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Q2397856 Português
    Ouvi chuva durante toda a noite. Acordei antes do despertador tocar às 5h15, tamanha minha expectativa para conferir um dos maiores espetáculos naturais do mundo. Falo de uma lacuna no meu currículo de viajante: as Cataratas do Iguaçu. Assim como Fernando de Noronha, as famosas quedas d'água são uma atração que eu ainda não havia visitado.

      Claro que a justificativa para isso nunca foi a falta de interesse, mas de oportunidade.

     Na última segunda-feira, porém, eu estava otimista. Tinha uma premiação que eu iria conduzir à noite no próprio hotel do parque. E eu tinha a manhã de terça livre para me encantar com a força daquelas águas.
 
      Infelizmente era justamente esse elemento que ameaçava atrapalhar meu programa. Mas lá pelas 7h, convencido de que O aguaceiro tinha se tornado apenas uma garoa, caminhei até a grande queda, o som estrondoso de milhões de metros cúbicos despencando por segundo silenciando as batidas ansiosas do meu coração e até mesmo os distantes trovões. Quando cheguei o mais próximo que podia, tive um baque. Sozinho na área, eu tinha toda a chance de me conectar com aquela maravilha, mas me perguntei: era isso mesmo que eu esperava encontrar?

       As Cataratas do Iguaçu, assim como vários outros pontos turísticos fortes pelo mundo, nos trazem um incômodo do qual só me dei conta então: estamos tão acostumados a ver imagens deslumbrantes deles que quando estamos lá, cara a cara com a atração, parece que ela não tem mais nenhum encanto a nos oferecer. Ou tem? Chamei esse fenômeno de “anestesia turística”.

      No scroll infinito de imagens hoje nas nossas telas. que impacto essas atrações ainda são capazes de nos provocar? Nenhum, pensei rápido. Pelo menos se seu único objetivo diante delas é tirar uma selfie.

        Ir pessoalmente a um lugar desses é muito mais do que fazer um registro para o Instagram. Fiz o meu, sim, não tenha dúvidas. Mas logo em seguida mergulhe: naquilo que meus alhos estavam devorando.

      Com eles eu não apenas enxergava, mas também ouvia, degustava e sentia quase o toque poderoso do fluido em movimento na minha pele. Quando fechei as pálpebras, todos esses sentidos, inclusive o da visão, ficaram mais fortes. Pronto: eu estava livre daquele estado anestésico. A chuva já havia voltado com força e eu nem tinha percebido. Olhei em volta e continuava sozinho. No entanto, estava pleno.



(Adaptado de: CAMARGO, Zeca. Disponível em: www1.folha.uol.com.br)
Observa-se o emprego da figura de linguagem conhecida como hipérbole no seguinte trecho:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Figuras de linguagem – Hipérbole

Esta questão aborda figuras de linguagem, uma temática frequente em provas de concursos para Analista Judiciário. Entre elas, destaca-se a hipérbole, que é uma estratégia de exagero proposital para intensificar uma ideia ou emoção. Conforme Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), hipérbole é a figura que “consiste em exagerar uma ideia para dar-lhe ênfase”.

Justificativa da Alternativa Correta:

B) "No scroll infinito de imagens hoje nas nossas telas"

Aqui, temos o emprego explícito da hipérbole: trata-se de uma forte exageração para sugerir que há tantas imagens nas telas que o “rolar” seria eterno, nunca teria fim. O autor usa esse artifício para enfatizar o excesso de imagens e a sensação de infinito no universo digital, e não para retratar algo real.

Análise das alternativas incorretas:

A) "era isso mesmo que eu esperava encontrar?"
Trata-se de pergunta retórica (recurso argumentativo), não há exagero deliberado. Apenas expressa uma dúvida/reflexão do narrador.

C) "A chuva já havia voltado com força e eu nem tinha percebido."
Há apenas descrição objetiva da situação. O termo "com força" caracteriza a intensidade da chuva, mas permanece no campo da descrição factual e subjetiva.

D) "Infelizmente era justamente esse elemento que ameaçava atrapalhar meu programa."
Embora "ameaçava atrapalhar" seja um enunciado enfático, não existe traço de exagero intencional. O trecho expressa contrariedade, mas não hipérbole.

E) "Claro que a justificativa para isso nunca foi a falta de interesse, mas de oportunidade."
Aqui, utiliza-se uma negação enfática (“nunca foi”). Porém, não há exagero nem construção de sentido impossível ou amplificado, logo não se caracteriza hipérbole, como explica Celso Cunha na “Gramática da Língua Portuguesa”.

Estratégia para questões desse tipo:
Ao identificar hipérbole, busque expressões superlativas, ideias de impossibilidade real ou amplificação fora do comum. Frases literais ou apenas enfáticas não se enquadram na figura. Atenção às “pegadinhas” que confundem ênfase com exagero!

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Comentários

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Hipérbole: é o exagero de uma ideia de forma intencional.

Hipérbole é uma figura de linguagem que usa, de propósito, o EXAGERO nas expressões para dar ênfase ao discurso

  • HIPÉRBOLE: Exagero intencional. (ex: estou morrendo de fome, morto de sono, gastou rios de dinheiro).

" infinito de imagens"

Hipérbole = Exagero

Gabarito b.

Infinito = exagero

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