Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q4126759 Português
O cartaz nos chama a atenção para:

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Q4124190 Português
Analise o excerto a seguir, para responder à questão.

As estruturas que formam os cometas estão divididas em três partes: cabeleira, cauda e núcleo. A formação dessas estruturas está diretamente ligada com o aquecimento do gelo e dos demais materiais que constituem o corpo celeste. Isso acontece, justamente, quando os cometas se encontram no ponto elíptico de sua órbita que é mais próximo do Sol: o periélio.
Analise as afirmativas a seguir e assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
O parágrafo dado se refere à __________.
I. aparência dos cometas na atmosfera terrestre.
II. formação dos cometas.
III. posição da cauda do cometa quando de frente para o Sol.
Assinale a alternativa correta.
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Q4124108 Português
Leia atentamente a afirmação sublinhada: “As bananas são fáceis de se cultivar. Segundo a afirmação, pode-se concluir que:
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Q4119462 Português
O texto a seguir contextualiza a questão. Leia-o atentamente.


A linguagem humana e as línguas do mundo

A linguagem articulada é uma faculdade exclusivamente humana e, por sua capacidade simbólica, representa um dos mais importantes fatores que nos diferenciam das outras espécies. As abelhas, as formigas, os lobos e os chimpanzés têm relações sociais, de poder, de hierarquia e comunicam-se entre si, mas o ser humano é o único que é capaz de criar representações abstratas. Isso lhe faculta ter consciência de si mesmo e, com a força da sua imaginação, explorar, além do presente, o passado e o futuro. Quando alguém diz algo como “Daqui a três dias estarei em Salvador”, representa, simbolicamente, o tempo (três dias) e o espaço em que pretende estar futuramente (Salvador). Sem o uso da linguagem, isso seria impossível.

Os seres humanos não são os animais mais fortes do planeta, nem os mais ágeis, nem os que correm mais depressa. Revestidos por uma camada de pele fina e delicada, nossa proteção contra as agressões do meio ambiente e as intempéries é bastante limitada. O que nos transformou na espécie dominante do planeta foi o fato de sermos capazes de criar infinitos símbolos vinculados à articulação ordenada de sons. Isso nos deu a possibilidade de, explorando nossa inteligência, nos comunicarmos de maneira extremamente vantajosa em relação aos outros seres vivos. Somos a única espécie capaz de referenciar em ausência, ou seja, podemos falar de lugares e assuntos que não estão presentes no momento e na situação da enunciação. A linguagem, além de nos dar o privilégio, sobretudo por meio da escrita, de transmitir nossa herança cultural às gerações seguintes, acumulando conhecimento, possibilitou o desenvolvimento de um dos nossos maiores diferenciais competitivos: a capacidade de planejar o futuro.

(ABREU, Antônio Suárez. Texto e Gramática: uma visão integrada e funcional para a leitura e a escrita. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2012. – Como eu ensino.)
Considerando o contexto, pode-se afirmar acerca do título atribuído ao texto que:
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Q4119431 Português
“Escola tem papel importante para identificar ansiedade em jovens”, diz psiquiatra


Falta de ar, tremor e crise de choro foram alguns dos sintomas que afetaram 26 estudantes no dia 8 de abril, na escola Ageu Magalhães, em Recife. Um episódio de crise de ansiedade coletiva é “uma situação atípica”, de acordo com o professor de psiquiatria da infância e adolescência da Universidade de São Paulo (USP), Guilherme Polanczyk.

“Quando olhamos alguém em crise, ficamos ansiosos, é uma situação aguda e intensa, é muito particular, só podemos fazer hipóteses sobre o que aconteceu, eventualmente é que todos foram expostos a uma situação extrema de estresse e provavelmente já tinham alguma fragilidade emocional”, afirmou Polanczyk à CNN.

De acordo com Polanczyk, diversos fatores contribuem para evolução de quadros de ansiedade, “situações do ambiente, da família, da escola, exposições a situações traumáticas contam muito”. O psiquiatra reforçou que identificar os casos precocemente é essencial para que a criança ou adolescente receba acompanhamento médico.

“A ansiedade e depressão são experiências emocionais que as pessoas muitas vezes não compartilham com quem está a sua volta, mas medo e preocupação aparecem no comportamento, pais precisam estar sintonizados para identificar esses comportamentos.”

“A escola também tem papel muito importante, ela promove o desenvolvimento de pessoas, saúde mental é parte fundamental para esse desenvolvimento, para que tenham essa ideia de promoção de saúde mental, identificação de problemas”, completou.

O especialista ainda reforçou que há estudos nacionais e internacionais que apontam que o período mais agudo da pandemia de Covid-19 contribuiu para o aumento de casos de ansiedade e depressão na população em geral, e em especial em jovens.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou 25% no primeiro ano da pandemia. O levantamento aponta que jovens e mulheres foram os mais atingidos.

(Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/escola-tempapel-importante-para-identificar-ansiedade-em-jovens-diz-psiquiatra/. Acesso em: 05/05/2022.)
No primeiro parágrafo do texto é feita a identificação de Guilherme Polanczyk. Pode-se afirmar que tal procedimento:
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Q4119166 Português
Texto para responder à questão.

O gigolô das palavras


Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.

Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. [...].

(VERÍSSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras [Fragmento]. In: VERÍSSIMO, Luís Fernando. O nariz. 11. ed. São Paulo: Ática, 2006, p. 91.)
Com base no texto, pode-se concluir que, na opinião do autor, o estudo da gramática:
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Q4119164 Português
Texto para responder à questão.

Apesar de tudo, a educação avançou


Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, mais de 70% dos estudantes do ensino médio não têm conhecimento suficiente em português e matemática. No último Pisa, a principal avaliação escolar do mundo, entre 79 países, o Brasil foi o 57º em leitura, o 66º em ciências e o 70º em matemática. A educação básica no País é ruim. Mas já foi muito pior. As conquistas desde a Constituição de 88 foram expressivas. Em nota técnica – Fim de uma Era. Desafios para a atuação federal na Educação Básica –, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) traçou os últimos 30 anos de evolução, insuficiências e desafios das políticas educacionais.

Em 1988, o Brasil tinha os piores indicadores entre seus pares nas Américas. A média de anos de estudo dos brasileiros de 25 a 65 anos era de 5,1 anos – no Chile, Paraguai e Peru eram, respectivamente, 8,9, 8,8 e 8,2. Só 33% das crianças completavam o primário – no Uruguai e Panamá eram 95% e 91%. Menos de 18% dos jovens cursavam o secundário – no México e Argentina eram 83% e 95%.

Havia falta de vagas nas escolas; os professores tinham baixa escolaridade, não recebiam formação específica e ganhavam salários irrisórios; o financiamento era escasso e mal distribuído; faltavam parâmetros mínimos para as redes escolares; inexistia um sistema de avaliação; e a falta de clareza na sociedade sobre a importância da educação era generalizada.

De lá para cá, o Brasil construiu um dos melhores sistemas de avaliação entre os países em desenvolvimento, as competências do governo federal, Estados e municípios foram detalhadas, a formação e remuneração dos professores melhoraram substancialmente e os recursos cresceram e passaram a ser fiscalizados com mais rigor. Hoje, o financiamento por aluno é cinco vezes maior, quase todas as crianças têm acesso a uma escola e a taxa de término do primário saltou de 33% para 80%.

Mas, apesar desses avanços quantitativos, qualitativamente os resultados estão bem aquém do desejável. “O Brasil se empenhou em organizar e fortalecer o ensino público”, resumem os pesquisadores do Ipea, “e o resultado foi esse: a criança começa aprendendo em níveis razoáveis e termina o ensino médio com uma inaptidão irrazoável.”

O desafio de uma evolução nacional passa necessariamente pela articulação federativa. No Brasil o ensino fundamental é primordialmente de responsabilidade dos municípios; o médio, dos Estados; e o superior, da União. O governo federal não atua diretamente sobre os resultados da educação básica, mas pode aprimorá-los por meio da coordenação, financiamento e avaliação.

Em 2009, o Sistema Nacional de Educação foi inserido na Constituição para articular a cooperação federativa com vistas ao alcance das metas do Plano Nacional de Educação. Mas as atuais comissões intergovernamentais ou têm caráter protocolar, como a que discute os parâmetros do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb), ou não contam com a participação de Estados e municípios, como o Conselho Deliberativo do FNDE. Falta uma instância única com legitimidade para congregar não só os gestores da Educação, mas os da Fazenda e Planejamento nos três níveis de governo.

Como resume o Ipea, uma boa articulação federal entre coordenação, financiamento e avaliação pode estabelecer bases curriculares flexíveis, adaptáveis às inovações pedagógicas e demandas do mercado de trabalho; diminuir iniquidades salariais dos professores por meio de uma complementação mais equitativa via Fundeb; construir processos formativos direcionados às lacunas de aprendizado e aptos a mensurar as competências desenvolvidas pelos estudantes; e estimular trocas das melhores práticas entre municípios e Estados.

As conquistas da última geração, sobretudo no acesso e fluxo escolares, mostram que os preceitos constitucionais sobre educação estão no caminho certo. Mas a geração presente precisará de muito esforço para capitalizar esses ganhos e materializar esses preceitos não só em uma educação aberta a todos, mas de excelência para cada um.

(Apesar de tudo, a educação avançou. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, nº 46.823, 28/12/2021. Notas e Informações, p. A3.)
De acordo com o texto, pode-se concluir que a educação brasileira: 
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Q4119161 Português
Texto para responder à questão.

Apesar de tudo, a educação avançou


Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, mais de 70% dos estudantes do ensino médio não têm conhecimento suficiente em português e matemática. No último Pisa, a principal avaliação escolar do mundo, entre 79 países, o Brasil foi o 57º em leitura, o 66º em ciências e o 70º em matemática. A educação básica no País é ruim. Mas já foi muito pior. As conquistas desde a Constituição de 88 foram expressivas. Em nota técnica – Fim de uma Era. Desafios para a atuação federal na Educação Básica –, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) traçou os últimos 30 anos de evolução, insuficiências e desafios das políticas educacionais.

Em 1988, o Brasil tinha os piores indicadores entre seus pares nas Américas. A média de anos de estudo dos brasileiros de 25 a 65 anos era de 5,1 anos – no Chile, Paraguai e Peru eram, respectivamente, 8,9, 8,8 e 8,2. Só 33% das crianças completavam o primário – no Uruguai e Panamá eram 95% e 91%. Menos de 18% dos jovens cursavam o secundário – no México e Argentina eram 83% e 95%.

Havia falta de vagas nas escolas; os professores tinham baixa escolaridade, não recebiam formação específica e ganhavam salários irrisórios; o financiamento era escasso e mal distribuído; faltavam parâmetros mínimos para as redes escolares; inexistia um sistema de avaliação; e a falta de clareza na sociedade sobre a importância da educação era generalizada.

De lá para cá, o Brasil construiu um dos melhores sistemas de avaliação entre os países em desenvolvimento, as competências do governo federal, Estados e municípios foram detalhadas, a formação e remuneração dos professores melhoraram substancialmente e os recursos cresceram e passaram a ser fiscalizados com mais rigor. Hoje, o financiamento por aluno é cinco vezes maior, quase todas as crianças têm acesso a uma escola e a taxa de término do primário saltou de 33% para 80%.

Mas, apesar desses avanços quantitativos, qualitativamente os resultados estão bem aquém do desejável. “O Brasil se empenhou em organizar e fortalecer o ensino público”, resumem os pesquisadores do Ipea, “e o resultado foi esse: a criança começa aprendendo em níveis razoáveis e termina o ensino médio com uma inaptidão irrazoável.”

O desafio de uma evolução nacional passa necessariamente pela articulação federativa. No Brasil o ensino fundamental é primordialmente de responsabilidade dos municípios; o médio, dos Estados; e o superior, da União. O governo federal não atua diretamente sobre os resultados da educação básica, mas pode aprimorá-los por meio da coordenação, financiamento e avaliação.

Em 2009, o Sistema Nacional de Educação foi inserido na Constituição para articular a cooperação federativa com vistas ao alcance das metas do Plano Nacional de Educação. Mas as atuais comissões intergovernamentais ou têm caráter protocolar, como a que discute os parâmetros do Fundo Nacional da Educação Básica (Fundeb), ou não contam com a participação de Estados e municípios, como o Conselho Deliberativo do FNDE. Falta uma instância única com legitimidade para congregar não só os gestores da Educação, mas os da Fazenda e Planejamento nos três níveis de governo.

Como resume o Ipea, uma boa articulação federal entre coordenação, financiamento e avaliação pode estabelecer bases curriculares flexíveis, adaptáveis às inovações pedagógicas e demandas do mercado de trabalho; diminuir iniquidades salariais dos professores por meio de uma complementação mais equitativa via Fundeb; construir processos formativos direcionados às lacunas de aprendizado e aptos a mensurar as competências desenvolvidas pelos estudantes; e estimular trocas das melhores práticas entre municípios e Estados.

As conquistas da última geração, sobretudo no acesso e fluxo escolares, mostram que os preceitos constitucionais sobre educação estão no caminho certo. Mas a geração presente precisará de muito esforço para capitalizar esses ganhos e materializar esses preceitos não só em uma educação aberta a todos, mas de excelência para cada um.

(Apesar de tudo, a educação avançou. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, nº 46.823, 28/12/2021. Notas e Informações, p. A3.)
A questão principal problematizada no texto é: 
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Q4115605 Português
Analise o excerto a seguir para responder a questão.

    Os cometas são corpos celestes que, junto com os planetas e asteroides, integram o Sistema Solar. Eles são descritos por astrônomos como "pedras de gelo sujo". Isso se deve a sua constituição, que é, basicamente, gases congelados, poeira cósmica e rochas. Esses corpos celestes possuem órbita em formato de elipse em torno do Sol. Logo, a proximidade em relação ao astro varia de acordo com a posição em que estão localizados.
Em relação à compreensão das informações fornecidas, podemos afirmar que o texto predominantemente se refere à ______.
Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
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Q4115583 Português

AS AULAS “CHATAS” DE FÁBIO



Celso Antunes*


O CASO:

Fábio, professor de Língua Portuguesa, parece reunir todas as condições que se consideram essenciais a um bom educador. Excelente formação acadêmica, ávido leitor, pesquisador interessado e extremamente capaz de se solidarizar com os colegas é reconhecido por todos, inclusive pela maior parte de seus alunos, como uma “pessoa extremamente simpática”, com grande potencial para fazer amizades. Mas, Fábio reconhece que suas aulas são “chatas” e como ouve seus alunos, e consegue mostrar-se sincero e incapaz de valer-se de uma informação para fazer perseguições, sabe que sua opinião sobre a qualidade da aula é por eles referendada. Lê bastante e não apenas temas específicos aos conteúdos que explora, conhece bem os caminhos da motivação humana, mas não descobre estratégia para tornar aulas mais interessantes e, dessa forma, acolher em seus alunos uma recepção com mais entusiasmo para o que busca ensinar. O que fazer?

A ANÁLISE DO CASO:
É possível que o problema enfrentado pelo Fábio não esteja em sua pessoa, mas no desconhecimento sobre situações de aprendizagem significativas. Busca sempre tornar sua aula “interessante”, mas a única estratégia de ensino que aprendeu foi a “aula expositiva” e, por essa razão, passa aos alunos a monotonia de uma estratégia que a maior parte de seus colegas repete, provocando o desinteresse, o tédio e a evasão pela indisciplina.


*Escritor, professor e especialista em inteligência e cognição. Nasceu em
São Paulo, em 1937.
Disponível em: http://www.celsoantunes.com.br/as-aulas-chatas-de-fabio/. Adaptado.
O texto de Celso Antunes afirma que “a única estratégia de ensino que [Fábio] aprendeu foi a ‘aula expositiva’”.
Com relação às formas distintas de se trabalhar o aprendizado, segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), avalie as metodologias ativas que podem ser aplicadas em sala de aula.
I - Usar aulas padronizadas. II - Utilizar a sala de aula invertida. III - Expor conteúdos programáticos. IV - Promover seminários e discussões. V - Fomentar aprendizagem baseada em problemas (PBL).

Está correto apenas o que se apresenta em 
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Q4115580 Português

AS AULAS “CHATAS” DE FÁBIO



Celso Antunes*


O CASO:

Fábio, professor de Língua Portuguesa, parece reunir todas as condições que se consideram essenciais a um bom educador. Excelente formação acadêmica, ávido leitor, pesquisador interessado e extremamente capaz de se solidarizar com os colegas é reconhecido por todos, inclusive pela maior parte de seus alunos, como uma “pessoa extremamente simpática”, com grande potencial para fazer amizades. Mas, Fábio reconhece que suas aulas são “chatas” e como ouve seus alunos, e consegue mostrar-se sincero e incapaz de valer-se de uma informação para fazer perseguições, sabe que sua opinião sobre a qualidade da aula é por eles referendada. Lê bastante e não apenas temas específicos aos conteúdos que explora, conhece bem os caminhos da motivação humana, mas não descobre estratégia para tornar aulas mais interessantes e, dessa forma, acolher em seus alunos uma recepção com mais entusiasmo para o que busca ensinar. O que fazer?

A ANÁLISE DO CASO:
É possível que o problema enfrentado pelo Fábio não esteja em sua pessoa, mas no desconhecimento sobre situações de aprendizagem significativas. Busca sempre tornar sua aula “interessante”, mas a única estratégia de ensino que aprendeu foi a “aula expositiva” e, por essa razão, passa aos alunos a monotonia de uma estratégia que a maior parte de seus colegas repete, provocando o desinteresse, o tédio e a evasão pela indisciplina.


*Escritor, professor e especialista em inteligência e cognição. Nasceu em
São Paulo, em 1937.
Disponível em: http://www.celsoantunes.com.br/as-aulas-chatas-de-fabio/. Adaptado.
Um estudo de caso é um tipo de pesquisa presente nas ciências sociais que envolve a observação detalhada de um sujeito do estudo. Ao estruturar a crônica na forma de um estudo de caso, o autor objetivou
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Q4115299 Português
A solidão amiga


A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro “A chama de uma vela”, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxuleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis”. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a sua solidão?” Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

(ALVES, Rubem. Correio Popular. Em: 30/06/2002. Adaptado.)
Considerando a reflexão sobre a leitura e construção de sentidos no espaço escolar, assinale a afirmativa INCORRETA. 
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Q4115293 Português
A solidão amiga


A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro “A chama de uma vela”, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxuleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis”. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a sua solidão?” Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

(ALVES, Rubem. Correio Popular. Em: 30/06/2002. Adaptado.)
Considerando que a semântica é a ciência que se dedica ao estudo do significado e a interpretação dos significados das palavras, frases, ou expressões dentro de um específico contexto, relacione adequadamente os termos destacados com as ideias por eles referidas.

1. Finalidade.
2. Lugar.
3. Companhia.

( ) “A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa.” (1º§)
( ) “Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera.” (1º§)
( ) “O remédio era sair, encontrar-se com a turma [...]” (2º§)

A sequência está correta em
Alternativas
Q4115290 Português
A solidão amiga


A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão… O que mais você deseja é não estar em solidão…

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir música… Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa… Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão… A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro “A chama de uma vela”, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxuleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis”. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a sua solidão?” Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

(ALVES, Rubem. Correio Popular. Em: 30/06/2002. Adaptado.)
Indubitavelmente, a solidão não deve ser confundida apenas com o“estar só”, isolado fisicamente, ou socialmente. Muito mais um estado de espírito que algo físico, corporal,de proximidade, podese estar só no meio da multidão. É possível depreender que o título textual “A solidão amiga” expressa um(a):
Alternativas
Q4115242 Português

Recado ao Senhor 903


        Vizinho.


        Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em meia- -noite – e a sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a lei e a polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando o 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a leste pelo 1005, a oeste pelo 1001, ao sul pelo oceano Atlântico, ao norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago sul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão: ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 horas às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará até o 527 de outra rua, onde trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando o número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhes desculpas – e prometo silêncio. 


       Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: “Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou”. E o outro respondesse: “Entra vizinho, e come do meu pão e bebe do meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela”.


       E o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa nas árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.


 (BRAGA, Rubem. Portal da Crônica Brasileira. Crônicas. Acervo Fundação Casa de Rui Barbosa. Adaptado.)

Considerando o excerto “Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando o número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos.” (2º§), é possível depreender que: 
Alternativas
Q4115109 Português
Leia o texto e responda o que for solicitado no comando da questão.


Vocação: Guru.


A profissão de palpitar na vida alheia continua sendo um sucesso.


    Ser guru sempre foi uma excelente carreira. Houve a época dos gurus indianos como o Maharishi que, impulsionados pelos Beatles, se projetaram no mundo, passaram a ganhar em dólares e dificilmente mantiveram a dieta de arroz integral. Bandos de jovens ocidentais foram para India onde entravam em conexão com o cosmo limpando e lavando o espaço da seita, os aposentos do guru e tudo mais - para adquirir transcendência.

    Há gurus de marketing, de preparação física, de vida amorosa. Tornar-se um é muito lucrativo. Não é preciso jejuar, dormir sobre tábuas e dar exemplos diários de humildade e elevação, como os mestres indianos. Pelo contrário. Adotam a máxima de que cuidar bem do corpo é um ato espiritual - e nisso estão incluídos os menus degustação.

    Já assisti ao surgimento de vários gurus. Um deles era analista de marketing. Perdeu o emprego careta. Fiquei sem vê-lo por algum tempo. Quando nos reencontramos, ele se especializara num tratamento alternativo que, com alguns apertões em certas áreas do corpo faria a pessoa esquecer todos os traumas e desabrochar como ser humano. Não fui experimentar, não posso opinar sobre a qualidade. Mas ele estava pleno, tendo alcançado seu lugar no mundo. Os que explodem com livros e palestras ficam até ricos. Seu escopo é jogar as pessoas para cima, propor superações.

    Em geral um guru, desde novinho, fala o que é certo, errado, do que se deve fugir, e o que abraçar. Um bom livro de literatura é mais profundo sobre a vida do que qualquer um dos seus textos. Mas eles facilitam, simplificam, mastigam ideias.

    Qual a fórmula para se tornar um guru? Em primeiro lugar, a atitude de querer dar palpite na vida alheia. É preciso ter o prazer de aconselhar, encaminhar, até mesmo ameaçar com uma vida horrível caso as pessoas não sigam suas instruções.


    Fundamental também é conhecer a área sobre a qual estabelecer seus tentáculos. É preciso estar presente no que se acredita. Nunca vou esquecer do meu trauma ao conhecer um professor de ioga barrigudo. Sei muito bem que ioga não é para emagrecer. Mas... foi uma surpresa.

    Gostar de ganhar bem é um ponto importante. É preciso fazer contas, vender palestras, livros, cursos. Hoje em dia vivese uma explosão de cursos on-line, e a autoajuda é um dos terrenos mais prolíficos. É preciso acreditar no que diz, agir como prega. Com a internet, a vida de guru se tornou espinhosa, qualquer tropeço, vira meme, notícia... risco de cancelamento! 

    Os gurus que conheci ao longo da vida reuniam todas essas características. Eu prefiro não seguir gurus, nem ser um ... Não se esqueça, é perigoso deixar que alguém se aposse de sua vida. Pense bem. Só dou um conselho. Se você encontrar alguém que diz como viver, dá dicas de como agir num futuro contato com alienígenas, reflita se quer mesmo esse guru. Afaste-se e vá cuidar da própria vida. Só não deixe que ele cuide da sua. Por que é isso que ele mais ama: palpitar na vida alheia. 


(CARRASCO, Walcyr. Revista VEJA,14 de setembro de 2022.)
O provérbio similar à "Não se esqueça, é perigoso deixar que alguém se aposse da sua vida.":
Alternativas
Q4115100 Português
Leia o texto e responda o que for solicitado no comando da questão.


Vocação: Guru.


A profissão de palpitar na vida alheia continua sendo um sucesso.


    Ser guru sempre foi uma excelente carreira. Houve a época dos gurus indianos como o Maharishi que, impulsionados pelos Beatles, se projetaram no mundo, passaram a ganhar em dólares e dificilmente mantiveram a dieta de arroz integral. Bandos de jovens ocidentais foram para India onde entravam em conexão com o cosmo limpando e lavando o espaço da seita, os aposentos do guru e tudo mais - para adquirir transcendência.

    Há gurus de marketing, de preparação física, de vida amorosa. Tornar-se um é muito lucrativo. Não é preciso jejuar, dormir sobre tábuas e dar exemplos diários de humildade e elevação, como os mestres indianos. Pelo contrário. Adotam a máxima de que cuidar bem do corpo é um ato espiritual - e nisso estão incluídos os menus degustação.

    Já assisti ao surgimento de vários gurus. Um deles era analista de marketing. Perdeu o emprego careta. Fiquei sem vê-lo por algum tempo. Quando nos reencontramos, ele se especializara num tratamento alternativo que, com alguns apertões em certas áreas do corpo faria a pessoa esquecer todos os traumas e desabrochar como ser humano. Não fui experimentar, não posso opinar sobre a qualidade. Mas ele estava pleno, tendo alcançado seu lugar no mundo. Os que explodem com livros e palestras ficam até ricos. Seu escopo é jogar as pessoas para cima, propor superações.

    Em geral um guru, desde novinho, fala o que é certo, errado, do que se deve fugir, e o que abraçar. Um bom livro de literatura é mais profundo sobre a vida do que qualquer um dos seus textos. Mas eles facilitam, simplificam, mastigam ideias.

    Qual a fórmula para se tornar um guru? Em primeiro lugar, a atitude de querer dar palpite na vida alheia. É preciso ter o prazer de aconselhar, encaminhar, até mesmo ameaçar com uma vida horrível caso as pessoas não sigam suas instruções.


    Fundamental também é conhecer a área sobre a qual estabelecer seus tentáculos. É preciso estar presente no que se acredita. Nunca vou esquecer do meu trauma ao conhecer um professor de ioga barrigudo. Sei muito bem que ioga não é para emagrecer. Mas... foi uma surpresa.

    Gostar de ganhar bem é um ponto importante. É preciso fazer contas, vender palestras, livros, cursos. Hoje em dia vivese uma explosão de cursos on-line, e a autoajuda é um dos terrenos mais prolíficos. É preciso acreditar no que diz, agir como prega. Com a internet, a vida de guru se tornou espinhosa, qualquer tropeço, vira meme, notícia... risco de cancelamento! 

    Os gurus que conheci ao longo da vida reuniam todas essas características. Eu prefiro não seguir gurus, nem ser um ... Não se esqueça, é perigoso deixar que alguém se aposse de sua vida. Pense bem. Só dou um conselho. Se você encontrar alguém que diz como viver, dá dicas de como agir num futuro contato com alienígenas, reflita se quer mesmo esse guru. Afaste-se e vá cuidar da própria vida. Só não deixe que ele cuide da sua. Por que é isso que ele mais ama: palpitar na vida alheia. 


(CARRASCO, Walcyr. Revista VEJA,14 de setembro de 2022.)
Sobre o conteúdo da crônica é adequado afirmar:
Alternativas
Q4114993 Português

Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão:



E a vida continua



    Chegou a hora de enfrentar os preconceitos com a velhice.



   Tive bons anos, produtivos e confortáveis. Até pouco tempo, eu acreditava quando diziam que não parecia ter mais de 50. Embora minha vaidade estranhasse não me acharem com 40. Fui tomando consciência e não foi uma coisa rápida. Eu achava ótimo ter direito a filas prioritárias. Vaga garantida em shopping. E mais uma série de vantagens que chegam com a idade. Tudo isso eu achava legal, porque também não acreditava ter a aparência dos prioritários. Até que um dia vi a fila do avião. E lá estavam os idosos. Iguais a mim. Descobri para o mundo, eu tinha me transformado em um senhor de idade. Os mais velhos são discriminados, e a gente nem percebe imediatamente o tamanho do preconceito. Mas quando se fala que alguém é "velho", é como pertencesse a uma categoria menor na sociedade. E a dimensão da velhice muda com a idade de quem olha. Lembro-me de que, aos 20 anos, uma amiga namorava um homem de 40. Diziam que era "velho". Eu hoje tenho saudade dos meus 40 anos. Amar alguém de mais idade pode ser inconcebível para quem tem o corpo em cima e a beleza da juventude. Empregos privilegiam os mais novos. Juventude é associada com dinamismo, energia. Há empresas que aposentam obrigatoriamente quem tem 60 ou pouco mais. Quanto mais envelhece, mais a pessoa fica descartável, embora talvez seja seu momento mais pleno de experiência levo em consideração e criatividade. Agora, na pandemia da Covid-19, houve quem perguntasse se valia a pena manter nos aparelhos os mais velhos. O preconceito da idade já recebeu até nomes: ageísmo e etarismo entre outros.


   Nem levo em consideração piadas com minha idade. A gente não envelhece. Mas se recria.


  A rotina da vida se transforma. Outro dia li na internet que depois dos 30 ressaca parece uma dengue. E 30 é tão pouquinho. De repente, quando viajo, há tanto remédio pra levar. Não estou falando de nada grave. Mas de "por via das dúvidas". Vai que eu tenha um não sei quê... Tudo começou com um necessaire, mas agora é uma malinha inteira, tentando abarcar todas as situações de emergência. Mas claro, se tenho alguma coisa... Precisa-se justamente do remédio em que ninguém pensou. Tenho minhas obrigações: 3 litros de água por dia, no mínimo; caminhadas... Dizem que para manter o cérebro ativo é bom aprender línguas. Outro dia estava procurando aulas de aramaico!


   A paisagem em torno da gente vai sumindo. Perdem-se pessoas, de algumas não se ouve mais falar e um dia vem a notícia: "Você soube do fulano?". O preconceito não é só dos mais jovens. Os próprios idosos se discriminam. Difícil ver o dono de uma empresa contratar alguém de sua própria idade. Muitos se atiram em procedimentos estéticos como se envelhecer não fosse parte de um processo da vida. Eu, você, todos nós estamos envelhecendo neste momento.


   As pessoas continuam lá com sua genialidade. Seu fascínio. Portanto, se me insinuam "você não tem mais idade para isso", só sorrio. Nem levo em consideração piadas com minha idade. Não vou enfrentar essa discriminação. A gente não envelhece. Mas se recria. A vida é linda, e continua.



(Walcyr Carrasco. Revista VEJA. 26 de janeiro, 2022. ed. 2773)

"Precisa-se justamente do remédio em quem ninguém pensou.", o modalizador "justamente" indica:
Alternativas
Q4114989 Português

Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão:



E a vida continua



    Chegou a hora de enfrentar os preconceitos com a velhice.



   Tive bons anos, produtivos e confortáveis. Até pouco tempo, eu acreditava quando diziam que não parecia ter mais de 50. Embora minha vaidade estranhasse não me acharem com 40. Fui tomando consciência e não foi uma coisa rápida. Eu achava ótimo ter direito a filas prioritárias. Vaga garantida em shopping. E mais uma série de vantagens que chegam com a idade. Tudo isso eu achava legal, porque também não acreditava ter a aparência dos prioritários. Até que um dia vi a fila do avião. E lá estavam os idosos. Iguais a mim. Descobri para o mundo, eu tinha me transformado em um senhor de idade. Os mais velhos são discriminados, e a gente nem percebe imediatamente o tamanho do preconceito. Mas quando se fala que alguém é "velho", é como pertencesse a uma categoria menor na sociedade. E a dimensão da velhice muda com a idade de quem olha. Lembro-me de que, aos 20 anos, uma amiga namorava um homem de 40. Diziam que era "velho". Eu hoje tenho saudade dos meus 40 anos. Amar alguém de mais idade pode ser inconcebível para quem tem o corpo em cima e a beleza da juventude. Empregos privilegiam os mais novos. Juventude é associada com dinamismo, energia. Há empresas que aposentam obrigatoriamente quem tem 60 ou pouco mais. Quanto mais envelhece, mais a pessoa fica descartável, embora talvez seja seu momento mais pleno de experiência levo em consideração e criatividade. Agora, na pandemia da Covid-19, houve quem perguntasse se valia a pena manter nos aparelhos os mais velhos. O preconceito da idade já recebeu até nomes: ageísmo e etarismo entre outros.


   Nem levo em consideração piadas com minha idade. A gente não envelhece. Mas se recria.


  A rotina da vida se transforma. Outro dia li na internet que depois dos 30 ressaca parece uma dengue. E 30 é tão pouquinho. De repente, quando viajo, há tanto remédio pra levar. Não estou falando de nada grave. Mas de "por via das dúvidas". Vai que eu tenha um não sei quê... Tudo começou com um necessaire, mas agora é uma malinha inteira, tentando abarcar todas as situações de emergência. Mas claro, se tenho alguma coisa... Precisa-se justamente do remédio em que ninguém pensou. Tenho minhas obrigações: 3 litros de água por dia, no mínimo; caminhadas... Dizem que para manter o cérebro ativo é bom aprender línguas. Outro dia estava procurando aulas de aramaico!


   A paisagem em torno da gente vai sumindo. Perdem-se pessoas, de algumas não se ouve mais falar e um dia vem a notícia: "Você soube do fulano?". O preconceito não é só dos mais jovens. Os próprios idosos se discriminam. Difícil ver o dono de uma empresa contratar alguém de sua própria idade. Muitos se atiram em procedimentos estéticos como se envelhecer não fosse parte de um processo da vida. Eu, você, todos nós estamos envelhecendo neste momento.


   As pessoas continuam lá com sua genialidade. Seu fascínio. Portanto, se me insinuam "você não tem mais idade para isso", só sorrio. Nem levo em consideração piadas com minha idade. Não vou enfrentar essa discriminação. A gente não envelhece. Mas se recria. A vida é linda, e continua.



(Walcyr Carrasco. Revista VEJA. 26 de janeiro, 2022. ed. 2773)

A oração interrogativa: "Você soube do fulano?" Sugere:
Alternativas
Q4114984 Português

Leia o texto e responda o que se pede no comando da questão:



E a vida continua



    Chegou a hora de enfrentar os preconceitos com a velhice.



   Tive bons anos, produtivos e confortáveis. Até pouco tempo, eu acreditava quando diziam que não parecia ter mais de 50. Embora minha vaidade estranhasse não me acharem com 40. Fui tomando consciência e não foi uma coisa rápida. Eu achava ótimo ter direito a filas prioritárias. Vaga garantida em shopping. E mais uma série de vantagens que chegam com a idade. Tudo isso eu achava legal, porque também não acreditava ter a aparência dos prioritários. Até que um dia vi a fila do avião. E lá estavam os idosos. Iguais a mim. Descobri para o mundo, eu tinha me transformado em um senhor de idade. Os mais velhos são discriminados, e a gente nem percebe imediatamente o tamanho do preconceito. Mas quando se fala que alguém é "velho", é como pertencesse a uma categoria menor na sociedade. E a dimensão da velhice muda com a idade de quem olha. Lembro-me de que, aos 20 anos, uma amiga namorava um homem de 40. Diziam que era "velho". Eu hoje tenho saudade dos meus 40 anos. Amar alguém de mais idade pode ser inconcebível para quem tem o corpo em cima e a beleza da juventude. Empregos privilegiam os mais novos. Juventude é associada com dinamismo, energia. Há empresas que aposentam obrigatoriamente quem tem 60 ou pouco mais. Quanto mais envelhece, mais a pessoa fica descartável, embora talvez seja seu momento mais pleno de experiência levo em consideração e criatividade. Agora, na pandemia da Covid-19, houve quem perguntasse se valia a pena manter nos aparelhos os mais velhos. O preconceito da idade já recebeu até nomes: ageísmo e etarismo entre outros.


   Nem levo em consideração piadas com minha idade. A gente não envelhece. Mas se recria.


  A rotina da vida se transforma. Outro dia li na internet que depois dos 30 ressaca parece uma dengue. E 30 é tão pouquinho. De repente, quando viajo, há tanto remédio pra levar. Não estou falando de nada grave. Mas de "por via das dúvidas". Vai que eu tenha um não sei quê... Tudo começou com um necessaire, mas agora é uma malinha inteira, tentando abarcar todas as situações de emergência. Mas claro, se tenho alguma coisa... Precisa-se justamente do remédio em que ninguém pensou. Tenho minhas obrigações: 3 litros de água por dia, no mínimo; caminhadas... Dizem que para manter o cérebro ativo é bom aprender línguas. Outro dia estava procurando aulas de aramaico!


   A paisagem em torno da gente vai sumindo. Perdem-se pessoas, de algumas não se ouve mais falar e um dia vem a notícia: "Você soube do fulano?". O preconceito não é só dos mais jovens. Os próprios idosos se discriminam. Difícil ver o dono de uma empresa contratar alguém de sua própria idade. Muitos se atiram em procedimentos estéticos como se envelhecer não fosse parte de um processo da vida. Eu, você, todos nós estamos envelhecendo neste momento.


   As pessoas continuam lá com sua genialidade. Seu fascínio. Portanto, se me insinuam "você não tem mais idade para isso", só sorrio. Nem levo em consideração piadas com minha idade. Não vou enfrentar essa discriminação. A gente não envelhece. Mas se recria. A vida é linda, e continua.



(Walcyr Carrasco. Revista VEJA. 26 de janeiro, 2022. ed. 2773)

O termo "discriminado” só não tem o mesmo sentido de:
Alternativas
Respostas
18241: A
18242: B
18243: A
18244: C
18245: A
18246: C
18247: D
18248: A
18249: C
18250: D
18251: D
18252: B
18253: A
18254: C
18255: A
18256: D
18257: C
18258: C
18259: D
18260: B