Questões de Concurso Sobre coesão e coerência em português

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Q4068696 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
A análise da construção composicional, do conteúdo temático e do estilo de linguagem desse texto permite identificá-lo como: 
Alternativas
Q4068695 Português
Recuperação da educação brasileira, possíveis caminhos

Durante o último ano tenho conversado com formuladores de políticas, diretores escolares, professores e estudantes sobre as suas experiências durante a pandemia de Covid-19. Do Chile à Coreia do Sul, surgem questões comuns: são muitas as situações de aceleração da digitalização; por outro lado, as perdas de aprendizagem e as desigualdades aumentaram. 

O Brasil não é exceção, mas existem particularidades que merecem atenção. Nas últimas décadas, a educação tem sido parte vital do progresso do País. Porém mesmo antes da pandemia o crescimento econômico e o progresso social tinham estagnado, até mesmo retrocedido. A pandemia levou a mais de um ano de fechamento de escolas. Está diminuindo a capacidade das famílias, especialmente as mais desfavorecidas, de apoiar a educação dos seus filhos, e desafiando a capacidade do governo de financiar a educação. O risco não é apenas o fim do progresso, mas também de conquistas feitas serem perdidas.

Este é um momento crítico para a educação no Brasil. É um momento que exige que os brasileiros olhem para o futuro, para a educação e o futuro que desejam para suas crianças; para dentro, aprendendo com experiências passadas e presentes e, para fora, procurando inspiração de pares internacionais.

Olhar para o futuro requer uma visão estratégica de longo prazo para o Brasil. Significa enfrentar os desafios profundamente enraizados da qualidade e equidade. No Pisa 2018, metade dos brasileiros de 15 anos não atingiram a proficiência básica em leitura. As desvantagens socioeconômicas e o status da escola ainda têm impacto maior no sucesso escolar dos estudantes do que na maioria dos países da OCDE.

Olhar para dentro também oferece caminhos para o futuro. A aprovação do novo Fundeb é uma vitória para o Brasil e prova de compromisso contínuo com a educação e a equidade. No entanto, as escolas desfavorecidas ou rurais ainda são mais propensas a enfrentar a escassez de recursos do que outras no Brasil mesmo e do que seus pares da OCDE.

Melhorar a distribuição de recursos para chegar aos que mais necessitam e onde os maiores ganhos podem ser obtidos exigirá que os Estados e municípios repensem os seus mecanismos de alocação. O Ceará fornece um exemplo poderoso, alinhando indicadores de desempenho e transferências intergovernamentais com medidas para elevar a alfabetização. O sistema descentralizado brasileiro oferece tais oportunidades de inovação local; é importante identificar boas práticas, replicando-as em todo o sistema.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é crucial na promoção da equidade e qualidade, definindo as competências que todos os estudantes devem adquirir. O fechamento de escolas complicou sua implantação, mas a Covid-19 é também uma oportunidade para reacender o ímpeto da reforma: a BNCC será fundamental para a recuperação da aprendizagem. Da mesma forma, o novo ensino médio, prometendo maior flexibilidade curricular e relevância no mercado de trabalho, poderá reengajar os alunos após meses fora da escola. Mas para que essas oportunidades sejam concretizadas será necessária uma liderança eficaz, forte cooperação e monitoramento constante.

Olhar para fora pode servir de inspiração. Sistemas escolares bem-sucedidos mostram que a qualidade deles depende da qualidade de seus professores. O Brasil tem trabalho a fazer nessa área, selecionando e formando cuidadosamente os docentes e estruturando sua remuneração e sua trajetória profissional para refletir os padrões profissionais esperados. As novas Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores são um passo positivo, mas esforços complementares ainda serão necessários.

Durante a última década, muitos países da OCDE deram prioridade à educação da primeira infância, vista como uma forma de igualar as condições de educação e da vida. No Brasil, apesar da elevada participação entre as crianças mais velhas, em 2018 apenas cerca de dois terços das crianças de 3 anos estavam matriculadas nesse nível, com uma lacuna preocupante entre os mais ricos e os mais pobres. A qualidade também precisa de atenção: o impacto da participação nesse nível nos futuros resultados de aprendizagem não é tão positivo no Brasil como é na média da OCDE.

Há muito a fazer. Três novos relatórios da OCDE – Educação no Brasil: uma Perspectiva Internacional; Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas nacionais e subnacionais; e Education Policy Outlook: Brasil, com foco em políticas internacionais –, publicados com apoio do Todos Pela Educação e do Itaú Social, podem oferecer perspectivas para apoiar o Brasil nesse esforço.

Em 2021, a resposta e a recuperação da covid-19 continuarão a dominar a agenda. Mas para que a educação possa apoiar o desenvolvimento do País o progresso alcançado não só tem de ser sustentado, como também acelerado. O Brasil precisa equilibrar o urgente e o importante, considerando prioridades imediatas e reformas estruturais como parte de uma estratégia de recuperação coerente.

(SCHLEICHER, Andreas. Recuperação da educação brasileira: possíveis caminhos. O Estado de S. Paulo, São Paulo, ano 142, n. 46642, 30 jun. 2021. Espaço Aberto, p. A2.) 
Considere as afirmações a seguir sobre os três primeiros parágrafos do texto.
I. O primeiro parágrafo corresponde à contextualização ampla da temática principal; por isso, deve ser compreendido como o contexto geral no qual o tema está inserido.
II. O segundo parágrafo também contextualiza a temática principal; porém, traz informações mais direcionadas, logo, deve ser compreendido como o contexto específico do tema.
III. O terceiro parágrafo sintetiza o contexto geral e o contexto específico nos quais a temática principal está circunscrita; assim, deve ser compreendido como recurso coesivo responsável pela continuidade do texto.
Está correto o que se afirma em
Alternativas
Q4059728 Português
Marque a alternativa que completa o texto com coerência:
_____ vacinação contra a covid-19 vem avançando rapidamente no _________ país. Em outros países, como ______ Estados Unidos ou nações europeias, muitas pessoas não querem tomar _____ vacina. _______ tem provocado novos surtos de covid e preocupa ______ autoridades de saúde do mundo todo. 
Alternativas
Q4059726 Português
Texto 3

O Imperador D. Pedro II sempre se empenhou em mudar a imagem externa do Brasil e em transmitir seu “verdadeiro” aspecto civilizado. Ele visitou pessoalmente a Exposição Universal da Filadélfia (1876). Lá teria conhecido Alexander Graham Bell, que lhe apresentou sua mais nova invenção, o telefone. Ao testá-lo, o Imperador teria dito ao inventor americano que, estando disponível no mercado, o Brasil seria o seu primeiro comprador (Folha de S. Paulo, Mais, 19/11/2000, reproduzido em Análise de textos, de Irandé Antunes). 
Marque a alternativa incorreta em relação aos termos destacados no texto 3
Alternativas
Q4056561 Português
Assinale a alternativa que não apresenta incoerência em sua construção:
Alternativas
Q4056560 Português
O texto 2 é uma carta de um leitor enviada ao jornal Correio Riograndense em 2008, a respeito da Lei Seca, que gerou redução do número de vítimas no trânsito. Leia o texto e responda às questões que se seguem:


TEXTO 2

    “Sou favorável à moralização do trânsito neste país, até porque somos campeões mundiais em acidentes, porém é fundamental entender que os problemas no trânsito brasileiro são de origem estrutural. Não temos mais o trem. Estive na Suíça em 2007. Lá o trem percorre todos os recantos de um país de apenas sete milhões de habitantes em um território menor que o do RS. Na Itália não é diferente, quase não se vê carretas nas rodovias. Aqui no Brasil, a maioria dos acidentes envolve um grande caminhão. As estradas são do tempo do presidente Vargas, como é o caso da BR 116. Parece que a campanha tem outras finalidades. E os impostos, os pedágios, para onde vai tanto dinheiro? Só não vendem a ideia de que é para o trânsito! Induzir a sociedade e os meios de comunicação que o álcool é o vilão é um grande exagero; a realidade é bem outra. Da mesma forma que se combate o álcool no volante, é preciso perceber a origem dos problemas no trânsito brasileiro”. G.T.

(Veranópolis, RS).
Assinale a alternativa incorreta em relação ao conectivo destacado e a relação lógica estabelecida nos seguintes trechos do texto 2:
Alternativas
Q4056027 Português
Leia o texto abaixo e responda à questão.

A comunicação que bloqueia a compaixão


Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério que julgardes, sereis julgados. Mateus 7,1


    [...]
    Um tipo de comunicação alienante da vida é o uso de julgamentos moralizadores que subentendem uma natureza errada ou maligna nas pessoas que não agem em consonância com nossos valores. Tais julgamentos aparecem em frases como: “O teu problema é ser egoísta demais”, “Ela é preguiçosa”, “Eles são preconceituosos”, “Isso é impróprio”. Culpa, insulto, depreciação, rotulação, crítica, comparação e diagnósticos são todos formas de julgamento.

    Certa vez, o poeta sufi Rumi escreveu: “Para além das ideias de certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá”. No entanto, a comunicação alienante da vida nos prende num mundo de ideias sobre o certo e o errado – um mundo de julgamento, uma linguagem rica em palavras que classificam e dicotomizam as pessoas e seus atos. Quando empregamos essa linguagem, julgamos os outros e seu comportamento enquanto nos preocupamos com o que é bom, mau, normal, anormal, responsável, irresponsável, inteligente, ignorante etc.

    Muito antes de ter chegado à idade adulta, aprendi a me comunicar de uma maneira impessoal que não exigia que eu revelasse o que se passava dentro de mim. Quando encontrava pessoas ou comportamentos de que não gostava ou que não compreendia, reagia considerando que fossem errados. Se meus professores me determinavam uma tarefa que eu não queria fazer, eles eram “medíocres” ou estavam “exorbitando”. Se alguém me dava uma fechada no trânsito, minha reação era gritar: “Palhaço!” Quando usamos tal linguagem, pensamos e nos comunicamos em termos do que há de errado com os outros para se comportarem dessa ou daquela maneira – ou, ocasionalmente, o que há de errado com nós mesmos para não compreendermos ou reagirmos do modo que gostaríamos. Nossa atenção se concentra em classificar, analisar e determinar níveis de erro em vez de fazê-lo no que nós e os outros necessitamos e não estamos obtendo. Assim, se minha mulher deseja mais atenção do que estou lhe dando, ela é “carente e dependente”. Mas se quero mais atenção do que me dá, então ela é “indiferente e insensível”. […]

    Estou convicto de que todas essas análises de outros seres humanos são expressões trágicas de nossos próprios valores e necessidades. São trágicas porque, quando expressamos nossos valores e necessidades de tal forma, reforçamos a postura defensiva e a resistência a eles nas próprias pessoas cujos comportamentos nos interessam. Ou, se essas pessoas concordam em agir de acordo com nossos valores porque aceitam nossa análise de que estão erradas, é provável que o façam por medo, culpa ou vergonha.

    Todos pagamos caro quando as pessoas reagem a nossos valores e necessidades não pelo desejo de se entregar de coração, mas por medo, culpa ou vergonha. Cedo ou tarde, sofreremos as consequências da diminuição da boa vontade daqueles que se submetem a nossos valores por coerção que vem de fora ou de dentro. Eles também pagam um preço emocional, pois provavelmente sentirão ressentimento e menos autoestima quando reagirem a nós por medo, culpa ou vergonha. Além disso, toda vez que nos associam a qualquer desses sentimentos, reduzimos a probabilidade de que no futuro venham a reagir compassivamente a nossas necessidades e valores. (ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006).
Ainda sobre o texto, marque a alternativa correta:
Alternativas
Q4055996 Português
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo. Os destaques ao longo do texto estão citados na questão.

‘Discurso de Ódio nas Redes Sociais’ analisa a intolerância no mundo digital

Por Murillo Otavio


(Disponível em: https://expresso.estadao.com.br/naperifa/discurso-de-odio-nas-redes-sociais-analisa-aintolerancia-no-mundo-digital/ – texto adaptado especialmente para esta prova).
Assinale a alternativa que apresenta palavra que poderia substituir, sem prejudicar o sentido do texto, a palavra “Embora” (l. 23).
Alternativas
Q4053851 Português
Guerra na Ucrânia trouxe ameaça de agravamento da fome no planeta


A guerra na Ucrânia criou no mercado de alimentos uma tempestade perfeita que tem contribuído para agravar a fome nas regiões mais pobres do planeta. É mais uma tragédia que deverá ir para a conta de Vladimir Putin, além de toda a destruição, das agressões aos direitos humanos e das mortes associadas à invasão.

A Rússia vende ao exterior fertilizantes e, com a Ucrânia, exporta trigo. Apesar de representarem parcela grande das exportações globais (25%), não deverá haver escassez. Não só porque outros produtores prometem safras maiores, mas também devido à pequena parcela da produção mundial que deixará de ser vendida no exterior (0,9%). Mesmo assim, o impacto da guerra nos mercados de commodities foi imediato, acelerando a elevação de cotações que já vinha ocorrendo nos últimos meses do ano passado. Comparados com os níveis do final de dezembro de 2020, o trigo estava há uma semana 63% mais caro, o milho 64% e a soja 38%.

O aumento de cotações é injetado automaticamente numa infinidade de alimentos (pães e todo produto feito à base de farinha de trigo). Milho, soja e derivados também costumam acompanhar a alta. Os aumentos de custo chegam às rações animais, feitas à base de grãos. A carestia, então, ataca a mesa do cidadão. Não há como escapar da inflação dos alimentos e, se a renda da família for baixa, ela reduz o consumo e se aproxima do limiar da fome. Para quem já passou desse ponto, a fome se agravará. Eis o encadeamento deflagrado a partir do momento em que o primeiro tanque russo entrou na Ucrânia.

No final do ano passado, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) foi a campo, visitou 2.180 domicílios em todo o Brasil e constatou que pelo menos 19 milhões (9% da população) enfrentavam insegurança alimentar - não tinham certeza de que repetiriam a refeição -, e 43,4 milhões (20,5%) não se alimentavam bem por não ter alimentos em quantidade suficiente. Ao todo, 116,8 milhões de brasileiros (55%) não tinham acesso pleno e permanente a alimentos. Putin piorou a situação de todos eles, como a das famílias de baixa renda em qualquer país.

Há, também, incertezas sobre as próximas safras. A guerra continua, a Ucrânia está fora do mercado de trigo, a Rússia enfrenta sanções e suspendeu exportações de fertilizantes importados pelo Brasil. O Ministério da Agricultura despachou emissários ao Canadá para ter alternativa ao trigo e aos fertilizantes. Irã e Marrocos também podem suprir o país de adubos químicos.

A guerra serve para que as nações despertem para sua interdependência. Os exemplos não se esgotam nela. A redução de produção de soja no Brasil pode tornar mais cara a carne de porco na China e esvaziar o prato de comida de famílias pobres na Ásia. Daí a necessidade de o país manter uma rede global de relacionamentos capaz de resistir a choques.


Fonte: O GLOBO. Guerra na Ucrânia trouxe ameaça de agravamento da fome no planeta. Editorail. abr. 2022. Disponível em < https://tinyurl.com/2p8dh48x > Acesso em 11 abr 2022.
O pronome demonstrativo esse , na sentença "Para quem já passou desse ponto, a fome se agravará", retoma a seguinte informação: 
Alternativas
Q4053848 Português
Guerra na Ucrânia trouxe ameaça de agravamento da fome no planeta


A guerra na Ucrânia criou no mercado de alimentos uma tempestade perfeita que tem contribuído para agravar a fome nas regiões mais pobres do planeta. É mais uma tragédia que deverá ir para a conta de Vladimir Putin, além de toda a destruição, das agressões aos direitos humanos e das mortes associadas à invasão.

A Rússia vende ao exterior fertilizantes e, com a Ucrânia, exporta trigo. Apesar de representarem parcela grande das exportações globais (25%), não deverá haver escassez. Não só porque outros produtores prometem safras maiores, mas também devido à pequena parcela da produção mundial que deixará de ser vendida no exterior (0,9%). Mesmo assim, o impacto da guerra nos mercados de commodities foi imediato, acelerando a elevação de cotações que já vinha ocorrendo nos últimos meses do ano passado. Comparados com os níveis do final de dezembro de 2020, o trigo estava há uma semana 63% mais caro, o milho 64% e a soja 38%.

O aumento de cotações é injetado automaticamente numa infinidade de alimentos (pães e todo produto feito à base de farinha de trigo). Milho, soja e derivados também costumam acompanhar a alta. Os aumentos de custo chegam às rações animais, feitas à base de grãos. A carestia, então, ataca a mesa do cidadão. Não há como escapar da inflação dos alimentos e, se a renda da família for baixa, ela reduz o consumo e se aproxima do limiar da fome. Para quem já passou desse ponto, a fome se agravará. Eis o encadeamento deflagrado a partir do momento em que o primeiro tanque russo entrou na Ucrânia.

No final do ano passado, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Penssan) foi a campo, visitou 2.180 domicílios em todo o Brasil e constatou que pelo menos 19 milhões (9% da população) enfrentavam insegurança alimentar - não tinham certeza de que repetiriam a refeição -, e 43,4 milhões (20,5%) não se alimentavam bem por não ter alimentos em quantidade suficiente. Ao todo, 116,8 milhões de brasileiros (55%) não tinham acesso pleno e permanente a alimentos. Putin piorou a situação de todos eles, como a das famílias de baixa renda em qualquer país.

Há, também, incertezas sobre as próximas safras. A guerra continua, a Ucrânia está fora do mercado de trigo, a Rússia enfrenta sanções e suspendeu exportações de fertilizantes importados pelo Brasil. O Ministério da Agricultura despachou emissários ao Canadá para ter alternativa ao trigo e aos fertilizantes. Irã e Marrocos também podem suprir o país de adubos químicos.

A guerra serve para que as nações despertem para sua interdependência. Os exemplos não se esgotam nela. A redução de produção de soja no Brasil pode tornar mais cara a carne de porco na China e esvaziar o prato de comida de famílias pobres na Ásia. Daí a necessidade de o país manter uma rede global de relacionamentos capaz de resistir a choques.


Fonte: O GLOBO. Guerra na Ucrânia trouxe ameaça de agravamento da fome no planeta. Editorail. abr. 2022. Disponível em < https://tinyurl.com/2p8dh48x > Acesso em 11 abr 2022.
No trecho, "Putin piorou a situação de todos eles, como a das famílias de baixa renda em qualquer país.", o pronome demonstrativo " a" retoma a seguinte palavra:
Alternativas
Q4051780 Português
Leia o título e o subtítulo de uma matéria jornalística apresentados a seguir.
Arsenais nucleares aumentam à medida que crescem preocupações com China e Coreia do Norte
Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo divulga relatório sobre expansão de capacidades nucleares dos países
(CHEN, Heather. Arsenais nucleares aumentam à medida que crescem preocupações com China e Coreia do Norte. CNN Brasil, 13 de junho de 2022.)
No título desta matéria, as duas orações utilizadas encontram-se semanticamente relacionadas pela ideia de  
Alternativas
Q4051098 Português

Leia o texto abaixo.


Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil


Em “Vidas secas”, obra literária de Graciliano Ramos, Fabiano e sua família vivem uma situação degradante marcada pela miséria. Na trama, os filhos do protagonista não recebem nomes, sendo chamados apenas como o “mais velho” e o “mais novo”, recurso usado pelo autor para evidenciar a desumanização do indivíduo. Ao sair da ficção, sem desconsiderar o contexto histórico da obra, nota-se que a problemática apresentada ainda percorre a atualidade: a não garantia de cidadania pela invisibilidade da falta de registro civil. A partir desse contexto, não se pode hesitar: é imprescindível compreender os impactos gerados pela falta de identificação oficial da população.


Com efeito, é nítido que o deficitário registro civil repercute, sem dúvida, na persistente falta de pertencimento como cidadão brasileiro. Isso acontece, porque, como já estudado pelo historiador José Murilo de Carvalho, para que haja uma cidadania completa no Brasil é necessária a coexistência dos direitos sociais, políticos e civis. Sob essa ótica, percebe-se que, quando o pilar civil não é garantido – em outras palavras, a não efetivação do direito devido à falta do registro em cartório –, não é possível fazer com que a cidadania seja alcançada na sociedade. Dessa forma, da mesma maneira que o “mais novo” e o “mais velho” de Graciliano Ramos, quase 3 milhões de brasileiros continuam por ser invisibilizados: sem nome oficial, sem reconhecimento pelo Estado e, por fim, sem a dignidade de um cidadão.


(...)


Portanto, ao entender que a falta de cidadania gerada pela invisibilidade do não registro está diretamente ligada à exclusão social, é preciso de um combate efetivo a esse grave problema. Assim, cabe ao Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, ampliar o acesso aos cartórios de registro civil. Tal ação deverá ocorrer por meio da implantação de um Projeto Nacional de Incentivo à Identidade Civil, o qual irá articular, junto aos gestores dos municípios brasileiros, campanhas, divulgadas pela mídia socialmente engajada, que expliquem sobre a importância do registro oficial para garantia da cidadania, além de instruções para realizar o processo, a fim de mitigar as desigualdades geradas pela falta dessa documentação. Afinal, assim como os meninos em “Vidas secas”, toda a população merece ter a garantia e o reconhecimento do seu nome e identidade.


Autora: Fernanda Quaresma, 20, Iguaracy (PE).
Adaptado

Fonte: https://guiadoestudante.abril.com.br

Tendo em vista o sentido global do texto, o seu PRINCIPAL objetivo comunicativo é:
Alternativas
Q3998271 Português
“Proponho que se veja a LT [Linguística Textual], mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes linguísticos, a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições ao nível pragmático da produção de sentido no plano das ações e intenções”. (Fonte: MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto: o que é e como se faz. São Paulo: Parábola Editorial, 2012, p. 33). 
Para Marcuschi (2012), os fatores de conexão conceitual-cognitiva dos textos podem ser de relações lógicas e de modelos cognitivos globais. Para o autor, as relações lógicas são construídas por meio de: 
Alternativas
Q3998270 Português
“Proponho que se veja a LT [Linguística Textual], mesmo que provisória e genericamente, como o estudo das operações linguísticas e cognitivas reguladoras e controladoras da produção, construção, funcionamento e recepção de textos escritos ou orais. Seu tema abrange a coesão superficial ao nível dos constituintes linguísticos, a coerência conceitual ao nível semântico e cognitivo e o sistema de pressuposições ao nível pragmático da produção de sentido no plano das ações e intenções”. (Fonte: MARCUSCHI, L. A. Linguística de texto: o que é e como se faz. São Paulo: Parábola Editorial, 2012, p. 33).
Assinale a alternativa que apresenta o estabelecimento da coesão textual por meio de próformas nominais: 
Alternativas
Ano: 2022 Banca: IF-SP Órgão: IF-SP Prova: IF-SP - 2022 - IF-SP - Assistente de Alunos |
Q3972340 Português
De acordo com Koch (2002), os mecanismos de coesão textual são responsáveis pela tessitura do texto, ou seja, por estabelecerem relações entre os elementos na superfície da redação, garantindo assim sua fluidez e progressão textual. Com base nisso, assinale a alternativa que apresenta um exemplo de coesão referencial estabelecida por meio de elipse: 
Alternativas
Q3727476 Português
TEXTO 1



Escravidão é sinônimo de violência



Só se pode entender a montagem de uma instituição do porte do escravismo moderno atentando-se para a articulação entre a criação de colônias no ultramar e seu funcionamento sob a forma de grandes unidades produtoras voltadas para o mercado externo. A monocultura em larga escala exigia um grande contingente de trabalhadores que deveriam se submeter a uma rotina espinhosa, sem ter nem lucro nem motivação pessoal. Recriou-se, desse modo, a escravidão em novas bases, com a utilização de mão de obra compulsória e que exigia – ao menos teoricamente − trabalhadores de todo alienados de sua origem, liberdade e produção. Tudo deveria escapar à consciência e ao arbítrio desse produtor direto.

Da parte dos contratantes, a ideologia que se conformava procurava desenhar o trabalho nos trópicos como um fardo, um sofrimento, uma punição e uma pena para ambos os lados: senhores e escravos. O discurso proferido pela Igreja e pelos proprietários entendia tal trabalho árduo como uma atividade disciplinadora e civilizadora. Havia inclusive manuais − verdadeiros modelos de aplicação de sevícias pedagógicas, punitivas e exemplares − que instruíam, didaticamente, os fazendeiros sobre como submeter os escravizados e transformá-los em trabalhadores obedientes. Um exemplo regular era o famoso quebra-negro, castigo muito utilizado no Brasil para educar escravos novos ou recém-adquiridos e que, por meio da chibatada pública e outras sevícias, ensinava os cativos a sempre olhar para o chão na presença de qualquer autoridade.


[...]


Um sistema como o escravismo moderno só se enraíza com o exercício da violência. Da parte dos proprietários, a sanha contínua que visava à sujeição e obediência cegas para o trabalho. Da parte dos escravos, a reação se dava a partir de gradações que iam das pequenas insubordinações diárias e persistentes até as grandes revoltas e os quilombos.

De todo modo, a escravidão se enraizou de tal forma no Brasil, que costumes e palavras ficaram por ela marcados. Se a casagrande delimitava a fronteira entre a área social e a de serviços, a mesma arquitetura simbólica permaneceria presente nas casas e edifícios, onde, até os dias que correm, elevador de serviço não é só para carga, mas também e, sobretudo, para os empregados que guardam a marca do passado africano na cor. Termos de época mantêm-se operantes, apesar de o significado original ter se perdido. A expressão “ama-seca” era até pouco tempo usada no país, esquecendo-se, entretanto, de que naquele período essas amas se opunham às amas de leite, mulheres que muitas vezes deixavam de amamentar seus filhos para cuidar dos rebentos dos senhores. “Boçal” é ainda hoje uma pessoa com reduzida discriminação de locais e espaços – um tonto; assim como “ladino” continua a ser sinônimo de “esperto”. Em seu sentido primeiro, “boçais” eram os escravos recém-chegados e que, diferentemente dos “ladinos” – os cativos de segunda geração –, não dominavam a língua ou a região, tendo, por isso, poucas possibilidades de fuga.

Alguns termos desapareceram, como é o caso da expressão “bens semoventes”, outrora empregada para descrever de maneira indiscriminada, nos inventários e testamentos, as posses que podiam se movimentar: quais sejam, escravos e animais. Hoje o termo permanece apenas no meio jurídico, que o emprega para os bens dotados de movimento próprio, como os animais. Não obstante, permanece uma divisão guardada em silêncio e condicionada por um vocabulário que transforma cor em marcador social de diferença, reificado todos os dias pelas ações da polícia, que aborda muito mais negros do que brancos e neles dá flagrantes. Aqui é usual a prática de “interpelação”, esse pequeno teatro teórico e pragmático. Diante da força policial, não raro os indivíduos assumem um lugar que corriqueiramente optariam por rejeitar. Não basta ser inocente para ser considerado e se considerar culpado. Esse tipo de reação é chamado pelo antropólogo Didier Fassin de “memória incorporada”, quando, antes mesmo de refletir, os corpos lembram. Se na época da escravidão indivíduos negros trafegando soltos eram presos “por suspeita de escravos”, hoje são detidos com base em outras alegações que lhes devolvem sempre o mesmo passado e origem.

[...]


SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 91-93. (Fragmentos)





TEXTO 2


Uma história da escravidão no Brasil – o segundo
volume da trilogia


Entre 1700 e 1800, cerca de dois milhões de homens e mulheres foram arrancados de suas raízes africanas, embarcados à força nos porões dos navios negreiros e transportados para o Brasil. Muitos seriam vendidos em leilões públicos antes de seguir para as senzalas onde, sob a ameaça do chicote, trabalhariam pelo resto de suas vidas. No final do século XVIII, a América Portuguesa tinha a maior concentração de pessoas de origem africana em todo o continente americano. Os brancos formavam um grupo relativamente pequeno. Os índios, a essa altura já dizimados por doenças, guerras e a ocupação de seus territórios, sequer apareciam nas estatísticas. O motor da escravidão nesse período foi a descoberta de ouro e de diamantes, primeiro em Minas Gerais e, depois, em Mato Grosso e Goiás. A busca de novas riquezas, acompanhada pelo uso cada vez mais intenso da mão de obra cativa, fez com que o território brasileiro praticamente dobrasse de tamanho. Começavam também ali alguns fenômenos que marcariam profundamente a face do escravismo brasileiro. A escravidão urbana, de serviços, diferente daquela observada nas antigas lavouras da cana-de-açúcar na região Nordeste, deu maior mobilidade aos cativos, acelerou os processos de alforria, ofereceu oportunidades às mulheres e gerou uma nova cultura em que hábitos de origem africana se misturaram a outros, de raiz europeia e indígena. O agitado e rebelde século XVIII e a gigantesca onda africana que o marcou são os temas deste segundo volume da trilogia sobre a história da escravidão no Brasil.


GOMES, Laurentino. Escravidão: da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil, volume 2. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2021. (quarta-capa)





TEXTO 3



Ayoluwa, a alegria do nosso povo


Quando a menina Ayoluwa, a alegria do nosso povo, nasceu, foi em boa hora para todos. Há muito que em nossa vida tudo pitimbava. Os nossos dias passavam como um café sambango, ralo, frio e sem gosto. Cada dia era sem quê nem porquê. E nós ali amolecidos, sem sustância alguma para aprumar o nosso corpo. Repito: tudo era uma pitimba só. Escassez de tudo. Até a natureza minguava e nos confundia. Ora aparecia um sol desensolarado e que mais se assemelhava a uma bola murcha, lá na nascente. Um frio interior nos possuía então, e nós mal enfrentávamos o dia sob a nula ação da estrela desfeita. Ora gotejava uma chuva de pinguitos tão ralos e escassos que mal molhava as pontas de nossos dedos. E então deu de faltar tudo: mãos para o trabalho, alimentos, água, matéria para os nossos pensamentos e sonhos, palavras para as nossas bocas, cantos para as nossas vozes, movimento, dança, desejos para os nossos corpos.

Os mais velhos, acumulados de tanto sofrimento, olhavam para trás e do passado nada reconheciam no presente. Suas lutas, seu fazer e saber, tudo parecia ter se perdido no tempo. O que fizeram, então? Deram de clamar pela morte. E a todo instante eles partiam. E, com a tristeza da falta de lugar em um mundo em que eles não se reconheciam e nem reconheciam mais, muitos se foram. Dentre eles, me lembro de vô Moyo, o que trazia boa saúde, de tio Masud, o afortunado, o velho Abede, o homem abençoado, e outros e outros. Todos estavam enfraquecidos e esquecidos da força que traziam no significado de seus próprios nomes. As velhas mulheres também. Elas, que sempre inventavam formas de enfrentar e vencer a dor, não acreditavam mais na eficácia delas próprias. Como os homens, deslembravam a potência que se achava resguardada partir de suas denominações. E pediam veementemente à vida que esquecesse delas e que as deixasse partir. Foi com esse estado de ânimo que muitas delas empreenderam a derradeira viagem: vovó Amina, a pacífica; tia Sele, a mulher forte como um elefante; mãe Asantewaa, a mulher de guerra, a guerreira; e ainda Malika, a rainha. Com a ida de nossos mais velhos ficamos mais desamparados ainda. E o que dizer para os nossos jovens, a não ser as nossas tristezas?

[...]


EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2016. p. 111-112.





TEXTO 4


Após o ardor da reconquista
não caíram manás sobre os nossos campos


E na dura travessia do deserto
aprendemos que a terra prometida era aqui


Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
O padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.
Emergiremos do canto
como do chão emerge o milho jovem
e nus, inteiros recuperaremos
a transparência do tempo inicial
Puros reabitaremos o poema e a claridade
para que a palavra amanheça e o sonho não se perca.


LIMA, Conceição. Após o ardor da reconquista... In: DÁSKALOS, Maria

Alexandre; APA, Lívia; BARBEITOS, Arlindo (Org.). Poesia africana de

língua portuguesa (antologia). Rio de Janeiro: Lacerda, 2003. 





Na construção coesiva do Texto 3, determinados pronomes sinalizam relações com outras porções do próprio texto, realizando movimentos prospectivos e retrospectivos. Assinale o trecho cujo pronome em destaque realiza um movimento coesivo de prospecção em relação a outros trechos desse mesmo texto. 
Alternativas
Q3727470 Português
TEXTO 1



Escravidão é sinônimo de violência



Só se pode entender a montagem de uma instituição do porte do escravismo moderno atentando-se para a articulação entre a criação de colônias no ultramar e seu funcionamento sob a forma de grandes unidades produtoras voltadas para o mercado externo. A monocultura em larga escala exigia um grande contingente de trabalhadores que deveriam se submeter a uma rotina espinhosa, sem ter nem lucro nem motivação pessoal. Recriou-se, desse modo, a escravidão em novas bases, com a utilização de mão de obra compulsória e que exigia – ao menos teoricamente − trabalhadores de todo alienados de sua origem, liberdade e produção. Tudo deveria escapar à consciência e ao arbítrio desse produtor direto.

Da parte dos contratantes, a ideologia que se conformava procurava desenhar o trabalho nos trópicos como um fardo, um sofrimento, uma punição e uma pena para ambos os lados: senhores e escravos. O discurso proferido pela Igreja e pelos proprietários entendia tal trabalho árduo como uma atividade disciplinadora e civilizadora. Havia inclusive manuais − verdadeiros modelos de aplicação de sevícias pedagógicas, punitivas e exemplares − que instruíam, didaticamente, os fazendeiros sobre como submeter os escravizados e transformá-los em trabalhadores obedientes. Um exemplo regular era o famoso quebra-negro, castigo muito utilizado no Brasil para educar escravos novos ou recém-adquiridos e que, por meio da chibatada pública e outras sevícias, ensinava os cativos a sempre olhar para o chão na presença de qualquer autoridade.


[...]


Um sistema como o escravismo moderno só se enraíza com o exercício da violência. Da parte dos proprietários, a sanha contínua que visava à sujeição e obediência cegas para o trabalho. Da parte dos escravos, a reação se dava a partir de gradações que iam das pequenas insubordinações diárias e persistentes até as grandes revoltas e os quilombos.

De todo modo, a escravidão se enraizou de tal forma no Brasil, que costumes e palavras ficaram por ela marcados. Se a casagrande delimitava a fronteira entre a área social e a de serviços, a mesma arquitetura simbólica permaneceria presente nas casas e edifícios, onde, até os dias que correm, elevador de serviço não é só para carga, mas também e, sobretudo, para os empregados que guardam a marca do passado africano na cor. Termos de época mantêm-se operantes, apesar de o significado original ter se perdido. A expressão “ama-seca” era até pouco tempo usada no país, esquecendo-se, entretanto, de que naquele período essas amas se opunham às amas de leite, mulheres que muitas vezes deixavam de amamentar seus filhos para cuidar dos rebentos dos senhores. “Boçal” é ainda hoje uma pessoa com reduzida discriminação de locais e espaços – um tonto; assim como “ladino” continua a ser sinônimo de “esperto”. Em seu sentido primeiro, “boçais” eram os escravos recém-chegados e que, diferentemente dos “ladinos” – os cativos de segunda geração –, não dominavam a língua ou a região, tendo, por isso, poucas possibilidades de fuga.

Alguns termos desapareceram, como é o caso da expressão “bens semoventes”, outrora empregada para descrever de maneira indiscriminada, nos inventários e testamentos, as posses que podiam se movimentar: quais sejam, escravos e animais. Hoje o termo permanece apenas no meio jurídico, que o emprega para os bens dotados de movimento próprio, como os animais. Não obstante, permanece uma divisão guardada em silêncio e condicionada por um vocabulário que transforma cor em marcador social de diferença, reificado todos os dias pelas ações da polícia, que aborda muito mais negros do que brancos e neles dá flagrantes. Aqui é usual a prática de “interpelação”, esse pequeno teatro teórico e pragmático. Diante da força policial, não raro os indivíduos assumem um lugar que corriqueiramente optariam por rejeitar. Não basta ser inocente para ser considerado e se considerar culpado. Esse tipo de reação é chamado pelo antropólogo Didier Fassin de “memória incorporada”, quando, antes mesmo de refletir, os corpos lembram. Se na época da escravidão indivíduos negros trafegando soltos eram presos “por suspeita de escravos”, hoje são detidos com base em outras alegações que lhes devolvem sempre o mesmo passado e origem.

[...]


SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 91-93. (Fragmentos)





TEXTO 2


Uma história da escravidão no Brasil – o segundo
volume da trilogia


Entre 1700 e 1800, cerca de dois milhões de homens e mulheres foram arrancados de suas raízes africanas, embarcados à força nos porões dos navios negreiros e transportados para o Brasil. Muitos seriam vendidos em leilões públicos antes de seguir para as senzalas onde, sob a ameaça do chicote, trabalhariam pelo resto de suas vidas. No final do século XVIII, a América Portuguesa tinha a maior concentração de pessoas de origem africana em todo o continente americano. Os brancos formavam um grupo relativamente pequeno. Os índios, a essa altura já dizimados por doenças, guerras e a ocupação de seus territórios, sequer apareciam nas estatísticas. O motor da escravidão nesse período foi a descoberta de ouro e de diamantes, primeiro em Minas Gerais e, depois, em Mato Grosso e Goiás. A busca de novas riquezas, acompanhada pelo uso cada vez mais intenso da mão de obra cativa, fez com que o território brasileiro praticamente dobrasse de tamanho. Começavam também ali alguns fenômenos que marcariam profundamente a face do escravismo brasileiro. A escravidão urbana, de serviços, diferente daquela observada nas antigas lavouras da cana-de-açúcar na região Nordeste, deu maior mobilidade aos cativos, acelerou os processos de alforria, ofereceu oportunidades às mulheres e gerou uma nova cultura em que hábitos de origem africana se misturaram a outros, de raiz europeia e indígena. O agitado e rebelde século XVIII e a gigantesca onda africana que o marcou são os temas deste segundo volume da trilogia sobre a história da escravidão no Brasil.


GOMES, Laurentino. Escravidão: da corrida do ouro em Minas Gerais até a chegada da corte de dom João ao Brasil, volume 2. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2021. (quarta-capa)





TEXTO 3



Ayoluwa, a alegria do nosso povo


Quando a menina Ayoluwa, a alegria do nosso povo, nasceu, foi em boa hora para todos. Há muito que em nossa vida tudo pitimbava. Os nossos dias passavam como um café sambango, ralo, frio e sem gosto. Cada dia era sem quê nem porquê. E nós ali amolecidos, sem sustância alguma para aprumar o nosso corpo. Repito: tudo era uma pitimba só. Escassez de tudo. Até a natureza minguava e nos confundia. Ora aparecia um sol desensolarado e que mais se assemelhava a uma bola murcha, lá na nascente. Um frio interior nos possuía então, e nós mal enfrentávamos o dia sob a nula ação da estrela desfeita. Ora gotejava uma chuva de pinguitos tão ralos e escassos que mal molhava as pontas de nossos dedos. E então deu de faltar tudo: mãos para o trabalho, alimentos, água, matéria para os nossos pensamentos e sonhos, palavras para as nossas bocas, cantos para as nossas vozes, movimento, dança, desejos para os nossos corpos.

Os mais velhos, acumulados de tanto sofrimento, olhavam para trás e do passado nada reconheciam no presente. Suas lutas, seu fazer e saber, tudo parecia ter se perdido no tempo. O que fizeram, então? Deram de clamar pela morte. E a todo instante eles partiam. E, com a tristeza da falta de lugar em um mundo em que eles não se reconheciam e nem reconheciam mais, muitos se foram. Dentre eles, me lembro de vô Moyo, o que trazia boa saúde, de tio Masud, o afortunado, o velho Abede, o homem abençoado, e outros e outros. Todos estavam enfraquecidos e esquecidos da força que traziam no significado de seus próprios nomes. As velhas mulheres também. Elas, que sempre inventavam formas de enfrentar e vencer a dor, não acreditavam mais na eficácia delas próprias. Como os homens, deslembravam a potência que se achava resguardada partir de suas denominações. E pediam veementemente à vida que esquecesse delas e que as deixasse partir. Foi com esse estado de ânimo que muitas delas empreenderam a derradeira viagem: vovó Amina, a pacífica; tia Sele, a mulher forte como um elefante; mãe Asantewaa, a mulher de guerra, a guerreira; e ainda Malika, a rainha. Com a ida de nossos mais velhos ficamos mais desamparados ainda. E o que dizer para os nossos jovens, a não ser as nossas tristezas?

[...]


EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, 2016. p. 111-112.





TEXTO 4


Após o ardor da reconquista
não caíram manás sobre os nossos campos


E na dura travessia do deserto
aprendemos que a terra prometida era aqui


Ainda aqui e sempre aqui.
Duas ilhas indómitas a desbravar.
O padrão a ser erguido
pela nudez insepulta dos nossos punhos.
Emergiremos do canto
como do chão emerge o milho jovem
e nus, inteiros recuperaremos
a transparência do tempo inicial
Puros reabitaremos o poema e a claridade
para que a palavra amanheça e o sonho não se perca.


LIMA, Conceição. Após o ardor da reconquista... In: DÁSKALOS, Maria

Alexandre; APA, Lívia; BARBEITOS, Arlindo (Org.). Poesia africana de

língua portuguesa (antologia). Rio de Janeiro: Lacerda, 2003. 





Analise os excertos do Texto 1, a seguir, e assinale a alternativa que indica corretamente as relações semânticas que o termo em destaque estabelece na cadeia coesiva do texto.
Alternativas
Q3678980 Português
Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão.

Cometa cruzará céu da Terra após 50 mil anos

texto.jpg (324×807)

texto_2.jpg (290×82)
O cometa C/2022 E3 (ZTF) cruzará novamente o céu da Terra após 50 mil anos desde a última visita e poderá ser visto a olho nu no final deste mês. (L.1-3)
O pronome sublinhado no período acima desempenha, no texto, papel 
Alternativas
Q3381444 Português

Leia o fragmento seguinte para responder a questão.


“Esses dois componentes são modulados pelas culturas e pelas sociedades, mas não é sobre modulação cultural que irei discorrer: antes de mais nada, tentarei indicá-los.”(linhas 18-19)

Em “...antes de mais nada, tentarei indicá-los”, o vocábulo em destaque é uma forma pronominal coesiva
Alternativas
Q3267544 Português

Para responder a questão, considere os textos a seguir.


TEXTO 4



TEXTO 5


Para ler de maneira adequada os dois textos, o leitor precisa considerar
Alternativas
Respostas
3081: C
3082: B
3083: D
3084: D
3085: B
3086: C
3087: A
3088: A
3089: C
3090: A
3091: B
3092: C
3093: E
3094: D
3095: D
3096: C
3097: C
3098: C
3099: D
3100: C