uma comunidade.

    Quando um morador separa corretamente os resíduos para a coleta seletiva, respeita os espaços públicos ou auxilia um vizinho com dificuldades, está contribuindo para fortalecer valores como solidariedade, responsabilidade e respeito ao bem coletivo. Da mesma forma, servidores públicos que desempenham suas funções com ética, cordialidade e compromisso ajudam a construir uma relação de confiança entre a população e a administração pública.

    Embora essas atitudes pareçam pequenas quando analisadas isoladamente, seus efeitos tornam-se significativos quando são repetidos por muitas pessoas. Afinal, uma cidade organizada, limpa e acolhedora não depende apenas do trabalho do poder público, mas também da participação consciente de cada cidadão. Por essa razão, especialistas afirmam que a construção de uma sociedade mais justa exige não apenas investimentos em infraestrutura, educação e segurança, mas também o fortalecimento de valores éticos e do sentimento de pertencimento à coletividade. Assim, compreender que cada ação individual produz reflexos no ambiente em que vivemos representa um dos primeiros passos para o exercício pleno da cidadania. 

Analise a palavra destacada.



FORTALECIMENTO



Sobre sua formação e estrutura, assinale a alternativa correta.

Alternativas
Q4299641 Português

Para responder à questão, leia a charge abaixo.



Fonte: UMBRASIL 

No primeiro quadrinho, a expressão sentar à mesa é utilizada em sentido figurado. No contexto das discussões representadas na charge, essa expressão assume o significado de:
Alternativas
Q4297341 Português

Para responder à questão leia o texto abaixo.



Tipos de corantes presentes em rótulos de iogurtes



        O iogurte é um dos poucos alimentos consumidos há mais de 4.000 anos, mas foi em 1950 que esse produto teve sua popularidade aumentada ao ser considerado benéfico para saúde. Desde então, esse alimento vem ganhando espaço e passando a fazer parte dos hábitos alimentares de muitas pessoas. Dados de consumo domiciliar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que o iogurte respondeu por 5% do consumo de lácteos entre 2017 e 2018, sendo o quinto derivado lácteo mais consumido no país, o que demonstra a sua alta aceitabilidade sensorial.


        O iogurte é composto por leite e/ou leite reconstituído, padronizado em seu conteúdo de gordura e pode, a depender do seu sabor, obter preparados à base de polpa de frutas e aditivos alimentares. É obtido a partir da fermentação láctica mediante a ação de bactérias ácido-lácticas específicas como Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus, as quais, de forma complementar, podem ser acompanhadas de outras bactérias ácido-láticas que, por sua atividade, podem contribuir para as características do produto final. Este alimento é rico em cálcio, proteínas de alto valor biológico, magnésio e fósforo, além de ser fonte de vitaminas como retinol, colecalciferol, tiamina, riboflavina, niacina, ácido fólico e cobalamina, o que faz com que ele contribua para o funcionamento adequado do sistema imunológico.



        Apesar de ser uma bebida de alto valor nutricional, é pertinente analisar a composição deste produto no momento da sua aquisição. Dessa forma, a rotulagem nutricional constitui-se como uma importante ferramenta para os consumidores, auxiliando-os na identificação da composição nutricional dos alimentos.


        Além da composição do iogurte, um fator que merece atenção é a presença de aditivos alimentares, que são substâncias adicionadas intencionalmente aos alimentos. Ao se considerar a cor como um fator de grande influência na aceitação dos alimentos, pode-se destacar o uso dos corantes alimentícios, aditivos alimentares que possuem a propriedade de conferir ou intensificar a coloração dos alimentos e bebidas. Os corantes podem ser divididos em corantes orgânicos naturais, obtidos a partir de vegetal ou animal; corantes orgânicos sintéticos, obtidos por síntese orgânica através de processo tecnológico adequado; corantes inorgânicos que são obtidos a partir de substâncias minerais; e corante caramelo, obtido pelo aquecimento de açúcares.


        Apesar de serem muito utilizados pela indústria de alimentos, os corantes artificiais podem causar efeitos adversos à saúde, como alguns tipos de câncer, hipersensibilidade alimentar, transtorno de déficit de atenção (TDAH), hiperatividade, dor de cabeça, anemia, doenças renais e reações alérgicas como asma, bronquite e rinite. Entretanto, a maioria dos advindos de fontes naturais possuem efeitos benéficos à saúde, como propriedades antioxidantes, proteção contra danos oxidativos a componentes celulares, prevenção de doenças cardiovasculares, ação anticarcinogênica, efeitos anti-inflamatórios, imunomoduladores e potencial para modificar o microbioma intestinal.


        Pode-se observar que o consumo de produtos que apresentam corantes artificiais e naturais é bastante disseminado no Brasil e os possíveis efeitos tóxicos de alguns desses compostos têm gerado preocupação nos últimos anos por parte dos pesquisadores. Portanto, tendo em vista o elevado consumo de alimentos contendo esta classe de aditivos e o risco potencial devido à exposição em longo prazo, torna-se importante a sua identificação е diferenciação na rotulagem de alimentos.



Fonte: SOARES, E. et al. Tipos de corantes presentes em rótulos de iogurtes: estudo exploratório descritivo. Revista da Associação Brasileira de Nutrição - RASBRAN, [S. /], v. 15, p. 1-13, 2024 (com adaptações).

Considerando os aspectos semânticos e gramaticais do termo disseminado no trecho Pode-se observar que o consumo de produtos que apresentam corantes artificiais e naturais é bastante disseminado no Brasil, presente no último parágrafo do texto, analise as assertivas a seguir:

I. O termo foi empregado com sentido de amplamente distribuído, indicando que a prática de consumo desses produtos alcança grande parte da população.
II. O uso do adverbio bastante junto ao termo atua como um intensificador, reforçando a amplitude e a frequência do consumo no território nacional.

III. Caso o termo disseminado fosse substituído por incipiente, o sentido original do texto seria rigorosamente mantido.




Está CORRETO o que se afirma em
Alternativas
Q4296986 Português

Diagnóstico do câncer: estamos diante da próxima grande transformação?



Por Fernando Maluf





(Disponível em: forbes.com.br/colunas/2026/07/diagnostico-do-cancer-estamos-diante-da-proxima-grandetransformacao/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 

Assinale a alternativa correta em relação ao emprego da palavra “fronteira” no trecho “É exatamente essa a fronteira que vem sendo explorada atualmente”, retirado do texto.
Alternativas
Q4295992 Português
A preguiça bateu? Dicas para fazer o que precisa ser feito


[...]

Para Chrystina Barros, especialista em Ciência da Felicidade pela Universidade de Berkeley, aguardar que a motivação apareça pode ser uma armadilha porque, muitas vezes, é a ação que desperta a vontade de continuar, e não o contrário. "Você começa sem vontade, dedica-se por alguns minutos, percebe que está avançando e, aos poucos, a disposição aparece."

Algo semelhante acontece com a criatividade, compara Chrystina. Embora muitas pessoas acreditem que as ideias surjam espontaneamente em momentos de inspiração, elas costumam ser resultado de disciplina e constância. "A criatividade é filha da disciplina."

Isso significa que nem sempre é preciso estar inspirado para começar. Ao sentar para escrever, estudar, trabalhar ou criar, mesmo sem vontade, colocamos o pensamento em movimento e abrimos espaço para que as ideias apareçam e ganhem forma.

"A disciplina é justamente o que nos permite realizar aquilo que é importante, independentemente do humor do dia. Trata-se de criar, de forma consciente, hábitos que desejamos manter. Se dependêssemos de estar motivados e inspirados para agir, deixaríamos de construir boa parte do que realmente dá sentido à nossa vida." 


(Disponível em:
https://vidasimples.co/saude-emocional/a-preguica-bateu-dicas-para-fa
zer-o-que-precisa-ser-feito/. Acesso em: 28 jul. 2026. Adaptado.)
Analise, no trecho a seguir, o sentido do verbo destacado:
"muitas vezes, é a ação que desperta a vontade de continuar, e não o contrário."

O verbo "despertar", nesse contexto, pode ser substituído, sem alterar o sentido, por: 
Alternativas
Respostas
1: A
2: D
3: A
4: A
5: E
6: A
7: B
8: E
9: C
10: A
11: C
12: D
13: C
14: B
15: D
16: B
17: A
18: B
19: A
20: C