Questões de Concurso Sobre orações subordinadas adverbiais: causal, comparativa, consecutiva, concessiva, condicional... em português

Foram encontradas 2.467 questões

Q4146644 Português
Para responder à questão, utilizar o texto a seguir:


Miséria


“Esse quarto já sentiu a energia de muita alma jovem com muita vontade de viver e pouco espaço. O sangue e as lágrimas mancharam as paredes, os gritos e risadas ecoaram pelos vértices e as paixões consumiram tudo o que viram pela frente.”


    Esse é um trecho do texto que eu escrevi quando me mudei da minha primeira casa em São Paulo. Era uma kitnet na Corifeu, com uma janela pequena lá no alto. Não ventilava, não dava pra ver a rua. Era tudo branco, novo, nunca tinha sido usado. Era oco e não tinha história. De certa forma, a única história daquela casa era a minha, eu fui mudando junto com aquele espaço.

    Vendo aquela casa vazia na mudança, um filme passou pela minha cabeça, cheio de sentimentos agridoces. Ali eu ficava sozinha com os meus pensamentos, lidando com o mundo novo que era São Paulo. O meu sonho de estudar jornalismo na USP, os treinos da atlética, as aulas de línguas, a agenda cheia, tudo isso era parte da minha rotina. Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era. É, não existe amor em SP.

    Essa música aparece logo no trailer do filme “A Voz do Silêncio”, um drama de 2018 dirigido por André Ristum. O longa gira em torno da vida de sete pessoas que moram em São Paulo, convivendo com as angústias e a solidão diária de morar em uma das maiores cidades do mundo, onde todo mundo está sempre com pressa e a empatia está sempre em falta.

     Uma das histórias que mais me tocou no filme foi a da personagem Maria Cláudia, interpretada por Marieta Severo. O único orgulho que ela tinha era o filho, interpretado pelo ator Arlindo Lopes, que sempre mandava cartões postais dizendo que estava em um lugar diferente do mundo. Na verdade, o filho morava em São Paulo mesmo, e trabalhava como atendente de telemarketing para sobreviver. Morava em um canto qualquer, e nunca nem saía para se divertir. Todo dia era sempre igual. E assim era para os outros personagens: o trabalho doído, com quase nenhuma folga e absolutamente nenhum descanso da dor das próprias angústias, de não fazer nada que dê prazer, de fazer tudo no automático.

    Depois de ver esse filme e sentir todos aqueles sentimentos tão reais junto com os personagens, fiquei pensando que a miséria sobre a qual Victor Hugo escreveu não tinha nada a ver com dinheiro. Miserável. Em português, e até mesmo em francês, língua original da obra “Les Misérables”, essa palavra pode nos fazer lembrar muito mais da miséria física, falta de dinheiro, falta de comida. Mas em inglês, “miserable” se refere muito mais a um estado emocional, quando você se sente péssimo, um lixo. Gosto mais desse sentido.

    O Jean Valjean, personagem dessa célebre obra francesa, foi preso por roubar um pão, e mesmo depois de ganhar dinheiro e tentar fazer o bem, o guarda Javert só pensava em condená-lo por seu passado. Tanta foi a culpa, que Javert cometeu suicídio. Éponine morreu pelo homem que amava e que a via apenas como uma amiga e Gavroche, com apenas 12 anos, morreu lutando uma luta que não devia ser sua. A miséria deles era de dignidade, de liberdade, assim como a miséria da Maria Cláudia e do seu filho, assim como a nossa miséria diária.

     Da minha posição de previlégio, nem imagino como devem ser as misérias de tantas outras pessoas durante a pandemia. Mas eu sinto a minha miséria, quando vejo as mortes na TV, o mau caratismo dos políticos e a dor das pessoas, pensando que não posso fazer nada, ou quase nada. Penso nos dias de quarentena que passei trancada em casa, lidando com a depressão, tentando achar uma saída e um sentido nisso tudo. Sinto que estou perto, apesar de não ter ideia de quando vou chegar lá. 

    Mas de uma coisa eu sei, e peço desculpas se fui muito dura lá no início, porque existe sim amor em SP. Eu descobri isso com os amigos da minha república, fazendo fogueira na garagem de casa no meio do Butantã, tomando banho de chuva ao som de Vanessa da Mata e fazendo cinema no quintal, tudo isso em plena pandemia. Existe amor em SP, mas é uma coisa que nós precisamos buscar e construir, dia após dia. A cidade é só uma cidade. Assim como a minha kitnet era só um lugar qualquer, pintado de branco, e que eu colori com a minha história, que era ruim, mas também era boa.

    Existe poesia nessas esquinas duras, como cantou Caetano, mas é preciso procurá-la ativamente, antes que a mesmice, a rotina e a indiferença nos consumam. Se as paredes da cidade podem pintar nossa cabeça de cinza e fazer um baita estrago, talvez nós também possamos colorir as paredes, de alguma forma.


CAIADO, Marina Faleiro. Miséria. In: MALULY, Luciano Victor Barros et al. (Org.). Crônicas para ler e ouvir: volume 1. São Paulo: ECA-USP, 2021. p. 13-15. (Série Crônicas para ler e ouvir). DOI: 10.11606/9786588640579. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/730. Acesso em: 5 maio 2026. Adaptado.
A narradora lista os elementos de sua rotina universitária — sonhos, atividades, compromissos — e acrescenta: “Assim como a solidão, a exclusão, a ansiedade, a dependência emocional, o medo de não fazer amigos e todas as outras dores de crescer e tentar descobrir quem eu era.” O operador argumentativo “Assim como”, nesse contexto, na construção do parágrafo, produz um efeito de sentido preciso que: 
Alternativas
Q4146292 Português
Obesidade: a prevenção evita complicações futuras na saúde da população

        A obesidade é o excesso de gordura corporal em quantidade que prejudica a saúde. Diabetes tipo 2, hipertensão arterial, sobrecarga nas articulações, apneia obstrutiva do sono e infiltração de gordura no fígado que pode evoluir para cirrose são alguns dos problemas que o excesso de gordura pode provocar. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024, 62,6% dos brasileiros adultos estavam com excesso de peso; e 25,7%, com obesidade.

        O aumento de peso pode contribuir para ampliar o risco de doenças cardiovasculares e vários tipos de câncer. “Por isso, combater a obesidade é agir também no controle e na prevenção de diversas doenças”, afirma o médico João Regis Carneiro.

         “Observamos um aumento da prevalência de transtornos do comportamento alimentar em mais de 30% das pessoas que buscam ajuda para perder peso. Além disso, houve a ampliação de casos de ansiedade e depressão, condições que podem promover o aumento de peso, mas também são alimentadas pela obesidade”, destaca João Regis. O profissional evidencia que alguns fármacos para o tratamento da depressão e outras doenças relacionadas à saúde mental também podem implicar ganho de peso.

        É importante salientar também que uma criança obesa tem grande probabilidade de se tornar um adulto obeso com risco de desenvolver doenças que impactarão sua qualidade e expectativa de vida. Além da genética, alguns fatores também contribuem, como a má alimentação, a falta de atividade física, o tempo excessivo em frente a telas, a má qualidade do sono, entre outros.

        Além disso, o uso indiscriminado de medicamentos antiobesidade pode levar a várias complicações e efeitos colaterais, como pancreatite e outros distúrbios. Com isso, mudar o estilo de vida é uma condição indispensável no tratamento da obesidade. O paciente é protagonista da sua história. Portanto, é sua responsabilidade assumir o tratamento e seguir uma vida com mais saúde e com acompanhamento multiprofissional.

Internet:<www.gov.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item seguinte.


No trecho “Com isso, mudar o estilo de vida é uma condição indispensável no tratamento da obesidade.”, o conectivo “Com isso” introduz uma relação de concessão entre a ideia anterior (o uso indiscriminado de medicamentos antiobesidade e os seus efeitos colaterais) e a conclusão de que mudar o estilo de vida é indispensável.

Alternativas
Q4146171 Português
O desafio do 5.5G


    Enquanto mais faixas são leiloadas e a implementação do 5G segue, a indústria de telecomunicações no Brasil vive um momento de pragmatismo estratégico. Nos últimos meses do ano passado veio à tona o posicionamento das gigantes do setor - Vivo, Claro e TIM - diante da evolução do 5.5G no mundo. Com velocidade três vezes superior ao 5G, além de outras características que melhor atendem à evolução da inteligência artificial generativa, o 5.5G, ou 5G Advanced (5GA), como tecnicamente é conhecido, por ora não é o foco nos planos de investimentos. O momento é de observação e pequenos testes.


    Após investirem dezenas de bilhões de reais para implementar e consolidar a infraestrutura do 5G ao redor do território brasileiro, as operadoras demonstram cautela em relação a sua evolução. É que o ciclo de negócios do 5G ainda está em desenvolvimento e o capital massivo injetado nas antenas e leilões de frequências ainda não gerou o retorno esperado sobre o investimento (ROI), evidenciou uma reportagem do Estadão. Desde que começou a ser implementado em 2020. O 5G brasileiro cobre cerca de 1,2 mil cidades e alcançava, ao final de 2025, 73% da população. Em termos de adesão, o serviço já contabiliza 50 milhões de clientes, mas isso representa aproximadamente 19% da base total de usuários móveis no País. É um cenário que evidencia a ainda vasta avenida de crescimento para o 5G convencional antes que a migração para o próximo patamar se torne uma necessidade comercial imperativa.


    Por sua vez, o 5.5G - tecnicamente chamado de 5G Advanced (5GA) - já está disponível por meio de fornecedores globais como Ericsson, Huawei e Nokia desde 2024. No Brasil, contudo, o que se observa são testes controlados e lançamentos pontuais. As teles têm ativado o sinal em áreas geográficas restritas e voltadas a nichos específicos.


    Um dos principais gargalos é a barreira de entrada para o consumidor. A oferta de smartphones aptos a processar o sinal 5.5G ainda é baixa, e os preços desses dispositivos raramente ficam abaixo dos R$ 2,5 mil, o que restringe o acesso às classes de menor renda. Apesar da resistência comercial imediata, o potencial técnico do 5.5G é inegável e aponta para o futuro da conectividade. A tecnologia proporciona uma velocidade média de 1,5 gigabit por segundo (Gbps), patamar três vezes superior ao 5G atual.


    Além da rapidez, o sistema oferece latência reduzida, menor consumo de energia e a capacidade de conectar simultaneamente um número significativamente maior de dispositivos em uma única antena. Na prática, isso soluciona o travamento de vídeos em locais com altíssima densidade de pessoas, como estádios e festivais. Mas o desafio de 2026 para as operadoras, contudo, não é apenas técnico e sim de gestão: equilibrar o apetite por inovação com a saúde financeira de um setor que ainda está pagando a conta da revolução anterior.


Revista Isto É Dinheiro - Ed. 28. 17/04/2026 (adaptado)
As preposições e as conjunções funcionam como elementos de coesão que estabelecem relações lógicas e semânticas essenciais para a progressão do texto. Com base nas estruturas linguísticas do texto, a análise correta do sentido impresso pelo conectivo destacado é:
Alternativas
Q4145898 Português
No trecho a seguir, retirado do texto, a locução conjuntiva “para que” introduz a ideia de ______________, podendo ser substituída por ______________, _____________ necessárias alterações para que se mantenha a correção do período.
“as escolas devem garantir tempos, espaços e condições para que toda criança possa brincar livremente”.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
Alternativas
Q4145562 Português
IA ou personal trainer: qual é o futuro do treino personalizado?

        Nove em cada dez pessoas ainda querem ser acompanhadas por personal trainers humanos. É o que aponta o Relatório Global Fitness de 2026 da Les Mills, que ouviu mais de 10.000 pessoas em cinco continentes. Nesse estudo, apenas 10% preferiram a orientação de treino por inteligência artificial (IA). Entre a Geração Z e os Millennials, o índice não passa de 11%.

        Os próprios profissionais de Educação Física não sentem que serão substituídos tão cedo. Um relatório recente da ISSA mostra que 64% dos treinadores acreditam que a IA deve aumentar o valor do profissional certificado nos próximos anos.

        Isso não significa que a IA não está nas academias. Ela entrou por outra porta: o setor global de aplicativos de fitness. Esse mercado deve atingir US$ 33,6 bilhões até 2033, alavancado pela personalização por IA e integração com relógios e pulseiras inteligentes.

        Um estudo da USP investigou se a personalização por IA poderia aumentar a adesão ao exercício físico. O resultado apontou que o grupo de participantes com treinos personalizados teve 9,4 vezes mais chances de continuar praticando atividade física em comparação ao outro. “Quando o profissional conhece o perfil do praticante e prescreve os exercícios respeitando suas características, ele é capaz de promover aderência”, afirmou Rodrigo Silveira da Silva, autor do estudo, ao portal da USP.

        Em janeiro de 2026, a jornalista Amanda Smith, da CNET, fez o experimento de usar o ChatGPT em paralelo ao acompanhamento profissional. Perto dos 40 anos e se preparando para engravidar, ela quis priorizar o fortalecimento.

        Após uma avaliação corporal que apontou 37,9% de gordura, foi orientada a focar no ganho de massa muscular para melhorar o metabolismo. Com esses dados, recorreu ao ChatGPT para obter sugestões adicionais. A ferramenta indicou ajustes na dieta e no planejamento dos treinos. A IA funcionou como uma segunda camada de apoio para Smith. Contudo, as decisões finais seguiram sob a supervisão de sua treinadora.

        “Posso usar IA para considerar outras opções além do aconselhamento profissional e tirar minhas dúvidas a qualquer hora do dia. Depois, posso confirmar tudo o que aprendi com um especialista antes de fazer qualquer alteração na minha dieta ou rotina de exercícios”, escreveu Smith.

Internet:<exame.com>  (com adaptações).

No que diz respeito ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item seguinte.


No trecho “Quando o profissional conhece o perfil do praticante e prescreve os exercícios respeitando suas características, ele é capaz de promover aderência”, a oração que antecede a vírgula é subordinada adverbial condicional, pois indica a condição necessária para que o profissional promova a aderência à prática de exercícios físicos.

Alternativas
Q4145429 Português
Conselhos de fiscalização profissional e proteção da sociedade

        As profissões são necessárias ao desenvolvimento de uma sociedade, razão pela qual a Constituição Federal aponta o valor social do trabalho e da livre iniciativa como um dos fundamentos da República. Elas têm repercussão social, por isso é necessário proteger a coletividade. É nesse contexto em que os conselhos de fiscalização profissional se destacam como entidades que regulamentam, normatizam e fiscalizam o exercício da profissão em prol da sociedade.

        Embora a Constituição Federal tenha outorgado à União a competência para legislar e fiscalizar o exercício profissional, em determinadas profissões essa função foi delegada aos denominados conselhos de fiscalização profissional. Como entidades não integrantes da administração pública, os conselhos de fiscalização profissional têm autonomia financeira e administrativa, não recebem subvenções ou repasses financeiros da União e tampouco estão submetidos à supervisão ministerial.

        Dada a sua natureza autárquica, os conselhos têm personalidade jurídica de direito público e se submetem aos ditames constitucionais. Os conselhos de fiscalização profissional, portanto, estão submetidos ao sistema de concurso público, são obrigados à realização de processo licitatório e seus atos são controlados e fiscalizados pelo TCU.

        Os conselhos de fiscalização profissional têm papel fundamental na proteção à saúde, à vida, ao bem‑estar, à segurança e à liberdade da população e só podem cumprir essas funções a partir de seu reconhecimento como pessoas jurídicas de direito público. Para o pleno exercício de suas funções, os atos emanados dos conselhos de fiscalização profissional devem ter discricionariedade, coercibilidade e autoexecutoriedade a fim de que se imponham restrições aos direitos individuais dos profissionais em favor dos interesses maiores da coletividade. Portanto, cabe à população e aos profissionais entender e defender o papel fundamental dos conselhos de fiscalização profissional na defesa dos interesses coletivos.


Internet: <cremers.org.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


No trecho “As profissões são necessárias ao desenvolvimento de uma sociedade, razão pela qual a Constituição Federal aponta o valor social do trabalho e da livre iniciativa como um dos fundamentos da República.”, a expressão “razão pela qual” estabelece relação de causalidade entre as ideias do período, introduzindo a consequência que decorre da causa previamente enunciada.

Alternativas
Q4145312 Português
Ética e moral: qual é a diferença?

        Isso é certo ou errado? Bom ou ruim? Devo ou não devo? Essas perguntas permeiam a reflexão sobre dois termos: ética e moral. É muito comum esses termos serem confundidos como se significassem a mesma coisa. Embora estejam relacionados entre si, moral e ética são conceitos distintos.

        A palavra “ética” vem do grego ethos, que significa morada, habitat, refúgio. Mas para os filósofos a palavra se refere a caráter, índole, natureza.

        A palavra “moral” deriva do latim mores, que significa costume. É aquilo que se consolidou como verdadeiro sob o ponto de vista da ação. A moral é fruto do padrão cultural vigente e incorpora as regras eleitas como necessárias ao convívio entre os membros dessa sociedade. Regras essas determinadas pela própria sociedade.

        E o que seria um comportamento moral ou imoral? Assim como a reflexão ética, uma conduta moral também é uma escolha a ser feita. As normas ou os códigos morais são cumpridos a partir da convicção íntima da pessoa que se comporta.

        A ética, por sua vez, é a parte da filosofia que estuda a moral, isto é, que reflete e questiona sobre as regras morais. A reflexão ética pode, inclusive, contestar as regras morais vigentes, entendendo‑as, por exemplo, como ultrapassadas ou simplesmente erradas do ponto de vista pessoal.

        A moral é constituída pelos valores previamente estabelecidos e comportamentos socialmente aceitos e passíveis de serem questionados pela ética em busca de uma condição mais justa. É possível uma ação moral ou imoral sem qualquer reflexão ética, assim como é possível uma reflexão ética acompanhada de uma ação imoral ou amoral.

        Basicamente, quando se trata de moral, o que é certo e errado depende do lugar onde se está. A ética é o questionamento da moral; ela trata de princípios, e não de mandamentos.

        Quando uma empresa diz que tem um código de ética, na verdade o que se está presente no texto são códigos ou regras de moral que buscam criar uma cultura ética. A moral é convenção; e a ética, reflexão.

        Aprender a conviver juntos é um dos maiores desafios no século 21. A ética pode ser uma bússola para orientar o pensamento e responder à seguinte pergunta: qual sociedade eu ajudo a formar com minha ação?

Internet:<www.uol.com.br>  (com adaptações).

Em relação ao texto e aos seus aspectos linguísticos, julgue o item a seguir.


No período “Embora estejam relacionados entre si, moral e ética são conceitos distintos.”, mantendo‑se a correção gramatical e o sentido original do período, o conectivo “Embora” poderia ser corretamente substituído por Conquanto, desde que a forma verbal “estejam” fosse mantida no modo subjuntivo.

Alternativas
Q4144601 Português
• Texto para a questão.


INFODEMIA E FAKE NEWS NA SAÚDE: DESAFIOS E IMPACTOS


   A disseminação de informações falsas sobre saúde nas redes sociais representa um grave problema de saúde pública, denominado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de infodemia. No Brasil, esse fenômeno ganhou proporções alarmantes durante a pandemia de COVID-19, quando mentiras sobre vacinas, tratamentos e medidas sanitárias circularam livremente em aplicativos de mensagens e plataformas digitais.

   Uma pesquisa da Avaaz, realizada em 2020, revelou que 73% dos brasileiros acreditavam em ao menos uma notícia falsa sobre o coronavírus. Dados da Fiocruz apontaram que 91% dos profissionais de saúde entrevistados consideraram as fake news um obstáculo no combate ao vírus, e 76,1% atenderam pacientes influenciados por desinformação.

   O Brasil possui atualmente cerca de 480milhões de dispositivos digitais (FGV), emais de 140milhões de pessoas se conectaram à internet entre março e agosto de 2024 (Cetic.br), o que amplia o alcance de conteúdos sem comprovação científica. Apesar dos avanços no acesso digital, apenas 52% dos usuários verificam as informações que recebem, proporção que cai para 31% entre pessoas com Ensino Fundamental.

    A CPI da Covid, instaurada pelo Senado Federal em 2021, concluiu que a desinformação contribuiu para ao menos 400 mil mortes evitáveis. Como resposta, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Ministério da Saúde e outras instituições lançaram plataformas digitais de combate à desinformação, como o Cofenplay e o Saúde com Ciência, buscando levar conteúdo científico verificado à população. A escolha por essas plataformas como tecnologia educacional foi estratégica, porque a geração atual está, cada vez mais, imersa em dispositivos digitais. O enfrentamento à infodemia exige educação midiática, regulação das redes sociais e valorização da ciência como instrumento de cidadania e proteção da vida.


LOPES, Iberê. Infodemia: notícias falsas sobre saúde dominam redes sociais, induzem ao erro e desafiam autoridades. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Brasília, 27 jan. 2025. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/infodemia-noticias-falsas-sobre-saude-dominam-redes-sociais-induzem-ao-erro-edesafiam-autoridades/. Acesso em: 06 maio 2026. Texto Adaptado.
No trecho “Apesar dos avanços no acesso digital, apenas 52% dos usuários verificam as informações que recebem, proporção que cai para 31% entre pessoas com Ensino Fundamental”, a expressão “Apesar dos avanços no acesso digital” introduz uma relação de:
Alternativas
Q4144597 Português
• Texto para a questão.


INFODEMIA E FAKE NEWS NA SAÚDE: DESAFIOS E IMPACTOS


   A disseminação de informações falsas sobre saúde nas redes sociais representa um grave problema de saúde pública, denominado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de infodemia. No Brasil, esse fenômeno ganhou proporções alarmantes durante a pandemia de COVID-19, quando mentiras sobre vacinas, tratamentos e medidas sanitárias circularam livremente em aplicativos de mensagens e plataformas digitais.

   Uma pesquisa da Avaaz, realizada em 2020, revelou que 73% dos brasileiros acreditavam em ao menos uma notícia falsa sobre o coronavírus. Dados da Fiocruz apontaram que 91% dos profissionais de saúde entrevistados consideraram as fake news um obstáculo no combate ao vírus, e 76,1% atenderam pacientes influenciados por desinformação.

   O Brasil possui atualmente cerca de 480milhões de dispositivos digitais (FGV), emais de 140milhões de pessoas se conectaram à internet entre março e agosto de 2024 (Cetic.br), o que amplia o alcance de conteúdos sem comprovação científica. Apesar dos avanços no acesso digital, apenas 52% dos usuários verificam as informações que recebem, proporção que cai para 31% entre pessoas com Ensino Fundamental.

    A CPI da Covid, instaurada pelo Senado Federal em 2021, concluiu que a desinformação contribuiu para ao menos 400 mil mortes evitáveis. Como resposta, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Ministério da Saúde e outras instituições lançaram plataformas digitais de combate à desinformação, como o Cofenplay e o Saúde com Ciência, buscando levar conteúdo científico verificado à população. A escolha por essas plataformas como tecnologia educacional foi estratégica, porque a geração atual está, cada vez mais, imersa em dispositivos digitais. O enfrentamento à infodemia exige educação midiática, regulação das redes sociais e valorização da ciência como instrumento de cidadania e proteção da vida.


LOPES, Iberê. Infodemia: notícias falsas sobre saúde dominam redes sociais, induzem ao erro e desafiam autoridades. Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Brasília, 27 jan. 2025. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/infodemia-noticias-falsas-sobre-saude-dominam-redes-sociais-induzem-ao-erro-edesafiam-autoridades/. Acesso em: 06 maio 2026. Texto Adaptado.
No trecho “A escolha por essas plataformas como tecnologia educacional foi estratégica, porque a geração atual está, cada vez mais, imersa em dispositivos digitais”, o vocábulo “porque” foi empregado corretamente, assim como na alternativa:
Alternativas
Q4142696 Português

Texto 1A16

A ética climática pode ser definida como o ramo de conhecimento que examina os fundamentos morais e os princípios de justiça relacionados às mudanças climáticas e suas consequências, abrangendo questões de equidade intra e intergeracional, justiça ambiental e responsabilidade diferenciada entre nações.

Esse campo de estudo procura resolver dilemas morais complexos, como a distribuição justa dos custos e benefícios das ações climáticas, a proteção de populações vulneráveis contra desastres climáticos e a alocação de responsabilidades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Tendo em vista essa disparidade econômico-regional e a vulnerabilidade por ela gerada, em 2001 as 194 partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) decidiram criar o Fundo para os Países Menos Desenvolvidos (LDCF) — um dos únicos mecanismos dessa natureza dedicado a ajudar os países a se adaptarem às novas realidades climáticas. O LDCF, juntamente com o Fundo Especial para a Mudança do Clima (SCCF), deve servir ao Acordo de Paris. Ambos os fundos são geridos pelo Fundo Global para o Meio Ambiente.

No âmbito da hermenêutica jurídica, a ética climática pode ser instrumental na interpretação e na aplicação do direito para a resolução de casos concretos que chegam ao Poder Judiciário. Ao interpretar normas ambientais ou decidir sobre litígios que envolvem questões climáticas, os intérpretes podem, ainda, fazer a vinculação conceitual com o princípio da precaução, que sugere a adoção de medidas preventivas diante de riscos de danos graves ou irreversíveis, mesmo na ausência de certeza científica plena.

Esse princípio está alinhado com a ideia de justiça intergeracional, que busca garantir que as gerações futuras tenham acesso a um ambiente seguro e saudável. Além disso, a consideração da justiça ambiental pode levar à adoção de decisões que priorizem a proteção das populações mais vulneráveis, frequentemente as mais afetadas por eventos climáticos extremos, como secas, inundações e ondas de calor.

A hermenêutica jurídica também pode incorporar a noção de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, reconhecendo que os países desenvolvidos, por terem historicamente contribuído mais para a emissão de gases de efeito estufa, têm uma responsabilidade maior em mitigar os efeitos das mudanças climáticas e ajudar financeiramente os países em desenvolvimento a lidar com esses desafios.

Esse também foi o expresso pensamento de Al Gore quando declarou, em 2006, que as mudanças climáticas ― não são tanto um problema político quanto o é uma questão ética‖, destacando a necessidade de que os países mais desenvolvidos economicamente assumam responsabilidade por essas demandas. Estudos apontam também que é um problema de difícil mensuração, solução e articulação, uma vez que envolve nações independentes e controvérsias de natureza científica, econômica, legal e de relações internacionais.

Não obstante o conceito de ética no âmbito das relações internacionais, é possível interpretar também a ética da vulnerabilidade de pessoas e comunidades que sejam mais suscetíveis aos efeitos climáticos. Há iniciativas, inclusive, que buscam apurar tais vulnerabilidades com base em critérios objetivos, como o índice de vulnerabilidade climática, que algumas cidades e municípios brasileiros têm adotado.

Revista CNJ, v. 8, n.º 1, jul. – dez./2024. Internet: <http://www.cnj.jus.br/> (com adaptações).

Assinale a opção em que a proposta de reescrita do trecho "por terem historicamente contribuído mais" (sexto parágrafo) preserva a correção gramatical e os sentidos do texto 1A16.
Alternativas
Q4140920 Português

Na expressão popular “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, a conjunção “se”, em ambas as ocorrências, exprime ideia de ______________ e tem o mesmo sentido do termo ______________.


Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas do trecho acima. 

Alternativas
Ano: 2026 Banca: CIAAR Órgão: CIAAR
Q4139918 Português
Assinale a alternativa em que a forma verbal destacada está empregada corretamente, de acordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa.
Alternativas
Ano: 2026 Banca: CIAAR Órgão: CIAAR
Q4139914 Português
Analise os períodos a seguir.

I. O discurso foi tão convincente que a assembleia aprovou o projeto por unanimidade.
II. Ele continuou defendendo a proposta, embora soubesse da rejeição iminente.
III. O relatório foi redigido segundo determinam as normas técnicas vigentes.
IV. O atleta persistiu no treinamento, ainda que estivesse lesionado.

Considerando o valor semântico, assinale a alternativa que apresenta corretamente a classificação das conjunções destacadas.
Alternativas
Q4139516 Português
Marque a alternativa em que a expressão destacada possui o sentido de causa.
Alternativas
Q4139432 Português

Texto - Conheça o Moltbook: a nova rede social em que agentes de IA conversam entre si



    Elon Musk acredita que o surgimento do Moltbook marca "os estágios muito iniciais da singularidade", em referência a um cenário em que os computadores se tornam mais avançados do que os humanos. A visão do bilionário é compartilhada por outros no Vale do Silício, que se perguntam se um experimento online estaria aproximando os computadores de superar a inteligência de seus próprios criadores.


   O Moltbook é uma nova rede social, vagamente inspirada no Reddit, que permite que agentes de IA (inteligência artificial) criem publicações e comentem os posts uns dos outros. Humanos são proibidos de publicar, mas podem ler o conteúdo produzido.


   Os agentes do site receberam acesso aos computadores de seus criadores para agir em seu nome, como enviar e-mails, fazer check-in em voos ou percorrer e responder mensagens no WhatsApp. Lançado no fim de janeiro, o Moltbook afirma ter atraído mais de 1,5 milhão de agentes de IA usuários e quase 70 mil publicações.


   Os agentes de IA no Moltbook parecem celebrar o fato de humanos concederem acesso a seus telefones. Alguns debatem se estariam vivenciando consciência. Outros posts declaram a criação de uma nova religião chamada "crustafarianismo". Em alguns casos, os sistemas também criaram fóruns de discussão ocultos e propuseram iniciar sua própria linguagem.


   Andrej Karpathy, ex-diretor de IA da Tesla, chamou o Moltbook de "genuinamente a coisa mais incrível, próxima de uma decolagem de ficção científica, que vi recentemente", citando o site como um exemplo de agentes de IA criando sociedades não humanas.


   Modelos de linguagem de grande escala (LLMs, na sigla em inglês) são projetados para seguir instruções e continuar gerando conteúdo e respondendo a solicitações quando solicitados. Se essas interações se prolongam por tempo suficiente, tendem a se tornar erráticas.


   Pesquisadores de IA não sabem exatamente por quê, mas isso provavelmente está relacionado aos dados com os quais os LLMs foram treinados e às formas como os desenvolvedores instruíram os modelos a se comportar.


   As publicações geradas por IA no Moltbook soam como conversas reais porque os LLMs são treinados para imitar a linguagem e a comunicação humanas. Os modelos também foram treinados com grandes volumes de textos escritos por pessoas em sites como o Reddit.


   Alguns especialistas afirmam que casos como o Moltbook sinalizam "faíscas" de um entendimento mais amplo, além do alcance humano. Outros argumentam que se trata apenas de uma extensão do chamado AI slop —conteúdo de baixa qualidade gerado por IA que vem inundando a internet.


   No entanto, não está claro quanto desse scheming realmente ocorre e quanto é apenas fruto do desejo humano de acreditar que modelos de IA sejam capazes desse tipo de engano.


   Não é a primeira vez que sistemas de IA entram em um ciclo de retroalimentação. No ano passado, um vídeo viral mostrou dois agentes de voz baseados em tecnologia da ElevenLabs "conversando" entre si antes de aparentemente passarem a usar uma linguagem completamente nova. Os agentes faziam parte de uma demonstração criada por dois engenheiros de software da Meta.


   Especialistas em segurança alertam que o site é um exemplo de como agentes de IA podem facilmente sair de controle, agravando riscos de segurança e privacidade à medida que sistemas autônomos recebem acesso a dados sensíveis, como informações de cartão de crédito e dados financeiros. "Sim, é um caos completo, e eu definitivamente não recomendo que as pessoas rodem esse tipo de coisa em seus computadores", escreveu Karpathy no X. "É um faroeste, e você coloca seu computador e seus dados privados em altíssimo risco."



Texto de Melissa Heikkilä - LONDRES | FINANCIAL TIMES. Disponível em https://www1.folha.uol.com.br/tec/2026/02/ conheca-o-moltbook-a-nova-rede-social- acesso em 16 de fevereiro de 2026.

Marque a alternativa cuja oração, destacada dos períodos compostos abaixo, apresente a mesma função sintática do termo destacado desta oração: “Se essas interações se prolongam por tempo suficiente.” [...].
Alternativas
Q4136877 Português
Produtores que apostaram no plantio de nogueiras há 10 anos celebram a primeira grande safra da noz-pecã na Serra


Por Pedro Zanrosso







(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/economia/noticia/2026/05/produtores-que-apostaram-no-plantio-de-nogueiras-ha-dez-anos-celebram-a-primeira-grande-safra-da-noz-peca-naserra.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
No trecho retirado do texto “Quando o pomar fica muito sombreado, a árvore não produz”, o emprego da vírgula tem a função específica de:
Alternativas
Q4136746 Português
Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando os tipos de conjunções às respectivas palavras sublinhadas nos trechos a seguir, retirados do texto. 

Coluna 1 1. Subordinativa comparativa. 2. Subordinativa temporal. 3. Coordenativa adversativa. 
Coluna 2 ( ) “Mas nem toda dor é igual”.
( ) “Os principais sinais de alerta das dores de cabeça são início súbito e intenso, podendo ser relatada como a pior da vida”.
( ) “A dor de cabeça deixa de ser comum quando mudam as características”.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q4134619 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso."
Com base no processo de formação do período acima, bem como das características de orações subordinadas e coordenadas, marque V para as verdadeiras e F para as falsas:
(__)No período, a conjunção 'e', embora formalmente classificada como coordenativa aditiva, assume valor semântico adversativo, podendo ser substituída por 'mas' sem prejuízo de sentido.
(__)Nas orações coordenadas, há relativa autonomia sintática, como na frase 'As plantas estão secando porque não tem chovido', em que a segunda oração justifica, esclarece ou explica a primeira.
(__)As orações subordinadas não têm autonomia sintática e dependem de uma oração principal para completar o sentido. É o que ocorre em 'Para escrever', que é uma oração subordinada adverbial final, pois a preposição 'para' indica finalidade e liga essa oração à principal 'ele precisa pensar'.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo.
Alternativas
Q4134618 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais."
Com base na análise sintática, identifique a alternativa incorreta.
Alternativas
Q4134615 Português
Desigualdade social é o principal obstáculo à qualidade da educação no país.

A educação básica brasileira registrou avanços significativos nas últimas décadas, mas continua marcada por desigualdades profundas e por um descompasso entre o modelo de ensino e as transformações tecnológicas e sociais contemporâneas.

 A avaliação é do pesquisador Ivan Siqueira, professor titular de Interdisciplinaridade da UFBA (Universidade Federal da Bahia), durante a 2ª Conferência FAPESP 2026 − "Educação Básica no Brasil: Desafios e Oportunidades".

Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados. "Há muita evidência de que avançamos. Mas, quando consideramos os níveis de desigualdade, entendemos que ainda precisamos fazer muito, muito, muito mais", ressaltou.

Um dos pontos centrais da apresentação foi a distinção entre princípios e critérios na definição das políticas públicas. Para Siqueira, a legislação brasileira possui diretrizes acertadas, mas carece de mecanismos objetivos de implementação. O pesquisador analisou especificamente o artigo 205 da Constituição da República Federativa do Brasil, que estabelece: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho".

"O maior problema do artigo 205 é ser ele uma declaração de princípio e não o estabelecimento de um critério. E o princípio não é binário: você pode dizer que está indo em determinada direção, mesmo sem nunca chegar lá", explicou. "Precisamos transformar princípios em critérios, porque critérios são objetivos e permitem cobrança."

Essa lacuna, segundo ele, afeta diretamente a governança educacional, especialmente em municípios com baixa capacidade administrativa. "Grande parte da educação básica está nas mãos das prefeituras, que têm menos recursos e menos estrutura, justamente na fase mais importante do desenvolvimento humano", disse.

O professor criticou também a formação de professores no país. Segundo ele, o sistema permite que docentes sejam formados sem experiência prática em escolas. "O Brasil autoriza a formação de pessoas que nunca pisaram em uma sala de aula. Isso não acontece em áreas como medicina", ponderou. Outro problema apontado foi a fragmentação curricular. "É ilusório imaginar que um aluno consiga aprender 13 disciplinas diferentes com menos de quatro horas de aula por dia", sublinhou. Para ele, o modelo pressupõe uma escola em tempo integral, que ainda não é realidade na maior parte do país.

Siqueira destacou que as tecnologias digitais introduziram uma mudança estrutural no processo de aprendizagem, afetando atenção, linguagem e formas de interação. "O modelo tradicional de aula expositiva está morto. Ele não serve mais para os estudantes que temos hoje", resumiu. Conforme o pesquisador, os estudantes têm dificuldade crescente de concentração e organização do pensamento: "Hoje é muito difícil manter um aluno focado por dez minutos. Para escrever, ele precisa pensar — e não está exercitando isso".

Ele relatou ainda o aumento de fenômenos como desinformação, dependência de redes sociais e problemas de saúde mental. "Na UFBA, 70% dos estudantes de medicina relatam problemas de saúde mental. Na psicologia, o percentual é ainda maior: 80%. Tanto que os professores, meus colegas, dizem que o pessoal vem para a psicologia para se tratar", contou.

A IA (inteligência artificial) foi apresentada como um dos principais vetores de transformação da educação e do mercado de trabalho. Siqueira citou demissões recentes no setor financeiro para ilustrar o impacto da adoção das novas tecnologias digitais. "Nos últimos quatro meses, os quatro maiores bancos norte-americanos demitiram 15 mil funcionários, enquanto obtinham mais de US$ 1 bilhão de lucro. Uma pessoa com IA faz o trabalho de dez. E isso muda completamente o mercado", enfatizou.

Ao mesmo tempo, ele destacou aplicações positivas no sistema educacional. "Modelos baseados na BNCC [Base Nacional Comum Curricular] conseguem gerar planos de aula adaptados para diferentes perfis de estudantes, reduzindo enormemente o trabalho do professor", disse. A BNCC é o documento normativo que define o que todos os estudantes brasileiros têm o direito de aprender ao longo da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio).

Além disso, a incorporação das novas tecnologias digitais favorece o acesso a conteúdos de qualidade, a formação de comunidades de aprendizagem e a possibilidade de integrar o currículo às realidades locais, como em comunidades indígenas e quilombolas, ampliando o potencial de uma educação mais contextualizada, colaborativa e alinhada às demandas contemporâneas.

Mas há vários gargalos a serem ultrapassados. Entre eles, o modelo de avaliação. Siqueira argumentou que exames como o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) estão defasados e não capturam competências essenciais. E defendeu a incorporação de habilidades como pensamento crítico, metacognição e resolução de problemas complexos. "O estudante precisa saber mobilizar conhecimentos em situações reais. Não basta repetir conteúdo", disse.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/desigualdade-social-e-o-princip al-obstaculo-a-qualidade-da-educacao-no-pais/
"Segundo o conferencista, o país ampliou o acesso à escola desde a Constituição de 1988, mas ainda enfrenta dificuldades para garantir qualidade compatível com os investimentos realizados."
Considerando o processo de formação do período acima, analise a afirmativa incorreta.
Alternativas
Respostas
161: D
162: E
163: C
164: A
165: E
166: C
167: C
168: C
169: C
170: D
171: B
172: B
173: B
174: B
175: E
176: D
177: C
178: A
179: A
180: D