Questões de Concurso Sobre figuras de linguagem em português

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Q2425923 Português

A figura de fonética, __________, é a aproximação de palavras com sons semelhantes, mas significados diferentes como mostra o trecho da música de Almir Sater e Renato Teixeira.


“Conhecer as manhas e as manhãs.

O sabor das massas e das maçãs

Alternativas
Q2425860 Português

Quais são, respectivamente, as figuras de linguagem que os trechos representam?


I - “Você é raio de saudade,

Meteoro da paixão (...)” (canção "Meteoro" de Luan Santana)


II - "Paixão cruel, desenfreada

Te trago mil rosas roubadas

Pra desculpar minhas mentiras

Minhas mancadas (...)" (“exagerado” do cantor Cazuza)

Alternativas
Q2406692 Português



PESSOA, Fernando. Autopsicografia.
In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50 

A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.  



A terceira estrofe contém a figura de linguagem hipérbato, caracterizada pela inversão da ordem dos elementos da oração, e apresenta a palavra “coração” como sujeito.  

Alternativas
Q2406691 Português



PESSOA, Fernando. Autopsicografia.
In: Antologia Poética. Lisboa: Relógio d’água, 2014, p. 50 

A respeito dos aspectos linguísticos e semânticos do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.  



A segunda estrofe contém uma sinestesia.

Alternativas
Q2397856 Português
    Ouvi chuva durante toda a noite. Acordei antes do despertador tocar às 5h15, tamanha minha expectativa para conferir um dos maiores espetáculos naturais do mundo. Falo de uma lacuna no meu currículo de viajante: as Cataratas do Iguaçu. Assim como Fernando de Noronha, as famosas quedas d'água são uma atração que eu ainda não havia visitado.

      Claro que a justificativa para isso nunca foi a falta de interesse, mas de oportunidade.

     Na última segunda-feira, porém, eu estava otimista. Tinha uma premiação que eu iria conduzir à noite no próprio hotel do parque. E eu tinha a manhã de terça livre para me encantar com a força daquelas águas.
 
      Infelizmente era justamente esse elemento que ameaçava atrapalhar meu programa. Mas lá pelas 7h, convencido de que O aguaceiro tinha se tornado apenas uma garoa, caminhei até a grande queda, o som estrondoso de milhões de metros cúbicos despencando por segundo silenciando as batidas ansiosas do meu coração e até mesmo os distantes trovões. Quando cheguei o mais próximo que podia, tive um baque. Sozinho na área, eu tinha toda a chance de me conectar com aquela maravilha, mas me perguntei: era isso mesmo que eu esperava encontrar?

       As Cataratas do Iguaçu, assim como vários outros pontos turísticos fortes pelo mundo, nos trazem um incômodo do qual só me dei conta então: estamos tão acostumados a ver imagens deslumbrantes deles que quando estamos lá, cara a cara com a atração, parece que ela não tem mais nenhum encanto a nos oferecer. Ou tem? Chamei esse fenômeno de “anestesia turística”.

      No scroll infinito de imagens hoje nas nossas telas. que impacto essas atrações ainda são capazes de nos provocar? Nenhum, pensei rápido. Pelo menos se seu único objetivo diante delas é tirar uma selfie.

        Ir pessoalmente a um lugar desses é muito mais do que fazer um registro para o Instagram. Fiz o meu, sim, não tenha dúvidas. Mas logo em seguida mergulhe: naquilo que meus alhos estavam devorando.

      Com eles eu não apenas enxergava, mas também ouvia, degustava e sentia quase o toque poderoso do fluido em movimento na minha pele. Quando fechei as pálpebras, todos esses sentidos, inclusive o da visão, ficaram mais fortes. Pronto: eu estava livre daquele estado anestésico. A chuva já havia voltado com força e eu nem tinha percebido. Olhei em volta e continuava sozinho. No entanto, estava pleno.



(Adaptado de: CAMARGO, Zeca. Disponível em: www1.folha.uol.com.br)
Observa-se o emprego da figura de linguagem conhecida como hipérbole no seguinte trecho:
Alternativas
Q2392120 Português

Julgue o item a seguir.


Em “Ferrari trabalha em carro que lê a mente do motorista”, pode-se inferir que o nome Ferrari na verdade se refere a funcionários da fabricante de automóveis, o que constitui um exemplo de metonímia.

Alternativas
Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: VUNESP - 2023 - PC-SP - Escrivão |
Q2386233 Português
        Para que serve uma premiação científica? Há várias maneiras de responder a essa pergunta. Todo prêmio é, em primeiro lugar, um reconhecimento do trabalho realizado por um pesquisador, uma equipe ou instituição. Seu valor é imaterial. Premiar, nesse sentido, é prestigiar quem contribuiu de maneira significativa para o avanço de determinado campo do conhecimento.

     Essas honrarias costumam vir acompanhadas de alguma quantia em dinheiro. Logo, prêmios também ajudam a financiar a pesquisa científica e a dar incentivos concretos, materiais, para que os pesquisadores continuem seu trabalho, sobretudo num país como o Brasil, que remunera mal seus cientistas.

       Mas acreditamos que a função mais importante de um prêmio é a de destacar certas temáticas ou áreas do conhecimento. Um prêmio é um farol, que aponta direções nas quais a curiosidade humana deve continuar avançando, e também um holofote, capaz de jogar luz sobre assuntos até então pouco conhecidos do público geral.

      O Prêmio Nobel, o mais prestigioso do mundo, é o que melhor ilustra esse fenômeno. Quando a academia sueca anuncia os vencedores do Nobel de Física ou Química, telejornais do mundo inteiro dedicam preciosos minutos a temas herméticos como entrelaçamento quântico ou química bio-ortogonal. De que outra maneira isso ganharia espaço no horário nobre?

      Portanto, um prêmio, na medida em que chama a atenção da sociedade para esta ou aquela temática, é uma forma de valorizar e divulgar a própria ciência. É com base nisso que afirmamos que o Brasil precisa como nunca premiar o trabalho de seus cientistas.

(Opinião. https://www.estadao.com.br/opiniao, 29.09.2023. Adaptado) 
Assinale a alternativa em que a frase contém uma metáfora.
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Instituto Darwin Órgão: Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE Provas: Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Advogado | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Assistente Social | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Psiquiatra | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Plantonista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Ginecologista e Obstetra | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Ortopedista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Pediatra | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Reumatologista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Cirurgião | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Ultrassonografista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Anestesista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Nutricionista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Bioquímico Analista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Cirurgião Dentista da Estratégia da Saúde da Família (ESF) | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Farmacêutico | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Fonoaudiólogo | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Psicólogo(a) | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Educador Físico | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: Artes | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: Ciências | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: Educação Física | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: História | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: Língua Inglesa | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: Geografia | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: Língua Portuguesa | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor(a) Anos Finais - 6° ao 9° Ano: Matemática | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Fisioterapeuta | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Médico(a) Veterinário(a) |
Q2376792 Português

TEXTO 1


Quando eu morder

a palavra,

por favor,

não me apressem,

quero mascar,

rasgar entre os dentes,

a pele, os ossos, o tutano

do verbo,

para assim versejar

o âmago das coisas.

Quando meu olhar 

se perder no nada,

por favor,

não me despertem,

quero reter,

no adentro da íris,

a menor sombra,

do ínfimo movimento.

Quando meus pés

abrandarem na marcha,

por favor,

não me forcem.

Caminhar para quê?

Deixem-me quedar,

deixem-me quieta,

na aparente inércia.

Nem todo viandante

anda estradas,

há mundos submersos,

que só o silêncio

da poesia penetra.


EVARISTO, Conceição. Da calma e do silêncio. In: Poemas da recordação e outros movimentos. Belo Horizonte: Nandyala, 2008.

Identifique a figura de linguagem presente no trecho "Quando meu olhar se perder no nada, por favor, não me despertem, quero reter, no adentro da íris, a menor sombra, do ínfimo movimento." 
Alternativas
Ano: 2023 Banca: Instituto Darwin Órgão: Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE Provas: Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Auxiliar Administrativo | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Motorista Socorrista - SAMU | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Agente Comunitário de Saúde | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Agente de Trânsito | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Auxiliar de Biblioteca | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Auxiliar de Farmácia | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Auxiliar de Laboratório | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Auxiliar de Saúde Bucal | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Fiscal de Tributos e Obras | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Guarda Municipal | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Professor de Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Orientador Social | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Recepcionista | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Agente de Controle Interno | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Instrumentador Cirúrgico | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Instrutor de Informática | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Instrutor de Arte | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Instrutor de Música | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Técnico em Agricultura | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Técnico em Contabilidade | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Técnico em Informática | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Técnico de Laboratório | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Técnico de Vigilância Sanitária | Instituto Darwin - 2023 - Prefeitura de Lagoa de Itaenga - PE - Técnico em Radiologia |
Q2376039 Português
TEXTO 2


Rotina Fail.


                Todo dia as mesmas coisas diferentes acontecem.

             – Hoje é terça. Terça, terça… o que é mesmo que eu tenho que fazer na terça?

            Fosse eu um egípcio antigo, levantaria, tomaria meu chá de hibiscos da deusa Ísis, caminharia para o trabalho onde carregaria pedras para construir uma pirâmide (não, não foram os deuses). Se fosse uma samambaia, acordaria ao nascer do sol, tomaria uma aguinha fresca seguida de uma fotossíntese básica e voltaria à vida imóvel das plantas felizes (que não precisam passar 1h e 48 minutos na Agamenon para chegar ao trabalho). [...]

Ah, a rotina desses seres maravilhosos.

Abre, fecha, levanta, lava, enxuga, paga, deve, compra, deita e não sonha.

A rotina levou ponto de corte e foi eliminada na primeira fase da vida: logo depois que pedi demissão das aulinhas de inglês.

Dançar ragatanga na cara da rotina é, inclusive, meu esporte favorito.

Porque, se “todo dia ela faz tudo sempre igual, me levanta às 6 horas da manhã, me sorri um sorriso pontual”, ela, definitivamente, não mora aqui em casa.

Sou movida por ventos, não por despertadores.

Por vontades, não costumes. Por escolhas, não hábito.

Por mim, enfim!



(BARBOSA, Teta. Batida Salve Todos. Disponível em:
<http://tetabarbosa.com.br/2014/02/rotinafail/#.XySFZBNKii6>. Acesso em: 16 out. 2023.
(Fragmento).)
Qual dos trechos abaixo retirados do texto 2 contém ironia?
Alternativas
Q2358557 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 03 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere. 


Texto 03



O recurso de expressão usado no texto em que a marca “Gillette” foi usada no lugar do nome do produto “lâmina de barbear” é denominado 
Alternativas
Q2356715 Português

INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 02 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere. 


Texto 02


Tendo em vista inclusive a frase “perdeu o agudo”, o recurso de expressão usado na construção do texto é a/o 
Alternativas
Q2346874 Português
TENTAÇÃO


(1º§) Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva. Na rua vazia, vibravam as pedras de calor − a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão.


(2º§) Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú.


(3º§) A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro. A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.


(4º§) Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria.


(5º§) Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo. Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos. Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.


(6º§) No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos − lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, talvez cedendo à gravidade com que se pediam.


(7º§) Mas ambos eram comprometidos. Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada. A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo.


(8º§) Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina. Mas ele foi mais forte do que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


*Glossário: "basset" é um termo de origem francesa "bas" que significa "baixo" ou "anão".

(Clarice Lispector. Escritora brasileira) -

(armazemdetexto.blogspot.com)
Marque o que não se comprova na estrutura do (1º§).
Alternativas
Q2346872 Português
TENTAÇÃO


(1º§) Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva. Na rua vazia, vibravam as pedras de calor − a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão.


(2º§) Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos. Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú.


(3º§) A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo. Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro. A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.


(4º§) Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria.


(5º§) Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo. Os pelos de ambos eram curtos, vermelhos. Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.


(6º§) No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos − lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, talvez cedendo à gravidade com que se pediam.


(7º§) Mas ambos eram comprometidos. Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada. A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo.


(8º§) Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina. Mas ele foi mais forte do que ela. Nem uma só vez olhou para trás.


*Glossário: "basset" é um termo de origem francesa "bas" que significa "baixo" ou "anão".

(Clarice Lispector. Escritora brasileira) -

(armazemdetexto.blogspot.com)
Marque a alternativa com análise incorreta.
Alternativas
Q2346624 Português
A inversão sintática ocorre quando há a ordem inversa dos constituintes da oração. Sobre tal fenômeno, é correto afirmar que: 
Alternativas
Q2346471 Português
Leia, com atenção, o texto 03 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 03 





Disponível em: https://br.pinterest.com/. Acesso em: 9 out. 2023.
O recurso de expressão usado no texto em que a marca “Gillette” foi usada no lugar do nome do produto “lâmina de barbear” é denominado
Alternativas
Q2346469 Português
Leia, com atenção, o texto 02 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 02 





Disponível em: https://br.pinterest.com/. Acesso em: 9 out. 2023.
Tendo em vista inclusive a frase “perdeu o agudo”, o recurso de expressão usado na construção do texto é a/o
Alternativas
Q2346096 Português
O trecho da letra de música que claramente apresenta uma metáfora é: 
Alternativas
Q2345391 Português
Leia, com atenção, o texto 03 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.

Texto 03 





Disponível em: https://bichinhosdejardim.com/naufragio-opinioes/. Acesso em: 9 out. 2023. 
Tendo em vista os recursos de expressão usados no texto, é CORRETO afirmar que o adjetivo “raso” e o verbo “afunda” formam um(a)
Alternativas
Q2344374 Português
MANIFESTO DA POESIA PAU - BRASIL


Oswald de Andrade


       A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos.

      O Carnaval no Rio é o acontecimento religioso da raça. Pau-Brasil. Wagner submerge ante os cordões de Botafogo. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.

        Toda a história bandeirante e a história comercial do Brasil. O lado doutor, o lado citações, o lado autores conhecidos. Comovente. Rui Barbosa: uma cartola na Senegâmbia. Tudo revertendo em riqueza. A riqueza dos bailes e das frases feitas. Negras de jockey. Odaliscas no Catumbi. Falar difícil.

      O lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportado e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos. O Império foi assim. Eruditamos tudo. Esquecemos o gavião de penacho.

        A nunca exportação de poesia. A poesia anda oculta nos cipós maliciosos da sabedoria. Nas lianas da saudade universitária.

      Mas houve um estouro nos aprendimentos. Os homens que sabiam tudo se deformaram como borrachas sopradas. Rebentaram.

       A volta à especialização. Filósofos fazendo filosofia, críticos, crítica, donas de casa tratando de cozinha.

         A Poesia para os poetas. Alegria dos que não sabem e descobrem.
       
        Tinha havido a inversão de tudo, a invasão de tudo: o teatro de base e a luta no palco entre morais e imorais. A tese deve ser decidida em guerra de sociólogos, de homens de lei, gordos e dourados como Corpus Juris.

       Ágil o teatro, filho do saltimbanco. Ágil e ilógico. Ágil o romance, nascido da invenção. Ágil a poesia.

        A poesia Pau-Brasil, ágil e cândida. Como uma criança. Uma sugestão de Blaise Cendrars: - Tendes as locomotivas cheias, ides partir. Um negro gira a manivela do desvio rotativo em que estais. O menor descuido vos fará partir na direção oposta ao vosso destino.  

    Contra o gabinetismo, a prática culta da vida. Engenheiros em vez de jurisconsultos, perdidos como chineses na genealogia das ideias.

      A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.

          [...]


Disponível em: https://www.ufrgs.br/cdrom/oandrade/oandrade.pdf. Acesso em: 08 out. 2023
No trecho “Ágil o teatro, filho do saltimbanco.”, há qual figura de linguagem?
Alternativas
Q2344148 Português
Leia, com atenção, o texto 03 e, a seguir, responda à questão, que a ele se refere.


Texto 03 





Disponível em: https://www.educacao.ma.gov.br/wp-content/uploads/2023/04/Caderno-Pedagogico-Lingua-Portuguesa-Professor-2023.pdf. Acesso em: 9 out.
O uso da expressão “tira um zero” constrói um recurso de expressão denominado
Alternativas
Respostas
1221: D
1222: D
1223: E
1224: C
1225: B
1226: C
1227: A
1228: A
1229: C
1230: D
1231: A
1232: C
1233: D
1234: B
1235: D
1236: A
1237: D
1238: D
1239: A
1240: D