Questões de Concurso Sobre interpretação de textos em português

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Q2541550 Português
Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio já podem ser acessados por meio da Página do Participante, utilizando o login único da plataforma gov.br. As provas foram aplicadas nos dias 5 e 12 de novembro de 2023. Ao todo, mais de 3,9 milhões de pessoas participaram do certame.
(Fonte: Agência Brasil, 16 de janeiro de 2024).
Além de constituir a principal porta de entrada para a Educação Superior no Brasil, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Enem tem como objetivo avaliar o desempenho escolar dos estudantes da Educação
Alternativas
Q2541531 Português

Texto para a questão.


Em se tratando do tema da violência contra a mulher, a conjugação do verbo “denunciar” feita pela aluna retratada no cartum suscita a ideia de que as denúncias de casos desse tipo 
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Q2541530 Português
Analise texto a seguir.
“A repórter que vos escreve já entrou em uma discussão sobre tacacá. Em 2015, um colega paulista descreveu o tacacá como um ‘tipo de sopa’. Como boa paraense, eu disse que não: o tacacá não usa ingredientes de sopa, não é preparado como uma sopa e sequer é consumido no mesmo contexto de uma sopa. Se fosse descrevê-lo, seria melhor usar o termo ‘caldo’. Ele não concordou com a correção, e assim começou um embate assistido aos risos por outros amigos.”
ROSSINI, Maria Clara. “Eu vou tomar um tacacá”: conheça a história do prato amazônico. Superinteressante, 21 de dezembro de 2023. Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/eu-vou-tomar-um-tacaca-conheca-a-historia-doprato-amazonico/. Acesso em: 22 dez. 2023.
Em qual período do texto é veiculada uma ideia de condição ou de hipótese? 
Alternativas
Q2541528 Português
Leia o trecho a seguir.
    “Pessoas que não conseguem arrotar sofrem constrangimento, ansiedade e depressão por causa da condição, além da dor física, dizem pesquisadores. A Disfunção Cricofaríngea Retrógrada (DCF-R) causa inchaço abdominal, ruídos ‘socialmente estranhos’ vindos do peito e pescoço e flatulência.     A pesquisa foi realizada por um grupo de acadêmicos de uma universidade do Texas. Eles disseram que muitos médicos ‘não estão familiarizados’ com a disfunção, deixando os pacientes ‘mal-atendidos’. Eles acrescentaram serem necessárias mais pesquisas e mais conscientização sobre a DCF-R.     O grupo defendeu investigar ‘a gravidade que esta disfunção tem na vida cotidiana do paciente, incluindo suas implicações mentais e sociais’, porque ela pode afetar negativamente a qualidade de vida dos pacientes.     A DCF-R, também conhecida como ‘síndrome do não arrotar’, ocorre quando o músculo cricofaríngeo da garganta não consegue relaxar para permitir que gases subam.[...]”
FOSTER, Aurelia. Quando deixar de arrotar pode ser sinal de problema de saúde. BBC Brasil, 22 de dezembro de 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c80249ekqz4o. Acesso em: 22 dez. 2023.
De acordo com esse trecho,
Alternativas
Q2541525 Português
Qual é a função da linguagem que embasa o tema da tirinha a seguir? 
Imagem associada para resolução da questão
LEITE, Will. Tiras Feias #11, 21 de dezembro de 2023. Disponível em: http://www.willtirando.com.br/tiras-feias-11/. Acesso em: 22 dez. 2023.
Alternativas
Q2541524 Português
Qual é o tipo de texto predominante no trecho a seguir?
        “A partir de um exame de fezes, médicos conseguem obter muitas informações sobre os hábitos e a saúde de uma pessoa. O mesmo vale para os veterinários em relação a outras espécies de animais. Isso não é diferente em relação a cocôs encontrados em registro sedimentar, que são as camadas de rochas formadas pelo solo e outros sedimentos acumulados ao longo de milhares ou até mesmo milhões de anos.
        Pois é! Nessas rochas muito antigas é possível encontrar fezes também antigas. Na paleontologia, ciência que estuda a vida no passado da Terra, esses cocôs são chamados coprólitos. A palavra, que pode nos fazer tropeçar na pronúncia, vem do grego: kopros significa excremento, e lithos, pedra, ou seja, fezes petrificadas.[...]”
COCÔS cheios de história. Ciência Hoje das Crianças, 01 de dezembro de 2023. Disponível em: https://www.chc.org.br/artigo/cocos-cheios-de-historia/. Acesso em: 22 dez. 2023.
Alternativas
Q2541523 Português
Texto para a questão.

A derrocada da fofoca


Publicado em 18/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica

        E agora descobrimos que guardar segredos faz bem à saúde. As tais reservas – desde que positivas – aparentemente energizam os mais discretos, como se o acúmulo de boas informações alimentasse o caráter. É uma paulada na incontinência verbal dos fofoqueiros.
   
        Vivemos um tempo em que não há mais segredo. O fuxico, sabe-se, é uma daquelas coisas que separa o homem dos animais; se acompanhado de cochichos, é ainda mais cruel. Machado de Assis exercitou a fraqueza com MINÚCIAS/MINÚSSIAS em Dom Casmurro, quando o narrador faz INSINUAÇÕES/INCINUAÇÕES sobre a reputação de Capitu – e até hoje cabe DISCURSÃO/DISCUSSÃO: houve ou não a pérfida traição? Eça de Queirós também criou um fofoqueiro maldoso, João, que em O Crime do Padre Amaro, publica no jornal o artigo Os Modernos Fariseus, acusando o clérigo de tentar quebrar o SELIBATO/CELIBATO com Amélia, noiva dele. No decorrer da obra, descobrimos – também vestindo roupa de fuxiqueiros – que não era apenas uma desconfiança; ela aparece grávida. Do padre.
    
        O cordel é pródigo em candinhas, caso do Barbeiro Fofoqueiro, do Trovador Hildemar Costa: “Na língua desse elemento/ Ninguém vale um tostão/ A moça era sem virtude/ O homem sempre um ladrão/ Até mulher casada/ Entrava como safada/ Na sua concepção”, narra ele, comparando o barbeiro a um vassalo de Lúcifer.
    
        A vida real é repleta de maledicentes; todo mundo tem uma tia ou um conhecido que se mete na vida alheia. Dizem que faz parte do caráter humano, quando vários pecadilhos se unem num comentário feito só para espezinhar. E o sucesso desse tal jornalismo de celebridades mostra que há muitos leitores para coscuvilhices.
        
        Ultimamente surgiu a variedade da autofofoca, detração que a própria pessoa promove contra si, como o caso da moça que fez sexo com anão e botou o filho para gravar a cena e o violento que diz que gosta de ver a esposa transando com outro; enfim, pessoas que não apenas não escondem nada, como fazem propaganda do que seria inconfessável.
    
        Mas se a futrica prejudica, o periódico científico The Journal of Personality and Social Psychology sustenta que pessoas que receberam notícias boas e não passaram para frente se sentiram energizadas, felizes. A conclusão do estudo é que esses discretos cidadãos gostaram de participar, mesmo lateralmente, de uma ação.
    
        O que eu, leigo e ignorante, não sabia, é que existe uma ciência do segredo, um ramo da psicologia que estuda, nos recônditos da mente humana, aquilo que ninguém deveria saber. E assim foi descoberto que quem mantém informações para si por desejo próprio, impedindo o verme que impulsiona a intriga saia, tem benefícios. Ao contrário, quem guarda um segredo negativo – uma mentira, por exemplo – tende a prejudicar a saúde. Haveria uma corrosão interna provocada pela dúvida, mas nenhum psicólogo se atreve a recomendar que se passe a inconfidência ruim adiante. E agora?
    
        Quando quebrado, esses psicólogos garantem que o bom sigilo dá o mesmo prazer que oferecer um presente a uma pessoa querida, inclusive com a possibilidade de ser embrulhado e entregue no melhor momento. O fato é que, para quem se mete na vida alheia, está cada dia mais difícil ser feliz.

PESTANA, Paulo. A derrocada da fofoca. Correio Braziliense, 17 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/aderrocada-da-fofoca/. Acesso em: 22 dez. 2023. Adaptado

Glossário:

- Candinha: fofoca.
- Derrocada: declínio, queda.
- Detração: difamação.
- Coscuvilhices: boatos, mexericos.
- Espezinhar: humilhar, desprezar.
- Pérfido: infiel, traidor.
- Pródigo: esbanjador, gastador.
- Recônditos: ocultos, interiores.
- Vassalo: súdito, subordinado.
Em qual dos trechos a seguir, extraídos da crônica, é possível identificar o uso de uma linguagem conotativa?
Alternativas
Q2541522 Português
Texto para a questão.

A derrocada da fofoca


Publicado em 18/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica

        E agora descobrimos que guardar segredos faz bem à saúde. As tais reservas – desde que positivas – aparentemente energizam os mais discretos, como se o acúmulo de boas informações alimentasse o caráter. É uma paulada na incontinência verbal dos fofoqueiros.
   
        Vivemos um tempo em que não há mais segredo. O fuxico, sabe-se, é uma daquelas coisas que separa o homem dos animais; se acompanhado de cochichos, é ainda mais cruel. Machado de Assis exercitou a fraqueza com MINÚCIAS/MINÚSSIAS em Dom Casmurro, quando o narrador faz INSINUAÇÕES/INCINUAÇÕES sobre a reputação de Capitu – e até hoje cabe DISCURSÃO/DISCUSSÃO: houve ou não a pérfida traição? Eça de Queirós também criou um fofoqueiro maldoso, João, que em O Crime do Padre Amaro, publica no jornal o artigo Os Modernos Fariseus, acusando o clérigo de tentar quebrar o SELIBATO/CELIBATO com Amélia, noiva dele. No decorrer da obra, descobrimos – também vestindo roupa de fuxiqueiros – que não era apenas uma desconfiança; ela aparece grávida. Do padre.
    
        O cordel é pródigo em candinhas, caso do Barbeiro Fofoqueiro, do Trovador Hildemar Costa: “Na língua desse elemento/ Ninguém vale um tostão/ A moça era sem virtude/ O homem sempre um ladrão/ Até mulher casada/ Entrava como safada/ Na sua concepção”, narra ele, comparando o barbeiro a um vassalo de Lúcifer.
    
        A vida real é repleta de maledicentes; todo mundo tem uma tia ou um conhecido que se mete na vida alheia. Dizem que faz parte do caráter humano, quando vários pecadilhos se unem num comentário feito só para espezinhar. E o sucesso desse tal jornalismo de celebridades mostra que há muitos leitores para coscuvilhices.
        
        Ultimamente surgiu a variedade da autofofoca, detração que a própria pessoa promove contra si, como o caso da moça que fez sexo com anão e botou o filho para gravar a cena e o violento que diz que gosta de ver a esposa transando com outro; enfim, pessoas que não apenas não escondem nada, como fazem propaganda do que seria inconfessável.
    
        Mas se a futrica prejudica, o periódico científico The Journal of Personality and Social Psychology sustenta que pessoas que receberam notícias boas e não passaram para frente se sentiram energizadas, felizes. A conclusão do estudo é que esses discretos cidadãos gostaram de participar, mesmo lateralmente, de uma ação.
    
        O que eu, leigo e ignorante, não sabia, é que existe uma ciência do segredo, um ramo da psicologia que estuda, nos recônditos da mente humana, aquilo que ninguém deveria saber. E assim foi descoberto que quem mantém informações para si por desejo próprio, impedindo o verme que impulsiona a intriga saia, tem benefícios. Ao contrário, quem guarda um segredo negativo – uma mentira, por exemplo – tende a prejudicar a saúde. Haveria uma corrosão interna provocada pela dúvida, mas nenhum psicólogo se atreve a recomendar que se passe a inconfidência ruim adiante. E agora?
    
        Quando quebrado, esses psicólogos garantem que o bom sigilo dá o mesmo prazer que oferecer um presente a uma pessoa querida, inclusive com a possibilidade de ser embrulhado e entregue no melhor momento. O fato é que, para quem se mete na vida alheia, está cada dia mais difícil ser feliz.

PESTANA, Paulo. A derrocada da fofoca. Correio Braziliense, 17 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/aderrocada-da-fofoca/. Acesso em: 22 dez. 2023. Adaptado

Glossário:

- Candinha: fofoca.
- Derrocada: declínio, queda.
- Detração: difamação.
- Coscuvilhices: boatos, mexericos.
- Espezinhar: humilhar, desprezar.
- Pérfido: infiel, traidor.
- Pródigo: esbanjador, gastador.
- Recônditos: ocultos, interiores.
- Vassalo: súdito, subordinado.
A palavra “leigo”, empregada no início do penúltimo parágrafo da crônica, pode ser substituída pelo seguinte sinônimo:
Alternativas
Q2541517 Português
Texto para a questão.

A derrocada da fofoca


Publicado em 18/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica

        E agora descobrimos que guardar segredos faz bem à saúde. As tais reservas – desde que positivas – aparentemente energizam os mais discretos, como se o acúmulo de boas informações alimentasse o caráter. É uma paulada na incontinência verbal dos fofoqueiros.
   
        Vivemos um tempo em que não há mais segredo. O fuxico, sabe-se, é uma daquelas coisas que separa o homem dos animais; se acompanhado de cochichos, é ainda mais cruel. Machado de Assis exercitou a fraqueza com MINÚCIAS/MINÚSSIAS em Dom Casmurro, quando o narrador faz INSINUAÇÕES/INCINUAÇÕES sobre a reputação de Capitu – e até hoje cabe DISCURSÃO/DISCUSSÃO: houve ou não a pérfida traição? Eça de Queirós também criou um fofoqueiro maldoso, João, que em O Crime do Padre Amaro, publica no jornal o artigo Os Modernos Fariseus, acusando o clérigo de tentar quebrar o SELIBATO/CELIBATO com Amélia, noiva dele. No decorrer da obra, descobrimos – também vestindo roupa de fuxiqueiros – que não era apenas uma desconfiança; ela aparece grávida. Do padre.
    
        O cordel é pródigo em candinhas, caso do Barbeiro Fofoqueiro, do Trovador Hildemar Costa: “Na língua desse elemento/ Ninguém vale um tostão/ A moça era sem virtude/ O homem sempre um ladrão/ Até mulher casada/ Entrava como safada/ Na sua concepção”, narra ele, comparando o barbeiro a um vassalo de Lúcifer.
    
        A vida real é repleta de maledicentes; todo mundo tem uma tia ou um conhecido que se mete na vida alheia. Dizem que faz parte do caráter humano, quando vários pecadilhos se unem num comentário feito só para espezinhar. E o sucesso desse tal jornalismo de celebridades mostra que há muitos leitores para coscuvilhices.
        
        Ultimamente surgiu a variedade da autofofoca, detração que a própria pessoa promove contra si, como o caso da moça que fez sexo com anão e botou o filho para gravar a cena e o violento que diz que gosta de ver a esposa transando com outro; enfim, pessoas que não apenas não escondem nada, como fazem propaganda do que seria inconfessável.
    
        Mas se a futrica prejudica, o periódico científico The Journal of Personality and Social Psychology sustenta que pessoas que receberam notícias boas e não passaram para frente se sentiram energizadas, felizes. A conclusão do estudo é que esses discretos cidadãos gostaram de participar, mesmo lateralmente, de uma ação.
    
        O que eu, leigo e ignorante, não sabia, é que existe uma ciência do segredo, um ramo da psicologia que estuda, nos recônditos da mente humana, aquilo que ninguém deveria saber. E assim foi descoberto que quem mantém informações para si por desejo próprio, impedindo o verme que impulsiona a intriga saia, tem benefícios. Ao contrário, quem guarda um segredo negativo – uma mentira, por exemplo – tende a prejudicar a saúde. Haveria uma corrosão interna provocada pela dúvida, mas nenhum psicólogo se atreve a recomendar que se passe a inconfidência ruim adiante. E agora?
    
        Quando quebrado, esses psicólogos garantem que o bom sigilo dá o mesmo prazer que oferecer um presente a uma pessoa querida, inclusive com a possibilidade de ser embrulhado e entregue no melhor momento. O fato é que, para quem se mete na vida alheia, está cada dia mais difícil ser feliz.

PESTANA, Paulo. A derrocada da fofoca. Correio Braziliense, 17 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/aderrocada-da-fofoca/. Acesso em: 22 dez. 2023. Adaptado

Glossário:

- Candinha: fofoca.
- Derrocada: declínio, queda.
- Detração: difamação.
- Coscuvilhices: boatos, mexericos.
- Espezinhar: humilhar, desprezar.
- Pérfido: infiel, traidor.
- Pródigo: esbanjador, gastador.
- Recônditos: ocultos, interiores.
- Vassalo: súdito, subordinado.
Ao afirmar que as pessoas que praticam a autofofoca “não apenas não escondem nada, como fazem propaganda do que seria inconfessável” (5º parágrafo), o autor quis dizer que essas pessoas 
Alternativas
Q2541516 Português
Texto para a questão.

A derrocada da fofoca


Publicado em 18/12/2023 | Paulo Pestana | Crônica

        E agora descobrimos que guardar segredos faz bem à saúde. As tais reservas – desde que positivas – aparentemente energizam os mais discretos, como se o acúmulo de boas informações alimentasse o caráter. É uma paulada na incontinência verbal dos fofoqueiros.
   
        Vivemos um tempo em que não há mais segredo. O fuxico, sabe-se, é uma daquelas coisas que separa o homem dos animais; se acompanhado de cochichos, é ainda mais cruel. Machado de Assis exercitou a fraqueza com MINÚCIAS/MINÚSSIAS em Dom Casmurro, quando o narrador faz INSINUAÇÕES/INCINUAÇÕES sobre a reputação de Capitu – e até hoje cabe DISCURSÃO/DISCUSSÃO: houve ou não a pérfida traição? Eça de Queirós também criou um fofoqueiro maldoso, João, que em O Crime do Padre Amaro, publica no jornal o artigo Os Modernos Fariseus, acusando o clérigo de tentar quebrar o SELIBATO/CELIBATO com Amélia, noiva dele. No decorrer da obra, descobrimos – também vestindo roupa de fuxiqueiros – que não era apenas uma desconfiança; ela aparece grávida. Do padre.
    
        O cordel é pródigo em candinhas, caso do Barbeiro Fofoqueiro, do Trovador Hildemar Costa: “Na língua desse elemento/ Ninguém vale um tostão/ A moça era sem virtude/ O homem sempre um ladrão/ Até mulher casada/ Entrava como safada/ Na sua concepção”, narra ele, comparando o barbeiro a um vassalo de Lúcifer.
    
        A vida real é repleta de maledicentes; todo mundo tem uma tia ou um conhecido que se mete na vida alheia. Dizem que faz parte do caráter humano, quando vários pecadilhos se unem num comentário feito só para espezinhar. E o sucesso desse tal jornalismo de celebridades mostra que há muitos leitores para coscuvilhices.
        
        Ultimamente surgiu a variedade da autofofoca, detração que a própria pessoa promove contra si, como o caso da moça que fez sexo com anão e botou o filho para gravar a cena e o violento que diz que gosta de ver a esposa transando com outro; enfim, pessoas que não apenas não escondem nada, como fazem propaganda do que seria inconfessável.
    
        Mas se a futrica prejudica, o periódico científico The Journal of Personality and Social Psychology sustenta que pessoas que receberam notícias boas e não passaram para frente se sentiram energizadas, felizes. A conclusão do estudo é que esses discretos cidadãos gostaram de participar, mesmo lateralmente, de uma ação.
    
        O que eu, leigo e ignorante, não sabia, é que existe uma ciência do segredo, um ramo da psicologia que estuda, nos recônditos da mente humana, aquilo que ninguém deveria saber. E assim foi descoberto que quem mantém informações para si por desejo próprio, impedindo o verme que impulsiona a intriga saia, tem benefícios. Ao contrário, quem guarda um segredo negativo – uma mentira, por exemplo – tende a prejudicar a saúde. Haveria uma corrosão interna provocada pela dúvida, mas nenhum psicólogo se atreve a recomendar que se passe a inconfidência ruim adiante. E agora?
    
        Quando quebrado, esses psicólogos garantem que o bom sigilo dá o mesmo prazer que oferecer um presente a uma pessoa querida, inclusive com a possibilidade de ser embrulhado e entregue no melhor momento. O fato é que, para quem se mete na vida alheia, está cada dia mais difícil ser feliz.

PESTANA, Paulo. A derrocada da fofoca. Correio Braziliense, 17 de dezembro de 2023. Disponível em: https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/aderrocada-da-fofoca/. Acesso em: 22 dez. 2023. Adaptado

Glossário:

- Candinha: fofoca.
- Derrocada: declínio, queda.
- Detração: difamação.
- Coscuvilhices: boatos, mexericos.
- Espezinhar: humilhar, desprezar.
- Pérfido: infiel, traidor.
- Pródigo: esbanjador, gastador.
- Recônditos: ocultos, interiores.
- Vassalo: súdito, subordinado.
De acordo com a leitura do texto, o que indica a afirmação do cronista de que “o sucesso desse tal jornalismo de celebridades mostra que há muitos leitores para coscuvilhices.” (4º parágrafo)? 
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Q2541215 Português
A onça e o gato


    A onça pediu ao gato para lhe ensinar a pular e o gato prontamente lhe ensinou. Depois, indo juntos para a fonte beber água, fizeram uma aposta para ver quem pulava mais.

   Chegando à fonte, encontraram lá o calango, e então disse a onça para o gato: “Compadre, vamos ver quem de um só pulo pula o camarada calango?”

     — “Vamos”, disse o gato. “Só você pulando adiante”, disse a onça. O gato pulou em cima do calango, a onça pulou em cima do gato. Então o gato pulou de banda e escapou.

    A onça ficou desapontada e disse: “Assim, compadre gato, é que você me ensinou?! Principiou e não acabou...”

    O gato respondeu: “Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes”.


(Disponível em: www.culturagenial.com/contos populares. Acesso em: 29/02/2021.)
Qual ditado popular pode ser aplicado à situação narrada nesse conto?
Alternativas
Q2541212 Português
A onça e o gato


    A onça pediu ao gato para lhe ensinar a pular e o gato prontamente lhe ensinou. Depois, indo juntos para a fonte beber água, fizeram uma aposta para ver quem pulava mais.

   Chegando à fonte, encontraram lá o calango, e então disse a onça para o gato: “Compadre, vamos ver quem de um só pulo pula o camarada calango?”

     — “Vamos”, disse o gato. “Só você pulando adiante”, disse a onça. O gato pulou em cima do calango, a onça pulou em cima do gato. Então o gato pulou de banda e escapou.

    A onça ficou desapontada e disse: “Assim, compadre gato, é que você me ensinou?! Principiou e não acabou...”

    O gato respondeu: “Nem tudo os mestres ensinam aos seus aprendizes”.


(Disponível em: www.culturagenial.com/contos populares. Acesso em: 29/02/2021.)
Esse conto popular narra uma história que serve para refletir sobre
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Q2541209 Português
As festas de carnaval


    O carnaval é uma festa brasileira muito conhecida em todo o mundo. Nela, as pessoas se fantasiam de diversas formas.

    Quem vai a esse tipo de comemoração, o folião, costuma se divertir muito ao longo de todo o evento.

    Além de fantasias, a festa possui sempre algum tipo de música que é tocada em volume muito alto, para que muitas pessoas possam ouvi-la. Na região Nordeste do Brasil, as músicas mais tocadas durante o carnaval são aquelas consideradas do estilo “Axé”. Na região Sudeste, o “funk” é o principal ritmo presente na comemoração.

    Há também os desfiles de escolas de samba, que reúnem uma grande quantidade de pessoas para que sejam realizados todos os anos. Artistas famosos e outras celebridades costumam desfilar em carros dessas escolas de samba.

    O carnaval é um evento que atrai muitos turistas estrangeiros para o país. Diversos trabalhadores também conseguem lucrar com a venda de produtos nessa época do ano.
    
    Em cidades do interior do país, há a realização de blocos onde os foliões se divertem de forma diferente dos demais locais. Geralmente os blocos costumam reunir muitas pessoas em torno de um carro chamado trio-elétrico, onde há sempre um ou mais cantores que animam a festa.

  Até mesmo quem trabalha nos dias de carnaval costuma se divertir durante as comemorações.

      Muitas pessoas fazem novas amizades nessa época do ano.


(Disponível em: www.lingua.com/pt. Acesso em: 27/02/2024.)
Como é denominada a pessoa que participa do carnaval principalmente para se divertir?
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Q2541208 Português
As festas de carnaval


    O carnaval é uma festa brasileira muito conhecida em todo o mundo. Nela, as pessoas se fantasiam de diversas formas.

    Quem vai a esse tipo de comemoração, o folião, costuma se divertir muito ao longo de todo o evento.

    Além de fantasias, a festa possui sempre algum tipo de música que é tocada em volume muito alto, para que muitas pessoas possam ouvi-la. Na região Nordeste do Brasil, as músicas mais tocadas durante o carnaval são aquelas consideradas do estilo “Axé”. Na região Sudeste, o “funk” é o principal ritmo presente na comemoração.

    Há também os desfiles de escolas de samba, que reúnem uma grande quantidade de pessoas para que sejam realizados todos os anos. Artistas famosos e outras celebridades costumam desfilar em carros dessas escolas de samba.

    O carnaval é um evento que atrai muitos turistas estrangeiros para o país. Diversos trabalhadores também conseguem lucrar com a venda de produtos nessa época do ano.
    
    Em cidades do interior do país, há a realização de blocos onde os foliões se divertem de forma diferente dos demais locais. Geralmente os blocos costumam reunir muitas pessoas em torno de um carro chamado trio-elétrico, onde há sempre um ou mais cantores que animam a festa.

  Até mesmo quem trabalha nos dias de carnaval costuma se divertir durante as comemorações.

      Muitas pessoas fazem novas amizades nessa época do ano.


(Disponível em: www.lingua.com/pt. Acesso em: 27/02/2024.)
Sobre o carnaval brasileiro, o texto NÃO faz referência
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Q2541206 Português
O homem pantaneiro é muito ligado à terra. Muitos moradores não pretendem sair da região. E não é pra menos: além das paisagens, e do mais lindo pôr-do-sol do Brasil Central, o Pantanal é um santuário de animais selvagens. Um morador do Pantanal do rio Cuiabá, olhando para um bando de aves, voando sobre veados e capivaras, exclamou: “O Pantanal parece com o mundo no primeiro dia da criação”.

(SALDANHA, P. Os pantanais. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.) 
Esse texto tem como intenção
Alternativas
Q2540953 Português
Estátua do deus Apolo de três séculos retorna
ao jardim de Versalhes após um ano


        A Fonte da Carruagem de Apolo retornou à sua base nos suntuosos jardins do Palácio de Versalhes, na França, nesta quinta-feira (15). A imagem do deus grego do sol voltou após mais de um ano de meticulosos trabalhos de restauração.

       As estruturas metálicas que durante mais de três séculos sustentaram a fonte – composta por 13 estátuas e pesando 30 toneladas – enferrujaram e ficaram deformadas. Dessa forma, a fonte ficou em estado crítico e precisou de reparos.

     Cada uma das 13 esculturas teve sua estrutura interna e fundição de chumbo restauradas e repintadas, enquanto a base da pedra foi reforçada. É a primeira vez que a icônica escultura em chumbo dourada que celebra o deus grego, obra de Jean-Baptiste Tuby, foi removida de sua base desde que foi colocada ali – em 1671, no reinado do rei Luís XIV, também conhecido como o Rei Sol.

      As obras no Palácio de Versalhes fazem parte de um plano mais amplo de renovação dos jardins que serão concluídos para os Jogos Olímpicos de Paris de 2024.

    Todas as estátuas do conjunto da Carruagem de Apolo estarão recolocadas até a próxima segunda-feira (19) e começará o reparo no sistema hidráulico. A fonte estará novamente operacional em 29 de março.


Fonte: Estátua do deus Apolo de três séculos retorna ao jardim de Versalhes após um ano | CNN Brasil 
Assinale a alternativa que apresente a circunstância estabelecida pelo termo em destaque no período: “As obras no Palácio de Versalhes fazem parte de um plano mais amplo de renovação dos jardins que serão concluídos para os Jogos Olímpicos de Paris de 2024”.
Alternativas
Q2540793 Português
DUAS OU TRÊS PALAVRAS A RESPEITO DE
NEUTRALIDADE POLÍTICA 

        O KRISIS vem a público manifestar-se criticamente diante das propostas legislativas que visam constituir o Programa Escola sem Partido. Esse Programa pretende controlar a forma e a função do ensino, tornando obrigatório um conjunto de procedimentos para os professores, resguardando a educação do “abuso da liberdade de ensinar”. Evitando com isso qualquer tipo de “doutrinação” nas escolas, o que incluiria de forma bastante combativa a “teoria ou ideologia de gênero” e qualquer “cooptação político-partidária ou ideológica”. É um Programa, portanto, que se arvora na responsabilidade de substanciar a educação nacional atendendo aos seguintes princípios: neutralidade (política, ideológica e religiosa do Estado), pluralismo (de ideias no ambiente escolar), liberdade (de aprender e de ensinar, de consciência e de crença), vulnerabilidade (do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado) e direito (compreendido como liberdade de consciência e de crença do aluno, em acordo com as convicções dos pais). Configura-se assim como um esforço para evidenciar os alegados perigos do que chama de “prática da doutrinação política e ideológica nas escolas”. Mas esse esforço de mostrar com clareza, lucidez e iluminação apresentam seus próprios problemas. 

        Afinal de contas, cada época possui a sua confortável e danosa iluminação – poder-se-ia dizer em companhia do filósofo italiano, Giorgio Agamben. As luzes do tempo são como métricas ou normalizações, irradiando um senso majoritário que deve servir ao pensamento e à moral, ou, de todo modo, ao debate das questões públicas. Como tal, elas fazem da escuridão uma condição privativa de visão, como se só pudéssemos enxergar sob as condições positivas e adequadas propiciadas pela incidência de luz. Luz versus escuridão, uma diferença absoluta… e quase já podemos ver outros pares conformadores do nosso pensamento e moral: bem/mal, belo/feio, normal/patológico, razão/loucura, real/imaginário, ciência/ideologia. Contra essas oposições espúrias, cada época também possuiu suas resistências, suas/seus renitentes perambuladoras/es de trevas em trevas, suficientemente habilidosas/os e corajosas/os para desinibir as células periféricas de suas retinas (off-cells) com as quais puderam exercer aquela experiência singular de visão que se processa toda vez que apagamos as luzes e damos o tempo necessário para que os nossos olhos se acostumem à nova condição. O escuro, se nos guiarmos pelos passos dessas/es intercessoras/es, já não poderá ser tomado como uma privação, como mera carência/falta de luz. Mas como outra condição de visão. Aqueles que assim enxergam, tornam-se portadores de outros pontos de vista! Capazes, portanto, de denunciar aquilo que, em suas épocas, era considerado o modo adequado de pensar, de agir, de desejar. Pois cada época erige seus próprios malvados, horríveis, doentes, loucos, selvagens, pseudocientistas. Apenas para lembrar dois formidáveis abusos de época, acompanhando a crítica de Claude Lévi-Strauss, em Totemismo hoje, a pintura de El Greco já foi considerada resultado de uma doença em seu globo ocular, assim como a noção psiquiátrica de histeria serviu para patologizar “os fenômenos humanos que os sábios preferiam considerar exteriores a seu universo moral, a fim de proteger a boa consciência que sentiam em face deste”. 

        As luzes da nossa época também nos convidam a agir com razoabilidade, empurrando para fora do círculo da nossa boa consciência aquilo que reclama pela singularidade. A bola da vez: as exigências das políticas da diferença. O mecanismo: dizer que são políticas! Curioso reaparecimento do positivismo (Ele havia desaparecido? Não!). Curiosa adesão à neutralidade, suspeitamente ligada aos modos majoritários (o que não significa maiorias quantitativas) de nossa existência. Assim, um ensino branco, cristão, macho, heteronormativo, liberal, adulto, adequa-se ao imperativo da neutralidade, afinal, conforma-se à norma predominante e não exige das/os alunas/os a convivência com a diferença, com as/os diferentes, com as/os outras/os. Eis a iluminação do movimento Escola sem Partido, sua POLÍTICA constituída em camadas geológico-morais bastante profundas. Tudo seria mais fácil se se tratasse apenas de uma disputa legislativa em torno do Projeto de Lei do Senado nº 193 (2016), do Projeto de Lei nº 1.411 (2015) e do Projeto de Lei nº 867/20153. 

        Neutralidade é uma noção positivista para denotar em filosofia da ciência a relação de imparcialidade (sempre difícil e discutível) entre o pesquisador e seu objeto. Trata-se de uma prerrogativa por parte do pesquisador de conduzir seus experimentos empíricos sem prenoções axiológicas frente aos fenômenos, com o objetivo de expulsar a política e a moral dos domínios científicos. Neutralidade responde em ciências à sua própria singularidade, de uma busca do ponto arquimediano onde a verdade pode ser alcançada por um sujeito universal (branco, cristão, macho, heteronormativo, liberal, adulto) produzido artificialmente através de experiências. O problema é que essas noções de neutralidade em ciências começaram a ser mobilizadas para registros onde não podem funcionar do mesmo modo. O caso mais claro: na política. E somente por isso, estas são duas vocações diferentes (disso não se pode esquecer). Em política, neutralidade assume um significado completamente diferente do que no âmbito da ciência. Ao contrário de implicar uma não-posição artificial, em política, neutralidade significa uma tomada de posição inativa frente aos acontecimentos. Trata-se de uma posição conservadora e não implicada, refratária à transformação. Neutralidade aqui é uma força para a manutenção do status quo, e, portanto, significa imediatamente assumir uma posição política que resguarda os modos majoritários de existência.

        Eis um desejo estratégico de algumas formas de liberalismo avançado, uma leitura tecnocrata de posicionamentos políticos, e que pretendem fazer convergir política e justiça num mesmo véu positivista, no qual a moral e os bons costumes coincidem com o que se quer conservar. Em política não existe ponto arquimediano! Exatamente porque não existe um ponto fora da terra e dos assuntos políticos. Sob esse registro, a voga da neutralidade política de nosso tempo significa, mais uma vez, a manutenção virulenta e autoritária de interesses escusos de um grupo de pessoas irritadas com qualquer pluralidade – curiosamente, em nome da pluralidade!. Só que dessa vez, a falácia da neutralidade cria o benefício estratégico de não tornar os sujeitos responsáveis por suas posições conservadoras. Essa tentativa retórica e falaciosa torna-se clara, toda vez que uma posição política é tomada como o negativo e como alvo de acusação. Porque contra a política se pretende colocar uma posição de imparcialidade onde ela não tem sentido. Porque em política os sujeitos devem ser responsáveis por suas posições.  

        Imparcialidade em política, assim, significa ou tolice ou uma espúria e covarde estratégia de fazer coincidir política e Estado. Afirmar que o Estado é neutro, como rezam literalmente os Projetos de Lei mencionados, e que por isso os professores devem ser neutros, é uma ladainha impositiva de uma posição política desejada: segundo a qual os professores devem conservar o status quo! Ora, isso nos parece uma forma de doutrinação estabelecida por meio de projetos de leis que reforçam “princípios” constitucionais compreendidos de forma totalmente arbitrária, e que por isso mesmo precisam ser “reforçados”. Aliás, não existe no texto da constituição nenhum princípio de neutralidade como os projetos de lei fazem parecer, mas somente em algumas teorias políticas interessadas! 

        Assim, de nossa parte, cabe afirmar que essas formas de ação conservadora são posicionamentos políticos que estão completamente em desacordo com a educação política, crítica e plural que defendemos, na qual se ensina e se apreende a debater e conviver com as diferenças, mesmo quando não se tem apreço por elas. Exatamente o que os referidos projetos de lei vilipendiam ao tentar instituir por meio do Direito aquilo que já há algum tempo é a “forma correta de pensar, agir e viver”, e que do ponto de vista dos proponentes, felizmente coincide com as suas convicções políticas, morais e religiosas. 


(Por Adalton Marques, Gabriel Pugliese e Delcides Marques. Site KRISIS – Laboratório de Antropologia Crítica. Publicado em 19/04/2022. Disponível em https://krisis.univasf.edu.br/index.php/2022/04/19/neu tralidadepolitica).  
Conforme o texto, qual é o principal reparo aos projetos de lei que propugnam a neutralidade política no âmbito educacional? 
Alternativas
Q2540792 Português
DUAS OU TRÊS PALAVRAS A RESPEITO DE
NEUTRALIDADE POLÍTICA 

        O KRISIS vem a público manifestar-se criticamente diante das propostas legislativas que visam constituir o Programa Escola sem Partido. Esse Programa pretende controlar a forma e a função do ensino, tornando obrigatório um conjunto de procedimentos para os professores, resguardando a educação do “abuso da liberdade de ensinar”. Evitando com isso qualquer tipo de “doutrinação” nas escolas, o que incluiria de forma bastante combativa a “teoria ou ideologia de gênero” e qualquer “cooptação político-partidária ou ideológica”. É um Programa, portanto, que se arvora na responsabilidade de substanciar a educação nacional atendendo aos seguintes princípios: neutralidade (política, ideológica e religiosa do Estado), pluralismo (de ideias no ambiente escolar), liberdade (de aprender e de ensinar, de consciência e de crença), vulnerabilidade (do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado) e direito (compreendido como liberdade de consciência e de crença do aluno, em acordo com as convicções dos pais). Configura-se assim como um esforço para evidenciar os alegados perigos do que chama de “prática da doutrinação política e ideológica nas escolas”. Mas esse esforço de mostrar com clareza, lucidez e iluminação apresentam seus próprios problemas. 

        Afinal de contas, cada época possui a sua confortável e danosa iluminação – poder-se-ia dizer em companhia do filósofo italiano, Giorgio Agamben. As luzes do tempo são como métricas ou normalizações, irradiando um senso majoritário que deve servir ao pensamento e à moral, ou, de todo modo, ao debate das questões públicas. Como tal, elas fazem da escuridão uma condição privativa de visão, como se só pudéssemos enxergar sob as condições positivas e adequadas propiciadas pela incidência de luz. Luz versus escuridão, uma diferença absoluta… e quase já podemos ver outros pares conformadores do nosso pensamento e moral: bem/mal, belo/feio, normal/patológico, razão/loucura, real/imaginário, ciência/ideologia. Contra essas oposições espúrias, cada época também possuiu suas resistências, suas/seus renitentes perambuladoras/es de trevas em trevas, suficientemente habilidosas/os e corajosas/os para desinibir as células periféricas de suas retinas (off-cells) com as quais puderam exercer aquela experiência singular de visão que se processa toda vez que apagamos as luzes e damos o tempo necessário para que os nossos olhos se acostumem à nova condição. O escuro, se nos guiarmos pelos passos dessas/es intercessoras/es, já não poderá ser tomado como uma privação, como mera carência/falta de luz. Mas como outra condição de visão. Aqueles que assim enxergam, tornam-se portadores de outros pontos de vista! Capazes, portanto, de denunciar aquilo que, em suas épocas, era considerado o modo adequado de pensar, de agir, de desejar. Pois cada época erige seus próprios malvados, horríveis, doentes, loucos, selvagens, pseudocientistas. Apenas para lembrar dois formidáveis abusos de época, acompanhando a crítica de Claude Lévi-Strauss, em Totemismo hoje, a pintura de El Greco já foi considerada resultado de uma doença em seu globo ocular, assim como a noção psiquiátrica de histeria serviu para patologizar “os fenômenos humanos que os sábios preferiam considerar exteriores a seu universo moral, a fim de proteger a boa consciência que sentiam em face deste”. 

        As luzes da nossa época também nos convidam a agir com razoabilidade, empurrando para fora do círculo da nossa boa consciência aquilo que reclama pela singularidade. A bola da vez: as exigências das políticas da diferença. O mecanismo: dizer que são políticas! Curioso reaparecimento do positivismo (Ele havia desaparecido? Não!). Curiosa adesão à neutralidade, suspeitamente ligada aos modos majoritários (o que não significa maiorias quantitativas) de nossa existência. Assim, um ensino branco, cristão, macho, heteronormativo, liberal, adulto, adequa-se ao imperativo da neutralidade, afinal, conforma-se à norma predominante e não exige das/os alunas/os a convivência com a diferença, com as/os diferentes, com as/os outras/os. Eis a iluminação do movimento Escola sem Partido, sua POLÍTICA constituída em camadas geológico-morais bastante profundas. Tudo seria mais fácil se se tratasse apenas de uma disputa legislativa em torno do Projeto de Lei do Senado nº 193 (2016), do Projeto de Lei nº 1.411 (2015) e do Projeto de Lei nº 867/20153. 

        Neutralidade é uma noção positivista para denotar em filosofia da ciência a relação de imparcialidade (sempre difícil e discutível) entre o pesquisador e seu objeto. Trata-se de uma prerrogativa por parte do pesquisador de conduzir seus experimentos empíricos sem prenoções axiológicas frente aos fenômenos, com o objetivo de expulsar a política e a moral dos domínios científicos. Neutralidade responde em ciências à sua própria singularidade, de uma busca do ponto arquimediano onde a verdade pode ser alcançada por um sujeito universal (branco, cristão, macho, heteronormativo, liberal, adulto) produzido artificialmente através de experiências. O problema é que essas noções de neutralidade em ciências começaram a ser mobilizadas para registros onde não podem funcionar do mesmo modo. O caso mais claro: na política. E somente por isso, estas são duas vocações diferentes (disso não se pode esquecer). Em política, neutralidade assume um significado completamente diferente do que no âmbito da ciência. Ao contrário de implicar uma não-posição artificial, em política, neutralidade significa uma tomada de posição inativa frente aos acontecimentos. Trata-se de uma posição conservadora e não implicada, refratária à transformação. Neutralidade aqui é uma força para a manutenção do status quo, e, portanto, significa imediatamente assumir uma posição política que resguarda os modos majoritários de existência.

        Eis um desejo estratégico de algumas formas de liberalismo avançado, uma leitura tecnocrata de posicionamentos políticos, e que pretendem fazer convergir política e justiça num mesmo véu positivista, no qual a moral e os bons costumes coincidem com o que se quer conservar. Em política não existe ponto arquimediano! Exatamente porque não existe um ponto fora da terra e dos assuntos políticos. Sob esse registro, a voga da neutralidade política de nosso tempo significa, mais uma vez, a manutenção virulenta e autoritária de interesses escusos de um grupo de pessoas irritadas com qualquer pluralidade – curiosamente, em nome da pluralidade!. Só que dessa vez, a falácia da neutralidade cria o benefício estratégico de não tornar os sujeitos responsáveis por suas posições conservadoras. Essa tentativa retórica e falaciosa torna-se clara, toda vez que uma posição política é tomada como o negativo e como alvo de acusação. Porque contra a política se pretende colocar uma posição de imparcialidade onde ela não tem sentido. Porque em política os sujeitos devem ser responsáveis por suas posições.  

        Imparcialidade em política, assim, significa ou tolice ou uma espúria e covarde estratégia de fazer coincidir política e Estado. Afirmar que o Estado é neutro, como rezam literalmente os Projetos de Lei mencionados, e que por isso os professores devem ser neutros, é uma ladainha impositiva de uma posição política desejada: segundo a qual os professores devem conservar o status quo! Ora, isso nos parece uma forma de doutrinação estabelecida por meio de projetos de leis que reforçam “princípios” constitucionais compreendidos de forma totalmente arbitrária, e que por isso mesmo precisam ser “reforçados”. Aliás, não existe no texto da constituição nenhum princípio de neutralidade como os projetos de lei fazem parecer, mas somente em algumas teorias políticas interessadas! 

        Assim, de nossa parte, cabe afirmar que essas formas de ação conservadora são posicionamentos políticos que estão completamente em desacordo com a educação política, crítica e plural que defendemos, na qual se ensina e se apreende a debater e conviver com as diferenças, mesmo quando não se tem apreço por elas. Exatamente o que os referidos projetos de lei vilipendiam ao tentar instituir por meio do Direito aquilo que já há algum tempo é a “forma correta de pensar, agir e viver”, e que do ponto de vista dos proponentes, felizmente coincide com as suas convicções políticas, morais e religiosas. 


(Por Adalton Marques, Gabriel Pugliese e Delcides Marques. Site KRISIS – Laboratório de Antropologia Crítica. Publicado em 19/04/2022. Disponível em https://krisis.univasf.edu.br/index.php/2022/04/19/neu tralidadepolitica).  
Qual é o cerne da crítica apresentada pelo texto em relação à noção de neutralidade política advogada pelos propositores do Programa Escola sem Partido? 
Alternativas
Q2540791 Português
DUAS OU TRÊS PALAVRAS A RESPEITO DE
NEUTRALIDADE POLÍTICA 

        O KRISIS vem a público manifestar-se criticamente diante das propostas legislativas que visam constituir o Programa Escola sem Partido. Esse Programa pretende controlar a forma e a função do ensino, tornando obrigatório um conjunto de procedimentos para os professores, resguardando a educação do “abuso da liberdade de ensinar”. Evitando com isso qualquer tipo de “doutrinação” nas escolas, o que incluiria de forma bastante combativa a “teoria ou ideologia de gênero” e qualquer “cooptação político-partidária ou ideológica”. É um Programa, portanto, que se arvora na responsabilidade de substanciar a educação nacional atendendo aos seguintes princípios: neutralidade (política, ideológica e religiosa do Estado), pluralismo (de ideias no ambiente escolar), liberdade (de aprender e de ensinar, de consciência e de crença), vulnerabilidade (do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado) e direito (compreendido como liberdade de consciência e de crença do aluno, em acordo com as convicções dos pais). Configura-se assim como um esforço para evidenciar os alegados perigos do que chama de “prática da doutrinação política e ideológica nas escolas”. Mas esse esforço de mostrar com clareza, lucidez e iluminação apresentam seus próprios problemas. 

        Afinal de contas, cada época possui a sua confortável e danosa iluminação – poder-se-ia dizer em companhia do filósofo italiano, Giorgio Agamben. As luzes do tempo são como métricas ou normalizações, irradiando um senso majoritário que deve servir ao pensamento e à moral, ou, de todo modo, ao debate das questões públicas. Como tal, elas fazem da escuridão uma condição privativa de visão, como se só pudéssemos enxergar sob as condições positivas e adequadas propiciadas pela incidência de luz. Luz versus escuridão, uma diferença absoluta… e quase já podemos ver outros pares conformadores do nosso pensamento e moral: bem/mal, belo/feio, normal/patológico, razão/loucura, real/imaginário, ciência/ideologia. Contra essas oposições espúrias, cada época também possuiu suas resistências, suas/seus renitentes perambuladoras/es de trevas em trevas, suficientemente habilidosas/os e corajosas/os para desinibir as células periféricas de suas retinas (off-cells) com as quais puderam exercer aquela experiência singular de visão que se processa toda vez que apagamos as luzes e damos o tempo necessário para que os nossos olhos se acostumem à nova condição. O escuro, se nos guiarmos pelos passos dessas/es intercessoras/es, já não poderá ser tomado como uma privação, como mera carência/falta de luz. Mas como outra condição de visão. Aqueles que assim enxergam, tornam-se portadores de outros pontos de vista! Capazes, portanto, de denunciar aquilo que, em suas épocas, era considerado o modo adequado de pensar, de agir, de desejar. Pois cada época erige seus próprios malvados, horríveis, doentes, loucos, selvagens, pseudocientistas. Apenas para lembrar dois formidáveis abusos de época, acompanhando a crítica de Claude Lévi-Strauss, em Totemismo hoje, a pintura de El Greco já foi considerada resultado de uma doença em seu globo ocular, assim como a noção psiquiátrica de histeria serviu para patologizar “os fenômenos humanos que os sábios preferiam considerar exteriores a seu universo moral, a fim de proteger a boa consciência que sentiam em face deste”. 

        As luzes da nossa época também nos convidam a agir com razoabilidade, empurrando para fora do círculo da nossa boa consciência aquilo que reclama pela singularidade. A bola da vez: as exigências das políticas da diferença. O mecanismo: dizer que são políticas! Curioso reaparecimento do positivismo (Ele havia desaparecido? Não!). Curiosa adesão à neutralidade, suspeitamente ligada aos modos majoritários (o que não significa maiorias quantitativas) de nossa existência. Assim, um ensino branco, cristão, macho, heteronormativo, liberal, adulto, adequa-se ao imperativo da neutralidade, afinal, conforma-se à norma predominante e não exige das/os alunas/os a convivência com a diferença, com as/os diferentes, com as/os outras/os. Eis a iluminação do movimento Escola sem Partido, sua POLÍTICA constituída em camadas geológico-morais bastante profundas. Tudo seria mais fácil se se tratasse apenas de uma disputa legislativa em torno do Projeto de Lei do Senado nº 193 (2016), do Projeto de Lei nº 1.411 (2015) e do Projeto de Lei nº 867/20153. 

        Neutralidade é uma noção positivista para denotar em filosofia da ciência a relação de imparcialidade (sempre difícil e discutível) entre o pesquisador e seu objeto. Trata-se de uma prerrogativa por parte do pesquisador de conduzir seus experimentos empíricos sem prenoções axiológicas frente aos fenômenos, com o objetivo de expulsar a política e a moral dos domínios científicos. Neutralidade responde em ciências à sua própria singularidade, de uma busca do ponto arquimediano onde a verdade pode ser alcançada por um sujeito universal (branco, cristão, macho, heteronormativo, liberal, adulto) produzido artificialmente através de experiências. O problema é que essas noções de neutralidade em ciências começaram a ser mobilizadas para registros onde não podem funcionar do mesmo modo. O caso mais claro: na política. E somente por isso, estas são duas vocações diferentes (disso não se pode esquecer). Em política, neutralidade assume um significado completamente diferente do que no âmbito da ciência. Ao contrário de implicar uma não-posição artificial, em política, neutralidade significa uma tomada de posição inativa frente aos acontecimentos. Trata-se de uma posição conservadora e não implicada, refratária à transformação. Neutralidade aqui é uma força para a manutenção do status quo, e, portanto, significa imediatamente assumir uma posição política que resguarda os modos majoritários de existência.

        Eis um desejo estratégico de algumas formas de liberalismo avançado, uma leitura tecnocrata de posicionamentos políticos, e que pretendem fazer convergir política e justiça num mesmo véu positivista, no qual a moral e os bons costumes coincidem com o que se quer conservar. Em política não existe ponto arquimediano! Exatamente porque não existe um ponto fora da terra e dos assuntos políticos. Sob esse registro, a voga da neutralidade política de nosso tempo significa, mais uma vez, a manutenção virulenta e autoritária de interesses escusos de um grupo de pessoas irritadas com qualquer pluralidade – curiosamente, em nome da pluralidade!. Só que dessa vez, a falácia da neutralidade cria o benefício estratégico de não tornar os sujeitos responsáveis por suas posições conservadoras. Essa tentativa retórica e falaciosa torna-se clara, toda vez que uma posição política é tomada como o negativo e como alvo de acusação. Porque contra a política se pretende colocar uma posição de imparcialidade onde ela não tem sentido. Porque em política os sujeitos devem ser responsáveis por suas posições.  

        Imparcialidade em política, assim, significa ou tolice ou uma espúria e covarde estratégia de fazer coincidir política e Estado. Afirmar que o Estado é neutro, como rezam literalmente os Projetos de Lei mencionados, e que por isso os professores devem ser neutros, é uma ladainha impositiva de uma posição política desejada: segundo a qual os professores devem conservar o status quo! Ora, isso nos parece uma forma de doutrinação estabelecida por meio de projetos de leis que reforçam “princípios” constitucionais compreendidos de forma totalmente arbitrária, e que por isso mesmo precisam ser “reforçados”. Aliás, não existe no texto da constituição nenhum princípio de neutralidade como os projetos de lei fazem parecer, mas somente em algumas teorias políticas interessadas! 

        Assim, de nossa parte, cabe afirmar que essas formas de ação conservadora são posicionamentos políticos que estão completamente em desacordo com a educação política, crítica e plural que defendemos, na qual se ensina e se apreende a debater e conviver com as diferenças, mesmo quando não se tem apreço por elas. Exatamente o que os referidos projetos de lei vilipendiam ao tentar instituir por meio do Direito aquilo que já há algum tempo é a “forma correta de pensar, agir e viver”, e que do ponto de vista dos proponentes, felizmente coincide com as suas convicções políticas, morais e religiosas. 


(Por Adalton Marques, Gabriel Pugliese e Delcides Marques. Site KRISIS – Laboratório de Antropologia Crítica. Publicado em 19/04/2022. Disponível em https://krisis.univasf.edu.br/index.php/2022/04/19/neu tralidadepolitica).  
Qual é o desiderato primordial das propostas legislativas aludidas no texto, que intentam instituir o Programa Escola sem Partido? 
Alternativas
Q2540717 Português
A receita é uma sequência textual do tipo injuntivo, que tem por finalidade
Alternativas
Respostas
35821: A
35822: B
35823: D
35824: E
35825: C
35826: C
35827: A
35828: B
35829: E
35830: B
35831: C
35832: C
35833: A
35834: A
35835: D
35836: D
35837: D
35838: B
35839: B
35840: A