Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q3850883 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Disponível em: <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tiras-de-armandinho>


Na tirinha acima, há uma quebra de expectativa provocada pelo fato de que:
Alternativas
Q3850849 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão. 


                                                             


Disponível em: <https://campusvirtual.fiocruz.br/portal/?q=noticia/8998>

Podemos interpretar, do texto de Marcelo Lopes, que, após momentos difíceis, sempre há algo bom por acontecer. Qual termo do texto representa esse elemento positivo acontecerá? Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Q3850843 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.



Disponível em: <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/27431-tiras-de-armandinho>  

Na tirinha acima, o menino combinou um compromisso às nove horas, mas se atrasou. Por quê?
Alternativas
Q3850719 Português
A coerência do Banco Central

Era bola cantada que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteria a taxa básica de juros em 15% ao ano. Não havia nada a justificar uma mudança de rota por parte do Banco Central (BC). Nesse sentido, a unanimidade em torno da decisão enfatizou a coesão e a coerência de seus membros na definição da política monetária.

        Os indicadores não ajudam muito. A economia desacelerou, mas a taxa de desemprego no trimestre encerrado em setembro atingiu 5,6%, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. A inflação arrefeceu, mas tanto o índice cheio como os núcleos, que excluem os itens mais voláteis, permanecem acima da meta de 3%, assim como as expectativas para o IPCA deste ano e o de 2026. As projeções para o segundo trimestre de 2027, horizonte que guia as decisões do Copom, recuaram de 3,4% para 3,3%, mas ainda estão em nível acima da meta.

        Não havia, portanto, como sinalizar algum alívio no curto prazo. Para marcar essa posição, o BC preferiu repetir uma frase mencionada em divulgações anteriores, segundo a qual é preciso manter as taxas de juros elevadas por período “bastante prolongado”. Assim, foi praticamente sepultada a possibilidade de que a Selic possa cair ainda em 2025, além de ter sido reduzida sobremaneira a aposta em uma queda em janeiro. Agora, a maioria do mercado passou a acreditar que os cortes só devem começar em março.

        A boa notícia é que o BC cravou que os juros em 15% ao ano, no maior nível em quase 20 anos, serão suficientes para assegurar que a inflação convirja rumo à meta. Pode parecer pouca coisa em um comunicado tão duro, mas, até então, o Copom ainda manifestava dúvidas sobre a eficácia dessa estratégia. Isso, de certa forma, deixava implícita a possibilidade de que a Selic teria de ir além para alcançar a meta de 3%.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 07.11.2025. Adaptado)
Considere as passagens do texto:
•  Para marcar essa posição, o BC preferiu repetir uma frase mencionada em divulgações anteriores... (3º parágrafo)
•  Isso, de certa forma, deixava implícita a possibilidade de que a Selic teria de ir além para alcançar a meta de 3%. (4º parágrafo)
Nas passagens, as expressões destacadas referem-se, correta e respectivamente:
Alternativas
Q3850717 Português
A coerência do Banco Central

Era bola cantada que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteria a taxa básica de juros em 15% ao ano. Não havia nada a justificar uma mudança de rota por parte do Banco Central (BC). Nesse sentido, a unanimidade em torno da decisão enfatizou a coesão e a coerência de seus membros na definição da política monetária.

        Os indicadores não ajudam muito. A economia desacelerou, mas a taxa de desemprego no trimestre encerrado em setembro atingiu 5,6%, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. A inflação arrefeceu, mas tanto o índice cheio como os núcleos, que excluem os itens mais voláteis, permanecem acima da meta de 3%, assim como as expectativas para o IPCA deste ano e o de 2026. As projeções para o segundo trimestre de 2027, horizonte que guia as decisões do Copom, recuaram de 3,4% para 3,3%, mas ainda estão em nível acima da meta.

        Não havia, portanto, como sinalizar algum alívio no curto prazo. Para marcar essa posição, o BC preferiu repetir uma frase mencionada em divulgações anteriores, segundo a qual é preciso manter as taxas de juros elevadas por período “bastante prolongado”. Assim, foi praticamente sepultada a possibilidade de que a Selic possa cair ainda em 2025, além de ter sido reduzida sobremaneira a aposta em uma queda em janeiro. Agora, a maioria do mercado passou a acreditar que os cortes só devem começar em março.

        A boa notícia é que o BC cravou que os juros em 15% ao ano, no maior nível em quase 20 anos, serão suficientes para assegurar que a inflação convirja rumo à meta. Pode parecer pouca coisa em um comunicado tão duro, mas, até então, o Copom ainda manifestava dúvidas sobre a eficácia dessa estratégia. Isso, de certa forma, deixava implícita a possibilidade de que a Selic teria de ir além para alcançar a meta de 3%.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 07.11.2025. Adaptado)
Considere as passagens do texto:
•  A inflação arrefeceu, mas tanto o índice cheio como os núcleos, que excluem os itens mais voláteis, permanecem acima da meta de 3%... (2º parágrafo)
•  Assim, foi praticamente sepultada a possibilidade de que a Selic possa cair ainda em 2025, além de ter sido reduzida sobremaneira a aposta em uma queda em janeiro. (3º parágrafo)
•  Isso, de certa forma, deixava implícita a possibilidade de que a Selic teria de ir além para alcançar a meta de 3%. (4º parágrafo)
No contexto em que estão empregados, os termos destacados significam, correta e respectivamente:
Alternativas
Q3850716 Português
A coerência do Banco Central

Era bola cantada que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteria a taxa básica de juros em 15% ao ano. Não havia nada a justificar uma mudança de rota por parte do Banco Central (BC). Nesse sentido, a unanimidade em torno da decisão enfatizou a coesão e a coerência de seus membros na definição da política monetária.

        Os indicadores não ajudam muito. A economia desacelerou, mas a taxa de desemprego no trimestre encerrado em setembro atingiu 5,6%, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. A inflação arrefeceu, mas tanto o índice cheio como os núcleos, que excluem os itens mais voláteis, permanecem acima da meta de 3%, assim como as expectativas para o IPCA deste ano e o de 2026. As projeções para o segundo trimestre de 2027, horizonte que guia as decisões do Copom, recuaram de 3,4% para 3,3%, mas ainda estão em nível acima da meta.

        Não havia, portanto, como sinalizar algum alívio no curto prazo. Para marcar essa posição, o BC preferiu repetir uma frase mencionada em divulgações anteriores, segundo a qual é preciso manter as taxas de juros elevadas por período “bastante prolongado”. Assim, foi praticamente sepultada a possibilidade de que a Selic possa cair ainda em 2025, além de ter sido reduzida sobremaneira a aposta em uma queda em janeiro. Agora, a maioria do mercado passou a acreditar que os cortes só devem começar em março.

        A boa notícia é que o BC cravou que os juros em 15% ao ano, no maior nível em quase 20 anos, serão suficientes para assegurar que a inflação convirja rumo à meta. Pode parecer pouca coisa em um comunicado tão duro, mas, até então, o Copom ainda manifestava dúvidas sobre a eficácia dessa estratégia. Isso, de certa forma, deixava implícita a possibilidade de que a Selic teria de ir além para alcançar a meta de 3%.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 07.11.2025. Adaptado)
A expressão destacada está empregada em sentido próprio em:
Alternativas
Q3850715 Português
A coerência do Banco Central

Era bola cantada que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteria a taxa básica de juros em 15% ao ano. Não havia nada a justificar uma mudança de rota por parte do Banco Central (BC). Nesse sentido, a unanimidade em torno da decisão enfatizou a coesão e a coerência de seus membros na definição da política monetária.

        Os indicadores não ajudam muito. A economia desacelerou, mas a taxa de desemprego no trimestre encerrado em setembro atingiu 5,6%, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. A inflação arrefeceu, mas tanto o índice cheio como os núcleos, que excluem os itens mais voláteis, permanecem acima da meta de 3%, assim como as expectativas para o IPCA deste ano e o de 2026. As projeções para o segundo trimestre de 2027, horizonte que guia as decisões do Copom, recuaram de 3,4% para 3,3%, mas ainda estão em nível acima da meta.

        Não havia, portanto, como sinalizar algum alívio no curto prazo. Para marcar essa posição, o BC preferiu repetir uma frase mencionada em divulgações anteriores, segundo a qual é preciso manter as taxas de juros elevadas por período “bastante prolongado”. Assim, foi praticamente sepultada a possibilidade de que a Selic possa cair ainda em 2025, além de ter sido reduzida sobremaneira a aposta em uma queda em janeiro. Agora, a maioria do mercado passou a acreditar que os cortes só devem começar em março.

        A boa notícia é que o BC cravou que os juros em 15% ao ano, no maior nível em quase 20 anos, serão suficientes para assegurar que a inflação convirja rumo à meta. Pode parecer pouca coisa em um comunicado tão duro, mas, até então, o Copom ainda manifestava dúvidas sobre a eficácia dessa estratégia. Isso, de certa forma, deixava implícita a possibilidade de que a Selic teria de ir além para alcançar a meta de 3%.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 07.11.2025. Adaptado)
Com a frase do 1º parágrafo “... a unanimidade em torno da decisão enfatizou a coesão e a coerência de seus membros na definição da política monetária.”, entende-se, corretamente, que
Alternativas
Q3850714 Português
A coerência do Banco Central

Era bola cantada que o Comitê de Política Monetária (Copom) manteria a taxa básica de juros em 15% ao ano. Não havia nada a justificar uma mudança de rota por parte do Banco Central (BC). Nesse sentido, a unanimidade em torno da decisão enfatizou a coesão e a coerência de seus membros na definição da política monetária.

        Os indicadores não ajudam muito. A economia desacelerou, mas a taxa de desemprego no trimestre encerrado em setembro atingiu 5,6%, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. A inflação arrefeceu, mas tanto o índice cheio como os núcleos, que excluem os itens mais voláteis, permanecem acima da meta de 3%, assim como as expectativas para o IPCA deste ano e o de 2026. As projeções para o segundo trimestre de 2027, horizonte que guia as decisões do Copom, recuaram de 3,4% para 3,3%, mas ainda estão em nível acima da meta.

        Não havia, portanto, como sinalizar algum alívio no curto prazo. Para marcar essa posição, o BC preferiu repetir uma frase mencionada em divulgações anteriores, segundo a qual é preciso manter as taxas de juros elevadas por período “bastante prolongado”. Assim, foi praticamente sepultada a possibilidade de que a Selic possa cair ainda em 2025, além de ter sido reduzida sobremaneira a aposta em uma queda em janeiro. Agora, a maioria do mercado passou a acreditar que os cortes só devem começar em março.

        A boa notícia é que o BC cravou que os juros em 15% ao ano, no maior nível em quase 20 anos, serão suficientes para assegurar que a inflação convirja rumo à meta. Pode parecer pouca coisa em um comunicado tão duro, mas, até então, o Copom ainda manifestava dúvidas sobre a eficácia dessa estratégia. Isso, de certa forma, deixava implícita a possibilidade de que a Selic teria de ir além para alcançar a meta de 3%.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 07.11.2025. Adaptado)
As informações do texto permitem concluir corretamente que a manutenção da taxa básica de juros em 15% ao ano
Alternativas
Q3850669 Português
O trabalho com gêneros textuais em sala de aula permite que o aluno compreenda como a língua funciona em diferentes contextos sociais e propósitos comunicativos. Considerando as características estruturais e linguísticas de uma 'Abstract' (Resumo Acadêmico), assinale a alternativa que descreve corretamente esse gênero.
Alternativas
Q3850158 Português
Cuidar de quem cuida


    Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres, mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão e afeto.

    Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.

    O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM), Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR) e Benevides (PA).

    Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres; e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação e alongamento.

    O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se 5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade até 2050.

    Tais números mostram que o projeto Escada é mais do que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.


(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.11.2025. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido do texto, na passagem do 2o parágrafo “Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia…”, as expressões podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q3849998 Português
Cuidar de quem cuida


    Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres, mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão e afeto.

    Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.

    O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM), Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR) e Benevides (PA).

    Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres; e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação e alongamento.

    O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se 5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade até 2050.

    Tais números mostram que o projeto Escada é mais do que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.


(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.11.2025. Adaptado)
Sem prejuízo ao sentido do texto, na passagem do 2o parágrafo “Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia…”, as expressões podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
Alternativas
Q3849826 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Um grande passo para a humanidade

    Para os meninos de hoje, as viagens do ônibus espacial são rotina e dizem muito pouco, quando não passam desapercebidas, porque não têm mais emoção e se sucedem com frequência, como se fizessem eternamente parte do dia a dia humano.

    Mas, quando eu era criança, a conquista do espaço implicava emoções fortes. De repente, Flash Gordon deixava de ser ficção para se materializar nos foguetes russos e americanos que subiam aos céus, levando primeiro cachorros, como a Laica, e depois homens, para dar a volta do planeta em órbitas fantásticas onde aparecíamos aos seus olhos pintados de azuis.

    (...)

   De repente, ainda que seguindo os passos de um cronograma lógico e rigoroso, estávamos na lua, com tudo de mítico e lúdico que esse voo tinha.

    Num dia de julho o homem rompeu a cadeia que o prendia à Terra desde o começo da nossa história; dali para a frente a nova fronteira seria os confins do espaço.

    O planeta parou para assistir pela televisão ao pouso do módulo lunar na superfície da lua.

     Meu Deus do céu, assistir pela televisão o homem andar na lua!

    Não bastava o feito fantástico, a capacidade intelectual e a coragem envolvidas, ainda por cima, nós, míseros mortais espalhados pela superfície do nosso planeta menor, tínhamos a chance de ver, ao vivo, pelas telas das televisões ligadas nos 4 cantos da Terra, a história ser feita, no momento em que a história era feita; na marca maravilhosa gravada para sempre – como um padrão real plantado no cosmos – da pegada da sola da bota de um homem na superfície da lua.

MENDONÇA, Antonio Penteado. Um grande passo para a humanidade. Crônicas da cidade. Disponível em.
“Num dia de julho o homem rompeu a cadeia que o prendia à Terra desde o começo da nossa história”
A palavra destacada no trecho acima é sinônima de:
Alternativas
Q3849825 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.

Um grande passo para a humanidade

    Para os meninos de hoje, as viagens do ônibus espacial são rotina e dizem muito pouco, quando não passam desapercebidas, porque não têm mais emoção e se sucedem com frequência, como se fizessem eternamente parte do dia a dia humano.

    Mas, quando eu era criança, a conquista do espaço implicava emoções fortes. De repente, Flash Gordon deixava de ser ficção para se materializar nos foguetes russos e americanos que subiam aos céus, levando primeiro cachorros, como a Laica, e depois homens, para dar a volta do planeta em órbitas fantásticas onde aparecíamos aos seus olhos pintados de azuis.

    (...)

   De repente, ainda que seguindo os passos de um cronograma lógico e rigoroso, estávamos na lua, com tudo de mítico e lúdico que esse voo tinha.

    Num dia de julho o homem rompeu a cadeia que o prendia à Terra desde o começo da nossa história; dali para a frente a nova fronteira seria os confins do espaço.

    O planeta parou para assistir pela televisão ao pouso do módulo lunar na superfície da lua.

     Meu Deus do céu, assistir pela televisão o homem andar na lua!

    Não bastava o feito fantástico, a capacidade intelectual e a coragem envolvidas, ainda por cima, nós, míseros mortais espalhados pela superfície do nosso planeta menor, tínhamos a chance de ver, ao vivo, pelas telas das televisões ligadas nos 4 cantos da Terra, a história ser feita, no momento em que a história era feita; na marca maravilhosa gravada para sempre – como um padrão real plantado no cosmos – da pegada da sola da bota de um homem na superfície da lua.

MENDONÇA, Antonio Penteado. Um grande passo para a humanidade. Crônicas da cidade. Disponível em.
O autor do texto “Um grande passo para a humanidade” apresenta as ideias na forma de:
Alternativas
Q3849697 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Flor-de-maio

       Entre tantas notícias do jornal — o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés — há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

       Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d'água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

       Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

       Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol — ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.

       Suspiro e digo comigo mesmo — que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

       No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém — uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-demaio" — talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

       Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.


BRAGA, Rubem. Flor-de-Maio. In: A Borboleta Amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 261-262.
Assinale a alternativa que contém um trecho do texto em que há sentido figurado. 
Alternativas
Q3849695 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Flor-de-maio

       Entre tantas notícias do jornal — o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés — há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

       Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d'água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

       Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

       Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol — ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.

       Suspiro e digo comigo mesmo — que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

       No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém — uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-demaio" — talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

       Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.


BRAGA, Rubem. Flor-de-Maio. In: A Borboleta Amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 261-262.
No texto, o narrador em primeira pessoa fala sobre uma nota de três linhas no jornal sobre a florada da flor-de-maio. A partir da leitura do texto, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3849694 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Flor-de-maio

       Entre tantas notícias do jornal — o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés — há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais publicaram.

       Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta d'água, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

       Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonemas a dar, providências a tomar.

       Agora, já desce a noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol — ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e choram gotas e flores no chão.

       Suspiro e digo comigo mesmo — que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a notícia ficará no que foi — um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

       No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém — uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-demaio" — talvez com a mulher e as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

       Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia inteiro da cidade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.


BRAGA, Rubem. Flor-de-Maio. In: A Borboleta Amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. p. 261-262.
Qual das alternativas a seguir é um sinônimo para o termo “imperiosa”, no trecho “Qualquer uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde (...).”? 
Alternativas
Q3849552 Português
Leia o trecho.

“Na cidade, os relógios engolem as horas, o asfalto bebe a chuva, e as vitrines piscam promessas. A noite veste terno e sorri com dentes de neon. Caminho e carrego no bolso um silêncio pesado, uma pedra que fala.”

As figuras de linguagem mais recorrentes no trecho são:
Alternativas
Q3849551 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
A coerência do texto se sustenta pela forma como as ideias avançam até a conclusão. Considerando a sequência dos episódios, a progressão lógica mais adequada é a de: 
Alternativas
Q3849550 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
Considere referência como o uso de pronome que retoma um termo anterior. No trecho: “Paula revisou o relatório. Ele foi enviado hoje. Carlos fez o mesmo e Ana, também. Por isso, o cliente recebeu a versão final.”, a correspondência correta entre mecanismos de coesão e exemplos é: 
Alternativas
Q3849549 Português
Hoje eu fui adulto

08h12

Acordei com a certeza de que hoje seria o dia. O dia em que eu colocaria a vida em ordem. Eu não digo “organizar”, porque “organizar” é uma palavra que dá azar. A vida escuta e se sente desafiada. Então eu pensei “apenas alinhar algumas coisas”, com a humildade estratégica de quem quer vencer por cansaço.

08h40

Primeira tarefa de adulto: pagar uma conta antes do vencimento. Um clássico. Abri o aplicativo do banco e, por algum motivo, ele me pediu para reconhecer o rosto. O meu rosto, às 08h40, parecia o de alguém que acabou de sair de uma audiência de cinco horas. O app não reconheceu. Eu também não. Tentamos três vezes e, na terceira, senti que não era uma falha técnica, era um comentário.

09h15

Liguei para resolver uma pendência simples. A gravação me chamou de “você” com uma alegria artificial, como se a máquina tivesse um plano para mim. “Para continuar, digite 1.” Digitei 1. “Desculpe, não entendi.” Digitei 1 de novo, com mais convicção, como se convicção fosse compatível com teclado. “Desculpe, não entendi.” Em algum lugar, alguém programou uma voz para pedir desculpas sem intenção de mudar de comportamento. Um espelho.

09h58

Fui ao mercado com uma lista. A lista era curta, porque eu estava tentando ser uma pessoa melhor. Comprei tudo o que estava na lista, mais três itens que não estavam, e saí com a sensação de vitória. Na porta, percebi que esqueci exatamente o item principal. A vida tem senso de humor. Eu também, mas o dela é mais eficiente.

11h07

Decidi enfrentar o armário. Existe um tipo de maturidade que não aparece em currículo: a coragem de abrir uma gaveta e não fechar com força. Tirei uma pilha de papéis antigos, garantias de coisas que já nem existem, contratos de serviços que eu nem lembro por que contratei, e uma nota fiscal de 2017 que parecia ter sobrevivido por teimosia. Em algum momento, pensei: “Eu devia digitalizar isso.” Logo depois, pensei: “Eu devia digitalizar minha personalidade.”

12h23

Almocei “de forma consciente”. Tradução: comi olhando para a janela, fingindo que eu era uma pessoa contemplativa e não alguém que estava fugindo de notificações. A comida estava boa, e eu senti uma gratidão sincera por ainda existir arroz no mundo. Adulto é isso também, eu acho, elogiar o básico. 

14h10

Resolvi fazer exercício de adulto: dizer “não”. Recebi uma mensagem pedindo um favor. Eu estava cansado e atrasado com tudo, então eu ia dizer “não”. Mas eu disse “claro”, porque meu “não” ainda está em fase de alfabetização. Para compensar, eu escrevi “claro” sem ponto de exclamação, que é o meu jeito atual de impor limites.

15h36

Tentei marcar uma consulta. O atendente pediu documento, data de nascimento, endereço, telefone, e, pelo tom, quase pediu um relato completo das minhas últimas cinco decisões. No fim, não tinha horário. Eu agradeci, como se a ausência de horário fosse uma gentileza oferecida exclusivamente a mim. Desliguei e senti uma coisa estranha, uma mistura de impotência e alívio. Talvez eu não quisesse mesmo resolver nada hoje. Talvez eu goste desse caos, desde que eu possa reclamar dele com propriedade.

18h02

Voltei para casa com sacolas e uma dignidade frágil. Coloquei tudo no lugar e, por quinze minutos, a casa pareceu uma propaganda de vida adulta. Aí eu lembrei da conta que eu não paguei, da pendência que eu não resolvi, do favor que eu aceitei, e do item principal do mercado que eu esqueci. A propaganda acabou, mas ficou a trilha sonora da culpa.

21h17

Pensei em escrever um “plano” para amanhã. Listei metas, horários, prioridades. Li o que escrevi e achei bonito. Quase poético. Eu tenho um talento real para planejar uma pessoa que eu ainda não sou.

23h04

Conclusão do dia: eu fui adulto, sim. Só que do jeito que dá. Adulto não é alguém que controla tudo. Adulto é alguém que falha, anota mentalmente a falha, e tenta falhar com um pouco mais de estilo na próxima vez. Hoje eu falhei com elegância moderada. Amanhã, se a vida deixar, eu subo o nível.


Fonte: Banca Examinadora
No texto, o narrador usa expressões muito comuns em reuniões e na linguagem de produtividade, como “alinhar”, “pendência”, “plano” e “subo o nível”.
Esse vocabulário contribui para:
Alternativas
Respostas
8501: A
8502: C
8503: D
8504: C
8505: D
8506: E
8507: B
8508: B
8509: E
8510: C
8511: E
8512: D
8513: E
8514: C
8515: D
8516: C
8517: A
8518: B
8519: C
8520: E