Questões de Concurso
Sobre orações coordenadas sindéticas: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas... em português
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Primeira coluna: exemplos
1.Velhos processos sociais e econômicos perduram com novos significados e novas práticas , e valores no nível macro e micro reconfiguram relações entre nações e entre indivíduos.
2.Só beberam água, que faz tanto bem à saúde , e, ao final da festa, um cafezinho.
3.Estava tão envolvida com o que acontecia no palco , e eu não menos, que apenas nos demos as mãos por duas horas. Não trocamos um único olhar. Estávamos hipnotizadas.
Segunda coluna: justificativas
(__)Aparece necessariamente uma vírgula antes e/ou depois da conjunção e na enumeração quando ali se coloca alguma intercalação. Nesse caso, a vírgula não tem relação direta com o e − ela está lá para fechar ou abrir o encaixe apenas.
(__)Emprega-se a vírgula para assinalar a interrupção de um seguimento natural de ideias e se intercalar um juízo de valor ou uma reflexão subsidiária.
(__)Quando duas orações interligadas por e têm sujeitos diferentes, a vírgula é comumente usada junto com a conjunção no intuito de prevenir o leitor contra ambiguidades; e deve realmente ser usada quando a primeira oração acaba com substantivo e o sujeito a seguir é também um substantivo, pois aí é que a leitura pode ficar truncada.
Assinale a alternativa que apresenta a correta associação entre as colunas:
"Em 1936, o próprio Graciliano foi preso, sem processo formal, acusado de envolvimento com a militância comunista, e permaneceu encarcerado por quase um ano."
A respeito desse excerto, analise as afirmativas a seguir e registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)O trecho "sem processo formal" é aposto explicativo do substantivo "preso".
(__)Na construção, a oração principal tem como coordenada a oração "permaneceu encarcerado por quase um ano".
(__)O trecho "acusado de envolvimento com a militância comunista" é uma oração subordinada causal.
(__)Há, na construção, um adjunto adverbial apenas.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
Com base no emprego de "Ainda assim" no trecho, analise as asserções a seguir.
I.A expressão "Ainda assim" poderia ser substituída por "Por conseguinte", sem prejuízo da coerência e do sentido original do trecho.
PORQUE
II.A expressão "Ainda assim" introduz uma ressalva ao que foi afirmado no período anterior, estabelecendo com ele relação de contraste, o mesmo valor atribuído a "por conseguinte".
A respeito das asserções, assinale a alternativa correta.
“As orações coordenadas sindéticas explicativas exprimem uma justificativa uma razão da declaração feita na oração anterior. Já as conclusivas exprimem uma consequência deduzida da oração anterior.” Fonte: CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexicon, 2008, p. 598. Com base na doutrina de Celso Cunha e Lindley Cintra sobre as orações coordenadas sindéticas, julgue os itens a seguir em Verdadeiro (V) ou Falso (F):
1. ( ) A oração introduzida pela conjunção “pois”, quando colocada após o verbo da oração principal com valor explicativo, equivale semanticamente a uma oração subordinada causal.
2. ( ) As orações coordenadas conclusivas introduzidas por “logo” ou “portanto” podem vir antecipadas à oração que encerra a causa, mantendo inalterada a classificação sintática de conclusiva.
3. ( ) A coordenação sindética explicativa diferencia-se estruturalmente da subordinada causal porque aquela possui natureza puramente argumentativa e dialógica de justificativa de um ato de fala, enquanto esta subordina formalmente o fato causal ao efeito.
Assinale a opção que apresenta a sequência correta:
Leia o período:
"O setor ampliou o horário de atendimento; ainda assim, a procura permaneceu elevada. Em razão disso, foi necessário reorganizar a distribuição das equipes."
Assinale a alternativa que apresenta análise correta das relações de sentido estabelecidas pelos conectivos destacados.
Leia o Texto 3 para responder à questão.
Texto 3
Sou compulsiva, eu sei. Limpeza e arrumação.
Todos os dias boto a mesa, tiro a mesa. Café, almoço, jantar. E pilhas de louças na pia, e espumas redentoras.
Todos os dias entro nos quartos, desfaço camas, desarrumo berços, lençóis ao alto como vela. Para tudo arrumar depois, alisando colchas de crochê.
Sou caprichosa, eu sei. Desce o pó sobre os móveis. Que eu colho na flanela. Escurecem-se as pratas. Que eu esfrego com a camurça. A aranha tece. Que eu enxoto. A traça rói. Que eu esmago. O cupim voa. Que eu afogo na água da tigela sob a luz.
E de vassoura em punho gasto tapetes persas.
Sou perseverante, eu sei. À mesa que ponho ninguém senta. Nas camas que arrumo ninguém dorme. Não há ninguém nesta casa, vazia há tanto tempo.
Mas sem tarefas domésticas, como preencher de feminina honradez a minha vida?
COLASANTI, Marina. Contos de amor rasgados. Rio de Janeiro: Rocco, 1986
A questão se refere ao texto produzido a seguir.
Queimadas no Brasil: o fogo que consome o futuro
Larissa Warnavin
A intensificação das queimadas no Brasil coloca em risco tanto o meio ambiente quanto a saúde pública. A cada incêndio, um pedaço da nossa biodiversidade é destruído. O painel de queimadas do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revela que os focos de queimadas em agosto foram: 25.647 no Norte, 15.948 no Centro-Oeste, 5.996 no Sudeste, 4.366 no Nordeste e 2.019 no Sul. Esses dados se aproximam das máximas históricas registradas para o mês de agosto em 2003 e 2010. O cenário deve se agravar caso a combinação de baixa umidade e altas temperaturas se mantenha.
As condições climáticas atuais, marcadas por longos períodos de seca e umidade relativa do ar entre 12% e 20%, criam um ambiente propício para o surgimento e a propagação de incêndios florestais. Essas queimadas não apenas destroem vastas áreas de vegetação, mas também geram uma quantidade significativa de fumaça, que se espalha pelas cidades e afeta a qualidade do ar.
A saúde da população também está em jogo. O material particulado (PM 2,5) liberado pela fumaça das queimadas pode penetrar nos pulmões e até entrar na corrente sanguínea, causando uma série de problemas de saúde. Os impactos vão desde irritações leves nos olhos e garganta até doenças respiratórias graves e complicações cardiovasculares. Além disso, a exposição prolongada à fumaça pode reduzir a expectativa de vida e aumentar a mortalidade por doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente em pessoas mais vulneráveis, como idosos e crianças. Por esse motivo, especialistas em saúde indicam o uso de máscaras pelos cidadãos das cidades que estão sendo acometidas pela fumaça das queimadas.
Diante dessa situação, uma questão se impõe: ainda há tempo para reverter esse quadro? A resposta é complexa e a solução exige ações rápidas e coordenadas. Medidas emergenciais, como a intensificação do combate aos focos de incêndio e a criação de faixas de segurança (aceiros) ao redor de áreas de risco, são essenciais para conter o avanço das queimadas. Além disso, é fundamental que a população seja conscientizada sobre os perigos de provocar incêndios, seja de forma intencional ou acidental.
No entanto, essas ações talvez não sejam suficientes para resolver o problema a longo prazo. As queimadas no Brasil estão profundamente enraizadas em práticas agrícolas inadequadas, como o uso do fogo para limpar pastagens, e no desmatamento, que fragiliza os ecossistemas e os torna mais suscetíveis a incêndios. Portanto, é necessário um esforço coletivo por parte das autoridades para reforçar a fiscalização contra o desmatamento ilegal e principalmente por parte dos produtores rurais para promover práticas agrícolas mais sustentáveis e que evitem o uso do fogo.
Além disso, as queimadas no Brasil estão diretamente ligadas às mudanças climáticas globais, que têm tornado os períodos de seca mais intensos e prolongados. Por isso, o país precisa adotar políticas mais ambiciosas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se comprometer com os acordos internacionais de combate ao aquecimento global.
Diante dessa calamidade, precisamos de uma resposta coletiva que envolva o governo, o setor privado e a sociedade civil para implementar políticas que protejam nossos ecossistemas e a saúde da população. As queimadas são um sintoma de um problema maior que só poderá ser resolvido com uma abordagem sistêmica e sustentável, que preserve tanto o meio ambiente quanto a qualidade de vida da população. Precisamos evitar que o fogo consuma o futuro das próximas gerações.
Disponível em:
No entanto, essas ações talvez não sejam suficientes para resolver o problema a longo prazo. As queimadas no Brasil estão profundamente enraizadas em práticas agrícolas inadequadas, como o uso do fogo para limpar pastagens, e no desmatamento, que fragiliza os ecossistemas e os torna mais suscetíveis a incêndios. Portanto, é necessário um esforço coletivo por parte das autoridades para reforçar a fiscalização contra o desmatamento ilegal e principalmente por parte dos produtores rurais para promover práticas agrícolas mais sustentáveis e que evitem o uso do fogo.
No trecho, a conjunção “portanto” liga
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa.
No segundo período,
Ora lia, ora fingia ler para impressionar aos demais passageiros.
A conjunção coordenativa da frase deve ser classificada em:
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.
A paralisação das pesquisas com inteligência artificial
Diogo Cortiz
Paralisar as pesquisas em inteligência artificial (IA) é impraticável e não atende a demandas urgentes. Esse assunto começou com uma carta publicada pelo instituto Future of Life, assinada por cientistas e figuras públicas como Elon Musk e Yuval Harari, pedindo que o treinamento de modelos de IA mais poderosos do que o GPT-4 — robô capaz de gerar textos sobre diversos assuntos — fosse interrompido por seis meses.
Quando li a carta pela primeira vez, fiquei entusiasmado ao ver a assinatura de alguns acadêmicos que influenciaram minha pesquisa. Até pensei em assiná-la, não só pelos nomes aos quais faria companhia mas também porque o avanço da IA me preocupa. A tecnologia trará consequências imprevisíveis nas dimensões econômica, social, política, cultural e cognitiva.
No entanto, após estudá-la com atenção, mudei de ideia. O conteúdo é superficial e com interesses latentes. A carta fundamenta seus argumentos em riscos hipotéticos ligados ao "longotermismo", corrente de pensamento do Vale do Silício que ignora problemas atuais para se preocupar com cenários de futuros não necessariamente inclusivos.
A carta pergunta se devemos desenvolver mentes não humanas que eventualmente nos superem e coloquem em risco o controle da nossa civilização, um questionamento com importância especulativa, mas não aborda temas imediatos, como algoritmos discriminatórios, anotação de dados com mão de obra barata, coleta global massiva de dados e concentração de poder.
A proposta de pausar o treinamento para conter uma possível IA super-humana desvia o foco do debate global com ênfase em transparência, responsabilidade e regulação. Além disso, seis meses não seriam suficientes nem para iniciar a discussão. É curioso observar que a OpenAI já esperou seis meses antes de liberar acesso ao seu modelo GPT-4, mas ainda assim não divulgou qualquer informação técnica sobre a IA ou os dados utilizados no treinamento.
O problema não está na pesquisa e treinamento de IA em si, mas no seu uso comercial sem transparência e regras. Estamos no berçário dos modelos amplos de linguagem (GPT-4, LaMDA, entre outros) e é fundamental continuarmos com as pesquisas para entender o seu funcionamento, melhorar suas capacidades, reduzir seus erros e aumentar o alinhamento com os interesses da sociedade. Isso demanda pesquisas e treinamentos adicionais, porque não adianta discutir critérios éticos e de segurança sem saber como aplicá-los.
Além disso, pausar o treinamento em IA é impraticável devido à acirrada competição não só entre empresas do Vale do Silício, mas também entre nações. Embora a carta não especifique uma fronteira geográfica, é evidente que há uma carga cultural ocidental em sua essência. A China, por exemplo, tem preocupações, regras e objetivos diferentes.
Em vez de pedir a suspensão, precisamos demandar transparência e responsabilidade das organizações enquanto debatemos orientações e critérios para a liberação dos modelos, com foco em consequências imediatas. A IA tem potencial para criar novos paradigmas sociais, econômicos e afetivos; por isso não podemos deixar que o futuro da humanidade seja desenhado por meia dúzia de empresas.
O que precisamos são regulações que imponham transparência e exijam que as organizações documentem e divulguem, no mínimo, os dados de treinamento e arquitetura de seus modelos. No Brasil, temos outras preocupações adicionais, como a coleta de dados de brasileiros e a concentração de poder nas mãos de poucas empresas do exterior. Nenhuma dessas questões será aprofundada com uma pausa nas pesquisas.
Disponível em: https://www.folha.uol.com.br/. Acesso em: 23 ago. 2026. (texto adaptado)
Coluna 1
1.Conjunção coordenativa explicativa.
2.Conjunção subordinativa causal.
3.Conjunção coordenativa conclusiva.
Coluna 2
(__) Não deve ter chovido hoje, porque a grama está seca.
(__) Leve um casaco, pois deverá esfriar.
(__) Está sempre com problemas, por isso vive mal-humorado.
(__) A turma deve estar desmotivada, pois muitos alunos ainda não participam da aula.
(__) Não vou ao cinema com vocês porque estou muito cansada.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA, de cima para baixo.
A questão refere-se ao texto reproduzido a seguir.
IA de Quebrada: periferias precisam dominá-la para não serem dominadas
Veny Santos
Há que se dominar o saber antes que ele domine o ser e se torne capaz de produzir, moldar e condicionar imaginários a ponto de instrumentalizar o indivíduo — e não o contrário. Faz-se indispensável um elemento básico, tão escasso a depender de determinadas condições sociais: acesso.
Hoje, despejam-se em anúncios toneladas de ofertas de cursos sobre inteligência artificial, na maioria dos casos com foco em negócios e na eterna corrida para ser o mais competitivo. Porém, em se tratando de uma ferramenta tão nova e de veloz desenvolvimento, basta já torná-la, desde o início, um conhecimento deveras exclusivo para justificar seu valor? Não basta.
Àqueles e àquelas que ainda vivem sob o manto da exclusão digital, sem oportunidade de aprender a operar saberes novos, restam duas opções: esperar que mais uma tecnologia os engula ou dar seus pulos e abocanhar com firmeza a farta fatia que parece ser sempre oferecida para bocas poucas.
Uma fotografia. O Windows era 1998, mas o ano 2002. Um garoto, no auge dos seus 15 anos, concluía o que, à época, em seu bairro de periferia, parecia ser o auge da oportunidade para o futuro: o curso básico de computação. Tirando os quatro computadores, a infraestrutura em nada era inédita. Tratava-se da sala de uma casa, simples em sua materialidade, mas já deslumbrante e sofisticada na atmosfera moderna e digital que passava. Escrever, criar tabelas, organizar apresentações. Foi assim que aprendeu a utilizar o pacote Office.
O pai contou moedas, literalmente, para honrar as mensalidades. Ele, que se orgulhava de ter concluído um curso de datilografia na sua juventude, agora imaginava o filho digitando com a mesma destreza frases e mais frases num teclado outro. A chance de aprender a operacionalizar aquela tecnologia que prometia — e, de certa forma, cumpriu tal promessa —inserir a humanidade em uma nova era mudou sua relação com o saber.
Permitiu ao menino imaginar possibilidades de uso do computador e seus softwares para além da passividade desejada por quem resumia tal treinamento apenas à preparação para o mercado de trabalho. Também era, mas não só, até porque, sabe-se bem, este mercado diz privilegiar mentes criativas, entretanto pouco contribui para a emancipação técnica das massas.
A inteligência artificial precisa ser dominada nas quebradas, sem medo, mas com parcimônia. Cada região periférica não pode, mais uma vez, ficar à margem do que já é elemento central do desenvolvimento tecnológico e cujos impactos serão sociais, políticos, econômicos, culturais e psicológicos. Quanto a este último elemento, reforça-se o alerta para os cuidados com a própria relação subjetiva que as pessoas passam a ter com tal ferramenta. Como será impactada a elaboração do imaginário das novas gerações já ligadas a esta inteligência? Como serão condicionadas as cognições diante da ferramenta que busca ser o mais humana possível?
Sem treinamento, orientação, reflexão e regulamentação, o uso da IA se manterá restrito e, quando chegar às periferias, provavelmente dominará as mentes criativas podando seus imaginários e empacotando-os como mercadoria para uma realidade de trabalho limitante e exploratória.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/. Acesso em 15 Out. 2024.
“O projeto apresentava excelente viabilidade técnica, contudo não obteve a aprovação orçamentária necessária.”
No contexto em que está empregada, a palavra destacada classifica-se como conjunção: