Na crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, a função predomi...

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Q3880652 Português
ATENÇÃO: O texto a seguir se refere à questão.


'Quer adressar?', me perguntou a moça


         De início não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o etarismo a meu favor, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

          O cenário era a loja de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que – como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui – a ficha caiu:

     “Eu posso adressar o produto?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping.

      A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, roçar na de Luís de Camões e – como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas – tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação – exibindo às vezes uma mesóclise de polainas – e já no parágrafo seguinte caio de boca – com o piercing no lábio inferior – no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

    A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial – e me fiz up to date:


      “Sim, por favor, adressa, sim”.


(Trecho adaptado da crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, publicada em “O Globo”.)
Na crônica de Joaquim Ferreira dos Santos, a função predominante é
Alternativas

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: A linguagem volta-se para si mesma quando o texto tematiza o código, os usos e o próprio ato de escrever/falar; aqui, isso aparece de forma explícita na reflexão do cronista sobre a língua, o que determina a alternativa A.

Tema central: reflexão sobre a língua
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A está correta porque a crônica não se limita a narrar o episódio da loja: ela transforma esse episódio em comentário sobre o verbo ouvido, sobre estrangeirismos, sobre registros linguísticos e sobre o próprio modo de escrever do cronista. O texto fala da língua e do uso da língua, o que caracteriza a função metalinguística como predominante.
B
Errada
A função referencial não predomina porque o texto não se organiza principalmente para informar objetivamente um fato externo. A cena da loja e a pergunta da vendedora são apenas o ponto de partida. O foco central recai sobre o código linguístico, como se vê na reflexão sobre “adressar”, na interpretação do uso social da fala e na autorreferência à “prosa vadia de cronista”.
C
Errada
A presença de primeira pessoa não basta para caracterizar predominância emotiva. Embora haja marcas do eu enunciador, elas servem para sustentar a reflexão sobre a língua, não para centrar o texto na expressão de sentimentos pessoais. O núcleo temático não é o estado afetivo do narrador, mas os usos linguísticos.
D
Errada
A função apelativa é afastada porque não há eixo persuasivo dirigido ao destinatário. O texto não constrói ordens, pedidos ou chamamentos para levar o leitor a agir de determinada maneira. O tom conversacional não se converte em apelo predominante ao interlocutor.
E
Errada
A alternativa poética erra por confundir elaboração expressiva com função predominante. Há humor e trabalho de linguagem, mas o traço decisivo não é a valorização autônoma da forma da mensagem; é a tematização explícita da própria língua, de seus usos e do próprio fazer verbal do cronista. Por isso, a função poética é secundária diante da metalinguística.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre texto estilizado e função poética, além da tendência de marcar função emotiva só porque há primeira pessoa. Aqui, porém, o próprio texto declara que seu objeto é a língua.
Dica para questões semelhantes
  • Identifique primeiro sobre o que o texto está falando: se ele comenta palavras, usos, registros ou o próprio ato de escrever, há forte traço metalinguístico.
  • Não escolha função emotiva apenas por causa da primeira pessoa; verifique se o eu está expressando sentimentos ou sustentando uma reflexão sobre outro objeto.
  • Diferencie poética de metalinguística: estilo elaborado não decide sozinho; se a linguagem vira tema explícito, o critério pende para a metalinguística.

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a metalinguagem é a autorreferência: o código explicando o próprio código. 

No caso um texto cheio de neologismo falando sobre um neologismo.

Gabarito Letra A

Segue resumo a respeito das funçoes da linguagens!

f. normativa: visa regulamentar.

f. informativa/referencial/denotativa: 

Características principais:

Objetividade: Foca em fatos, dados e informações concretas, evitando subjetividade.

Linguagem Denotativa: As palavras são usadas em seu sentido real e literal.

Foco no Contexto (Referente): A mensagem é centrada no assunto tratado.

Impessoalidade: Geralmente escrita na 3ª pessoa do singular ou plural. 

Exemplos de uso:

Notícias: "O índice de inflação subiu 0,5% no último mês."

Livros Didáticos: "A água ferve a 100°C ao nível do mar."

Relatórios/Manuais: "O equipamento deve ser desligado após o uso."

f. didática: visa ensinar.

f. fática: visa apresentar relacionamento entre os seres, ou seja, função de relacionar-se. Típica de cumprimentos ou perguntas iniciais (ex. bom dia! como vai?).

f. divinatória: visa prever (horóscopo, previsões).

f. exortativa: visa convencer (ou persuadir).

f. expressiva/emotiva: visa expressar-se.

f. metalinguística:  é uma das funções da linguagem e tem como objetivo explicar ou esclarecer a própria linguagem (ex. explicar o significado de uma palavra).

conativa: visa dar uma ordem ou orientação ao interlocutor.

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Galera, tenho feito edições em aulas de assuntos importantes e postado no meu canal: 3h que viram 1h de conteúdo puro (sem histórias, assuntos não pertinentes ou propagandas). Faço lives de estudo, posto notícias e motivação. Da uma força la :)

Canal: youtube.com/@albert_nos_estudos (Copie e cole ou link no perfil do QC)

METALINGUAGEM, ELE FALA DO CÓDIGO COM O PRÓPRIO CÓDIGO.

É a função da linguagem onde o código fala sobre si mesmo.

OU SEJA, ELE FALA DA LÍGUA PORTUGUESA COM A PRÓPRIA LÍNGUA PORTUGUESA.

O MESMO OCORRE NOS FILMES QUANDO O FILME FALA DO FILME, OU QUANDO O TEATRO FALA DO PRÓPRIO FAZER TEATRAL OU QUANDO A POESIA FALA DE SI MESMA. E AINDA, QUANDO A NOVELA MOSTRA CENAS DOS PERSONAGENS VENDO A NOVELA.

A LÍNGUA É REALMENTE PERFEITA.

um resumo geral:

1. Função Referencial (ou Denotativa)

  • Foco: No Assunto (Referente).
  • Objetivo: Informar, transmitir dados e fatos de forma clara e objetiva.
  • Marcas: Linguagem direta, terceira pessoa, ausência de subjetividade ou opiniões.
  • Uso Comum: Notícias de jornal, textos científicos, manuais técnicos e textos jurídicos/administrativos.

2. Função Emotiva (ou Expressiva)

  • Foco: No Emissor (quem fala).
  • Objetivo: Expressar sentimentos, emoções, opiniões e estados de espírito.
  • Marcas: Verbos e pronomes em primeira pessoa, presença de pontos de exclamação e interjeições.
  • Uso Comum: Cartas pessoais, diários, depoimentos e críticas subjetivas.

3. Função Conativa (ou Apelativa)

  • Foco: No Receptor (quem ouve/lê).
  • Objetivo: Convencer, persuadir, dar ordens ou influenciar o comportamento de quem recebe a mensagem.
  • Marcas: Uso de imperativos ("faça", "compre", "inscreva-se"), vocativos e pronomes de tratamento.
  • Uso Comum: Propagandas, discursos políticos, sermões e ordens em editais.

4. Função Metalinguística

  • Foco: No Código (a própria língua ou sistema).
  • Objetivo: Usar o código para explicar o próprio código. É a linguagem falando dela mesma.
  • Marcas: Definições, conceitos e explicações sobre palavras ou expressões.
  • Uso Comum: Dicionários, gramáticas, textos que analisam outros textos ou filmes que falam sobre cinema.

5. Função Fática

  • Foco: No Canal (o meio de comunicação).
  • Objetivo: Iniciar, prolongar, testar ou interromper o contato entre emissor e receptor.
  • Marcas: Expressões de saudação, confirmação ou interrupção.
  • Uso Comum: "Alô?", "Oi", "Boa tarde", "Entende?", "Tudo bem?", "Hum-hum".

6. Função Poética

  • Foco: Na Mensagem (na forma como ela é construída).
  • Objetivo: Valorizar a estética, o ritmo, a sonoridade e o arranjo das palavras para causar impacto.
  • Marcas: Figuras de linguagem, rimas, jogos de palavras e métrica.
  • Uso Comum: Poemas, letras de música, provérbios e slogans publicitários criativos.

Fonte: gemini

Função emotiva (ou expressiva)

➝ Centrada no emissor.

➝ Objetivo: transmitir emoções, sentimentos, opiniões pessoais.

Exemplo: “Estou tão feliz hoje!”

Função apelativa (ou conativa)

➝ Centrada no receptor.

➝ Objetivo: convencer, persuadir, dar ordens ou pedidos.

Exemplo: “Feche a porta, por favor.”

Função referencial (ou denotativa)

➝ Centrada no contexto.

➝ Objetivo: informar de forma objetiva, clara e direta.

Exemplo: “O Brasil possui 26 estados e um Distrito Federal.”

Função metalinguística

➝ Centrada no código.

➝ Objetivo: explicar ou falar sobre a própria linguagem.

Exemplo: “Adjetivo é a palavra que caracteriza o substantivo.”

Função fática

➝ Centrada no canal de comunicação.

➝ Objetivo: testar, manter ou interromper o contato.

Exemplo: “Alô? Está me ouvindo?”

Função poética

➝ Centrada na mensagem.

➝ Objetivo: valorizar a forma da expressão, explorando ritmo, estética e criatividade.

Exemplo: “O amor é fogo que arde sem se ver.”

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