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Questões de Concurso Sobre funções da linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. em português

Questões Discursivas

Foram encontradas 1.344 questões

Q4202241 Português

Leia o texto a seguir para responder à questão:



    No exemplo a seguir, dois conhecidos conversam sobre o serviço de ônibus da cidade:


   L1 – mas como ∅ tá demorando hoje… hein?


  L2 – só: … e quando ∅ chega… ainda vem todo sujo… fedorento…


  L1 – isso sem falar no preço… que sobe todo mês… sem nenhuma vantagem prá gente…


(Ataliba T. de Castilho.

A Língua falada no Ensino de Português, 1998. Adaptado)

No contexto da conversa, o termo “gente”, presente na fala de L1, está empregado com valor
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145181 Português
Quais os impactos do Novo Ensino Médio para
estudantes e professores da rede pública de ensino?


Olá, eu sou apresentador do Arco 43 podcast, e vim aqui responder ao X da questão de hoje.

Aprovado pela Lei n. 13.415 de 2017, o Novo Ensino Médio, né, traz uma mudança de foco. Essa parte da vida estudantil era vista como uma preparação para o Ensino Superior, mas agora ela tem como objetivo a preparação para o mercado de trabalho. Essa etapa será, inclusive, integrada a cursos técnicos que possibilitam ao estudante sair com o diploma de uma área específica e aí adentrar o universo profissional.

Dado esse importante contexto, o que iremos debater aqui é como o Novo Ensino Médio afeta, na prática, as escolas da rede pública. De acordo com a matriz curricular, né, ao menos em tese, os estudantes da rede pública poderiam optar por realizar o aprofundamento curricular em oito áreas: cidadania e relações interpessoais; empreendedorismo; expressão corporal; expressões culturais; sustentabilidade; saúde; educação financeira e tecnologia. Na prática, né, você vai ver que nas 264 escolas-piloto, em que o Novo Ensino Médio começou a ser implantado em 2020, cada instituição oferece duas opções de aprofundamento para os estudantes.

Aí, quando a reforma foi proposta, criou-se uma ideia de que o estudante poderia, de fato, escolher o que iria cursar a partir de seus interesses. Poderia, por exemplo, cursar “design de games”. Mas essa realidade está longe de se manifestar na rede pública estadual, em que a oferta de disciplinas é voltada basicamente para uma proposta de empreendedorismo.


Esse foi o X da questão! As pílulas quinzenais do Arco 43 podcast.
Disponível em: https://open.spotify.com.
Acesso em: 21 jun. 2025 (adaptado).
O podcast mobiliza uma variedade de marcadores conversacionais que contribuem para criar uma comunicação mais próxima com o ouvinte, simulando uma conversa. Qual alternativa apresenta uma análise adequada da função do marcador conversacional?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145173 Português





TEXTO 2

Marginália II

Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu pecado
Meu sonho desesperado
Meu bem guardado segredo
Minha aflição
Eu, brasileiro, confesso
Minha culpa, meu degredo
Pão seco de cada dia
Tropical melancolia
Negra solidão
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui é o fim do mundo
Aqui, meu pânico e glória
Aqui, meu laço e cadeia
Conheço bem minha história
Começa na lua cheia
E termina antes do fim
Minha terra tem palmeiras
Onde sopra o vento forte
Da fome, do medo e muito
Principalmente da morte
Uh, lê lê, lá lá

GILBERTO GIL. Disponível em: www.vagalume.com.br. Acesso em: 4 jun. 2025 (fragmento).



Em uma aula de leitura, os estudantes analisam os três textos apresentados. Ao discutir os efeitos de sentido produzidos pelos textos, o professor propõe uma reflexão sobre os modos de construção discursiva que envolvem múltiplas linguagens. Com base nessa proposta, qual análise evidencia uma leitura intersemiótica dos textos?
Alternativas
Ano: 2025 Banca: INEP Órgão: INEP Prova: INEP - 2025 - INEP - Letras - Português |
Q4145141 Português
TEXTO 1


Lançamento de Liberdade de Maria Crioula, passada por sua Senhora Dona Jacinta Maria de Alvarenga


Saibaó quantos este publico instrumento de lançamento de Liberdade viren que no Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil seteCentos e noventa e Cinco, aos desaseis dias do mez de Setembro do dito anno, nesta Villa Real de Nossa Senhora da Conceiçaó do Sabara, tractey com a Crioula Maria conferir lhe Liberdade pella quantia de trezentos e vinte mil reis e Como me fez entrega della lhe dou por esta inteira Liberdade como se fosse ingenua com a Condiçaó de que ser(á) obrigada a Criar pello tempo de dous annos a filha que tem de peito sem que posa pedir pella criaçaó pagamento algum e naó sahirá desta Villa para fora durante o dito tempo e sahindo ficara de nenhun efeito a Liberdade e poderey chamala a Captiveiro, e por verdade mandey passar este en que me asigney.


IBRAM. Sabará (MG). LN(CPON) 34(81). Carta de liberdade de Maria Crioula, 1795, f. 93 (adaptado).


TEXTO 2


REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Comarca de Sabará – Estado de Minas Gerais



Cartório do 3º Ofício
Tabeliã: Joana da Silva
Escrevente: José da Silva

Livro n. 033 Folhas 209
Escritura Pública de Compra e Venda


Saibam quantos esta pública escritura virem, que no dia 16 (dezesseis) do mês de setembro: ano 1.996 (mil novecentos e noventa e seis), nesta cidade e Comarca de Sabará, Estado de Minas Gerais, neste cartório, no Fórum, perante mim Tabeliã, compareceram partes entre si justas e contratadas, a saber como OUTORGANTE VENDEDOR JOÃO DA SILVA, CPF 000.000.000- 00 e de outro lado como OUTORGADA COMPRADORA MARIA DA COSTA, CPF 111.111.111-11, SOLTEIRA, PORTADORA DA CARTEIRA DE IDENTIDADE M-0.000.000, RESIDENTE E DOMICILIADA NA RUA DO AMOR, No 240, NESTE MUNICÍPIO DE SABARÁ; que assim se identificaram do que dou fé. E pelo outorgante me foi dito que a justo título é senhor e legítimo possuidor do imóvel constituído pela casa na rua do Amor, n. 240, neste município de Sabará.


SABARÁ (MG). Cartório do 3º Ofício. Escritura de compra e venda de imóvel. Reg. set. 1996 (adaptado).
De acordo com a leitura dos textos 1 e 2, pode-se afirmar que
Alternativas
Q4113294 Português
TEXTO I


Inteligência artificial vai substituir sua mãe

Marcos Nogueira


Minha mãe tinha um caderninho de receitas, talvez mais de um.

Seu caderno de receitas, como o da maioria das mães daquele tempo, era uma mistureba de anotações e recortes de impressos que vinham de revistas e embalagens de alimentos.

Ele sumiu, foi perdido. Talvez esteja no meio das tralhas na casa da velha, talvez tenha sido emprestado e nunca devolvido.

Como a mãe está inacessível, presa em sua cabeça com Alzheimer avançado, disponho apenas de meus próprios recursos quando quero reproduzir uma receita dela.

Deixo‑me guiar pela memória sensorial e por aquilo que observei na cozinha da dona Ana Bertoni. Então preencho as lacunas com minha experiência e meus gostos.

Sou um cara das antigas. Não deve demorar muito até que a inteligência artificial substitua as receitas familiares.

Ninguém mais tem caderno de receitas, nem as mães. Aliado a isso, ninguém anota nada à mão. Quase ninguém recorre à mídia física quando quer cozinhar algo diferente. Eu tenho dezenas de livros de culinária que raramente são tocados. É muito mais prático buscar informação on‑line.

Com o inevitável avanço da IA, essas buscas serão cada vez mais direcionadas a robôs que pretensamente entregam um resultado mais personalizado.

Estive recentemente num congresso em Madri que tinha como uma das principais discussões a aplicação da inteligência artificial na gastronomia.

Numa das palestras, foi apresentado um troço (programa? aplicativo?) destinado a criar cardápios para restaurantes que trabalham com menu fixo no almoço. Você alimenta a coisa com parâmetros como estilo culinário, custo e número de serviços.

Aí a parada sugere, para a segunda‑feira, salada de batatas, frango com legumes, creme de papaia. Para a terça, salada de legumes, papaia com batatas, creme de frango. E assim por diante. A inovação dispensa a necessidade de um chef. Ela prescinde de criatividade.

Inteligência artificial não cria nada, só recicla conhecimento gerado por humanos. Por isso as mães são muito melhores.


FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cozinha

Bruta, 9 maio 2025, p. C 16 (adaptado).
Releia o trecho do texto I a seguir.
“Numa das palestras, foi apresentado um troço (programa? aplicativo?) destinado a criar cardápios para restaurantes que trabalham com menu fixo no almoço. Você alimenta a coisa com parâmetros como estilo culinário, custo e número de serviços.”

Qual é a função da linguagem predominante no referido trecho, e somente nele?
Alternativas
Q4113288 Português
TEXTO I


Inteligência artificial vai substituir sua mãe

Marcos Nogueira


Minha mãe tinha um caderninho de receitas, talvez mais de um.

Seu caderno de receitas, como o da maioria das mães daquele tempo, era uma mistureba de anotações e recortes de impressos que vinham de revistas e embalagens de alimentos.

Ele sumiu, foi perdido. Talvez esteja no meio das tralhas na casa da velha, talvez tenha sido emprestado e nunca devolvido.

Como a mãe está inacessível, presa em sua cabeça com Alzheimer avançado, disponho apenas de meus próprios recursos quando quero reproduzir uma receita dela.

Deixo‑me guiar pela memória sensorial e por aquilo que observei na cozinha da dona Ana Bertoni. Então preencho as lacunas com minha experiência e meus gostos.

Sou um cara das antigas. Não deve demorar muito até que a inteligência artificial substitua as receitas familiares.

Ninguém mais tem caderno de receitas, nem as mães. Aliado a isso, ninguém anota nada à mão. Quase ninguém recorre à mídia física quando quer cozinhar algo diferente. Eu tenho dezenas de livros de culinária que raramente são tocados. É muito mais prático buscar informação on‑line.

Com o inevitável avanço da IA, essas buscas serão cada vez mais direcionadas a robôs que pretensamente entregam um resultado mais personalizado.

Estive recentemente num congresso em Madri que tinha como uma das principais discussões a aplicação da inteligência artificial na gastronomia.

Numa das palestras, foi apresentado um troço (programa? aplicativo?) destinado a criar cardápios para restaurantes que trabalham com menu fixo no almoço. Você alimenta a coisa com parâmetros como estilo culinário, custo e número de serviços.

Aí a parada sugere, para a segunda‑feira, salada de batatas, frango com legumes, creme de papaia. Para a terça, salada de legumes, papaia com batatas, creme de frango. E assim por diante. A inovação dispensa a necessidade de um chef. Ela prescinde de criatividade.

Inteligência artificial não cria nada, só recicla conhecimento gerado por humanos. Por isso as mães são muito melhores.


FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cozinha

Bruta, 9 maio 2025, p. C 16 (adaptado).
Analise as afirmativas a seguir sobre informações implícitas e explícitas presentes no texto, assim como o ponto de vista do autor, e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.

(    ) No trecho “A inovação dispensa a necessidade de um chef. Ela prescinde de criatividade.”, o autor expressa ironia ao destacar a ausência de criatividade na IA.
(    ) No início do texto, o efeito de sentido da lembrança do caderno de receitas da mãe associa‑se a uma memória afetiva que contrasta com a impessoalidade da IA.
(    ) Na frase “Inteligência artificial não cria nada, só recicla conhecimento gerado por humanos.”, veicula‑se a convicção de que as novas tecnologias podem criar receitas culinárias inovadoras.
(    ) Na passagem “Ninguém mais tem caderno de receitas, nem as mães.”, está claro que as pessoas ignoram ser questão de tempo a inteligência artificial substituir os cadernos de receitas.

Assinale a sequência correta.
Alternativas
Q4113092 Português

Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!


Sabichonismo é uma doença que explora e

agrava nossa insegurança com a língua


Sérgio Rodrigues



O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista que se aproveita da insegurança do falante médio, intimidado com a normatividade da língua, para convencê‑lo de que contraria regras em série — todas imaginárias.


Por exemplo: “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!”, grita o sabichão. (Por alguma razão, sabichões gostam de gritar)


É mentira dele, claro: além de existir algo que se chama ênfase, o mundo sempre foi cheio de fatos falsos, para não mencionar os hipotéticos, os fictícios, os que dependem de fé etc.


Mesmo assim, é comum que o fato sabichão seja acolhido. O mecanismo psíquico que nos leva a encarar quem nos “corrige” como detentor de um saber superior é o mesmo que garante o sucesso internético de vídeos como “você bebeu água errado a vida inteira: aprenda”.


Sim, todo mundo sempre usou a expressão “dois pesos e duas medidas”, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto. Aí vem o sabichão e, por saber pouco, anuncia na praça: “O certo é um peso e duas medidas!”.


O sabichonismo pode ser do tipo literalista, que eu chamo de podólatra da letra: “Não existe gol de bola parada, bola parada não entra”; “Risco de vida está errado, o certo é risco de morte”.


Também pode ter corte lógico‑matemático, encrencado com a dupla negativa do português: “Se você diz que não viu nada, então viu alguma coisa”. Pode ser purista, amalucado: “O certo é ab‑rupto”.


O único objetivo do sabichonismo é afirmar a posição de poder de quem o exerce. Embora seja muitas vezes diletante, seu caráter falsamente educativo faz com que assuma com frequência a forma de atividade profissional, caso em que provoca estragos maiores.


Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.


A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar.


Quando nos deixamos convencer de que o certo é “esculpido em Carrara” — em vez de “cuspido e escarrado”, bela versão lusófona de uma ideia presente no inglês “spitting image” e em outras línguas —, podemos ter a sensação inebriante de que nada no mundo é o que parece.


Contentes de descobrir tal joia perdida do conhecimento universal — “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu!” —, saímos espalhando a boa nova.


E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.


Todo cuidado com ele!



FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,


Cotidiano, 1 maio 2025, p. A 41 (adaptado).

O título “Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!” cumpre várias finalidades.

Com relação a esse preceito, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4107422 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.


TEXTO I


Cuidado: chatbots

Ruy Castro


Um amigo veio me falar dos chatbots: “Cuidado! São um perigo! Se conversar com um deles, não diga nada que possa te comprometer! Não faça confidências, não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele diz!”. Envergonhado por não saber direito o que era um chatbot — nem como conversar com ele, se nunca lhe fui apresentado e não tenho ideia de onde vive —, apenas escutei e concordei enfaticamente.


Pela terminação do nome em bot, como em “robot”, intuí brilhantemente que um chatbot seria um robô que fala. Algo como a linda robota de “Metrópolis” (1927), o Robbie de “Planeta Proibido” (1956) ou o C‑3PO de “Guerra nas Estrelas” (1977). Mas, pelo que li no Google, esses avós da robótica não chegam nem ao chinelo de um chatbot — um programa de computador, baseado em inteligência artificial, que simula conversas com falantes em qualquer língua, nível intelectual e tipo de conteúdo. Se você tentar tapeá‑lo falando na língua do P, ele te respespondeperapá no apatopó.


Pelo grau de evolução da coisa, ouvi que os cientistas estão alarmados, porque muitos chatbots, controlados por uma facção de algoritmos fora da lei, aprenderam a se passar por humanos. Se for verdade, isso comprometerá todas as relações pessoais e sociais. Em quem poderemos confiar? Chatbots “humanos” terão acesso aos centros de decisões mundiais, induzindo os poderosos a fazer coisas.


Um exemplo. Um chatbot disseminará uma fake news capaz de abalar um país. Um segundo chatbot o “denunciará” como um farsante, com o que se tornará digno de confiança, e disseminará outra fake news ainda mais grave — e nesta todos acreditarão —, iniciando talvez uma guerra. Você perguntará: por que eles fariam isso? Por causa da velha (e tão humana) ambição de dominar o mundo, curvando‑o a um controle planetário.


Só uma coisa preocupa um chatbot: alguém arrancar seu fio da tomada da parede.


FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cotidiano, Opinião,

11 abr. 2025, p. A2 (adaptado).

Leia o trecho do texto I a seguir:


“Um amigo veio me falar dos chatbots: ‘Cuidado! São um perigo! Se conversar com um deles, não diga nada que possa te comprometer! Não faça confidências, não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele diz!’.”


Analise as afirmativas a seguir sobre as funções da linguagem e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.



(    ) A função emotiva está presente, já que o falante expressa sua atitude subjetiva por meio de exclamações e alertas.


(    ) A função referencial predomina no discurso do amigo, pois ele se limita a apresentar dados objetivos sobre os chatbots, sem questionamentos.


(    ) A função conativa ou apelativa está presente no trecho, pois há uso de verbos no imperativo para influenciar o comportamento do interlocutor.



Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q4107418 Português

INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.


TEXTO I


Cuidado: chatbots

Ruy Castro


Um amigo veio me falar dos chatbots: “Cuidado! São um perigo! Se conversar com um deles, não diga nada que possa te comprometer! Não faça confidências, não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele diz!”. Envergonhado por não saber direito o que era um chatbot — nem como conversar com ele, se nunca lhe fui apresentado e não tenho ideia de onde vive —, apenas escutei e concordei enfaticamente.


Pela terminação do nome em bot, como em “robot”, intuí brilhantemente que um chatbot seria um robô que fala. Algo como a linda robota de “Metrópolis” (1927), o Robbie de “Planeta Proibido” (1956) ou o C‑3PO de “Guerra nas Estrelas” (1977). Mas, pelo que li no Google, esses avós da robótica não chegam nem ao chinelo de um chatbot — um programa de computador, baseado em inteligência artificial, que simula conversas com falantes em qualquer língua, nível intelectual e tipo de conteúdo. Se você tentar tapeá‑lo falando na língua do P, ele te respespondeperapá no apatopó.


Pelo grau de evolução da coisa, ouvi que os cientistas estão alarmados, porque muitos chatbots, controlados por uma facção de algoritmos fora da lei, aprenderam a se passar por humanos. Se for verdade, isso comprometerá todas as relações pessoais e sociais. Em quem poderemos confiar? Chatbots “humanos” terão acesso aos centros de decisões mundiais, induzindo os poderosos a fazer coisas.


Um exemplo. Um chatbot disseminará uma fake news capaz de abalar um país. Um segundo chatbot o “denunciará” como um farsante, com o que se tornará digno de confiança, e disseminará outra fake news ainda mais grave — e nesta todos acreditarão —, iniciando talvez uma guerra. Você perguntará: por que eles fariam isso? Por causa da velha (e tão humana) ambição de dominar o mundo, curvando‑o a um controle planetário.


Só uma coisa preocupa um chatbot: alguém arrancar seu fio da tomada da parede.


FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cotidiano, Opinião,

11 abr. 2025, p. A2 (adaptado).

Ao longo do texto I, o narrador adota uma postura específica em relação ao tema dos chatbots.


A esse respeito, analise as afirmativas a seguir e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.



(    ) Apresenta uma crítica sutil ao risco de desinformação causada por inteligência artificial.


(    ) Defende os chatbots como alternativa mais confiável que os humanos nas relações sociais.


(    ) Utiliza uma linguagem bem‑humorada e irônica para tratar de um tema atual ligado à tecnologia.


(    ) Adota uma postura de entusiasmo com os avanços da inteligência artificial e seus benefícios sociais. Assinale a sequência correta.

Alternativas
Q4106579 Português

Texto 3


Dicas para não cair em golpes na internet 



Adaptado de: https://blog.acerto.com.br/dicas-e-noticias/phishing/. Acesso em: 23 jul. 2025.

Assinale a alternativa que apresenta corretamente a função da linguagem predominante no Texto 3. 
Alternativas
Q4104868 Português

Leia os textos a seguir.


TRECHO DO TEXTO I


“O minimalismo propõe um olhar diferente: menos pode ser mais. Não se trata apenas de reduzir posses, mas de reavaliar o que realmente importa.”


TEXTO II


q_13 enf.png (565×339)

Disponível em: https://consumismosd2018.wordpress. com/2018/05/17/consumismo/. Acesso em: 8 ago. 2025.

Analise a afirmativa a seguir.
No trecho do texto I, predomina o uso da norma‑padrão, com estrutura sintática e escolha lexical típicas da modalidade __________. Já o texto II apresenta traços de __________, como o uso do pronome “te” em posição antes do verbo “consumir”, o que aproxima o enunciado da linguagem __________.
A sequência que preenche correta e respectivamente as lacunas da afirmativa anterior é:
Alternativas
Q4104859 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão

TEXTO I
Menos é mais?

Alessandra Aragão

Essa corrida constante nos torna, de fato, mais felizes? O que realmente ganhamos ao acumular tanto?

Vivemos em um mundo de excessos. Gavetas abarrotadas, agendas lotadas, mentes sobrecarregadas de informações. A todo momento, buscamos mais: mais sucesso, mais reconhecimento, mais coisas. Mas essa corrida constante nos torna, de fato, mais felizes? O que realmente ganhamos ao acumular tanto?

O minimalismo propõe um olhar diferente: menos pode ser mais. Não se trata apenas de reduzir posses, mas de reavaliar o que realmente importa. Como disse Henry David Thoreau, “nossa vida é desperdiçada em detalhes... simplifique, simplifique”.

Pesquisas apontam que o acúmulo excessivo impacta diretamente nosso bem‑estar. Um estudo conduzido pelo Centro de Vidas Cotidianas de Famílias (CELF), da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), acompanhou famílias americanas para entender como o ambiente doméstico influencia o bem‑estar. Os resultados mostraram que casas desorganizadas estão associadas a altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Quanto mais acumulamos, maior tende a ser nossa ansiedade. O que sua casa diz sobre você? Seu ambiente traz paz ou sobrecarga? Mas essa sobrecarga não se limita ao material.

O neurocientista Daniel Levitin, autor de “A mente organizada”, explica que o excesso de informação drena nossa capacidade de concentração e decisão. Quando tudo exige nossa atenção, perdemos a clareza sobre o que é essencial. Como você tem usado sua atenção? O que merece prioridade em sua vida?

Talvez seja hora de uma pausa para reflexão. Você possui as coisas ou as coisas possuem você? O que há em excesso na sua vida que rouba sua paz? O essencial não se encontra no acúmulo, mas na escolha. Se você tivesse que reduzir sua vida ao que realmente importa, o que permaneceria?

Minimalismo não é escassez, mas intenção. Na prática, significa fazer escolhas mais conscientes: manter apenas o que agrega valor — sejam objetos, compromissos ou relações; priorizar experiências significativas em vez de bens materiais; criar espaços físicos e mentais mais leves, eliminando excessos que geram estresse.

Barry Schwartz, no livro “O paradoxo da escolha”, destaca que o excesso de opções pode levar à insatisfação e até à paralisia decisória. Diante de tantas possibilidades, podemos nos sentir perdidos, incapazes de valorizar plenamente o que já temos. Um exemplo disso é Steve Jobs, que adotava um guarda‑roupa simples para evitar a fadiga decisória. Ao reduzir escolhas triviais, direcionava sua energia ao que realmente importava. E você? Quanta energia está desperdiçando tentando administrar o excesso?

O designer alemão Dieter Rams sintetizou essa ideia ao afirmar: “menos, porém melhor”. Não se trata apenas de reduzir, mas de priorizar o que realmente tem valor. Esse princípio pode ser aplicado em diversas áreas da vida. No trabalho: priorizar qualidade em vez de quantidade. Nos relacionamentos: valorizar conexões verdadeiras, deixando de lado laços superficiais. No tempo livre: desfrutar o lazer, reduzir distrações digitais e redescobrir o prazer da simplicidade.

Nesse sentido, Dostoiévski nos lembra que “o segredo da existência humana não está apenas em viver, mas em saber pelo que se vive”. O minimalismo nos convida a essa reflexão, ajudando‑nos a eliminar os excessos que obscurecem o que realmente tem significado.

Ser minimalista não significa renunciar a tudo, mas viver com mais intenção. Onde você pode trazer mais simplicidade para sua rotina? Quais excessos estão pesando sobre sua vida?

No final, não somos definidos pelo que possuímos, mas pelo espaço que criamos para o que realmente importa. Talvez seja a hora de abrir mão de um hábito desgastante, um pensamento que já não te serve mais ou um compromisso sem propósito.

Que tal começar agora?


Estado de Minas, Bem Viver, 24 abr. 2025, p. 33 (adaptado).
Analise as afirmativas a seguir sobre aspectos semânticos e estilísticos presentes no texto I e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.

(    ) A passagem “Minimalismo não é escassez, mas intenção.” apresenta traços da paronímia ao explicar e reinterpretar o termo “minimalismo”.
(    ) As palavras “acúmulo” e “escolha”, no trecho “O essencial não se encontra no acúmulo, mas na escolha.”, representam uma relação de antonímia, pois expressam ideias opostas no contexto.
(    ) A palavra “excesso”, utilizada repetidas vezes no texto, pode ter diferentes significados conforme o contexto em que for empregada, exemplificando um caso de sinonímia.
(    ) A função da linguagem predominante no trecho “Talvez seja hora de uma pausa para reflexão. Você possui as coisas ou as coisas possuem você?” é a conativa ou apelativa, pois busca influenciar o leitor a refletir e agir.
(    ) O uso de perguntas como “O que realmente ganhamos ao acumular tanto?” e “O que sua casa diz sobre você?” revela a presença do dialogismo pela interlocução implícita com o receptor do texto em diferentes perspectivas.

Assinale a sequência correta.
Alternativas
Q4054047 Português
Autopsicografia
O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
(Poesias. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1942. 15ª ed. 1995. Adaptado.) 
Em seu poema “Autopsicografia”, Fernando Pessoa:
Alternativas
Q3796961 Português
3.jpg (309×343)
Considerando que os gráficos servem para representar dados de forma visual e simplificada para facilitar a compreensão de informações, a função de linguagem predominante é:
Alternativas
Q3788925 Português
Quando um documento oficial do Ministério da Educação, como o Plano Nacional de Educação (PNE), utiliza expressões como “visa-se à garantia da qualidade da educação básica”, está empregando, predominantemente, a função metalinguística da linguagem, pois discorre sobre a própria linguagem da política educacional.
Alternativas
Q3788919 Português
Da Educação Tradicional à Escola Nova

        Todos os conceitos e todas as teorias estão interconectados. Não há conceitos em hierarquias.

        Uma ciência ou uma disciplina não é mais importante do que a outra. A visão do conhecimento em rede constitui um instrumento para a transformação potencial do próprio conhecimento. Reconhece-o como um processo, algo que não possui um aspecto definível absolutamente fixo. Implica um sistema aberto à participação, uma estrutura dissipadora e que está em constante fluxo de energia, capaz de crescimento e de transformação sem fim. A imagem de rede, tanto do conhecimento em rede como de redes de conhecimentos, pressupõe flexibilidade, plasticidade, interatividade, adaptabilidade, cooperação, parceria, apoio mútuo e auto-organização.

        As novas gerações encontram-se inseridas em diversas redes e não concebem seu cotidiano sem interações e trocas e compartilhamentos constantes e rápidos de informações. Sendo assim, na medida em que a universidade tem papel incontestável na formação do caráter discente, pode vir a transformar fundamentalmente a realidade da sociedade.

TORRES, Patrícia L.; TRINDADE, Rui; CARNEIRO, Virgínia B. Autonomia discente na universidade: metodologias ativas e a cibercultura. In: Revista Teias, v. 20, n. 56, jan./mar. 2019, com adaptações.
Em um texto de caráter predominantemente poético, cuja intencionalidade se estabelece pela conotação e pela expressividade da linguagem, é possível observar a presença marcante da função emotiva. No entanto, se nesse mesmo texto o autor, ao explorar metáforas e hipérboles, dirige-se diretamente ao leitor para convencê-lo de uma ideia, então haverá uma sobreposição da função apelativa à função poética. Nesse caso, a função apelativa torna-se a predominante, mesmo que os recursos expressivos permaneçam evidentes. 
Alternativas
Q3773985 Português

ESCOLA, ENSINO DE LÍNGUA, LETRAMENTO E CONHECIMENTO


    A língua não é um hábito que se exercita, nem um jogo em que se entra e sai, nem tampouco uma roupa que se veste conforme a ocasião, apropriada ou inapropriada. É uma totalidade que, constituída na história humana, constitui os sujeitos, é marca de identidade, condição de pensamento, forma fundamental de relacionamento e de intervenção no mundo. Independentemente de qual seja a base biológica em que se sustenta a linguagem humana, seja admitindo-se um fundamento genético específico, seja reconhecendo a capacidade simbólica humana consequente do desenvolvimento cerebral, o fato é que a língua é um fenômeno de ordem histórica e, como tal, realiza-se e produz-se em função da ação humana, do trabalho humano.

    Devemos sempre considerar, ao refletir sobre as formas de ser e os usos da língua, que ela é, acima de tudo, expressão de identidades: identidades de grupos, de nações, países ou regiões (de onde surge o conceito de língua ou línguas nacionais), de países, de comunidades de países, de localidades e, também e de forma muito significativa, de indivíduos. Evidentemente, não se postula nenhum processo “natural”, mas sim um movimento histórico, que se submete a múltiplas funções e é objeto de constante disputa. As identidades são produções histórico-sociais e pertencem ao humano genérico.

    Daí as limitações das percepções dicotômicas da língua que se constituíram na tradição dos estudos linguísticos e dos modelos pedagógicos de ensino de língua materna. Assim é que se estabeleceram, sempre em pares excludentes, paradigmas avaliativos ou descritivos dos usos e definições linguísticas, tais como próprio e impróprio, adequado e inadequado, forma culta e popular, registro formal e informal, língua padrão e não padrão, falar (ou escrever) certo e errado, modalidade escrita e oral, entre tantas outras oposições simplificadoras. Não se trata de afirmar que tais formas de apreensão do fenômeno linguístico são ilegítimas ou mero equívoco teórico. Pelo contrário, é preciso considerá-las como resultado dos focos de interesse que se manifestam nas formas como se realiza a luta pelo poder.

    Por isso faz todo sentido afirmar que língua é poder. O domínio sobre a linguagem, mais exatamente sobre seus usos, produzindo e legitimando determinadas formas como ela se realiza, pelo estabelecimento de uma legislação linguística (gramáticas, normas, gêneros, regras) e de valores arbitrários por meio da publicidade deste ou daquele registro é uma forma de poder. E um poder particularmente relevante na medida em que tanto o conhecimento formal como as formas de normatização da vida e de produção se concretizam na linguagem, em particular nas formas de escrita. Bourdieu (1998) captou com precisão essa ideia quando formulou o conceito de língua legítima, isto é, aquela que, para um determinado Estado, aparece como a única língua que expressa o poder e que é (e assim deve ser) muito mais reconhecida do que conhecida.

    O preconceito linguístico sustenta-se no reconhecimento desta língua legítima e na reprodução contínua de estereótipos de cultura e de incultura e na divulgação sistemática de um modelo regulador e corretivo, de caráter basicamente estilístico, cuja finalidade, mesmo que não afirmada e até negada, está em fazer crer que o suposto domínio deste modo de usar a língua (o que é praticamente impossível, não estando o sujeito inserido no lugar social em que este falar se realiza) traz sucesso social. Mais que isso, se naturaliza um estilo como original e se marcam os demais como desvios ou atrasos e, neste sentido, ameaça à integridade social. Deste fato (porque tal imagem se constitui como fato social, mesmo que se fundamente numa crença) se aproveitam pretensos especialistas que mantêm espaços didáticos regulares em jornais, revistas e programas de tevê; mas também, infelizmente, tendo interiorizado esta lógica e reconhecendo-a como verdade insuspeita, atuam nesta direção educadores sérios e dedicados. Esta forma de compreender a questão da linguagem é motivo de intenso debate pedagógico em que se indaga não apenas como a escola deve ensinar a língua materna, mas também o que tem a ensinar. Infelizmente, este debate raramente abandona o referencial normativo e, preso às concepções dicotômicas, desconsidera a questão central, a saber, aquela que diz respeito ao conhecimento [...]

    A posição que cabe sustentar não é a de que o ensino da língua legítima é democrático (visão monolítica de cunho autoritário) nem a de que cada um sabe do seu jeito e que não há o que aprender no que tange à linguagem (conceito que só se sustenta por um culturalismo idealista). Assumiremos por enquanto que “o papel da escola deve ser o de garantir ao aluno o acesso à escrita e aos discursos que se organizam a partir dela” (Britto, 1997). Isto porque a aprendizagem da escrita e dos conteúdos que se veiculam por ela é central na formação dos sujeitos e não se realiza senão através do exercício sistemático e reflexivo.

    De fato, a escrita é um instrumento poderoso, cuja principal característica – mas certamente não a única – é a de permitir a expansão da memória, que passa a situar-se fora dos indivíduos, o que, por sua vez, permite a produção de formas de pensamento descontextualizado e a monitoração continuada de ações e atividades intelectuais. Durante muito tempo, ela foi o único recurso desta natureza (hoje existem vários, como a gravação em áudio e vídeo, a fotografia, os arquivos eletrônicos). A expansão da memória oferece aos indivíduos e aos grupos sociais maior capacidade de pensamento, porque permite esquecer sem esquecer, uma vez que não é preciso guardar na mente todas as informações, mensagens, ideias, raciocínios. Armazenando e registrando a informação fora do corpo físico, mas ao alcance dos interessados, a escrita teve papel fundamental no desenvolvimento da ciência, da filosofia, das leis, das artes etc.

    Contrariamente ao que costuma repercutir o senso comum, a escrita não tem, nem teve em sua origem, como função primordial a comunicação. De fato, ela foi produzida principalmente em função da necessidade do registro da propriedade e do controle do fluxo de mercadorias e se desenvolveu na medida em que a sociedade de classes, centrada na apropriação da riqueza por uma das classes e pelo poder que esta classe exercia sobre o conjunto da sociedade, se expandiu. Há, portanto, um vínculo estrito entre a escrita e as formas de poder e de apropriação dos bens simbólicos produzidos na própria cultura escrita. E isto não é de se estranhar quando se considera uma ordem social em que a apropriação desigual da produção é essencial. Como ocorre com qualquer outra técnica, a posse da escrita, na sociedade de classes, está desigualmente distribuída.

    Até este momento da exposição, considerei a língua e a escrita como objetos em si, descolados de outras dimensões do conhecimento e das práticas humanas, conforme se costuma fazer nas reflexões oriundas na área da linguagem. Contudo, e esta é a tese fundamental que sustenta meu posicionamento atual, tal separação tem trazido significativos malentendidos e prejuízos, senão para os estudos da linguagem, pelos menos para a educação em sentido amplo.

    Para dar segmento a este raciocínio, tomo em consideração o conceito de letramento, que se vulgarizou dos anos noventa cara cá nos estudos de escrita, educação linguística e propostas de educação escolar. Para tanto, retomo aqui a defesa de Kato (1986), a primeira autora a usar o termo no Brasil, sobre a função da escola: “A função da escola é introduzir a criança no mundo da escrita, tornando um cidadão funcionalmente letrado, isto é, um sujeito capaz de fazer uso da linguagem escrita para sua necessidade individual de crescer cognitivamente e para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação. A chamada norma-padrão, ou língua falada culta, é consequência do letramento, motivo por que, indiretamente, é função da escola desenvolver no aluno o domínio da linguagem falada institucionalmente aceita.”

    A ideia de um mundo da escrita apareceu em função das análises dos gêneros da escrita e da relação que se estabelece entre eles e o conhecimento. Nos textos escritos, as frases podem ser mais longas e complexas e apresentar maior diversidade de palavras. As formas de organizar o enunciado se definem com outros critérios, diferentes das formas próprias da fala. Na fala são elementos essenciais o tempo e o ritmo, a repetição e a ênfase sonora como recursos para organizar o que dizemos. O ouvinte serve de orientação para que a falante se explique, se corrija, tome um novo ritmo, fale com maior ou menor intensidade. Ao escrever, organiza-se o texto em períodos, parágrafos, capítulos, partes.

    Além disso, a escrita favorece maior percepção da língua e a fixação de suas formas. Por permanecer presente diante daquele que a vê, permite que um texto possa ser revisto tantas vezes quantas o autor quiser e que o leitor possa retomar qualquer ponto do texto. Graças a essa possibilidade se estabeleceram conceitos, como o de palavra e de fonema, desenvolveram-se teorias para explicar a língua, seu funcionamento e sua relação com o pensamento, produziram-se dicionários e gramáticas. Outro aspecto relevante da escrita é a bidimensionalidade, em oposição ao caráter linear da fala, o que permite a construção de quadros, tabelas, esquemas e mapas, que, por sua vez, permitem outras formas de apreensão e representação do real. Também se associam à escrita diversas atividades intelectuais e sociais (literatura, filosofia, ciência, direito), além de produtos culturais materiais. A tais atividades e produtos se vinculam muitas profissões (a de escrever, a de ensinar, o jornalismo, o trabalho de edição e revisão de textos, a indústria gráfica e, mais recentemente, a eletrônica).

    Como vemos, a ideia de um mundo da escrita diz respeito às formas de organização da sociedade e do desenvolvimento do conhecimento. É certo que a língua ganhou novas conformações e estruturas neste processo, mas não há como imaginar que seja possível aprender esta escrita sem conhecer os conteúdos que a ela se associam e, portanto, entrar neste mundo da escrita é, de fato, entrar no mundo do conhecimento.

    Equivoca-se a autora quando estabelece a equivalência entre “introduzir a criança no mundo da escrita” e “torná-la um cidadão funcionalmente letrado”, porque a ideia de alfabetismo funcional implica não o domínio das formas superiores de conhecimento, mas a possibilidade de usar a escrita para as tarefas de cotidiano, as quais se relacionam com situações próprias do contexto imediato [...]

    Kato também deriva norma-padrão do conceito de letramento. Se é fato que a atividade normativa no âmbito da linguagem se desenvolveu enormemente com a escrita, isto não significa que haja correspondência estrita entre o conhecimento dos conteúdos veiculados pela escrita e o domínio de regras de uso e de um determinado estilo. Menos ainda se pode dizer que a norma-padrão (que seria uma espécie de cânone estabelecido pelos mecanismos de controle linguísticos) se equivalha à língua falada culta, que é a manifestação de oralidade de um segmento social. Tais confusões decorrem de uma percepção acrítica das questões políticosociais no plano da linguagem e fortalecem o preconceito e o normativismo. Esta postura fica evidente quando a autora sustenta que tal forma de linguagem é “a institucionalmente aceita”, como se isso fosse da natureza humana e não da história. A defesa do que se chama norma culta, como expressão de uma linguagem elaborada e “correta”, está diretamente relacionada com a reprodução da língua legítima e das relações de poderes em que ela se encerra, pouco se relacionando com o desenvolvimento intelectual e com o conhecimento formal (ver, a respeito, BRITTO, 1977; 2003).


Referências

BOURDIEU, P. A economia das trocas linguísticas. São Paulo: Edusp., 1998.

BRITTO, L. P. L. Contra o consenso: cultura escrita, educação e participação. Campinas: Mercado de Letras, 2003

BRITTO, L. P. L. A sombra do caos: ensino de língua x tradição gramatical. Campinas: Mercado de Letras / ALB, 1997.

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. São Paulo, Ática, 1986.

LUIZ PERCIVAL LEME BRITTO

Adaptado de Calidoscópio, Porto Alegre, vol. 5, nº 1, jan./abr, 2007 [excerto adaptado].

Ao final do texto, a indicação das referências teóricas do autor é um elemento composicional do gênero de discurso artigo acadêmico.

Essa indicação pode ser compreendida como a explicitação do processo de constituição da linguagem humana denominado: 

Alternativas
Q3652561 Português
Em spots de rádio de utilidade pública que convocam o público à ação com imperativos e vocativos, marque a alternativa INCORRETA sobre a função de linguagem predominante e o efeito produzido.
Alternativas
Q3638065 Português
Art. 2º A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais:

I – garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações;

XX – promoção de conforto, de abrigo, de descanso, de bem‑estar e de acessibilidade na fruição dos espaços livres de uso público, de seu mobiliário e de suas interfaces com os espaços de uso privado, vedado o emprego de materiais, de estruturas, de equipamentos e de técnicas construtivas hostis que tenham como objetivo ou resultado o afastamento de pessoas em situação de rua, de idosos, de jovens e de outros segmentos da população.

Internet:<planalto.gov.br>  (com adaptações).

Considerando as características textuais e gramaticais presentes no texto, julgue o item seguinte.


O texto constrói‑se com base na função referencial da linguagem. 

Alternativas
Q3504466 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.



TEXTO 1:



Quase 11 milhões de brasileiros apostam de modo a pôr em risco a saúde e as finanças


Apostar em jogos de azar de modo a pôr em risco a saúde física, mental e financeira é hoje uma questão de saúde pública relevante no Brasil e, segundo alguns especialistas, quase tão grave quanto a dependência do álcool e do tabaco. Atualmente, 10,9 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, o correspondente a 6,8% da população nessa faixa etária, jogam de forma a criar para si próprios problemas emocionais, familiares, econômicos ou com o trabalho e são classificados como jogadores de risco. O mais preocupante é que cerca de um em cada oito desses jogadores − o que equivale a 1,4 milhão de pessoas − apresenta um padrão de apostas mais comprometedor, compatível com o diagnóstico do transtorno do jogo, uma enfermidade caracterizada pelo desejo incontrolável de jogar mesmo diante de prejuízos.


Apresentados no início de abril em um evento na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), esses números foram calculados a partir de informações coletadas de uma amostra representativa da população brasileira. Eles ajudam a delinear um retrato atualizado de quem aposta − e como se aposta − no país depois da disseminação e da legalização das plataformas de jogos de azar on-line. Até então, os dados nacionais obtidos com metodologia científica datavam de quase 20 anos antes, e as informações mais recentes disponíveis haviam sido obtidas por instituições privadas especializadas em análises de comportamento e tendências.


A equipe da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp chegou à estimativa atual de quantas pessoas apostam no Brasil e da proporção que o faz de maneira nociva por meio dos dados obtidos na terceira e mais recente edição do Levantamento Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad), realizado entre 2023 e 2024. Divulgado no final de março em Brasília, durante o lançamento do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid), o Lenad III foi conduzido pela pesquisadora Clarice Sandi Madruga e financiado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), que mantém um convênio com a Unifesp sob a coordenação do psiquiatra Ronaldo Laranjeira.


A terceira edição do levantamento ampliou o tamanho da amostra e ouviu 16.608 brasileiros com 14 anos de idade ou mais de 349 municípios, distribuídos por todas as regiões do país − nas anteriores, haviam sido entrevistadas entre 3 mil e 4 mil pessoas. O Lenad III também expandiu o universo de temas investigados. Além de responder questionários sigilosos de autopreenchimento sobre o consumo de álcool e tabaco, os participantes forneceram informações sobre o uso de cigarros eletrônicos (dispositivos eletrônicos para fumar ou vapes), de medicamentos que podem causar dependência e substâncias psicoativas ilícitas. O levantamento coletou, ainda, indicadores de saúde física e mental e determinantes sociais de saúde. Os resultados devem ser pormenorizados em publicações específicas nos próximos meses.


Um módulo específico do Lenad III avaliou a frequência e o impacto dos jogos de apostas no país. Nele, 4.860 pessoas − sendo 876 adolescentes com idades entre 14 e 18 anos, de ambos os sexos, e 3.984 homens e mulheres adultos − responderam nove perguntas do Índice de Gravidade do Jogo Problemático (PGSI, na sigla em inglês), um instrumento que avalia os prejuízos pessoais, sociais e financeiros relacionados ao comportamento de apostar e identifica o nível de risco de desenvolver o chamado transtorno do jogo.


Divulgados agora, os dados sobre jogo estão detalhados em um documento de 60 páginas − o Caderno temático − Jogos de aposta na população brasileira − e sugerem que o risco associado ao hábito de apostar do brasileiro se intensificou em relação ao observado no primeiro levantamento, embora os indicadores que investigam jogos de apostas não sejam diretamente comparáveis entre as duas edições, por terem usado instrumentos de aferição diferentes.


No Lenad I, realizado em 2005 e 2006 sob a coordenação de Laranjeira, os entrevistadores coletaram informações de 3.007 pessoas com mais de 14 anos em 144 cidades brasileiras. Na época, ainda existiam casas com jogo de bingo eletrônico e máquinas caça-níqueis e 88,3% da população não jogava, como foi detalhado em artigo publicado em 2010 na revista Psychiatry Research. Já 9,4% eram jogadores ocasionais, 1,3% tinham algum grau de problema com jogos e 1% se enquadrava na categoria dos jogadores patológicos, aqueles que apostavam repetidamente apesar de já terem sofrido prejuízos financeiros, emocionais ou nas relações familiares e sociais.


No levantamento atual, feito ainda no início da recente febre das bets e das plataformas on-line de aposta, a proporção de pessoas que não jogam foi de 82,6%. Os 17,4% restantes, número que corresponde a quase 28 milhões de brasileiros, se distribuem da seguinte forma: 10,6% jogam de modo esporádico, sem enfrentar problemas; 3,4% são jogadores com baixo risco de se tornarem dependentes; 2,6% com risco moderado; e 0,8% jogador problemático. Os últimos são aqueles que somaram mais de 8 pontos na escala PGSI, que vai até 27, e possivelmente já desenvolveram o chamado transtorno do jogo, uma forma de dependência induzida pelo comportamento, e não por uma substância química, registrada no Manual de diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM) e na Classificação estatística internacional de doenças e problemas relacionados com a saúde (CID).


"Há indícios preocupantes de aumento de comportamentos problemáticos relacionados às apostas", comenta o psiquiatra Hermano Tavares, da Universidade de São Paulo (USP), que detalhou os resultados do Lenad I na Psychiatry Research e não participou da versão atual do levantamento. "Esses sinais começaram a se intensificar durante a pandemia, período que impulsionou as apostas on-line, e ainda não perderam força. Atualmente, a dependência do jogo é a terceira mais comum entre os brasileiros. Supera a da cocaína e do crack e fica atrás apenas da do álcool e do tabaco. A rede pública de saúde não está preparada para lidar com isso", afirma.


"Esse transtorno se manifesta quando a pessoa perde o controle sobre o hábito de apostar, que passa a ocupar um papel central em sua vida e traz prejuízos significativos", explica o psiquiatra Daniel Spritzer, que faz pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e é colaborador do Lenad III. "Isso inclui apostar mais do que se deveria ou poderia, perder dinheiro e voltar a apostar para tentar recuperá-lo ou precisar aumentar cada vez mais os valores para sentir o mesmo prazer inicial", detalha. Os sinais de alerta incluem ansiedade e angústia quando não se consegue apostar, além de comportamentos como pedir dinheiro emprestado ou vender bens para continuar jogando.


A proporção de jogadores varia de acordo com a região do país. O Sul concentra a maior fração deles (20,4% das pessoas com mais de 14 anos apostam) e o Nordeste, a menor, 16,3%. A relação entre as duas regiões se inverte quando são consideradas as proporções de indivíduos que apostam de forma arriscada: a maior fração de apostadores (52,3%) com algum grau de risco (baixo, médio ou elevado) de desenvolver transtorno do jogo está no Nordeste, enquanto essa proporção é bem menor no Sul (29,8%) e no Sudeste (28%).



TEXTO 02:




Textos retirados e adaptados de Ceci (2025).  

 A respeito das funções da linguagem expressas nos Textos 1 e 2, assinale a alternativa correta:
Alternativas
Respostas
121: C
122: A
123: C
124: D
125: B
126: C
127: D
128: D
129: C
130: C
131: D
132: B
133: D
134: E
135: E
136: E
137: C
138: B
139: C
140: C