Ao final do texto, o narrador afirma: "Mas, enfim, aquela se...
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
O atendimento ao público é uma fonte de inspiração
Eu estava tranquilamente registrando as compras de uma senhora que estava acompanhada de uma moça, provavelmente sua filha. Cada uma tinha uma sacola e, conforme eu passava os produtos, elas iam embalando.
Em certo momento, a senhora me disse:
"Não precisa ter pressa, viu? Eu vou guardar as coisas no meu ritmo!"
Respondi: "Desculpe?"
E ela repetiu: "Não precisa ter pressa, eu vou arrumar as coisas no meu ritmo, tudo bem?"
Eu disse: "Tudo bem."
Ela, em tom altivo, respondeu: "Obrigada!"
Ora, uma coisa que eu sempre procuro fazer é registrar as compras de acordo com o ritmo do cliente. Nunca fui de passar os produtos apressadamente ou jogá-los, porque, quando fazem isso comigo (e há lugares que fazem), eu não gosto — e acredito que ninguém goste. Acelero um pouco apenas quando percebo que o cliente está com pressa e acompanha meu ritmo.
Mas, enfim, aquela senhora provavelmente já tinha saído de casa de mau humor e acabou descontando em mim. Paciência!
Texto Adaptado
Gabarito comentado
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Gabarito: B
Fundamento decisivo: O ponto decisivo está em "Mas, enfim, aquela senhora provavelmente já tinha saído de casa de mau humor e acabou descontando em mim. Paciência!": o narrador formula uma hipótese explicativa com "provavelmente", mas mantém julgamento negativo em "acabou descontando em mim" e fecha com resignação em "Paciência!"; essa combinação produz compreensão apenas aparente, com crítica implícita, isto é, ironia mitigada, o que conduz à alternativa B.
- Em questões de efeito de sentido, localize palavras que atenuam e palavras que julgam; o tom costuma nascer da tensão entre elas.
- Não trate hipótese explicativa como empatia total: expressões como "provavelmente" podem explicar sem absolver.
- Fechos como "Paciência!" devem ser lidos junto do que veio antes; resignação não elimina crítica já formulada.
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(Gabarito B)
Para encontrar o efeito de sentido predominante no desfecho, precisamos analisar a contradição e a tensão na fala do narrador:
"Mas, enfim, aquela senhora provavelmente já tinha saído de casa de mau humor e acabou descontando em mim. Paciência!"
O juízo depreciativo / Desconforto: O narrador faz um julgamento sobre o estado psicológico da cliente ("provavelmente já tinha saído de casa de mau humor"). Ele assume que o comportamento dela não foi provocado por ele, mas sim por uma grosseria gratuita dela ("descontando em mim"). Isso mostra o seu claro desconforto e uma crítica velada à atitude da senhora.
A aparência de piedade / Compreensão: Ao dizer "Paciência!" e tentar "justificar" o erro da senhora pelo suposto mau humor que ela já trazia de casa, o narrador veste uma capa de tolerância e generosidade, simulando que releva a situação.
A Ironia: O efeito dominante é a ironia situacional/discursiva. O narrador usa essa falsa compreensão para desabafar e rebaixar o comportamento da cliente de forma sutil, disfarçando seu incômodo sob uma postura de conformismo ("Paciência!"). Há uma clara tensão entre o incômodo que ele sentiu e a tentativa de parecer superior ou compreensivo.
Análise das Alternativas Incorretas
Alternativa A (Incorreta)
da manifestação de superioridade do narrador, que se coloca como exemplo de autocontrole e de profissionalismo...
Onde está o erro? Embora o narrador defenda seu profissionalismo no parágrafo anterior, a passagem final específica cobrada pelo enunciado ("aquela senhora provavelmente...") foca em diagnosticar o humor da cliente e aceitar o fato, e não em construir uma autoexaltação direta ou explícita de sua superioridade profissional.
Alternativa C (Incorreta)
de uma tentativa de neutralização da experiência vivida, na qual o narrador busca eliminar qualquer julgamento sobre a atitude da cliente.
Onde está o erro? O narrador faz exatamente o oposto de "eliminar qualquer julgamento". Ele julga expressamente a cliente ao afirmar categoricamente que ela "saiu de casa de mau humor" e "descontou" nele. Houve julgamento moral e de comportamento.
Alternativa D (Incorreta)
de um tom estritamente compassivo, que traduz genuína empatia e ausência completa de crítica ou julgamento moral.
Onde está o erro? Palavras absolutistas como "estritamente", "genuína" e "ausência completa" invalidam o item. Não há empatia pura ali; há uma alfinetada disfarçada. Dizer que alguém está descontando o mau humor nos outros carrega, sim, uma óbvia crítica moral ao comportamento da pessoa.
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