Questões de Concurso Sobre noções gerais de compreensão e interpretação de texto em português

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Q2100225 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.  




Adaptado de: SOLDATELLI, C. A tempestade perfeita da degradação cognitiva. Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/candice-soldatelli/noticia/2022/07/a-tempestade-perfeita-da-degradacao-cognitiva-cl5u6doh300b0016vja9tmqjf.html>. Acesso em: 12
nov. 2022. 
Considere as afirmações abaixo, sobre o sentido de passagens do texto.

I - Em A humanidade está perdendo sua capacidade de prestar atenção (l. 10-11), é feita uma afirmação de valor declarativo.
II - Em Quem nunca perdeu a noção do tempo assistindo a vídeos curtos em sequência, como cachorros fofinhos e gatos atrapalhados, ou tentando avançar de fase num joguinho viciante tipo Candy Crush? (l. 35-39), o autor do texto expressa uma incerteza.
III - Em a humanidade está ficando mais burra e mais incompetente (l. 56-57), o autor propõe uma síntese do raciocínio expresso no texto.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q2100223 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.  




Adaptado de: SOLDATELLI, C. A tempestade perfeita da degradação cognitiva. Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/candice-soldatelli/noticia/2022/07/a-tempestade-perfeita-da-degradacao-cognitiva-cl5u6doh300b0016vja9tmqjf.html>. Acesso em: 12
nov. 2022. 
Abaixo são feitas algumas afirmações acerca de ideias veiculadas pelo texto.

I - Trata-se de uma apresentação da obra Stolen Focus – Why You Can’t Pay Attention, cujo objetivo principal é dar a conhecer os principais problemas de funcionamento dos algoritmos e das redes sociais.
II - Trata-se de uma crítica ferrenha à abordagem cognitivista no tratamento dos problemas de atenção.
III - Trata-se de um resumo do livro Stolen Focus – Why You Can’t Pay Attention que enfoca alguns dos pontos considerados essenciais da obra.

Quais estão corretas?
Alternativas
Q2100178 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

OMS confirma surto do vírus de Marburg, um dos mais letais do mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou, nesta terça-feira, uma reunião de urgência para tratar do surto do vírus de Marburg na Guiné Equatorial, que já provocou a morte de nove pessoas e obrigou o país africano a declarar estado de alerta sanitário. 

Da mesma família do ebola, o vírus é um dos mais perigosos do mundo. A taxa de mortalidade dos infectados é de, em média, 50%, mas pode chegar a 88%, dependendo da variante do vírus e dos cuidados de saúde prestados ao doente.

Em um comunicado enviado à agência de notícias Lusa, o Ministério da Saúde da Guiné Equatorial diz ter detectado uma situação epidemiológica atípica em distritos de Nsok Nsomo, depois da morte de pessoas com sintomas de febre, fraqueza, vômitos e diarreia com sangue. O vírus foi confirmado por meio de amostras enviadas para análise no Senegal.

Até o momento, as autoridades já relataram nove mortos e dezesseis casos suspeitos, dos quais quatorze são assintomáticos e dois têm sintomas leves. Além disso, vinte e uma pessoas estão em isolamento e sob vigilância por terem tido contato com os mortos, e mais de quatro mil estão em quarentena em suas casas.

As mortes ocorreram entre sete de janeiro e sete de fevereiro, segundo o ministro da Saúde da Guiné Equatorial, Ondo'o Ayekaba. Uma morte suspeita no dia dez de fevereiro está sendo investigada. 

A Guiné Equatorial fica na África Central e é um dos nove Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da qual o Brasil também faz parte.

A área afetada pelo surto localiza-se em uma região rural de floresta densa, perto das fronteiras com Gabão e Camarões.

O vírus de Marburg causa febre hemorrágica e é transmitido por morcegos a primatas e seres humanos. Entre humanos, o contágio ocorre por meio de fluidos corporais de pessoas infectadas ou por superfícies e materiais, como roupas de cama.

O vírus leva o nome de uma pequena cidade alemã às margens do rio Lahn, onde foi documentado pela primeira vez, em 1967. Na época, ele causou surtos simultâneos da doença em laboratórios em Marburg, na Alemanha, e em Belgrado, na então Iugoslávia, hoje Sérvia. Sete pessoas morreram expostas ao vírus enquanto realizavam pesquisas com macacos.

Desde então, já houve surtos e casos esporádicos em países como Angola, Gana, Guiné, República Democrática do Congo, Quênia, África do Sul e Uganda.

Em um surto de 2004 em Angola, 90% das duzentos e cinquenta e duas pessoas infectadas morreram. Em 2022, duas mortes pelo vírus de Marburg foram relatadas em Gana.

Até hoje, não há vacinas ou medicamentos autorizados para a doença, mas o tratamento de reidratação para aliviar os sintomas pode aumentar as chances de sobrevivência.

OMS confirma surto do vírus de Marburg, um dos mais letais do mundo (msn.com). Adaptado
Nove mortes e dezesseis casos suspeitos foram reportados na Guiné Equatorial. O vírus de Marburg é da mesma família do ebola, e a taxa de mortalidade média é de 50%.
Assinale a opção CORRETA de acordo com o texto base.
Alternativas
Q2100090 Português

A época em que ser alegre era malvisto


Até o início do século XVIII, em lugares como Reino Unido e nas suas colônias na América do Norte, os historiadores perceberam que as pessoas tinham orgulho de serem um pouco melancólicas.

Isso tinha a ver, em parte, com a lógica cristã, de ter consciência dos seus pecados e de se manter humilde perante os olhos de Deus.

Peter Stearns, autor do livro 'História da Felicidade', cita, nas suas pesquisas, o diário escrito por um chefe de família da época, que defendia que Deus, entre aspas, "não permitia alegria nem prazer, mas sim, uma espécie de conduta melancólica e austera".

"Isso não quer dizer que as pessoas fossem infelizes - simplesmente, não temos como julgar isso de modo imparcial, a partir dos padrões atuais. Até porque a felicidade, obviamente, é algo bastante subjetivo".

O que significa que havia, entre as pessoas da época, a percepção de que era necessário se desculpar por momentos de felicidade, por considerá-los uma afronta a Deus, segundo Stearns.

Mas isso mudou radicalmente no século XVIII, a ponto de, na redação da Declaração de Independência dos Estados Unidos, em 1776, a busca pela felicidade ter sido considerada um direito humano. A Constituição da França de 1793 também explicitou a ideia de que o objetivo da sociedade é a felicidade comum.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/ck5y8nyw1jyo. Adaptado.

Houve um tempo na história da humanidade em que era malvisto demonstrar alegria. Aliás, a busca pela felicidade como conhecemos hoje é algo relativamente novo na nossa história.


De acordo com o texto base:

Alternativas
Q2099916 Português
Leia o texto para responder à questão.

Os jovens e o futuro

   Duas pesquisas recentes ouviram jovens de diferentes faixas etárias, revelando suas expectativas em relação ao futuro e suas preferências em relação à educação.
    Na primeira, em que foram ouvidos estudantes do ensino médio de escolas públicas, apareceu com destaque a conexão com a escola, bem avaliada pela maioria, em particular os que estudam em tempo integral. Mesmo assim, dados do Inep de 2021 mostram que o abandono escolar mais do que dobrou, indo de 2,6% para 5,6%.
   92% dos jovens apoiam a ideia de se ter, nesta etapa, áreas alternativas de aprofundamento a serem selecionadas por eles, como ocorre em países com bons sistemas educacionais. De fato, imaginar que todos tenham que cursar 13 disciplinas, espremidas em quatro horas e meia de aulas, oferecendo apenas um verniz de cada uma, faz pouquíssimo sentido.
     Na segunda pesquisa, que focou nos jovens de 15 a 29 anos, apesar da constatação da maioria de que houve perdas irreparáveis com a pandemia, o desejo de estabilidade financeira e moradia própria aparece como uma preocupação maior do que a de prosseguir com os estudos, decisão, esta última, fundamental, inclusive para se poder ter condições de alcançar as duas primeiras. Sabe-se que cada ano adicional de estudo, de acordo com o Banco Mundial, aumenta em até 15% a renda futura do trabalho.
    Mas o que me chamou mais atenção nesta pesquisa mais recente foi certa desesperança dos jovens quanto ao futuro. O altíssimo percentual deles que afirmam desejar deixar o Brasil evidencia sim uma crise que afetou emprego e renda de jovens, mas há algo mais no ar. Há uma percepção ingênua de que em outros países teriam uma vida bem melhor, mesmo sem se dispor das qualificações necessárias para navegar no que se convencionou chamar de “o futuro do trabalho”. Afinal, a automação acelerada de postos de trabalho vem trazendo, por um lado, certa sofisticação nas demandas de talentos pelo setor produtivo e, por outro, oferta de trabalhos precarizados e extremamente instáveis para os demais.
     É urgente se construírem boas políticas públicas voltadas aos jovens, incentivando-os a se manter estudando e criando oportunidades para que possam realizar seus sonhos de futuro.
(Cláudia Costin. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. 20.10.2022. Adaptado)
Para a autora, os jovens que planejam deixar o Brasil
Alternativas
Q2099915 Português
Leia o texto para responder à questão.

Os jovens e o futuro

   Duas pesquisas recentes ouviram jovens de diferentes faixas etárias, revelando suas expectativas em relação ao futuro e suas preferências em relação à educação.
    Na primeira, em que foram ouvidos estudantes do ensino médio de escolas públicas, apareceu com destaque a conexão com a escola, bem avaliada pela maioria, em particular os que estudam em tempo integral. Mesmo assim, dados do Inep de 2021 mostram que o abandono escolar mais do que dobrou, indo de 2,6% para 5,6%.
   92% dos jovens apoiam a ideia de se ter, nesta etapa, áreas alternativas de aprofundamento a serem selecionadas por eles, como ocorre em países com bons sistemas educacionais. De fato, imaginar que todos tenham que cursar 13 disciplinas, espremidas em quatro horas e meia de aulas, oferecendo apenas um verniz de cada uma, faz pouquíssimo sentido.
     Na segunda pesquisa, que focou nos jovens de 15 a 29 anos, apesar da constatação da maioria de que houve perdas irreparáveis com a pandemia, o desejo de estabilidade financeira e moradia própria aparece como uma preocupação maior do que a de prosseguir com os estudos, decisão, esta última, fundamental, inclusive para se poder ter condições de alcançar as duas primeiras. Sabe-se que cada ano adicional de estudo, de acordo com o Banco Mundial, aumenta em até 15% a renda futura do trabalho.
    Mas o que me chamou mais atenção nesta pesquisa mais recente foi certa desesperança dos jovens quanto ao futuro. O altíssimo percentual deles que afirmam desejar deixar o Brasil evidencia sim uma crise que afetou emprego e renda de jovens, mas há algo mais no ar. Há uma percepção ingênua de que em outros países teriam uma vida bem melhor, mesmo sem se dispor das qualificações necessárias para navegar no que se convencionou chamar de “o futuro do trabalho”. Afinal, a automação acelerada de postos de trabalho vem trazendo, por um lado, certa sofisticação nas demandas de talentos pelo setor produtivo e, por outro, oferta de trabalhos precarizados e extremamente instáveis para os demais.
     É urgente se construírem boas políticas públicas voltadas aos jovens, incentivando-os a se manter estudando e criando oportunidades para que possam realizar seus sonhos de futuro.
(Cláudia Costin. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. 20.10.2022. Adaptado)
No 4º parágrafo do texto, a autora
Alternativas
Q2099914 Português
Leia o texto para responder à questão.

Os jovens e o futuro

   Duas pesquisas recentes ouviram jovens de diferentes faixas etárias, revelando suas expectativas em relação ao futuro e suas preferências em relação à educação.
    Na primeira, em que foram ouvidos estudantes do ensino médio de escolas públicas, apareceu com destaque a conexão com a escola, bem avaliada pela maioria, em particular os que estudam em tempo integral. Mesmo assim, dados do Inep de 2021 mostram que o abandono escolar mais do que dobrou, indo de 2,6% para 5,6%.
   92% dos jovens apoiam a ideia de se ter, nesta etapa, áreas alternativas de aprofundamento a serem selecionadas por eles, como ocorre em países com bons sistemas educacionais. De fato, imaginar que todos tenham que cursar 13 disciplinas, espremidas em quatro horas e meia de aulas, oferecendo apenas um verniz de cada uma, faz pouquíssimo sentido.
     Na segunda pesquisa, que focou nos jovens de 15 a 29 anos, apesar da constatação da maioria de que houve perdas irreparáveis com a pandemia, o desejo de estabilidade financeira e moradia própria aparece como uma preocupação maior do que a de prosseguir com os estudos, decisão, esta última, fundamental, inclusive para se poder ter condições de alcançar as duas primeiras. Sabe-se que cada ano adicional de estudo, de acordo com o Banco Mundial, aumenta em até 15% a renda futura do trabalho.
    Mas o que me chamou mais atenção nesta pesquisa mais recente foi certa desesperança dos jovens quanto ao futuro. O altíssimo percentual deles que afirmam desejar deixar o Brasil evidencia sim uma crise que afetou emprego e renda de jovens, mas há algo mais no ar. Há uma percepção ingênua de que em outros países teriam uma vida bem melhor, mesmo sem se dispor das qualificações necessárias para navegar no que se convencionou chamar de “o futuro do trabalho”. Afinal, a automação acelerada de postos de trabalho vem trazendo, por um lado, certa sofisticação nas demandas de talentos pelo setor produtivo e, por outro, oferta de trabalhos precarizados e extremamente instáveis para os demais.
     É urgente se construírem boas políticas públicas voltadas aos jovens, incentivando-os a se manter estudando e criando oportunidades para que possam realizar seus sonhos de futuro.
(Cláudia Costin. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. 20.10.2022. Adaptado)
De acordo com o texto, a pesquisa com estudantes do ensino médio aponta para
Alternativas
Q2099912 Português

Leia a tira para responder à  questão.




(Bill Watterson. Calvin e Haroldo – O livro do Décimo aniversário. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2013. Adaptado)

A leitura da tira permite concluir que
Alternativas
Q2099894 Português
Leia o texto para responder à questão.

      Me descobri brasileiro em 1994, quando ajudei a enfeitar com rabiolas a rua pra assistir à Copa do Mundo. Era a primeira televisão em cores da família, ainda que fosse preciso girar, de vez em quando, o botão de sintonia daquela velha Philco 12 polegadas para assistir à sequência de jogos duros, mas vitoriosos.
      Descobri ali que o barato era vitória sofrida, de preferência com gol nos últimos minutos, porque as reações eram melhores.
     Eu gostava de ver o povo apreensivo, ouvir os gritos, a comemoração. Meu pai, que era rígido e reclamava silêncio até em final de novela, deixava rolar um alvoroço em dia de jogo. Afinal de contas, era a Copa. E foi meu primeiro evento coletivo como brasileiro, já que no impeachment do Collor eu não sabia bem do que se tratava e a TV ainda era em preto e branco.
      A final foi um empate lascado, com decisão nos pênaltis.
     Roberto Baggio meteu a bola por cima do gol de Taffarel e danou-se, morteiro estourando na rua, buzina, gritaiada “é tetra!”; eu gritava errado: “é tretra!”. Eu não sei explicar bem, mas senti um certo orgulho de contribuir com aquele resultado ao amarrar a rabiola no portão. Ajudei a fazer uma grande coisa, que eu nem sabia bem para que servia, mas se o Brasil tinha ganhado era, portanto, uma grande coisa.
     Eu não queria que aquilo acabasse, não podia durar uma semana a mais? Mas no dia seguinte já não era Copa. Era preciso evitar a bagunça, logo mais desfazer os enfeites, se despir da fantasia e retomar a normalidade, reconquistando a rotina que é própria de cada um.

(Ricardo Terto. Quem é essa gente toda aqui?. Todavia, 2021. Adaptado)
No trecho – Descobri ali que o barato era vitória sofrida, de preferência com gol nos últimos minutos, porque as reações eram melhores. (2º parágrafo) –, os vocábulos destacados foram empregados, respectivamente, para indicar:
Alternativas
Q2099893 Português
Leia o texto para responder à questão.

      Me descobri brasileiro em 1994, quando ajudei a enfeitar com rabiolas a rua pra assistir à Copa do Mundo. Era a primeira televisão em cores da família, ainda que fosse preciso girar, de vez em quando, o botão de sintonia daquela velha Philco 12 polegadas para assistir à sequência de jogos duros, mas vitoriosos.
      Descobri ali que o barato era vitória sofrida, de preferência com gol nos últimos minutos, porque as reações eram melhores.
     Eu gostava de ver o povo apreensivo, ouvir os gritos, a comemoração. Meu pai, que era rígido e reclamava silêncio até em final de novela, deixava rolar um alvoroço em dia de jogo. Afinal de contas, era a Copa. E foi meu primeiro evento coletivo como brasileiro, já que no impeachment do Collor eu não sabia bem do que se tratava e a TV ainda era em preto e branco.
      A final foi um empate lascado, com decisão nos pênaltis.
     Roberto Baggio meteu a bola por cima do gol de Taffarel e danou-se, morteiro estourando na rua, buzina, gritaiada “é tetra!”; eu gritava errado: “é tretra!”. Eu não sei explicar bem, mas senti um certo orgulho de contribuir com aquele resultado ao amarrar a rabiola no portão. Ajudei a fazer uma grande coisa, que eu nem sabia bem para que servia, mas se o Brasil tinha ganhado era, portanto, uma grande coisa.
     Eu não queria que aquilo acabasse, não podia durar uma semana a mais? Mas no dia seguinte já não era Copa. Era preciso evitar a bagunça, logo mais desfazer os enfeites, se despir da fantasia e retomar a normalidade, reconquistando a rotina que é própria de cada um.

(Ricardo Terto. Quem é essa gente toda aqui?. Todavia, 2021. Adaptado)
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q2099892 Português
Leia o texto para responder à questão.

      Me descobri brasileiro em 1994, quando ajudei a enfeitar com rabiolas a rua pra assistir à Copa do Mundo. Era a primeira televisão em cores da família, ainda que fosse preciso girar, de vez em quando, o botão de sintonia daquela velha Philco 12 polegadas para assistir à sequência de jogos duros, mas vitoriosos.
      Descobri ali que o barato era vitória sofrida, de preferência com gol nos últimos minutos, porque as reações eram melhores.
     Eu gostava de ver o povo apreensivo, ouvir os gritos, a comemoração. Meu pai, que era rígido e reclamava silêncio até em final de novela, deixava rolar um alvoroço em dia de jogo. Afinal de contas, era a Copa. E foi meu primeiro evento coletivo como brasileiro, já que no impeachment do Collor eu não sabia bem do que se tratava e a TV ainda era em preto e branco.
      A final foi um empate lascado, com decisão nos pênaltis.
     Roberto Baggio meteu a bola por cima do gol de Taffarel e danou-se, morteiro estourando na rua, buzina, gritaiada “é tetra!”; eu gritava errado: “é tretra!”. Eu não sei explicar bem, mas senti um certo orgulho de contribuir com aquele resultado ao amarrar a rabiola no portão. Ajudei a fazer uma grande coisa, que eu nem sabia bem para que servia, mas se o Brasil tinha ganhado era, portanto, uma grande coisa.
     Eu não queria que aquilo acabasse, não podia durar uma semana a mais? Mas no dia seguinte já não era Copa. Era preciso evitar a bagunça, logo mais desfazer os enfeites, se despir da fantasia e retomar a normalidade, reconquistando a rotina que é própria de cada um.

(Ricardo Terto. Quem é essa gente toda aqui?. Todavia, 2021. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o vocábulo destacado estabelece, no contexto em que se encontra, relação de sentido de conclusão
Alternativas
Q2099772 Português
Leia o texto para responder à questão.

  A população mundial alcançou 8 bilhões, 12 anos após a marca de 7 bilhões ter sido atingida. A estimativa é que em 15 anos, 2037, mais 1 bilhão seja adicionado.
   Apesar da tendência de aumento populacional nos próximos anos, a taxa de crescimento global é a menor desde 1950. Ainda que o crescimento esperado deva continuar em queda, uma grande parcela jovem da população, em idade reprodutiva, contribuirá para cerca de dois terços do crescimento populacional até 2050. Oito países contribuirão com mais da metade desse crescimento, ao passo que alguns países da Europa terão redução populacional no período.
  Isso deixa claro que essa comunidade global de 8 bilhões enfrenta desafios e oportunidades demográficas distintas. Países da Ásia, da América Latina e da África têm a chance de investir em sua população jovem a fim de maximizar o capital humano futuro e, portanto, o crescimento. O Brasil se enquadra nessa categoria.
  Já os países de alta renda, mais envelhecidos, têm na migração internacional uma opção para compensar o futuro declínio populacional. Entretanto, esse é um tema polêmico dada a xenofobia que tem sido observada, por exemplo, em alguns países da Europa e a baixa popularidade de governantes que apoiam a abertura de fronteiras. Nos Estados Unidos, grandes cidades, como Nova York, tiveram redução de população em 2021 devido a migração para cidades menores.
   Eventos climáticos extremos já são a principal causa de deslocamentos internos não voluntários: mais de 23 milhões de pessoas em 2021. Populações vivendo em condições de vulnerabilidade tendem a ser mais afetadas. No contexto brasileiro, dados recentes mostram as condições adversas do crescimento urbano nos últimos 37 anos, com expansão de favelas (principalmente na Amazônia), grande parte em áreas de risco.

(Marcia Castro. Uma comunidade de 8 bilhões. www1.folha.uol.com.br, 13.11.2022. Adaptado) 
A partir da leitura do texto, é correto afirmar que 
Alternativas
Q2099769 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Durante o tempo em que fiquei estudando trancado no meu quarto, eu pensava exclusivamente em História, Geografia, Português e Matemática. Nada mais. Sair, somente para a casa do Mário Ono, onde eu ia fazer exercícios de frações e números primos, calcular o máximo divisor comum e outras coisas que até hoje nem gosto de lembrar.

   Do mundo lá de fora, só chegava uma ou outra notícia, como a daquela tarde em que o Frangão apareceu em casa para me trazer a medalha da final do campeonato, vencida pelo nosso time contra os garotos da rua Porto Novo. “O Paulo Louco mandou te entregar pelos três gols que você marcou quando ainda jogava com a gente”, ele me disse meio sem jeito e um pouco assustado ao ver que minha mãe não se afastava um minuto da nossa conversa. “Medalha, medalha! O que vale uma medalha como essa?”, ela me perguntou irritada depois que o Frangão saiu. “Quero ver ganhar a medalha de honra ao mérito na escola e passar nos exames de admissão, isso sim eu quero ver”, ela continuou falando depois que me despedi do meu amigo no portão.

   Mas naquele momento eu não pensava em nada daquilo que ela dizia. Queria saber dos meus amigos, de como tinha sido o último jogo, o que eles andavam fazendo, que coisas novas estavam planejando. Só quando fechei o portão e comecei a subir as escadas para o quarto é que descobri que aquilo tudo era passado para mim.

(Antonio Arnoni Prado. O último trem da Cantareira. Editora 34, 2019. Adaptado)

O vocábulo destacado introduz ideia de assunto no trecho:
Alternativas
Q2099766 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Durante o tempo em que fiquei estudando trancado no meu quarto, eu pensava exclusivamente em História, Geografia, Português e Matemática. Nada mais. Sair, somente para a casa do Mário Ono, onde eu ia fazer exercícios de frações e números primos, calcular o máximo divisor comum e outras coisas que até hoje nem gosto de lembrar.

   Do mundo lá de fora, só chegava uma ou outra notícia, como a daquela tarde em que o Frangão apareceu em casa para me trazer a medalha da final do campeonato, vencida pelo nosso time contra os garotos da rua Porto Novo. “O Paulo Louco mandou te entregar pelos três gols que você marcou quando ainda jogava com a gente”, ele me disse meio sem jeito e um pouco assustado ao ver que minha mãe não se afastava um minuto da nossa conversa. “Medalha, medalha! O que vale uma medalha como essa?”, ela me perguntou irritada depois que o Frangão saiu. “Quero ver ganhar a medalha de honra ao mérito na escola e passar nos exames de admissão, isso sim eu quero ver”, ela continuou falando depois que me despedi do meu amigo no portão.

   Mas naquele momento eu não pensava em nada daquilo que ela dizia. Queria saber dos meus amigos, de como tinha sido o último jogo, o que eles andavam fazendo, que coisas novas estavam planejando. Só quando fechei o portão e comecei a subir as escadas para o quarto é que descobri que aquilo tudo era passado para mim.

(Antonio Arnoni Prado. O último trem da Cantareira. Editora 34, 2019. Adaptado)

Após a visita do Frangão ao narrador, a mãe deste se mostra
Alternativas
Q2099765 Português

Leia o texto para responder à questão.


    Durante o tempo em que fiquei estudando trancado no meu quarto, eu pensava exclusivamente em História, Geografia, Português e Matemática. Nada mais. Sair, somente para a casa do Mário Ono, onde eu ia fazer exercícios de frações e números primos, calcular o máximo divisor comum e outras coisas que até hoje nem gosto de lembrar.

   Do mundo lá de fora, só chegava uma ou outra notícia, como a daquela tarde em que o Frangão apareceu em casa para me trazer a medalha da final do campeonato, vencida pelo nosso time contra os garotos da rua Porto Novo. “O Paulo Louco mandou te entregar pelos três gols que você marcou quando ainda jogava com a gente”, ele me disse meio sem jeito e um pouco assustado ao ver que minha mãe não se afastava um minuto da nossa conversa. “Medalha, medalha! O que vale uma medalha como essa?”, ela me perguntou irritada depois que o Frangão saiu. “Quero ver ganhar a medalha de honra ao mérito na escola e passar nos exames de admissão, isso sim eu quero ver”, ela continuou falando depois que me despedi do meu amigo no portão.

   Mas naquele momento eu não pensava em nada daquilo que ela dizia. Queria saber dos meus amigos, de como tinha sido o último jogo, o que eles andavam fazendo, que coisas novas estavam planejando. Só quando fechei o portão e comecei a subir as escadas para o quarto é que descobri que aquilo tudo era passado para mim.

(Antonio Arnoni Prado. O último trem da Cantareira. Editora 34, 2019. Adaptado)

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que
Alternativas
Q2099762 Português

Leia a tira para responder à questão.



(Bill Watterson. O melhor de Calvin. https://cultura.estadao.com.br, 05.09.2022)

De acordo com informações presentes na tira, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q2099443 Português
Texto I

           Maria-Nova ouvia a história que Bondade contava e, por mais que quisesse conter a emoção, não conseguia. Hora houve em que ele percebeu e se calou um pouco. Calou-se também com um nó na garganta, pois sabido é que Bondade vivia intensamente cada história que narrava, e Maria-Nova, cada história que escutava. Ambos estão com o peito sangrando. Ele sente remorsos de já ter contato tantas tristezas para Maria-Nova. Mas a menina é do tipo que gosta de pôr o dedo na ferida, não na ferida alheia, mas naquela que ela traz no peito. Na ferida que ela herdou de Mãe Joana, de Maria-Velha, de Tio Totó, do Louco Luisão da Serra, da avó mansa, que tinha todo o lado direito do corpo esquecido, do bisavô que tinha visto os sinhôs venderem Ayaba, a rainha. Maria-Nova, talvez, tivesse o banzo1 no peito. Saudades de um tempo, de um lugar, de uma vida que ela nunca vivera. Entretanto o que doía mesmo em Maria-Nova era ver que tudo se repetia, um pouco diferente, mas, no fundo, a miséria era a mesma. O seu povo, os oprimidos, os miseráveis; em todas as histórias, quase nunca eram os vencedores, e sim, quase sempre, os vencidos. A ferida dos do lado de cá sempre ardia, doía e sangrava muito.
(EVARISTO, Conceição. Becos da Memória. Rio de Janeiro: Pallas, 2017)

1 para os escravizados, era como se chamava o sentimento de melancolia em relação à terra natal e de aversão à privação da liberdade
O caráter narrativo do texto pode ser percebido pelo modo com que foi estruturado. Quanto a essa estrutura, pode-se afirmar que:
Alternativas
Q2099442 Português
Texto I

           Maria-Nova ouvia a história que Bondade contava e, por mais que quisesse conter a emoção, não conseguia. Hora houve em que ele percebeu e se calou um pouco. Calou-se também com um nó na garganta, pois sabido é que Bondade vivia intensamente cada história que narrava, e Maria-Nova, cada história que escutava. Ambos estão com o peito sangrando. Ele sente remorsos de já ter contato tantas tristezas para Maria-Nova. Mas a menina é do tipo que gosta de pôr o dedo na ferida, não na ferida alheia, mas naquela que ela traz no peito. Na ferida que ela herdou de Mãe Joana, de Maria-Velha, de Tio Totó, do Louco Luisão da Serra, da avó mansa, que tinha todo o lado direito do corpo esquecido, do bisavô que tinha visto os sinhôs venderem Ayaba, a rainha. Maria-Nova, talvez, tivesse o banzo1 no peito. Saudades de um tempo, de um lugar, de uma vida que ela nunca vivera. Entretanto o que doía mesmo em Maria-Nova era ver que tudo se repetia, um pouco diferente, mas, no fundo, a miséria era a mesma. O seu povo, os oprimidos, os miseráveis; em todas as histórias, quase nunca eram os vencedores, e sim, quase sempre, os vencidos. A ferida dos do lado de cá sempre ardia, doía e sangrava muito.
(EVARISTO, Conceição. Becos da Memória. Rio de Janeiro: Pallas, 2017)

1 para os escravizados, era como se chamava o sentimento de melancolia em relação à terra natal e de aversão à privação da liberdade
O texto é marcado pelo modo com que MariaNova relaciona-se com a dor e a tristeza. Sobre essa relação, é correto afirmar que a personagem busca:
Alternativas
Q2098891 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo:

No voo da caneta

      Numa das cartas ao seu amigo Mário de Andrade, assegurava-lhe o poeta Carlos Drummond de Andrade que era com uma caneta na mão que costumava viver as suas maiores emoções.
       Comentando isso numa das minhas aulas de Literatura, atentei para a reação de um jovem aluno: um visível sentimento de piedade por aquele “poeta sitiado e infeliz, homem de gabinete, tímido mineiro que não se atirou à vida” tal como em seguida ele me explicou sua reação.
      Não tive como lhe dizer, naquele momento, que entre as tantas formas de se atirar à vida está a de se valer de uma caneta para perseguir poemas e achar as falas humanas mais urgentes e precisas, essenciais para quem as diz, indispensáveis para quem as ouve, vivas para dentro e para além do tempo e do espaço imediatos. Espero que o jovem aluno logo tenha se convencido de que um poeta torna aberto para todos o universo reflexivo de sua intimidade, onde também podemos reconhecer algo da nossa.
(Aldair Rômulo Siqueira, a publicar)
Para o jovem aluno de Literatura, a confissão de Drummond ao seu amigo Mário
Alternativas
Q2098890 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo:

No voo da caneta

      Numa das cartas ao seu amigo Mário de Andrade, assegurava-lhe o poeta Carlos Drummond de Andrade que era com uma caneta na mão que costumava viver as suas maiores emoções.
       Comentando isso numa das minhas aulas de Literatura, atentei para a reação de um jovem aluno: um visível sentimento de piedade por aquele “poeta sitiado e infeliz, homem de gabinete, tímido mineiro que não se atirou à vida” tal como em seguida ele me explicou sua reação.
      Não tive como lhe dizer, naquele momento, que entre as tantas formas de se atirar à vida está a de se valer de uma caneta para perseguir poemas e achar as falas humanas mais urgentes e precisas, essenciais para quem as diz, indispensáveis para quem as ouve, vivas para dentro e para além do tempo e do espaço imediatos. Espero que o jovem aluno logo tenha se convencido de que um poeta torna aberto para todos o universo reflexivo de sua intimidade, onde também podemos reconhecer algo da nossa.
(Aldair Rômulo Siqueira, a publicar)
A confissão que o poeta Carlos Drummond de Andrade fez numa carta ao seu amigo Mário de Andrade equivale a declarar que
Alternativas
Respostas
18321: D
18322: C
18323: B
18324: C
18325: B
18326: E
18327: D
18328: C
18329: E
18330: D
18331: C
18332: A
18333: B
18334: D
18335: C
18336: B
18337: D
18338: B
18339: A
18340: C