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Q2169983 Português
Leia o fragmento a seguir, retirado do livro A disciplina do amor, de Lygia Fagundes Telles.
Abro uma antiga mala de velharias e lá encontro minha máscara de esgrima. Emocionante o momento em que púnhamos a máscara – tela tão fina – e nos enfrentávamos mascarados, sem feições. A túnica branca com o coração em relevo no lado esquerdo do peito, “olha esse alvo sem defesa, menina, defenda esse alvo!” – advertia o professor e eu me confundia e o florete do adversário tocava reto no meu coração exposto.
Os elementos em destaque no fragmento são exemplos de:
Alternativas

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Tema central: Coesão textual e anáfora associativa, sujeitos essenciais para a compreensão de sentidos implícitos em textos e amplamente cobrados em concursos para a área de Língua Portuguesa.

Justificativa da alternativa correta – Letra A (Anáfora associativa):

Os termos em destaque, como “a túnica branca com o coração em relevo” e “o florete do adversário”, são clássicos exemplos de anáfora associativa. Nesse mecanismo, segundo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Haag & Othero, faz-se referência a um elemento que ainda não foi citado no texto, mas que pode ser deduzido a partir do contexto ou de conhecimentos compartilhados entre autor e leitor.

Por exemplo: ao mencionar “a túnica branca”, infere-se que faz parte do universo da esgrima, sugerido no começo do fragmento. Não se nomeou a túnica antes, mas o contexto supre a informação. Estratégia para a prova: Sempre que identificar elementos compreendidos pelo contexto, mas não explicitamente mencionados, há grande chance de estarmos diante de uma anáfora associativa.

Análise das alternativas incorretas:

B) Anáfora indireta: Embora a anáfora associativa seja subtipo da indireta, o termo é mais amplo e não revela o tipo de inferência contextual exigida pela questão. Prefira sempre a alternativa mais específica e adequada à conceituação gramatical.

C) Anáfora didática: Não existe essa classificação na tradição da gramática normativa. O termo não faz parte das nomenclaturas reconhecidas nem por Evanildo Bechara, nem por Cunha & Cintra.

D) Anáfora especificadora: Igualmente, não é termo consagrado pela gramática normativa padrão. Pode confundir, pois “especificar” sugere explicar mais claramente, o que não é o caso.

Pontos centrais do texto e estratégias:

O fragmento destaca objetos ligados ao universo da esgrima, que o leitor associa automaticamente, mesmo sem menção prévia. Essa inferência é a chave para acertar questões de coesão textual.

Dica para provas: Cuidado com pegadinhas em nomenclaturas (“didática”, “especificadora”) que não têm respaldo gramatical. Priorize termos reconhecidos pelas gramáticas de referência, como Bechara e Cunha & Cintra.

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[GABARITO: LETRA A]

  1. Anáfora associativa: A anáfora associativa ocorre quando um termo ou ideia é retomado por meio de uma palavra ou expressão que está semanticamente relacionada, mas não necessariamente gramaticalmente relacionada, ao termo anterior. Em vez de usar pronomes ou repetição direta, a anáfora associativa estabelece uma conexão lógica entre as palavras. Por exemplo: "O cheiro da comida encheu a sala. Todos se aproximaram, famintos."
  2. Anáfora indireta: A anáfora indireta ocorre quando um termo é retomado por meio de uma expressão, palavra ou referência implícita que se relaciona com o termo anterior, sem repeti-lo diretamente. Geralmente, é utilizada para evitar repetições excessivas no texto. Por exemplo: "Maria comprou uma casa nova. Ela estava muito animada com a conquista."
  3. Anáfora didática: Não é um termo comumente utilizado para descrever um tipo específico de anáfora. No contexto didático, pode-se referir ao uso de anáforas para fins de ensino, explicação ou ilustração de conceitos em um texto instrucional ou educacional.
  4. Anáfora especificadora: Não é um termo comumente utilizado na linguística para descrever um tipo específico de anáfora. Pode ser uma referência a uma anáfora que especifica ou identifica de forma mais precisa um termo anterior, fornecendo detalhes ou esclarecimentos adicionais.

É importante ressaltar que esses termos podem não ser reconhecidos como classificações tradicionais da anáfora na linguística, mas podem ter sido propostos em outros contextos ou com outros significados específicos.

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