Questões de Concurso Comentadas sobre interpretação de textos em português

Questões Discursivas

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Q2170580 Português

Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.


              Prefiro acreditar que pensar que um dia nos sentiremos prontos o suficiente é utopia 


                                                                                                                                         Por Pedro Guerra



  1. (Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas – texto adaptado especialmente para esta prova).


Analise o seguinte período retirado do texto:
“Certa vez escutei, em um programa de empreendedorismo, que se você não sente vergonha de algo que já fez, é porque começou tarde demais”.
Sobre o período acima, analise as assertivas que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) As duas ocorrências da palavra ‘que’ introduzem orações subordinadas adjetivas, funcionando, portanto, como pronomes relativos. ( ) A palavra se introduz uma oração adverbial condicional. ( ) O vocábulo ‘porque’ poderia ser substituído por ‘já que’.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
Alternativas
Q2170444 Português
Inclusão: com quase 60 anos, atração da Disneylândia ganha personagens cadeirantes pela primeira vez.


        Na Disneylândia, o primeiro parque da Disney, que fica na Califórnia (EUA), as celebrações natalinas começaram e uma de suas principais atrações, “It’s a Small World”, ganhou dois novos personagens em cadeiras de rodas. É a primeira vez em 67 anos de história do parque que personagens em cadeiras de rodas aparecem na atração. A iniciativa faz parte de ações da companhia para ampliar a inclusão e a representação da diversidade em seus brinquedos.

        Os dois novos integrantes estão entre os cerca de 300 bonecos fantasiados que representam crianças de diversas nações cantando. Na verdade, ambos apareciam na atração de pé anteriormente. Agora, um deles está na ________ latino-americana enquanto o outro surge na ________ final.

        Ambos devem se tornar fixos na atração. As versões do brinquedo nos parques da Disney em Orlando, na Flórida, e em Paris também vão receber personagens cadeirantes no próximo ano.

        “A Disney claramente vê o benefício de atrair um público maior ao se tornar mais inclusiva. Precisamos ver mais disso na cultura, nos parques temáticos e no entretenimento como um todo se quisermos ser representantes do maior grupo minoritário do mundo”, afirma Jillian Houghton, CEO da Disability: IN, organização sem fins lucrativos que luta por uma maior inclusão de pessoas com deficiência na sociedade.

        “Esse ___________ é parte dos nossos esforços de olhar para o nosso resort com uma lupa para que possamos encontrar oportunidades de aumentar nossa inclusão”, confirma Kim Irvine, da Walt Disney Imagineering.

        Criada para a Feira Mundial de Nova York de 1964- 1965, “It’s a Small World” fez grande sucesso e foi levada para parque da Califórnia em 1966 e atualmente está presente também nos parques de Orlando, Tóquio, Paris e Hong Kong.

(Fonte: Hypeness - adaptado.)
Em conformidade com o texto, marcar C para as afirmativas Certas, E para as Erradas e, após, assinalar a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
(_) Em quase 70 anos de existência da Disneylândia, personagens em cadeiras de rodas continuam sem aparecer na atração.
(_) A principal atração natalina, a “It’s a Small World”, ganhou dois novos personagens em cadeiras de rodas, os quais não apareciam anteriormente na atração.
(_) A “It’s a Small World” foi criada para a Feira Mundial de Nova York de 1964-1965, mas não fez grande sucesso.
(_) O CEO da Disability: IN afirmou que a Disney claramente vê o benefício de atrair um público maior ao se tornar mais inclusiva.
Alternativas
Q2170001 Português
As Maravilhas da Fazenda Paraíso

No terreiro rústico da Fazenda Paraíso, nos anos da minha adolescência, era certa e esperada aquela comunicação anual. [...] Vinha dos campos e da mangueira um cheiro fecundo de vegetais e de apojo, mugidos intercalados da vacada, que à tarde mansamente descia dos pastos, procurando a frente da fazenda. O terreiro rústico participava desses encantamentos. Naquela comunhão sagrada e rotineira, a gente se sentia feliz e nem se lembrava de que não havia nenhum dinheiro na casa. Pela manhã, muito cedo, meu avô ia verificar o moinho de fubá de milho, o rendimento da noite. O velho e pesado monjolo subia e descia compassado, escachoando água do cocho, cavado no madeirame pesado e bruto. [...] E partia das mangueiras e abacateiros frondosos o arrulho gemido da juriti. Às sete horas, vinha para cima da grande mesa familiar, rodeada de bancos pesados e rudes, a grande panela de mucilagem, mingau de fubá canjica, fino e adocicado, cozido no leite ainda morno do curral. [...] Comia-se com vontade e comida tão boa como aquela nunca houve em parte alguma. O arroz, fumaçando numa travessa imensa de louça antiga, rescendia a pimenta de cheiro. O frango ensopado em molho de açafrão e cebolinha verde, e mais coentro e salsa. O feijão saboroso, a couve com torresmos, enfarinhada ou rasgadinha à mineira, mandioca adocicada e farinha, ainda quentinha da torrada. Comia-se à moda velha. Repetia-se o bocado, rapava-se o prato. Depois, o quintal, os engenhos, o goiabal, os cajueiros, o rego-d’água. Tínhamos ali o nosso Universo. Vivia-se na Paz de Deus. Eram essas coisas na Fazenda Paraíso. E como todo paraíso, só valeu depois de perdido.
CORALINA, Cora. Melhores Poemas: Cora Coralina; seleção Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2017.
Nesse poema de Cora Coralina, nota-se que o leitor é naturalmente levado a deleitar-se no universo poético idílico, cujos versos representam a ativação da memória, utilizando formas imagéticas e linguísticas que evidenciam lembranças carregadas de afetividade, simplicidade e nostalgia. Assim, a figura de linguagem empregada como recurso expressivo, na construção estético-literária do poema, é:
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Q2170000 Português
A ESCOLA AINDA TEM LUGAR PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES?
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
(Fernando Pessoa)


     A epígrafe deste texto, um fragmento do poema "Liberdade", incluído na obra Cancioneiro de Fernando Pessoa, certamente daria aos adolescentes de hoje muito pano para manga. Visto assim, fora de seu contexto poético, descolado do conjunto da produção do grande poeta português, poderia facilmente confundir-se com a voz de um estudante, confirmando a imagem de que estudar, ler e conhecer literatura são coisas sem sabor, ligadas ao universo da obrigação, distantes dos prazeres encontrados na natureza e (por que não?) na vida. Mas poderia, também, dependendo do que o professor faz com esse conjunto de versos, de como os faz chegar aos alunos, funcionar como elo entre as gerações "pós-modernas", sua forma de sentir e se relacionar com o mundo, e essa fala viva que vem do passado, inteiramente impregnada do presente. [...]
      Penso que esta é a motivação do trabalho que William Cereja vem desenvolvendo há anos. Cada um de seus livros revela a busca incessante de caminhos capazes de despertar o leitor adormecido em cada estudante, de confrontá-lo com as linguagens que o cercam, de impulsioná-lo para a condição de sujeito crítico. Entretanto, como autor participante e em permanente contato com professores e alunos, William vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis professores.
      Esta constatação pode parecer desanimadora, uma vez que o despreparo dos estudantes revela-se não apenas diante do texto literário, mas diante de qualquer tipo de texto, como confirmam diferentes pesquisas. Foi ela, entretanto, que motivou William a esboçar mais um gesto em direção à leitura e aos leitores.
      [...]
     O trabalho que está diante do leitor, portanto, é obra de um autor múltiplo, sujeito do ensino, da pesquisa e da proposição de consistentes alternativas. [...]
   Se terminasse aí, o trabalho não seria assinado por William Cereja e sua visão crítica e participativa. A proposta de implementar o que ele denomina "perspectiva dialógica do texto literário" parece, sem dúvida, uma saída possível para que a escola se afirme (re-afirme?) como um lugar de formação de leitores competentes para o texto e para a vida.
       [...]

BRAIT, Beth. A escola ainda tem lugar para a formação de leitores competentes? Prefácio. In: –––. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005.
De acordo com o texto, a tríade: organização curricular, papel da escola e trabalho docente representa um contexto possível, no entanto:
Alternativas
Q2169999 Português
A ESCOLA AINDA TEM LUGAR PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES?
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
(Fernando Pessoa)


     A epígrafe deste texto, um fragmento do poema "Liberdade", incluído na obra Cancioneiro de Fernando Pessoa, certamente daria aos adolescentes de hoje muito pano para manga. Visto assim, fora de seu contexto poético, descolado do conjunto da produção do grande poeta português, poderia facilmente confundir-se com a voz de um estudante, confirmando a imagem de que estudar, ler e conhecer literatura são coisas sem sabor, ligadas ao universo da obrigação, distantes dos prazeres encontrados na natureza e (por que não?) na vida. Mas poderia, também, dependendo do que o professor faz com esse conjunto de versos, de como os faz chegar aos alunos, funcionar como elo entre as gerações "pós-modernas", sua forma de sentir e se relacionar com o mundo, e essa fala viva que vem do passado, inteiramente impregnada do presente. [...]
      Penso que esta é a motivação do trabalho que William Cereja vem desenvolvendo há anos. Cada um de seus livros revela a busca incessante de caminhos capazes de despertar o leitor adormecido em cada estudante, de confrontá-lo com as linguagens que o cercam, de impulsioná-lo para a condição de sujeito crítico. Entretanto, como autor participante e em permanente contato com professores e alunos, William vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis professores.
      Esta constatação pode parecer desanimadora, uma vez que o despreparo dos estudantes revela-se não apenas diante do texto literário, mas diante de qualquer tipo de texto, como confirmam diferentes pesquisas. Foi ela, entretanto, que motivou William a esboçar mais um gesto em direção à leitura e aos leitores.
      [...]
     O trabalho que está diante do leitor, portanto, é obra de um autor múltiplo, sujeito do ensino, da pesquisa e da proposição de consistentes alternativas. [...]
   Se terminasse aí, o trabalho não seria assinado por William Cereja e sua visão crítica e participativa. A proposta de implementar o que ele denomina "perspectiva dialógica do texto literário" parece, sem dúvida, uma saída possível para que a escola se afirme (re-afirme?) como um lugar de formação de leitores competentes para o texto e para a vida.
       [...]

BRAIT, Beth. A escola ainda tem lugar para a formação de leitores competentes? Prefácio. In: –––. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005.
Com relação às construções discursivas evidenciadas pela autora Beth Brait, é correto afirmar que: 
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Q2169998 Português
Hoje não escrevo
         Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos.       Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário.       O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina.          [...]       E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? [...] Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. [...]
Disponível em: <https://www.blogderocha.com.br/hoje-nao-escrevo-carlos-drummond-de-andrade/>. Acesso em: 25 mar. 2023.
Carlos Drummond de Andrade, nome indispensável para a história da Literatura Brasileira, é autor do texto “Hoje não escrevo”, que se configura como sendo:

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Q2169997 Português
III

      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
     Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
     A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.   
    Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia.
      [...]
    O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas, fazendo compras.
     [...] A fábrica de massas italianas, ali mesmo da vizinhança, começou a trabalhar, engrossando o barulho com o seu arfar monótono de máquina a vapor. [...] Um carroção de lixo entrou com grande barulho de rodas na pedra, seguido de uma algazarra medonha algaraviada pelo carroceiro contra o burro. E, durante muito tempo, fez-se um vaivém de mercadores. [...] Cada vendedor tinha o seu modo especial de apregoar, destacando-se o homem das sardinhas, com as cestas do peixe dependuradas, à moda de balança, de um pau que ele trazia ao ombro. Nada mais foi preciso do que o seu primeiro guincho estridente e gutural para surgirem logo, como por encanto, uma enorme variedade de gatos, que vieram correndo acercar-se dele com grande familiaridade, roçando-se-lhe nas pernas arregaçadas e miando suplicantemente. O sardinheiro os afastava com o pé, enquanto vendia o seu peixe à porta das casinhas, mas os bichanos não desistiam e continuavam a implorar, arranhando os cestos que o homem cuidadosamente tapava mal servia ao freguês. Para ver-se livre por um instante dos importunos era necessário atirar para bem longe um punhado de sardinhas, sobre o qual se precipitava logo, aos pulos, o grupo dos pedinchões.
[...]

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 15. ed. São Paulo: Ática, 2018. p. 35-36
No que se refere aos recursos expressivos que contribuem para compreensão da relevância que o cortiço tem para o universo da história narrada, como sendo seu principal espaço, considere as seguintes afirmações:

I. Há, no trecho “Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.”, uma atribuição de humanização ao cortiço que, após uma noite de sono, desperta, evidenciando o uso da prosopopeia ou personificação. II. A verossimilhança como possibilidade de verdade no universo da narrativa azevediana determina o teor expressivo e realista do romance, numa emblemática composição arcadista. III. A linguagem metafórica, muito presente na construção de textos literários, atribui um sentido conotativo à seguinte passagem: “Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo.”.
Está correto, em relação ao texto, o que se afirma em:
Alternativas
Q2169996 Português
III

      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
     Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada sete horas de chumbo. Como que se sentiam ainda na indolência de neblina as derradeiras notas da última guitarra da noite antecedente, dissolvendo-se à luz loura e tenra da aurora, que nem um suspiro de saudade perdido em terra alheia.
     A roupa lavada, que ficara de véspera nos coradouros, umedecia o ar e punha-lhe um farto acre de sabão ordinário. As pedras do chão, esbranquiçadas no lugar da lavagem e em alguns pontos azuladas pelo anil, mostravam uma palidez grisalha e triste, feita de acumulações de espumas secas.   
    Entretanto, das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; ouviam-se amplos bocejos, fortes como o marulhar das ondas; pigarreava-se grosso por toda a parte; começavam as xícaras a tilintar; o cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros; trocavam-se de janela para janela as primeiras palavras, os bons-dias; reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá fora traquinava já, e lá dentro das casas vinham choros abafados de crianças que ainda não andam. No confuso rumor que se formava, destacavam-se risos, sons de vozes que altercavam, sem se saber onde, grasnar de marrecos, cantar de galos, cacarejar de galinhas. De alguns quartos saíam mulheres que vinham pendurar cá fora, na parede, a gaiola do papagaio, e os louros, à semelhança dos donos, cumprimentavam-se ruidosamente, espanejando-se à luz nova do dia.
      [...]
    O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e resingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas, fazendo compras.
     [...] A fábrica de massas italianas, ali mesmo da vizinhança, começou a trabalhar, engrossando o barulho com o seu arfar monótono de máquina a vapor. [...] Um carroção de lixo entrou com grande barulho de rodas na pedra, seguido de uma algazarra medonha algaraviada pelo carroceiro contra o burro. E, durante muito tempo, fez-se um vaivém de mercadores. [...] Cada vendedor tinha o seu modo especial de apregoar, destacando-se o homem das sardinhas, com as cestas do peixe dependuradas, à moda de balança, de um pau que ele trazia ao ombro. Nada mais foi preciso do que o seu primeiro guincho estridente e gutural para surgirem logo, como por encanto, uma enorme variedade de gatos, que vieram correndo acercar-se dele com grande familiaridade, roçando-se-lhe nas pernas arregaçadas e miando suplicantemente. O sardinheiro os afastava com o pé, enquanto vendia o seu peixe à porta das casinhas, mas os bichanos não desistiam e continuavam a implorar, arranhando os cestos que o homem cuidadosamente tapava mal servia ao freguês. Para ver-se livre por um instante dos importunos era necessário atirar para bem longe um punhado de sardinhas, sobre o qual se precipitava logo, aos pulos, o grupo dos pedinchões.
[...]

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 15. ed. São Paulo: Ática, 2018. p. 35-36
No fragmento em análise, bem como na arquitetura interna de todo o romance, percebe-se, com relação ao foco narrativo, que:
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Q2169993 Português


Imagem associada para resolução da questão

Compreende-se por intertextualidade a inter-relação existente entre as produções humanas, cujo intuito é estabelecer diálogos entre as diversas vozes discursivas a partir de um texto com outro preexistente, sugerindo novos sentidos. Esse recurso linguístico trabalha e existe dentro de uma produção cultural, literária, pictórica, musical ou cinematográfica. A partir da análise comparativa entre essas duas obras, buscando a relação intertextual pautada na linguagem não verbal, a releitura de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, numa perspectiva contemporânea, representa:

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Q2169991 Português
Leia o fragmento de Ângela Paiva Dionísio, retirado do livro Fala e escrita.
    “Quando usamos linguagem, estamos realizando ações individuais e sociais que são manifestações socioculturais, materializadas em gêneros textuais. Seguindo Bazerman (1997, 2004), estamos tomando gêneros como tipos de enunciado que estão associados a um tipo de situação retórica e que ‘estão associados com os tipos de atividades que as pessoas dizem, fazem e pensam como partes dos enunciados. [...] Desta forma, em algum momento, em uma interação, em um enunciado, muitas coisas são delimitadas em pacotes tipicamente reconhecíveis’ (1997, p. 14).          Como gêneros ‘não são apenas formas’, mas ‘quadros de ações sociais’ (BAZERMAN, 1997, p. 9), investigar gêneros associados às formas visuais dessas ações sociais, resultantes das infinitas possibilidades de orquestração entre imagem e palavra, significa também recorrer à apresentação visual do gênero como recurso de identificação, ou seja, de reconhecimento psicossocial. ”       Os gêneros textuais têm sido amplamente discutidos e compreendidos como fundamentais no ensino de Língua Portuguesa. A esse respeito, nota-se que nas situações comunicativas utilizamos nossos sistemas de conhecimentos para dialogar com recursos verbais (escritos ou orais) e visuais (estáticos ou dinâmicos). Assim, constitui-se traço de todos os gêneros textuais escritos e orais: 
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Q2169985 Português
Um novo José
Josias de Souza


Calma, José.
A festa não recomeçou,
a luz não acendeu,
a noite não esquentou,
o Malan não amoleceu.
Mas se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora Camdessus.
Continua sem mulher,
continua sem discurso,
continua sem carinho,
ainda não pode beber,
ainda não pode fumar,
cuspir ainda não pode,
a noite ainda é fria,
o dia ainda não veio,
o riso ainda não veio,
não veio ainda a utopia,
o Malan tem miopia,
mas nem tudo acabou,
nem tudo fugiu,
nem tudo mofou.
Se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora FMI.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
O Malan nada faria,
mas já há quem faça.
Ainda só, no escuro,
qual bicho-do-mato,
ainda sem teogonia,
ainda sem parede nua,
para se encostar,
ainda sem cavalo preto
que fuja a galope,
você ainda marcha, José!
Se voltar a pergunta:
José, para onde?
Diga: ora, Drummond,
por que tanta dúvida?
Elementar, elementar.
Sigo pra Washington.
E, por favor, poeta,
não me chame de José.
Me chame Joseph.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0410199904.htm>. Acesso em: 22 mar. 2023.

Acerca da construção dos versos, pode-se afirmar que José teria possibilidades de mudar sua situação. De todas as possibilidades, uma apresenta a hipótese, marcada por uma ideia de condicionalidade, mais extrema que as demais. Assinale a alternativa em que o verso sugere tal hipótese. 
Alternativas
Q2169984 Português
Um novo José
Josias de Souza


Calma, José.
A festa não recomeçou,
a luz não acendeu,
a noite não esquentou,
o Malan não amoleceu.
Mas se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora Camdessus.
Continua sem mulher,
continua sem discurso,
continua sem carinho,
ainda não pode beber,
ainda não pode fumar,
cuspir ainda não pode,
a noite ainda é fria,
o dia ainda não veio,
o riso ainda não veio,
não veio ainda a utopia,
o Malan tem miopia,
mas nem tudo acabou,
nem tudo fugiu,
nem tudo mofou.
Se voltar a pergunta:
e agora, José?
Diga: ora, Drummond,
agora FMI.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
O Malan nada faria,
mas já há quem faça.
Ainda só, no escuro,
qual bicho-do-mato,
ainda sem teogonia,
ainda sem parede nua,
para se encostar,
ainda sem cavalo preto
que fuja a galope,
você ainda marcha, José!
Se voltar a pergunta:
José, para onde?
Diga: ora, Drummond,
por que tanta dúvida?
Elementar, elementar.
Sigo pra Washington.
E, por favor, poeta,
não me chame de José.
Me chame Joseph.

Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0410199904.htm>. Acesso em: 22 mar. 2023.

O texto produzido por Josias de Souza apresenta uma nítida intertextualidade com o poema escrito por Drummond de Andrade. No entanto, é possível observar que se trata de um artigo de opinião na forma de um poema. Com base nos estudos sobre gêneros textuais, é incorreto afirmar que: 
Alternativas
Q2169983 Português
Leia o fragmento a seguir, retirado do livro A disciplina do amor, de Lygia Fagundes Telles.
Abro uma antiga mala de velharias e lá encontro minha máscara de esgrima. Emocionante o momento em que púnhamos a máscara – tela tão fina – e nos enfrentávamos mascarados, sem feições. A túnica branca com o coração em relevo no lado esquerdo do peito, “olha esse alvo sem defesa, menina, defenda esse alvo!” – advertia o professor e eu me confundia e o florete do adversário tocava reto no meu coração exposto.
Os elementos em destaque no fragmento são exemplos de:
Alternativas
Q2169966 Português
      O ego se estabelece por meio de uma divisão da psique humana, na qual a identidade se separa em duas partes que poderíamos chamar de “eu” e “meu”. Portanto, todo ego é esquizofrênico, para usar a palavra no seu significado popular, que designa personalidade dividida. Nós vivemos com uma imagem mental de nós mesmos, um eu conceitual com quem temos um relacionamento. A vida em si torna-se conceitualizada e separada de quem somos quando falamos “minha vida”. No momento em que dizemos ou pensamos “minha vida” e acreditamos nessa ideia (em vez de considerá-la uma mera convenção linguística), entramos na esfera da ilusão. Se existe algo como “minha vida”, concluímos que “eu” e “vida” são duas coisas separadas. Assim, podemos também perder a vida, nosso valioso bem imaginário. A morte torna-se uma realidade aparente e uma ameaça. As palavras e os conceitos dividem a vida em segmentos isolados que não têm realidade própria. Poderíamos até mesmo dizer que o conceito “minha vida” é a ilusão original da separação, a origem do ego. Por exemplo, se eu e a vida somos dois, se seu existo separado dela, então estou separado de todas as coisas, de todos os seres, de todas as pessoas. Mas como eu poderia existir separado da vida? Qual “eu” poderia existir dissociado dela, à parte do Ser? É completamente impossível. Portanto, não existe algo como “minha vida”, e nós não temos uma vida. Nós somos a vida. Nós e a vida somos um. Não é possível ser de outra maneira. Portanto, como poderíamos perder nossa vida? Como poderíamos perder algo que não temos? Como poderíamos perder algo que nós somos? É impossível.


(Eckhart Tolle – Um novo mundo: o despertar de uma nova consciência.)
Sobre o texto, marque a alternativa incorreta:
Alternativas
Q2169578 Português
Texto CB1A1-II

Federalismo brasileiro desconcentra receitas 

    A proposta de emenda constitucional (PEC) que trata do pacto federativo almeja, entre outros objetivos, aumentar, ao longo do tempo, a fatia de recursos tributários destinada a estados e municípios, em detrimento da União. A justificativa comum para essa redistribuição de verbas é a de que o princípio federativo inscrito na Constituição Federal de 1988 (CF) teria sido deturpado pelo gigantismo da esfera federal. 
    Estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), todavia, mostra que no Brasil os entes subnacionais têm participação de 56,4% no total dos tributos arrecadados. A cifra está acima da média dos países pesquisados (49,5%). Estados e municípios brasileiros obtêm o equivalente a 22% do PIB, contra uma média internacional de 17,4%. Se a comparação for feita entre nações com nível de renda semelhante, a distância do Brasil em relação à média aumenta ainda mais.
    Nas últimas décadas, o governo central veio elevando a carga das chamadas contribuições sociais, como PIS, COFINS e CSLL, para obter mais recursos. Esse fato também impulsiona as críticas ao que se considera “a voracidade tributária” da União.
    O que a Receita Federal recolhe com tal classe de tributos tem a particularidade legal de, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com o Imposto de Renda, não ter de ser compartilhado com estados e municípios.
    O outro lado da moeda é que as necessidades financeiras do governo central para arcar com a seguridade social também aumentaram no período. Em particular, destaquem-se os gastos obrigatórios para cobrir o déficit da previdência, abono salarial, seguro-desemprego e o benefício de prestação continuada, que cresceram muito em períodos recentes.
    As contribuições são o dispositivo previsto em lei para que a União faça frente às despesas da seguridade social, que compreende, como estabelecido na CF, os direitos relativos à previdência, à assistência social e à saúde.
   Benefícios como aposentadorias, pensões e seguro-desemprego são transferidos diretamente do Tesouro Nacional para as pessoas que se enquadram na legislação para recebê-los. O recurso não fica disponível para que o governo federal o utilize para outras finalidades.
    Quando os gastos obrigatórios da seguridade social aumentam em relação à arrecadação das contribuições, as demais despesas da seguridade social, a exemplo das despesas com saúde, devem ser cobertas por outras fontes de receita.

Insper Conhecimento, nov. 2019. Internet: <www.insper.edu.br> (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta proposta de substituição para a expressão “Em particular” (segundo período do quinto parágrafo do texto CB1A1-II) adequada ao contexto.  
Alternativas
Q2169575 Português
Texto CB1A1-II

Federalismo brasileiro desconcentra receitas 

    A proposta de emenda constitucional (PEC) que trata do pacto federativo almeja, entre outros objetivos, aumentar, ao longo do tempo, a fatia de recursos tributários destinada a estados e municípios, em detrimento da União. A justificativa comum para essa redistribuição de verbas é a de que o princípio federativo inscrito na Constituição Federal de 1988 (CF) teria sido deturpado pelo gigantismo da esfera federal. 
    Estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), todavia, mostra que no Brasil os entes subnacionais têm participação de 56,4% no total dos tributos arrecadados. A cifra está acima da média dos países pesquisados (49,5%). Estados e municípios brasileiros obtêm o equivalente a 22% do PIB, contra uma média internacional de 17,4%. Se a comparação for feita entre nações com nível de renda semelhante, a distância do Brasil em relação à média aumenta ainda mais.
    Nas últimas décadas, o governo central veio elevando a carga das chamadas contribuições sociais, como PIS, COFINS e CSLL, para obter mais recursos. Esse fato também impulsiona as críticas ao que se considera “a voracidade tributária” da União.
    O que a Receita Federal recolhe com tal classe de tributos tem a particularidade legal de, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com o Imposto de Renda, não ter de ser compartilhado com estados e municípios.
    O outro lado da moeda é que as necessidades financeiras do governo central para arcar com a seguridade social também aumentaram no período. Em particular, destaquem-se os gastos obrigatórios para cobrir o déficit da previdência, abono salarial, seguro-desemprego e o benefício de prestação continuada, que cresceram muito em períodos recentes.
    As contribuições são o dispositivo previsto em lei para que a União faça frente às despesas da seguridade social, que compreende, como estabelecido na CF, os direitos relativos à previdência, à assistência social e à saúde.
   Benefícios como aposentadorias, pensões e seguro-desemprego são transferidos diretamente do Tesouro Nacional para as pessoas que se enquadram na legislação para recebê-los. O recurso não fica disponível para que o governo federal o utilize para outras finalidades.
    Quando os gastos obrigatórios da seguridade social aumentam em relação à arrecadação das contribuições, as demais despesas da seguridade social, a exemplo das despesas com saúde, devem ser cobertas por outras fontes de receita.

Insper Conhecimento, nov. 2019. Internet: <www.insper.edu.br> (com adaptações).
No que se refere às tipologias textuais presentes no texto CB1A1-II, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q2169574 Português
Texto CB1A1-II

Federalismo brasileiro desconcentra receitas 

    A proposta de emenda constitucional (PEC) que trata do pacto federativo almeja, entre outros objetivos, aumentar, ao longo do tempo, a fatia de recursos tributários destinada a estados e municípios, em detrimento da União. A justificativa comum para essa redistribuição de verbas é a de que o princípio federativo inscrito na Constituição Federal de 1988 (CF) teria sido deturpado pelo gigantismo da esfera federal. 
    Estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), todavia, mostra que no Brasil os entes subnacionais têm participação de 56,4% no total dos tributos arrecadados. A cifra está acima da média dos países pesquisados (49,5%). Estados e municípios brasileiros obtêm o equivalente a 22% do PIB, contra uma média internacional de 17,4%. Se a comparação for feita entre nações com nível de renda semelhante, a distância do Brasil em relação à média aumenta ainda mais.
    Nas últimas décadas, o governo central veio elevando a carga das chamadas contribuições sociais, como PIS, COFINS e CSLL, para obter mais recursos. Esse fato também impulsiona as críticas ao que se considera “a voracidade tributária” da União.
    O que a Receita Federal recolhe com tal classe de tributos tem a particularidade legal de, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com o Imposto de Renda, não ter de ser compartilhado com estados e municípios.
    O outro lado da moeda é que as necessidades financeiras do governo central para arcar com a seguridade social também aumentaram no período. Em particular, destaquem-se os gastos obrigatórios para cobrir o déficit da previdência, abono salarial, seguro-desemprego e o benefício de prestação continuada, que cresceram muito em períodos recentes.
    As contribuições são o dispositivo previsto em lei para que a União faça frente às despesas da seguridade social, que compreende, como estabelecido na CF, os direitos relativos à previdência, à assistência social e à saúde.
   Benefícios como aposentadorias, pensões e seguro-desemprego são transferidos diretamente do Tesouro Nacional para as pessoas que se enquadram na legislação para recebê-los. O recurso não fica disponível para que o governo federal o utilize para outras finalidades.
    Quando os gastos obrigatórios da seguridade social aumentam em relação à arrecadação das contribuições, as demais despesas da seguridade social, a exemplo das despesas com saúde, devem ser cobertas por outras fontes de receita.

Insper Conhecimento, nov. 2019. Internet: <www.insper.edu.br> (com adaptações).
Considerando informações explícitas bem como pressupostos e subentendidos do texto CB1A1-II, assinale a opção correta. 
Alternativas
Q2169573 Português
Texto CB1A1-II

Federalismo brasileiro desconcentra receitas 

    A proposta de emenda constitucional (PEC) que trata do pacto federativo almeja, entre outros objetivos, aumentar, ao longo do tempo, a fatia de recursos tributários destinada a estados e municípios, em detrimento da União. A justificativa comum para essa redistribuição de verbas é a de que o princípio federativo inscrito na Constituição Federal de 1988 (CF) teria sido deturpado pelo gigantismo da esfera federal. 
    Estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), todavia, mostra que no Brasil os entes subnacionais têm participação de 56,4% no total dos tributos arrecadados. A cifra está acima da média dos países pesquisados (49,5%). Estados e municípios brasileiros obtêm o equivalente a 22% do PIB, contra uma média internacional de 17,4%. Se a comparação for feita entre nações com nível de renda semelhante, a distância do Brasil em relação à média aumenta ainda mais.
    Nas últimas décadas, o governo central veio elevando a carga das chamadas contribuições sociais, como PIS, COFINS e CSLL, para obter mais recursos. Esse fato também impulsiona as críticas ao que se considera “a voracidade tributária” da União.
    O que a Receita Federal recolhe com tal classe de tributos tem a particularidade legal de, diferentemente do que ocorre, por exemplo, com o Imposto de Renda, não ter de ser compartilhado com estados e municípios.
    O outro lado da moeda é que as necessidades financeiras do governo central para arcar com a seguridade social também aumentaram no período. Em particular, destaquem-se os gastos obrigatórios para cobrir o déficit da previdência, abono salarial, seguro-desemprego e o benefício de prestação continuada, que cresceram muito em períodos recentes.
    As contribuições são o dispositivo previsto em lei para que a União faça frente às despesas da seguridade social, que compreende, como estabelecido na CF, os direitos relativos à previdência, à assistência social e à saúde.
   Benefícios como aposentadorias, pensões e seguro-desemprego são transferidos diretamente do Tesouro Nacional para as pessoas que se enquadram na legislação para recebê-los. O recurso não fica disponível para que o governo federal o utilize para outras finalidades.
    Quando os gastos obrigatórios da seguridade social aumentam em relação à arrecadação das contribuições, as demais despesas da seguridade social, a exemplo das despesas com saúde, devem ser cobertas por outras fontes de receita.

Insper Conhecimento, nov. 2019. Internet: <www.insper.edu.br> (com adaptações).
De acordo com o texto CB1A1-II,
Alternativas
Q2169571 Português

Texto CB1A1-I


A ESTRUTURA FEDERALISTA:

aspectos políticos e econômicos 


   De modo geral, as vantagens do federalismo podem ser observadas sob dois aspectos: o político e o econômico. Politicamente, a descentralização de poder funcionaria como um catalizador da accountability, ao deslocar para o âmbito vertical todas aquelas vantagens propugnadas por Montesquieu quanto à tripartição de poderes e à instituição de freios e contrapesos. Confere-se assim uma maior proteção aos direitos individuais contra o leviatã estatal.  
   Sob o aspecto econômico, o sistema federalista pode ser visto como um complexo contrato entre os entes federados. O aumento da eficiência seria resultado de sua capacidade tanto de resolver os problemas de alocação de recursos, assimetria de informação e externalidades, quanto de prevenir comportamentos estratégicos, como no clássico dilema dos prisioneiros.
    Entretanto, o que se verifica na prática é que diversos sistemas federalistas vêm sofrendo com as constantes crises fiscais de seus entes subnacionais. Ao retratar as falhas observadas pelos teóricos do federalismo fiscal em uma matriz de incentivos, o denominado “jogo do resgate” pretende elucidar os principais instrumentos institucionais e políticos que estabelecem as condições que geram o ciclo vicioso de irresponsabilidade fiscal, minando o equilíbrio e as vantagens de um sistema federalista.

A.Q.D. Echeverria e G.F. Ribeiro. O Supremo Tribunal Federal como árbitro ou jogador?
As crises fiscais dos estados brasileiros e o jogo do resgate. In: Revista Estudos Institucionais,
 v. 4, n.º 2, p. 642-71, 2018. Internet: <www.estudosinstitucionais.com> (com adaptações).
No segundo período do segundo parágrafo do texto CB1A1-I, a expressão “sua capacidade” recupera a ideia expressa, no referido parágrafo, por  
Alternativas
Q2169570 Português

Texto CB1A1-I


A ESTRUTURA FEDERALISTA:

aspectos políticos e econômicos 


   De modo geral, as vantagens do federalismo podem ser observadas sob dois aspectos: o político e o econômico. Politicamente, a descentralização de poder funcionaria como um catalizador da accountability, ao deslocar para o âmbito vertical todas aquelas vantagens propugnadas por Montesquieu quanto à tripartição de poderes e à instituição de freios e contrapesos. Confere-se assim uma maior proteção aos direitos individuais contra o leviatã estatal.  
   Sob o aspecto econômico, o sistema federalista pode ser visto como um complexo contrato entre os entes federados. O aumento da eficiência seria resultado de sua capacidade tanto de resolver os problemas de alocação de recursos, assimetria de informação e externalidades, quanto de prevenir comportamentos estratégicos, como no clássico dilema dos prisioneiros.
    Entretanto, o que se verifica na prática é que diversos sistemas federalistas vêm sofrendo com as constantes crises fiscais de seus entes subnacionais. Ao retratar as falhas observadas pelos teóricos do federalismo fiscal em uma matriz de incentivos, o denominado “jogo do resgate” pretende elucidar os principais instrumentos institucionais e políticos que estabelecem as condições que geram o ciclo vicioso de irresponsabilidade fiscal, minando o equilíbrio e as vantagens de um sistema federalista.

A.Q.D. Echeverria e G.F. Ribeiro. O Supremo Tribunal Federal como árbitro ou jogador?
As crises fiscais dos estados brasileiros e o jogo do resgate. In: Revista Estudos Institucionais,
 v. 4, n.º 2, p. 642-71, 2018. Internet: <www.estudosinstitucionais.com> (com adaptações).
É correto classificar o texto CB1A1-I, quanto ao gênero textual, como
Alternativas
Respostas
36601: B
36602: D
36603: B
36604: D
36605: B
36606: A
36607: C
36608: D
36609: B
36610: C
36611: C
36612: C
36613: A
36614: D
36615: C
36616: A
36617: C
36618: B
36619: B
36620: D