Questões de Concurso
Comentadas sobre interpretação de textos em português
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Leia o poema a seguir:
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
(Fernando Pessoa. Odes de Ricardo Reis. Adaptado)
A partir da leitura do poema, é correto afirmar que o eu-lírico
A questão refere-se ao texto a seguir.
O arquivo
No fim de um ano de trabalho,
joão obteve uma redução de quinze por cento em seus vencimentos. joão era moço. Aquele era seu primeiro emprego. Não se mostrou orgulhoso, embora tenha sido um dos poucos contemplados. Afinal, esforçara-se. Não tivera uma só falta ou atraso. Limitou-se a sorrir, a agradecer ao chefe.
No dia seguinte, mudou-se para um quarto mais distante do centro da cidade. Com o salário reduzido, podia pagar um aluguel menor.
Passou a tomar duas conduções para chegar ao trabalho. No entanto, estava satisfeito. Acordava mais cedo, e isto parecia aumentar-lhe a disposição.
Dois anos mais tarde, veio outra recompensa.
O chefe chamou-o e lhe comunicou o segundo corte salarial.
Desta vez, a empresa atravessava um período excelente. A redução foi um pouco maior: dezessete por cento.
Novos sorrisos, novos agradecimentos, nova mudança.
Agora joão acordava às cinco da manhã. Esperava três conduções. Em compensação, comia menos. Ficou mais esbelto. Sua pele tornou-se menos rosada. O contentamento aumentou.
Prosseguiu a luta.
Porém, nos quatro anos seguintes, nada de extraordinário aconteceu.
joão preocupava-se. Perdia o sono, envenenado em intrigas de colegas invejosos. Odiava-os. Torturava-se com a incompreensão do chefe. Mas não desistia. Passou a trabalhar mais duas horas diárias.
Uma tarde, quase ao fim do expediente, foi chamado ao escritório principal.
Respirou descompassado.
— Seu joão. Nossa firma tem uma grande dívida com o senhor.
joão baixou a cabeça em sinal de modéstia.
— Sabemos de todos os seus esforços. É nosso desejo dar-lhe uma prova substancial de nosso reconhecimento.
O coração parava.
— Além de uma redução de dezesseis por cento em seu ordenado, resolvemos, na reunião de ontem, rebaixá-lo de posto.
A revelação deslumbrou-o. Todos sorriam.
— De hoje em diante, o senhor passará a auxiliar de contabilidade, com menos cinco dias de férias. Contente?
Radiante, joão gaguejou alguma coisa ininteligível, cumprimentou a diretoria, voltou ao trabalho.
Nesta noite, joão não pensou em nada. Dormiu pacífico, no silêncio do subúrbio.
Mais uma vez, mudou-se. Finalmente, deixara de jantar. O almoço reduzira-se a um sanduíche. Emagrecia, sentia-se mais leve, mais ágil. Não havia necessidade de muita roupa. Eliminara certas despesas inúteis, lavadeira, pensão.
Chegava em casa às onze da noite, levantava-se às três da madrugada. Esfarelava-se num trem e dois ônibus para garantir meia hora de antecedência. A vida foi passando, com novos prêmios.
Aos sessenta anos, o ordenado equivalia a dois por cento do inicial. O organismo acomodara-se à fome. Uma vez ou outra, saboreava alguma raiz das estradas. Dormia apenas quinze minutos. Não tinha mais problemas de moradia ou vestimenta. Vivia nos campos, entre árvores refrescantes, cobria-se com os farrapos de um lençol adquirido há muito tempo.
O corpo era um monte de rugas sorridentes.
Todos os dias, um caminhão anônimo transportava-o ao trabalho. Quando completou quarenta anos de serviço, foi convocado pela chefia:
— Seu joão. O senhor acaba de ter seu salário eliminado. Não haverá mais férias. E sua função, a partir de amanhã, será a de limpador de nossos sanitários.
O crânio seco comprimiu-se. Do olho amarelado, escorreu um líquido tênue. A boca tremeu, mas nada disse. Sentia-se cansado. Enfim, atingira todos os objetivos. Tentou sorrir:
— Agradeço tudo que fizeram em meu benefício. Mas desejo requerer minha aposentadoria.
O chefe não compreendeu:
— Mas seu joão, logo agora que o senhor está desassalariado? Por quê? Dentro de alguns meses terá de pagar a taxa inicial para permanecer em nosso quadro. Desprezar tudo isto? Quarenta anos de convívio? O senhor ainda está forte. Que acha?
A emoção impediu qualquer resposta.
joão afastou-se. O lábio murcho se estendeu. A pele enrijeceu, ficou lisa. A estatura regrediu. A cabeça se fundiu ao corpo. As formas desumanizaram-se, planas, compactas. Nos lados, havia duas arestas. Tornou-se cinzento.
joão transformou-se num arquivo de metal.
(GIUDICE, Victor. O arquivo. In: MORICONI, Ítalo. Os cem contos brasileiros do século. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2009. p. 554-561).
O uso de letra minúscula em “joão”
I - representa a coisificação e a insignificância do personagem.
II - intensifica a despersonalização e o anonimato do personagem.
III - corrobora a ausência de destaque da existência do personagem.
IV - acentua a personalidade idiossincrática e dinâmica do personagem.
É CORRETO o que se afirma em
Simbolicamente, essa transformação representa
I - uma crítica à desumanização advinda da rotina burocrática e repetitiva.
II - o surgimento de uma identidade e de uma individualidade diligente e astuta.
III - a desintegração emocional do indivíduo resultante de uma alienação progressiva.
IV - uma ascensão profissional conquistada gradativamente com resiliência e sabedoria.
É CORRETO o que se afirma em
Traição de Capitu
Os argumentos de Otto Lara Resende empobrecem Machado de Assis (Folha, 08/01). O adultério de Capitu é de fato possível, outros acham que provável, e Otto acha que é definitivo, e espinafra quem pensa de outra maneira. Se Machado quisesse escolher uma alternativa, ele o teria feito, e sem perda de elegância. Mas o que Machado quis foi explorar ao máximo a tensão entre probabilidade e possibilidade. Daí nasce o paradoxo comportamental do livro, que faz com que o leitor estranhe que Capitu não seja tratada com a mesma incerteza com que seu marido trata o resto do mundo. Certezas podem ser ilusões, como mostra à saciedade a história do saber humano, a história da literatura. É sobre a ética das incertezas que Machado escreveu o romance, não sobre Capitu. A dúvida, sentida muito justamente pelo leitor, ficaria de pé, mesmo que Machado anexasse ao final do romance uma carta da própria Capitu, confessando o adultério, ou mesmo que o adultério fosse provado por testemunhos inequívocos. Isso não iria acabar com nossa dúvida, cujo objeto é – de fato – o caráter de Bentinho.
Assinale a alternativa correta conforme o texto.
Se Machado quisesse escolher uma alternativa, ele o teria feito, e sem perda de elegância.
Assinale a alternativa que mantem o significado original da construção.
Machado de Assis constrói Bentinho como uma figura que remete ao Otelo de Shakespeare, aliás, relação assinalada no Texto 2. Ambos são consumidos pelo ciúme e pela dúvida sobre a fidelidade da mulher amada. Em Dom Casmurro, há, inclusive, uma cena em que Bentinho assiste à peça Otelo, o que reforça essa conexão.
No entanto, Machado não copia a estrutura da tragédia — ele reinterpreta o drama sob uma ótica psicológica e irônica. Por isso, essa relação é considerada uma..................................., pois evoca Otelo para questionar e reformular o arquétipo do homem ciumento.
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna do texto, conforme a intertextualidade.
1. A hipótese aí encampada…
2.…com essa história mal contada…
3.…nessa prova do vestibular…
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Assinale a alternativa correta sobre o emprego deles.
Examine a tirinha Os Bichos, de Fred Wagner, abaixo:

Sobre a intertextualidade, assinale qual a classificação correta.
Leia os trechos abaixo:
Via-Láctea – Olavo Bilac
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

A intertextualidade assinala a conversa, o diálogo entre textos, no qual haverá um texto-fonte, que servirá como referência. A relação de intertextualidade ocorre de forma explícita ou implícita e não se restringe apenas a textos verbais, uma vez que pode acontecer em outras linguagens, como filmes, músicas, pinturas.
Assinale a alternativa correta sobre os trechos acima.

1. Após o acidente, ele tornou-se órfão de pai e mãe aos sete anos.
2. Desde que o professor se aposentou, a turma ficou órfã de bons debates.
3. O código estava cheio de tags órfãs que não se conectavam a nenhum estilo.
4. Evite deixar linhas órfãs no final da página para manter a estética do texto.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Analise o texto abaixo:
É proibida a circulação de cães e gatos nas áreas comuns a todos, principalmente para fazerem suas necessidades fisiológicas na praça do condomínio.
No texto ocorrem, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem: