Questões de Concurso Sobre orações coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas... em português

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Q4249222 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Humanização e diálogo: antídoto pedagógico contra a violência nas escolas


Diante da escalada de ataques e episódios de violência em instituições de ensino, como os recentes casos registrados no Ceará e no Rio de Janeiro, especialistas e educadores defendem uma mudança radical na estratégia de enfrentamento.

Em vez de focar exclusivamente em medidas de segurança física, como detectores de metais e vigilância armada, o caminho para pacificar o ambiente escolar passa pela reconstrução do sentimento de pertencimento e pela humanização das relações pedagógicas.

A resposta institucional imediata costuma ser o controle. No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento. 

A violência escolar não se resolve com controle, vigilância ou punição. Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais que atravessam os sujeitos", aponta a especialista Maria Amélia Santoro, que é doutora em educação, pós-doutora em pedagogia e organizadora do livro "Pedagogias Emergentes: princípios e práticas".

Para transformar o clima escolar, a especialista enfatiza que é necessário que o aluno deixe de ser um número ou um objeto de disciplina para se tornar um sujeito legítimo. "Isso exige a implementação de assembleias de classe, práticas restaurativas e um currículo que dialogue com as angústias reais do estudante", afirma Maria Amélia.

De acordo com ela, a prevenção ocorre quando o jovem encontra vínculos significativos. Em outras palavras, um adolescente agressivo é, muitas vezes, um jovem desamparado. "Quando ele se sente parte de um projeto coletivo, a escola deixa de ser um 'território hostil' e passa a ser um espaço de proteção", avalia.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/humanizacao-e-dialogo-antidot o-pedagogico-contra-a-violencia-nas-escolas/fragmento
"No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento."
Com base no uso da expressão 'no entanto' no trecho, analise as asserções a seguir.

I.A expressão 'No entanto' estabelece relação de oposição entre a ideia apresentada e a informação imediatamente anterior do texto.

PORQUE

II.A expressão 'no entanto' é uma locução conjuntiva coordenativa adversativa, semanticamente equivalente a 'contudo' e 'todavia', empregada, no trecho, para contrapor ideias entre períodos distintos.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4249146 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


        A transformação digital na Administração Pública tem sido frequentemente apresentada como um caminho inevitável para a modernização do Estado. Entretanto, reduzir a inovação governamental à mera aquisição de equipamentos ou à implementação de sistemas informatizados constitui equívoco recorrente e, não raras vezes, dispendioso. A tecnologia, por si só, não opera milagres; antes, converte-se em instrumento estéril quando dissociada de planejamento, de capacitação continuada e de mecanismos de controle.


        Em diversas administrações, observam-se projetos grandiosos anunciados com pompa, mas executados sem diagnóstico prévio das reais necessidades institucionais. Não é incomum que plataformas digitais sofisticadas coexistam com processos internos desorganizados, de sorte que a informatização, em vez de solucionar problemas, apenas lhes confira aparência de modernidade. Nesse contexto, a expressão “governo inteligente” pode, paradoxalmente, designar estruturas administrativas incapazes de utilizar, com eficiência, os recursos tecnológicos de que dispõem. 


        Por outro lado, seria igualmente equivocado afirmar que a resistência às novas tecnologias constitui postura prudente. A recusa sistemática à inovação compromete a transparência, dificulta a prestação de serviços públicos e perpetua práticas burocráticas incompatíveis com as exigências contemporâneas. O desafio, portanto, não consiste em escolher entre tradição e inovação, mas em harmonizar ambas, de modo que a tecnologia deixe de ser um fim em si mesma e passe a representar um meio de concretização do interesse público.


        Convém observar, ademais, que o discurso da transformação digital frequentemente emprega expressões de forte carga simbólica. Afirma-se, por exemplo, que a transparência é um dos “pilares” da gestão contemporânea ou que a tecnologia constitui uma “ferramenta indispensável”. Tais expressões, embora correntes, revelam o emprego figurado da linguagem, uma vez que nem os pilares são estruturas físicas nem as ferramentas são objetos materiais. Trata-se, antes, de construções metafóricas destinadas a enfatizar a importância de determinados valores e instrumentos administrativos.


        Finalmente, importa reconhecer que a eficiência administrativa não se mede pelo número de equipamentos adquiridos, tampouco pela quantidade de sistemas implementados, mas pela capacidade institucional de transformar recursos tecnológicos em resultados socialmente relevantes. A inovação genuína não reside nas máquinas, e sim na inteligência com que são utilizadas.

(Celso Magalhães – Texto adaptado)

No trecho “A recusa sistemática à inovação compromete a transparência, dificulta a prestação de serviços públicos e perpetua práticas ...”, o período é composto por
Alternativas
Q4248963 Português
Humanização e diálogo: antídoto pedagógico contra a violência nas escolas


Diante da escalada de ataques e episódios de violência em instituições de ensino, como os recentes casos registrados no Ceará e no Rio de Janeiro, especialistas e educadores defendem uma mudança radical na estratégia de enfrentamento.

Em vez de focar exclusivamente em medidas de segurança física, como detectores de metais e vigilância armada, o caminho para pacificar o ambiente escolar passa pela reconstrução do sentimento de pertencimento e pela humanização das relações pedagógicas.

A resposta institucional imediata costuma ser o controle. No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento.

A violência escolar não se resolve com controle, vigilância ou punição. Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais que atravessam os sujeitos", aponta a especialista Maria Amélia Santoro, que é doutora em educação, pós-doutora em pedagogia e organizadora do livro "Pedagogias Emergentes: princípios e práticas".

Para transformar o clima escolar, a especialista enfatiza que é necessário que o aluno deixe de ser um número ou um objeto de disciplina para se tornar um sujeito legítimo. "Isso exige a implementação de assembleias de classe, práticas restaurativas e um currículo que dialogue com as angústias reais do estudante", afirma Maria Amélia.

De acordo com ela, a prevenção ocorre quando o jovem encontra vínculos significativos. Em outras palavras, um adolescente agressivo é, muitas vezes, um jovem desamparado. "Quando ele se sente parte de um projeto coletivo, a escola deixa de ser um 'território hostil' e passa a ser um espaço de proteção", avalia.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/humanizacao-e-dialogo-antidot
o-pedagogico-contra-a-violencia-nas-escolas/fragmento

"No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento."

Com base no uso da expressão 'no entanto' no trecho, analise as asserções a seguir.

I.A expressão 'No entanto' estabelece relação de oposição entre a ideia apresentada e a informação imediatamente anterior do texto.

PORQUE

II.A expressão 'no entanto' é uma locução conjuntiva coordenativa adversativa, semanticamente equivalente a 'contudo' e 'todavia', empregada, no trecho, para contrapor ideias entre períodos distintos.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4248949 Português
Educação política passará a integrar currículo escolar


Uma nova lei publicada nesta terça-feira (14) no Diário Oficial da União inclui a educação política e direitos da cidadania como componentes curriculares obrigatórios na educação básica. As normas alteram a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e também criam a Semana Nacional da Ética e da Cidadania.

Com isso, os estudantes passarão a ter acesso a conteúdos voltados à compreensão da organização da sociedade, do exercício da cidadania e da participação democrática.

De acordo com Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), a medida cumpre um papel importante dentro das escolas.

"O valor pedagógico desse debate é tanto ensinar para o exercício da cidadania quanto a preparação para a vida. Estimular a participação política rumo a um país desenvolvido, próspero economicamente, justo socialmente e sustentável em termos ambientais", afirma o especialista.

Segundo o educador, debater educação política nas salas de aula é "essencial". No entanto, já deveria ser uma pauta implementada nas disciplinas de Filosofia e Sociologia. "A questão é que a Reforma do Ensino Médio desconstruiu toda a área de Ciências Humanas e deixou a LDB caótica", explica Daniel Cara.

"A BNCC (Base Nacional Comum Curricular) é falha, propositalmente, na questão da educação política. Deveria ser um tema aprofundado em Sociologia e Filosofia, além de ser abordado em História e Geografia. O melhor caminho, portanto, seria uma revisão da LDB, que é falha em quase todas as áreas e já deveria ser revista", defende o educador.

Apesar de a medida ser destinada ao ensino básico, é possível que a implementação do debate se restrinja ao período do Ensino Médio. No entanto, Daniel Cara defende que a temática seja abordada após o 8º ano do Ensino Fundamental.

"O estudo da realidade social e política deveria ser abordado no Ensino Médio, de modo objetivo, dentro do currículo de Filosofia e Sociologia, que idealmente deveriam começar no 8.º ano do Ensino Fundamental", diz o especialista

Por vezes, estimular o pensamento crítico dentro das salas de aula reverbera de forma negativa. Apesar de estes componentes curriculares carregarem um papel social de desenvolvimento para os jovens estudantes, medidas como essa podem ser associadas a uma determinada formação ideológica dentro das escolas.

No entanto, Daniel Cara reforça que, para que isso não ocorra, é preciso valorizar as disciplinas que formam docentes para estimular debates políticos de forma educativa.

"Certamente há esse risco, por isso, deveria estar sob a égide da sociologia e da filosofia, que possuem a estruturação de um curso de licenciatura que forma os professores para não doutrinarem", explica o educador.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/pne-o-que-muda-com-a-aprova
cao-do-projeto-de-educacao/?utm_source=csa-cdm&utm_content=articl
e

Uma das grandes dificuldades para o professor de língua portuguesa diz respeito a ensinar os alunos a formularem textos coesos e articulados. Levá-los a expor argumentos de forma devidamente conectada, respeitando a progressão textual, exige que o professor tenha domínio das diferentes ferramentas discursivas conhecidas como conectores.
Com base no uso correto desses mecanismos de coesão, julgue as afirmativas a seguir:

I.Em 'A escola pública carecia de recursos, ao passo que a rede particular investia constantemente em tecnologia', a locução 'ao passo que' expressa simultaneidade proporcional entre os fatos, apresentando o mesmo valor semântico observado em orações introduzidas por 'à proporção que'.
II.Em 'O aluno era dedicado às atividades escritas, ao passo que sua colega se destacava nas apresentações orais', a locução 'ao passo que' pode ser substituída por 'entretanto' ou 'contudo', sem prejuízo do sentido original da frase, uma vez que introduz uma relação de contraste entre as habilidades de cada estudante.
III.As locuções 'apesar de' e 'em que pese a' possuem valor concessivo, como em 'Apesar de enfrentar salas superlotadas, a professora conseguiu manter o engajamento dos alunos durante toda a aula' e 'Em que pese a participação do professor em todas as formações oferecidas pela rede, ele ainda enfrentava dificuldades para aplicar as novas metodologias em sala de aula'.
IV.As conjunções aditivas são as que estabelecem uma adição, somam coisas ou orações do mesmo sentido. São exemplos de conjunções aditivas além do 'e', o 'nem' e 'como', como em 'Não trabalha nem estuda' e 'Tanto lê como escreve.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.
Alternativas
Q4248854 Português
Humanização e diálogo: antídoto pedagógico contra a violência nas escolas


Diante da escalada de ataques e episódios de violência em instituições de ensino, como os recentes casos registrados no Ceará e no Rio de Janeiro, especialistas e educadores defendem uma mudança radical na estratégia de enfrentamento.

Em vez de focar exclusivamente em medidas de segurança física, como detectores de metais e vigilância armada, o caminho para pacificar o ambiente escolar passa pela reconstrução do sentimento de pertencimento e pela humanização das relações pedagógicas.

A resposta institucional imediata costuma ser o controle. No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento.

A violência escolar não se resolve com controle, vigilância ou punição. Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais que atravessam os sujeitos", aponta a especialista Maria Amélia Santoro, que é doutora em educação, pós-doutora em pedagogia e organizadora do livro "Pedagogias Emergentes: princípios e práticas".

Para transformar o clima escolar, a especialista enfatiza que é necessário que o aluno deixe de ser um número ou um objeto de disciplina para se tornar um sujeito legítimo. "Isso exige a implementação de assembleias de classe, práticas restaurativas e um currículo que dialogue com as angústias reais do estudante", afirma Maria Amélia.

De acordo com ela, a prevenção ocorre quando o jovem encontra vínculos significativos. Em outras palavras, um adolescente agressivo é, muitas vezes, um jovem desamparado. "Quando ele se sente parte de um projeto coletivo, a escola deixa de ser um 'território hostil' e passa a ser um espaço de proteção", avalia.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/humanizacao-e-dialogo-antidot
o-pedagogico-contra-a-violencia-nas-escolas/fragmento

"No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento."

Com base no uso da expressão 'no entanto' no trecho, analise as asserções a seguir.

I.A expressão 'No entanto' estabelece relação de oposição entre a ideia apresentada e a informação imediatamente anterior do texto.

PORQUE

II.A expressão 'no entanto' é uma locução conjuntiva coordenativa adversativa, semanticamente equivalente a 'contudo' e 'todavia', empregada, no trecho, para contrapor ideias entre períodos distintos.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4248286 Português
        Para um governo ser bem-sucedido, é necessário que tenha legitimidade. Ou seja, ele exige que os cidadãos aceitem que os arranjos institucionais são apropriados para eles e que essas instituições farão o que é certo na maior parte do tempo. Assim, quanto mais legitimidade tiver, maior será o seu espaço para agir. Pode-se governar por curtos períodos de tempo sem legitimidade por meio de medidas coercitivas, mas isso é caro ⸺ e provavelmente reduzirá ainda mais a legitimidade.

        Geralmente pensamos em um governo que alcança legitimidade por meio de procedimentos. Se eleito em uma eleição livre e justa, a maioria dos cidadãos considerará que ele tem legitimidade. Além disso, se os processos pelos quais as leis são feitas e aplicadas forem constitucionais e também forem considerados justos, as leis serão legítimas. Essas bases processuais de legitimidade são importantes, mas não contam toda a história da capacidade de governança do setor público.

        Além dos aspectos processuais, o setor público também deve pensar sobre os aspectos substantivos da legitimidade. Existem agora evidências significativas de que ela se baseia, também, no desempenho do setor público na prestação de bens e serviços à população. Um bom governo é visto cada vez mais como fornecedor de boas escolas, bons cuidados de saúde, boas estradas e todos os outros serviços de que a sociedade depende.

        Criar e manter a confiança do cidadão, portanto, requer não apenas o bom funcionamento dos governos de acordo com o que prevê a lei, mas também exige que o governo concretize a prestação de serviços públicos. Portanto, instrumentos como a gestão do desempenho tornaram-se mais importantes não apenas na gestão interna, mas também para justificar a própria existência do governo perante seus cidadãos. Os fardos colocados sobre os que tentam governar tornaram-se ainda mais pesados, e as expectativas dos cidadãos, ainda maiores, mas a boa governança pode legitimar as ações do setor público.

B. Guy Peters. Guia da Política de Governança Pública. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 2018, p. 22 (com adaptações).

No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.


Seriam preservados os sentidos e a correção gramatical do texto caso o período "Essas bases processuais de legitimidade são importantes, mas não contam toda a história da capacidade de governança do setor público." (segundo parágrafo) fosse reescrito da seguinte forma: Conquanto essas bases processuais de legitimidade sejam importantes, não contam toda a história da capacidade de governança do setor público.

Alternativas
Q4248282 Português
        Para um governo ser bem-sucedido, é necessário que tenha legitimidade. Ou seja, ele exige que os cidadãos aceitem que os arranjos institucionais são apropriados para eles e que essas instituições farão o que é certo na maior parte do tempo. Assim, quanto mais legitimidade tiver, maior será o seu espaço para agir. Pode-se governar por curtos períodos de tempo sem legitimidade por meio de medidas coercitivas, mas isso é caro ⸺ e provavelmente reduzirá ainda mais a legitimidade.

        Geralmente pensamos em um governo que alcança legitimidade por meio de procedimentos. Se eleito em uma eleição livre e justa, a maioria dos cidadãos considerará que ele tem legitimidade. Além disso, se os processos pelos quais as leis são feitas e aplicadas forem constitucionais e também forem considerados justos, as leis serão legítimas. Essas bases processuais de legitimidade são importantes, mas não contam toda a história da capacidade de governança do setor público.

        Além dos aspectos processuais, o setor público também deve pensar sobre os aspectos substantivos da legitimidade. Existem agora evidências significativas de que ela se baseia, também, no desempenho do setor público na prestação de bens e serviços à população. Um bom governo é visto cada vez mais como fornecedor de boas escolas, bons cuidados de saúde, boas estradas e todos os outros serviços de que a sociedade depende.

        Criar e manter a confiança do cidadão, portanto, requer não apenas o bom funcionamento dos governos de acordo com o que prevê a lei, mas também exige que o governo concretize a prestação de serviços públicos. Portanto, instrumentos como a gestão do desempenho tornaram-se mais importantes não apenas na gestão interna, mas também para justificar a própria existência do governo perante seus cidadãos. Os fardos colocados sobre os que tentam governar tornaram-se ainda mais pesados, e as expectativas dos cidadãos, ainda maiores, mas a boa governança pode legitimar as ações do setor público.

B. Guy Peters. Guia da Política de Governança Pública. Brasília: Casa Civil da Presidência da República, 2018, p. 22 (com adaptações).

No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item seguinte.


No trecho "Os fardos colocados sobre os que tentam governar tornaram-se ainda mais pesados, e as expectativas dos cidadãos, ainda maiores", a vírgula imediatamente após "pesados" justifica-se pela coordenação de duas orações longas e independentes e deveria ser obrigatoriamente suprimida se a forma verbal "tornaram-se" estivesse explícita na última oração do trecho.

Alternativas
Q4247846 Português

Observe o seguinte trecho da música “Estudo errado”, de Gabriel, o Pensador:


Eu tô aqui pra quê?

Será que é pra aprender?

Ou será que é pra sentar, me acomodar e obedecer?

Tô tentando passar de ano pro meu pai não me bater

(...)

Manhê! Tirei um dez na prova

Me dei bem, tirei um cem e eu quero ver quem me reprova

Decorei toda lição

Não errei nenhuma questão

Não aprendi nada de bom

Mas tirei dez (boa filhão!)


Quase tudo que aprendi, amanhã eu já esqueci

Decorei, copiei, memorizei, mas não entendi


https://www.letras.mus.br/gabriel-pensador/66375/


Ao trabalhar esse trecho com alunos do 9o ano do Ensino Fundamental, um professor pretende verificar se a turma compreendeu a função argumentativa desempenhada pelo conectivo "mas" nas duas ocorrências destacadas.


Assinale a proposta de atividade mais adequada para avaliar essa aprendizagem. 

Alternativas
Q4247828 Português

Educação de SP está com vagas abertas em processos seletivos para professores dos Ensinos Fundamental, Médio e Médio Técnico


Podem participar profissionais com formação em cursos normal superior, licenciatura, bacharelado e tecnólogos, além de especialistas com notório saber e experiência comprovada


A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) está com dois processos seletivos abertos para professores do Ensino Fundamental (anos iniciais e finais) e Ensino Médio. O cadastro deve ser realizado on-line no site da Fundação Getúlio Vargas e a taxa de inscrição é de R$ 60 para cada concurso. Há vagas nas 91 unidades regionais de ensino para atuação no ano letivo de 2027.


 https://www.educacao.sp.gov.br


Na notícia, são apresentadas informações relativas à seleção de professores pela Seduc-SP.


No contexto do subtítulo, a expressão “além de” introduz uma informação com valor semântico de

Alternativas
Q4247076 Português
Qualidade da água dos rios da Mata Atlântica
segue precária; pontos com classificação boa
caem para apenas cinco 


    A qualidade da água dos rios da Mata Atlântica continua precária, sem apresentar sinais consistentes de melhora. Lançado na semana do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, o novo relatório da Fundação SOS Mata Atlântica confirma um cenário de estagnação nos indicadores e revela uma redução significativa no número de pontos com água classificada como boa. No estudo mais recente, que reúne dados coletados entre janeiro e dezembro de 2025, quase 80% dos pontos monitorados apresentaram qualidade regular – o que indica impacto relevante da poluição e necessidade de tratamento da água para diferentes usos. 

    Produzido pelo programa Observando os Rios, uma das maiores iniciativas de ciência cidadã voltadas ao monitoramento da qualidade da água no Brasil, o Retrato da Qualidade da Água nos Rios da Mata Atlântica reúne um amplo diagnóstico sobre a situação dos cursos d’água do bioma. Neste ciclo de monitoramento, foram realizadas 1.209 análises em 162 pontos de coleta, distribuídos em 128 rios e corpos d’água localizados em 86 municípios de 14 estados, com a participação de 133 grupos voluntários. [...] 

    Os resultados mostram que apenas cinco pontos (3,1%) apresentaram qualidade boa, enquanto 127 (78,4%) foram classificados como regulares, 25 (15,4%) como ruins e cinco (3,1%) como péssimos. Mais uma vez, nenhum ponto analisado atingiu a classificação de qualidade ótima. [...] 

    A comparação com os dados do ciclo anterior reforça o alerta. Entre os 115 pontos acompanhados nos dois anos consecutivos, os classificados como bons caíram de nove para três. Ao mesmo tempo, houve um aumento dos regulares e leve crescimento dos enquadrados como ruins. Cinco pontos permaneceram na categoria péssima, mantendo condições críticas de qualidade da água. 

    Para Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica, os resultados sinalizam que o país ainda não conseguiu avançar, de forma estrutural, na recuperação dos rios. “Seguimos presos a um cenário de estagnação num patamar que há anos já é preocupante. A predominância da qualidade regular revela que a maioria dos rios está sob pressão constante da poluição. Sem mudanças estruturais, o país continuará convivendo com rios degradados e, consequentemente, com riscos crescentes para toda a população”, afirma. 

Ainda assim, há exemplos pontuais de recuperação. Em Pacatuba (SE), o rio Betume apresentou melhora e passou da classificação regular para boa, enquanto o rio Capivari, em Florianópolis (SC), e o córrego Itaguaçu/Itaquanduba, em Ilhabela (SP) avançaram de ruim para regular. Os casos indicam que a recuperação é possível quando há redução das fontes de poluição e avanços na gestão das bacias hidrográficas. [...] Porém, em alguns casos, a situação se agravou ainda mais: o rio Jaboatão, em Jaboatão dos Guararapes (PE), e pontos dos rios Paraíba do Sul, em Itaocara (RJ), e Tietê, em Guarulhos (SP) e Santana de Parnaíba (SP), passaram de regular para ruim, tornando a água imprópria para diversos usos. O relatório também aponta que alguns dos trechos mais críticos, com água péssima, permanecem sem melhora – como os rios Pinheiros e Jaguaré, na capital paulista, e o Ribeirão dos Meninos, em São Caetano do Sul (SP) –, evidenciando que a recuperação dos rios é lenta e exige ações estruturais contínuas. [...] 

    Eventos extremos, como períodos prolongados de estiagem e chuvas intensas, alteram o funcionamento das bacias, aumentam o carreamento de sedimentos e reduzem a capacidade de diluição de poluentes, agravando a situação dos rios. Relatório recente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) aponta que, para cada US$ 1 investido globalmente na proteção da natureza, cerca de US$ 30 financiam atividades que degradam os ecossistemas, evidenciando o descompasso entre os investimentos necessários para enfrentar a crise ambiental e os recursos destinados a atividades que pressionam os recursos naturais. [...] 

    O Observando os Rios mobiliza comunidades em diferentes regiões da Mata Atlântica para acompanhar mensalmente a qualidade da água em rios e córregos, utilizando metodologia baseada no Índice de Qualidade da Água. A rede reúne, atualmente, mais de dois mil voluntários em 14 estados, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a situação dos recursos hídricos e fortalecer a mobilização social em defesa da água limpa. A consistência dos dados gerados pelo programa foi analisada em estudo publicado na revista científica internacional Citizen Science: Theory and Practice, que apontou forte convergência entre as medições realizadas pelos voluntários e os padrões oficiais de monitoramento da CETESB. 

Adaptado de: https://www.sosma.org.br/noticias/qualidade-da-agua-
dos-rios-da-mata-atlantica-segue-precaria-pontos-com-
classificacao-boa-caem-para-apenas-cinco. Acesso em: 31 maio
2026. 

Considere o seguinte excerto do texto:


“Os casos indicam que a recuperação é possível quando há redução das fontes de poluição e avanços na gestão das bacias hidrográficas. [...] Porém, em alguns casos, a situação se agravou ainda mais [...]”.


Todas as conjunções a seguir podem substituir, sem prejuízo de sentido, o conectivo destacado no excerto apresentado, EXCETO 

Alternativas
Q4247016 Português
As bacias hidrográficas conservadas são
infraestruturas fundamentais

    Os mananciais e bacias hidrográficas saudáveis são infraestruturas naturais imprescindíveis para quase todas as cidades do mundo. Além de coletar, armazenar e filtrar a água, elas contribuem para a preservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas e a adaptação a elas, a segurança alimentar, a saúde e o bem-estar dos seres humanos. Atualmente, segundo as estimativas, 1,7 bilhão de habitantes das maiores cidades do mundo dependem de águas procedentes de mananciais cujas bacias hidrográficas estão situadas a centenas ou, às vezes, a milhares de quilômetros de distância. Até 2050, os mananciais em bacias hidrográficas que abastecem áreas urbanas servirão até dois terços da população global, embora representem um terço da superfície terrestre.

    Ao concentrar empregos, serviços e investimentos, as cidades serão claramente as impulsionadoras do crescimento econômico. Para crescer de forma sustentável, porém, elas precisarão assumir um papel ativo na proteção das águas e dos mananciais das quais dependem a população e a natureza. No entanto, as cidades não conseguem fazer isso sozinhas. Os mananciais nas bacias hidrográficas são o ponto de convergência dos esforços de quem está trabalhando para melhorar a resiliência das cidades, aumentar a segurança hídrica e impulsionar o desenvolvimento sustentável, contribuindo para um clima estável.

Mananciais estão ameaçados 

    Foi verificado que 40% das áreas das bacias hidrográficas em que se localizam os mananciais exibem níveis altos ou moderados de degradação. O impacto dessas mudanças sobre a segurança hídrica pode ser grave. Nutrientes e sedimentos agrícolas ou de outras origens elevam o custo do tratamento da água para os usuários das cidades ou das indústrias. O desaparecimento da vegetação natural e a degradação do solo podem alterar o padrão do fluxo das águas na paisagem e acarretar um fornecimento de água pouco confiável, com implicações tanto para os usuários à montante quanto à jusante. Segundo o Banco Mundial, algumas regiões poderiam sofrer um declínio de até 6% do PIB nas suas taxas de crescimento até 2050, devido a perdas resultantes da redução dos recursos hídricos, tanto na agricultura quanto na saúde, na renda e nas propriedades, o que levaria a um crescimento negativo permanente.

    Além disso, metas ambiciosas para melhorar os meios de subsistência, como as estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), só poderão ser alcançadas em um mundo no qual haja mais segurança hídrica.

Disponível em:
https://www.nature.org/content/dam/tnc/nature/en/photos/b/e/beyon dthesource_execsummary_portuguese.pdf Acesso em: 26 maio
2025. 
Em relação ao trecho “Para crescer de forma sustentável, porém, elas precisarão assumir um papel ativo na proteção das águas [...]”, assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q4246934 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


COMO A MISOGINIA DESQUALIFICA MULHERES EM ESPAÇOS DE PODER

Comentários aparentemente banais produzem um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída

Juliana Kaiser — 29 de maio de 2026

"Faz um B.O., querida!"

A frase acima foi dirigida a mim dias atrás em um grupo de WhatsApp formado por pessoas que tiveram a oportunidade de acessar a universidade fora do Brasil. Veio de um homem, após eu defender a necessidade de pensar estratégias mais inclusivas para pessoas em situação de vulnerabilidade social. O episódio poderia parecer banal ou isolado. Mas não é.

Expressões como "flor", "querida", "diva" ou "amorzinho" aparecem frequentemente em ambientes profissionais e acadêmicos como formas aparentemente inofensivas de interação. No entanto, quando usadas em contextos de discordância, podem funcionar como mecanismos de infantilização e deslegitimação da fala feminina.

Essa misoginia raramente se apresenta apenas por meio de agressões explícitas. Em muitos casos, ela opera de forma simbólica e cotidiana: no tom condescendente, na ironia, na tentativa de transformar mulheres assertivas em figuras "emocionais", "agressivas" ou "difíceis". Quando o ataque vem travestido de humor ou informalidade, a reação feminina costuma ser percebida como exagerada.

Nos últimos anos, diferentes pesquisas têm demonstrado que mulheres seguem enfrentando barreiras estruturais para ocupar e permanecer em espaços de liderança. Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2024 mostram que, embora as mulheres brasileiras tenham, em média, maior escolaridade do que os homens, elas ocupam apenas 39,3% dos cargos gerenciais do país e seguem recebendo salários inferiores mesmo em funções equivalentes.

As desigualdades tornam-se ainda mais profundas quando raça e origem social entram na análise. O relatório "Perfil social, racial e de gênero das 1.100 maiores empresas do Brasil", divulgado pelo Instituto Ethos em 2024, mostra que mulheres negras ocupam apenas 1,8% dos assentos em conselhos de administração e 3,4% dos cargos executivos das maiores empresas brasileiras.

A desigualdade aparece também na política. Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, mulheres seguem sendo minoria nos espaços institucionais de poder. Negras, indígenas e periféricas enfrentam obstáculos ainda maiores para acessar estruturas partidárias, financiamento de campanha e visibilidade pública.

Esse cenário ajuda a compreender por que a violência política de gênero ganhou centralidade no debate público nos últimos anos. Em 2021, o Brasil aprovou uma legislação específica para combater a violência política contra mulheres, reconhecendo práticas de constrangimento, humilhação ou intimidação voltadas a dificultar sua atuação em espaços de poder. Mais recentemente, o chamado "PL da Misoginia" recolocou o tema em evidência.

Mas a misoginia cotidiana não acontece apenas nos parlamentos ou nas redes sociais. Ela atravessa universidades, empresas, redações, grupos de WhatsApp e ambientes intelectuais que, muitas vezes, se imaginam progressistas e democráticos. A socióloga norte-americana Rosabeth Moss Kanter já demonstrava, desde os anos 1970, como mulheres em espaços historicamente masculinos tendem a ser submetidas a processos constantes de vigilância e deslegitimação. Décadas depois, o problema permanece atual.

Estudos internacionais sobre liderança mostram que homens assertivos costumam ser percebidos como firmes e preparados, enquanto mulheres com o mesmo comportamento frequentemente recebem avaliações negativas associadas à arrogância ou instabilidade emocional. Aquilo que é reconhecido como liderança em homens muitas vezes aparece como inadequação em mulheres.

Os efeitos desse processo não são apenas individuais. Eles produzem desgaste contínuo e ajudam a explicar por que tantas mulheres se afastam de ambientes de liderança, debate e poder institucional. A necessidade constante de reafirmar a legitimidade da própria voz cria um ambiente de exaustão silenciosa.

Em minha pesquisa de doutorado sobre gênero, pobreza e raça, tenho encontrado um elemento recorrente: mulheres — sobretudo negras e oriundas de contextos de vulnerabilidade social — frequentemente crescem sem se perceber como sujeitos possíveis de influência e poder. A desigualdade não opera apenas no acesso material aos espaços; ela também atua sobre as expectativas e sobre a capacidade de imaginar pertencimento.

Pierre Bourdieu já apontava que estruturas de dominação tendem a se reproduzir também por mecanismos simbólicos. Determinados grupos aprendem, desde cedo, quais lugares lhes parecem possíveis ou legítimos. Quando mulheres pobres, negras ou periféricas chegam a espaços de prestígio acadêmico ou institucional, frequentemente carregam consigo a sensação de não pertencimento produzida por uma longa trajetória de exclusão.

Foi justamente esse o sentido do meu questionamento no grupo de WhatsApp, aquele que foi respondido com a frase misógina do começo deste artigo: o de discutir quais estratégias poderiam ser construídas para promover inclusão social de forma efetiva. Além de não buscar enfrentar o conteúdo da discussão, a resposta que recebi a deslocou para um registro de desqualificação pessoal travestido de informalidade.

O problema é que episódios como esse dificilmente aparecem como violência evidente. Não há ameaças explícitas ou agressões físicas. Há apenas um comentário aparentemente banal que produz um deslocamento simbólico importante: a mulher deixa de ser interlocutora legítima para se tornar alguém a ser ridicularizada ou diminuída.

As redes sociais e os aplicativos de mensagem ampliaram ainda mais esse fenômeno. Mulheres que ocupam espaços públicos de fala — jornalistas, pesquisadoras, políticas ou ativistas — tornaram-se alvos recorrentes de ataques coordenados e campanhas de intimidação.

Reconhecer essas práticas não significa exagerar conflitos cotidianos nem impedir divergências. Discordâncias são parte essencial da vida democrática. O problema começa quando o debate deixa de enfrentar argumentos para atuar na tentativa de diminuir ou deslegitimar quem fala.

A misoginia cotidiana não se sustenta apenas em grandes episódios de violência. Ela se reproduz, sobretudo, nos pequenos gestos que buscam reduzir a autoridade da fala feminina em espaços públicos, profissionais e intelectuais.

Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público. Afinal, sociedades democráticas dependem da possibilidade de que diferentes vozes possam participar da esfera pública sem que sua legitimidade seja constantemente colocada em suspeição.


Juliana Kaiser é doutoranda e pesquisadora das relações entre gênero, pobreza e raça na University College London. Estuda participação feminina em espaços de poder, ambição e desigualdade social, com foco nas experiências de mulheres em contextos de vulnerabilidade.


Disponível em:

https://www.nexojornal.com.br/ensaio/2026/05/29/misoginia-lei-machist a-lideranca-feminina-mulheres-em-espacos-de-poder. Acessoe m 16 jun. 2026. Adaptado.)
De acordo com Cunha e Cintra, certas conjunções coordenativas podem, no discurso, assumir variados matizes significativos de acordo com a relação que estabelecem entre as palavras e orações coordenadas, ou seja, o sentido das conjunções, ainda que possa ser típico, ele será realmente dado pelo contexto em que a conjunção é dada. É o que acontece no excerto a seguir, em que a conjunção "mas", considerada tipicamente adversativa, tem valor aditivo:
"Reconhecer essas práticas é importante não apenas para proteger mulheres, mas para qualificar o próprio debate público."

Analise as sentenças a seguir, considerando as conjunções destacadas e a relação de sentido construída entre as orações. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)"Tanto tenho estudado e não sei nada." — A conjunção estabelece uma relação adversativa.
(__)"Qualquer movimento, e colocará tudo a perder." — A conjunção estabelece um sentido de consequência.
(__)"Depois de tanta luta para sobreviver, uma luz bruxuleante mas teimosa insistia em brilhar em seus olhos." — A conjunção indica uma atenuação ou compensação.
(__)"Continuou a conversa interrompida com aquela pessoa que tinha olhos vívidos e atentos, mas uma terrível falta de ouvido, afinal, não se pode ter tudo." — A conjunção estabelece o sentido de restrição. 

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Alternativas
Q4246679 Português
Texto 1


Universidade sem luz


       A metáfora não poderia ser mais perfeita: por falta de verbas, a universidade ficou sem luz. A universidade em questão é a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a maior instituição de ensino superior federal do país, e a falta de luz é terrivelmente concreta. Por atrasos nos pagamentos, a Light cortou o fornecimento de energia elétrica para diversos prédios da UFRJ, incluindo centros hospitalares.

      A associação mais clara entre universidade e luz remonta ao Iluminismo (ou filosofia das luzes), o movimento que surgiu na França do século 18 e que se caracterizava pela confiança no progresso e na razão, pelo desafio à tradição e à autoridade e pelo incentivo à liberdade de pensamento. Na França, os representantes mais ilustres dessa tradição são Voltaire, Diderot e Rousseau.

     Essa matriz de pensamento lançou as bases do racionalismo ocidental contemporâneo, e alguns de seus princípios constituem o núcleo dos direitos políticos das democracias. Uma universidade sem luz simboliza, portanto, a negação de tudo o que uma universidade deve ser. [...]. 


UNIVERSIDADE SEM LUZ. Folha de São Paulo [edição virtual], São Paulo, 07
ago. 2002. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0708200203.htm. Acesso em: 04
jun. 2026.
No último período do texto, a conjunção “portanto” poderia ser substituída, sem alteração semântica, pela conjunção 
Alternativas
Q4246471 Português
Leia o texto a seguir e responda à questão.

TEXTO III


Envelhecimento saudável depende mais de hábitos do que de tecnologias experimentais

Especialista afirma que não há evidências de que medicamentos e procedimentos antienvelhecimento superem os benefícios de um estilo de vida saudável

A busca por retardar o envelhecimento ganhou força entre empresários e magnatas da tecnologia, que investem em procedimentos médicos, monitoramento constante do organismo e no uso de medicamentos e suplementos com a promessa de prolongar a vida. No entanto, muitas dessas estratégias ainda não têm comprovação científica e fazem parte de um debate mais amplo sobre a forma como a sociedade encara a velhice.

Algumas substâncias utilizadas, como os peptídeos, ainda estão em fase de testes. Mesmo os resultados preliminares são considerados controversos pela comunidade científica, explica Deusivania Falcão, professora de Gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. "O entusiasmo frequentemente é maior do que as evidências disponíveis", afirma.


Hábitos saudáveis continuam sendo a melhor estratégia

Segundo Deusivania, a tecnologia pode contribuir para o cuidado com a saúde, mas não é o principal fator para um envelhecimento ativo e saudável. As medidas com eficácia comprovada continuam sendo relativamente simples: manter a saúde física e mental, praticar atividade física regularmente, adotar uma alimentação equilibrada e estimular o cérebro com atividades intelectuais.

Como destaca a pesquisadora, o objetivo não deve ser apenas viver mais, mas viver melhor. "Não adianta você ter muitos anos de vida se você não tem vida nesses anos. Então, mais do que quantidade, a qualidade é fundamental."

A professora também ressalta que a saúde mental exerce papel central na longevidade. Manter vínculos sociais de qualidade, cultivar relações afetivas e enfrentar o envelhecimento com otimismo e capacidade de adaptação são fatores associados a uma melhor qualidade de vida.


A sociedade vive uma relação contraditória com a velhice

O interesse crescente por estratégias para evitar o envelhecimento revela uma contradição. Ao mesmo tempo em que muitas pessoas demonstram receio de envelhecer, os estereótipos sobre a velhice vêm sendo gradualmente superados, com um número cada vez maior de idosos participando ativamente da vida social. Deusivania avalia:

"Nós vivemos em uma situação paradoxal".


Longevidade também depende do contexto social

Os aspectos sociais e culturais influenciam diretamente a forma como as pessoas envelhecem. Segundo a professora, as diferenças regionais brasileiras ilustram essa realidade.

"A gente observa o quanto a velhice do Nordeste é diferente da velhice do Sudeste", afirma, destacando que desigualdades no acesso à saúde e às condições de vida ajudam a explicar essas diferenças.

O mesmo pode ser observado nas chamadas "zonas azuis", regiões do mundo onde a população apresenta elevada expectativa de vida. Nessas localidades, o fator comum não é o acesso a tecnologias sofisticadas, mas a adoção consistente de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, atividade física, convivência social e propósito de vida.


*Sob supervisão de Márcia Avanza

JORNAL DA USP. Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/envelhecimento-saudavel-depende-mais-de-habitos-do-que-de-tecnologias-experimentais/

Releia o trecho do texto:


“A tecnologia pode contribuir para o cuidado com a saúde, mas não é o principal fator para um envelhecimento ativo e saudável.”(3º parágrafo) 


No contexto em que foi empregado, o conectivo destacado estabelece entre as orações uma relação de


Alternativas
Q4246279 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

    Em uma sociedade marcada pelo excesso de informações e pela velocidade das transformações tecnológicas, a capacidade de interpretar criticamente os discursos tornou-se uma das competências mais relevantes do cidadão contemporâneo. Não basta, porém, ter acesso aos dados: é necessário saber selecioná-los, confrontá-los e atribuir-lhes significado. Muitas vezes, a abundância de informações produz efeito paradoxal, pois, em vez de ampliar a compreensão da realidade, contribui para a disseminação de equívocos, preconceitos e falsas certezas. Nesse contexto, a linguagem deixa de ser mero instrumento de comunicação para assumir papel decisivo na construção do pensamento e na formação da consciência crítica.

(Celso Magalhães – Texto adaptado)
Em "Não basta, porém, ter acesso aos dados...", o vocábulo destacado expressa ideia de 
Alternativas
Q4245535 Português

O terceiro menor país do mundo mudou de nome: conheça Naoero 


Por Bela Lobato

(Disponível em: https://super.abril.com.br/sociedade/o-terceiro-menor-pais-do-mundo-mudou-denome-conheca-naoero/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma conjunção de mesmo sentido que “mas” no trecho a seguir, retirado do texto:
“o nome tradicional sempre existiu, mas acabou sendo substituído internacionalmente por uma versão mais fácil de pronunciar”. 
Alternativas
Q4244758 Português
O sonho da aposentadoria no Brasil está com os dias contados?

Por Welligton Fonseca

  (Disponível em: https://movimentoeconomico.com.br/opiniao/artigos/2026/03/09/o-sonho-da-aposentadoria-
no-brasil-esta-com-os-dias-contados/ – texto adaptado especialmente para esta prova). 
A conjunção “contudo”, no trecho a seguir, retirado do texto, introduz a ideia de _____________ e pode ser substituída por _____________, _____________ necessárias alterações no período a fim de que se mantenha a adequação gramatical.
“O sonho da aposentadoria não está necessariamente com os dias contados. Contudo, ele pode estar se transformando”.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima. 
Alternativas
Q4244601 Português
Para responder à questão, leia o texto abaixo.


Educação financeira pode ser incluída no currículo escolar


     A inclusão da educação financeira como tema no currículo dos ensinos fundamental e médio foi aprovada no dia 15 de julho, no plenário do Senado Federal.

    O projeto de lei, aprovado na forma de texto alternativo da senadora Teresa Leitão, estabelece que o tema será ensinado de forma transversal em disciplinas já existentes, como matemática, história e geografia, ao longo de toda a formação escolar.

    Pela proposta, a educação financeira, que já faz parte da Base Nacional Comum Curricular desde 2017, está agora prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tornando sua aplicação mais obrigatória. Cada escola terá autonomia para incluir o tema em seu projeto pedagógico de acordo com a sua realidade local, evitando a sobrecarga dos alunos.

    A relatora ampliou o texto original para incluir também a promoção da educação fiscal, previdenciária e securitária por parte do poder público. Com isso, os alunos também vão aprender sobre a importância dos impostos para o financiamento de serviços públicos, além de entender o funcionamento da previdência social e dos seguros.

    Por ter sido modificado no Senado, o texto agora voltará à Câmara para última análise.


Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026- 07/educacao-financeira-pode-ser-incluida-no-curriculo-escolar (adaptado)
No trecho ...incluir também a promoção da educação fiscal, previdenciária e securitária..., a palavra sublinhada expressa uma ideia de:
Alternativas
Q4244228 Português

Limitar horários de alimentação pode ajudar a evitar declínio cognitivo na velhice 



Por Amanda Nascimento 





(Disponível em: https://super.abril.com.br/saude/limitar-horarios-de-alimentacao-pode-ajudar-a-evitardeclinio-cognitivo-na-velhice-diz-estudo/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta uma conjunção que NÃO poderia substituir “porém” por causar alterações no trecho em que está inserida:



“Ela ressalta, porém, que os achados são preliminares e é preciso esperar pela versão completa”. 

Alternativas
Q4243323 Português
O que 'guru' da Copa prevê para o Brasil — e qual seleção será campeã


      Quando o polvo Paul (2008-2010) acertou todos os resultados da seleção alemã na Copa do Mundo Fifa de Futebol Masculino de 2010, na África do Sul, o mundo o saudou como um verdadeiro oráculo. Mas o economista alemão Joachim Klement superou Paul com um complexo modelo de previsão que mantém 100% de acerto nas suas previsões do campeão mundial, desde a Copa disputada no Brasil, em 2014.

     Se a profecia estatística de Klement se confirmar pela quarta vez, a Holanda irá erguer o troféu de campeão no Estádio MetLife em Nova Jersey, nos Estados Unidos, após vencer Portugal na final do torneio, no próximo dia 19 de julho.

     Além dos campeões, o modelo do economista alemão mapeia todas as fases do torneio e suas 48 seleções. Para o primeiro mata-mata após a fase de grupos, por exemplo, ele prevê a derrota da Escócia para a seleção da Coreia do Sul. Na previsão de Klement, o Brasil irá se classificar em primeiro lugar no seu grupo, perdendo surpreendentemente logo na segunda fase, para o Japão. “Provavelmente, uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo”, prevê Jochim Klement.

    Segundo o modelo, a Holanda enfrentará a Espanha nas semifinais. E, na outra semifinal, enfrentam-se Inglaterra e Portugal — que terá eliminado a Argentina nas quartas de final. O economista prevê que Portugal vencerá mais uma vez os ingleses, como ocorreu nas quartas de final da Copa de 2006, na Alemanha. A previsão só não detalha se a decisão ocorrerá novamente nos pênaltis. Klement é um “pessimista” confesso, que morou por 10 anos no Reino Unido. Para ele, a pesquisa nunca pretendeu evitar a tristeza de ninguém, nem ganhar dinheiro em apostas. Na verdade, ele esperava revelar o absurdo de tentar prever os resultados.

     “Tudo começou como um exercício para mostrar ao mundo a arrogância dos economistas, que acham que podem prever fatos sobre os quais não têm nenhuma indicação", explica Klement. “Agora, isso passou a ser uma demonstração de como, se você tiver sorte várias vezes, as pessoas irão achar que você é um guru.” Sua primeira previsão se tornou realidade em 2014, quando o seu país, a Alemanha, venceu a Copa do Mundo realizada no Brasil. Klement imaginou que, refazendo a simulação novamente em 2018, ele poderia demonstrar que aquilo foi uma casualidade. Mas ele acertou novamente sua previsão com a França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022. “Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez”, ele conta.

      É verdade que existem fatores “sistêmicos” conhecidos que determinam, em parte, o sucesso de cada país na Copa do Mundo. Eles incluem a população nacional, a riqueza, o clima e o ranking mundial da Fifa. Mas a popularidade das previsões quadrienais de Klement cresce a cada acerto. E ele alerta seus leitores a considerar seus resultados com cautela, pois estes fatores contam apenas uma parte da história. “Os outros 50% são de sorte”, segundo ele. “Cada jogo — especialmente quando você tem equipes de alta qualidade, com técnicas e habilidade muito similares, jogando entre si — realmente depende da forma naquele dia, de uma decisão da arbitragem, de um pouco de sorte entre aquela bola que bate na trave ou entra no gol. Este tipo de coisa é completamente imprevisível", explica Klement.

      Sempre que a Copa do Mundo se aproxima, o modelo de previsão oferece a Klement uma ótima diversão em relação ao seu trabalho diário. “Particularmente em 2026, quando temos tantas crises, guerras e coisas acontecendo, é algo que me faz sentir bem”, ele conta. “E espero que os leitores também se sintam bem e tenham um pouco de distração de tudo de ruim que está acontecendo no mundo.” Mas, a cada vez que o economista acerta uma previsão, cresce o peso da expectativa. Klement trabalha como estrategista no banco de investimentos Panmure Liberum e recebe consultas dos seus colegas.

     Eles querem saber, por exemplo, como a lesão do ligamento cruzado anterior, sofrida pelo meio-campista holandês Xavi Simons, do Tottenham, pode influenciar o seu modelo. Por isso, apesar das suas inúmeras advertências sobre a integridade da previsão, Klement se prepara para o início do torneio, em junho. “Tenho vários colegas que apostaram na Holanda porque publiquei aquela nota”, ele conta. “E, se a Holanda for eliminada da Copa do Mundo, acho que, no dia seguinte, precisarei ficar trabalhando em casa.”


(ADAPTADO. Flora Snelson. Role,BBC Sport. Published: 27 maio 2026. Disponível em www.bbc.com/portuguese/articles/c4g44dvmkm0o)

Sobre o primeiro parágrafo do texto, analise as afirmativas:

I. No primeiro período, há uma oração subordinada adverbial temporal introduzida pelo conectivo “Quando”; essa oração estabelece a circunstância temporal para a oração principal.
II. No segundo período, introduzido pela conjunção adversativa “Mas”, ocorre uma contraposição entre dois personagens: o polvo Paul e o economista Joachim Klement.
III. A progressão temática ocorre por meio da retomada do referente “Paul”.

Assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Respostas
121: D
122: B
123: C
124: B
125: C
126: C
127: E
128: A
129: B
130: C
131: B
132: D
133: B
134: C
135: B
136: C
137: D
138: A
139: D
140: E