Questões de Concurso
Sobre funções da linguagem: emotiva, apelativa, referencial, metalinguística, fática e poética. em português
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Texto 3
Cotidiano
Chico Buarque
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Todo dia ela diz que é pra eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher
Diz que está me esperando pro jantar
E me beija com a boca de café
Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão
Seis da tarde como era de se esperar
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão
Toda noite ela diz pra eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pra eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor
Todo dia ela faz tudo sempre igual
Me sacode às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã
Disponível em: <https://www.chicobuarque.com.br/obra/cancao/97>
Eu passo o dia dormindo e a noite acordado com medo
Sou um anti-herói em queda
Na mira de um arqueiro
Isso é um pedido de ajuda
Tem alguém aí que me entende?
Me beija na boca e me salva
P#rr@, eu não quero ser triste pra sempre
Disponível em: https://www.letras.mus.br/jao/triste-pra-sempre/
Leia o texto a seguir para responder à questão:
No exemplo a seguir, dois conhecidos conversam sobre o serviço de ônibus da cidade:
L1 – mas como ∅ tá demorando hoje… hein?
L2 – só: … e quando ∅ chega… ainda vem todo sujo… fedorento…
L1 – isso sem falar no preço… que sobe todo mês… sem nenhuma vantagem prá gente…
(Ataliba T. de Castilho.
A Língua falada no Ensino de Português, 1998. Adaptado)


“Numa das palestras, foi apresentado um troço (programa? aplicativo?) destinado a criar cardápios para restaurantes que trabalham com menu fixo no almoço. Você alimenta a coisa com parâmetros como estilo culinário, custo e número de serviços.”
Qual é a função da linguagem predominante no referido trecho, e somente nele?
( ) No trecho “A inovação dispensa a necessidade de um chef. Ela prescinde de criatividade.”, o autor expressa ironia ao destacar a ausência de criatividade na IA.
( ) No início do texto, o efeito de sentido da lembrança do caderno de receitas da mãe associa‑se a uma memória afetiva que contrasta com a impessoalidade da IA.
( ) Na frase “Inteligência artificial não cria nada, só recicla conhecimento gerado por humanos.”, veicula‑se a convicção de que as novas tecnologias podem criar receitas culinárias inovadoras.
( ) Na passagem “Ninguém mais tem caderno de receitas, nem as mães.”, está claro que as pessoas ignoram ser questão de tempo a inteligência artificial substituir os cadernos de receitas.
Assinale a sequência correta.
Cuidado, os sabichões querem seu cérebro!
Sabichonismo é uma doença que explora e
agrava nossa insegurança com a língua
Sérgio Rodrigues
O sabichonismo linguístico é uma doença social oportunista que se aproveita da insegurança do falante médio, intimidado com a normatividade da língua, para convencê‑lo de que contraria regras em série — todas imaginárias.
Por exemplo: “É pleonasmo vicioso dizer que um filme é baseado em fatos reais. Todo fato é real; se não for real, não é fato!”, grita o sabichão. (Por alguma razão, sabichões gostam de gritar)
É mentira dele, claro: além de existir algo que se chama ênfase, o mundo sempre foi cheio de fatos falsos, para não mencionar os hipotéticos, os fictícios, os que dependem de fé etc.
Mesmo assim, é comum que o fato sabichão seja acolhido. O mecanismo psíquico que nos leva a encarar quem nos “corrige” como detentor de um saber superior é o mesmo que garante o sucesso internético de vídeos como “você bebeu água errado a vida inteira: aprenda”.
Sim, todo mundo sempre usou a expressão “dois pesos e duas medidas”, de impecáveis credenciais bíblicas. Não há nada nela, sob nenhum aspecto, que esteja errado: refere‑se a dois pesos (para a farinha) e duas medidas (para o tecido), artimanhas de comerciante desonesto. Aí vem o sabichão e, por saber pouco, anuncia na praça: “O certo é um peso e duas medidas!”.
O sabichonismo pode ser do tipo literalista, que eu chamo de podólatra da letra: “Não existe gol de bola parada, bola parada não entra”; “Risco de vida está errado, o certo é risco de morte”.
Também pode ter corte lógico‑matemático, encrencado com a dupla negativa do português: “Se você diz que não viu nada, então viu alguma coisa”. Pode ser purista, amalucado: “O certo é ab‑rupto”.
O único objetivo do sabichonismo é afirmar a posição de poder de quem o exerce. Embora seja muitas vezes diletante, seu caráter falsamente educativo faz com que assuma com frequência a forma de atividade profissional, caso em que provoca estragos maiores.
Como regra, sabichões exercem o sabichonismo por convicção. Estão convencidos da sabedoria de sua bobagem, que gostariam de ver abraçada por todos. No entanto, sobretudo nos casos em que a atividade produz ganho material, não se deve descartar a hipótese da má‑fé.
A fragilidade do organismo social de que o sabichonismo tira partido — a autoconfiança precária que, como povo, sentimos diante de uma língua que é nossa e ao mesmo tempo não é — acaba, sob seus ataques, por se agravar.
Quando nos deixamos convencer de que o certo é “esculpido em Carrara” — em vez de “cuspido e escarrado”, bela versão lusófona de uma ideia presente no inglês “spitting image” e em outras línguas —, podemos ter a sensação inebriante de que nada no mundo é o que parece.
Contentes de descobrir tal joia perdida do conhecimento universal — “O certo é quem tem boca vaia Roma, buuu!” —, saímos espalhando a boa nova.
E assim o sabichão cumpre o seu papel final, reprodutivo, que é o mesmo dos zumbis: comer o cérebro do maior número possível de pessoas para transformá‑las em sabichonas também.
Todo cuidado com ele!
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo,
Cotidiano, 1 maio 2025, p. A 41 (adaptado).
Com relação a esse preceito, assinale a alternativa correta.
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.
TEXTO I
Cuidado: chatbots
Ruy Castro
Um amigo veio me falar dos chatbots: “Cuidado! São um perigo! Se conversar com um deles, não diga nada que possa te comprometer! Não faça confidências, não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele diz!”. Envergonhado por não saber direito o que era um chatbot — nem como conversar com ele, se nunca lhe fui apresentado e não tenho ideia de onde vive —, apenas escutei e concordei enfaticamente.
Pela terminação do nome em bot, como em “robot”, intuí brilhantemente que um chatbot seria um robô que fala. Algo como a linda robota de “Metrópolis” (1927), o Robbie de “Planeta Proibido” (1956) ou o C‑3PO de “Guerra nas Estrelas” (1977). Mas, pelo que li no Google, esses avós da robótica não chegam nem ao chinelo de um chatbot — um programa de computador, baseado em inteligência artificial, que simula conversas com falantes em qualquer língua, nível intelectual e tipo de conteúdo. Se você tentar tapeá‑lo falando na língua do P, ele te respespondeperapá no apatopó.
Pelo grau de evolução da coisa, ouvi que os cientistas estão alarmados, porque muitos chatbots, controlados por uma facção de algoritmos fora da lei, aprenderam a se passar por humanos. Se for verdade, isso comprometerá todas as relações pessoais e sociais. Em quem poderemos confiar? Chatbots “humanos” terão acesso aos centros de decisões mundiais, induzindo os poderosos a fazer coisas.
Um exemplo. Um chatbot disseminará uma fake news capaz de abalar um país. Um segundo chatbot o “denunciará” como um farsante, com o que se tornará digno de confiança, e disseminará outra fake news ainda mais grave — e nesta todos acreditarão —, iniciando talvez uma guerra. Você perguntará: por que eles fariam isso? Por causa da velha (e tão humana) ambição de dominar o mundo, curvando‑o a um controle planetário.
Só uma coisa preocupa um chatbot: alguém arrancar seu fio da tomada da parede.
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cotidiano, Opinião,
11 abr. 2025, p. A2 (adaptado).
Leia o trecho do texto I a seguir:
“Um amigo veio me falar dos chatbots: ‘Cuidado! São um perigo! Se conversar com um deles, não diga nada que possa te comprometer! Não faça confidências, não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele diz!’.”
Analise as afirmativas a seguir sobre as funções da linguagem e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.
( ) A função emotiva está presente, já que o falante expressa sua atitude subjetiva por meio de exclamações e alertas.
( ) A função referencial predomina no discurso do amigo, pois ele se limita a apresentar dados objetivos sobre os chatbots, sem questionamentos.
( ) A função conativa ou apelativa está presente no trecho, pois há uso de verbos no imperativo para influenciar o comportamento do interlocutor.
Assinale a sequência correta.
INSTRUÇÃO: Leia o texto I a seguir para responder à questão.
TEXTO I
Cuidado: chatbots
Ruy Castro
Um amigo veio me falar dos chatbots: “Cuidado! São um perigo! Se conversar com um deles, não diga nada que possa te comprometer! Não faça confidências, não peça conselhos e não acredite em tudo o que ele diz!”. Envergonhado por não saber direito o que era um chatbot — nem como conversar com ele, se nunca lhe fui apresentado e não tenho ideia de onde vive —, apenas escutei e concordei enfaticamente.
Pela terminação do nome em bot, como em “robot”, intuí brilhantemente que um chatbot seria um robô que fala. Algo como a linda robota de “Metrópolis” (1927), o Robbie de “Planeta Proibido” (1956) ou o C‑3PO de “Guerra nas Estrelas” (1977). Mas, pelo que li no Google, esses avós da robótica não chegam nem ao chinelo de um chatbot — um programa de computador, baseado em inteligência artificial, que simula conversas com falantes em qualquer língua, nível intelectual e tipo de conteúdo. Se você tentar tapeá‑lo falando na língua do P, ele te respespondeperapá no apatopó.
Pelo grau de evolução da coisa, ouvi que os cientistas estão alarmados, porque muitos chatbots, controlados por uma facção de algoritmos fora da lei, aprenderam a se passar por humanos. Se for verdade, isso comprometerá todas as relações pessoais e sociais. Em quem poderemos confiar? Chatbots “humanos” terão acesso aos centros de decisões mundiais, induzindo os poderosos a fazer coisas.
Um exemplo. Um chatbot disseminará uma fake news capaz de abalar um país. Um segundo chatbot o “denunciará” como um farsante, com o que se tornará digno de confiança, e disseminará outra fake news ainda mais grave — e nesta todos acreditarão —, iniciando talvez uma guerra. Você perguntará: por que eles fariam isso? Por causa da velha (e tão humana) ambição de dominar o mundo, curvando‑o a um controle planetário.
Só uma coisa preocupa um chatbot: alguém arrancar seu fio da tomada da parede.
FOLHA DE SÃO PAULO. Folha de S.Paulo, Cotidiano, Opinião,
11 abr. 2025, p. A2 (adaptado).
Ao longo do texto I, o narrador adota uma postura específica em relação ao tema dos chatbots.
A esse respeito, analise as afirmativas a seguir e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.
( ) Apresenta uma crítica sutil ao risco de desinformação causada por inteligência artificial.
( ) Defende os chatbots como alternativa mais confiável que os humanos nas relações sociais.
( ) Utiliza uma linguagem bem‑humorada e irônica para tratar de um tema atual ligado à tecnologia.
( ) Adota uma postura de entusiasmo com os avanços da inteligência artificial e seus benefícios sociais. Assinale a sequência correta.
Texto 3
Dicas para não cair em golpes na internet

Leia os textos a seguir.
TRECHO DO TEXTO I
“O minimalismo propõe um olhar diferente: menos pode ser mais. Não se trata apenas de reduzir posses, mas de reavaliar o que realmente importa.”
TEXTO II

Disponível em: https://consumismosd2018.wordpress. com/2018/05/17/consumismo/. Acesso em: 8 ago. 2025.
No trecho do texto I, predomina o uso da norma‑padrão, com estrutura sintática e escolha lexical típicas da modalidade __________. Já o texto II apresenta traços de __________, como o uso do pronome “te” em posição antes do verbo “consumir”, o que aproxima o enunciado da linguagem __________.
A sequência que preenche correta e respectivamente as lacunas da afirmativa anterior é:
( ) A passagem “Minimalismo não é escassez, mas intenção.” apresenta traços da paronímia ao explicar e reinterpretar o termo “minimalismo”.
( ) As palavras “acúmulo” e “escolha”, no trecho “O essencial não se encontra no acúmulo, mas na escolha.”, representam uma relação de antonímia, pois expressam ideias opostas no contexto.
( ) A palavra “excesso”, utilizada repetidas vezes no texto, pode ter diferentes significados conforme o contexto em que for empregada, exemplificando um caso de sinonímia.
( ) A função da linguagem predominante no trecho “Talvez seja hora de uma pausa para reflexão. Você possui as coisas ou as coisas possuem você?” é a conativa ou apelativa, pois busca influenciar o leitor a refletir e agir.
( ) O uso de perguntas como “O que realmente ganhamos ao acumular tanto?” e “O que sua casa diz sobre você?” revela a presença do dialogismo pela interlocução implícita com o receptor do texto em diferentes perspectivas.
Assinale a sequência correta.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Histórias que o vento contou
Quando o Vento passa, o capim se encrespa como um lago e o trigal ondula como o mar. É a dança do Vento.
Não ouves o Vento contar histórias?
Sua voz é um canto, tem vários sons. Ouvido entre as árvores da floresta, tem um som; através dos buracos, das fendas e rachaduras das paredes, tem outro.
Vês, lá no alto, o Vento tangendo as nuvens como se fosse um rebanho de ovelhas? Ouves como aqui embaixo o Vento uiva através do portão aberto, como se fosse a sentinela tocando a sua corneta? Com estranho gemido entra pela chaminé da lareira. Erguem-se as labaredas, o fogo crepita, voam fagulhas, o clarão das chamas ilumina todo o aposento. Como é bom e agradável deixar-se ficar ali no aconchego da sala aquecida, e ouvir, embevecido, o Vento lá fora, a assobiar, a uivar... Ele conhece mais lendas e histórias do que todos nós juntos. A voz dele é um canto e um gemido. Deixa-o contar. (...)
ANDERSEN, Hans Christian. Histórias que o vento contou. Contos de Andersen. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. p. 119 (Coleção Leitura).
O poeta é um fingidor Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente.
E os que leem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda Gira, a entreter a razão, Esse comboio de corda Que se chama coração.
(Poesias. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1942. 15ª ed. 1995. Adaptado.)
Em seu poema “Autopsicografia”, Fernando Pessoa: