Questões de Concurso
Sobre interpretação de textos em português
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LEIA:
A cadeira do dentista
Carlos Eduardo Novaes
Fazia dois anos que não me sentava numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e me escafedia antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo ‒ tem uns seis meses ‒ quando ele me informou o preço do serviço, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
‒ Não quero uma dentadura em ouro com incrustações em e esmeraldas - esclareci -, só preciso tratar o canal.
‒ É esse o preço de um tratamento de canal
‒ Tem certeza? O senhor não estará confundindo o meu canal com o do Panamá?
Adiei o tratamento. Tenho pavor de dentista. O mundo avançou nos últimos 30 anos, mas a Odontologia permanece uma atividade medieval. Para mim não faz diferença um "pau-de-arara" ou uma cadeira de dentista: é tudo instrumento de tortura.
Desta vez, porém, não tive como escapar. Os dentes do lado esquerdo já tinham se transformado em meros figurantes dentro da boca. Ao estourar o pré - molar do lado direito, fiquei restrito à linha de frente para mastigar maminhas e picanhas. Experiência que poderia ter dado certo, caso tivesse algum jeito para esquilo.
https://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4244912/4104925/NJM7_3BIM_ALUNO_2013.pdf
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A cadeira do dentista
Carlos Eduardo Novaes
Fazia dois anos que não me sentava numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e me escafedia antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo ‒ tem uns seis meses ‒ quando ele me informou o preço do serviço, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
‒ Não quero uma dentadura em ouro com incrustações em e esmeraldas - esclareci -, só preciso tratar o canal.
‒ É esse o preço de um tratamento de canal
‒ Tem certeza? O senhor não estará confundindo o meu canal com o do Panamá?
Adiei o tratamento. Tenho pavor de dentista. O mundo avançou nos últimos 30 anos, mas a Odontologia permanece uma atividade medieval. Para mim não faz diferença um "pau-de-arara" ou uma cadeira de dentista: é tudo instrumento de tortura.
Desta vez, porém, não tive como escapar. Os dentes do lado esquerdo já tinham se transformado em meros figurantes dentro da boca. Ao estourar o pré - molar do lado direito, fiquei restrito à linha de frente para mastigar maminhas e picanhas. Experiência que poderia ter dado certo, caso tivesse algum jeito para esquilo.
https://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4244912/4104925/NJM7_3BIM_ALUNO_2013.pdf
Leia atentamente o trecho abaixo.
“Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala me escafedia antes de ser atendido.”
Qual palavra poderia substituir a expressão destacada mantendo o sentido da frase?
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A cadeira do dentista
Carlos Eduardo Novaes
Fazia dois anos que não me sentava numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e me escafedia antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo ‒ tem uns seis meses ‒ quando ele me informou o preço do serviço, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
‒ Não quero uma dentadura em ouro com incrustações em e esmeraldas - esclareci -, só preciso tratar o canal.
‒ É esse o preço de um tratamento de canal
‒ Tem certeza? O senhor não estará confundindo o meu canal com o do Panamá?
Adiei o tratamento. Tenho pavor de dentista. O mundo avançou nos últimos 30 anos, mas a Odontologia permanece uma atividade medieval. Para mim não faz diferença um "pau-de-arara" ou uma cadeira de dentista: é tudo instrumento de tortura.
Desta vez, porém, não tive como escapar. Os dentes do lado esquerdo já tinham se transformado em meros figurantes dentro da boca. Ao estourar o pré - molar do lado direito, fiquei restrito à linha de frente para mastigar maminhas e picanhas. Experiência que poderia ter dado certo, caso tivesse algum jeito para esquilo.
https://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4244912/4104925/NJM7_3BIM_ALUNO_2013.pdf
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A cadeira do dentista
Carlos Eduardo Novaes
Fazia dois anos que não me sentava numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e me escafedia antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo ‒ tem uns seis meses ‒ quando ele me informou o preço do serviço, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
‒ Não quero uma dentadura em ouro com incrustações em e esmeraldas - esclareci -, só preciso tratar o canal.
‒ É esse o preço de um tratamento de canal
‒ Tem certeza? O senhor não estará confundindo o meu canal com o do Panamá?
Adiei o tratamento. Tenho pavor de dentista. O mundo avançou nos últimos 30 anos, mas a Odontologia permanece uma atividade medieval. Para mim não faz diferença um "pau-de-arara" ou uma cadeira de dentista: é tudo instrumento de tortura.
Desta vez, porém, não tive como escapar. Os dentes do lado esquerdo já tinham se transformado em meros figurantes dentro da boca. Ao estourar o pré - molar do lado direito, fiquei restrito à linha de frente para mastigar maminhas e picanhas. Experiência que poderia ter dado certo, caso tivesse algum jeito para esquilo.
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Com base na maneira como o texto se divide e se compõe, assinale a alternativa que identifica corretamente o tipo de organização utilizado.
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A cadeira do dentista
Carlos Eduardo Novaes
Fazia dois anos que não me sentava numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e me escafedia antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo ‒ tem uns seis meses ‒ quando ele me informou o preço do serviço, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
‒ Não quero uma dentadura em ouro com incrustações em e esmeraldas - esclareci -, só preciso tratar o canal.
‒ É esse o preço de um tratamento de canal
‒ Tem certeza? O senhor não estará confundindo o meu canal com o do Panamá?
Adiei o tratamento. Tenho pavor de dentista. O mundo avançou nos últimos 30 anos, mas a Odontologia permanece uma atividade medieval. Para mim não faz diferença um "pau-de-arara" ou uma cadeira de dentista: é tudo instrumento de tortura.
Desta vez, porém, não tive como escapar. Os dentes do lado esquerdo já tinham se transformado em meros figurantes dentro da boca. Ao estourar o pré - molar do lado direito, fiquei restrito à linha de frente para mastigar maminhas e picanhas. Experiência que poderia ter dado certo, caso tivesse algum jeito para esquilo.
https://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4244912/4104925/NJM7_3BIM_ALUNO_2013.pdf
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A cadeira do dentista
Carlos Eduardo Novaes
Fazia dois anos que não me sentava numa cadeira de dentista. Não que meus dentes estivessem por todo esse tempo sem reclamar um tratamento. Cheguei a marcar várias consultas, mas começava a suar frio folheando velhas revistas na antessala e me escafedia antes de ser atendido. Na única ocasião em que botei o pé no gabinete do odontólogo ‒ tem uns seis meses ‒ quando ele me informou o preço do serviço, a dor transferiu-se do dente para o bolso.
‒ Não quero uma dentadura em ouro com incrustações em e esmeraldas - esclareci -, só preciso tratar o canal.
‒ É esse o preço de um tratamento de canal
‒ Tem certeza? O senhor não estará confundindo o meu canal com o do Panamá?
Adiei o tratamento. Tenho pavor de dentista. O mundo avançou nos últimos 30 anos, mas a Odontologia permanece uma atividade medieval. Para mim não faz diferença um "pau-de-arara" ou uma cadeira de dentista: é tudo instrumento de tortura.
Desta vez, porém, não tive como escapar. Os dentes do lado esquerdo já tinham se transformado em meros figurantes dentro da boca. Ao estourar o pré - molar do lado direito, fiquei restrito à linha de frente para mastigar maminhas e picanhas. Experiência que poderia ter dado certo, caso tivesse algum jeito para esquilo.
https://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4244912/4104925/NJM7_3BIM_ALUNO_2013.pdf
Leia atentamente o texto a seguir:
Informação em Tempos de Internet
A expansão do acesso à informação nas últimas décadas tem provocado transformações profundas na forma como os indivíduos constroem conhecimento. A quantidade massiva de dados disponíveis, somada à velocidade com que circulam, cria um ambiente em que a simples obtenção de informações deixa de ser diferencial. O desafio contemporâneo não é acessar informações, mas interpretá-las criticamente, estabelecendo relações, identificando vieses e reconhecendo a complexidade dos fenômenos sociais.
Paradoxalmente, embora vivamos na chamada ‘era do conhecimento’, cresce o risco da superficialidade. O consumo fragmentado de conteúdos – especialmente em mídias digitais – tende a produzir percepções rápidas, porém pouco aprofundadas, favorecendo conclusões apressadas e discursos simplificadores. Nesse cenário, a leitura analítica e a argumentação fundamentada tornam-se competências essenciais para quem deseja participar de forma responsável do debate público.
Leia atentamente o texto a seguir:
Informação em Tempos de Internet
A expansão do acesso à informação nas últimas décadas tem provocado transformações profundas na forma como os indivíduos constroem conhecimento. A quantidade massiva de dados disponíveis, somada à velocidade com que circulam, cria um ambiente em que a simples obtenção de informações deixa de ser diferencial. O desafio contemporâneo não é acessar informações, mas interpretá-las criticamente, estabelecendo relações, identificando vieses e reconhecendo a complexidade dos fenômenos sociais.
Paradoxalmente, embora vivamos na chamada ‘era do conhecimento’, cresce o risco da superficialidade. O consumo fragmentado de conteúdos – especialmente em mídias digitais – tende a produzir percepções rápidas, porém pouco aprofundadas, favorecendo conclusões apressadas e discursos simplificadores. Nesse cenário, a leitura analítica e a argumentação fundamentada tornam-se competências essenciais para quem deseja participar de forma responsável do debate público.
Leia atentamente o texto a seguir:
Informação em Tempos de Internet
A expansão do acesso à informação nas últimas décadas tem provocado transformações profundas na forma como os indivíduos constroem conhecimento. A quantidade massiva de dados disponíveis, somada à velocidade com que circulam, cria um ambiente em que a simples obtenção de informações deixa de ser diferencial. O desafio contemporâneo não é acessar informações, mas interpretá-las criticamente, estabelecendo relações, identificando vieses e reconhecendo a complexidade dos fenômenos sociais.
Paradoxalmente, embora vivamos na chamada ‘era do conhecimento’, cresce o risco da superficialidade. O consumo fragmentado de conteúdos – especialmente em mídias digitais – tende a produzir percepções rápidas, porém pouco aprofundadas, favorecendo conclusões apressadas e discursos simplificadores. Nesse cenário, a leitura analítica e a argumentação fundamentada tornam-se competências essenciais para quem deseja participar de forma responsável do debate público.
Leia atentamente o texto a seguir:
Informação em Tempos de Internet
A expansão do acesso à informação nas últimas décadas tem provocado transformações profundas na forma como os indivíduos constroem conhecimento. A quantidade massiva de dados disponíveis, somada à velocidade com que circulam, cria um ambiente em que a simples obtenção de informações deixa de ser diferencial. O desafio contemporâneo não é acessar informações, mas interpretá-las criticamente, estabelecendo relações, identificando vieses e reconhecendo a complexidade dos fenômenos sociais.
Paradoxalmente, embora vivamos na chamada ‘era do conhecimento’, cresce o risco da superficialidade. O consumo fragmentado de conteúdos – especialmente em mídias digitais – tende a produzir percepções rápidas, porém pouco aprofundadas, favorecendo conclusões apressadas e discursos simplificadores. Nesse cenário, a leitura analítica e a argumentação fundamentada tornam-se competências essenciais para quem deseja participar de forma responsável do debate público.
Leia atentamente o texto a seguir:
Informação em Tempos de Internet
A expansão do acesso à informação nas últimas décadas tem provocado transformações profundas na forma como os indivíduos constroem conhecimento. A quantidade massiva de dados disponíveis, somada à velocidade com que circulam, cria um ambiente em que a simples obtenção de informações deixa de ser diferencial. O desafio contemporâneo não é acessar informações, mas interpretá-las criticamente, estabelecendo relações, identificando vieses e reconhecendo a complexidade dos fenômenos sociais.
Paradoxalmente, embora vivamos na chamada ‘era do conhecimento’, cresce o risco da superficialidade. O consumo fragmentado de conteúdos – especialmente em mídias digitais – tende a produzir percepções rápidas, porém pouco aprofundadas, favorecendo conclusões apressadas e discursos simplificadores. Nesse cenário, a leitura analítica e a argumentação fundamentada tornam-se competências essenciais para quem deseja participar de forma responsável do debate público.
Sobre a tirinha de Hagar,
Considerando o uso de linguagem e figuras de estilo, assinale a alternativa correta:
Sobre a tirinha, para que a coerência e o humor sejam estabelecidos, é preciso:
Leia atentamente o trecho da reportagem abaixo para responder à questão.
Racismo ambiental: gênero, etnicidade e mudanças climáticas
Os impactos da crise do clima não são neutros e atingem mais determinados países e segmentos da população
O deslocamento de pessoas por desastres ambientais é uma das consequências mais devastadoras do momento presente e tem atingido comunidades inteiras em decorrência de seus impactos. Sob uma perspectiva global, a Organização das Nações Unidas (ONU), ao celebrar a COP26, apontou que as mulheres são as mais afetadas pela crise climática que também se configura como uma crise humanitária. Segundo a ONU, 80% das pessoas forçadas a cruzar fronteiras devido a desastres e mudanças climáticas são mulheres e crianças.
Portanto, os impactos dessa crise não são neutros. Mulheres e meninas enfrentam riscos cada vez mais sérios e podem, em algumas circunstâncias, precisar de proteção internacional.
Países em desenvolvimento ou emergentes no processo econômico e social são os mais impactados pela crise climática, desastres ambientais e conflitos civis e armados por recursos naturais – a garantia de água, comida e combustível para as famílias em grande parte é condicionada, estruturalmente, às mulheres, situação essa que pode ser mais complexa durante enchentes e secas, por exemplo. Uma vez que as mulheres precisam ir mais longe para coletar comida e água, ficam mais expostas a diferentes tipos de violência, incluindo abuso e violência sexual.
No Brasil, as catástrofes impulsionadas pelas mudanças climáticas, como as enchentes, inundações e os deslizamentos de terra ocorridos no início deste ano, especificamente nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro (Petrópolis) e Pernambuco, têm se tornado cada vez mais frequentes. E as pessoas mais afetadas têm sempre o mesmo gênero e cor.
Esse fato ocorre, principalmente, porque o processo de desenvolvimento das cidades carrega em si mesmo uma lógica desigual, expulsando as populações minorizadas das zonas mais seguras para as áreas de risco. Estruturando toda uma omissão histórica por parte dos Estados na construção de políticas públicas que priorizem o direito das mulheres e um caminho para a justiça ambiental e racial.
Conforme apontam os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos lares chefiados por apenas uma pessoa no país, sem cônjuge, e com filho(s) de até 14 anos, 54% encontram-se abaixo da linha da pobreza. Dessas famílias, 63% são chefiadas por mulheres pretas ou pardas e que habitam periferias das cidades.
Para se ter uma ideia, das pessoas entrevistadas para o desenvolvimento da linha de base do projeto Resposta Emergencial Bahia e Minas Gerais, da rede Cáritas, 78,69% eram mulheres. O dado aponta que esse grupo foi o mais atingido pelos efeitos das fortes chuvas do final de 2021 e início de2022 nesses estados.
A atividade mineradora no país também escancara sua face mais perversa, com rompimentos de barragem de rejeitos de grandes proporções, com casos mais emblemáticos em Minas Gerais(Rompimento da barragem de Fundão da Samarco/Vale/BHP, 2015, Mariana; Rompimento da barragem da Vale S.A, 2019, Brumadinho) e no Pará (Rompimento da barragem da Hydro Alunorte, 2018, Barcarena).
Os rompimentos de barragens são exemplos reais que demonstram como projetos desenvolvimentistas – seja por meio da mineração, do agronegócio ou das hidrelétricas – têm se mostrado danosos e prejudiciais, especialmente, para populações racializadas – pessoas negras, indígenas equilombolas e comunidades tradicionais – já que são seus territórios os alvos mais recorrentes das empreitadas transnacionais. Acirrando as desigualdades ambientais e exclusão fundiária, bem como o contexto de violência racial e de gênero no país [...].(COMISSÃO DE GÊNERO E GT ANTIRRACISTA DA CÁRITAS BRASILEIRA. Racismo ambiental: gênero, etnicidade e mudanças climáticas(fragmento).
Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2022/12/04/ racismo-ambiental-genero-etnicidade-emudancas-climaticas. Acesso em: 20 jun. 2025.)
“Estruturando toda uma omissão histórica por parte dos Estados na construção de políticas públicas que priorizem o direito das mulheres e um caminho para a justiça ambiental e racial. Essa situação pode ser mais complexa durante enchentes e secas, por exemplo.”
Assinale a alternativa que melhor explica o papel coesivo do termo em destaque no trecho:
Leia atentamente o trecho da reportagem abaixo para responder à questão.
Racismo ambiental: gênero, etnicidade e mudanças climáticas
Os impactos da crise do clima não são neutros e atingem mais determinados países e segmentos da população
O deslocamento de pessoas por desastres ambientais é uma das consequências mais devastadoras do momento presente e tem atingido comunidades inteiras em decorrência de seus impactos. Sob uma perspectiva global, a Organização das Nações Unidas (ONU), ao celebrar a COP26, apontou que as mulheres são as mais afetadas pela crise climática que também se configura como uma crise humanitária. Segundo a ONU, 80% das pessoas forçadas a cruzar fronteiras devido a desastres e mudanças climáticas são mulheres e crianças.
Portanto, os impactos dessa crise não são neutros. Mulheres e meninas enfrentam riscos cada vez mais sérios e podem, em algumas circunstâncias, precisar de proteção internacional.
Países em desenvolvimento ou emergentes no processo econômico e social são os mais impactados pela crise climática, desastres ambientais e conflitos civis e armados por recursos naturais – a garantia de água, comida e combustível para as famílias em grande parte é condicionada, estruturalmente, às mulheres, situação essa que pode ser mais complexa durante enchentes e secas, por exemplo. Uma vez que as mulheres precisam ir mais longe para coletar comida e água, ficam mais expostas a diferentes tipos de violência, incluindo abuso e violência sexual.
No Brasil, as catástrofes impulsionadas pelas mudanças climáticas, como as enchentes, inundações e os deslizamentos de terra ocorridos no início deste ano, especificamente nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro (Petrópolis) e Pernambuco, têm se tornado cada vez mais frequentes. E as pessoas mais afetadas têm sempre o mesmo gênero e cor.
Esse fato ocorre, principalmente, porque o processo de desenvolvimento das cidades carrega em si mesmo uma lógica desigual, expulsando as populações minorizadas das zonas mais seguras para as áreas de risco. Estruturando toda uma omissão histórica por parte dos Estados na construção de políticas públicas que priorizem o direito das mulheres e um caminho para a justiça ambiental e racial.
Conforme apontam os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos lares chefiados por apenas uma pessoa no país, sem cônjuge, e com filho(s) de até 14 anos, 54% encontram-se abaixo da linha da pobreza. Dessas famílias, 63% são chefiadas por mulheres pretas ou pardas e que habitam periferias das cidades.
Para se ter uma ideia, das pessoas entrevistadas para o desenvolvimento da linha de base do projeto Resposta Emergencial Bahia e Minas Gerais, da rede Cáritas, 78,69% eram mulheres. O dado aponta que esse grupo foi o mais atingido pelos efeitos das fortes chuvas do final de 2021 e início de2022 nesses estados.
A atividade mineradora no país também escancara sua face mais perversa, com rompimentos de barragem de rejeitos de grandes proporções, com casos mais emblemáticos em Minas Gerais(Rompimento da barragem de Fundão da Samarco/Vale/BHP, 2015, Mariana; Rompimento da barragem da Vale S.A, 2019, Brumadinho) e no Pará (Rompimento da barragem da Hydro Alunorte, 2018, Barcarena).
Os rompimentos de barragens são exemplos reais que demonstram como projetos desenvolvimentistas – seja por meio da mineração, do agronegócio ou das hidrelétricas – têm se mostrado danosos e prejudiciais, especialmente, para populações racializadas – pessoas negras, indígenas equilombolas e comunidades tradicionais – já que são seus territórios os alvos mais recorrentes das empreitadas transnacionais. Acirrando as desigualdades ambientais e exclusão fundiária, bem como o contexto de violência racial e de gênero no país [...].(COMISSÃO DE GÊNERO E GT ANTIRRACISTA DA CÁRITAS BRASILEIRA. Racismo ambiental: gênero, etnicidade e mudanças climáticas(fragmento).
Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2022/12/04/ racismo-ambiental-genero-etnicidade-emudancas-climaticas. Acesso em: 20 jun. 2025.)