Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

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Q3654702 Português
Falando-se de versificação, leia os itens e assinale a alternativa correta.

I- Quanto às combinações as rimas podem ser emparelhadas, alternadas ou cruzadas, interpoladas ou opostas, mistas.
II- Quanto à posição do acento tônico as rimas podem ser agudas ou masculinas, graves ou femininas, esdrúxulas.
III- Quanto à coincidência de sons as rimas podem ser perfeita, soante ou consoante; rima imperfeita, toante ou assonante.
IV- Quanto ao valor as rimas podem ser pobres; ricas; raras; preciosas. 
Alternativas
Q3654700 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.


Ronda. (Paulo Vanzolini).

De noite eu rondo a cidade
A te procurar sem encontrar.
No meio de olhares espio,
Em todos os bares
Você não está...
Volto pra casa abatida,
Desencantada da vida.
O sonho alegria me dá:
Nele você está.
Ah, se eu tivesse
Quem bem me quisesse,
Esse alguém me diria:
"Desiste, esta busca é inútil".
Eu não desistia,
Porém, com perfeita paciência
Volto a te buscar.
Hei de encontrar
Bebendo com outras mulheres,
Rolando um dadinho,
Jogando bilhar
E neste dia, então,
Vai dar na primeira edição:
Cena de sangue num bar
Da Avenida São João.
De acordo com a leitura do texto, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3654662 Português
Leia o trecho da história retirado de um livro de Mary França e Lucas França.
“Malu chama o vovô: - Vem, vovô! Pega seu cavalo e vamos embora... Vovô pergunta: - De verdade, Malu? - Não, vovô! – Diz Malu – de ____________”.
Os livros de Literatura Infantil possuem várias características, mas uma delas refere-se ao mundo imaginário. Essa característica dá nome ao livro de Mary França e Lucas França e também completa a lacuna do trecho selecionado.

Assinale a alternativa que completa, corretamente, a lacuna e também corresponde ao nome do livro selecionado.
Alternativas
Q3654650 Português
Sobre tipologia textual, marque (V) verdadeiro ou (F) falso e assinale a alternativa devida.

( ) Dissertação-expositiva (informativa) apresenta dados sobre um determinado assunto. Há informações sobre diferentes temas, em que o autor expõe dados e/ou conceitos de modo objetivo.
( ) O objetivo principal da dissertação-expositiva (informativa) é informar, esclarecer.
( ) Na Dissertação-expositiva (informativa), os gêneros mais comuns são aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais.
( ) Na dissertação-argumentativa é comum encontrar sermão, ensaio, monografia, tese, ensaio, manifesto, crítica.
Alternativas
Q3654647 Português
A música 'Figuras de Linguagem do Amor', de Vesti & Bular, é uma celebração criativa do amor através do uso de diversas figuras de linguagem.
No tocante a figuras de linguagem, coloque (V) verdadeiro ou (F) falso e marque a alternativa correta.

( ) Eu vou usar uma antítese pra poder unir ideias tão contrárias pra te confundir: A vida com você é como chorar e sorrir.
( ) E com anacoluto eu vou dizer que a vida não é tão bonita sem você.
( ) E dizer que o amor nasceu, cresceu e morreu é uma gradação.
( ) Eu vou usar a sinestesia para te convencer, como subir pra cima e pra baixo descer: Sinestesia pra mim é dizer que eu amo você.
( ) Eu vou usar uma silepse para repetir palavras toda hora pra você ouvir: A vida com você, a vida sem você, a vida é você.
( ) E com onomatopeia eu chego ao final, imitando algum som que é natural: Você é minha gatinha, miau, miau, miauuuu.
Alternativas
Q3654645 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.

Eu amo pessoas "San Francisco." (Martha Medeiros).
Uma das coisas que fascinam na cidade de San Francisco, é ela estar localizada sobre a falha de San Andreas, que provoca pequenos abalos sísmicos de vez em quando e grandes terremotos de tempos em tempos. Você está muito faceiro caminhando pela cidade, de uma hora para outra pode perder o chão, ver tudo sair do lugar, ficar tontinho, tontinho. É pouco provável que vá acontecer justo quando você estiver lá, mas existe a possibilidade e isso amedronta, mas, ao mesmo tempo excita, vai dizer que não? Assim também são as pessoas interessantes: TÊM FALHAS. Pessoas perfeitas são como Viena, uma cidade linda, limpa, onde tudo funciona e você quase morre de tédio. Pessoas, como cidades, não precisam ser excessivamente bonitas. É fundamental que tenham sinais de expressão no rosto, um nariz com personalidade, um vinco na testa que as caracterize. Pessoas, como cidades, precisam ser limpas, mas, não ao ponto de não possuírem máculas. É preciso suar na hora do cansaço, é preciso ter um cheiro próprio, uma camiseta velha para dormir, um jeans quase transparente de tanto que foi usado, um batom que escapou dos lábios depois de um beijo, um rímel que borrou um pouquinho quando você chorou. Pessoas, como cidades, têm que funcionar, mas não podem ser previsíveis. De vez em quando, sem abusar muito da licença, devem ser INSENSATAS, ligeiramente PASSIONAIS, demonstrar um CERTO DESATINO, ir contra alguns prognósticos, COMETER ERROS de julgamento e pedir desculpas depois, PEDIR DESCULPAS SEMPRE, para poder ter crédito e errar outra vez. Pessoas, como cidades, devem dar vontade de visitar, devem satisfazer nossa necessidade de viver momentos sublimes, devem ser calorosas, serem generosas e abrirem suas portas, devem nos fazer querer voltar, porém, não devem nos deixar 100% seguros, nunca. Uma pequena dose de apreensão e cuidado devem provocar. Nunca se deve deixar os outros esquecerem que pessoas, assim como cidades, têm RACHADURAS INTERNAS, portanto, podem surpreender.
Falhas. Agradeça as suas, que é o que humaniza você e nos fascina.

1. Analise o texto e marque a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3654560 Português
Leia o texto para responder à próxima questão.
Essa... (J.G. de Araújo Jorge).
Essa, que hoje se entrega aos meus braços escrava, olhos tontos do amor de que aos poucos me farto, ontem... era a mulher ideal que eu procurava, que enchia a minha insônia a rondar o meu quarto...
Essa, que ao meu olhar parado e indiferente há pouco se despiu - divinamente nua -, já me ouviu murmurar em êxtase, fremente: - Sou teu! ... E já me disse, a delirar: - Sou tua !
Essa, que encheu meus sonhos, meus receios vãos, num tempo em que eram vãos meus sonhos, meus receios, já transbordou de vida a ânsia das minhas mãos com a beleza estonteante e morna dos seus seios !
Essa, que se vestiu... que saiu dos meus braços e se foi... - para vir, quem sabe? uma outra vez. - segui-a... e eu era a sombra dos seus próprios passos... - amei-a... e eu era um louco quando a amei talvez...
Hoje, seu corpo é um livro aberto aos meus sentidos já não guarda as surpresas de antes para mim... (Não importa se há livros muita vez relidos importa... é que afinal, todos eles têm fim...
Essa, a quem julguei Ter tanta afeição sincera e hoje não enche mais a minha solidão, simboliza a mulher que sempre a gente espera... mas que chega, e se vai... como todas vão...

1. Com base na leitura do texto, assinale a alternativa incorreta.
Alternativas
Q3654491 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Sobre a tranquilidade da alma


    Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs.

    E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam à altivez orgulhosa de si.

    Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.

    Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa caminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.


(Adaptado de SÊNECA. Sobre a tranquilidade da alma. Trad. José Rodrigues Seabra Filho. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 51)
Ao final do texto, Sêneca explica que seus preceitos se dirigem aos imperfeitos, medíocres e insensatos, porque acredita que
Alternativas
Q3654490 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.



Sobre a tranquilidade da alma


    Há desejos nossos que não devem ser levados para muito longe de nós; permitamos-lhes, então, que saiam apenas para as proximidades, de vez que não podem ser totalmente domesticados. Abandonando aquilo que não pode acontecer, ou que só muito dificilmente poderia estar ao nosso alcance, sigamos as coisas próximas que favorecem nossa esperança. Saibamos, no entanto, que essas coisas mais junto de nós podem ser levianas, e embora tenham por fora diversas faces, por dentro são igualmente vãs.

    E não invejemos as criaturas que estão mais alto: o que parece altura é também precipício. Aqueles, pelo contrário, aos quais uma sorte iníqua conduziu a uma encruzilhada, mais seguros estarão diminuindo sua soberba nas coisas que naturalmente levam à altivez orgulhosa de si.

    Muitos, na verdade, existem imperiosamente atados às alturas, e de lá não podem descer a não ser caindo. Nada, todavia, nos livrará das flutuações da alma como o saber fixar sempre um limite às ambições, sem deixá-las ao arbítrio da fortuna, assim como deter-nos a nós mesmos diante das promessas vertiginosas. Ainda que venham a excitar a alma, ou por isso mesmo, alguns dos nossos desejos, uma vez limitados, não avançarão temerariamente às regiões do que é imenso e incerto.

    Vejam: é aos imperfeitos, medíocres e insensatos que se dirigem esses meus preceitos, não ao sábio. O sábio não precisa caminhar com timidez, pé ante pé: ele tem tanta confiança em si mesmo e em seus recursos que não hesita em sair ao encontro do seu destino. Não tem, por isso, que temê-lo; aprendeu a viver sabendo o que pertence ao rol das coisas precárias e o que, estando ao seu alcance, cumpre-lhe guardar como seu.


(Adaptado de SÊNECA. Sobre a tranquilidade da alma. Trad. José Rodrigues Seabra Filho. São Paulo: Nova Alexandria, 1994, p. 51)
Ao valorizar positivamente o senso que cada um de nós deve ter de seus próprios limites, Sêneca não deixa de relativizar essa virtude, ao nos advertir:
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Q3654075 Português

Leia o texto a seguir para responder a questão.



Um coelho


        Todo mundo sabe: uma agência de publicidade comemorou a Páscoa oferecendo um coelho vivo a 20 personalidades do Rio de Janeiro. Mas o que ninguém sabe é que só depois da Páscoa o meu coelho conseguiu me encontrar.


         Dentro de uma gaiola, o coelho era pesado e assustadiço. Chamava-se Osvaldo — Osvaldo Coelho. No primeiro dia fiquei algumas horas com aquele bicho orelhudo à minha mercê, num restaurante. Providenciei cenouras para Osvaldo e pensei que não havia novidade alguma em tudo aquilo, pois até Hollywood já havia feito um filme mostrando um coelho num bar. O filme era Meu amigo Harvey e James Stewart, o protagonista.


         Quando chegou a madrugada conduzi Osvaldo para o meu lar. Apresentei-lhe o meu melhor amigo, Nelsinho Mota, que é um passarinho inteligente e terno, mas Osvaldo teve medo de Nelsinho e vice-versa. Decidi, então, que a cada um caberia um aposento especial. Nelsinho ficaria na sala e Osvaldo no escritório. [...]


         Minha cozinheira foi a primeira pessoa a perceber o absurdo da situação. Não se pode viver com um coelho dentro de um apartamento — disse ela. “Azar, azia, azeite”, respondi. “Não se pode viver de maneira alguma. O coelho é apenas uma demonstração particularmente cruel dessa evidência”.


          Passaram-se dois dias: simplesmente fiquei dois dias sem voltar para casa, na esperança de que o coelho e a cozinheira entrassem em algum acordo. Mas o lar é uma coisa a que estamos tão habituados que sempre acabamos voltando a ele. Voltei fatigado, deitei me, e na manhã seguinte me pus a assoviar enquanto aparava a barba. Ao café, a cozinheira disse:


         — E o coelho?


     — Não sei. Não tenho jogado no bicho


       — Estou falando é no nosso coelho. (Ela disse “nosso” coelho! O malandro já pertencia à minha família).


       — Ah... O Osvaldo? — disse eu. — Façamos o seguinte: passemos a navalha no pescoço dele e jantemos civet de lapin! Coelho esquartejado!


     — É pecado comer bicho que tem nome cristão — sentenciou ela. E estava certíssima: a minha saudosa galinha, Amélia, morreu de velha; ninguém ousou prepará-la ao molho pardo.


     Eis senão quando o próprio Osvaldo tomou uma atitude singular. Depois de roer a gaiola e de devorar o Canto número dois, de Lautreamont — deixando intacto o Canto número um, que está impresso nas páginas anteriores — ele se esgueirou pelo corredor e, na sala, ficou ouvindo a nossa conversa. Aliás, o nosso silêncio: quando o vimos, a cozinheira e eu nos calamos. Eu, principalmente, estava encabuladíssimo, pois acabava de sugerir uma navalhada no pescoço dele.


        A intuição feminina prevaleceria. A cozinheira mais que depressa abriu a porta da rua e sorriu maliciosamente na minha direção. O coelho, com as orelhas eretas, contemplou longamente a liberdade. Depois, por sua vez, se precipitou para fora.


      Fechamos a porta e suspiramos. O mais e o menos outra vez se equilibravam em nossas vidas: menos um problema, mais um remorso.


OLIVEIRA, J. C. Domingo. In: Caderno B, Jornal do Brasil. Rio de

Janeiro, 1969. Disponível em

<https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/16674/um-coelho>. 

Ao declarar, no final do texto, “menos um problema, mais um remorso”, o narrador se refere: 
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Q3654000 Português
Considere o texto que segue para responder à questão.


   Nos achamos tão livres como donos de tablets e celulares, vamos a qualquer lugar na internet, lutamos pelas causas mesmo de países do outro lado do planeta, participamos de protestos globais e mal percebemos que criamos uma pós-submissão. Ou um tipo mais perigoso e insidioso de submissão. Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar 24×7. Vinte e quatro horas por sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa. Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora. Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

  Como na época da aceleração os anos já não começam nem terminam, apenas se emendam, tanto quanto os meses e como os dias, a metade de 2016 chegou quando parecia que ainda era março. Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-ecorrendo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo. Pelo menos até conseguirmos nos livrar desse corpo que se tornou uma barreira. O problema é que o corpo não é um outro, o corpo é o que chamamos de eu. O corpo não é limite, mas a própria condição. O corpo é.

   Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés. Remem remem remem. Cliquem cliquem cliquem para não ficar para trás e morrer. Mas o presente, nessa velocidade, é um pretérito contínuo. Se a internet parece ter encolhido o mundo, e milhares de quilômetros podem ser reduzidos a um clique, como diz o clichê e alguns anúncios publicitários, nosso mundo interno ficou a oceanos de nós. Conectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro.

  Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos de exclamação. [...].


Fonte: BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. El País Brasil, 4 jul. 2016.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html. Acesso em: 20 ago. 2025 
No trecho “Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma”, a expressão destacada (“E, assim,”) tem a função de:
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Q3653999 Português
Considere o texto que segue para responder à questão.


   Nos achamos tão livres como donos de tablets e celulares, vamos a qualquer lugar na internet, lutamos pelas causas mesmo de países do outro lado do planeta, participamos de protestos globais e mal percebemos que criamos uma pós-submissão. Ou um tipo mais perigoso e insidioso de submissão. Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar 24×7. Vinte e quatro horas por sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa. Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora. Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

  Como na época da aceleração os anos já não começam nem terminam, apenas se emendam, tanto quanto os meses e como os dias, a metade de 2016 chegou quando parecia que ainda era março. Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-ecorrendo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo. Pelo menos até conseguirmos nos livrar desse corpo que se tornou uma barreira. O problema é que o corpo não é um outro, o corpo é o que chamamos de eu. O corpo não é limite, mas a própria condição. O corpo é.

   Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés. Remem remem remem. Cliquem cliquem cliquem para não ficar para trás e morrer. Mas o presente, nessa velocidade, é um pretérito contínuo. Se a internet parece ter encolhido o mundo, e milhares de quilômetros podem ser reduzidos a um clique, como diz o clichê e alguns anúncios publicitários, nosso mundo interno ficou a oceanos de nós. Conectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro.

  Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos de exclamação. [...].


Fonte: BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. El País Brasil, 4 jul. 2016.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html. Acesso em: 20 ago. 2025 
No trecho “Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés”, a autora emprega a expressão “remos das antigas galés” em sentido conotativo, estabelecendo uma relação de sentido figurado. Essa construção é um exemplo do recurso estilístico conhecido como:
Alternativas
Q3653996 Português
Considere o texto que segue para responder à questão.


   Nos achamos tão livres como donos de tablets e celulares, vamos a qualquer lugar na internet, lutamos pelas causas mesmo de países do outro lado do planeta, participamos de protestos globais e mal percebemos que criamos uma pós-submissão. Ou um tipo mais perigoso e insidioso de submissão. Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar 24×7. Vinte e quatro horas por sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa. Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora. Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

  Como na época da aceleração os anos já não começam nem terminam, apenas se emendam, tanto quanto os meses e como os dias, a metade de 2016 chegou quando parecia que ainda era março. Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-ecorrendo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo. Pelo menos até conseguirmos nos livrar desse corpo que se tornou uma barreira. O problema é que o corpo não é um outro, o corpo é o que chamamos de eu. O corpo não é limite, mas a própria condição. O corpo é.

   Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés. Remem remem remem. Cliquem cliquem cliquem para não ficar para trás e morrer. Mas o presente, nessa velocidade, é um pretérito contínuo. Se a internet parece ter encolhido o mundo, e milhares de quilômetros podem ser reduzidos a um clique, como diz o clichê e alguns anúncios publicitários, nosso mundo interno ficou a oceanos de nós. Conectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro.

  Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos de exclamação. [...].


Fonte: BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. El País Brasil, 4 jul. 2016.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html. Acesso em: 20 ago. 2025 
No trecho “Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados”, a autora repete a conjunção “e” entre os termos. Essa repetição tem a função de:
Alternativas
Q3653995 Português
Considere o texto que segue para responder à questão.


   Nos achamos tão livres como donos de tablets e celulares, vamos a qualquer lugar na internet, lutamos pelas causas mesmo de países do outro lado do planeta, participamos de protestos globais e mal percebemos que criamos uma pós-submissão. Ou um tipo mais perigoso e insidioso de submissão. Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar 24×7. Vinte e quatro horas por sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa. Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora. Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E, assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.

  Como na época da aceleração os anos já não começam nem terminam, apenas se emendam, tanto quanto os meses e como os dias, a metade de 2016 chegou quando parecia que ainda era março. Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a má notícia é que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-ecorrendo virou a condição humana dessa época. E já percebemos que essa condição humana um corpo humano não aguenta. O corpo então virou um atrapalho, um apêndice incômodo, um não-dá-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em pânico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade não humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque só dopados para continuar exaustos-e-correndo. Pelo menos até conseguirmos nos livrar desse corpo que se tornou uma barreira. O problema é que o corpo não é um outro, o corpo é o que chamamos de eu. O corpo não é limite, mas a própria condição. O corpo é.

   Os cliques da internet tornaram-se os remos das antigas galés. Remem remem remem. Cliquem cliquem cliquem para não ficar para trás e morrer. Mas o presente, nessa velocidade, é um pretérito contínuo. Se a internet parece ter encolhido o mundo, e milhares de quilômetros podem ser reduzidos a um clique, como diz o clichê e alguns anúncios publicitários, nosso mundo interno ficou a oceanos de nós. Conectados ao planeta inteiro, estamos desconectados do eu e também do outro. Incapazes da alteridade, o outro se tornou alguém a ser destruído, bloqueado ou mesmo deletado. Falamos muito, mas sozinhos. Escassas são as conversas, a rede tornou-se em parte um interminável discurso autorreferente, um delírio narcisista. E narciso é um eu sem eu. Porque para existir eu é preciso o outro.

  Há tanta informação disponível, mas talvez estejamos nos imbecilizando. Porque nos falta contemplação, nos falta o vazio que impele à criação, nos falta silêncios. Nos falta até o tédio. Sem experiência não há conhecimento. E talvez uma parcela do ativismo seja uma ilusão de ativismo, porque sem o outro. Talvez parte do que acreditamos ser ativismo seja, ao contrário, passividade. Um novo tipo de passividade, cheia de gritos, de certezas e de pontos de exclamação. [...].


Fonte: BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. El País Brasil, 4 jul. 2016.

Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/07/04/politica/1467642464_246482.html. Acesso em: 20 ago. 2025 
O trecho reflete sobre os impactos da hiperconectividade e do excesso de informações na vida contemporânea. Segundo o texto, a principal crítica apresentada pela autora é que:
Alternativas
Q3653913 Português

“Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho,

Eles passarão... Eu passarinho!”


(Mário Quintana) No poema acima, o autor elabora um jogo de palavras que pode ser descrito corretamente da seguinte maneira:

Alternativas
Q3653897 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Festa de aniversário


Leonora chegou-se para mim, a carinha mais limpa deste mundo:

– Engoli uma tampa de Coca-Cola.

Levantei as mãos para o céu: mais esta agora! Era uma festa de aniversário, o aniversário dela própria, que completava seis anos de idade. Convoquei imediatamente a família:

– Disse que engoliu uma tampa de CocaCola.

A mãe, os tios, os avós, todos a cercavam, nervosos e inquietos. Abre a boca, minha filha. Agora não adianta: já engoliu. Deve ter arranhado. Mas engoliu como? Quem é que engole uma tampa de cerveja? De cerveja, não: de Coca-Cola. Pode ter ficado na garganta – urgia que tomássemos uma providência, não ficássemos ali, feito idiotas. Peguei-a no colo: vem cá, minha filhinha, conta só para mim: você engoliu coisa nenhuma, não é isso mesmo?

 – Engoli sim, papai – ela afirmava com decisão. (...)

Batemos para o pronto-socorro da cidade. (...)

Tirada a chapa, ficamos aguardando ansiosos a revelação. Em pouco o médico regressava:

 – Não engoliu coisa alguma. O senhor pode ir descansando.

– Engoli – afirmou a menininha.

Voltei-me para ela:

– Como é que você ainda insiste, minha filha?

– Que eu engoli, engoli.

– Pensa que engoliu – emendei.

– Isso acontece – sorriu o médico. – Até com gente grande. Aqui já teve um guarda que pensou ter engolido o apito.

– Pois eu engoli mesmo – comentou ela, intransigente.

– Você não pode ter engolido – arrematei, já impaciente: – Quer saber mais do que o médico?

– Quero. Eu engoli, e depois desengoli – esclareceu ela.

Nada mais havendo a fazer, engoli em seco, despedi-me do médico e bati em retirada com toda a comitiva.


SABINO, Fernando. Festa de aniversário. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13185/festa-de-aniversario

“– Pois eu engoli mesmo – comentou ela, intransigente.”


A palavra destacada no trecho acima, transcrito do texto, é sinônima de:

Alternativas
Q3653896 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Festa de aniversário


Leonora chegou-se para mim, a carinha mais limpa deste mundo:

– Engoli uma tampa de Coca-Cola.

Levantei as mãos para o céu: mais esta agora! Era uma festa de aniversário, o aniversário dela própria, que completava seis anos de idade. Convoquei imediatamente a família:

– Disse que engoliu uma tampa de CocaCola.

A mãe, os tios, os avós, todos a cercavam, nervosos e inquietos. Abre a boca, minha filha. Agora não adianta: já engoliu. Deve ter arranhado. Mas engoliu como? Quem é que engole uma tampa de cerveja? De cerveja, não: de Coca-Cola. Pode ter ficado na garganta – urgia que tomássemos uma providência, não ficássemos ali, feito idiotas. Peguei-a no colo: vem cá, minha filhinha, conta só para mim: você engoliu coisa nenhuma, não é isso mesmo?

 – Engoli sim, papai – ela afirmava com decisão. (...)

Batemos para o pronto-socorro da cidade. (...)

Tirada a chapa, ficamos aguardando ansiosos a revelação. Em pouco o médico regressava:

 – Não engoliu coisa alguma. O senhor pode ir descansando.

– Engoli – afirmou a menininha.

Voltei-me para ela:

– Como é que você ainda insiste, minha filha?

– Que eu engoli, engoli.

– Pensa que engoliu – emendei.

– Isso acontece – sorriu o médico. – Até com gente grande. Aqui já teve um guarda que pensou ter engolido o apito.

– Pois eu engoli mesmo – comentou ela, intransigente.

– Você não pode ter engolido – arrematei, já impaciente: – Quer saber mais do que o médico?

– Quero. Eu engoli, e depois desengoli – esclareceu ela.

Nada mais havendo a fazer, engoli em seco, despedi-me do médico e bati em retirada com toda a comitiva.


SABINO, Fernando. Festa de aniversário. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13185/festa-de-aniversario

“A mãe, os tios, os avós, todos a cercavam, nervosos e inquietos. Abre a boca, minha filha. Agora não adianta: já engoliu. Deve ter arranhado. Mas engoliu como? Quem é que engole uma tampa de cerveja? De cerveja, não: de Coca-Cola. Pode ter ficado na garganta”
No trecho acima, transcrito do texto, ocorre:
Alternativas
Q3653895 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Festa de aniversário


Leonora chegou-se para mim, a carinha mais limpa deste mundo:

– Engoli uma tampa de Coca-Cola.

Levantei as mãos para o céu: mais esta agora! Era uma festa de aniversário, o aniversário dela própria, que completava seis anos de idade. Convoquei imediatamente a família:

– Disse que engoliu uma tampa de CocaCola.

A mãe, os tios, os avós, todos a cercavam, nervosos e inquietos. Abre a boca, minha filha. Agora não adianta: já engoliu. Deve ter arranhado. Mas engoliu como? Quem é que engole uma tampa de cerveja? De cerveja, não: de Coca-Cola. Pode ter ficado na garganta – urgia que tomássemos uma providência, não ficássemos ali, feito idiotas. Peguei-a no colo: vem cá, minha filhinha, conta só para mim: você engoliu coisa nenhuma, não é isso mesmo?

 – Engoli sim, papai – ela afirmava com decisão. (...)

Batemos para o pronto-socorro da cidade. (...)

Tirada a chapa, ficamos aguardando ansiosos a revelação. Em pouco o médico regressava:

 – Não engoliu coisa alguma. O senhor pode ir descansando.

– Engoli – afirmou a menininha.

Voltei-me para ela:

– Como é que você ainda insiste, minha filha?

– Que eu engoli, engoli.

– Pensa que engoliu – emendei.

– Isso acontece – sorriu o médico. – Até com gente grande. Aqui já teve um guarda que pensou ter engolido o apito.

– Pois eu engoli mesmo – comentou ela, intransigente.

– Você não pode ter engolido – arrematei, já impaciente: – Quer saber mais do que o médico?

– Quero. Eu engoli, e depois desengoli – esclareceu ela.

Nada mais havendo a fazer, engoli em seco, despedi-me do médico e bati em retirada com toda a comitiva.


SABINO, Fernando. Festa de aniversário. Disponível em https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/13185/festa-de-aniversario

Em relação ao texto “Festa de aniversário”, é correto afirmar que ele é predominantemente:
Alternativas
Q3653879 Português
Leia o excerto a seguir:

Hoje eu quero voltar sozinho (2014)

Leonardo, um adolescente cego, tenta se encontrar no mundo enquanto lida com a mãe superprotetora e luta por uma maior independência. Ele quer liberdade, uma história de amor e se livrar dos estereótipos que as pessoas colocaram sobre ele. No meio do caos da adolescência, Gabriel, o menino recém-chegado na cidade, o incentiva na sua jornada de autoconhecimento. Em uma narrativa leve e delicada, os dois personagens vivenciam o mundo que sempre quiseram explorar.

(Júlia Custódio. Quando os protagonistas LGBTQIA+ passam longe do estereótipo. Disponível em: < https://vidasimples.co/diversidade/cinco-filmes-com-protagonistas-lgbtqi a/ >. Acesso em 26 jun. 2025. Adaptado.)

A partir da leitura do excerto, analise as assertivas que seguem:

I.As expressões "um adolescente cego" e "o menino recém-chegado na cidade" têm o mesmo valor sintático: ambas são apostos explicativos, reiterando a identidade dos personagens do filme.
II.A palavra "superprotetora" é uma palavra composta por prefixação e não exige o uso do hífen porque a palavra que segue ao prefixo não se inicia com h ou r.
III.Em "recém-chegado" o hífen é facultativo, uma vez que são duas palavras independentes e o uso ou o não uso do hífen é indiferente: Espera-se que o "recém lançado" livro alcance leitores em todo o país.
IV.A respeito do gênero textual do excerto, é uma sinopse do filme, uma vez que apenas resume o enredo, sem que a autora emita opinião.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3653875 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


"O relevo do Cerrado permite à sua rede de rios e lençóis freáticos ________________ bacias em todas as regiões do país, inclusive gigantes da Amazônia, como os rios Tapajós e Xingu. Mais de 90% das águas que correm pelo São Francisco _______ do Cerrado, assim como praticamente toda a água do Pantanal. O bioma abastece quase 50% da bacia do Paraná, estratégica para a geração de energia elétrica", diz o texto.

A perda de vegetação nativa é um dos motivos por _______ dos impactos no Cerrado, [...] o que está diretamente vinculada ______ expansão da soja no bioma. Dados do MapBiomas mostram que a região perdeu 22% de sua vegetação nativa entre 1985 e 2022, passando de 107 milhões para 83 milhões de hectares. No mesmo período, a área destinada _______ produção de soja cresceu quase 20 vezes, passando de 620 mil para mais de 12 milhões de hectares.

"É comum encontrar pessoas indignadas com a falta de água nas torneiras ou preocupadas com a queda de safra devido à irregularidade climática, sem perceberem que esses problemas estão diretamente ligados ao desmatamento do Cerrado", [...]. "Quando o Cerrado é devastado, estamos colocando em risco os recursos hídricos do Brasil, afetando ________ todos nós".

"A irrigação intensiva e o desmatamento ____________ o ciclo hidrológico, reduzindo a capacidade do solo de armazenar e liberar água nos períodos secos. Esse fenômeno retroalimenta a crise climática, encurtando os períodos de chuva, aumentando a temperatura e intensificando a instabilidade climática", destaca o documento.


(Diego Junqueira, Com menos chuva e avanço da soja, rios do Cerrado perdem 20% das águas. Disponível em: < https://reporterbrasil.org.br/2025/06/menos-chuva-avanco-soja-rios-cerr ado-perdem-aguas/ >. Acesso em 26 jun. 2025. Adaptado.)
Leia o excerto a seguir e analise as assertivas tendo em consideração o texto na íntegra:

"[...] Esse fenômeno retroalimenta a crise climática, encurtando os períodos de chuva, aumentando a temperatura e intensificando a instabilidade climática", [...].

I.O pronome esse está usado equivocamente e gera ambiguidade, uma vez que se refere a períodos secos. O adequado seria "este".
II.Ao dizer que o fenômeno "retroalimenta" a crise climática, reforça-se a ideia cíclica que envolve o manejo da água no Brasil, em um efeito ininterrupto e cada vez mais intenso de causa e consequência.
III.Em relação a "sem perceberem que esses problemas estão diretamente ligados ao desmatamento do Cerrado", no parágrafo anterior, temos o uso adequado do pronome demonstrativo esse , pois tem como referente os problemas destacados anteriormente (falta de água nas torneiras e queda na safra, ambos devido à irregularidade climática). O mesmo uso do pronome acontece no excerto em análise, posto que "esse fenômeno" refere-se a todo o período que o antecede.
IV.Em "encurtando os períodos de chuva, aumentando a temperatura e intensificando a instabilidade climática", temos uma enumeração de ideias em movimento, em continuidade, ou seja, não encerradas. Esse valor semântico de progressão é dado pelo uso dos verbos no particípio.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Respostas
9281: C
9282: A
9283: D
9284: B
9285: D
9286: B
9287: B
9288: E
9289: C
9290: A
9291: C
9292: A
9293: B
9294: B
9295: B
9296: B
9297: C
9298: A
9299: E
9300: E