Questões de Concurso Sobre orações coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas... em português

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Q4443494 Português
    Conhecer o funcionamento da escrita alfabética para ler e escrever significa, principalmente, perceber as relações bastante complexas que se estabelecem entre os sons da fala (fonemas) e as letras da escrita (grafemas), o que envolve o despertar de uma consciência fonológica da linguagem. Ocorre que essas relações não são tão simples quanto as cartilhas as fazem parecer. Não há regularidades nessas relações, e elas são construídas por convenção. 

    De certa maneira, a história da escrita ilustra isso. Podemos datar as primeiras escritas da época das cavernas, quando os povos nômades deixavam pictogramas em suas paredes, que, enquanto desenhos, representavam, com suas propriedades concretas, animais, ações, perigos existentes no entorno. 

    Com o desenvolvimento do comércio, foi preciso simplificar esses desenhos. Mesmo ainda representando os objetos, esses pictogramas simplificados — os ideogramas, até hoje utilizados na escrita chinesa e japonesa, por exemplo — vão perdendo sua relação de representação icônica do objeto, tornando-se mais e mais convencionais.

    Por volta de 3.000 a. C., tanto pictogramas quanto ideogramas passaram a ser utilizados com valor fonético, cada signo representando uma sílaba. A passagem do signo-imagem ao signo-som (silabário) e o formato cuneiforme simplificado facilitaram sua expansão, e a escrita passou a cumprir funções mais ambiciosas.

    A humanidade levou milênios para inventar a relação entre um grafismo e um som, deslocando-se da representação do significado das palavras para o isolamento de um som do significante das mesmas. Também para a criança, esse não é um processo simples e breve de associação som-grafia. É um processo mais ou menos longo e bastante complexo de construção de conhecimento sobre essas convenções.  

Roxane Rojo. Letramentos múltiplos, escola e inclusão social.
São Paulo: Parábola Editorial, 2009, p. 61-62 (com adaptações). 


Julgue o item seguinte, relativo a aspectos gramaticais do texto apresentado. 
A última oração do quarto parágrafo vincula-se à anterior por coordenação assindética. 
Alternativas
Q4442795 Português
A respeito do emprego da vírgula, associe a segunda coluna de acordo com a primeira, relacionando os exemplos destacados a suas respectivas justificativas:

Primeira coluna: exemplos

1.Velhos processos sociais e econômicos perduram com novos significados e novas práticas , e valores no nível macro e micro reconfiguram relações entre nações e entre indivíduos.
2.Só beberam água, que faz tanto bem à saúde , e, ao final da festa, um cafezinho.
3.Estava tão envolvida com o que acontecia no palco , e eu não menos, que apenas nos demos as mãos por duas horas. Não trocamos um único olhar. Estávamos hipnotizadas.

Segunda coluna: justificativas

(__)Aparece necessariamente uma vírgula antes e/ou depois da conjunção e na enumeração quando ali se coloca alguma intercalação. Nesse caso, a vírgula não tem relação direta com o e − ela está lá para fechar ou abrir o encaixe apenas.
(__)Emprega-se a vírgula para assinalar a interrupção de um seguimento natural de ideias e se intercalar um juízo de valor ou uma reflexão subsidiária.
(__)Quando duas orações interligadas por e têm sujeitos diferentes, a vírgula é comumente usada junto com a conjunção no intuito de prevenir o leitor contra ambiguidades; e deve realmente ser usada quando a primeira oração acaba com substantivo e o sujeito a seguir é também um substantivo, pois aí é que a leitura pode ficar truncada.

Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
Alternativas
Q4442786 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão. 


A vertigem do mundo: a angústia de Graciliano Ramos


O Estado Novo não havia sido instaurado, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente

Danielle Romani


Angústia, publicado em 1936, é a experiência mais radical de Graciliano Ramos no mergulho no interior de um personagem. Se em Caetés e São Bernardo a primeira pessoa já havia servido à narrativa, desta vez, o leitor não acompanha simplesmente a vida de Luís da Silva: é obrigado a permanecer dentro de sua cabeça, percorrendo lembranças, humilhações, ressentimentos, fantasias, desejos, obsessões.

É justamente a linguagem obsessiva que torna o romance tão singular. Em vez de conduzir o leitor por uma sucessão ordenada de acontecimentos, o escritor constrói uma narrativa em que passado e presente se misturam continuamente. O cotidiano é povoado por decadência: no entorno de Luís, habitam frustração, desconfiança, lixo, cheiros desagradáveis, ratos, pulgas, decadência e ódio. Imagens que o leitor se questiona serem reais, ou se tratar de uma desconstrução da realidade. Uma distorção. A memória não funciona como arquivo, mas como uma força que fragmenta, confunde, atormenta.

Uma imagem do presente pode desencadear uma lembrança da infância; um ruído, um rosto, uma palavra ou um objeto podem fazer surgir acontecimentos remotos. O tempo psicológico passa a dominar o tempo cronológico. A narrativa avança menos pelos acontecimentos externos do que pelas associações da mente do protagonista. A própria estrutura do livro acompanha, assim, o estado de perturbação de Luís.

Angústia não é apenas a história de um homem ciumento que chega ao crime. É a história de uma consciência que se deteriora diante dos próprios pensamentos. O assassinato de Julião Tavares, embora embase o eixo dramático do romance, não é seu verdadeiro centro. O centro está no processo interior que leva Luís da Silva a desejar, imaginar, ensaiar e finalmente realizar o ato extremo. Muito antes de existir como ação, o crime existe como fantasia. Nesse intervalo entre pensar e agir, Graciliano encontra uma das regiões mais perturbadoras da literatura brasileira.

O romance nasceu num momento particularmente tenso da vida nacional. Graciliano o escreveu entre 1935 e 1936, durante o governo de Getúlio Vargas, quando o país atravessava um período de intensa polarização política, repressão e instabilidade. O Estado Novo ainda não havia sido instaurado, o que aconteceria em novembro de 1937, mas o ambiente político já era marcado pelo autoritarismo crescente.

Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano. A informação é importante porque ajuda a perceber a atmosfera de sufocamento em que o livro foi concebido. Mas seria um erro transformar Angústia em um manifesto político.

 O mundo de Luís da Silva é socialmente determinado, mas a angústia que o consome ultrapassa a circunstância histórica. Há no personagem uma experiência de inadequação que nasce de sua origem, de sua condição econômica, de sua frustração intelectual, de sua incapacidade de estabelecer vínculos afetivos e de uma percepção negativa de si mesmo.

Luís é funcionário público, jornalista ocasional, escritor que sonha com uma obra literária que nunca consegue realizar. Vive modestamente em Maceió, numa existência sem brilho, marcada pelo ressentimento e pela sensação de fracasso. Não é propriamente um homem pobre no sentido extremo, mas é alguém que experimenta a pobreza como humilhação, como posição social e sobretudo como consciência de inferioridade. Ele observa aqueles que possuem dinheiro, prestígio, mulheres, roupas elegantes e facilidade de circulação e os percebe como representantes de um mundo ao qual não consegue pertencer.

É nesse ponto que surge Julião Tavares. Rico, bem-vestido, expansivo, dono de uma segurança que Luís não possui, ele parece encarnar tudo aquilo que o protagonista detesta e, ao mesmo tempo, deseja. A rivalidade entre os dois não é apenas amorosa. Julião é o homem que ocupa o espaço que Luís gostaria de ocupar. É aquele que fala sem constrangimento, circula sem pedir licença, conquista mulheres, possui dinheiro e parece não experimentar a mesma dolorosa consciência do protagonista. O ódio, nesse caso, nasce também da comparação.

Marina aparece nesse sistema de tensões como objeto de desejo, mas sua função literária é mais complexa do que a de simples personagem disputada por dois homens. O relacionamento com ela expõe a fragilidade emocional de Luís, sua necessidade de reconhecimento e seu permanente sentimento de desvantagem. Quando Marina se aproxima de Julião Tavares, deixando Luís, a ferida narcísica do protagonista se aprofunda. O ciúme passa a contaminar sua percepção do mundo, e o rival deixa de ser apenas um indivíduo para se transformar na encarnação de tudo aquilo que Luís considera injusto em sua própria existência.

A narrativa, entretanto, permanece presa à perspectiva de Luís, e isso significa que nem mesmo os acontecimentos podem ser recebidos como verdades. O leitor precisa desconfiar do narrador, porque Luís conta não apenas aquilo que viu, mas também aquilo que imagina, supõe e reconstrói.

Luís da Silva é um narrador pouco confiável, não porque pretenda deliberadamente enganar, mas porque ele próprio já não consegue separar com nitidez o que aconteceu daquilo que desejou que acontecesse, o que viu do que imaginou, a realidade da fantasia.

Angústia está na categoria de literatura psicológica, embora Graciliano não abandone jamais a dimensão social. A interioridade de Luís não existe num vazio. Ela é produzida também pelas relações de classe, pelo trabalho burocrático, pela pobreza, pela desigualdade, pela masculinidade ferida, pelo desejo de ascensão e pela sensação de não pertencer. A genialidade do romance está em não separar artificialmente o indivíduo da sociedade. O mundo exterior entra na consciência e passa a fazer parte dela.

Por isso, Angústia ocupa um lugar particular entre os romances da chamada segunda fase do Modernismo brasileiro. A literatura dos anos 1930 voltou-se para as desigualdades sociais, para o mundo do trabalho, para a pobreza, para o Nordeste e para os conflitos históricos do país. Graciliano participa desse movimento, mas, nesse caso, desloca a perspectiva. Em Vidas Secas , a opressão social é percebida sobretudo na luta pela sobrevivência de uma família sertaneja; em São Bernardo , a violência social e econômica aparece filtrada pela consciência de Paulo Honório; em Angústia , a opressão passa pela confusão de uma mente urbana, solitária e ressentida. As três experiências revelam, de maneiras diferentes, a capacidade do escritor de transformar estruturas sociais em conflitos humanos.

A primeira edição de Angústia saiu pela José Olympio em 1936, ano em que o livro recebeu o Prêmio Lima Barreto da Revista Acadêmica.


(Disponível em: https://pernambucorevista.com.br/artigos/a-vertigem-do-mundo-a-angu stia-de-graciliano-ramos. Acesso em: 21 set. 2026. Adaptado.)
Analise atentamente a construção sintática do excerto a seguir:

"Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano."

A respeito desse excerto, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:

(__)O trecho "sem processo formal" é aposto explicativo do substantivo "preso".
(__)Na construção, a oração principal tem como coordenada a oração "permaneceu encarcerado por quase um ano".
(__)O trecho "acusado de envolvimento com a militância comunista" é uma oração subordinada causal.
(__)Há, na construção, um adjunto adverbial apenas.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: 
Alternativas
Q4440576 Português
    A história do Brasil é marcada por profundas desigualdades sociais e raciais, mas, também, por um longo processo de luta das populações subalternizadas — periféricas, negras, quilombolas e indígenas — pelo direito a uma cidadania plena, o que inclui o acesso aos bens culturais e simbólicos socialmente produzidos e às instituições nas quais esses bens circulam e são compartilhados. O que está em jogo nessas lutas não é apenas a democratização do acesso à escola e à universidade, mas também dos conhecimentos que circulam nesses espaços e dos mecanismos pelos quais eles são produzidos, socializados e legitimados.

    Isso porque, ao longo da história brasileira, seja como ferramenta de colonização, de assimilação ou de formação de mão de obra para o mercado, a educação tem servido hegemonicamente às classes dirigentes como instrumento de dominação e, como tal, tem-se conformado como uma instituição profundamente excludente. Quando não simplesmente excluídos de seu interior, os segmentos sociais que não compõem as elites econômicas, políticas e intelectuais veem suas referências históricas, culturais e epistêmicas submetidas a um processo de inferiorização, negação e apagamento.

    Portanto, quando os povos tradicionais, indígenas, quilombolas se mobilizam para defender o direito à educação formal (básica e superior), o fazem compreendendo que, em uma sociedade ocidentalizada como a nossa, esses instrumentos de colonização e de dominação se tornaram paradoxalmente estratégicos para o fortalecimento de suas lutas, para a ampliação de seus direitos e para participação e acesso aos espaços que sempre foram reservados às classes dominantes. Não se trata, contudo, apenas de reivindicar o acesso à educação formal, mas de disputá-la por dentro como uma ferramenta contracolonial de ascensão social, que pode contribuir para a valorização de suas culturas e saberes.

Ana Tereza Reis da Silva (Org.). Vozes do pluriverso: práticas e epistemologias decoloniais e antirracistas
em educação. São Paulo: Pimenta Cultural, 2022, p. 284-285 (com adaptações). 


Julgue o seguinte item, referente ao aspecto linguístico do texto precedente e à ideia nele expressa.  
No trecho "Não se trata, contudo, apenas de reivindicar o acesso à educação formal" (último parágrafo), o vocábulo "contudo" expressa conclusão, podendo ser substituído corretamente por portanto. 
Alternativas
Q4438274 Português
Texto 2


Estou escrevendo um livro sobre a guerra... Eu, que nunca gostei de ler livros de guerra, ainda que, durante minha infância e juventude, essa fosse a leitura preferida de todo mundo. De todo mundo da minha idade. E isso não surpreende — éramos filhos da Vitória. Filhos dos vencedores. Em nossa família, meu avô, pai da minha mãe, morreu no front; minha avó, mãe do meu pai, morreu de tifo; de seus três filhos, dois serviram no Exército e desapareceram nos primeiros meses da guerra, só um voltou. Meu pai. Não sabíamos como era o mundo sem guerra, o mundo da guerra era o único que conhecíamos, e as pessoas da guerra eram as únicas que conhecíamos. Até agora não conheço outro mundo, outras pessoas. Por acaso existiram em algum momento? A vila de minha infância depois da guerra era feminina. Das mulheres. Não me lembro de vozes masculinas. Tanto que isso ficou comigo: quem conta a guerra são as mulheres. Choram. Cantam enquanto choram. Na biblioteca da escola, metade dos livros era sobre a guerra. Tanto na biblioteca rural quanto na do distrito, onde meu pai sempre ia pegar livros. Agora, tenho uma resposta, um porquê. Como ia ser por acaso? Estávamos o tempo todo em guerra ou nos preparando para ela. E rememorando como combatíamos. Nunca tínhamos vivido de outra forma, talvez nem saibamos como fazer isso. Não imaginamos outro modo de viver, teremos que passar um tempo aprendendo. Por muito tempo fui uma pessoa dos livros: a realidade me assustava e atraía. Desse desconhecimento da vida surgiu uma coragem. Agora penso: se eu fosse uma pessoa mais ligada à realidade, teria sido capaz de me lançar nesse abismo? De onde veio tudo isso: do desconhecimento? Ou foi uma intuição do caminho? Pois a intuição do caminho existe... Passei muito tempo procurando... Com que palavras seria possível transmitir o que escuto? Procurava um gênero que respondesse à forma como vejo o mundo, como se estruturam meus olhos, meus ouvidos. Uma vez, veio parar em minhas mãos o livro Eu venho de uma vila em chamas. Tinha uma forma incomum: um romance constituído a partir de vozes da própria vida, do que eu escutara na infância, do que agora se escuta na rua, em casa, no café. É isso! O círculo se fechou. Achei o que estava procurando. O que estava pressentindo.
“Saio cedo e volto tarde da noite”. Temos:
Alternativas
Q4436656 Português
• Texto para a questão.


Tradição x inovação qual geração tem o melhor trabalhador?


    Vivemos um momento inédito no mercado de trabalho: pela primeira vez, diversas gerações coexistem nas mesmas empresas. Tradicionalistas (nascidos antes de 1945), Baby Boomers (1946-1964), Geração X (1965-1980), Millennials (1981-1996) e a Geração Z (nascida a partir de 1997) compartilham espaços, valores e rotinas profissionais. 

    Essa convivência intergeracional, embora rica em diversidade, também tem provocado tensões e exigido adaptações rápidas por parte de lideranças e organizações. A digitalização também acentuou as diferenças. Jovens nativos digitais, da Geração Z, adaptam-se rapidamente a novas tecnologias, preferem feedbacks instantâneos e têm uma expectativa de progresso acelerado na carreira. Por outro lado, profissionais mais experientes acumulam décadas de conhecimento tácito, resiliência e capacidade de planejamento de longo prazo.

    O impacto prático dessas diferenças já é visível. Departamentos de recursos humanos vêm reformulando políticas para atrair e reter talentos de todas as idades. Programas de mentoria reversa, flexibilização de horários, home office, e capacitação digital são exemplos de iniciativas que buscam harmonizar o convívio e promover a troca de experiências entre gerações. 

    Mas os estigmas ainda persistem: jovens são vistos como impacientes e descomprometidos; veteranos, como resistentes à mudança. O futuro do trabalho será, inevitavelmente, plural. Organizações que souberem integrar diferentes gerações com respeito, abertura e inteligência emocional sairão na frente. Afinal, não se trata de escolher entre a experiência ou a ousadia, mas de reconhecer que o progresso nasce do diálogo entre o passado, o presente e o futuro.


Revista Vidi – economia sustentável – janeiro de 2026.
Analise a organização sintática do texto, especificamente no que se refere aos processos de coordenação e subordinação, e marque a alternativa correta.
Alternativas
Q4435777 Português
Novas regras para doação de sangue entram em vigor nesta quarta; veja o que muda



Novas regras para a doação de sangue passam a valer no Brasil nesta quarta-feira (30) e reduzem o período de impedimento em situações que antes podiam afastar candidatos dos hemocentros por meses.

Entre as principais mudanças estão novos prazos para quem fez tatuagem ou procedimentos estéticos, a possibilidade de doadores habituais continuarem doando depois dos 70 anos e uma regra específica para quem compartilha dispositivos usados na aplicação de medicamentos injetáveis agonistas de GLP-1, grupo do qual faz parte a semaglutida, princípio ativo do Ozempic.

A atualização foi estabelecida pelo Ministério da Saúde em julho. A norma reformula os regulamentos técnicos usados pelos serviços de hemoterapia do país e estabelece critérios para a proteção tanto de quem doa quanto de quem recebe o sangue. A portaria determinou a entrada em vigor 90 dias após a publicação.

Uma das alterações mais relevantes envolve tatuagens, piercings e procedimentos cosméticos invasivos.

A nova norma estabelece prazo de sete dias após tatuagem, acupuntura, maquiagem definitiva e procedimentos como aplicação de botox, preenchimentos e microagulhamento quando houver condições de avaliar a segurança do procedimento.

Se não for possível verificar em que condições ele foi realizado, o candidato deverá aguardar quatro meses.

A regra aparece na tabela da portaria que relaciona cirurgias e procedimentos invasivos aos respectivos períodos de inaptidão para doação.

No caso de piercing na cavidade oral ou na região genital, a restrição permanece enquanto o acessório estiver no local por causa do risco de infecção. Depois da retirada, o candidato deve esperar quatro meses.

A nova regra também cita especificamente os medicamentos injetáveis agonistas de GLP-1.

O texto não determina impedimento para quem simplesmente utiliza esse tipo de medicamento. A restrição de quatro meses é aplicada a candidatos que tenham histórico de compartilhamento do dispositivo usado para a aplicação.

Isso significa que uma pessoa em tratamento com semaglutida, por exemplo, não se torna automaticamente inapta apenas por usar o medicamento.

Ainda assim, a portaria determina que todo uso de medicamentos seja avaliado durante a triagem. O profissional deve considerar tanto o tratamento quanto a condição clínica que levou à prescrição.

A regra geral continua estabelecendo que os doadores tenham entre 16 e 69 anos. Para quem vai doar pela primeira vez, o limite permanece em 60 anos, 11 meses e 29 dias.

A novidade é que pessoas que já são doadoras de repetição poderão continuar doando depois dos 70 anos, desde que sejam avaliadas por um médico do serviço de hemoterapia.

A portaria estabelece ainda impedimento de quatro meses para quem passou por qualquer procedimento endoscópico. O período começa a ser contado na data do exame.

Também ficam impedidas por quatro meses pessoas que tenham usado anabolizantes ou hormônios injetáveis, por via intramuscular ou intravenosa, sem prescrição médica.

Quando esses produtos são usados sob orientação médica, não há impedimento automático. Nesse caso, o serviço deve avaliar a razão pela qual a hormonioterapia foi prescrita.

A norma também detalha novos critérios relacionados à malária.

O candidato fica impedido de doar por 30 dias se tiver se deslocado para municípios de áreas endêmicas ou realizado atividades que envolvam exposição a mata, bosque ou floresta em regiões de risco.

Para quem efetivamente teve malária, o prazo depende da espécie do parasita.

Após a cura, são 12 meses de impedimento para infecção por Plasmodium falciparum e três anos para Plasmodium vivax ou Plasmodium ovale. No caso de Plasmodium malariae, a inaptidão é definitiva.

A decisão final sobre quem pode doar continua sendo feita durante a triagem clínica.

O candidato passa por uma entrevista individual, na qual são avaliados estado de saúde, histórico de doenças, medicamentos em uso, gestação, alimentação, consumo de álcool e outros fatores que possam trazer risco para o doador ou para quem receberá o sangue.

A norma mantém ainda o peso mínimo de 50 kg como regra geral.

Homens podem fazer até quatro doações de sangue total em um período de 12 meses, com intervalo mínimo de dois meses. Para mulheres, são até três doações, com intervalo mínimo de três meses.


G1. Novas regras para doação de sangue entram em vigor nesta
quarta; veja o que muda. G1, 30 set. 2026. Disponível em:
https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/09/30/novas-regras-para-doac
ao-de-sangue-entram-em-vigor-nesta-quarta-veja-o-que-muda.ghtml.

"Isso significa que uma pessoa em tratamento com semaglutida, por exemplo, não se torna automaticamente inapta apenas por usar o medicamento. Ainda assim, a portaria determina que todo uso de medicamentos seja avaliado durante a triagem."

Com base no emprego de "Ainda assim" no trecho, analise as asserções a seguir.

I.A expressão "Ainda assim" poderia ser substituída por "Por conseguinte", sem prejuízo da coerência e do sentido original do trecho.

PORQUE

II.A expressão "Ainda assim" introduz uma ressalva ao que foi afirmado no período anterior, estabelecendo com ele relação de contraste, o mesmo valor atribuído a "por conseguinte".

A respeito das asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4434617 Português

“As orações coordenadas sindéticas explicativas exprimem uma justificativa uma razão da declaração feita na oração anterior. Já as conclusivas exprimem uma consequência deduzida da oração anterior.” Fonte: CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexicon, 2008, p. 598. Com base na doutrina de Celso Cunha e Lindley Cintra sobre as orações coordenadas sindéticas, julgue os itens a seguir em Verdadeiro (V) ou Falso (F):



1. ( ) A oração introduzida pela conjunção “pois”, quando colocada após o verbo da oração principal com valor explicativo, equivale semanticamente a uma oração subordinada causal.



2. ( ) As orações coordenadas conclusivas introduzidas por “logo” ou “portanto” podem vir antecipadas à oração que encerra a causa, mantendo inalterada a classificação sintática de conclusiva.



3. ( ) A coordenação sindética explicativa diferencia-se estruturalmente da subordinada causal porque aquela possui natureza puramente argumentativa e dialógica de justificativa de um ato de fala, enquanto esta subordina formalmente o fato causal ao efeito.



Assinale a opção que apresenta a sequência correta:

Alternativas
Q4434411 Português

Leia o período:


"O setor ampliou o horário de atendimento; ainda assim, a procura permaneceu elevada. Em razão disso, foi necessário reorganizar a distribuição das equipes."


Assinale a alternativa que apresenta análise correta das relações de sentido estabelecidas pelos conectivos destacados.

Alternativas
Q4434259 Português

Leia o Texto 3 para responder à questão.

 Texto 3

 A honra passada a limpo
     
Sou compulsiva, eu sei. Limpeza e arrumação.     
Todos os dias boto a mesa, tiro a mesa. Café, almoço, jantar. E pilhas de louças na pia, e espumas redentoras.
Todos os dias entro nos quartos, desfaço camas, desarrumo berços, lençóis ao alto como vela. Para tudo arrumar depois, alisando colchas de crochê.
Sou caprichosa, eu sei. Desce o pó sobre os móveis. Que eu colho na flanela. Escurecem-se as pratas. Que eu esfrego com a camurça. A aranha tece. Que eu enxoto. A traça rói. Que eu esmago. O cupim voa. Que eu afogo na água da tigela sob a luz.
E de vassoura em punho gasto tapetes persas.
Sou perseverante, eu sei. À mesa que ponho ninguém senta. Nas camas que arrumo ninguém dorme. Não há ninguém nesta casa, vazia há tanto tempo.
 Mas sem tarefas domésticas, como preencher de feminina honradez a minha vida?

 COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986

Na última frase do texto, a conjunção “mas” apresenta o valor semântico de 
Alternativas
Q4433298 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Educar sem violência.


Nesta semana, vi uma série de postagens sobre o Dia das Crianças e fiquei pensando: quantas daquelas pessoas, que esbanjam carinho na homenagem a meninas e meninos, também costumam machucar filhos, enteados ou quem esteja sob a sua responsabilidade, em nome da "disciplina"? Para muita gente, espancar não é uma violência, é uma forma de "educar".


Essa visão cruel e distorcida da realidade — mas que segue arraigada neste país — foi comprovada por um estudo recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Conforme o levantamento, pais e mães dizem que bater é a melhor forma de corrigir um comportamento inadequado da criança.


Não consigo conceber como surrar seres humanos indefesos, causar-lhes dor, pode ser uma coisa boa. Como alguém pode ter essa capacidade? Vejo a agressão a uma criança como um ato de covardia, que se torna ainda mais perverso quando praticado por quem deveria protegê-la. Mas é justamente o que mais acontece. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2025, mais de 60 mil casos de maus-tratos ou de lesão corporal em contexto de violência doméstica contra crianças e adolescentes foram registrados no Brasil, um aumento de 106% comparado ao ano anterior. Se levarmos em conta que há subnotificação, esse número é muito maior.


Os abusos físicos e psicológicos ferem a dignidade de crianças e podem impactar a saúde física e mental delas pelo resto da vida. Além disso, elas aprendem que a violência é o meio de resolver conflitos e diferenças. 


Segundo ainda o estudo do Unicef, há um entendimento de que a criação de uma criança cabe exclusivamente à família, e que outras pessoas não devem interferir. Essa é outra crença entranhada por aqui, de que pais ou responsáveis têm o direito de impor castigos físicos ou psicológicos para "disciplinar". Não têm, de jeito nenhum.


Crianças sendo machucadas é um problema público, não privado, diz respeito a todos nós. Cessar o sofrimento delas é da nossa conta, sim. Um dever, na verdade. Os agressores têm de ser denunciados. Os registros podem ser feitos em delegacias; conselhos tutelares; Disque 100; site da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (www.gov.br/mdh/pt-br/ondh/), que funciona 24 horas, inclusive em feriados e fins de semana; ou WhatsApp (61) 99611-0100.


Ignorar o sofrimento de crianças e adolescentes é ser conivente. Não há e jamais haverá justificativa plausível para maltratá-los. Eles não são inferiores aos adultos, muito menos propriedade das famílias. Têm o direito de brincar e de desenvolver plenamente suas capacidades, com orientação e afeto de pais ou responsáveis. Têm de ser respeitados, especialmente no processo de educação. 


O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) enfatiza, no Art. 18-A, que eles "têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los".


O processo de educar não é dos mais fáceis, mas a missão de formar cidadãos cientes de seus direitos e deveres passa, especialmente, pelo diálogo e por bons exemplos, nunca por métodos cruéis. Todo dia tem de ser das crianças, tem de ser de zelo pelo bem-estar delas.
Com base nas relações sintático-semânticas estabelecidas pelos elementos de coesão no texto, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4432377 Português

A questão se refere ao texto produzido a seguir.


Queimadas no Brasil: o fogo que consome o futuro


Larissa Warnavin


        A intensificação das queimadas no Brasil coloca em risco tanto o meio ambiente quanto a saúde pública. A cada incêndio, um pedaço da nossa biodiversidade é destruído. O painel de queimadas do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revela que os focos de queimadas em agosto foram: 25.647 no Norte, 15.948 no Centro-Oeste, 5.996 no Sudeste, 4.366 no Nordeste e 2.019 no Sul. Esses dados se aproximam das máximas históricas registradas para o mês de agosto em 2003 e 2010. O cenário deve se agravar caso a combinação de baixa umidade e altas temperaturas se mantenha. 


        As condições climáticas atuais, marcadas por longos períodos de seca e umidade relativa do ar entre 12% e 20%, criam um ambiente propício para o surgimento e a propagação de incêndios florestais. Essas queimadas não apenas destroem vastas áreas de vegetação, mas também geram uma quantidade significativa de fumaça, que se espalha pelas cidades e afeta a qualidade do ar.


        A saúde da população também está em jogo. O material particulado (PM 2,5) liberado pela fumaça das queimadas pode penetrar nos pulmões e até entrar na corrente sanguínea, causando uma série de problemas de saúde. Os impactos vão desde irritações leves nos olhos e garganta até doenças respiratórias graves e complicações cardiovasculares. Além disso, a exposição prolongada à fumaça pode reduzir a expectativa de vida e aumentar a mortalidade por doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente em pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças. Por esse motivo, especialistas em saúde indicam o uso de máscaras pelos cidadãos das cidades que estão sendo acometidas pela fumaça das queimadas.


        Diante dessa situação, uma questão se impõe: ainda há tempo para reverter esse quadro? A resposta é complexa e a solução exige ações rápidas e coordenadas. Medidas emergenciais, como a intensificação do combate aos focos de incêndio e a criação de faixas de segurança (aceiros) ao redor de áreas de risco, são essenciais para conter o avanço das queimadas. Além disso, é fundamental que a população seja conscientizada sobre os perigos de provocar incêndios, seja de forma intencional ou acidental. 


        No entanto, essas ações talvez não sejam suficientes para resolver o problema a longo prazo. As queimadas no Brasil estão profundamente enraizadas em práticas agrícolas inadequadas, como o uso do fogo para limpar pastagens, e no desmatamento, que fragiliza os ecossistemas e os torna mais suscetíveis a incêndios. Portanto, é necessário um esforço coletivo por parte das autoridades para reforçar a fiscalização contra o desmatamento ilegal e principalmente por parte dos produtores rurais para promover práticas agrícolas mais sustentáveis e que evitem o uso do fogo. 


        Além disso, as queimadas no Brasil estão diretamente ligadas às mudanças climáticas globais, que têm tornado os períodos de seca mais intensos e prolongados. Por isso, o país precisa adotar políticas mais ambiciosas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se comprometer com os acordos internacionais de combate ao aquecimento global.


        Diante dessa calamidade, precisamos de uma resposta coletiva que envolva o governo, o setor privado e a sociedade civil para implementar políticas que protejam nossos ecossistemas e a saúde da população. As queimadas são um sintoma de um problema maior que só poderá ser resolvido com uma abordagem sistêmica e sustentável, que preserve tanto o meio ambiente quanto a qualidade de vida da população. Precisamos evitar que o fogo consuma o futuro das próximas gerações. 


Disponível em: . Acesso em: set. 2024

Para responder a questão, considere o trecho abaixo.
No entanto, essas ações talvez não sejam suficientes para resolver o problema a longo prazo. As queimadas no Brasil estão profundamente enraizadas em práticas agrícolas inadequadas, como o uso do fogo para limpar pastagens, e no desmatamento, que fragiliza os ecossistemas e os torna mais suscetíveis a incêndios. Portanto, é necessário um esforço coletivo por parte das autoridades para reforçar a fiscalização contra o desmatamento ilegal e principalmente por parte dos produtores rurais para promover práticas agrícolas mais sustentáveis e que evitem o uso do fogo.
No trecho, a conjunção “portanto” liga
Alternativas
Q4429352 Português
Assinale a alternativa em que a pontuação está integralmente adequada à estrutura sintática e ao sentido do período:
Alternativas
Q4429005 Português
As questões de refere-se ao texto produzido a seguir.

A paralisação das pesquisas com inteligência artificial

Diogo Cortiz

    Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
    Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
    No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
    A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder. 
    A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
    O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
    Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
    Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
    O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas. 

Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2024. (texto adaptado)
A questão refere-se ao trecho reproduzido a seguir.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa.

No segundo período,
Alternativas
Q4428846 Português
Leia a frase a seguir e responda ao que se pede:
Ora lia, ora fingia ler para impressionar aos demais passageiros.
A conjunção coordenativa da frase deve ser classificada em:
Alternativas
Q4428443 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



A paralisação das pesquisas com inteligência artificial


Diogo Cortiz 


    Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.  


    Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.


    No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.  


    A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder. 


    A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento. 


    O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los. 


    Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes. 


    Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas. 


    O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas. 


Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)

A mudança no direcionamento do raciocínio desenvolvido pelo autor do texto é constatada no
Alternativas
Q4427922 Português
Algumas conjunções podem ser classificadas como explicativas, causais ou conclusivas, conforme o sentido que adquirem no contexto em que são empregadas. Com base nisso, relacione a Coluna 1 (classificação) à Coluna 2 (frase correspondente).

Coluna 1
1.Conjunção coordenativa explicativa.
2.Conjunção subordinativa causal.
3.Conjunção coordenativa conclusiva.

Coluna 2
(__) Não deve ter chovido hoje, porque a grama está seca.
(__) Leve um casaco, pois deverá esfriar.
(__) Está sempre com problemas, por isso vive mal-humorado.
(__) A turma deve estar desmotivada, pois muitos alunos ainda não participam da aula.
(__) Não vou ao cinema com vocês porque estou muito cansada.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
Alternativas
Q4427390 Português

A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.



IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas


Veny Santos 


    Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso. 


    Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta. 


    Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas. 


    Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office. 


    O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber. 


    Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas. 


    A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível? 


    Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória. 


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.

No segundo parágrafo, a palavra “porém” interliga 
Alternativas
Q4426575 Português
Assinale a alternativa em que a vírgula apresentada é obrigatória.
Alternativas
Q4425820 Português
Considere o termo em destaque no período abaixo:
“O projeto apresentava excelente viabilidade técnica, contudo não obteve a aprovação orçamentária necessária.”
No contexto em que está empregada, a palavra destacada classifica-se como conjunção:
Alternativas
Respostas
1: E
2: A
3: A
4: E
5: B
6: D
7: C
8: D
9: C
10: A
11: C
12: C
13: B
14: A
15: B
16: D
17: C
18: A
19: C
20: A