Questões de Concurso Sobre português

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Q3960121 Português
Texto 01


Ser perfeccionista é bom ou ruim?


         O perfeccionismo tem uma ótima reputação. Em entrevistas de emprego, é uma das respostas mais comuns para transformar a temida pergunta "Qual é sua fraqueza?" em uma autovalorização disfarçada.

       Para muitos, se trata de buscar excelência ou trabalhar incansavelmente para atingir o melhor resultado. Mas o que acontece quando essas expectativas elevadas, e às vezes implacáveis, acabam atrapalhando o próprio progresso?

      No trabalho, sente-se a pressão: "Sei que posso errar sem perder o emprego, mas tenho constantemente a sensação de estar a um passo de ser demitida".

      Essa ansiedade é comum entre os perfeccionistas, explica a psicóloga da saúde Sula Windgassen. No podcast Complex, da BBC Sounds, ela afirma: "A baixa autoestima tende a andar de mãos dadas com o perfeccionismo porque existe esse medo de falhar".

  Esse medo de errar frequentemente alimenta a procrastinação. O perfeccionismo pode estar ligado à personalidade, mas também é influenciado por experiências na infância, pela escola e pelas expectativas dos pais, que moldam o que cada um considera "bom o suficiente".

    Embora o perfeccionismo não seja um diagnóstico clínico, seus efeitos são muito reais — provocando ansiedade, cansaço e até sintomas físicos ligados ao estresse, como queda na imunidade. Especialistas dizem, no entanto, que é possível que se quebre o ciclo. Windgassen recomenda iniciar o que é conhecido em psicologia como um "experimento comportamental".

      Ele começa por se questionar o que acha que acontecerá se o resultado não for perfeito, anotando as previsões e, sem seguida, testá-las na prática.

      O resultado foi tão ruim quanto imaginava? Que aspectos positivos surgiram dessa nova abordagem? Talvez, por exemplo, conseguir dormir às 22h em vez de 1h, e se sentir mais descansado. Nem todo perfeccionismo é prejudicial. Uma forma, chamada de perfectionistic striving (busca perfeccionista, em tradução livre), foca-se em estabelecer metas pessoais ambiciosas.
 
  Quando essas metas podem ser ajustadas conforme mudanças de circunstâncias, causam menos estresse e tendem a gerar resultados positivos, como um atleta que diminui o treinamento durante uma lesão.


Texto de Hannah Karpel (adaptado de BBC NEWS BRASIL), publicado em 20 de novembro de 2025. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/ acesso em 25 de nov. 2025




Texto 02







Tirinha de Caco Galhardo, disponível em
https://cartum.folha.uol.com.br/, acesso em 24 de novembro
de 2025.

O excerto final, que faz uma referência ao perfectionistic striving, modifica a compreensão do leitor sobre o tema, uma vez que
Alternativas
Q3960120 Português
Texto 01


Ser perfeccionista é bom ou ruim?


         O perfeccionismo tem uma ótima reputação. Em entrevistas de emprego, é uma das respostas mais comuns para transformar a temida pergunta "Qual é sua fraqueza?" em uma autovalorização disfarçada.

       Para muitos, se trata de buscar excelência ou trabalhar incansavelmente para atingir o melhor resultado. Mas o que acontece quando essas expectativas elevadas, e às vezes implacáveis, acabam atrapalhando o próprio progresso?

      No trabalho, sente-se a pressão: "Sei que posso errar sem perder o emprego, mas tenho constantemente a sensação de estar a um passo de ser demitida".

      Essa ansiedade é comum entre os perfeccionistas, explica a psicóloga da saúde Sula Windgassen. No podcast Complex, da BBC Sounds, ela afirma: "A baixa autoestima tende a andar de mãos dadas com o perfeccionismo porque existe esse medo de falhar".

  Esse medo de errar frequentemente alimenta a procrastinação. O perfeccionismo pode estar ligado à personalidade, mas também é influenciado por experiências na infância, pela escola e pelas expectativas dos pais, que moldam o que cada um considera "bom o suficiente".

    Embora o perfeccionismo não seja um diagnóstico clínico, seus efeitos são muito reais — provocando ansiedade, cansaço e até sintomas físicos ligados ao estresse, como queda na imunidade. Especialistas dizem, no entanto, que é possível que se quebre o ciclo. Windgassen recomenda iniciar o que é conhecido em psicologia como um "experimento comportamental".

      Ele começa por se questionar o que acha que acontecerá se o resultado não for perfeito, anotando as previsões e, sem seguida, testá-las na prática.

      O resultado foi tão ruim quanto imaginava? Que aspectos positivos surgiram dessa nova abordagem? Talvez, por exemplo, conseguir dormir às 22h em vez de 1h, e se sentir mais descansado. Nem todo perfeccionismo é prejudicial. Uma forma, chamada de perfectionistic striving (busca perfeccionista, em tradução livre), foca-se em estabelecer metas pessoais ambiciosas.
 
  Quando essas metas podem ser ajustadas conforme mudanças de circunstâncias, causam menos estresse e tendem a gerar resultados positivos, como um atleta que diminui o treinamento durante uma lesão.


Texto de Hannah Karpel (adaptado de BBC NEWS BRASIL), publicado em 20 de novembro de 2025. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/ acesso em 25 de nov. 2025




Texto 02







Tirinha de Caco Galhardo, disponível em
https://cartum.folha.uol.com.br/, acesso em 24 de novembro
de 2025.

No uso do discurso de autoridade da psicóloga Sula Windgassen, há o objetivo textual de contribuir para 
Alternativas
Q3960119 Português
Texto 01


Ser perfeccionista é bom ou ruim?


         O perfeccionismo tem uma ótima reputação. Em entrevistas de emprego, é uma das respostas mais comuns para transformar a temida pergunta "Qual é sua fraqueza?" em uma autovalorização disfarçada.

       Para muitos, se trata de buscar excelência ou trabalhar incansavelmente para atingir o melhor resultado. Mas o que acontece quando essas expectativas elevadas, e às vezes implacáveis, acabam atrapalhando o próprio progresso?

      No trabalho, sente-se a pressão: "Sei que posso errar sem perder o emprego, mas tenho constantemente a sensação de estar a um passo de ser demitida".

      Essa ansiedade é comum entre os perfeccionistas, explica a psicóloga da saúde Sula Windgassen. No podcast Complex, da BBC Sounds, ela afirma: "A baixa autoestima tende a andar de mãos dadas com o perfeccionismo porque existe esse medo de falhar".

  Esse medo de errar frequentemente alimenta a procrastinação. O perfeccionismo pode estar ligado à personalidade, mas também é influenciado por experiências na infância, pela escola e pelas expectativas dos pais, que moldam o que cada um considera "bom o suficiente".

    Embora o perfeccionismo não seja um diagnóstico clínico, seus efeitos são muito reais — provocando ansiedade, cansaço e até sintomas físicos ligados ao estresse, como queda na imunidade. Especialistas dizem, no entanto, que é possível que se quebre o ciclo. Windgassen recomenda iniciar o que é conhecido em psicologia como um "experimento comportamental".

      Ele começa por se questionar o que acha que acontecerá se o resultado não for perfeito, anotando as previsões e, sem seguida, testá-las na prática.

      O resultado foi tão ruim quanto imaginava? Que aspectos positivos surgiram dessa nova abordagem? Talvez, por exemplo, conseguir dormir às 22h em vez de 1h, e se sentir mais descansado. Nem todo perfeccionismo é prejudicial. Uma forma, chamada de perfectionistic striving (busca perfeccionista, em tradução livre), foca-se em estabelecer metas pessoais ambiciosas.
 
  Quando essas metas podem ser ajustadas conforme mudanças de circunstâncias, causam menos estresse e tendem a gerar resultados positivos, como um atleta que diminui o treinamento durante uma lesão.


Texto de Hannah Karpel (adaptado de BBC NEWS BRASIL), publicado em 20 de novembro de 2025. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/ acesso em 25 de nov. 2025




Texto 02







Tirinha de Caco Galhardo, disponível em
https://cartum.folha.uol.com.br/, acesso em 24 de novembro
de 2025.

A forma como o perfeccionismo é descrito no texto remete a uma crítica implícita a um padrão cultural amplamente difundido na sociedade contemporânea. Essa crítica se manifesta principalmente porque o perfeccionismo é considerado um(uma)
Alternativas
Q3960118 Português
Texto 01


Ser perfeccionista é bom ou ruim?


         O perfeccionismo tem uma ótima reputação. Em entrevistas de emprego, é uma das respostas mais comuns para transformar a temida pergunta "Qual é sua fraqueza?" em uma autovalorização disfarçada.

       Para muitos, se trata de buscar excelência ou trabalhar incansavelmente para atingir o melhor resultado. Mas o que acontece quando essas expectativas elevadas, e às vezes implacáveis, acabam atrapalhando o próprio progresso?

      No trabalho, sente-se a pressão: "Sei que posso errar sem perder o emprego, mas tenho constantemente a sensação de estar a um passo de ser demitida".

      Essa ansiedade é comum entre os perfeccionistas, explica a psicóloga da saúde Sula Windgassen. No podcast Complex, da BBC Sounds, ela afirma: "A baixa autoestima tende a andar de mãos dadas com o perfeccionismo porque existe esse medo de falhar".

  Esse medo de errar frequentemente alimenta a procrastinação. O perfeccionismo pode estar ligado à personalidade, mas também é influenciado por experiências na infância, pela escola e pelas expectativas dos pais, que moldam o que cada um considera "bom o suficiente".

    Embora o perfeccionismo não seja um diagnóstico clínico, seus efeitos são muito reais — provocando ansiedade, cansaço e até sintomas físicos ligados ao estresse, como queda na imunidade. Especialistas dizem, no entanto, que é possível que se quebre o ciclo. Windgassen recomenda iniciar o que é conhecido em psicologia como um "experimento comportamental".

      Ele começa por se questionar o que acha que acontecerá se o resultado não for perfeito, anotando as previsões e, sem seguida, testá-las na prática.

      O resultado foi tão ruim quanto imaginava? Que aspectos positivos surgiram dessa nova abordagem? Talvez, por exemplo, conseguir dormir às 22h em vez de 1h, e se sentir mais descansado. Nem todo perfeccionismo é prejudicial. Uma forma, chamada de perfectionistic striving (busca perfeccionista, em tradução livre), foca-se em estabelecer metas pessoais ambiciosas.
 
  Quando essas metas podem ser ajustadas conforme mudanças de circunstâncias, causam menos estresse e tendem a gerar resultados positivos, como um atleta que diminui o treinamento durante uma lesão.


Texto de Hannah Karpel (adaptado de BBC NEWS BRASIL), publicado em 20 de novembro de 2025. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2025/11/ acesso em 25 de nov. 2025




Texto 02







Tirinha de Caco Galhardo, disponível em
https://cartum.folha.uol.com.br/, acesso em 24 de novembro
de 2025.

No primeiro parágrafo do texto, como estratégia argumentativa, a autora emprega uma relação de intertextualidade explícita, na expressão apresentada entre aspas. Essa relação de intertextualidade relaciona-se com os contextos de 
Alternativas
Q3957962 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As músicas inofensivas e as dilacerantes


-


É difícil escrever sobre música. Palavras sempre ficam aquém da intensidade do som. Canções são obras eróticas, as letras seduzem, o ritmo excita. Música é um afrodisíaco universal. O cinema não vive sem. O amor não vive sem.


Cada um de nós tem seu próprio gosto. A música que a gente prefere é nosso demônio interno ganhando voz, dialogando conosco em privado. É uma troca de segredos entre dois desconhecidos íntimos que se relacionam através de fones de ouvido, ou dentro do carro, no escuro do quarto.


Há quem só escute músicas inofensivas. Você sabe, aquelas que possuem rimas óbvias, melodias calmantes, nenhuma perturbação e que ganham as paradas de sucesso mais condescendentes do universo. As músicas fáceis. Bonitinhas. Descartáveis.


São necessárias. Gosto de muitas delas — preciso delas, inclusive, porque ninguém consegue ser tão endiabrado de segunda a segunda. Uma baladinha bem chiclete, que você cantarola enquanto espera o trem na estação do metrô. Normal. É nossa dose anestésica contra a dor de existir.


Mas prefiro a dor de existir. 


Não me identifico com nada que tenha sido composto sem esforço. Quero que a diva que esteja cantando me confesse seus pecados, que o cara que esteja cantando tente me convencer de que está arrependido, que o amor que esteja sendo narrado tenha sido o mais profundo de todos, que a banda me sequestre na calçada da escola e eu passe dois dias em um cativeiro com pôsteres descascados de Jim Morrison nas paredes, quero que a música me coloque no meio de uma estrada, que me tire de onde estou, que tire a roupa que estou.


Que a música (e não estou falando só de rock, mas de jazz, blues, ópera, gospel) me eleve até um ponto em que eu vislumbre o mar lá de cima, as montanhas, as famílias voltando para casa no fim do dia cantarolando refrões - que pareça que eu morri. Quero que ela me tonteie com sua crueza, que me arrebate com sua poesia, que me aproxime de sentimentos impenetráveis, que me revele o lado infernal da sofisticação, quero música que mesmo que eu não entenda o que diz, eu entenda.


A música tem que me invadir de um jeito que me faça duvidar se tenho força para emoções desmedidas – mas tenho. Ela precisa enredar como nos enreda a voz soturna de Tom Waits, os poemas cantados pelo Chico, os gritos rasgantes de Janis, as provocações sensuais de Jagger, os sussurros de João Gilberto. Todas as canções dilacerantes são um pouco criminosas, pois nos abatem e nos condenam ao silêncio, aquele silêncio sagrado em que a gente se escuta, finalmente. 

No trecho "aquele silêncio sagrado em que a gente se escuta", o termo "se" (destacado) atua como: 
Alternativas
Q3957961 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As músicas inofensivas e as dilacerantes


-


É difícil escrever sobre música. Palavras sempre ficam aquém da intensidade do som. Canções são obras eróticas, as letras seduzem, o ritmo excita. Música é um afrodisíaco universal. O cinema não vive sem. O amor não vive sem.


Cada um de nós tem seu próprio gosto. A música que a gente prefere é nosso demônio interno ganhando voz, dialogando conosco em privado. É uma troca de segredos entre dois desconhecidos íntimos que se relacionam através de fones de ouvido, ou dentro do carro, no escuro do quarto.


Há quem só escute músicas inofensivas. Você sabe, aquelas que possuem rimas óbvias, melodias calmantes, nenhuma perturbação e que ganham as paradas de sucesso mais condescendentes do universo. As músicas fáceis. Bonitinhas. Descartáveis.


São necessárias. Gosto de muitas delas — preciso delas, inclusive, porque ninguém consegue ser tão endiabrado de segunda a segunda. Uma baladinha bem chiclete, que você cantarola enquanto espera o trem na estação do metrô. Normal. É nossa dose anestésica contra a dor de existir.


Mas prefiro a dor de existir. 


Não me identifico com nada que tenha sido composto sem esforço. Quero que a diva que esteja cantando me confesse seus pecados, que o cara que esteja cantando tente me convencer de que está arrependido, que o amor que esteja sendo narrado tenha sido o mais profundo de todos, que a banda me sequestre na calçada da escola e eu passe dois dias em um cativeiro com pôsteres descascados de Jim Morrison nas paredes, quero que a música me coloque no meio de uma estrada, que me tire de onde estou, que tire a roupa que estou.


Que a música (e não estou falando só de rock, mas de jazz, blues, ópera, gospel) me eleve até um ponto em que eu vislumbre o mar lá de cima, as montanhas, as famílias voltando para casa no fim do dia cantarolando refrões - que pareça que eu morri. Quero que ela me tonteie com sua crueza, que me arrebate com sua poesia, que me aproxime de sentimentos impenetráveis, que me revele o lado infernal da sofisticação, quero música que mesmo que eu não entenda o que diz, eu entenda.


A música tem que me invadir de um jeito que me faça duvidar se tenho força para emoções desmedidas – mas tenho. Ela precisa enredar como nos enreda a voz soturna de Tom Waits, os poemas cantados pelo Chico, os gritos rasgantes de Janis, as provocações sensuais de Jagger, os sussurros de João Gilberto. Todas as canções dilacerantes são um pouco criminosas, pois nos abatem e nos condenam ao silêncio, aquele silêncio sagrado em que a gente se escuta, finalmente. 

No trecho "Gosto de muitas delas — preciso delas" (quarto parágrafo), o pronome duplamente destacado retoma, no contexto, o termo: 
Alternativas
Q3957960 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As músicas inofensivas e as dilacerantes


-


É difícil escrever sobre música. Palavras sempre ficam aquém da intensidade do som. Canções são obras eróticas, as letras seduzem, o ritmo excita. Música é um afrodisíaco universal. O cinema não vive sem. O amor não vive sem.


Cada um de nós tem seu próprio gosto. A música que a gente prefere é nosso demônio interno ganhando voz, dialogando conosco em privado. É uma troca de segredos entre dois desconhecidos íntimos que se relacionam através de fones de ouvido, ou dentro do carro, no escuro do quarto.


Há quem só escute músicas inofensivas. Você sabe, aquelas que possuem rimas óbvias, melodias calmantes, nenhuma perturbação e que ganham as paradas de sucesso mais condescendentes do universo. As músicas fáceis. Bonitinhas. Descartáveis.


São necessárias. Gosto de muitas delas — preciso delas, inclusive, porque ninguém consegue ser tão endiabrado de segunda a segunda. Uma baladinha bem chiclete, que você cantarola enquanto espera o trem na estação do metrô. Normal. É nossa dose anestésica contra a dor de existir.


Mas prefiro a dor de existir. 


Não me identifico com nada que tenha sido composto sem esforço. Quero que a diva que esteja cantando me confesse seus pecados, que o cara que esteja cantando tente me convencer de que está arrependido, que o amor que esteja sendo narrado tenha sido o mais profundo de todos, que a banda me sequestre na calçada da escola e eu passe dois dias em um cativeiro com pôsteres descascados de Jim Morrison nas paredes, quero que a música me coloque no meio de uma estrada, que me tire de onde estou, que tire a roupa que estou.


Que a música (e não estou falando só de rock, mas de jazz, blues, ópera, gospel) me eleve até um ponto em que eu vislumbre o mar lá de cima, as montanhas, as famílias voltando para casa no fim do dia cantarolando refrões - que pareça que eu morri. Quero que ela me tonteie com sua crueza, que me arrebate com sua poesia, que me aproxime de sentimentos impenetráveis, que me revele o lado infernal da sofisticação, quero música que mesmo que eu não entenda o que diz, eu entenda.


A música tem que me invadir de um jeito que me faça duvidar se tenho força para emoções desmedidas – mas tenho. Ela precisa enredar como nos enreda a voz soturna de Tom Waits, os poemas cantados pelo Chico, os gritos rasgantes de Janis, as provocações sensuais de Jagger, os sussurros de João Gilberto. Todas as canções dilacerantes são um pouco criminosas, pois nos abatem e nos condenam ao silêncio, aquele silêncio sagrado em que a gente se escuta, finalmente. 

Nas frases "O cinema não vive sem. O amor não vive sem." (primeiro parágrafo), ocorre a supressão da palavra "música", que pode ser entendida pelo contexto. Essa figura de linguagem chama-se:
Alternativas
Q3957959 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As músicas inofensivas e as dilacerantes


-


É difícil escrever sobre música. Palavras sempre ficam aquém da intensidade do som. Canções são obras eróticas, as letras seduzem, o ritmo excita. Música é um afrodisíaco universal. O cinema não vive sem. O amor não vive sem.


Cada um de nós tem seu próprio gosto. A música que a gente prefere é nosso demônio interno ganhando voz, dialogando conosco em privado. É uma troca de segredos entre dois desconhecidos íntimos que se relacionam através de fones de ouvido, ou dentro do carro, no escuro do quarto.


Há quem só escute músicas inofensivas. Você sabe, aquelas que possuem rimas óbvias, melodias calmantes, nenhuma perturbação e que ganham as paradas de sucesso mais condescendentes do universo. As músicas fáceis. Bonitinhas. Descartáveis.


São necessárias. Gosto de muitas delas — preciso delas, inclusive, porque ninguém consegue ser tão endiabrado de segunda a segunda. Uma baladinha bem chiclete, que você cantarola enquanto espera o trem na estação do metrô. Normal. É nossa dose anestésica contra a dor de existir.


Mas prefiro a dor de existir. 


Não me identifico com nada que tenha sido composto sem esforço. Quero que a diva que esteja cantando me confesse seus pecados, que o cara que esteja cantando tente me convencer de que está arrependido, que o amor que esteja sendo narrado tenha sido o mais profundo de todos, que a banda me sequestre na calçada da escola e eu passe dois dias em um cativeiro com pôsteres descascados de Jim Morrison nas paredes, quero que a música me coloque no meio de uma estrada, que me tire de onde estou, que tire a roupa que estou.


Que a música (e não estou falando só de rock, mas de jazz, blues, ópera, gospel) me eleve até um ponto em que eu vislumbre o mar lá de cima, as montanhas, as famílias voltando para casa no fim do dia cantarolando refrões - que pareça que eu morri. Quero que ela me tonteie com sua crueza, que me arrebate com sua poesia, que me aproxime de sentimentos impenetráveis, que me revele o lado infernal da sofisticação, quero música que mesmo que eu não entenda o que diz, eu entenda.


A música tem que me invadir de um jeito que me faça duvidar se tenho força para emoções desmedidas – mas tenho. Ela precisa enredar como nos enreda a voz soturna de Tom Waits, os poemas cantados pelo Chico, os gritos rasgantes de Janis, as provocações sensuais de Jagger, os sussurros de João Gilberto. Todas as canções dilacerantes são um pouco criminosas, pois nos abatem e nos condenam ao silêncio, aquele silêncio sagrado em que a gente se escuta, finalmente. 

Com base no texto, julgue verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência CORRETA.

(__) A autora considera as palavras mais importantes do que o som das canções.
(__) A autora acredita ser muito simples a tarefa de escrever sobre música.
(__) O texto aconselha os ouvintes a não escutarem músicas simplistas e inofensivas.
(__) Para a autora, as duas categorias de canções (inofensivas e dilacerantes) são importantes.
Alternativas
Q3957958 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


As músicas inofensivas e as dilacerantes


-


É difícil escrever sobre música. Palavras sempre ficam aquém da intensidade do som. Canções são obras eróticas, as letras seduzem, o ritmo excita. Música é um afrodisíaco universal. O cinema não vive sem. O amor não vive sem.


Cada um de nós tem seu próprio gosto. A música que a gente prefere é nosso demônio interno ganhando voz, dialogando conosco em privado. É uma troca de segredos entre dois desconhecidos íntimos que se relacionam através de fones de ouvido, ou dentro do carro, no escuro do quarto.


Há quem só escute músicas inofensivas. Você sabe, aquelas que possuem rimas óbvias, melodias calmantes, nenhuma perturbação e que ganham as paradas de sucesso mais condescendentes do universo. As músicas fáceis. Bonitinhas. Descartáveis.


São necessárias. Gosto de muitas delas — preciso delas, inclusive, porque ninguém consegue ser tão endiabrado de segunda a segunda. Uma baladinha bem chiclete, que você cantarola enquanto espera o trem na estação do metrô. Normal. É nossa dose anestésica contra a dor de existir.


Mas prefiro a dor de existir. 


Não me identifico com nada que tenha sido composto sem esforço. Quero que a diva que esteja cantando me confesse seus pecados, que o cara que esteja cantando tente me convencer de que está arrependido, que o amor que esteja sendo narrado tenha sido o mais profundo de todos, que a banda me sequestre na calçada da escola e eu passe dois dias em um cativeiro com pôsteres descascados de Jim Morrison nas paredes, quero que a música me coloque no meio de uma estrada, que me tire de onde estou, que tire a roupa que estou.


Que a música (e não estou falando só de rock, mas de jazz, blues, ópera, gospel) me eleve até um ponto em que eu vislumbre o mar lá de cima, as montanhas, as famílias voltando para casa no fim do dia cantarolando refrões - que pareça que eu morri. Quero que ela me tonteie com sua crueza, que me arrebate com sua poesia, que me aproxime de sentimentos impenetráveis, que me revele o lado infernal da sofisticação, quero música que mesmo que eu não entenda o que diz, eu entenda.


A música tem que me invadir de um jeito que me faça duvidar se tenho força para emoções desmedidas – mas tenho. Ela precisa enredar como nos enreda a voz soturna de Tom Waits, os poemas cantados pelo Chico, os gritos rasgantes de Janis, as provocações sensuais de Jagger, os sussurros de João Gilberto. Todas as canções dilacerantes são um pouco criminosas, pois nos abatem e nos condenam ao silêncio, aquele silêncio sagrado em que a gente se escuta, finalmente. 

A autora do texto distingue as canções em duas categorias: as inofensivas e as dilacerantes. Essa divisão baseia-se:
Alternativas
Q3956047 Português
Assinale a alternativa em que a classificação das palavras destacadas está totalmente CORRETA.
"O professor explicou claramente a lição aos alunos interessados."
Alternativas
Q3956046 Português
Assinale a alternativa em que o uso do(s) "porquê(s)" está CORRETO, conforme as normas da gramática da língua portuguesa.
Alternativas
Q3956045 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



É verdade que caça-palavras, palavras cruzadas e Sudoku ajudam a prevenir Alzheimer e demência?


-


O Alzheimer é uma doença que causa alterações específicas no cérebro que pioram com o tempo e afetam a capacidade de pensar, lembrar, raciocinar e até mesmo se comportar. Por isso, entre as opções de prevenção, alguns especialistas enfatizam a estimulação mental por meio de atividades que permitam às pessoas aprender coisas novas e até mesmo interagir com outras pessoas.


Um dos métodos mais conhecidos são os jogos de lógica, como Sudoku, palavras cruzadas e caça - palavras, que ajudam a estimular as habilidades cognitivas e ativar as células cerebrais. De acordo com Adrian Owen, professor de neurocirurgia cognitiva na Western University em Ontário, Canadá, os benefícios desses tipos de hobbies tendem a ser específicos e não generalizáveis para outras habilidades mentais. 


Isso quer dizer que praticar uma determinada atividade fará com que as pessoas melhorem aspectos concretos. Nesse sentido, o profissional também afirma que ler, aprender outro idioma, jogar jogos de tabuleiro ou completar cruzadinhas são ações associadas a um menor risco de deterioração mental.


Diante disso, alguns cientistas sustentam que aqueles que desenvolvem mais "músculo cerebral" ao longo da vida possuem certa reserva e podem retardar os efeitos da demência por algum tempo.

"Por isso, entre as opções de prevenção, alguns especialistas enfatizam a estimulação mental por meio de atividades que permitam às pessoas aprender coisas novas e até mesmo interagir com outras pessoas."
No trecho acima, o termo "enfatizam" foi empregado com o sentido de:
Alternativas
Q3956044 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



É verdade que caça-palavras, palavras cruzadas e Sudoku ajudam a prevenir Alzheimer e demência?


-


O Alzheimer é uma doença que causa alterações específicas no cérebro que pioram com o tempo e afetam a capacidade de pensar, lembrar, raciocinar e até mesmo se comportar. Por isso, entre as opções de prevenção, alguns especialistas enfatizam a estimulação mental por meio de atividades que permitam às pessoas aprender coisas novas e até mesmo interagir com outras pessoas.


Um dos métodos mais conhecidos são os jogos de lógica, como Sudoku, palavras cruzadas e caça - palavras, que ajudam a estimular as habilidades cognitivas e ativar as células cerebrais. De acordo com Adrian Owen, professor de neurocirurgia cognitiva na Western University em Ontário, Canadá, os benefícios desses tipos de hobbies tendem a ser específicos e não generalizáveis para outras habilidades mentais. 


Isso quer dizer que praticar uma determinada atividade fará com que as pessoas melhorem aspectos concretos. Nesse sentido, o profissional também afirma que ler, aprender outro idioma, jogar jogos de tabuleiro ou completar cruzadinhas são ações associadas a um menor risco de deterioração mental.


Diante disso, alguns cientistas sustentam que aqueles que desenvolvem mais "músculo cerebral" ao longo da vida possuem certa reserva e podem retardar os efeitos da demência por algum tempo.

"Um dos métodos mais conhecidos são os jogos de lógica, como Sudoku, palavras cruzadas e caça - palavras, que ajudam a estimular as habilidades cognitivas e ativar as células cerebrais."
Com base no trecho acima, assinale a alternativa em que a explicação sobre o uso ou ausência do acento gráfico está CORRETA, conforme as regras do Acordo Ortográfico vigente.
Alternativas
Q3956043 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



É verdade que caça-palavras, palavras cruzadas e Sudoku ajudam a prevenir Alzheimer e demência?


-


O Alzheimer é uma doença que causa alterações específicas no cérebro que pioram com o tempo e afetam a capacidade de pensar, lembrar, raciocinar e até mesmo se comportar. Por isso, entre as opções de prevenção, alguns especialistas enfatizam a estimulação mental por meio de atividades que permitam às pessoas aprender coisas novas e até mesmo interagir com outras pessoas.


Um dos métodos mais conhecidos são os jogos de lógica, como Sudoku, palavras cruzadas e caça - palavras, que ajudam a estimular as habilidades cognitivas e ativar as células cerebrais. De acordo com Adrian Owen, professor de neurocirurgia cognitiva na Western University em Ontário, Canadá, os benefícios desses tipos de hobbies tendem a ser específicos e não generalizáveis para outras habilidades mentais. 


Isso quer dizer que praticar uma determinada atividade fará com que as pessoas melhorem aspectos concretos. Nesse sentido, o profissional também afirma que ler, aprender outro idioma, jogar jogos de tabuleiro ou completar cruzadinhas são ações associadas a um menor risco de deterioração mental.


Diante disso, alguns cientistas sustentam que aqueles que desenvolvem mais "músculo cerebral" ao longo da vida possuem certa reserva e podem retardar os efeitos da demência por algum tempo.

Com base nas ideias apresentadas no texto, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3941421 Português
Leia o trecho a seguir: “Naquela manhã, a cidade acordou muda, o vento parou, e o tempo, cansado, adormeceu de novo.” A construção acima apresenta uma figura de linguagem que confere caráter humano a seres inanimados. Assinale a alternativa que nomeia corretamente esse recurso estilístico.
Alternativas
Q3941420 Português
Observe a construção: “Disse-se que o projeto fora concluído antes do prazo.” Considerando a função sintática dos elementos destacados, assinale a alternativa que apresenta a classificação correta de “se” e “que”.
Alternativas
Q3941419 Português
O uso da crase é determinado pela combinação de preposição exigida pelo verbo com o artigo definido que acompanha o substantivo. Assinale a alternativa em que a aplicação do acento grave está de acordo com a norma-padrão.
Alternativas
Q3941418 Português
Em um contexto formal, o verbo pode concordar com o núcleo de um sujeito coletivo, mantendo-se no singular, mesmo quando o complemento aparece no plural. Em qual das alternativas essa regra se aplica corretamente? 
Alternativas
Q3941417 Português
O processo de derivação prefixal e sufixal ocorre quando um mesmo radical recebe, simultaneamente, acréscimo de prefixo e de sufixo. Em qual das alternativas esse tipo de formação se verifica? 
Alternativas
Q3930048 Português
Texto para responder à questão.

Comunicação

    É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um… um… como é mesmo o nome?
    “Posso ajudá-lo, cavalheiro?”
    “Pode. Eu quero um daqueles, daqueles…”
    “Pois não?”
    “Um… como é mesmo o nome?”
    “Sim?”
    “Pomba! Um… um… Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.”
    “Sim senhor.”
    “O senhor vai dar risada quando souber.”
    “Sim senhor.”
    “Olha, é pontuda, certo?”
    “O quê, cavalheiro?”
“Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um… Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta; a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. E isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?”
    “Infelizmente, cavalheiro…”
    “Ora, você sabe do que eu estou falando.”
    “Estou me esforçando, mas…”
    “Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?”
    “Se o senhor diz, cavalheiro.”
    “Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um
detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero.”
    “Sim senhor. Pontudo numa ponta.”
    “Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?”
    “Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?”
    “Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho.”
    “Sinto muito.”

(VERÍSSIMO, Luis Fernando. Para gostar de ler. V.7. 3.ed. São Paulo: Ática, 1982. Adaptado.)
De acordo com a estrutura do tipo textual apresentado, é correto afirmar que:
Alternativas
Respostas
24901: B
24902: D
24903: A
24904: C
24905: C
24906: E
24907: C
24908: E
24909: B
24910: A
24911: A
24912: E
24913: C
24914: A
24915: C
24916: A
24917: D
24918: B
24919: D
24920: B