Questões de Concurso
Sobre coesão e coerência em português
Foram encontradas 14.107 questões
Leia o texto abaixo:
O Coronel
Uma das mais tradicionais figuras da sociedade brasileira é o coronel. O coronel, seja ou não do exército (e geralmente não é), comporta-se como alguém que possui um imenso poder, alguém que manda e desmanda, que possui e faz questão de demonstrar sua autoridade. Provavelmente tal figura nasceu nas fazendas de cana-de-açúcar e de café, e sua brutalidade vem do áspero trato com os escravos. (…)
O curioso é que, além de persistir a figura do coronel, permanece a do servo. Grande parte da população ama e reverencia esse padrão de comportamento autoritário. Exemplos estão espalhados pelo Brasil. (…)
Seus eleitores e admiradores são, em geral, pessoas que não simpatizam ou não entendem os complicados processos da democracia. Para elas, e muitas vezes isso é uma desconfiança justificada, o mundo dos poderosos é composto de enganadores. Nos coronéis elas reconhecem um sujeito franco, espontâneo, daqueles que falam primeiro e pensam depois. Elas o sentem como alguém próximo e com quem podem se identificar. Sentem-se representadas por ele e por isso votam nele. (…)
Na canção “Podres Poderes”, o compositor Caetano Veloso põe em destaque este vezo cultural de nossa sociedade: o de reverenciar coronéis. Para quem nunca teve o prazer de ouvir a música, o verso é o seguinte: “Será que nunca faremos senão confirmar a incompetência da América católica, que sempre precisará de ridículos tiranos?”. Queria saber a resposta, mas não sei.
José Roberto Torero – Folha de S. Paulo,
caderno de Esportes, 5/01/2001
Analise as afirmativas abaixo:
1. A palavra figuras retoma a coronel, logo é elemento de coesão textual.
2. Na expressão esse padrão de comportamento, o pronome se refere a antecedente.
3. A expressão este vezo cultural relaciona-se ao que será exposto mais adiante no texto.
4. Na oração elas o sentem, no 3º parágrafo, o pronome oblíquo o retoma enganadores.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
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Consciência Negra: comemorar ou fazer luta?
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Por Maria Inez Pereira Pinheiro
01------------O Dia Nacional da Consciência Negra surge __ partir de várias lutas e comemorações que
02----foram sendo realizadas em memória __ luta de Zumbi dos Palmares contra __ escravidão no
03----Brasil. A criação de um dia que lembre espe...ificamente a Consciência Negra é uma das formas
04----de lembrar e valorizar um povo que contribuiu para o desenvolvimento do país através de sua
05----cultura, sua religião, seu trabalho e saberes. No dia 20 de novembro a população negra promove
06----uma série de eventos que tem como objetivos refletir sobre a situação dos negros e negras no
07----Brasil. As celebrações nesse dia são realizadas para celebrar e discutir sobre a importância da
08----resistência negra no Brasil.
09------------Resgatar o dia que marca a morte de Zumbi dos Palmares é um esforço que a negritude faz
10----como forma de incentivar o combate às várias formas de d...scriminação e perpetuação do
11----racismo na sociedade brasileira. De igual modo é também uma forma de valorização da
12----identidade negra. O reconhecimento dos de...endentes africanos na constituição e na construção
13----da história do país faz-se importante para manutenção da luta e resistência. Possibilita ainda
14----conscientizar a população sobre o papel elementar do povo negro na formação social, histórica
15----e cultural de uma nação permeada pela resistência negra.
16------------Entre 2003 e 2010, a Lei nº 10.639/2003, determinava a inclusão da temática “História e
17----Cultura Afro-brasileira” no currículo escolar. Nesse mesmo documento, ficou estabelecido que as
18----escolas iriam comemorar a consciência negra: “Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20
19----de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.” Porém, somente em 10 de novembro
20----de 2011 foi oficializado, através da Lei nº 12.519, o Dia da Consciência Negra.
21------------A conquista de marcos institucionais que reafirmam a luta do povo negro na constante busca
22----por direitos e para manutenção da sua dignidade contribui para resgate da memória de luta e da
23----situação de desigualdade histórica vivenciada por essas pessoas. No entanto, se comprovam
24----insuficientes para banir o racismo agudizado por atos de violência e de extrema pobreza que
25----afeta milhões de homens negros e mulheres negras no mundo.
26------------No Brasil, de acordo com pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada –
27----IPEA, intitulada Vidas Perdidas e Racismo no Brasil, a porcentagem de negros assassinados no
28----Brasil é 132% maior do que o de brancos. Embora as razões para explicar esses dados não
29----estejam totalmente explorados, “20% da causa da morte de negros” está atribuída às “questões
30----socioeconômicas”, como diferenças em relação a emprego, moradia, estudo e renda do
31----trabalhador. Uma triste realidade que afeta principalmente a juventude negra com impacto nos
32----seus grupos familiares e comunitários.
33------------Na questão territorial que agrega as comunidades quilombolas instauradas durante o
34----processo de ocupação do território brasileiro por colonizadores europeus, no transcorrer do
35----período de colonização (1500-1822), grandes batalhas foram travadas. Desde a colonização até
36----os dias atuais existe um esforço para a expulsão do povo quilombola que habita estas
37----comunidades e resistem pela manutenção da vida nos seus territórios de origem.
38------------No total de dados registrados existem 3.447 comunidades quilombolas distribuídas nas
39----diferentes regiões do Brasil, a maioria delas vive sob ataque do capital financeiro que avança
40----sobre os territórios. Pode-se tomar como exemplo o território de Alcântara (MA), um município
41----predominantemente quilombola onde vivem 110 comunidades oficializadas pelo Instituto
42----Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em 2008. Apesar disto, as famílias
43----remanescentes de quilombos vivem sob constante ameaça de perda do direito à vida nos seus
44----territórios em virtude da instalação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
45------------No contexto da pandemia provocado pela Covid-19 estudos demonstram que a população
46----negra é gravemente a mais afetada. De acordo com relatório construído pela Sociedade
47----Maranhense de Direitos Humanos (SMDH) em parceria com um conjunto de entidades da
48----sociedade civil, “Um levantamento com base nos dados do Ministério da Saúde mostra que o
49----número de mortes por coronavírus no Brasil é cinco vezes maior na população negra devido a
50----um histórico escravista no Brasil, mas, sobretudo, por um racismo que se atualiza em descaso e
51----violência de Estado contra a população negra, que é a maioria absoluta nas favelas, nos cortiços,
52----nas palafitas, na população de rua, nas cadeias, nos empregos precários”. A história do povo
53----negro marca os processos de luta até os dias de hoje, por isso, celebrar Novembro – e o dia 20
54----– é ressignificar a resistência.
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(Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2021/11/26/consciencia-negra-comemorar-ou-fazer-luta – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta a expressão à qual o pronome relativo “que” se refere no trecho a seguir: “Desde a colonização até os dias atuais existe um esforço para a expulsão do povo quilombola que habita estas comunidades e resistem pela manutenção da vida nos seus territórios de origem”.
Instrução: As questões de números 51 a 60 referem-se ao texto abaixo.
Ser moderno
- Em 1922, um grupo de artistas ligados ...... elite de uma São Paulo recém alçada de vila a
- metrópole criou um evento que entrou para a história como um dos maiores fracassos da sua
- época: a Semana de Arte Moderna. O tempo passou e começamos ...... entender o quão
- disruptiva essa iniciativa se tornou. A celebração dos cem anos deveria versar sobre a criativa e
- inovadora arte brasileira criada desde então. Uma arte transgressora, influenciada por muitas
- origens que revelam uma identidade que, essencialmente, significa diversidade, o nosso maior
- patrimônio.
- No fundo, a Semana de 22 ganhou tamanha notoriedade por uma vontade de resgatar
- heróis e afirmar nacionalismos e regionalismos, para que alguns possam ser chamados de
- desbravadores e bandeirantes de descobridores de um país que, até então, não se manifestava.
- Este ponto de vista é similar ...... ideia eurocêntrica de “descobrimento”. Os Brasis sempre
- existiram com sua imensa diversidade e cultura multifacetada. Nem os Andrades e nem Tarsila
- inventaram o Brasil em 1922. Os Brasis já estavam lá, diversos, vivos, resistentes.
- Independente do questionável protagonismo de seus partícipes durante a Semana de 22,
- o Brasil teve um século pujantemente moderno nas artes visuais, na arquitetura, na música, na
- literatura, no pensamento. Apesar de quem tentou se apropriar, os Brasis conseguiram se manter
- originais dentro de suas territorialidades. Não foi a semana, mas sim três expoentes absolutos
- da nossa criatividade que marcaram a divisão de águas de um país colônia para um país que
- desejava ser cosmopolita. Villa-Lobos, Mário de Andrade e Oswald de Andrade foram holofotes
- que iluminaram esse caminho do pensamento pequeno para o pensamento universal.
- O que aconteceu em 22 foi que um grupo de artistas abriu as portas das identidades
- brasileiras para que a sociedade urbana da época ficasse escandalizada com o que viu. Coube
- ...... outra geração construir a linguagem que seria celebrada a partir desse momento e inventar
- o que de fato é ser moderno. Cabe a quem estiver por vir manter acesa essa chama de querer
- ter uma voz na dimensão contemporânea.
..
(Fonte: DANTAS, Marcello. Ser moderno. Zero Hora, Porto Alegre, ano 58, n. 20, 19 e 20 fev. 2022).
Analise as afirmações abaixo a respeito das palavras destacadas e das expressões no texto:
I. A palavra “recém”, na linha 01, é um advérbio de tempo.
II. Na linha 04, a expressão “essa iniciativa” refere-se ao movimento denominado Semana de Arte Moderna.
III. A expressão “pujantemente”, na linha 15, refere-se à palavra “século”.
Quais estão corretas?
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
As vantagens e desafios por trás da tecnologia na educação
Por Fernanda Gusso Rosa Meller
- Na educação, a tecnologia tem seu processo histórico iniciado na década de 1940 nos
- Estados Unidos e, desde então, visa utilizar recursos tecnológicos virtuais no processo
- pedagógico, seja dentro ou fora da sala de aula, para que o processo ensino-aprendizagem seja
- otimizado.
- Atualmente, os recursos tecnológicos disponíveis na escola ou em sistemas de ensino
- aglomeram toda a gama inovadora de recursos, entre eles, livros digitais, jogos educacionais,
- videoaulas, plataformas ligadas ao mundo moderno e possíveis de serem utilizadas na esfera
- escolar.
- Esses recursos buscam criar maneiras motivadoras de aprendizagem e de refor...ar
- conteúdos escolares, mesmo fora da sala de aula. A educação tecnológica tem suas vantagens
- de oferecer possibilidades aos professores e alunos, de ampliar repertórios, de conectar as
- pessoas e de motivar o aprendizado. Para isso, contamos com dispositivos de fácil ace...o, como
- tabletes, smartphones e internet, facilitando o trabalho docente na utilização e no repasse dos
- conteúdos, na participação dos alunos, potenciali...ando e direcionando os ajustes pedagógicos.
- Por outro lado, as limitações do uso da tecnologia na educação estão relacionadas __ falta
- de disponibilidade dos recursos existentes, __ barreiras de convivência social, __ dificuldade de
- concentração do aluno, de contato com o tutor, entre outras situações. Essas dificuldades podem
- ser resolvidas com a combinação de regras entre os envolvidos em relação ao equilíbrio no uso
- dos recursos tecnológicos e a otimização das possibilidades da existência desses recursos.
- As estruturas que necessitam de inovações podem contar com orientações dos docentes
- e movimentos dos discentes, para que os envolvidos atuem como protagonistas nas propostas
- de ampliação dos recursos já existentes, construindo e apresentando ideias e projetos na busca
- de parcerias específicas à situação exigida.
- As tecnologias oferecem conexões que vão muito além da convivência social presencial,
- pois grupos da mesma comunidade podem compartilhar conhecimentos e diversas culturas com
- outros grupos, independentes da distância entre eles, este é o ponto enriquecedor das
- tecnologias, a informação gerando conhecimento e troca de saberes.
- Na área da educação, esse instrumento pode ampliar oportunidades e responsabilidades,
- pois as gerações nascidas na era tecnológica, como também as gerações que foram inseridas
- neste contexto por força de circunstâncias, descobrem um vasto horizonte de comunicação, seja
- em nível acadêmico ou de convivência individual e coletiva.
- A educação é um dos principais alicerces para o desenvolvimento de um país. Portanto,
- a tecnologia é uma ferramenta que, se bem utilizada, pode ser uma expressiva aliada no processo
- de ensino-aprendizagem. Acredita-se que a tecnologia na educação ultrapassa barreiras
- geográficas e culturais, desvendando possibilidades do conhecimento e semeando prosperidade.
(Disponível em: https://www.uninter.com/noticias/as-vantagens-e-desafios-por-tras-da-tecnologia-na-educacao – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta a palavra à qual o pronome relativo “que” se refere no trecho a seguir: “As estruturas que necessitam de inovações podem contar com orientações dos docentes e movimentos dos discentes”.
Leia o texto para responder às questões a seguir.
Salão do Artesanato da Paraíba começa nesta quarta e deve atrair mais de 100 mil pessoas em Campina
Todos os caminhos do artesanato paraibano estão em direção a Campina Grande, onde, nesta quarta-feira (08), será aberto o 34º Salão do Artesanato Paraibano – o primeiro presencial após dois anos de pandemia severa da covid-19. A expectativa é de que sejam batidos os números de 2019, quando o evento teve a visita de mais de 100 mil pessoas e a venda superior a R$ 1,3 milhões. Toda a estrutura foi montada no Museu de Arte Contemporânea (MAC) e funcionará das 15h às 22h, até o dia 03 de julho. A entrada é gratuita, com arrecadação voluntária de alimentos não perecíveis para posterior doação a instituições filantrópicas.
O tema do Salão do Artesanato em 2022 será “Bordados que contam histórias” e, além da exposição dos trabalhos de 400 artesãos, representando as diferentes tipologias de artesanato produzidas em todas as regiões estado, em especial de João Pessoa, Campina Grande, Alagoa Nova, Galante, Serra Redonda e Gurinhém, o clima de confraternização e calor humano certamente serão um dos principais diferenciais para o sucesso do evento que acontece ainda em clima dos festejos juninos.
O calor humano, o entusiasmo visto nos olhos, a expectativa desse retorno presencial já são marcas do evento, conforme a gestora do Programa do Artesanato Paraibano (PAP), Marielza Rodriguez. “Todos estavam morrendo de vontade de se abraçar novamente, de se conectar, e esse momento chegou”. Sobre a estimativa de vendas, a gestora explicou que os números não são mensuráveis, tendo em vista os artesãos receberem encomendas durante todo o ano.
A escolha pelo bordado, segundo Marielza Rodrigues, foi do próprio governador da Paraíba, João Azevêdo, que adotou o critério de potencializar todas as tipologias que, por algum motivo, estejam longe dos holofotes das pessoas. O bordado é uma técnica milenar utilizada para ornamentar tecidos, fruto do talento e da habilidade com linha e agulha. “Além dos trabalhos, o Salão irá contar histórias dessas bordadeiras, que narram as suas vidas e de sobrevivência explorando o talento e a agilidade com as mãos na produção das peças”.
Para a presidente da PBTur (Empresa Paraibana de Turismo), Ruth Avelino, a realização do Salão do Artesanato em Campina Grande em pleno São João serve de maior estímulo para que as pessoas, da Paraíba e do Brasil, visitem o local. O artesanato, conforme a executiva, é um dos diferenciais que o paraibano tem e muito valorizado até mesmo fora do país. “O artesanato mexe com basicamente toda a cadeia produtiva, gerando novos empregos e injetando milhões de reais na economia local”, pontuou.
Ruth Avelino destacou ainda, que por uma ação do Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura de Campina Grande, a Azul Linhas Aéreas começou a operar voos dedicados (fretados) para o Maior São João do Mundo, desde a quinta-feira (02), com saída do Aeroporto de Campinas, interior de São Paulo. As frequências serão operadas quatro vezes por semana, às segundas, quartas, sextas e domingos, em parceria com a Azul Viagens. As aeronaves são um Airbus A320neo, com capacidade para até 174 clientes, serão responsáveis por cumprir o trajeto que vai durar quase três horas.
https://www.pbtur.pb.gov.br/2022/06/07
“Para a presidente da PBTur (Empresa Paraibana de Turismo), Ruth Avelino, a realização do Salão do Artesanato em Campina Grande em pleno São João serve de maior estímulo para que as pessoas, da Paraíba e do Brasil, visitem o local. O artesanato, conforme a executiva, é um dos diferenciais que o paraibano tem e muito valorizado até mesmo fora do país. ”
O emprego de “a executiva” estabelece uma articulação entre as partes do texto, feita pelo mecanismo de coesão por:
Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados nas questões.
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A importância de se ter qualidade de vida
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1--------Qualidade de vida é um cotidiano em que há equilíbrio entre as responsabilidades e os
2--prazeres, garantidos por boa saúde, realização pessoal e facilidade ao lidar com as tarefas
3--diárias. Ela certamente depende de vários fatores para que o indivíduo alcance esse equilíbrio,
4--como, por exemplo: poder aquisitivo; infra-estrutura do habitat em que se vive; relação que se
5--mantém com o trabalho; administração do próprio tempo; nível de satisfação que se obtém com
6--o conjunto das atividades diárias; conforto ao qual se tem acesso; estado de saúde; e, acima de
7--tudo, modo pessoal de se encarar tudo isso. A expressão “qualidade de vida” nos permite
8--concebê-la como a forma com que cada um de nós vive o seu dia-a-dia no que diz respeito ao
9--estilo (escolhas adotadas durante toda a vida) e às condições de vida (envolve moradia,
10--escolaridade, saúde, transporte, segurança e, em geral, aspectos materiais da vida
11--historicamente determinados e socialmente construídos).
12------Por outro lado, qualidade de vida também significa apresentar boas condições de aptidão
13--física para realizar esforços regulares, implicando na capacidade de realizar atos motores
14--diversificados envolvidos nas tarefas do cotidiano, mantendo a homeostase do organismo sem
15--maiores alterações durante os esforços. Desta maneira, do ponto de vista biomecânico, ao
16--realizar uma atividade cotidiana, um indivíduo debilitado e com pouca massa muscular utiliza
17--muitas unidades motoras, o que acaba por caracterizar um esforço de alta intensidade. Observe-se
18--que, com idosos não condicionados, podem ocorrer 18 elevações perigosas na pressão arterial e
19--na frequência cardíaca em situações comuns, como a de subir escadas, que poderiam ser
20--abrandadas por meio do aumento da massa muscular e da força despendida quando da realização
21--de exercícios com peso.
22--------A qualidade de vida difere de pessoa para pessoa e tende a se alterar ao longo da vida.
23--Os principais benefícios proporcionados pela atividade física e pelo alcance de uma qualidade de
24--vida satisfatória são os efeitos antropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos
25--favoráveis. A qualidade de vida de muitas pessoas poderia sofrer modificações significativas se
26--alguns de seus hábitos fossem alterados, combinados com a implementação de ações
27--preventivas de saúde que pudesse gerar um estilo de vida saudável. Programas de atividade
28--física bem organizada podem suprir __ diversas necessidades individuais, multiplicando __
29--oportunidades de se obter prazer e, consequentemente, otimizando __ qualidade de vida.
30--------A Federação Internacional de Educação Física elaborou o “Manifesto Mundial de Educação
31--Física – 2000”, o qual representa um importante acontecimento na história dessa área do
32--conhecimento, pois pretende reunir, em um único documento, as propostas e discussões
33--efetivadas no decorrer do século XX no âmbito desta entidade. O manifesto expressa os ideais
34--contemporâneos de valorização da vida ativa, ou seja, ratifica a relação entre atividade física,
35--saúde e qualidade de vida, e prioriza o combate ao sedentarismo como objetivo da Educação
36--Física (formal e não formal), por meio da educação para a recreação ativa de forma continuada.
37--Com base no que é postulado nesse documento, devem continuar sendo instituídas políticas para
38--aumentar a participação individual em alguma atividade física, com o intuito de melhorar a saúde
39--e a qualidade de vida da população. Deve-se, além disso, conscientizar e estimular a população
40--sobre a prática de atividades físicas como fator de promoção de saúde e prevenção de doenças
41--crônicas não transmissíveis. É importante, igualmente, criar e oferecer novas sistemáticas para
42--aumentar o nível e a regularidade da prática de atividades físicas nos espaços públicos e
43--privados; por fim, e não menos fundamental, é preciso oferecer orientações sobre: práticas
44--saudáveis de vida; controle de peso corporal; risco de uso indiscriminado do tabaco, álcool e
45--medicamentos; a necessidade de aferição constante da pressão arterial e glicemia em postos
46--situados em locais de fácil acesso às comunidades. Tais iniciativas promovem o bem-estar
47--biopsicossocial e melhoram a qualidade de vida das pessoas em geral.
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(Disponível em: https://www.fef.unicamp.br/fef/sites/uploads/deafa/qvaf/ppqvat_cap19.pdf – textoadaptado especialmente para esta prova).
O termo “Ela” (l. 03), em destaque no texto, está morfologicamente desempenhando a função de pronome:
UM ABRAÇO EM PELÉ
1 Eu ainda não tive o prazer de lhe ser apresentado, meu caro Pelé, mas agora, com o fato de termos sido condecorados juntos pelo governo de França - você no grau de Cavaleiro e eu no de Oficial: e mais justo me pareceria o contrário - vamos certamente nos conhecer e tornar amigos. Ninguém mais que você merece tão alta distinção, sobretudo por ter sido conferida espontaneamente - pois ninguém mais que você tem levado o nome do Brasil para fora de nossas fronteiras. Da Sibéria à Patagônia todo mundo conhece Pelé; e eu estou certo de que você entraria fácil na lista das dez personalidades mais famosas de nossos dias.
2 Não posso disfarçar o orgulho que a condecoração me causa, embora seja, de natureza, avesso a honrarias; e orgulho tanto maior porque nela estamos juntos: preto e branco (as cores do meu Botafogo!) e também as cores irmãs de nossa integração racial. Sim, caro Pelé, nós representamos, em face da comenda que nos é conferida, o Brasil racialmente integrado, o Brasil sem ódio e sem complexos, o Brasil que olha para o futuro sem medo porque, apesar dos pesares, é bom de mulher, bom de música, bom de poesia, bom de pintura, bom de arquitetura e bom de bola. Particularmente por isso considero-me feliz de estar a seu lado no momento em que nos colocarem no peito a condecoração.
3 Que você tenha sido distinguido pela Ordem Nacional do Mérito da França nada me parece mais natural. A França sempre deu um alto valor ao gênio, e você, meu grande Pelé, é um gênio completo, porque o seu futebol representa um reflexo imediato de sua cabeça nos seus pés. Eu não sou gênio, não. Eu tenho que pensar um bocado para que a mão transmita direito o que a cabeça lucubrou. Meus gols são mais raros que os seus. Você é com justa razão chamado o Rei. Quanto a mim, que rei sou eu?
4 Mas nada disso turva a satisfação que sinto em ser o seu Coutinho nesta nova investida do Brasil na área internacional. Parabéns, meu caro Pelé. Parabéns e o melhor abraço aqui do seu irmãozinho!
Disponível em: https://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/prosa/um-abraco-em-pele
Em “Meus gols são mais raros que os seus” os termos destacados neste trecho se referem, respectivamente a (o):
PARÁBOLA DO HOMEM RICO
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Todos são poetas à sua maneira, mas é bem possível que, se todos o fossem realmente, não houvesse mais lugar para a poesia. Porque a poesia é a amante espiritual dos homens, aquela com quem eles traem a rotina do cotidiano. A poesia restituilhes o que a vida prática lhes subtrai: a capacidade de sonhar. O desgaste físico e moral imposto pelo exercício das profissões, em que o ser humano deve despersonalizar-se ao máximo para atingir um índice ideal de eficiência - eis a grande arma da poesia. Depois que o banqueiro passa o dia manipulando o jogo de interesses do seu banco, vem a poesia e, na forma de um beijo de mulher, diz-lhe que o amor é menos convencional que o dinheiro. Ou o bancário, que passa o dia depositando e calculando o dinheiro alheio, ao ver chegar a depositária grã-fina, linda e sofisticada, sonha em tornar-se um dia banqueiro. E fazendo-o, invade o campo da poesia. Pois tudo é fantasia. Cada ação provoca um sonho que lhe é imediatamente contrário. Tal é a dinâmica da vida, e sem ela a poesia não teria vez.
Isso me faz lembrar certa noite em Paris, num jantar com meus amigos Marie-Paule e Jean-Georges Rueff, em companhia de um grande comerciante francês, um homem super-rico, dono de um dos maiores supermercados da França, superviajado, superlindo e casado com uma mulher superlinda. Nós nos havíamos conhecido alguns anos antes, em Estrasburgo, onde ele e os Rueff então moravam, e um pilequinho em comum nos havia aproximado, depois de um papo de coração aberto que nos levou até a madrugada. O assunto agora era o mesmo, a poesia, e o nosso prezado homem rico, depois de discutirmos um pouco a extraordinária vida desse jovem gênio que foi o poeta Jean-Arthur Rimbaud, fez-nos ver que não há casamento possível entre o Grande Lírico e o Grande Empresário: ou se é uma coisa, ou se é outra. O verdadeiro homem de empresa ao mesmo tempo inveja e despreza o poeta, uma vez que não se pode preocupar além dos limites com as palavras da poesia. Elas são, para ele, o reverso da medalha: o ouro impalpável. E como as mulheres - dizia-me ele ao lado da sua - são seres devorados de lirismo, sobretudo no amor, o capitalista tinha que pagar seu preço ao artista: e esse preço, via de regra, era a própria mulher.
- Elas ficam conosco porque nós representamos poder aquisitivo, podemos dar-lhes as coisas de que necessitam para ficarem mais sedutoras, terem mais disponibilidade para cuidar da própria beleza. Mas essa beleza, elas a entregam a vocês, os artistas. No fundo, as mulheres nos odeiam. O que não impede que vocês sejam todos gigolôs do capitalismo. [...]
-
(Adaptado: Vinicius de Moraes. Rio de Janeiro, Jornal do Brasil, 31/12/1969).
Ainda sobre a oração “E fazendo-o, invade o campo da poesia” (1° parágrafo), o termo em destaque tem como referente:
Sócrates e as redes sociais
1 Esses dias eu li um artigo que fala sobre a relação entre a história de Sócrates e o nosso comportamento nas redes sociais. Parece meio estranho, mas a ideia é que ele tinha uma postura em relação à moral semelhante ao que muita gente quer ter hoje em dia.
2 Sobre Sócrates, o que a gente sabe dele vem do principal discípulo, que foi Platão. Em um diálogo chamado “Apologia de Sócrates”, Platão fala do processo que levou Sócrates a ser condenado à morte por envenenamento. De acordo com Platão, Sócrates contou que um amigo dele, Querefonte, foi ao Oráculo de Delfos e perguntou quem era o homem mais sábio. O oráculo respondeu que era Sócrates. E Sócrates ficou assustado quando soube disso, porque ele era homem simples, filho de uma parteira e de um artesão, e trabalhava como artesão, assim como o pai. Não existia nada de especial em Sócrates e ele mesmo não via motivo algum para que fosse considerado o homem mais sábio. Por conta disso, Sócrates passa a procurar alguém mais sábio do que ele ‒ e de acordo com ele mesmo ‒ não encontra. Pode parecer só uma falta de modéstia, mas a questão aqui é a distinção entre sabedoria e inteligência.
3 Sócrates encontra, naturalmente, pessoas mais inteligentes do que ele, artistas, políticos, poetas… Mas o problema é que essas pessoas acreditavam que já sabiam de tudo, ou que o que sabiam bastava. E é por isso que Sócrates conclui que nenhum deles era mais sábio. No entanto, Sócrates entende que o deus Apolo, por meio do Oráculo, não queria exaltar a sabedoria dele, mas sim mostrar que nenhum homem é sábio, mas todos podem buscar a sabedoria, todos podem ser filósofos. E, lembre, filosofia é “amor à sabedoria” e não simplesmente “sabedoria”. É justamente daí que vem a famosa frase paradoxal utilizada por Sócrates: “Só sei que nada sei”.
4 Sócrates é mais sábio porque ele pelo menos é capaz de reconhecer a ignorância e de ir em busca da verdade. Mas ele não sabe tudo. Então, se coloca na posição de perguntar, de questionar, de colocar contra a parede aqueles que acham que sabem. E é aqui que a analogia do texto, entre Sócrates e as redes sociais, faz sentido.
5 Quando estamos no YouTube, Twitter, Instagram ou qualquer outro desses serviços de redes sociais, tendemos a observar e condenar as atitudes alheias. Como se fôssemos Sócrates, vamos apontando os defeitos e as falhas dos outros como se estivéssemos fazendo um grande bem à humanidade. Desde as discussões mais sérias até as mais banais, estamos lá, questionando o saber alheio, mostrando os problemas nos argumentos, perguntando: “Você realmente sabe o que acha que sabe?”. Nada disso é errado, mas cabe uma reflexão sobre essa pretensão de verdade que nos atinge.
6 Muitos leitores de Platão acusam Sócrates de dissimulação. Por detrás da ironia, na verdade estaríamos diante de um homem que se acha superior aos outros e, que, por isso, se vê no direito de mostrar que eles estão errados, humilhando os adversários, exibindo o seu conhecimento. E, você, quando está na internet, não se sente um pouco assim?
Disponível em: https://marcosramon.net/blog/socrates-e-as-redes-sociais
Em “No entanto, Sócrates entende que o deus Apolo, por meio do Oráculo, não queria exaltar a sabedoria dele...” (3° parágrafo), sobre o termo destacado neste trecho só é verdadeiro o que se afirma em:
Reagan e Gorbachev unidos contra os aliens
Por Maria Clara Rossini

(Disponível em: Revista Superinteressante (02/12/2021) https://super.abril.com.br/historia/ – texto adaptado
especialmente para esta prova).
I. Na linha 02, a palavra “evento” remonta à ideia de reunião dos líderes dos EUA e da União Soviética presencialmente.
II. Na linha 05, o termo “cidade suíça” tem como referente e substitui o termo “Conferência de Genebra”.
III. Na linha 26, em “o reconheceu”, a palavra “o” é um pronome cujo referente é “presidente americano”, mencionada anteriormente.
Quais estão corretas?
Guerra diminuiu apetite por risco de investidores de startup
Emanuel Pessoa

(Jornal O Estado de S. Paulo, ano 143, n. 47033, p. B2, 26 jul. 2022. Adaptado.)
Guerra diminuiu apetite por risco de investidores de startup
Emanuel Pessoa

(Jornal O Estado de S. Paulo, ano 143, n. 47033, p. B2, 26 jul. 2022. Adaptado.)
Texto para responder às questões 1 a 8.
Ucrânia e o mundo civilizado
Cobertura ocidental sobre Ucrânia. Na CBS: "Este não é um lugar como o Iraque ou o Afeganistão. Esta é uma cidade relativamente civilizada, relativamente europeia". Na ITV britânica: "O impensável aconteceu. Esta não é uma nação em desenvolvimento do terceiro mundo-esta é a Europa!". Na BBC: "É muito emocionante para mim porque vejo europeus com olhos azuis e cabelos loiros sendo mortos".
Há quase meio milhão de refugiados da Ucrânia, metade deles para a Polônia, a mesma que há pouco mandava tropas para bater em refugiados. Há relatos de africanos e de brasileiros barrados em trens fugindo da Ucrânia. Enfatizar que nossa dor é seletiva -geográfica e racialmente -não apaga a realidade da dor (na Ucrânia, é real e cruel); apenas ressalta que nossa empatia é proporcional à humanidade que concedemos a quem sofre.
Raça é uma fronteira, nos lembra Achiume em "Racial Borders". Regimes formais (status de refugiado) e informais (ser aceito em um trem) conferem privilégios raciais a uns e imobilidade a outros. A quem chamamos civilizados, a compaixão. Aos bárbaros, a penúria. O maior campo de refugiados do mundo, no Quênia, continua ameaçado de fechar. Sanções econômicas dos EUA continuam a levar o Afeganistão à fome.
No livro "History of White People", Painter nos lembra que o reconhecimento de povos do Leste Europeu como igualmente brancos no Ocidente foi objeto de disputa. Foi por ter admirado a beleza de um crânio oriundo das montanhas do Cáucaso na Rússia, aliás, que Blumenbach, em 1795, classificou o grupo europeu como caucasiano.
A anedota persiste e nos lembra que raça é, ao mesmo tempo, arbitrária e poderosa. No mesmo século 18, o termo "civilização" era inventado para separar europeus dos bárbaros colonizados (nós, no caso). Por baixo do derramar de sangue da guerra, desumano e inútil, reside paradoxalmente a chave para compreender a nossa humanidade: todos sangramos, nós que somos seletivos no olhar.
Thiago Amparo Folha de São Paulo, 03/03/2022
No segundo parágrafo, o emprego da palavra "mesma" estabelece uma coesão entre as partes da frase, com o propósito de enfatizar uma relação de:
Texto I
À natureza nos ensina a agir coletivamente
Clarice Cudischevitch
Por que peixes nadam em cardumes? Como pássaros voam em bando tão harmonicamente? O que motivou pessoas a não usarem máscara em uma pandemia? Um dos fenômenos mais fascinantes das ciências da vida é, justamente, o conflito entre o comportamento individual e o coletivo. Mas ele não é exclusivo do mundo biológico. O ecólogo Simon Levin o extrapola para as ciências sociais buscando entender condutas de uma espécie em particular: a humana.
Isso porque, embora a seleção natural atue nas diferenças entre indivíduos, a cooperação existe na natureza desde o nível celular até em diferentes animais. Diretor do Centro de BioComplexidade e professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Princeton (EUA), Levin aplica a matemática, sua formação original, para estudar essas duas tendências conflitantes.
Na biologia, elas já são relativamente conhecidas. Pela seleção natural, os organismos mais aptos a sobreviver têm mais chances de passar suas características para os descendentes e, assim, perpetuar seus genes. Em “O Gene Egoista”, o biólogo Richard Dawkins afirma que um comportamento coletivo, como voar em bando, é adotado por conferir maior probabilidade de sobrevivência a uma linhagem genética.
Quando falamos de interações humanas, no entanto, a conversa é mais complexa. Se peixes nadam em cardumes para benefício mútuo — lutar contra predadores, por exemplo —, adotar um comportamento coletivo que gere benefícios em maior escala para a sociedade geralmente implica restringir ações individuais. “Precisamos aprender com a natureza como alcançar a cooperação”, diz Levin.
Na matemática, é a teoria dos jogos, técnica que modula o comportamento estratégico de agentes em diferentes situações, que dá conta de entender essas relações. Um exemplo clássico: se as pessoas priorizassem o transporte público ao carro, o congestionamento diminuiria, beneficiando a todos. Nesse cenário, no entanto, indivíduos acabariam saindo de carro para aproveitar o fluxo do trânsito, voltando a sobrecarregar as vias. Para a coletividade, seria melhor a cooperação do que ações individuais egoístas.
Essa mistura de matemática com sociologia e toques de biologia é útil para entender a pandemia da Covid-19. Levin, que passou mais de 40 anos estudando a dinâmica de doenças infecciosas, explica que, no caso do coronavirus, aplicamos modelos que predizem a disseminação do vírus, as diferenças entre pacientes com e sem sintomas e outros aspectos que ajudam a pensar em estratégias. Mas falta o componente social.
“Vemos grupos que hesitaram em se vacinar. Por quê?”, questiona Levin. “Há os que se recusaram a usar máscaras. China, Japão e Ásia em geral são países mais abertos a esse tipo de proteção, enquanto outros, como a Suécia, resistiram. Entender isso é um problema das ciências sociais.”
Levin vai além: como decisões coletivas são tomadas? Como normas sociais são criadas e mantidas? Como indivíduos interagem? Um de seus estudos do momento quer entender a dinâmica das polarizações políticas. “Pessoas fazem parte de grupos diferentes, que às vezes se sobrepõem. Desenvolvemos modelos em que os indivíduos mudam suas opiniões ou migram de grupo baseados em interações com outras pessoas.”
Modelos desse tipo também são aplicados em contextos internacionais. Analisam, por exemplo, não apenas as relações entre nações, mas também as influências de organizações como ONU e OMS nas decisões e mudanças de posicionamento dos países.
Disponível em https://cienciafundamental.blogfolha.uol.com.br/ 2021/02/27/a-natureza-nos-ensina-a-agir-coletivamente/ (Adaptado)
No trecho "Mas ele não é exclusivo do mundo biológico. O ecólogo Simon Levin o extrapola para as ciências sociais buscando entender condutas..." (1º parágrafo), os pronomes ELE e O, em destaque, retomam o seguinte termo do parágrafo:
Texto l
A prata é pior do que o bronze?
Daqui a uma semana os Jogos Olímpicos de Inverno começam em Pequim. Cerca de 3.000 atletas disputarão a competição mais importante de suas vidas. Poucos serão campeões, a maioria não subirá no pódio, e isso faz parte do esporte.
Não sei se você já reparou que, na entrega de medalhas, o terceiro lugar geralmente está sorrindo, enquanto a expressão do segundo colocado às vezes é de decepção. Por que a prata é vista por muitos competidores como sendo pior do que o bronze? Há anos, especialistas tentam explicar essa questão.
A resposta pode estar na cara, literalmente. Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada em 1995 no Journal of Personality and Social Psychology.
O professor de psicologia Thomas Gilovich e seus colegas gravaram a reação de medalhistas de prata e de bronze durante os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 — quando os atletas descobriram suas colocações e na cerimônia de premiação. Depois, mostraram o vídeo a estudantes sem revelar as posições finais. A análise foi a de que, em geral, quem levou o bronze estava mais satisfeito.
Os pesquisadores também entrevistaram mais de cem medalhistas em uma competição amadora nos Estados Unidos e pediram que eles qualificassem a própria performance. Os que ficaram em terceiro pareciam mais felizes e aliviados por estarem no pódio, enquanto os vice-campeões se sentiam derrotados porque se compararam aos primeiros colocados. A sensação era a de que não ganharam a prata, mas, sim, perderam o ouro.
Outra pesquisa de 2006 na mesma publicação analisou a expressão facial de medalhistas de ouro, prata e bronze e dos que terminaram em quinto lugar na competição olímpica de judô em Atenas - 2004. Os terceiros colocados tinham um sorriso mais espontâneo, o que significa usar músculos da face que deixam os olhos apertados e geram os "pés-de-galinha". A reação dos medalhistas de prata, segundo aos autores, mostrou que eles estavam apenas sendo educados, não felizes. O famoso sorriso amarelo.
Um estudo feito pela London School of Economics após os Jogos Paraolímpicos de Londres de 2012 revelou resultados parecidos. Respostas emocionais influenciadas pelo que poderia ter acontecido, não pelo que de fato ocorreu. A margem da performance também era relevante: psicologicamente, ganhar a prata por pouco, em vez do bronze, seria menos decepcionante.
É possível ter empatia em situações cotidianas. Há quem fique feliz com o aumento de salário, mas talvez se desanime ao saber que o colega de escritório ganhou um ainda maior. Quem quer perder cinco quilos e emagrece seis comemora, mas, se a ideia era perder dez quilos e são cinco a menos na balança, a sensação pode ser de derrota.
Muitas vezes, O ser humano se diminui quando se compara, ou quando pensa no que poderia ter feito. Todos, em uma escala maior ou menor, já passaram por isso.
Em competições que envolvem disputa de terceiro lugar, o medalhista de bronze vem de uma vitória, enquanto o de prata, de uma derrota. No esporte, há várias formas de lidar com um segundo lugar. Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação. Mais uma lição que os Jogos Olímpicos nos ensinam sobre as emoções humanas.
Marina lIzidro
(Folha de São Paulo, 29 de janeiro de 2022)
“Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação” (10º parágrafo)
No trecho, a coesão se estabelece por meio do emprego, entre outros recursos, de:
Texto l
A prata é pior do que o bronze?
Daqui a uma semana os Jogos Olímpicos de Inverno começam em Pequim. Cerca de 3.000 atletas disputarão a competição mais importante de suas vidas. Poucos serão campeões, a maioria não subirá no pódio, e isso faz parte do esporte.
Não sei se você já reparou que, na entrega de medalhas, o terceiro lugar geralmente está sorrindo, enquanto a expressão do segundo colocado às vezes é de decepção. Por que a prata é vista por muitos competidores como sendo pior do que o bronze? Há anos, especialistas tentam explicar essa questão.
A resposta pode estar na cara, literalmente. Uma das pesquisas mais relevantes foi publicada em 1995 no Journal of Personality and Social Psychology.
O professor de psicologia Thomas Gilovich e seus colegas gravaram a reação de medalhistas de prata e de bronze durante os Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 — quando os atletas descobriram suas colocações e na cerimônia de premiação. Depois, mostraram o vídeo a estudantes sem revelar as posições finais. A análise foi a de que, em geral, quem levou o bronze estava mais satisfeito.
Os pesquisadores também entrevistaram mais de cem medalhistas em uma competição amadora nos Estados Unidos e pediram que eles qualificassem a própria performance. Os que ficaram em terceiro pareciam mais felizes e aliviados por estarem no pódio, enquanto os vice-campeões se sentiam derrotados porque se compararam aos primeiros colocados. A sensação era a de que não ganharam a prata, mas, sim, perderam o ouro.
Outra pesquisa de 2006 na mesma publicação analisou a expressão facial de medalhistas de ouro, prata e bronze e dos que terminaram em quinto lugar na competição olímpica de judô em Atenas - 2004. Os terceiros colocados tinham um sorriso mais espontâneo, o que significa usar músculos da face que deixam os olhos apertados e geram os "pés-de-galinha". A reação dos medalhistas de prata, segundo aos autores, mostrou que eles estavam apenas sendo educados, não felizes. O famoso sorriso amarelo.
Um estudo feito pela London School of Economics após os Jogos Paraolímpicos de Londres de 2012 revelou resultados parecidos. Respostas emocionais influenciadas pelo que poderia ter acontecido, não pelo que de fato ocorreu. A margem da performance também era relevante: psicologicamente, ganhar a prata por pouco, em vez do bronze, seria menos decepcionante.
É possível ter empatia em situações cotidianas. Há quem fique feliz com o aumento de salário, mas talvez se desanime ao saber que o colega de escritório ganhou um ainda maior. Quem quer perder cinco quilos e emagrece seis comemora, mas, se a ideia era perder dez quilos e são cinco a menos na balança, a sensação pode ser de derrota.
Muitas vezes, O ser humano se diminui quando se compara, ou quando pensa no que poderia ter feito. Todos, em uma escala maior ou menor, já passaram por isso.
Em competições que envolvem disputa de terceiro lugar, o medalhista de bronze vem de uma vitória, enquanto o de prata, de uma derrota. No esporte, há várias formas de lidar com um segundo lugar. Alguns atletas transformam a decepção em combustível para treinar mais duro e tentar vencer na próxima. Outros reconhecem e apreciam o tamanho do feito que conquistaram após anos de dedicação. Mais uma lição que os Jogos Olímpicos nos ensinam sobre as emoções humanas.
Marina lIzidro
(Folha de São Paulo, 29 de janeiro de 2022)
Considerando a progressão do texto, a informação apresentada no quarto parágrafo assume, em relação ao terceiro, a função de:
Texto para as questões de 1 a 4.
1-----------Vivo só, com um criado. A casa em que moro é
----própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo
----tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há
4---bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a
----casa em que me criei na antiga rua de Matacavalos,
----dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que
7---desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as
----indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três
----janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e
10--salas. Na principal destas, a pintura do teto e das paredes é
----mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e
----grandes pássaros que as tomam nos bicos, de espaço a
13--espaço. Nos quatro cantos do teto, as figuras das estações,
----e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto,
----Nero e Massinissa, com os nomes por baixo... Não alcanço a
16--razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de
----Matacavalos, já ela estava assim decorada; vinha do
----decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter
19--sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas.
----O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha,
----flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro.
20--Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como
----outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é
----pacata, com a exterior, que é ruidosa.
---------------------------------------Machado de Assis. Dom Casmurro.
---------------------------------------Internet: <machado.mec.gov.br>.
Cada uma das alternativas a seguir apresenta uma proposta de reescrita do último período do texto. Assinale a alternativa cuja proposta mantém a correção gramatical e o sentido original do período.
Texto para as questões de 1 a 4.
1-----------Vivo só, com um criado. A casa em que moro é
----própria; fi-la construir de propósito, levado de um desejo
----tão particular que me vexa imprimi-lo, mas vá lá. Um dia, há
4---bastantes anos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a
----casa em que me criei na antiga rua de Matacavalos,
----dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquela outra, que
7---desapareceu. Construtor e pintor entenderam bem as
----indicações que lhes fiz: é o mesmo prédio assobradado, três
----janelas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e
10--salas. Na principal destas, a pintura do teto e das paredes é
----mais ou menos igual, umas grinaldas de flores miúdas e
----grandes pássaros que as tomam nos bicos, de espaço a
13--espaço. Nos quatro cantos do teto, as figuras das estações,
----e ao centro das paredes os medalhões de César, Augusto,
----Nero e Massinissa, com os nomes por baixo... Não alcanço a
16--razão de tais personagens. Quando fomos para a casa de
----Matacavalos, já ela estava assim decorada; vinha do
----decênio anterior. Naturalmente era gosto do tempo meter
19--sabor clássico e figuras antigas em pinturas americanas.
----O mais é também análogo e parecido. Tenho chacarinha,
----flores, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro.
20--Uso louça velha e mobília velha. Enfim, agora, como
----outrora, há aqui o mesmo contraste da vida interior, que é
----pacata, com a exterior, que é ruidosa.
---------------------------------------Machado de Assis. Dom Casmurro.
---------------------------------------Internet: <machado.mec.gov.br>.
A palavra “que” (linha 8) retoma o termo
Para responder às questões de 2 a 5, leia o texto abaixo:
Uma das maravilhas do capitalismo industrial e da sociedade de consumo, o Fusca nunca vai acabar. Mesmo fora das linhas de montagem da Volkswagen, seu design continua pulsante e inspirando cópias. A montadora chinesa Great Wall Motors, que, há três meses, anunciou a compra de uma das fábricas da Mercedes-Benz no Brasil, desenvolveu um clone do carro, agora com motor elétrico, que se chama Ballet Cat e começa a ser vendido no mercado asiático. O modelo, apresentado no último Salão de Xangai, foi criticado pela Volkswagen devido à semelhança com seu produto mais emblemático e a empresa estuda tomar medidas judiciais para garantir os direitos sobre suas patentes. Seja como for, no Brasil, a Great Wall já registrou o carro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e deve iniciar sua comercialização em 2023. Será uma espécie de volta triunfal do Fusca, cuja última versão clássica parou de ser produzida no México há 18 anos.
Vicente Vilardaga. Revista IstoÉ. “A reinvenção do Fusca”. 26 de novembro de 2021. Edição nº 2706.
Os elementos de coesão são aqueles que ligam as frases ou palavras dentro de um texto. Dentre esses elementos, podemos citar os pronomes relativos, que substituem um termo da oração anterior. Nesse contexto, analise as seguintes frases do texto:
I. Uma das maravilhas do capitalismo industrial e da sociedade de consumo, o Fusca nunca vai acabar.
II. O modelo, apresentado no último Salão de Xangai, foi criticado pela Volkswagen.
III. Será uma espécie de volta triunfal do Fusca, cuja última versão clássica parou de ser produzida no México há 18 anos.
Pode-se afirmar que há o emprego de pronome relativo como elemento coesivo:
Texto 7 para responder às questões de 65 a 69.
---------------------A compreensão leitora
1-------------Em um primeiro nível de leitura, o leitor lida com
------elementos cuja estrutura e organização lhe permitem chegar
------à captação de significado. Nesse momento, o leitor
4-----identifica grafemas e estabelece a sua ligação com os
------fonemas correspondentes. Assim, nesse primeiro nível, os
------processos mais significantes são os gráficos e os
7-----fonológicos, embora estejam presentes também outros
------relativos ao conhecimento conceitual do leitor e aos
------esquemas organizativos do saber, em virtude das suas
10----experiências e de seu contexto vivencial. Essas
------competências são necessárias à compreensão, mas não são
------suficientes para assegurá-la. Há também os processos
13----sintático-semânticos, que se situam ao nível das proposições
------que integram o texto e das relações interconceituais
------estabelecidas.
16------------Devem ser citados, ainda, como essenciais para a
------compreensão os processos elaborativos. As seguintes tarefas
------são apontadas: formular hipóteses ou predições a respeito do
19----conteúdo do texto; deduzir e realizar inferências; separar a
------informação essencial da que é acessória; analisar a forma
------como as ideias do texto estão organizadas, analisar a própria
22----estrutura textual. Observa-se, portanto, quão complexa é a
------compreensão de textos, que requer diversas habilidades:
------decodificação, reconhecimento do vocabulário, utilização de
25----conhecimentos prévios e capacidade de usar o texto para
26----gerar novas aprendizagens.
MACHADO, Veruska Ribeiro. Compreensão leitora no PISA e práticas
---escolares de leitura. Brasília: Liber Livro; Faculdade de Educação/
-------------------Universidade de Brasília, 2012, com adaptações.
No que se refere à coesão textual e à competência leitora, assinale a alternativa correta.