Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q4379810 Português

Leia atentamente o trecho da reportagem abaixo para responder à questão.

Racismo ambiental: gênero, etnicidade e mudanças climáticas

Os impactos da crise do clima não são neutros e atingem mais determinados países e segmentos da população


    O deslocamento de pessoas por desastres ambientais é uma das consequências mais devastadoras do momento presente e tem atingido comunidades inteiras em decorrência de seus impactos. Sob uma perspectiva global, a Organização das Nações Unidas (ONU), ao celebrar a COP26, apontou que as mulheres são as mais afetadas pela crise climática que também se configura como uma crise humanitária. Segundo a ONU, 80% das pessoas forçadas a cruzar fronteiras devido a desastres e mudanças climáticas são mulheres e crianças.

    Portanto, os impactos dessa crise não são neutros. Mulheres e meninas enfrentam riscos cada vez mais sérios e podem, em algumas circunstâncias, precisar de proteção internacional.

    Países em desenvolvimento ou emergentes no processo econômico e social são os mais impactados pela crise climática, desastres ambientais e conflitos civis e armados por recursos naturais – a garantia de água, comida e combustível para as famílias em grande parte é condicionada, estruturalmente, às mulheres, situação essa que pode ser mais complexa durante enchentes e secas, por exemplo. Uma vez que as mulheres precisam ir mais longe para coletar comida e água, ficam mais expostas a diferentes tipos de violência, incluindo abuso e violência sexual.

    No Brasil, as catástrofes impulsionadas pelas mudanças climáticas, como as enchentes, inundações e os deslizamentos de terra ocorridos no início deste ano, especificamente nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro (Petrópolis) e Pernambuco, têm se tornado cada vez mais frequentes. E as pessoas mais afetadas têm sempre o mesmo gênero e cor.

    Esse fato ocorre, principalmente, porque o processo de desenvolvimento das cidades carrega em si mesmo uma lógica desigual, expulsando as populações minorizadas das zonas mais seguras para as áreas de risco. Estruturando toda uma omissão histórica por parte dos Estados na construção de políticas públicas que priorizem o direito das mulheres e um caminho para a justiça ambiental e racial.

    Conforme apontam os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos lares chefiados por apenas uma pessoa no país, sem cônjuge, e com filho(s) de até 14 anos, 54% encontram-se abaixo da linha da pobreza. Dessas famílias, 63% são chefiadas por mulheres pretas ou pardas e que habitam periferias das cidades.

    Para se ter uma ideia, das pessoas entrevistadas para o desenvolvimento da linha de base do projeto Resposta Emergencial Bahia e Minas Gerais, da rede Cáritas, 78,69% eram mulheres. O dado aponta que esse grupo foi o mais atingido pelos efeitos das fortes chuvas do final de 2021 e início de2022 nesses estados.

    A atividade mineradora no país também escancara sua face mais perversa, com rompimentos de barragem de rejeitos de grandes proporções, com casos mais emblemáticos em Minas Gerais(Rompimento da barragem de Fundão da Samarco/Vale/BHP, 2015, Mariana; Rompimento da barragem da Vale S.A, 2019, Brumadinho) e no Pará (Rompimento da barragem da Hydro Alunorte, 2018, Barcarena).

    Os rompimentos de barragens são exemplos reais que demonstram como projetos desenvolvimentistas – seja por meio da mineração, do agronegócio ou das hidrelétricas – têm se mostrado danosos e prejudiciais, especialmente, para populações racializadas – pessoas negras, indígenas equilombolas e comunidades tradicionais – já que são seus territórios os alvos mais recorrentes das empreitadas transnacionais. Acirrando as desigualdades ambientais e exclusão fundiária, bem como o contexto de violência racial e de gênero no país [...].(COMISSÃO DE GÊNERO E GT ANTIRRACISTA DA CÁRITAS BRASILEIRA. Racismo ambiental: gênero, etnicidade e mudanças climáticas(fragmento).


Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2022/12/04/ racismo-ambiental-genero-etnicidade-emudancas-climaticas. Acesso em: 20 jun. 2025.)

A partir do texto, é possível identificar uma interseccionalidade entre crise climática, desigualdade social e questões de gênero e raça. Nesse contexto, qual alternativa apresenta uma interpretação mais precisa e crítica da abordagem adotada?
Alternativas
Q4377621 Português
Na frase: "Minha mala está pesando uma tonelada", encontramos a figura de linguagem chamada: 
Alternativas
Q4371497 Português
Na expressão “Ele ficou de boca aberta ao ouvir a notícia”, a expressão significa que ele ficou: 
Alternativas
Q4371490 Português
A frase que melhor representa o gênero textual “bilhete” é: 
Alternativas
Q4371489 Português
Texto para a questão.



Atitudes que fortalecem o dia a dia Escolar 

    Na escola, a convivência diária entre alunos, professores e demais funcionários é essencial para que o ambiente seja acolhedor e produtivo. Respeito, paciência e diálogo são atitudes que ajudam a resolver conflitos e a tornar o dia a dia mais leve. Quando cada pessoa se dispõe a colaborar, seja ouvindo o colega, ajudando em uma tarefa ou apenas sendo gentil, todos se beneficiam. Pequenas ações, muitas vezes simples, podem transformar a rotina escolar. Assim, a escola se torna um espaço de aprendizado, convivência e construção de relações mais humanas e solidárias.
Segundo o texto, pequenas ações podem: 
Alternativas
Q4371488 Português
Texto para a questão.



Atitudes que fortalecem o dia a dia Escolar 

    Na escola, a convivência diária entre alunos, professores e demais funcionários é essencial para que o ambiente seja acolhedor e produtivo. Respeito, paciência e diálogo são atitudes que ajudam a resolver conflitos e a tornar o dia a dia mais leve. Quando cada pessoa se dispõe a colaborar, seja ouvindo o colega, ajudando em uma tarefa ou apenas sendo gentil, todos se beneficiam. Pequenas ações, muitas vezes simples, podem transformar a rotina escolar. Assim, a escola se torna um espaço de aprendizado, convivência e construção de relações mais humanas e solidárias.
De acordo com o texto, o que contribui para que a escola seja um ambiente acolhedor e produtivo? 
Alternativas
Q4371329 Português
Leia o texto: 


A vida dá voltas

    Sou um tipo meio fatalista. Acho que a vida dá voltas. Um amigo meu, Luís, casou-se com Cláudia, uma mulher egoísta. Ele era filho único, de mãe separada e sem pensão. Durante algum tempo, a mãe de Luís foi sustentada pelo próprio tio, um solteirão. Quando este faleceu, começaram as brigas domésticas: Cláudia não admitia que Luís desse dinheiro à mãe. Ele era um rapaz de classe média. Por algum tempo, arrumou trabalhos extras para ajudar a idosa.

    Convencido pela esposa, ele mudou-se para longe. Visitava a mãe uma vez por ano. Para se livrar da questão financeira, Luís convenceu a mãe a vender o apartamento. Durante alguns anos, ela viveu desse dinheiro. Muitas vezes, lamentava a falta do filho, mas o que fazer? Luís, sempre tão ocupado, viajando pelo mundo todo, não tinha tempo disponível. Na casa da mãe, faltou até o essencial. E ela faleceu sozinha.

    O tempo passou. Hoje, Luís, antes um profissional disputado, está desempregado. Foi obrigado a se instalar com a família na casa dos sogros, onde é atormentado diariamente. A filha de Luís e Cláudia cresceu e saiu de casa. Quer seguir seu próprio rumo!

    Luís não tem renda, nem bens. Está quase se divorciando. Ficou fora do mercado de trabalho. O que vai acontecer? A filha cuidará dele? Tenho dúvidas, porque ele não a ensinou com seu próprio exemplo.

    A vida é um eterno ciclo afetivo. Em uma época todos nós somos filhos. Em outra, tornamo-nos pais: é a nossa vez de cuidar de quem cuidou de nós.

(Walcyr Carrasco. http://vejasp.abril.com.br. Acesso em 07.11.2025. Adaptado)

O texto “A vida dá voltas” apresenta uma narrativa reflexiva sobre as mudanças que o tempo e as escolhas provocam na vida das pessoas. Por meio da história de Luís, o autor mostra como as atitudes tomadas no presente podem retornar no futuro, revelando o valor dos vínculos familiares e da empatia nas relações humanas.


Luís, influenciado pela esposa, afastou-se da mãe idosa, que terminou seus dias sozinha e em dificuldades. Mais tarde, o próprio Luís passou a viver situação semelhante: desempregado, sem apoio e prestes a se separar, experimentando o mesmo abandono que antes causou à mãe.


A frase final do texto: “A vida é um eterno ciclo afetivo. Em uma época todos nós somos filhos. Em outra, tornamo-nos pais: é a nossa vez de cuidar de quem cuidou de nós.”, sintetiza o sentido do título e reforça o aprendizado moral da narrativa. 


Com base na leitura e na mensagem transmitida pelo texto, assinale a alternativa que melhor expressa a relação entre o título e o conteúdo da história. 

Alternativas
Q4371328 Português
Leia o texto: 


A vida dá voltas

    Sou um tipo meio fatalista. Acho que a vida dá voltas. Um amigo meu, Luís, casou-se com Cláudia, uma mulher egoísta. Ele era filho único, de mãe separada e sem pensão. Durante algum tempo, a mãe de Luís foi sustentada pelo próprio tio, um solteirão. Quando este faleceu, começaram as brigas domésticas: Cláudia não admitia que Luís desse dinheiro à mãe. Ele era um rapaz de classe média. Por algum tempo, arrumou trabalhos extras para ajudar a idosa.

    Convencido pela esposa, ele mudou-se para longe. Visitava a mãe uma vez por ano. Para se livrar da questão financeira, Luís convenceu a mãe a vender o apartamento. Durante alguns anos, ela viveu desse dinheiro. Muitas vezes, lamentava a falta do filho, mas o que fazer? Luís, sempre tão ocupado, viajando pelo mundo todo, não tinha tempo disponível. Na casa da mãe, faltou até o essencial. E ela faleceu sozinha.

    O tempo passou. Hoje, Luís, antes um profissional disputado, está desempregado. Foi obrigado a se instalar com a família na casa dos sogros, onde é atormentado diariamente. A filha de Luís e Cláudia cresceu e saiu de casa. Quer seguir seu próprio rumo!

    Luís não tem renda, nem bens. Está quase se divorciando. Ficou fora do mercado de trabalho. O que vai acontecer? A filha cuidará dele? Tenho dúvidas, porque ele não a ensinou com seu próprio exemplo.

    A vida é um eterno ciclo afetivo. Em uma época todos nós somos filhos. Em outra, tornamo-nos pais: é a nossa vez de cuidar de quem cuidou de nós.

(Walcyr Carrasco. http://vejasp.abril.com.br. Acesso em 07.11.2025. Adaptado)
A interpretação de textos envolve a capacidade de chegar a determinadas conclusões após fazer a leitura de um texto (visual, auditivo, escrito, oral). Considerando o último parágrafo do texto, pode-se afirmar que a relação entre pais e filhos deve ser baseada: 
Alternativas
Q4361064 Português
TEXTO I


Anestesia geral


A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição

Rodrigo Constantino.


   São R$ 129 milhões! R$ 3,6 milhões mensais. Eis o contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes a que a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, teve acesso. Isso tudo para defender Daniel Vorcaro em uma única causa, aparentemente, em que ele foi derrotado em duas instâncias. Talvez o valor “advocatício” do escritório esteja somente em causas no Supremo...

   Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

   Também de O Globo, Lauro Jardim comentou sobre o silêncio geral acerca do assunto explosivo: “Faz uma semana hoje que foi revelado, por Malu Gaspar, o valor do contrato que Viviane, mulher de Alexandre de Moraes, tinha com o Banco Master. Um total de R$ 129 milhões em três anos ou R$ 3,6 milhões mensais, sendo que R$ 79 milhões foram efetivamente recebidos para atuar no Judiciário, MPF, PF, BC, Receita Federal, PGFN e Cade. Até agora, nem o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados nem o ministro se manifestaram sobre o tema”.

   Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política! A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição. Mas R$ 3,6 milhões não é promiscuidade; é corrupção, e das grandes!

    Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.

    Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa. Era um julgamento de cartas marcadas para punir um “ideólogo” brilhante do bolsonarismo.

    Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o “crime de opinião”. As trevas odeiam a luz, e Filipe foi perseguido justamente por incomodar a patota suprema com sua inteligência e sua firmeza moral. Ele não aceitou inventar delação contra um inocente e pagou por isso.

  Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral. Uns fingem que há normalidade institucional no Brasil, outros até aplaudem Moraes, pois não gostam dos bolsonaristas. E o arbítrio avança a todo vapor e sem qualquer pudor.

    Ninguém sabe como Moraes será parado. O que parece é que ele continua mais forte do que nunca, ainda mais com o recuo da cavalaria do Norte, num acordo em que provavelmente Lula rifou a soberania nacional em troca de favores do ministro todopoderoso, de olho na eleição de 2026. Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.

    Nada parece abalar o regime que tem em Moraes seu principal ícone. Se nem a Lei Magnitsky ou os R$ 129 milhões de contrato com um banqueiro fraudador foram capazes de enfraquecer o apoio que Moraes recebe dos monstros do pântano, então, pelo visto, nada mais será capaz de derrotá-lo. Ao menos não no curto prazo. Só mesmo um milagre pode retirar as elites dessa anestesia geral. O risco é ser tarde demais...


Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Anestesia geral. https://revistaoeste.com/revista/edicao301/anestesia-geral/ (adaptado) 
Leia o fragmento abaixo antes de avaliar o que se pede:

Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

( ) Nota-se que as aspas presentes isolam uma fala a qual não pertence ao autor do texto, justificando-se, desse modo, por reproduzir um discurso direto.
( ) O termo “mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes” encontra-se isolado obrigatoriamente por vírgulas por se tratar de um Aposto explicativo.
( ) O termo “No Banco Central” está isolado por uma vírgula facultativa por exercer a função sintática de Adjunto adnominal no contexto.
( ) A vírgula usada antes de “apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição” se justifica por isolar uma oração subordinada adverbial concessiva.

Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se dizer que, pela ordem, a sequência correta é:
Alternativas
Q4361060 Português
TEXTO I


Anestesia geral


A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição

Rodrigo Constantino.


   São R$ 129 milhões! R$ 3,6 milhões mensais. Eis o contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes a que a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, teve acesso. Isso tudo para defender Daniel Vorcaro em uma única causa, aparentemente, em que ele foi derrotado em duas instâncias. Talvez o valor “advocatício” do escritório esteja somente em causas no Supremo...

   Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

   Também de O Globo, Lauro Jardim comentou sobre o silêncio geral acerca do assunto explosivo: “Faz uma semana hoje que foi revelado, por Malu Gaspar, o valor do contrato que Viviane, mulher de Alexandre de Moraes, tinha com o Banco Master. Um total de R$ 129 milhões em três anos ou R$ 3,6 milhões mensais, sendo que R$ 79 milhões foram efetivamente recebidos para atuar no Judiciário, MPF, PF, BC, Receita Federal, PGFN e Cade. Até agora, nem o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados nem o ministro se manifestaram sobre o tema”.

   Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política! A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição. Mas R$ 3,6 milhões não é promiscuidade; é corrupção, e das grandes!

    Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.

    Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa. Era um julgamento de cartas marcadas para punir um “ideólogo” brilhante do bolsonarismo.

    Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o “crime de opinião”. As trevas odeiam a luz, e Filipe foi perseguido justamente por incomodar a patota suprema com sua inteligência e sua firmeza moral. Ele não aceitou inventar delação contra um inocente e pagou por isso.

  Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral. Uns fingem que há normalidade institucional no Brasil, outros até aplaudem Moraes, pois não gostam dos bolsonaristas. E o arbítrio avança a todo vapor e sem qualquer pudor.

    Ninguém sabe como Moraes será parado. O que parece é que ele continua mais forte do que nunca, ainda mais com o recuo da cavalaria do Norte, num acordo em que provavelmente Lula rifou a soberania nacional em troca de favores do ministro todopoderoso, de olho na eleição de 2026. Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.

    Nada parece abalar o regime que tem em Moraes seu principal ícone. Se nem a Lei Magnitsky ou os R$ 129 milhões de contrato com um banqueiro fraudador foram capazes de enfraquecer o apoio que Moraes recebe dos monstros do pântano, então, pelo visto, nada mais será capaz de derrotá-lo. Ao menos não no curto prazo. Só mesmo um milagre pode retirar as elites dessa anestesia geral. O risco é ser tarde demais...


Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Anestesia geral. https://revistaoeste.com/revista/edicao301/anestesia-geral/ (adaptado) 
Leia o fragmento:

“Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa.”

Os elementos coesivos sequenciais servem para ligar de modo evidente as ideias estabelecidas entre as diferentes partes de um texto. A partir disso, nota-se que, no contexto em que se insere o período em destaque, poder-se-ia acrescentar antes dele um elemento adequado para a manutenção do seu valor semântico, o que se apresenta em: 
Alternativas
Q4361059 Português
TEXTO I


Anestesia geral


A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição

Rodrigo Constantino.


   São R$ 129 milhões! R$ 3,6 milhões mensais. Eis o contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes a que a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, teve acesso. Isso tudo para defender Daniel Vorcaro em uma única causa, aparentemente, em que ele foi derrotado em duas instâncias. Talvez o valor “advocatício” do escritório esteja somente em causas no Supremo...

   Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

   Também de O Globo, Lauro Jardim comentou sobre o silêncio geral acerca do assunto explosivo: “Faz uma semana hoje que foi revelado, por Malu Gaspar, o valor do contrato que Viviane, mulher de Alexandre de Moraes, tinha com o Banco Master. Um total de R$ 129 milhões em três anos ou R$ 3,6 milhões mensais, sendo que R$ 79 milhões foram efetivamente recebidos para atuar no Judiciário, MPF, PF, BC, Receita Federal, PGFN e Cade. Até agora, nem o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados nem o ministro se manifestaram sobre o tema”.

   Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política! A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição. Mas R$ 3,6 milhões não é promiscuidade; é corrupção, e das grandes!

    Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.

    Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa. Era um julgamento de cartas marcadas para punir um “ideólogo” brilhante do bolsonarismo.

    Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o “crime de opinião”. As trevas odeiam a luz, e Filipe foi perseguido justamente por incomodar a patota suprema com sua inteligência e sua firmeza moral. Ele não aceitou inventar delação contra um inocente e pagou por isso.

  Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral. Uns fingem que há normalidade institucional no Brasil, outros até aplaudem Moraes, pois não gostam dos bolsonaristas. E o arbítrio avança a todo vapor e sem qualquer pudor.

    Ninguém sabe como Moraes será parado. O que parece é que ele continua mais forte do que nunca, ainda mais com o recuo da cavalaria do Norte, num acordo em que provavelmente Lula rifou a soberania nacional em troca de favores do ministro todopoderoso, de olho na eleição de 2026. Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.

    Nada parece abalar o regime que tem em Moraes seu principal ícone. Se nem a Lei Magnitsky ou os R$ 129 milhões de contrato com um banqueiro fraudador foram capazes de enfraquecer o apoio que Moraes recebe dos monstros do pântano, então, pelo visto, nada mais será capaz de derrotá-lo. Ao menos não no curto prazo. Só mesmo um milagre pode retirar as elites dessa anestesia geral. O risco é ser tarde demais...


Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Anestesia geral. https://revistaoeste.com/revista/edicao301/anestesia-geral/ (adaptado) 
Leia as afirmações abaixo antes de julgar o que se pede.

( ) Em “A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição.”, a palavra em destaque reforça a crítica feita pelo articulista, na medida em que representa uma oposição lógica para a enumeração dos fatos expostos.
( ) Em “Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.”, a parte em destaque reitera a crítica do articulista quanto à corrupção decorrente no âmbito político.
( ) Em “Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política!”, o articulista inclui contextualmente o Brasil na afirmação destacada por eximi-lo do crime de tráfego de influência no Poder Judiciário, já que, diferentemente de ditaduras, o país se mantém como regime democrático.
( ) Em “Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o ‘crime de opinião’.”, o articulista expõe ironicamente que o Estado brasileiro prescinde de um Poder judiciário isento nos julgamentos feitos, uma vez que este preza por fatores como isonomia e imparcialidade nos julgamentos feitos.
( ) Em “Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.”, o autor sugere, em consonância com o gênero textual criado, a opinião de que a expressão destacada não contradirá as denúncias apresentadas, reforçando a ideia do tráfego de influência instaurado no país, para beneficiar aliados e perseguir adversários.

Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pela ordem, a sequência correta do que se afirmou acima é:
Alternativas
Q4361057 Português
TEXTO I


Anestesia geral


A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição

Rodrigo Constantino.


   São R$ 129 milhões! R$ 3,6 milhões mensais. Eis o contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes a que a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, teve acesso. Isso tudo para defender Daniel Vorcaro em uma única causa, aparentemente, em que ele foi derrotado em duas instâncias. Talvez o valor “advocatício” do escritório esteja somente em causas no Supremo...

   Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

   Também de O Globo, Lauro Jardim comentou sobre o silêncio geral acerca do assunto explosivo: “Faz uma semana hoje que foi revelado, por Malu Gaspar, o valor do contrato que Viviane, mulher de Alexandre de Moraes, tinha com o Banco Master. Um total de R$ 129 milhões em três anos ou R$ 3,6 milhões mensais, sendo que R$ 79 milhões foram efetivamente recebidos para atuar no Judiciário, MPF, PF, BC, Receita Federal, PGFN e Cade. Até agora, nem o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados nem o ministro se manifestaram sobre o tema”.

   Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política! A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição. Mas R$ 3,6 milhões não é promiscuidade; é corrupção, e das grandes!

    Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.

    Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa. Era um julgamento de cartas marcadas para punir um “ideólogo” brilhante do bolsonarismo.

    Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o “crime de opinião”. As trevas odeiam a luz, e Filipe foi perseguido justamente por incomodar a patota suprema com sua inteligência e sua firmeza moral. Ele não aceitou inventar delação contra um inocente e pagou por isso.

  Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral. Uns fingem que há normalidade institucional no Brasil, outros até aplaudem Moraes, pois não gostam dos bolsonaristas. E o arbítrio avança a todo vapor e sem qualquer pudor.

    Ninguém sabe como Moraes será parado. O que parece é que ele continua mais forte do que nunca, ainda mais com o recuo da cavalaria do Norte, num acordo em que provavelmente Lula rifou a soberania nacional em troca de favores do ministro todopoderoso, de olho na eleição de 2026. Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.

    Nada parece abalar o regime que tem em Moraes seu principal ícone. Se nem a Lei Magnitsky ou os R$ 129 milhões de contrato com um banqueiro fraudador foram capazes de enfraquecer o apoio que Moraes recebe dos monstros do pântano, então, pelo visto, nada mais será capaz de derrotá-lo. Ao menos não no curto prazo. Só mesmo um milagre pode retirar as elites dessa anestesia geral. O risco é ser tarde demais...


Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Anestesia geral. https://revistaoeste.com/revista/edicao301/anestesia-geral/ (adaptado) 

Leia o fragmento abaixo antes de responder ao que se pede.



“Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral.”



Pelo contexto, a expressão em destaque significa uma crítica em relação à sociedade como um todo diante da denúncia feita. Assinale a alternativa que não representa essa ideia enquanto valor semântico.

Alternativas
Q4361056 Português
TEXTO I


Anestesia geral


A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição

Rodrigo Constantino.


   São R$ 129 milhões! R$ 3,6 milhões mensais. Eis o contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes a que a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, teve acesso. Isso tudo para defender Daniel Vorcaro em uma única causa, aparentemente, em que ele foi derrotado em duas instâncias. Talvez o valor “advocatício” do escritório esteja somente em causas no Supremo...

   Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

   Também de O Globo, Lauro Jardim comentou sobre o silêncio geral acerca do assunto explosivo: “Faz uma semana hoje que foi revelado, por Malu Gaspar, o valor do contrato que Viviane, mulher de Alexandre de Moraes, tinha com o Banco Master. Um total de R$ 129 milhões em três anos ou R$ 3,6 milhões mensais, sendo que R$ 79 milhões foram efetivamente recebidos para atuar no Judiciário, MPF, PF, BC, Receita Federal, PGFN e Cade. Até agora, nem o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados nem o ministro se manifestaram sobre o tema”.

   Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política! A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição. Mas R$ 3,6 milhões não é promiscuidade; é corrupção, e das grandes!

    Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.

    Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa. Era um julgamento de cartas marcadas para punir um “ideólogo” brilhante do bolsonarismo.

    Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o “crime de opinião”. As trevas odeiam a luz, e Filipe foi perseguido justamente por incomodar a patota suprema com sua inteligência e sua firmeza moral. Ele não aceitou inventar delação contra um inocente e pagou por isso.

  Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral. Uns fingem que há normalidade institucional no Brasil, outros até aplaudem Moraes, pois não gostam dos bolsonaristas. E o arbítrio avança a todo vapor e sem qualquer pudor.

    Ninguém sabe como Moraes será parado. O que parece é que ele continua mais forte do que nunca, ainda mais com o recuo da cavalaria do Norte, num acordo em que provavelmente Lula rifou a soberania nacional em troca de favores do ministro todopoderoso, de olho na eleição de 2026. Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.

    Nada parece abalar o regime que tem em Moraes seu principal ícone. Se nem a Lei Magnitsky ou os R$ 129 milhões de contrato com um banqueiro fraudador foram capazes de enfraquecer o apoio que Moraes recebe dos monstros do pântano, então, pelo visto, nada mais será capaz de derrotá-lo. Ao menos não no curto prazo. Só mesmo um milagre pode retirar as elites dessa anestesia geral. O risco é ser tarde demais...


Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Anestesia geral. https://revistaoeste.com/revista/edicao301/anestesia-geral/ (adaptado) 
Sobre o texto I, avalie as afirmações abaixo antes de julgar o que se pede.

I. O texto expõe a denúncia a respeito do crime de tráfego de influência para justificar o ato ilícito que ocorreu em troca de favorecimento judicial.
II. Nota-se que o articulista apresentou o julgamento de Filipe Martins como contraponto à conduta do Poder Judiciário, tanto no que diz respeito ao senso de justiça, quanto ao preceito moral do condenado.
III. O texto prescinde de críticas e análise do cenário político como forma de estender a denúncia feita sobre o Supremo Tribunal Federal.
IV. O autor do texto defende a ideia de que a denúncia feita por O Globo é de linha sensacionalista ao favorecer o esquema denunciado.

Pode-se afirmar que está correto o que se afirmou somente em:
Alternativas
Q4361055 Português
TEXTO I


Anestesia geral


A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição

Rodrigo Constantino.


   São R$ 129 milhões! R$ 3,6 milhões mensais. Eis o contrato entre o Banco Master e o escritório da família de Alexandre de Moraes a que a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, teve acesso. Isso tudo para defender Daniel Vorcaro em uma única causa, aparentemente, em que ele foi derrotado em duas instâncias. Talvez o valor “advocatício” do escritório esteja somente em causas no Supremo...

   Malu voltou ao tema em outra coluna: “A atuação da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, em defesa do Banco Master, não é desconhecida apenas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No Banco Central, também não há registros de acesso da advogada, apesar de o contrato milionário firmado com o Master prever expressamente a atuação dela perante a instituição”.

   Também de O Globo, Lauro Jardim comentou sobre o silêncio geral acerca do assunto explosivo: “Faz uma semana hoje que foi revelado, por Malu Gaspar, o valor do contrato que Viviane, mulher de Alexandre de Moraes, tinha com o Banco Master. Um total de R$ 129 milhões em três anos ou R$ 3,6 milhões mensais, sendo que R$ 79 milhões foram efetivamente recebidos para atuar no Judiciário, MPF, PF, BC, Receita Federal, PGFN e Cade. Até agora, nem o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados nem o ministro se manifestaram sobre o tema”.

   Em qualquer país normal, essas informações seriam suficientes para uma hecatombe política! A promiscuidade no Poder Judiciário é conhecida, com palestras para eventuais réus, caronas em jatinhos ou escritórios de cônjuges atuando nos tribunais de seus parceiros sem qualquer constrangimento ou suspeição. Mas R$ 3,6 milhões não é promiscuidade; é corrupção, e das grandes!

    Nada disso parece importar. No lançamento do SBT News, lá estava Alexandre de Moraes como convidado de honra, com direito a discurso em que agradeceu ao presidente Lula pelo empenho em derrubar a Lei Magnitsky. O ministro celebrou a sua revogação numa festa com ícones dos três Poderes. Novamente, promiscuidade é pouco para descrever tanta indecência.

    Na mesma semana, Moraes condenava Filipe Martins a mais de 20 anos de prisão, mesmo sem qualquer prova do crime. Ao contrário, a defesa apresentou fartas evidências de que o exassessor de Bolsonaro desejava aceitar o resultado das eleições, não saiu do país, não participou de qualquer reunião com os militares etc. Nada disso valeu qualquer coisa. Era um julgamento de cartas marcadas para punir um “ideólogo” brilhante do bolsonarismo.

    Flávio Dino, o comunista, afirmou que foi um julgamento técnico, sem qualquer vingança, e Moraes endossou o mesmo discurso. Mas todos viram que foi um teatro soviético que instalou de vez no Brasil o “crime de opinião”. As trevas odeiam a luz, e Filipe foi perseguido justamente por incomodar a patota suprema com sua inteligência e sua firmeza moral. Ele não aceitou inventar delação contra um inocente e pagou por isso.

  Enquanto Alexandre de Moraes segue praticando o mal, abusando dos direitos humanos, atropelando os demais poderes, perseguindo conservadores e ignorando o maior escândalo de corrupção do STF de que se tem notícia, o país se mostra sob anestesia geral. Uns fingem que há normalidade institucional no Brasil, outros até aplaudem Moraes, pois não gostam dos bolsonaristas. E o arbítrio avança a todo vapor e sem qualquer pudor.

    Ninguém sabe como Moraes será parado. O que parece é que ele continua mais forte do que nunca, ainda mais com o recuo da cavalaria do Norte, num acordo em que provavelmente Lula rifou a soberania nacional em troca de favores do ministro todopoderoso, de olho na eleição de 2026. Quem, nesse cenário, acredita em eleição limpa, ainda mais com Flávio Bolsonaro disputando contra o sistema, demonstra muita ingenuidade.

    Nada parece abalar o regime que tem em Moraes seu principal ícone. Se nem a Lei Magnitsky ou os R$ 129 milhões de contrato com um banqueiro fraudador foram capazes de enfraquecer o apoio que Moraes recebe dos monstros do pântano, então, pelo visto, nada mais será capaz de derrotá-lo. Ao menos não no curto prazo. Só mesmo um milagre pode retirar as elites dessa anestesia geral. O risco é ser tarde demais...


Fonte: CONSTANTINO, Rodrigo. Anestesia geral. https://revistaoeste.com/revista/edicao301/anestesia-geral/ (adaptado) 
Sobre o texto I, é correto afirmar que:
Alternativas
Q4360978 Português

Leia a passagem do texto I abaixo a fim de responder à questão



Fiz o que ele me mandou. Fui para a lateral e comecei a alongar. Foi então que um corneteiro virou para o meu lado e começou:


- Tu é muito ruim, galego. Perna de pau mesmo. Vai pra casa, carniça!


Não suportando a ofensa, me virei para ele e vociferei:


- Tu nunca me viu jogar. Fica quieto.


- E precisa? Reserva de um time desse?! – respondeu o torcedor. 

Ao analisar o fragmento acima, percebe-se que a fala do torcedor em “E precisa? Reserva de um time desse?!” representa em relação à outra fala dele: “Tu é muito ruim, galego. Perna de pau mesmo.” Um valor semântico de: 
Alternativas
Q4360977 Português

TEXTO I


O RESERVA 



Era dia de jogo na várzea em uma cidade do interior baiano. Torneio local em campinho de terra. Porém, para mim, era final de Copa do Mundo. Campo apinhado, umas trezentas pessoas ou mais. Impossível não sentir o peso da atmosfera!


Parece que não fui só eu quem sentiu! Irreconhecíveis em campo, errávamos tudo, e a impressão é a de que nem tínhamos treinado. Na verdade, não treinamos. Chico era carpinteiro, Manéu, ajudante de pedreiro, Timba da rua de baixo pintava casas. Fazer o quê? Pensamento alto de jogador que acha que é profissional ao dar palpite na partida do seu time de coração.


O fato é que trememos. Infelizmente. Quando dei por fé, o placar de três a zero no primeiro tempo, já com dez do segundo, ia em cinco, sem nem sequer sujarmos a roupa do goleiro deles. Nisso, a nossa torcida começou a protestar. Acreditem, nem a Gaviões da Fiel o faria do mesmo jeito. Sem alambrado, o campo hostil balançava. Pior, fazia tremer a terra. Uma La Bombonera do Sertão. Teve uma hora que pedi para meu São Judas Tadeu, na sua missão mais atarefada, me tirar dali.


Placar adverso, torcida visitante que ria – bater resenha faz parte – e a minha querendo nos matar. Não sei se disse que fiquei noventa por cento do jogo no banco de reservas. Já estava amuado. Foi então que Madureira olhou para o banco e me chamou finalmente.


- Aquece!


Me senti a arma secreta, o cara que ia mudar o jogo que já estava sete a um. Sim, fizemos um gol! Tudo bem que foi recuo errado deles que enlouqueceram com o coitado do goleiro o qual, sem nenhuma ação no jogo, disperso, deixou passar a bola. Mas gol é gol. Comemoramos muito.


Fiz o que ele me mandou. Fui para a lateral e comecei a alongar. Foi então que um corneteiro virou para o meu lado e começou:


- Tu é muito ruim, galego. Perna de pau mesmo. Vai pra casa, carniça!


Não suportando a ofensa, me virei para ele e vociferei:


- Tu nunca me viu jogar. Fica quieto.


- E precisa? Reserva de um time desse?! – respondeu o torcedor. 


Aquilo mexeu no meu orgulho. Fiquei louco na hora. Ao mesmo tempo, deixando de lado o passional, refleti aos olhos da razão que ele não estava de todo errado. Minha verve deu uma abaixada. De motivado, passei a continuar meu aquecimento um pouco cabisbaixo.


Pensei: se entrar em campo e fizer mais oito gols calarei a boca deles, sairei nos braços do povo. Chegará um contrato, pois os blogs vão noticiar o feito, a Tevê virá me entrevistar, grandes clubes me farão uma proposta, irei para o exterior. Chegaria ao Real Madrid. Bola de ouro? Quem sabe? Galego do time da virada, Galego do time do Amor!


Aquele lampejo durou até o apito do juiz que o fizera não para acabar o jogo, mas para indicar mais um gol dos caras. Daí a invasão aconteceu. Uns trinta torcedores vinham em nossa direção e começamos a correr desesperadamente. Finalmente corremos. Já era hora. A gritaria tomou conta. Dá nele bola! Foi nego pra tudo que é lado. Jogo de vida ou morte. 


TELLES, Jorge. Histórias Avulsas 2025. 

Analise cada afirmação abaixo antes de julgar o que se pede:



( ) Em “Irreconhecíveis em campo, errávamos tudo, e a impressão é a de que nem tínhamos treinado. Na verdade, não treinamos. Chico era carpinteiro, Manéu, ajudante de pedreiro, Timba da rua de baixo pintava casas. Fazer o quê?”, a passagem em destaque evidencia que o baixo rendimento do time do narrador se justificava, pois estes eram atletas amadores os quais não possuíam entrosamento enquanto equipe.


( ) Em “Me senti a arma secreta, o cara que ia mudar o jogo que já estava sete a um. Sim fizemos um gol!”, o narrador justifica que, apesar do baixo desempenho do seu time, o gol mencionado foi fruto do mérito que a equipe dele teve em jogada ensaiada.


( ) Em “Pensei: se entrar em campo e fizer mais oito gols calarei a boca deles, sairei nos braços do povo. Chegará um contrato, pois os blogs vão noticiar o feito, a tevê virá me entrevistar, grandes clubes me farão uma proposta, irei para o exterior. Chegaria ao Real Madrid. Bola de ouro? Quem sabe? Galego do time da virada, Galego do time do Amor!”, nota-se que a passagem em evidência é desprovida de suposição a respeito de um sonho do narrador.


( ) Em “Daí a invasão aconteceu. Uns trinta torcedores vinham em nossa direção e começamos a correr desesperadamente. Finalmente corremos. Já era hora. A gritaria tomou conta. Dá nele bola! Foi nego pra tudo que é lado. Jogo de vida ou morte.”, a expressão em destaque, apesar de possuir um sentido de jogo decisivo no futebol, representa a fuga dos jogadores do time do narrador.



Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pela ordem, a sequência correta é:

Alternativas
Q4360976 Português

TEXTO I


O RESERVA 



Era dia de jogo na várzea em uma cidade do interior baiano. Torneio local em campinho de terra. Porém, para mim, era final de Copa do Mundo. Campo apinhado, umas trezentas pessoas ou mais. Impossível não sentir o peso da atmosfera!


Parece que não fui só eu quem sentiu! Irreconhecíveis em campo, errávamos tudo, e a impressão é a de que nem tínhamos treinado. Na verdade, não treinamos. Chico era carpinteiro, Manéu, ajudante de pedreiro, Timba da rua de baixo pintava casas. Fazer o quê? Pensamento alto de jogador que acha que é profissional ao dar palpite na partida do seu time de coração.


O fato é que trememos. Infelizmente. Quando dei por fé, o placar de três a zero no primeiro tempo, já com dez do segundo, ia em cinco, sem nem sequer sujarmos a roupa do goleiro deles. Nisso, a nossa torcida começou a protestar. Acreditem, nem a Gaviões da Fiel o faria do mesmo jeito. Sem alambrado, o campo hostil balançava. Pior, fazia tremer a terra. Uma La Bombonera do Sertão. Teve uma hora que pedi para meu São Judas Tadeu, na sua missão mais atarefada, me tirar dali.


Placar adverso, torcida visitante que ria – bater resenha faz parte – e a minha querendo nos matar. Não sei se disse que fiquei noventa por cento do jogo no banco de reservas. Já estava amuado. Foi então que Madureira olhou para o banco e me chamou finalmente.


- Aquece!


Me senti a arma secreta, o cara que ia mudar o jogo que já estava sete a um. Sim, fizemos um gol! Tudo bem que foi recuo errado deles que enlouqueceram com o coitado do goleiro o qual, sem nenhuma ação no jogo, disperso, deixou passar a bola. Mas gol é gol. Comemoramos muito.


Fiz o que ele me mandou. Fui para a lateral e comecei a alongar. Foi então que um corneteiro virou para o meu lado e começou:


- Tu é muito ruim, galego. Perna de pau mesmo. Vai pra casa, carniça!


Não suportando a ofensa, me virei para ele e vociferei:


- Tu nunca me viu jogar. Fica quieto.


- E precisa? Reserva de um time desse?! – respondeu o torcedor. 


Aquilo mexeu no meu orgulho. Fiquei louco na hora. Ao mesmo tempo, deixando de lado o passional, refleti aos olhos da razão que ele não estava de todo errado. Minha verve deu uma abaixada. De motivado, passei a continuar meu aquecimento um pouco cabisbaixo.


Pensei: se entrar em campo e fizer mais oito gols calarei a boca deles, sairei nos braços do povo. Chegará um contrato, pois os blogs vão noticiar o feito, a Tevê virá me entrevistar, grandes clubes me farão uma proposta, irei para o exterior. Chegaria ao Real Madrid. Bola de ouro? Quem sabe? Galego do time da virada, Galego do time do Amor!


Aquele lampejo durou até o apito do juiz que o fizera não para acabar o jogo, mas para indicar mais um gol dos caras. Daí a invasão aconteceu. Uns trinta torcedores vinham em nossa direção e começamos a correr desesperadamente. Finalmente corremos. Já era hora. A gritaria tomou conta. Dá nele bola! Foi nego pra tudo que é lado. Jogo de vida ou morte. 


TELLES, Jorge. Histórias Avulsas 2025. 

Leia as afirmações abaixo sobre o texto I antes de julgar o que se pede.



I. Pode-se afirmar que o texto é de natureza essencialmente narrativa, já que apresenta elementos como narrador, personagens, enredo e cenário.


II. Por ser uma Narração, nota-se a ausência de características dos demais tipos de texto, como a Descrição.


III. Um dos aspectos do relato feito é a imparcialidade diante da visão de mundo objetiva quanto ao esporte em evidência.


IV. Prepondera, no relato feito, o aspecto otimista do narrador personagem diante da concretização das suas expectativas.



Pode-se dizer que, a partir da leitura do texto I, encontra-se correto o que se afirmou somente em: 

Alternativas
Q4360975 Português

TEXTO I


O RESERVA 



Era dia de jogo na várzea em uma cidade do interior baiano. Torneio local em campinho de terra. Porém, para mim, era final de Copa do Mundo. Campo apinhado, umas trezentas pessoas ou mais. Impossível não sentir o peso da atmosfera!


Parece que não fui só eu quem sentiu! Irreconhecíveis em campo, errávamos tudo, e a impressão é a de que nem tínhamos treinado. Na verdade, não treinamos. Chico era carpinteiro, Manéu, ajudante de pedreiro, Timba da rua de baixo pintava casas. Fazer o quê? Pensamento alto de jogador que acha que é profissional ao dar palpite na partida do seu time de coração.


O fato é que trememos. Infelizmente. Quando dei por fé, o placar de três a zero no primeiro tempo, já com dez do segundo, ia em cinco, sem nem sequer sujarmos a roupa do goleiro deles. Nisso, a nossa torcida começou a protestar. Acreditem, nem a Gaviões da Fiel o faria do mesmo jeito. Sem alambrado, o campo hostil balançava. Pior, fazia tremer a terra. Uma La Bombonera do Sertão. Teve uma hora que pedi para meu São Judas Tadeu, na sua missão mais atarefada, me tirar dali.


Placar adverso, torcida visitante que ria – bater resenha faz parte – e a minha querendo nos matar. Não sei se disse que fiquei noventa por cento do jogo no banco de reservas. Já estava amuado. Foi então que Madureira olhou para o banco e me chamou finalmente.


- Aquece!


Me senti a arma secreta, o cara que ia mudar o jogo que já estava sete a um. Sim, fizemos um gol! Tudo bem que foi recuo errado deles que enlouqueceram com o coitado do goleiro o qual, sem nenhuma ação no jogo, disperso, deixou passar a bola. Mas gol é gol. Comemoramos muito.


Fiz o que ele me mandou. Fui para a lateral e comecei a alongar. Foi então que um corneteiro virou para o meu lado e começou:


- Tu é muito ruim, galego. Perna de pau mesmo. Vai pra casa, carniça!


Não suportando a ofensa, me virei para ele e vociferei:


- Tu nunca me viu jogar. Fica quieto.


- E precisa? Reserva de um time desse?! – respondeu o torcedor. 


Aquilo mexeu no meu orgulho. Fiquei louco na hora. Ao mesmo tempo, deixando de lado o passional, refleti aos olhos da razão que ele não estava de todo errado. Minha verve deu uma abaixada. De motivado, passei a continuar meu aquecimento um pouco cabisbaixo.


Pensei: se entrar em campo e fizer mais oito gols calarei a boca deles, sairei nos braços do povo. Chegará um contrato, pois os blogs vão noticiar o feito, a Tevê virá me entrevistar, grandes clubes me farão uma proposta, irei para o exterior. Chegaria ao Real Madrid. Bola de ouro? Quem sabe? Galego do time da virada, Galego do time do Amor!


Aquele lampejo durou até o apito do juiz que o fizera não para acabar o jogo, mas para indicar mais um gol dos caras. Daí a invasão aconteceu. Uns trinta torcedores vinham em nossa direção e começamos a correr desesperadamente. Finalmente corremos. Já era hora. A gritaria tomou conta. Dá nele bola! Foi nego pra tudo que é lado. Jogo de vida ou morte. 


TELLES, Jorge. Histórias Avulsas 2025. 

De acordo com o texto, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q4360878 Português
TEXTO I

Pés juntos

Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes


Alexandre Garcia


    Na semana do fiasco científico que foi o segundo fracasso consecutivo de lançamento em Alcântara, caminhamos também no nível do chinelo no debate político. Explodiu como o foguete espacial a fala publicitária de Fernanda Torres, de que não devemos entrar em 2026 com o pé direito. “O que eu desejo é que você comece o ano com os dois pés”. Antes de ser uma proclamação ideológica, a frase é uma tremenda burrice. Ora, quem entra com os dois pés ou está numa maca, ou numa cadeira de rodas ou num caixão. As pessoas que não estão nesses casos avançam, alternando as pernas, para caminhar ou usar escadas. Ninguém consegue fazer isso com os dois pés à frente a menos que esteja sobre patins. E chinelos não têm rodas.

    O texto dado a Fernanda ressalva: “Não é nada contra a sorte”. Pois tampouco é uma questão de superstição. É cultural. Na nossa língua de origem, esquerda é sinistra. No Credo, Cristo está à direita de Deus-Pai. Está em Eclesiastes, 10-2: “O coração do sábio se inclina para a direita, mas o coração do tolo, para a esquerda”. “Senta-te à minha direita” está na literatura. Usa-se a mão direita para cumprimentar. E o pé direito para entrar. Ou, no ano eleitoral, estando em campanha, aconselha-se evitar o uso da direita. Como reação, o boicote contra as Havaianas não deu certo, pelo menos no shopping que eu frequentei: a loja estava lotada.

    Não deu certo? Deu sim. As notícias sobre o caso MoraesMaster ficaram em segundo plano, enquanto corre solto com os dois pés o debate altamente grego no nível chinelar. Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes. Mas poucos vão além do chinelo. Quanto mais Moraes emite notas para explicar o que já se explicou sozinho, mais Moraes mete os dois pés na jaca, como aconselha Fernanda Torres.

    O senador Alessandro Vieira (MDB Sergipe), delegado de polícia, quer comissão parlamentar para investigar. Mas já começaram as férias legislativas, e só 2026 pode descobrir, por exemplo, quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo no caso Master – e por quê? Não sei com que pé devemos entrar no ano novo para ter garantia de transparência no que parece ser advocacia administrativa pressionando o Banco Central ou o Governador de Brasília, que defendeu a compra do falido Master pelo banco estatal do Distrito Federal. O governador Ibaneis, destituído provisoriamente por Moraes, retornou ao posto e depois defendeu o negócio com o Master, conseguindo aprovação da operação no legislativo local. E ninguém mais incomodou o governador pelo 8 de janeiro.

    Uma CPI esclarece essas coisas, assim como a atuação de ministros do Supremo através de suas esposas, advogados de sucesso. Advocacias anexas podem ser soluções, mas logo serão sérios problemas, se o país for além dos chinelos. É a sina das mulheres dos césares; se advogassem na comarca de Boa Vista ou Rio Branco, estariam acima de suspeitas. Mas em Brasília, e tendo clientes como J&F Master, as tentações são grandes e as suspeitas do mesmo tamanho – a menos que houvesse uma decisão ética dos parentes e afins de, por razões éticas, manterem distância sanitária entre as bancas de advocacia e o tribunal. Evitaria contaminação e seria moralmente saudável.

    Com os dois pés na jaca, o Ministro Moraes emitiu uma segunda nota no mesmo dia, o que, por si, é revelador. O meio é a mensagem – descobriu McLuhan. A segunda explicação veio depois que o distinto público entendeu a resposta do Banco Central apenas confirmando que em reuniões com Moraes tratou-se, sim, de efeitos da Magnitsky – sem negar que tivessem tratado do Master. O Ministro, então, fez uma nova nota, afirmando que o escritório de Viviane e filhos jamais tratou de interesses do Master no Banco Central. Daí se deduz que ele já fala pelo escritório, e que lhe é literalmente familiar e, não menos revelador, que Vorcaro pagou R$ 3,6 milhões por mês, mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco Central. Pagou por que serviço?

    Parafraseando o Barão de Itararé: Ou restaure-se a moralidade, ou nos afundamos como civilização. Fachin quer código de conduta porque os supremos estão acima do Conselho Nacional de Justiça e da Lei Orgânica da Magistratura. Gilmar tem boas razões para alegar que não precisa. Também acho, mas tenho razões diferentes: código de conduta é forjado na medula desde criança, em casa. Tem que ser da natureza das pessoas. A civilização brasileira voltará à selvageria se a ética entrar em 2026 com os dois pés – pés juntos, como num caixão.


Fonte: GARCIA, Alexandre. Pés juntos. https://revistaoeste.com/revista/edicao-302/pesjuntos/ (adaptado)
Assinale a alternativa que contenha informação incorreta a respeito de um elemento constitutivo do texto I.
Alternativas
Q4360877 Português
TEXTO I

Pés juntos

Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes


Alexandre Garcia


    Na semana do fiasco científico que foi o segundo fracasso consecutivo de lançamento em Alcântara, caminhamos também no nível do chinelo no debate político. Explodiu como o foguete espacial a fala publicitária de Fernanda Torres, de que não devemos entrar em 2026 com o pé direito. “O que eu desejo é que você comece o ano com os dois pés”. Antes de ser uma proclamação ideológica, a frase é uma tremenda burrice. Ora, quem entra com os dois pés ou está numa maca, ou numa cadeira de rodas ou num caixão. As pessoas que não estão nesses casos avançam, alternando as pernas, para caminhar ou usar escadas. Ninguém consegue fazer isso com os dois pés à frente a menos que esteja sobre patins. E chinelos não têm rodas.

    O texto dado a Fernanda ressalva: “Não é nada contra a sorte”. Pois tampouco é uma questão de superstição. É cultural. Na nossa língua de origem, esquerda é sinistra. No Credo, Cristo está à direita de Deus-Pai. Está em Eclesiastes, 10-2: “O coração do sábio se inclina para a direita, mas o coração do tolo, para a esquerda”. “Senta-te à minha direita” está na literatura. Usa-se a mão direita para cumprimentar. E o pé direito para entrar. Ou, no ano eleitoral, estando em campanha, aconselha-se evitar o uso da direita. Como reação, o boicote contra as Havaianas não deu certo, pelo menos no shopping que eu frequentei: a loja estava lotada.

    Não deu certo? Deu sim. As notícias sobre o caso MoraesMaster ficaram em segundo plano, enquanto corre solto com os dois pés o debate altamente grego no nível chinelar. Assim como é evidente a burrice dos que fizeram o texto da propaganda do chinelo, é evidente, por si próprio, sem necessidade de adjetivos, o significado gigantesco do contrato de Vorcaro com a família Moraes. Mas poucos vão além do chinelo. Quanto mais Moraes emite notas para explicar o que já se explicou sozinho, mais Moraes mete os dois pés na jaca, como aconselha Fernanda Torres.

    O senador Alessandro Vieira (MDB Sergipe), delegado de polícia, quer comissão parlamentar para investigar. Mas já começaram as férias legislativas, e só 2026 pode descobrir, por exemplo, quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo no caso Master – e por quê? Não sei com que pé devemos entrar no ano novo para ter garantia de transparência no que parece ser advocacia administrativa pressionando o Banco Central ou o Governador de Brasília, que defendeu a compra do falido Master pelo banco estatal do Distrito Federal. O governador Ibaneis, destituído provisoriamente por Moraes, retornou ao posto e depois defendeu o negócio com o Master, conseguindo aprovação da operação no legislativo local. E ninguém mais incomodou o governador pelo 8 de janeiro.

    Uma CPI esclarece essas coisas, assim como a atuação de ministros do Supremo através de suas esposas, advogados de sucesso. Advocacias anexas podem ser soluções, mas logo serão sérios problemas, se o país for além dos chinelos. É a sina das mulheres dos césares; se advogassem na comarca de Boa Vista ou Rio Branco, estariam acima de suspeitas. Mas em Brasília, e tendo clientes como J&F Master, as tentações são grandes e as suspeitas do mesmo tamanho – a menos que houvesse uma decisão ética dos parentes e afins de, por razões éticas, manterem distância sanitária entre as bancas de advocacia e o tribunal. Evitaria contaminação e seria moralmente saudável.

    Com os dois pés na jaca, o Ministro Moraes emitiu uma segunda nota no mesmo dia, o que, por si, é revelador. O meio é a mensagem – descobriu McLuhan. A segunda explicação veio depois que o distinto público entendeu a resposta do Banco Central apenas confirmando que em reuniões com Moraes tratou-se, sim, de efeitos da Magnitsky – sem negar que tivessem tratado do Master. O Ministro, então, fez uma nova nota, afirmando que o escritório de Viviane e filhos jamais tratou de interesses do Master no Banco Central. Daí se deduz que ele já fala pelo escritório, e que lhe é literalmente familiar e, não menos revelador, que Vorcaro pagou R$ 3,6 milhões por mês, mas o escritório não o defendeu da liquidação pelo Banco Central. Pagou por que serviço?

    Parafraseando o Barão de Itararé: Ou restaure-se a moralidade, ou nos afundamos como civilização. Fachin quer código de conduta porque os supremos estão acima do Conselho Nacional de Justiça e da Lei Orgânica da Magistratura. Gilmar tem boas razões para alegar que não precisa. Também acho, mas tenho razões diferentes: código de conduta é forjado na medula desde criança, em casa. Tem que ser da natureza das pessoas. A civilização brasileira voltará à selvageria se a ética entrar em 2026 com os dois pés – pés juntos, como num caixão.


Fonte: GARCIA, Alexandre. Pés juntos. https://revistaoeste.com/revista/edicao-302/pesjuntos/ (adaptado)
Leia as afirmações abaixo sobre elementos constitutivos do texto I antes de julgar o que se pede.

I. Em “Na semana do fiasco científico que foi o segundo fracasso consecutivo de lançamento em Alcântara, caminhamos também no nível do chinelo no debate político. Explodiu como o foguete espacial a fala publicitária de Fernanda Torres, de que não devemos entrar em 2026 com o pé direito.” (1º par.), os vocábulos em destaque possuem sentido ambivalente, na medida em que auxiliam na edificação crítica e satírica por parte do autor.
II. Em “O texto dado a Fernanda ressalva: ‘Não é nada contra a sorte’.” (2º par.), a fala apontada é tratada de maneira convergente por parte do articulista do texto quanto à proclamação ideológica citada no parágrafo anterior.
III. Perguntas como “Não deu certo?” (3º par.), “[...] quem Toffoli acha que deve ser protegido pelo sigilo no caso Master – e por quê?” (4º par.) e “Pagou por que serviço?” (6º par.) foram elaboradas com objetivos distintos a fim de exemplificarem a complexidade que a investigação sugere.
IV. Em “Uma CPI esclarece essas coisas, assim como a atuação de ministros do Supremo através de suas esposas, advogados de sucesso.” (5º par.), o articulista se vale de um tom laudatório a fim de reconhecer a habilidade profissional mencionada no contexto.

Pode-se dizer que está correto o que se afirmou somente em: 
Alternativas
Respostas
10501: C
10502: B
10503: C
10504: A
10505: C
10506: B
10507: C
10508: E
10509: C
10510: D
10511: B
10512: E
10513: A
10514: A
10515: C
10516: E
10517: A
10518: B
10519: D
10520: A