Questões de Concurso
Sobre orações subordinadas adverbiais: causal, comparativa, consecutiva, concessiva, condicional... em português
Foram encontradas 2.688 questões
Leia o texto abaixo para responder à questão.
“Agora ou nunca”. Poucas expressões resumem melhor uma experiência humana universal: a sensação de que existe um instante preciso para agir e que, se o deixarmos escapar, talvez não volte. Muitas vezes, só compreendemos a importância desses momentos quando eles já passaram. E então vêm os lamentos: “Se eu tivesse dito alguma coisa naquele momento!”. Ou as recriminações: “Quando vou aprender a não abrir a boca?”. Mas também as comemorações: “Ainda bem que tive coragem”. Ou a satisfação de descobrir, depois, que uma decisão tomada no último minuto foi mesmo a correta. Os gregos antigos fizeram mais do que apenas perceber o valor desses sopros fugazes: eles deram a isso uma palavra, kairós, e criaram um conceito. Ao contrário de cronos, o tempo que avança, o do calendário e do relógio, kairós era algo mais fugidio: a ocasião oportuna que se abre e se fecha, o instante em que algo, uma palavra, uma decisão, uma ação, pode acontecer com toda a sua força ou se perder para sempre.
Assim, enquanto cronos expressava a concepção quantitativa do tempo, a duração, a idade, a velocidade, observou o filósofo John E. Smith, da Universidade Yale, kairós simbolizava seu caráter qualitativo: a posição especial que um acontecimento ocupa em uma sequência, o momento que marca uma oportunidade que talvez não volte. Em essência, nem todo instante é igual: alguns têm peso, e esse peso não é medido em horas. Para o mundo grego, esse peso era tão importante que merecia mais do que uma palavra. Por isso, foi personificada em um deus.
Por volta do século 4 a.C., o escultor Lísipo, um dos três grandes escultores da Grécia clássica, criou uma estátua de Kairós que se tornou famosa. Ainda que a obra em si tenha se perdido, ela permaneceu na memória graças a textos como os do poeta Posídipo de Pela (c. 310-240 a.C.), que compôs um diálogo imaginário com a estátua. Por meio dele sabemos que esse Kairós corria na ponta dos pés, pois estava sempre em movimento, com asas nos pés, como se fosse levado pelo vento. Na mão, tinha uma navalha. Seu fio, segundo a interpretação mais difundida, representava a natureza escorregadia do kairós: aquele instante crítico em que uma ação pode mudar tudo. Um segundo antes pode ser cedo demais; um segundo depois, tarde demais.
E há um detalhe inesquecível: Kairós tinha cabelos longos e abundantes na parte da frente, caindo sobre o rosto. Mas, na parte de trás, era completamente calvo. O poeta pergunta: “Por que seus cabelos caem para a frente?”. “Para que quem me encontrar de frente possa me segurar”, responde a estátua. “Por Zeus!”, exclama o poeta, antes de perguntar: “E por que a parte de trás da cabeça é calva?”. “Para que ninguém, depois que eu tiver passado correndo com meus pés alados, possa me agarrar por trás”. O fato de ser calvo atrás não era um capricho estético, mas um aviso. É possível agarrar o momento oportuno quando ele vem em sua direção, quando ainda está de frente. Depois que passa, não há como segurá-lo.
Kairós não exige que você faça menos coisas. Ele pede que esteja presente quando as faz. Não se trata de ficar ansioso e tentar transformar cada segundo em uma oportunidade épica. Isso seria distorcer o conceito — e, além disso, seria exaustivo. Os gregos não pregavam uma urgência permanente: estavam descrevendo uma textura do tempo que inclui tanto os longos períodos do cronos comum quanto os instantes de kairós que o pontuam. Isócrates não dizia que seus alunos deveriam criar os momentos oportunos. Dizia que deveriam reconhecê-los quando surgissem.
E reconhecê-los é, em parte, uma questão de atenção: uma escuta um pouco mais apurada, uma presença um pouco mais completa, que permite perceber, por exemplo, quando uma pessoa querida precisa ouvir “Vamos, eu sei que você consegue sozinho!” e quando precisa ouvir “Não se preocupe, eu ajudo você”. Também não significa viver esperando que as condições sejam perfeitas porque, paradoxalmente, essa seria outra forma de perder o momento. A arte está em reconhecer quando algo está pronto para ser dito, feito, iniciado ou concluído.
(VENTURA, Dalla. Por que o deus grego Kairós segue importante em momentos-chave da vida. Jornal BBC News Brasil, 06.08.2026. Adaptado).
Analise as frases abaixo para responder à questão.
“Ainda que” a obra em si tenha se perdido, ela permaneceu na memória graças a textos como os do poeta Posídipo de Pela.
“Para que” ninguém, depois que eu tiver passado correndo com meus pés alados, possa me agarrar por trás.
Os termos destacados acima podem ser classificados, respectivamente, como de
A questão refere-se ao texto produzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2024. (texto adaptado)
É correto afirmar que esse período é composto por
A questão refere-se ao texto produzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2024. (texto adaptado)
A palavra embora poderá ser substituída, mantendo-se o sentido da informação, por
Leia o texto para responder à questão.
Não façam isso!
Ao que consta, pretendem retirar a língua francesa do currículo escolar. Isso me faz lembrar de uma amiga minha que foi para a Alemanha apenas sabendo francês. Como eu lhe observasse que era pouco, ela retrucou:
– Não vale a pena conhecer alemães que não saibam francês.
Na verdade, o que devemos à França não é a cultura francesa, é a cultura universal. Toda obra, para universalizar-se, teria de passar pelos tradutores franceses. Se não fosse a França, o mundo ocidental teria perdido Dostoiévski. Imagina só o que teríamos quanto ao conhecimento da alma se não conhecêssemos Dostoiévski. Nada.
Ou quase nada, acrescento a tempo. Pois acabo de lembrar-me de Shakespeare.
A minha queixa, porém, é contra os americanos.
Já disse e repito que, se há males que vêm para bem, há bens que vêm para mal. Exemplo: os Estados Unidos ganharam a guerra. Resultado: o povo, em geral, só lê os best-sellers americanos que eles nos impingem.
São tão ruins que chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação.
(Mario Quintana. Da preguiça como método de trabalho, 2013)
• … uma amiga minha que foi para a Alemanha… (1º parágrafo)
• Como eu lhe observasse que era pouco… (1º parágrafo)
• Toda obra, para universalizar-se… (3º parágrafo)
• … chego a desconfiar que sejam apenas literatura de exportação. (7º parágrafo)
Os termos destacados estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de:
A questão refere ao texto reproduzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)
Considere o período reproduzido a seguir.
Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência.
A palavra embora poderá ser substituída, mantendo-se o sentido da informação, por
Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência.
É correto afirmar que esse período é composto por
Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência.
A palavra embora poderá ser substituída, mantendo-se o sentido da informação, por